Mesmo com o fim da Guerra Fria, o mundo ainda assiste às
demonstrações do poder militar dos Estados Unidos, cujo destaque continua sendo dos seus
navios-aeródromos. Depois de mostrar eficiência contra os japoneses na Segunda Guerra
Mundial, os navios-aeródromos americanos também deixaram sua marca na Guerra da Coréia
e no Vietnã.
Mais recentemente na Guerra do Golfo, desempenharam um importante papel nas forças da
Coalisão contra o Iraque, mesmo com uso de mísseis guiados disparados de navios e
submarinos contra alvos em terra. E, pelo andar da carruagem, o uso do navio-aeródromo
(NAe) como instrumento político-estratégico ainda está longe de acabar.
Apesar da globalização da economia e da "Nova Ordem Mundial", as nações que
têm grande influência econômica e política e que dependem do uso do mar para o
comércio exterior, ainda investem pesadamente em suas marinhas de guerra. Esperam com
isso continuar protegendo seus interesses no mar, num mundo imprevisível.
| US Navy |
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| A enorme capacidade aérea embarcada dos
NAe americanos lhes confere um importante papel como instrumento político-estratégico |
O NAe, por seu poder de demonstração de força e alto custo operacional,
transformou-se na ferramenta político-estratégica dos países ricos, enquanto o
submarino convencional tornou-se a opção dos países com menos recursos. O submarino
representa uma pequena fração da capacidade de dissuasão de um navio-aeródromo em
tempo de paz, mas pode enfrentar até mesmo um inimigo mais poderoso em caso de guerra, a
um custo reduzido.
Poucos países do mundo hoje possuem navios-aeródromos em suas Marinhas ou têm planos de
incorporar algum nos próximos anos. A França tem dois navios convencionais, mas vai
incorporar um novo NAe com propulsão nuclear em 1999, o Charles De Gaulle.
A China também também tem interesse em NAe e pode contar com a ajuda dos russos e
franceses interessados em vender tecnologia. Existem informações de que o casco do
ex-NAe russo Varyag, adquirido por um empresa hoteleira em Macau, pode estar
sendo aproveitado pelos chineses para absorção de tecnologia para seu futuro NAe. O
Japão, que até agora servia de base aos NAe americanos do Pacífico, já incoporou um
navio de assalto anfíbio de convés corrido capaz de operar aeronaves V/STOL.
Depois dos EUA, só a Inglaterra, França, Rússia, Espanha, Itália, Índia, Brasil e
mais recentemente, a Tailândia, possuem NAe. Mesmo assim, são navios bem menores e menos
capazes que seus pares americanos. A US Navy conta atualmente com 12 navios-aeródromos em
serviço ativo e mais dois em construção.
Formidáveis instrumentos de
poder
O NAe é uma plataforma cara, difícil de manter e operar, que demanda
anos de construção e investimentos em pessoal e equipamentos. Mas graças ao seu enorme
poder de dissuasão, pode evitar uma guerra ou resolver um impasse político sem disparar
um só tiro, fato que já foi evidenciado em várias crises internacionais. Em
março de 1996, a resposta americana à pressão militar da China contra Taiwan foi o
envio do USS Independence, num exemplo moderno da "diplomacia das
canhoneiras". Ficou provado mais uma vez que a simples presença de um desses navios
numa área de crise acelera as negociações por via diplomática, como na recente crise
do Iraque, que finalmente cedeu às pressões militares dos EUA para abrir seus Palácios
aos técnicos de inspeção de armamentos da ONU.
Por outro lado, se um conflito armado for mesmo inevitável, poucos países do mundo
poderiam fazer frente à capacidade bélica de um NAe americano cujos aviões
possuem um poder de fogo superior ao de muitas forças-aéreas do planeta.
