DOSSIÊ |
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Navios-aeródromos:
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| CVX Team |
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| O projeto CVX, tem alguns conceitos bastante revolucionários, como essa configuração Stealth, com catapultas laterais e pista de pouso no meio |
As premissas consideradas no debate americano e aquelas levantadas pelos países europeus, pertencentes à OTAN, concernentes à aquisição de pequenos NAe, são bastante diferentes. A diferença decorre do fato de que só os EUA possuem, na realidade, recursos para a aquisição de grandes NAe nucleares. Enquanto o debate americano se restringe mais na seleção ou não de um determinado tipo de navio, o problema dos europeus consistiu mais ou menos em se decidir se iriam construir pequenos NAe ou se, simplesmente, não os construiriam.
É bastante evidente a necessidade americana de ter que utilizar NAe no decurso normal de suas inúmeras ações navais. Muito embora sejam levantadas dúvidas a respeito dos investimentos em navios-aeródromos, em navios de superfície ou em submarinos, não há a menor sombra de dúvida que a marinha do "Tio Sam" deverá e irá manter sua força de navios-aeródromos.
A principal discussão envolvendo a escolha de NAe americanos ocorre entre os defensores dos grandes navios da classe "Nimitz" e aqueles que acreditam ser melhor a construção de navios menores e mais baratos, os quais poderiam ser construídos em maior número. O debate gira em torno de dois argumentos principais: a capacidade de sobrevivência e a adequabilidade às missões.
A capacidade de sobrevivência
Aqueles que propõem a construção dos
navios da classe "Nimitz" argumentam que seu
tamanho e projeto, os tornam, individualmente, com maior
capacidade de sobrevivência do que os pequenos NAe.
Se a questão é saber qual dos dois afunda com mais
facilidade, tal observação provavelmente é certa.
Navios maiores são mais protegidos, sua
compartimentação é mais elaborada, e são menos
sujeitos a terem suas estruturas partidas por uma
explosão na região da quilha.
A menos que haja um erro de projeto, um grande NAe,
inevitavelmente, será muito mais difícil de afundar do
que um navio com a metade ou menos do seu tamanho.
Entretanto, os defensores dos pequenos NAe não se detém
apenas nas comparações navio contra navio; preferem
analisar o custo-benefício de cada unidade incorporada.
Observam que pelo custo de um único "Nimitz",
a US Navy poderia adquirir três NAe de cerca de 40.000t
cada um.
| US Navy |
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| A menos que haja um erro de projeto, um grande NAe, inevitavelmente, será muito mais difícil de afundar do que um navio com a metade ou menos do seu tamanho |
A pergunta que fazem é: "Quem
possui maior capacidade de sobrevivência, um NAe de
95.000t ou três de 40.000t?"
Um forte argumento pode ser desenvolvido no sentido de
provar que três navios juntos têm maior capacidade de
sobrevivência, muito embora cada um individualmente não
tenha.
Assumindo que os navios operem com uma adequada
dispersão, as forças oponentes terão de coordenar
três raides separados de caças-bombardeiros armados com
mísseis, no lugar de um único. Neste caso, a
probabilidade de se ter que enfrentar um submarino irá
empenhar apenas um terço da força em vez de toda ela.
No caso de uma guerra tático-nuclear no
mar, uma força dispersa certamente será menos
vulnerável do que uma concentrada. Além do mais, os que
argumentam a favor de pequenos NAe dizem que se a guerra
no mar for de curta duração, a ameaça de
indisponibilidade, por longo tempo, dos NAe avariados em
combate, será quase tão importante quanto seu
afundamento. Um navio-aeródromo colocado fora de ação
despenderá meses em reparo antes de poder retornar ao
combate. Portanto, nessa situação peculiar, será como
se tivesse sido afundado.
Neste caso, as vantagens de um NAe de grande porte
parecem ser menores, quando comparado com vários NAe de
pequeno porte, mesmo se a comparação for navio a navio.
O fogo, fantasma que tanto assusta os navio-aeródromos,
pode se espalhar da mesma maneira tanto num grande quanto
NAe quanto num pequeno.
O impacto direto de um torpedo poderá afundar um pequeno
NAe , enquanto que um acerto num de grande porte poderia
causar pequenos danos que, eventualmente, poderiam
impedi-lo de navegar suficientemente rápido para o
lançamento de seus aviões. Uma explosão abaixo da
linha dágua poderá não afundar um grande NAe,
mas poderá afetar o alinhamento de suas máquinas,
tornando-as inoperantes.
