DOSSIÊ

US Navy
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Submarinos de ataque como o USS Archerfish (SSN-678) foram muito úteis aos americanos em missões secretas de coleta de informações, durante a Guerra Fria

A Guerra Fria submarina


Durante a Guerra Fria com a União Soviética de 1948 a 1991, a Marinha dos Estados Unidos lançou mais de 2.000 missões secretas contra o Kremlin. Os homens que operaram estes "underwater U-2s" são testemunhas de uma série de fatos que, na sua maioria, ainda permanecem sigilosos.


n David Colley

Era um regresso tímido à Guerra Fria. Em 4 de abril de 1997, um navio de carga russo que espionava o submarino USS Ohio, quando este navegava por uma passagem profunda a leste de Washington, iluminou com um feixe de laser um helicóptero canadense. A nova Rússia estava confiando em uma velha tática soviética — utilizando traineiras conhecidas como AGIs (navios auxiliares de coleta de informações).

 

Quando a Guerra Fria supostamente terminou em 1991, a Força de Submarinos americana era composta por 61.000 marinheiros, 34 submarinos armados com mísseis balísticos (SSBN) e 89 submarinos de ataque (SSN).

"Os EUA e a União Soviética tinham lutado uma grande, não declarada e às vezes violenta Guerra Fria sob o mar", escreveram Chris Drew e Michael Millenson no Chicago Tribune.

Filmes como "A Caçada ao Outubro Vermelho" (The Hunt for Red October), trouxeram um pouco daquela guerra para a casa dos americanos, que não desconfiavam dos acontecimentos que estavam se desenrolando nas profundezas dos mares.

Era "a luta pela dominação do mundo submarino – a Guerra Fria submarina – uma guerra dentro de uma guerra que poderia muito bem representar o teatro de operações mais significante de todos" – escreveu Thomas S. Queima, em "A Guerra Secreta pelas Profundezas dos Oceanos" (Secret War for the Ocean Depths) onde "a última arma da Marinha" era o submarino, o "Rei dos Mares".

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Os primeiros submarinos a realizarem missões especiais na Guerra Fria foram os Guppy da US Navy, que eram remanescentes da Segunda Guerra

O conflito submerso foi empreendido abaixo da superfície do gelo do Atlântico Norte, nas águas rasas do Mediterrâneo e pelos canyons mais profundos do Pacífico. Foi travado abaixo das calotas polares, onde submarinos de ataque americanos espreitavam os submarinos balísticos soviéticos. Chegou aos litorais da América do Norte e da ex-URSS. Submarinos às vezes deslocavam-se sorrateiramente por enseadas e esconderijos nas proximidades dos portos inimigos e esperavam para "sombrear" a embarcação adversária.

Ambos os lados posicionaram sofisticados dispositivos de escuta nos leitos oceânicos. O sistema americano (acredita-se, o mais avançado), denominado Sound Surveillance System (SOSUS), consistia de cabos de hidrofones plantados em pontos estratégicos no fundo dos oceanos. O SOSUS era tão sensível, que a US Navy tinha a capacidade de localizar os submarinos soviéticos a milhares de milhas da costa dos EUA.

Dos Guppy aos SSN

A Guerra Fria submersa começou logo depois da Segunda Guerra Mundial, em conseqüência do aumento das hostilidades entre os EUA e ex-URSS. Os submarinos da US Navy eram apenas submarinos remanescentes da Segunda Guerra com algumas melhorias (os Guppy), porém a velocidade deles era tão limitada quanto a profundidade de mergulho.

Com a intensificação da Guerra Fria, o design e os sistemas de propulsão dos submarinos americanos mudaram radicalmente. Primeiro veio o submarino nuclear USS Nautilus, em 1954. A combinação do poder nuclear com um moderno casco hidrodinâmico usado pela primeira vez no USS Albacore, moldado em forma de gota de lágrima, revolucionou a guerra submarina. Os submarinos americanos agora eram capazes de operar por meses e a profundidades de centenas de pés com velocidades superiores a de muitos navios.

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O USS Nautilus foi o primeiro submarino do mundo impulsionado a energia nuclear. Em 1958 ele realizou a primeira travessia polar submarina

Em 1960, os EUA protagonizaram outra revolução tecnológica introduzindo os boomers, submarinos nucleares armados com mísseis balísticos (SSBNs), que substituíram os submarinos que transportavam os mísseis de alcance intermediário (SSGNs). O primeiro dos SSBNs, o George Washington, foi o primeiro submarino da classe Skipjack convertido para lançar até 16 mísseis intercontinentais Polaris.