Na frota americana atual, oito navios são movidos à propulsão nuclear e
quatro são convencionais, mais antigos. Estes últimos serão desativados em breve, dando
lugar a dois novos navios da classe Nimitz, batizados com nomes de ex-presidentes
americanos: o USS Harry S. Truman e o USS Ronald Reagan.
| US Navy |
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| Cada Carrier Battle Group americano nucleado em NAe é formado
por cruzadores, fragatas, contratorpedeiros, submarinos, navios de ataque anfíbio e
navios-tanque |
A US Navy tem Forças-Tarefa espalhadas em pontos estratégicos em todos
os oceanos do planeta, nas seguintes Esquadras ou Frotas: a segunda, no Atlântico, a
sétima, no Pacífico Ocidental, a quinta frota cobrindo o Oceano Índico, o Golfo
Pérsico e o Mar Vermelho, e a sexta, no Mediterrâneo. Cada Esquadra pode ter um ou mais
NAe, acompanhados por navios de guerra dos mais variados tipos, entre cruzadores,
fragatas, contratorpedeiros, submarinos, navios de ataque anfíbio, navios-tanque etc,
formando os chamados "Grupos de Batalha de Navio-aeródromo" ou Carrier
Battle Groups (CVBG)
Os NAe da classe "Nimitz" são os maiores e mais poderosos
navios de guerra da história. Todas as suas medidas são imensas: têm cerca de 330m de
comprimento e deslocam mais de 95.000 toneladas. Cada uma de suas âncoras pesa quase 30
toneladas.
Tudo o que existe neles representa o que há de mais avançado em matéria de eletrônica
e comunicações. O custo de aquisição de um navio desta classe gira em torno de 3,5
bilhões de dólares (sem contar os aviões) e cerca de 450 milhões de dólares por ano
de operação. A vida útil de cada porta-aviões da classe "Nimitz" está
estimada em 45 anos, através de sucessivas modernizações.
São navios caros, mesmo para uma superpotência pagar, porisso a US Navy já estuda uma
nova classe de NAe chamada de CVX, que poderá ser menor e mais barata que os atuais.
Apesar do tamanho, os grandes NAe da classe "Nimitz" são rápidos, podem
mover-se à velocidade de mais de 30 nós (quase 60km/h) indefinidamente, pois são
impulsionados por reatores nucleares. Só precisam renovar o combustível a cada 15 anos,
o que equivale a quase um milhão de milhas navegadas ou 1,8 milhões de quilômetros.
| US Navy |
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| A autonomia de um NAe nuclear só é limitada pelo
combustível de aviação, armamentos e comida para a tripulação, problema solucionado
por meio de reabastecimento em alto-mar |
Isso dá a esses navios uma mobilidade incrível, que além de permitir
seu rápido deslocamento para áreas de crise, torna-os difíceis de serem detectados por
forças hostis.
Mesmo que um NAe seja detectado em determinado instante (o que é difícil, devido a
técnicas de despistamento e contra-medidas eletrônicas), bastam apenas três horas para
que este esteja em qualquer outro lugar dentro de um círculo de mais de 160km de raio,
transformando-se em uma "agulha num palheiro" de 82.400km2.
A autonomia destes navios só é limitada pelo combustível de aviação, armamentos e
comida para a tripulação, problema que é resolvido por meio de reabastecimento em
alto-mar por navios-tanque e de suprimentos.
| US Navy |
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| O F-14 Tomcat é o interceptador embarcado da US
Navy: custa US$50 milhões por unidade e já tem 25 anos de serviço, mas continua um dos
mais capazes aviões de combate do mundo |
O grupo aéreo
embarcado
A defesa de um NAe reside em seus próprios aviões e cada
"Nimitz" leva cerca de 80 deles, de vários tipos. O mais famoso é o F-14 Tomcat,
o caça bimotor que ficou conhecido popularmente no filme "Top Gun Ases
Indomáveis". Capaz de atingir alvos aéreos a mais de 150km de distância com
mísseis ar-ar Phoenix, o Tomcat já tem 25 anos de serviço, mas
continua sendo um dos mais capazes aviões de combate do mundo, graças ao contínuo
aperfeiçoamento de seus sistemas. Cada F-14 custa US$50 milhões.
| US Navy |
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| O F/A-18 Hornet é um caça multifunção
que pode executar com a mesma eficiência, missões de ataque ao solo, de combate aéreo e
de ataque a navios |
Complementando o F-14 vem o F/A-18 Hornet, um caça multifunção
que pode executar com a mesma eficiência missões de ataque ao solo e de combate aéreo,
além de ataque a navios. Pode ser equipado com uma variada gama de mísseis ar-ar,
ar-superfície e anti-navio. Cada Hornet custa US$38 milhões por unidade.
