OPINIÃO

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A operação de jatos pela primeira vez no NAeL nacional provocará a alteração das normas de segurança e novos procedimentos deverão surgir

Novo Grupo Aéreo

Uma proposta para a operação de jatos no NAeL  "Minas Gerais"


A proposta a seguir é baseada nos elementos aéreos disponíveis da MB, sem levar em consideração possíveis alterações como a introdução de radares multimodo nos A-4, ou o lançamento de mísseis ASM por parte destes.


n Guilherme Poggio

Essa proposta é viável do ponto de vista numérico. Ao todo seriam embarcados 20 aeronaves sendo dez aviões e dez helicópteros. Os tipos de aeronaves são os mesmos até agora embarcados pela MB, mais os A-4, numa configuração aeronaval distinta da até aqui aplicada.

Grupo Aéreo proposto

  • 10 A-4 Skyhawk

  • 05 SH-3 Sea King

  • 03 UH-14 Super Puma

  • 02 UH-13 Esquilo


Disposição das aeronaves no A-11

 

A introdução dos A-4 no nosso NAeL, será algo muito singular, e vários serão os aprendizados. Desde as operações aéreas (pousos e decolagens) até a hangaragem dos aviões. Foi proposto uma disposição no convés de vôo que permite a operação conjunta das pistas de decolagem e aterrissagem (em termos pois não é possível as duas atividades ao mesmo tempo), bem como liberdade para acionar qualquer um dos elevadores, de forma que, as aeronaves estacionadas no convôo não atrapalham essas manobras.

Como pode ser visto no desenho abaixo, algumas mudanças nas marcações de solo foram feitas para permitir o estacionamento de oito A-4, sem interferência em decolagens e pousos. A linha paralela a catapulta (que na atualidade está próxima a ilha) foi avançada para junto desta, pois não mais existirão decolagens sem catapultas e a envergadura dos A-4 é muito menor que os P-16 (22,12 m contra 8,4 m). Isso permite o estacionamento de outros A-4 de forma paralela a catapulta (como era no ARA 25 de Mayo). Da mesma forma a linha que acompanha as marcações da pista de pouso foram reduzidas. Essas mudanças, baseadas nas menores dimensões dos A-4 (comprimento 12,30 envergadura 8,4 m), permitem um maior número de aeronaves estacionadas no convés.

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A introdução dos jatos A-4 Skyhawk no nosso NAeL, será algo muito singular e vários serão os aprendizados para a Marinha do Brasil

O estacionamento de A-4 paralelamente a catapulta não permite que os dois helipontos situados ali sejam utilizados. Aliás, em função disso, eles serão daqui para frente muito pouco utilizados, quando da dotação aérea máxima do A-11. Por outro lado, como a pista de pouso estará livre, os helicópteros poderão levantar vôo de qualquer uma das quatro marcações ali existentes (no desenho, existe um Esquilo posicionado para decolagem, atuando como "Paulo" antes das operações aéreas serem iniciadas). A operação de jatos pela primeira vez num NAeL nacional alterará as normas de segurança e novos procedimentos surgirão.
A disposição proposta no desenho abaixo, com todas as vinte aeronaves embarcadas, permite o lançamento de uma aeronave de imediato (estacionada na catapulta), enquanto outras duas (junto a ilha) estariam prontas para a decolagem, apenas aguardando para serem lançadas. As reduzidas dimensões do A-4 permitem que até sete aviões sejam hangarados no convés inferior (segundo minhas estimativas conservadoras)! Mas, de acordo com o desenho abaixo oito desses aviões já estariam no convôo e os outros dois próximos ao elevador de proa. Junto ao elevador de popa estariam os demais helicópteros, mais próximos dos pontos onde decolariam.

Missão das aeronaves

Os A-4 seriam divididos em dois grupos de quatro aeronaves. Sendo um grupo configurado para interceptação e defesa aérea, e o outro dedicado a ataque naval, bombardeio e CAS (Close Air Suport) em apoio aos fuzileiros. O armamento do primeiro grupo estaria composto por mísseis AIM-9, além dos canhões internos. No segundo grupo o armamento seria mais variado, indo desde bombas de queda livre até casulos lança foguetes. As outras duas aeronaves estariam encarregadas de executar missões ReVo (Reabastecimento em Vôo) além de atuarem como aviões reservas para os dois grupamentos. Cabe destacar que, como segunda função, todos os aviões devem ser capazes de executar as missões dos demais.

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Mesmo com a operação dos A-4 a partir do Minas Gerais, os Sea King continuarão a desempenhar a função de ataque anti-navio com mísseis Exocet AM-39

Duas versões dos Sea King seriam embarcadas no A-11. Um conjunto de três aeronaves SH-3B, estariam totalmente equipadas para a Guerra ASW, incluindo aquisição, acompanhamento e ataque aos alvos submarinos. Secundariamente estas aeronaves executariam missões complementares como SAR e esclarecimento marítimo. As outros dois helicópteros, do tipo SH-3A, estariam voltados para o lançamento de ASM Exocet, complementando a missão anti-navio dos A-4 e o esclarecimento marítimo, junto com os Super Puma.

Os três Super Puma teriam como missão o esclarecimento marítimo, transporte de cargas pesadas e transporte de fuzileiros. Na atualidade, os Super Puma já executam todas estas tarefas porém, mais ênfase seria dada à tarefa de esclarecimento uma vez que os A-4 não tem radar.
A atuação dos Esquilos não diferia em quase nada das funções atuais, sendo empregados como utilitário, ligação, transporte leve, ataque leve, etc.

Conclusões

 

O grupo aéreo embarcado aqui proposto baseia-se na atuação do A-11 como "navio de controle de área marítima". Foi dado também um caráter multifuncional com o embarque de meios bem distintos. Como o NAeL é de dimensões reduzidas, não há espaço para aeronaves especializadas (aliás, isso só ocorre nos NAe americanos) e, portanto, cada uma das aeronaves embarcadas deve possuir caráter polivalente.

Esta é uma configuração que privilegia a dupla defesa aérea/ataque ar-superfície, com uma menor ênfase na guerra ASW. Portanto, a Marinha passaria a contar com uma opção aerotática que não possuía (defesa aérea da frota) e reforça outra missão pouco expressiva até o momento (ataque anti-naval com helicópteros e aviões). A diminuição dos meios ASW (fim da carreira dos Tracker e redução no número de SH-3B) seria compensada pelas escoltas (fragatas e corvetas ASW), e pelos elementos aéreos que estas embarcarem. A maior deficiência continua sendo a falta de aeronaves AEW, que podem comprometer seriamente a missão de todo o grupo tarefa. Não se aceita mais na guerra aeronaval moderna a ausência desde elemento.