DOSSIÊ

 
Hellenic Navy

O submarino grego Proteus, da classe IKL-209. É o tipo de submarino convencional mais usado no mundo

Submarinos convencionais
e nucleares de ataque


Este artigo examina as características operacionais dos submarinos convencionais e nucleares, as quais permitem analisar comparativamente os dois tipos de plataformas. Julgamos mais do que oportuna a leitura deste trabalho, tendo em vista a melhor compreensão do programa de construção de submarinos da Marinha do Brasil, que hoje produz submarinos convencionais e que planeja, no futuro, lançar ao mar o primeiro submarino nuclear brasileiro


n Alexandre Galante

 

Os submarinos modernos são plataformas de armas que podem se manter por longos períodos em alto mar, com um mínimo de apoio logístico. Sua operação, diferentemente dos navios de superfície, independe das condições climáticas. Os submarinos continuam sendo de difícil detecção, apesar da evolução tecnológica dos sensores e das táticas anti-submarino; ao contrário das forças de superfície, eles são imunes à detecção por satélite.

A grande vantagem dos submarinos reside no fato de que eles operam totalmente no meio líquido, aproveitando-se da propagação anômala do som na água para se ocultar e detectar sempre com antecedência as forças de superfície, o que lhes dá a iniciativa das ações.

A maneira como as ondas sonoras podem ser refletidas ou refratadas nos oceanos ainda não é bem conhecida. Na maioria das vezes, as condições de mar, salinidade e pressão da água prejudicam o desempenho dos sonares ativos (que emitem o característico "ping") dos navios e favorecem os submarinos, que usam sonar passivo (apenas de escuta). Aproveitando-se dessas características, os submarinos são relativamente invulneráveis, podendo ser enviados a qualquer zona marítima, mesmo aquelas sob controle do inimigo.
A relação custo/benefício dos submarinos também é muito favorável, já que estes possuem um elevado poder de combate por baixo custo operacional, no caso dos submarinos convencionais.

US Navy
Concepção artística de um submarino nuclear de ataque da classe "Seawolf" engajando alvos submarinos, de superfície e terrestres

Mesmo sem usar suas armas, a presença provável de um submarino já compromete importantes recursos do oponente, que passa a usar navios, equipamentos e horas de vôo em busca de uma posição precisa da ameaça.

Os submarinos podem operar contra alvos de superfície e são as armas ideais contra outros submarinos, já que operam no mesmo meio e podem mudar de profundidade para melhorar o desempenho do sonar. São apropriados para tarefas de reconhecimento e de coleta de informações (Inteligência), graças à sua discrição e também são perfeitos para o patrulhamento de zonas marítimas próprias e para atacar forças navais hostis.

Em tempos de crise, os submarinos podem operar em apoio a outras unidades navais. As capacidades já mencionadas dos submarinos são fatores vantajosos a serem empregados na busca de soluções pacíficas para uma crise diplomática, graças ao seu poder de dissuasão.
O submarino tem a capacidade de impedir que um inimigo, mesmo mais poderoso, utilize zonas e vias marítimas impunemente.

O submarino representa ainda a terceira dimensão em operações combinadas anti-submarino (A/S). Para que as operações A/S sejam realmente eficazes, é preciso dispor de capacidade para atacar um submarino inimigo do ar, da superfície ou de debaixo d’água. O submarino é parte essencial do conceito de operações navais combinadas, onde forças aeronavais e submarinos se complementam com grande eficiência para alcançar objetivos comuns.

Os tipos de submarinos quanto à propulsão

Reprodução
Esquema simplificado do sistema de propulsão nuclear do um submarino britânico da classe "Astute". O reator aquece a água para produzir vapor e girar as turbinas

O submarino nuclear (SSN) é propulsado por turbinas, que funcionam movidas com vapor produzido num gerador, aquecido por um reator nuclear. Alguns submarinos nucleares usam um motor elétrico para movimentar a hélice, com o propósito de diminuir o nível de ruído. Ao contrário dos motores diesel, o reator não precisa de ar fresco para funcionar e seu ciclo de abastecimento de combustível é anual. A renovação de ar a bordo é feita por um gerador de oxigênio que também extrai o CO2. Em conseqüência disso, o período de imersão de um SSN fica limitado apenas ao estado moral da tripulação e enquanto durarem os alimentos ou a munição a bordo.