A adequabilidade à missão
| US Navy |
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| Apesar dos grandes NAe levarem a bordo algumas aeronaves anti-submarino, elas são em pequeno número, além de serem usadas freqüentemente em outros tipos de missão |
Conquanto a questão da capacidade de sobrevivência tenha sido a questão de maior importância no debate americano, o problema da adequabilidade pode até ser muito mais relevante.
A marinha russa, antiga ameaça às marinhas da OTAN, sempre foi basicamente um força submarina. Os navios de superfície russos e seus aviões existem, primordialmente, para apoiar os submarinos. De que maneira poderiam os NAe americanos fazer frente aos aguerridos submarinos russos, ou mais atualmente aos submarinos dos países do terceiro mundo? É uma questão difícil de ser respondida pelos defensores dos grandes NAe.
Apesar dos grandes navios-aeródromos levarem a bordo algumas aeronaves anti-submarino, elas são em pequeno número, além de serem usadas freqüentemente em outros tipos de missão. Na melhor das hipóteses elas proporcionam uma capacidade de autodefesa limitada, não oferecendo a capacidade ofensiva que tão elevado investimento deveria proporcionar, de modo a justificar seu emprego na guerra anti-submarino.
Das missões
| Bazan |
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| O Principe de Astúrias espanhol é um projeto bem-sucedido derivado do conceito SCS da US Navy. Leva 12 aeronaves Harrier II e helicópteros A/S |
Na hipótese de um grupo de
aviação embarcada ter sua atividade principal voltada
para a guerra A/S, torna-se claro que a disponibilidade
de um grande número de pequenos NAe será mais
vantajoso. Partindo-se do princípio de que os submarinos
hostis são posicionados de maneira dispersa, é óbvio
que os vários navios, transportando aeronaves A/S, devam
ser em número suficiente para compensar a dispersão.
As perdas são inevitáveis, e mesmo para a US Navy que
dispõe atualmente de 12 grandes navios-aeródromos, as
perdas serão importantes, talvez mesmo inaceitáveis.
Os helicópteros A/S podem operar tanto
de pequenos NAe quanto de grandes. Com o advento dos
aviões V/STOL, tais como os de rotor orientável como o
V-22 Osprey, os pequenos navios-aeródromos também
serão capazes de prover aeronaves A/S de asa fixa, com
performances comparáveis às daqueles baseados nos
grandes NAe que operam aeronaves CTOL (Conventional
Take-Off and Landing Decolagem e pouso
convencionais).
Alguns dos defensores dos grandes NAe argumentam, em
contrapartida, que conquanto seus navios não sejam
adequados contra os submarinos, o são, no mais alto
grau, à projeção do poder em regiões longínquas.
O emprego dos pequenos navios-aeródromos está sendo visto sob uma outra ótica, até mesmo por aqueles que se opunham violentamente no passado, devido à distensão leste-oeste e à Nova Ordem Mundial. O futuro enfoque dado aos pequenos NAe na US Navy do século XXI, se vieram a ser implementados, deverá ser bastante semelhante ao das outras marinhas da OTAN. A problemática será, não a de construir pequenos ou grandes navios-aeródromos, mas sim a de construir aqueles ou outros tipos de navios em seu lugar.
Navios-aeródromos europeus
| Royal Navy |
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| Ainda que o projeto dos navios da classe "Invencible" venha sendo questionado em alguns aspectos, o conceito de pequenos NAe, equipados com aeronaves Harrier e helicópteros, provou estar correto |
Tem sido crescente o interesse em pequenos NAe, demonstrado pelas marinhas européias pertencentes à OTAN. A França, no entanto, continua a investir em navios-aeródromos grandes, como o Charles De Gaulle, embora este seja bem menor que um "Nimitz". Será de propulsão nuclear e capaz de operar aeronaves CTOL como o Rafale. Sua propulsão nuclear representa mais uma tentativa de obter prestígio tecnológico do que um valor militar expressivo.
A capacidade de operar aeronaves convencionais é importante para a França, pois torna possível utilizar aeronaves fabricadas naquele país e que poderão ser dotadas com armas nucleares táticas. De acordo com a doutrina francesa, o emprego de armas nucleares, como aquelas que podem ser levadas pelos Super Etendard e o Rafale, faz parte do exercício de dissuasão estratégica praticada por aquele país. Assim, sempre que um navio-aeródromo francês chegar a um local de crise, as outras grandes potências poderão constatar que, se necessário, os interesses da França serão protegidos com todo o seu poder militar. Estas unidades também serão úteis em missões convencionais, como as de apoio e uma Força de Intervenção, de engajamento com forças de superfície inimigas e de participação em operações anti-submarino.
