1822             -                NAVIOS DE GUERRA BRASILEIROS            -               Hoje

 

Almirante

Henrique Aristides Guilhem

 

Nome

 

O NOME

 

O Almirante Henrique Aristides Guilhem, filho do Sr. Domingos Aristides Guilhem e de dona Teresa Francisco Fontes Guilhem, nasceu no Distrito Federal em 26 de dezembro de 1875.

 

Aspirante a Guarda-Marinha de 1891.

 

Obteve as promoções a todos os postos de oficial superior por merecimento.

 

Como Aspirante a Guarda-Marinha acompanhou o Almirante Saldanha da Gama no movimento de 1894. Foi por esse motivo excluído da Marinha; sendo anistiado, posteriormente, teve sua readmissão em 1896.

 

Desempenhou sempre com brilho todas as comissões que lhe foram confiadas, sobressaindo-se na de limites e na de levantamentos hidrográficos.

 

Como dirigente, prestou assinalados serviços como Diretor da Imprensa Naval em 1911, no posto de Capitão-Tenente; Diretor-Geral de Aeronáutica; Diretor da Escola Naval e Diretor-Geral de Fazenda da Armada.

 

Achava-se no cargo de Chefe do Estado-Maior da Armada, quando foi convidado pelo governo para assumir a pasta da Marinha; sendo nomeado Ministro de Estado dos Negócios da Marinha a 19 de novembro de 1935, exerceu com proficiência tão elevado cargo até 29 de outubro de 1945.

 

As suas realizações na pasta da Marinha, representam um marco de progresso na nossa administração naval.

 

Grande impulsionador da Aviação Naval viu com certa tristeza sua passagem para o Ministério da Aeronáutica.

 

Mandou construir campos de pouso ao longo do litoral do país; iniciador da instrução de vôos noturnos na Escola de Aviacão Naval; construção e aparelhagem das Bases de Aviação Naval no Rio Grande do Sul e em Santos; prosseguimento das obras da Base de Mato Grosso, em Ladário; ampliação das oficinas da Aviação Naval, no Rio de Janeiro; construção do aeródromo da Base do Rio Grande; construção de inúmeros faróis e faroletes ao longo da costa; remodelações do Encouraçado Minas Gerais e do Submarino Humayta; intensificação das obras de conclusão e aparelhamento do Arsenal de Marinha da ilha das Cobras e inicio das construções navais; construção de navios da classe “C”; construção de Contratorpedeiros condutores de flotilha da classe “M” e inúmeras outras realizações de vulto.

 

A respeito da administração do Almirante Guilhem na pasta da Marinha, escreveu o Dr. Vladimir Bernardes, ao ensejo do quinto ano de gestão: “Nos cinco anos de sua fecunda administração, o Almirante Guilhem fez ressurgir em moldes grandiosos, firmados em bases sólidas, a construção naval de guerra. Nossos estaleiros oficiais tiveram a dita de movimentar-se dando ao operariado brasileiro oportunidade para demonstrar as suas raras qualidades de inteligência e de dedicação ao serviço. Na sua nova fase os estaleiros dos nossos arsenais já deram aos mares da pátria dois Monitores para a navegação fluvial, seis Navios-Mineiros e um grande Destroyer – o Marcilio Dias, tendo batido as quilhas de mais quatro:o Greenhalgh, o Mariz e Barros, o Amazonas e o Araguaia, estando já em estudos a construção de mais seis Destroyers, para substituir os que haviam sido encomendados na Inglaterra.

 

Além desse formidável surto de vida e de trabalho em nossos arsenais, o Almirante Guilhem construiu novos departamentos de clinicas para o pessoal da Marinha, sendo obra de relevo o pavilhão “Carlos Frederico”, na Boca do Mato, Quartel Central do Corpo de Marinheiro. e uma infinidade de melhoramentos disseminados pelas bases navais, nos Estados, empreendimentos esses destinados a dar uma forte estrutura orgânica aos serviços da Marinha, quer na sua parte material, como, também, na sua parte administrativa.

 

No dia de hoje, o Almirante Guilhem, modesto e justiceiro, como sabe ser, distribuirá com os seus colegas de classe, com o dedicados operários e artífices dos arsenais, os quinhões que lhes cabem por terem compreendido os desejos do chefe, quando ele os incitou a trabalhar pela grandeza do Brasil criando, exaltando uma Marinha forte, material e espiritualmente, de modo a que a nação brasileira possa traçar no mar, como todos os grandes povos, os rumos do seu progresso e as seguranças da sua independência.”

 

Faleceu, Rio de Janeiro, em 3 de janeiro de 1949.


- Andréa, Júlio. A Marinha Brasileira: florões de glórias e de epopéias memoráveis. Rio de Janeiro, SDGM, 1955.
[Voltar no Browser]