O submarino convencional (SSK), por outro lado, é equipado com motores elétricos que recebem energia de baterias, as quais são carregadas por dínamos movidos por motores diesel. O motor diesel, sendo um tipo de motor de combustão interna, precisa de ar para misturar com o combustível, tornando-se esta sua maior restrição.

Reprodução
O uso do esnorquel representa uma desvantagem, pois seus mastros expõem o submarino à detecção visual e de radar

Depois que a energia das baterias se esgota, o submarino precisa recarregá-las usando o respirador esnorquel (aportuguesamento do nome original alemão schnorkel), um mastro que permite ao submarino em profundidade de periscópio renovar o ar ambiente e fazer funcionar os motores diesel. Mesmo sem precisar vir à superfície, o uso do esnorquel representa uma desvantagem, pois seus mastros expõem o submarino à detecção visual e de radar — se bem que o uso de sistemas ESM pelos submarinos enquanto esnorqueiam, reduz a probabilidade de detecção. Por outro lado, os motores diesel são bem mais ruidosos que os motores elétricos, aumentando as chances de detecção do submarino por navios, aeronaves e por submarinos inimigos.

Mais recentemente, começaram a surgir os primeiros submarinos de propulsão híbrida, que permitem aos SSK permanecer mais tempo sob a água, sem que seja necessário recorrer ao uso do esnorquel. Esses sistemas, conhecidos como AIP (Air Independent Propulsion), começaram a ser pesquisados no fim da Segunda Guerra Mundial, como o sistema Walter de peróxido de hidrogênio, mas não obtiveram sucesso na época, devido aos elevados custos e problemas técnicos. Com a tecnologia de hoje, porém, os motores de circuito fechado se tornaram viáveis e estão sendo oferecidos basicamente por quatro construtores de submarinos: o Kockums (sueco), HDW (alemão), DCN francês e o RDM holandês.

Os sistemas AIP são uma fonte auxiliar de energia que dão ao SSK a capacidade de se manter mergulhado por duas ou três semanas em sua zona de patrulha, impulsionado por estes motores, sem a necessidade de recarregar as baterias e consequentemente, sem precisar usar o esnorquel.

Velocidade

 

No submarino nuclear a velocidade é função direta da quantidade de vapor que entra na turbina. Uma alta velocidade, quando submerso, não representa problema, pois o reator tem capacidade de produzir mais calor do que realmente é necessário ao gerador. Sendo assim, tanto os SSBN - Submarinos Lançadores de Mísseis Balísticos (que estão fora do escopo deste artigo), como os SSN (Submarinos Nucleares de Ataque), são capazes de atingir pelo menos 25 nós submersos, sendo que a maioria dos SSN pode atingir velocidades maiores que 30 nós. Nessas velocidades, porém, o submarino nuclear fica "surdo", incapaz de detectar outros alvos e faz muito ruído, sendo facilmente detectável por outros submarinos, navios e aeronaves. O uso de altas velocidades só é feito em deslocamentos em grande profundidade, onde as camadas termais e a pressão da água atenuam o ruído das hélices.

US Navy
Os SSN da classe "Los Angeles" são capazes de atingir velocidades superiores a 30 nós quando submersos, sendo mais rápidos que muitos navios

Nos submarinos convencionais, a velocidade quando em imersão depende do tamanho e da capacidade das baterias. A qualidade das baterias tem sido melhorada, sendo que hoje em dia, a velocidade média dos SSK submersos fica em torno de 17 nós; em alguns tipos de submarinos, essa velocidade passa de 20 nós.

O submarino de projeto alemão TR-1700 usado na Marinha Argentina e a classe "Upholder" britânica (adquirida pelo Canadá), são capazes de atingir 25 nós submersos. Entretanto, é importante notar que o tempo de permanência nesta velocidade é bem reduzido (aproximadamente uma hora), sendo necessário logo após recarregar as baterias.

Custos e tripulação

O investimento para a construção de um submarino nuclear é muito alto. Um novo SSN custa, em média, US$800 milhões, enquanto um submarino convencional de 2.500t custa cerca de US$200 milhões. Em outras palavras, um submarino diesel custa 25% de um nuclear e precisa de cerca de 30% da tripulação daquele. Um SSN típico embarca cerca de 120 homens, enquanto um SSK precisa somente de 40. É interessante notar que os antigos submarinos convencionais precisavam de mais de 70 homens para funcionar, pois não contavam com o nível de automação dos submarinos de hoje.