Os submarinos Polaris foram seguidos pelos Improved Lafayette, que eram quipados com os mísseis Poseidon, de maior alcance. Seguiu-se os da classe Ohio, armados com os temíveis mísseis Trident. Estes submarinos possuíam a reputação de serem as unidades mais silenciosas a se fazerem ao mar.

Os submarinos de ataque norte-americanos (SSNs) combinam altas velocidades com baixos níveis de ruído. Eles foram concebidos para defender as Task Forces da Marinha, mantendo a segurança das áreas de operação das forças de superfície e caçar os SSBNs soviéticos e mesmo outros submarinos de ataque inimigos. As classes Skipjack, Permit e Sturgeon dos anos sessenta, foram seguidos pelos submarinos da classe Los Angeles nos oitenta e noventa.

 

Os submarinos Los Angeles são "os maiores predadores nucleares, soviéticos ou americanos, já vistos no mar", escreveram os editores da Time-Life, no livro "Caçadores das Profundezas" (Hunters of the Deep). A classe Seawolf e a nova NSSN, conduzirão as missões da US Navy no século XXI.

A frota de submarinos da União Soviética foi desenvolvida para se opor à ameaça americana. Os russos lutaram durante décadas para fazer frente às altas velocidades e métodos silenciosos dos submarinos da US Navy. Eles construíram uma série de classes, Novembers, Alfas, Victors, Akulas e Sierras. No final da década dos oitenta, os soviéticos tinham aparentemente alcançado uma paridade tecnológica com os EUA.

Patrulhas agressivas da US Navy eram consideradas particularmente necessárias, uma vez que os soviéticos mantinham uma admirável superioridade numérica de uns 350 submarinos de todos os modelos, no auge da Guerra Fria. Os EUA possuíam aproximadamente 120 submarinos.

Coleta de Informações

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Lançamento de um míssil Polaris por um submarino americano: por seu alto valor estratégico, os SSBN passaram a ser alvo dos submarinos de ataque SSN

Uma vez que os SSBNs de ambas as nações, asseguravam a aniquilação mútua em caso de guerra total, os Serviços de Inteligência eram de suprema importância. Averiguar as características e capacidades dos submarinos de cada país tornou-se crucial para a segurança nacional.

Submarinos americanos começaram a espionar os soviéticos em maio de 1948, quando o USS Sea Dog conduziu patrulhas de reconhecimento ao longo da costa siberiana. O USS Blackfin cobria as zonas onde o Sea Dog deixava de atuar.

Uma década depois, estas missões tornaram-se ainda mais ousadas e essenciais. Em 1957, o USS Gudgeon, o primeiro submarino a circunavegar o globo, foi descoberto bisbilhotando os arredores da base naval soviética de Vladivostok dentro de águas territoriais russas. Durante 30 horas o submarino foi perseguido por destroyers russos. O Gudgeon finalmente foi forçado a vir à superfície para reestabelecer sua provisão de ar. Subiu pronto para lutar, mas os russos permitiram que ele se retirasse.

Ações soviéticas no Atlântico e Mediterrâneo deram ímpetos a operações para coletar informações sobre as comunicações eletrônicas e obter boas fotografias para a inteligência americana. Submarinos soviéticos começaram a patrulhar no mediterrâneo em 1958-59. Consta que em 1967, 13 unidades russas estavam lá em patrulha.

Em maio de 1959, o USS Grenadier, navegando nas proximidades da Islândia, localizou e seguiu um submarino soviético até ele vir à tona.

A Operação Holystone, também conhecida como Pinnnacle, Bollard e Barnacle, foi lançada naquele mesmo ano. Seu enfoque era buscar informações úteis para os serviços de Inteligência. Às vezes, os comandantes dos submarinos eram forçados a correr riscos significativos, com o objetivo de obter informações sobre as novas tecnologias russas.

 

O USS Harder em 1961, navegou pelo canal de acesso da base naval soviética de Severomorsk no Mar de Barents. "Parecia uma eternidade", recorda um dos membros da tripulação "mas a corrida provavelmente durou menos que uma hora".

Em 1963, o USS Swordfish passou despercebido no meio de um exercício de guerra anti-submarino soviético, que estava sendo executado no Pacífico Norte. Os soviéticos lançaram buscas contra o Swordfish por dois dias. Mas ele, movido a propulsão nuclear, não necessitou vir à superfície para reabastecer-se de ar e porisso acabou escapando.