Juntam-se a eles os aviões E-2C Hawkeye, característicos por
suas antenas de radar em forma de disco sobre a fuselagem, capazes de detectar alvos
aéreos e de superfície a mais de 300 milhas de distância.
Completando o grupo aéreo embarcado, existem ainda aviões de guerra eletrônica EA-6B Prowler,
anti-submarino S-3B Viking e de reabastecimento em vôo, além de helicópteros
anti-submarino SH-60B Seahawk.
| US Navy |
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| Os aviões E-2C Hawkeye, com antenas de radar em
forma de disco sobre a fuselagem, são capazes de rastrear alvos aéreos e de superfície |
Em caso de alguma aeronave inimiga conseguir superar o anel defensivo
proporcionado pelos F-14 e F-18, além de passar pelos mísseis antiaéreos Standard
dos navios escolta, como último recurso os NAe contam com suas próprias baterias de
canhões anti-míssil Phalanx e mísseis de defesa antiaérea Sea Sparrow.
Para manter o navio operando com todo o seu grupo aéreo são necessários cerca de 6.000
militares. Diariamente para esse pessoal são servidas 18.000 refeições e são
produzidos 400.000 galões de água destilada do mar e 2.520 toneladas de ar-condicionado,
suficientes para refrigerar mais de 2.000 residências.
Cada NAe da classe "Nimitz" possui um departamento de
informática que gerencia mais de 450 computadores ligados em rede, que possiblitam a
comunicação por e-mail entre os tripulantes. Aliás, uma das coisas mais interessantes
que aconteceram nesses navios nos últimos tempos foi o uso do e-mail pela Internet, que
tornou mais fácil a comunicação com parentes e familiares, aumentando sensivelmente o
moral dos tripulantes nas longas patrulhas que podem passar de 6 meses.
Conclusão
Os NAe americanos atuais são resultado da evolução tecnológica
desenvolvida durante toda a Guerra Fria e foram preparados para enfrentar um inimigo do
porte da antiga URSS.
O mundo mudou, mas eles continuam demonstrando sua utilidade estratégica em conflitos
localizados, fazendo valer a política externa dos EUA.
| Reprodução |
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| Modernos aviões de ataque de longo alcance como o
Sukhoi Su-35/Su-32FN são capazes de realizar ataques de saturação com mísseis contra
navios-aeródromos |
Tentar enfrentar a US Navy num combate naval clássico
seria suicídio para qualquer país, mesmo sendo dotado de NAe, tendo em vista a magnitude
do Poder Naval americano. A alternativa então seria criar uma expectativa de risco grave
para os EUA, elevando o custo político de uma operação militar a níveis proibitivos.
Isto significa que os países menos capazes tecnologica e
economicamente, que queiram contrapor-se à ameaça do poder aeronaval americano, devem
investir em guerra de minas, manter uma moderna aviação de ataque de longo alcance
baseada em terra, capaz de realizar ataques de saturação com mísseis anti-navio,
instalar baterias de mísseis supersônicos anti-navio na costa e investir sobretudo
em submarinos, equipados com mísseis anti-navio e mísseis de cruzeiro. Um ataque bem
sucedido a um NAe pode não afundá-lo, mas pode colocá-lo fora de combate
temporariamente (mission kill) e forçar negociações diplomáticas, caso a
questão em disputa não seja de interesse vital para os EUA.
De qualquer maneira, uma força-tarefa nucleada em NAe
ainda será uma máquina de guerra muito difícil de enfrentar e não se pode esquecer de
que, se alguém atacar um navio-aeródromo americano com seus seis mil tripulantes,
estará atacando diretamente os EUA, o que pode trazer terríveis conseqüências para o
agressor. 