Bofors
Apesar do avanço tecnológico, os torpedos – como o sueco Bofors 2000 –, continuam sendo a principal arma dos submarinos

Armamento, equipamentos e sensores

Existe muita variedade de armas e equipamentos normalmente utilizados nos dois tipos de submarinos. O torpedo continua sendo a principal arma de ambos e para tanto, tem sido constantemente aperfeiçoado.

A maioria dos torpedos atuais têm 533mm de diâmetro e são guiados a fio na primeira fase da trajetória, recebendo atualizações de rumo do submarino lançador, para compensar as mudanças de rumo do alvo. Na fase intermediária e final da trajetória, os torpedos passam a usar seu próprio sistema de guiagem, que emprega um sonar ativo/passivo. Os torpedos modernos são cada vez mais resistentes a contramedidas, podendo discernir entre falsos ecos e o alvo verdadeiro, através de software programável. Cada submarino pode ter até oito tubos para lançamento de torpedos.

A sofisticação cada vez maior dos torpedos e dos sistemas de direção de tiro dos submarinos têm causado alguns problemas de integração torpedo/submarino em algumas Marinhas. Na Guerra das Malvinas, o submarino nucelar britânico HMS Conqueror afundou o cruzador argentino General Belgrano usando torpedos antigos Mk.8 de trajetória reta, mesmo tendo modernos torpedos Tigerfish Mk.24 a bordo. Em contrapartida, o submarino argentino San Luis, tipo IKL-209, lançou diversos torpedos modernos SST-4 de fabricação alemã contra navios ingleses, sem contudo conseguir acertar nenhum alvo. Verificou-se depois que estes torpedos tiveram sua manutenção feita erroneamente pelos argentinos, o que acabou prejudicando o funcionamento das armas.

Reprodução
Além dos torpedos, alguns submarinos podem usar mísseis anti-navio como o Sub-Harpoon, através dos tubos de torpedo e podem lançá-los em imersão

Além dos torpedos, alguns submarinos podem lançar mísseis anti-navio através dos tubos de torpedo, e podem lançá-los em imersão. Para isso os tubos têm que ser adaptados para tal, já que, diferentemente dos torpedos, o casulo que encerra o míssil não dispõe de propulsão e tem que ser "empurrado" para fora do tubo.

Os britânicos, americanos, israelenses, holandeses, canadenses, japoneses e australianos, entre outros, usam o Sub-Harpoon. Já os franceses, usam o Exocet SM-39. Alguns submarinos americanos também são capazes de lançar mísseis de cruzeiro Tomahawk através de tubos de torpedo ou tubos especiais, que podem ser usados contra navios e alvos em terra. Os submarinos russos também empregam mísseis anti-navio e de cruzeiro de vários tipos.

Os submarinos também podem lançar minas especiais pelos tubos de torpedos, o que viabiliza a minagem de entrada de portos e bases navais inimigas, já que podem realizar o trabalho sem serem vistos.

O sonar passivo é o sensor mais usado pelo submarino moderno, mas pode-se usar o sonar ativo também em casos especiais, embora este denuncie a posição do submarino. Normalmente os hidrofones e transdutores de sonar são montados na proa, mas existem submarinos em que os hidrofones são distribuídos ao longo do casco. Alguns submarinos usam sonares rebocados (towed array), que consistem em vários hidrofones dispostos em linha, em cabos de até 1.000m de comprimento. Os sonares tipo towed array são pouco afetados pelo ruído do próprio submarino, desde que sejam rebocados a baixas velocidades e são ideais para a detecção de submarinos inimigos.

Inicialmente os sonares só podiam obter a direção do alvo, mas não podiam obter a distância. Atualmente, porém, existem vários métodos para a determinação da distância do alvo, dado essencial para o uso de quaquer arma. Um método muito usado é o de tomar uma série de marcações (direção) do contato em intervalos regulares, estimando a velocidade do alvo e usando um computador para calcular a distância por geometria.

