
Armada
invisível
Não há quem não fique deslumbrado com a fabulosa
máquina de guerra norte-americana em ação. Os EUA,
como alguns países do chamado primeiro mundo, são
capazes de mostrar o seu poder de influência em qualquer
lugar do globo, empregando sua marinha de guerra como
braço armado da política externa, obrigando seus
oponentes a aceitar as diretrizes impostas pela via
diplomática.
Sem ter como fazer frente à opulência das grandes
potências navais, o Brasil vem adotando uma estratégia
adequada ao seu restrito orçamento: estamos tentando
compensar o exíguo número de embarcações que temos,
com o máximo em excelência tecnológica possível.
Buscamos também a elevação crescente do grau de
nacionalização dos equipamentos, contribuindo para o
desenvolvimento e independência tecnológica em várias
áreas.
Da mesma forma, como não podemos ter uma "Armada
Invencível", estamos concebendo uma "Armada
Invisível". O programa de construção dos
submarinos convencionais da classe "Tupi" já
lançou ao mar três das cinco unidades previstas e hoje
o Brasil comprovadamente domina com exatidão todas as
etapas de sua fabricação.
A simples presença do submarino no teatro de
operações, um caçador por criação e furtivo por
natureza, representa tal ameaça ao inimigo, que a ampla
mobilização de meios para localizá-lo, por si só, já
justificaria a sua concepção. Capaz de infligir pesadas
baixas, mesmo a uma frota de maior poderio, ele faz valer
o lema dos submarinistas: "Só existem dos tipos de
navios: os submarinos e os alvos".
Recentemente, em manobras com Marinhas da OTAN, o
submarino brasileiro Tamoio demostrou um pouco
do seu potencial ao "afundar" a nau-capitânea
"inimiga", o porta-aviões espanhol Príncipe
de Asturias, furando o bloqueio de escoltas sem
sequer ser detectado.
A manutenção pelo Brasil de uma moderna força de
submarinos, incluindo submarinos movidos à propulsão
nuclear, inviabilizará no futuro a opção do uso da
força por qualquer país que tenha interesses
antagônicos aos nossos, tornando o caminho diplomático
sempre a melhor saída.
Rutênio Sampaio
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