O Swordfish e sua missão proporcionou aos EUA uma vasta gama de informações para serem analisadas pelo Serviço de Inteligência da US Navy, como uma gravação registrando o mensagens de rádio soviéticas e plotagens dos padrões de busca dos radares.

Pelas operações especiais conduzidas entre 1963-65, a tripulação do Swordfish foi agraciada com diversas condecorações da US Navy, tendo o capitão recebido a Legion of Merit.

Uma estação perto da URSS

Submarinos americanos estabeleciam regularmente estações de observação próximo aos portos soviéticos para aprender, tanto quanto fosse possível, sobre as manobras soviéticas e capacidades operacionais. Uma das táticas favoritas era "sombrear" (navegar próximo, pela popa) secretamente os navios russos, quando estes deixavam o porto em missão.

"Alguns submarinos passaram a menos de 50 pés abaixo das quilhas dos navios soviéticos para tirar fotografias dos propulsores e gravarem os sons das hélices girando" – informou o Chicago Tribune.

Em 1969, o USS Lapon seguiu um submarino soviético no Atlântico Norte durante 40 dias sem ser detectado. Os operadores de sonar do Lapon se familiarizaram bem com os sons diários e hábitos a bordo do submarino soviético. Eles deram apelidos a vários oficiais de serviço russos e podiam até mesmo, ouvir quando uma chave-inglesa era derrubada.

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SSN da classe Victor I: algumas colisões ocorreram entre submarinos russos e americanos em perseguições mútuas, causando muitas mortes

Ocasionalmente, tais "encontros íntimos" tornaram-se mortais. Em julho de 1970, o submarino de ataque USS Tautog estava "sombreando" um SSBN soviético no norte do Pacífico, quando o comandante russo, desconfiado, ordenou uma volta completa para conferir se estava sendo seguido por um submarino americano.

"De repente o Ivan estava vindo e gritando em nossa direção", recorda um tripulante do Tautog. Os propulsores do barco soviético golpearam o submarino americano na altura da vela. As 4.800 toneladas do Tautog resistiram ao impacto, mas o submarino russo não teve a mesma sorte.

A colisão provavelmente rompeu a selamento do propulsor e a água do mar invadiu os compartimentos. Os operadores de sonar do Tautog puderam ouvir os horríveis sons do submarino russo rompendo-se e afundando.

Rumores persistem que o USS Scorpion, perdido perto dos Açores em maio de 1968, foi para o fundo depois de perseguir e colidir com um submarino soviético, que poderia ter seguido a embarcação americana.

Mais colisões submarinas: em 1986, o USS Augusta, um submarino de ataque, bateu num submarino nuclear soviético no Atlântico Norte, enquanto testava um sistema de sonar novo. Em 1992, o USS Baton Rouge, colidiu ao norte da Groelândia com outro submarino russo.

"Nós sabíamos que os soviéticos estavam lá fora, provavelmente às vezes bem ao nosso lado, enquanto nós patrulhávamos as vastas áreas do Pacífico, " diz James Crenshaw, que serviu no SSBN John Marshall entre 1976-80.

Operações Especiais

Por volta de 1970, o EUA desenvolveram submarinos projetados para complexas operações de espionagem. Os submarinos USS Halibut, USS Seawolf e USS Parche foram modificados para executar as "operações especiais" ao redor da União Soviética. As missões eram tão secretas e sensíveis, que os participantes ativos eram homens selecionados de diferentes tripulações de submarinos e era montada uma cortina ao redor das unidades enquanto estavam atracadas ao porto para não serem identificadas.

Nos dias que antecediam a partida, não era permitido aos marinheiros escalados falarem com outros que não fossem de seus submarinos. "Eu assinei um papel que me proíbe que fale sobre isto durante 80 anos", disse um submarinista veterano.

Detalhes de ações, como a Operação Parche, são classificados, mas sabe-se que estas operações submarinas especiais ganharam cinco Citações Presidenciais (Presidential Unit Citations) e três Citações da Marinha (Navy Unit Citations).

Alguns aspectos destas operações especiais são conhecidos. Uma das mais bem sucedidas destas missões, codenome Ivy Bells, era o "grampeamento" de um cabo submarino de comunicações vitais no leito do oceano soviético. A missão foi confiada ao USS Halibut, o qual esgueirou-se pelo fundo do Mar de Okhotsk na baía que separa a Península de Kamchatka, do continente soviético. Mergulhadores desceram ao fundo do mar, abaixo 400 pés da superfície, para instalar um gravador.