O uso do periscópio ainda é necessário em muitas ocasiões; a maioria dos modelos modernos são dotados de visores infravermelho, com capacidade de emprego noturno e alguns submarinos também dispõem de antenas de ESM acopladas, garantindo o alarme antecipado contra radares de navios e aeronaves que possam estar detectando o periscópio.

Submarino convencional versus nuclear

Os tecnologia empregada nos submarinos convencionais (SSK) têm evoluído muito nos últimos anos. Eles têm recebido baterias de maior capacidade, o que lhes permite operar por muito mais tempo entre cargas e usar altas velocidades por maiores períodos; os materiais e projeto dos cascos permitem maiores profundidades de operação; coberturas de borracha anecóica nos cascos absorvem as ondas de sonar ativo, minimizando a probabilidade de detecção por navios e helicópteros; sonares mais modernos, acoplados a modernos sistemas computadorizados de combate, têm multiplicado a capacidade de combate do submarino convencional.

Entretanto, a baixa velocidade dos SSK continua sendo um fator limitativo de sua operação. O mastro do esnorquel periodicamente é içado para que os motores diesel recarreguem as baterias, e o período em que o submarino passa esnorqueando corresponde normalmente a cerca de 5% do tempo total que ele passa submerso.

Para um submarino de porte médio, o raio de ação submerso na velocidade econômica, após esnorquear, pode atingir até 500 milhas marítimas, ou 100 horas, mas terá que em seguida esnorquear por cerca de 5 horas, para recarregar suas baterias completamente. Os novos SSK, porém, dotados de propulsão híbrida AIP, vão poder permanecer submersos por muito mais tempo antes de esnorquear.

Reprodução
Os "Collins" australianos estão entre os mais modernos submarinos convencionais. Dispõem de towed array, mísseis anti-navio e provisão para AIP

Em termos de comparação com um SSK, um SSN pode escolher qualquer velocidade para seu trânsito, mas para manter o baixo nível de ruído, a velocidade normalmente é limitada a 10 nós. A velocidade também é fator importante em missões de patrulha numa área com poucos submarinos disponíveis. As primeiras informações que os submarinos receberiam da aproximação dos submarinos inimigos, seriam dadas pelo serviço de Inteligência ou pelos aviões de patrulha anti-submarino que, normalmente, fazem patrulha avançada na direção da ameaça. Sendo a distância do contato inimigo e o submarino em patrulha bastante grande, a velocidade do submarino em patrulha é importante, para que ele possa posicionar-se vantajosamente visando o ataque.

Se apenas SSK forem empregados em patrulha, será necessário uma quantidade maior desses submarinos do que nucleares. Adicionalmente, será necessário colocar as aeronaves em patrulha mais avançada, a fim de prover informações suficientes a tais submarinos. Com as informações provenientes das aeronaves, referentes aos contatos obtidos e ao acompanhamento dos submarinos inimigos, os submarinos de patrulha poderão melhor se posicionar para detectar o invasor com seus próprios sensores.

Os SSK podem ser usados em conjunto com os SSN, sendo os convencionais mais silenciosos que os nucleares, o que é uma vantagem dos primeiros, sobretudo em águas rasas.

 

Os convencionais são menores em comprimento e boca e, logicamente, são mais difíceis de serem detectados por sonar ativo. O investimento financeiro e operativo dos SSK é também menor, mas por outro lado, a baixa velocidade quando submersos, impõe a utilização de um maior número de submarinos deste tipo para patrulhar determinada área.

Não há dúvida de que a melhor arma contra um SSN inimigo é outro SSN, simplesmente pelo fato de que estes possuem velocidade e autonomia similares. Um submarino nuclear inimigo, tentando penetrar numa linha de barragem pode, quando detectar a presença de submarinos convencionais em patrulha, sair da área em alta velocidade caso perceba que está em desvantagem. Um SSK não teria suficiente velocidade para fechar distância em perseguição (talvez até tenha velocidade, mas enquanto durarem as baterias), enquanto um SSN poderia com maior possibilidade, aproximar-se do inimigo e desfechar o ataque.

Proteção de comboios e forças-tarefas

Outra vantagem do SSN é a de poder acompanhar um comboio e forças-tarefas de superfície. Um SSK não tem a alta velocidade constante necessária para acompanhar comboios e forças-tarefas, como também para retornar rapidamente à sua posição depois de perseguir ou atacar um inimigo. Nestas missões, o submarino nuclear é ideal. Ele pode, se necessário, esconder-se abaixo dos navios de superfície maiores (sombreá-los), onde terá seu ruído abafado pelo ruído dos navios.