Pequenos navios-aeródromos
operando aeronaves V/STOL, poderiam executar estas mesmas
missões tão bem quanto os grandes que operam aeronaves
CTOL. O emprego de armas nucleares é que propiciaria a
estes um melhor custo-benefício.
Nas Marinhas da OTAN, a ênfase é dada aos NAe entre
10.000 e 20.000t. A Royal Navy tem a liderança com seus
três navios aeródromos que operam aeronaves V/STOL hoje
em atividade. Ainda que o projeto dos navios da classe
"Invencible" venha sendo questionado em alguns
aspectos, o conceito de pequenos navios-aeródromos,
equipados com aeronaves Harrier e helicópteros,
provou estar correto, não só pela avaliação dos
resultados obtidos em exercícios, onde a capacidade dos
navios e aeronaves surpreendeu aos americanos em
determinados aspectos, como também nos dramáticos
combates nas Falklands/ Malvinas. A Marinha Espanhola
também está convencida do valor do navio-aeródromo que
opera aeronaves V/STOL, segundo sua experiência inicial
com o NAe Dédalo e com o atual "Príncipe de
Astúrias".
A Itália, por sua vez, projetou e construiu seu primeiro NAe para operar aeronaves V/STOL, o "Giuseppe Garibaldi". A incorporação dos AV-8B Harrier II no grupo aéreo embarcado do navio, deu uma nova dimensão à capacidade da esquadra italiana, que pode agora dar apoio aéreo às suas forças no Oriente Médio.
Qual o melhor investimento?
| Royal Navy |
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| O Sea Harrier F/A.2 é a nova versão do jato britânico de decolagem curta e pouso vertical. É dotado de radar look down/shoot down e mísseis AIM-120 AMRAAM |
A utilidade dos pequenos NAe já
foi comprovada. Entretanto, dúvidas sempre pairam sobre
as marinhas que desejam construir ou comprar este tipo de
navio. Será que sua aquisição é um investimento
melhor do que o de comprar outros tipos de navios de
guerra?
No caso de inúmeras marinhas da OTAN, dadas as suas
missões restritas, tal investimento parece não
compensar.
Mas será que, mesmo para o caso de marinhas que possam justificar a aquisição de um pequeno NAe, torna-se tal aquisição um bom investimento? Se a outra alternativa for a compra de fragatas, que são muito convenientes em tempo de paz, pois aparentam ser realmente navios de guerra tradicionais, não têm preços proibitivos e fornecem uma quantidade de serviços substanciais aos estaleiros locais, a construção de um pequeno NAe parece ser um ótimo investimento, visto que a utilidade de fragatas em tempo de guerra, pode ser, lamentavelmente, posta em dúvida. A não ser que elas carreguem helicópteros, não possuirão praticamente nenhuma defesa contra submarinos, e se forem dotadas com um ou dois helicópteros certamente se tornarão muito caras. Pequenas corvetas e navios com mísseis tem um maior poder bélico com menor investimento do que uma fragata de 4.000t. Se levarmos em conta a capacidade antiaérea, até uma fragata moderna terá problemas com sua auto-defesa e com a proteção de outros navios contra ataques de aviões a baixa altura e/ou mísseis anti-navio. Uma marinha se sairá muito melhor, se puder adquirir um pequeno navio-aeródromo, ao invés de aumentar o número de fragatas.
Uma questão mais difícil de
responder é a seguinte: uma marinha faria melhor
comprando pequenos NAe ou submarinos de ataque? O
equilíbrio tático entre submarinos e forças
anti-submarino tem pendido mais para o lado do submarino
a cada dia que passa.
Uns poucos submarinos ingleses confinaram a seus portos
toda a esquadra argentina, aí incluindo seu pequeno NAe;
o único submarino argentino da classe 209, que
permaneceu por algum tempo em operação, poderia ter
neutralizado boa parte das operações inglesas, caso
seus torpedos tivessem funcionado.
Os submarinos russos parecem capazes de penetrar
impunemente nas águas escandinavas, pelo menos até o
momento que encalham nas pedras. Tem-se tornado rotina
nos exercícios da OTAN, os submarinos
"afundarem" todos os seus alvos, afastando-se
logo após sem serem notados.
O equilíbrio de gastos no que se relaciona ao
investimento em submarinos ou em navios de superfície
deve ser cuidadosamente examinado por todas as marinhas.
Dentre os navios de superfície, os pequenos
navios-aeródromos parecem constituir-se em um bom
investimento. Marinhas que possuam missões que
transcendam a defesa local ou costeira, poderão aumentar
grandemente as suas potencialidades com a disponibilidade
de umas poucas aeronaves V/STOL no mar.![]()
Fontes:
Revista Naval Forces
Anuário Jane's Fighting Ships