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O USS Kamehameha (SSN-642), que foi convertido de SSBN para submarino de operações especiais, é facilmente identificável pelos shelters atrás da vela

O Halibut e outros submarinos aptos a executar as tais operações especiais também levavam robôs que poderiam explorar o leito do oceano, se necessário. "Nós tínhamos capacidades semelhantes àquela equipe que localizou e investigou o naufrágio do Titanic", segundo relato de um ex-tripulante.

O USS Seawolf e o USS Parche também participaram recuperando e substituindo o dispositivo gravador. De acordo com um dos submarinistas, os submarinos permaneciam submersos em prontidão durante 30 dias, para registrar as conversações em tempo real, então eles deixavam para trás o dispositivo gravador durante vários meses.

As missões eram tão sensíveis que pelo menos um submarino, o Seawolf, foi equipado com cargas explosivas de demolição na proa e à popa. Se o submarino fosse capturado, seria oferecida a opção de abandonar a embarcação antes da destruição do submarino. "Mas, com a baixa temperatura da água, você não iria viver muito tempo, assim poderia muito bem escolher ficar com o navio e afundar junto", afirma um ex-tripulante.

Em uma desta missões, o Seawolf infringiu regras básicas e lançou bolhas de ar na superfície. Um cruzador soviético tentou localizar o Seawolf durante todo o dia seguinte. "Todos estavam suando em rios, mas nós permanecemos muito bem camuflados", recordam alguns ex-tripulantes.

As Operações Ivy Bells continuaram até 1981, quando a existência delas foi denunciada à URSS por um espião americano.

Os russos também tentaram fazer o mesmo com um cabo de comunicação transoceânico americano, aparentemente sem êxito. Em 1985, satélites espiões americanos descobriram um submarino soviético que vagava por uma parte rasa do Atlântico. A Marinha despachou o submarino de ataque USS Baltimore para observar secretamente as ações russas.

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Um submarino russo acidentado da classe Golf foi retirado do fundo pela US Navy, para a obtenção de informações críticas sobre seus mísseis

O submarino russo lançou um trenó e mergulhadores e iniciou uma sondagem do solo oceânico a 300 pés de profundidade. As águas eram muito escuras para os americanos determinarem o alvo da missão soviética, mas eles estavam cavando e perfurando, presumivelmente tentando localizar um cabo oceânico. Acredita-se que a missão tenha terminado em fracasso e também em tragédia quando o trenó e os mergulhadores não conseguiram retornar ao submarino soviético.

O feito de maior publicidade da inteligência americana foi o apresamento de um submarino soviético que afundou no meio do Pacífico, em 8 de março de 1968. O SOSUS detectou os sons do submarino quando este estava explodindo e depois o Halibut, especialmente provido com estabilizadores para permitir que ele pairasse imóvel no fundo do oceano, localizou os destroços usando máquinas fotográficas especiais.

Roger C. Dunham, um oficial de segunda classe a bordo do Halibut durante a operação, escreveu uma observação fictícia sobre esta ação no seu livro, "Submarino Espião" (Spy Sub). Clarence E. Moore, que era o Comandante do Halibut na ocasião, recebeu a Distinguished Service Medal por seu trabalho.

O navio de salvamento submarino Glomar Explorer recuperou todo ou grande parte do submarino para ser avaliado pela US Navy. Diz-se que o submarino partiu-se em várias pedaços e apenas algumas partes de seu casco foram recuperadas. Alguns observadores, porém, afirmam que a estrutura inteira foi resgatada. "Os rumores são de que a Marinha conseguiu o que queria" – disse um submarinista reformado.

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O USS Thresher afundou em abril de 1963, numa área de 8.400 pés de profundidade, com 112 tripulantes e 17 trabalhadores civis abordo. A causa de sua perda ainda é um mistério

Ainda em Patrulha

Os EUA perderam três submarinos durante a Guerra Fria. Um quarto, o USS Stickleback, afundou depois de ter colidido com o destróier Silverstein, em 30 de maio de 1958, ao sudeste de Pearl Harbor. Todos os 82 tripulantes sobreviveram.

A primeira perda da Guerra Fria foi o submarino convencional Cochino, que afundou no Mar de Greenland próximo à Noruega, em agosto de 1949, depois da explosão de suas baterias. O Cochino estava realizando uma patrulha de reconhecimento. A publicação soviética Red Fleet afirmou que o afundamento do Cochino ocorreu "não muito longe de Murmansk".

Um tripulante foi perdido com o Cochino, e seis outros do submarino USS Tusk também morreram ao serem atirados nas águas frias do mar, enquanto tentavam salvar o Cochino, em uma "epopéia de heroísmo incomparável".

O USS Thresher afundou a 220 milhas a leste de Boston em abril de 1963, numa área de 8.400 pés de profundidade, com 112 tripulantes e 17 trabalhadores civis abordo. Durante operações de busca, traineiras soviéticas atravessaram a área recheados com equipamento eletrônico de coleta de informações.

Embora a perda de Thresher tenha sido devastadora para US Navy, os ensinamentos tomados com as investigações do afundamento descobriram numerosas falhas no projeto de construção dos submarinos. As reformas que ocorreram depois disso, podem ter poupado outras unidades do sombrio fim no fundo do oceano e salvo muitas outras tripulações.

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Os November foram os primeiros submarinos russos movidos a propulsão nuclear. Eram considerados mais perigosos às suas tripulações do que aos americanos

O Scorpion, com 99 homens a bordo, perdeu-se a 460 milhas dos Açores a uma profundidade de 10.000 pés, cinco anos mais tarde. Ele estava comissionado no 6º Esquadrão de Submarinos, 62ª Divisão, na 6ª Frota do Mar mediterrâneo.

Pelo menos 16 outros tripulantes americanos foram perdidos a bordo de submarinos, em acidentes durante operações na Guerra Fria.

Acredita-se que seis submarinos soviéticos foram perdidos. Entre eles estão: o S-117, em 15 de Dezembro de 1952; o K-129, em 8 de março de 1968; o K-8, em 12 de abril de 1974; e o Komsomolets (42 mortos), em 7 de abril de 1989. Notícias não confirmadas indicam que um submarino nuclear não identificado tenha desaparecido em abril 1970, e um submarino da classe Charlie afundado em Kamchatka, em setembro de 1983.

Outros submarinos soviéticos podem ter sido perdidos, sem o conhecimento da Inteligência americana, ou até mesmo o fato seja mantido em segredo por soviéticos e americanos. Ninguém sabe o número exato de submarinistas soviéticos que perderam suas vidas, mas o número presumido é maior que perdas americanas.

Reconhecimento dos serviços prestados muito além do dever

Wylie Miller serviu em missões classificadas entre 1958 e 1962. "Pessoas em submarinos não podem falar exatamente onde estiveram, mesmo porque, nem mesmo nós sabíamos onde realmente estávamos, de qualquer forma" – disse Miller, depois de receber a Armed Forces Expeditionary Medal, 30 anos mais tarde.

"Agora que aquelas informações estão disponíveis aos pesquisadores (por recente desclassificação), a Marinha está nos recompensando. Muitos submarinistas da ativa e da reserva estão recebendo prêmios pelas operações militares previamente classificadas".

Além de ganharem a insígnia de submarinista ornamentado com um golfinho, desde 1969 eles também recebem um broche no formato de um SSBN. Essas antigas patrulhas dos SSBN duravam de 90 a 105 dias, dos quais 60 a 70 dias permaneciam constantemente submersos.

A Navy Expeditionary Medal também é concedida a marinheiros que "operaram sob certas circunstâncias, que depois de uma análise rigorosa são julgados merecedores de reconhecimento especial". Esta é a definição clássica dos submarinos que atuavam nas agora conhecidas operações especiais.

Existem também condecorações individuais especias. Alguns receberam uma "comenda negra", uma medalha que é mencionada na ficha de serviços do militar, mas que ele não pode ser ostentar em seu uniforme.

"A vida a bordo dos submarinos da época da Guerra Fria era austera", se lembra o Operador de Sonar Bob von Allmen, que serviu no USS Growler entre 1950-62. "As tripulações de 100 homens habitavam em espaços pequenos por longos períodos. Normalmente as patrulhas duravam em torno de 82 ou 87 dias".

"O Halibut possuía propulsão nuclear e transportava cinco mísseis balísticos, mas os outros submarinos eram convencionais (diesel-elétricos) e eram submetidos a todos as provações que isto implicava. Os marinheiros dos submarinos a diesel eram ordenados a tomar banho de esponja com um balde". Von Allmen permanece orgulhoso do serviço especial prestado por ele.

Richard Smith, um veterano de muitas patrulhas submarinas no Ártico entre 1952 e 1961, relatou o que o Almirante Gene Fluckey escreveu para ele num autógrafo. Smith foi congratulado por ser um veterano "da mais importante guerra desde que o homem passou a andar sobre as duas pernas – a Guerra Fria".