Alternativamente, o SSN pode ser posicionado a alguma distância do corpo principal, na escuta de possíveis submarinos hostis que se aproximem. O ideal é posicioná-los a vante, a ré e por ambos os bordos para atingir completa proteção, mas não é provável que este número de submarinos esteja disponível, exceto em ocasiões muito especiais. Em decorrência do longo alcance atual dos mísseis submarino-superfície, é desejável atacar os navios adversários com eles, fazendo com que os navios aliados permaneçam fora do alcance inimigo.

US Navy
Um SSN tem a alta velocidade necessária para acompanhar comboios e forças-tarefas, como também para retornar rapidamente à sua posição depois de perseguir ou atacar um inimigo

O submarino usado para escoltar comboios e forças-tarefas precisa permanecer imerso por períodos muito longos e possuir grande autonomia, particularmente quando após escoltar um grupo de navios ele recebe a tarefa de voltar e escoltar outro grupo.

A autonomia média em imersão de um submarino convencional, freqüentemente esnorqueando, pode chegar a cerca de 9.000 milhas marítimas, considerando-se uma velocidade lenta de trânsito, abaixo de 10 nós. Esta distância é, logicamente, função da quantidade de combustível transportado.

Outra diferença entre SSK e os SSN reside na máxima profundidade de operação. Os submarinos nucleares são estruturalmente bem mais fortes e especialmente projetados para imersão profunda. A classe americana de SSN "Los Angeles", por exemplo, tem uma profundidade de imersão operacional de 450m, enquanto os convencionais atingem em média 250m. Isto não quer dizer que eles não possam atingir profundidades maiores, em caso de emergência. Na verdade, os SSN podem ir a uma profundidade de quase 1.000m sem colapso do casco, enquanto para os SSK essa profundidade é bem menor.

Tarefas para submarinos pequenos

Além dos submarinos oceânicos, existem os submarinos de pequeno porte, de 400 a 500t de deslocamento que são ideais para operações especiais, tais como desembarque de espiões ou sabotadores e para reconhecimento do litoral. Alguns deles podem, inclusive, estabelecer campos minados. Os mini-submarinos semelhantes aos usados na Segunda Guerra Mundial quase caíram em desuso, entretanto algumas Marinhas continuam a usar submarinos deste tipo, capazes de carregar apenas dois homens.

Em águas rasas e restritas, os submarinos pequenos podem ser usados como piquetes. Os submarinos de 900 a 1.600t podem também ser usados em operações de minagem e em missões especiais, mas sua principal função é patrulhar o litoral e áreas próximas. Do ponto de vista de uma Marinha de porte pequeno ou médio, que provavelmente não venha a se envolver numa guerra oceânica, o submarino de tamanho médio é o tipo mais adequado para uso geral.

Conclusão

Depois da mina, o submarino é a arma com a melhor relação custo/benefício à disposição de um país com interesses no mar. Não é à toa que, atualmente, existem três vezes mais nações que usam submarinos, do que há 30 anos.

A Marinha do Brasil sabiamente escolheu o submarino como sua principal arma de dissuasão e hoje, através de transferência de tecnologia alemã, nosso país é um dos poucos do mundo capazes de construir seus próprios submarinos.
Paradoxalmente, o Brasil ainda não produz seus torpedos, o que é uma limitação bastante preocupante, uma vez que em caso de guerra, ficaríamos limitados aos estoques de torpedos que temos e correríamos o risco de embargo, dependendo das relações do nosso oponente com o mundo.

Reprodução
Os submarinos IKL-209-1400 necessitam de itens como towed array, revestimento anecóico, sistema AIP e mísseis anti-navio, para atingir todo o seu potencial

É imperativo, portanto, que a MB possa ter os torpedos de que precisa sendo produzidos no país. Para que isso seja possível, entretanto, torna-se necessário fazer investimentos realistas no desenvolvimento da arma e na transferência de tecnologia, além de se dispor de um orçamento que possibilite a aquisição periódica de lotes de torpedos, viabilizando economicamente a produção.

É preciso também manter-se a atualização tecnológica dos submarinos brasileiros, principalmente no que tange aos sensores passivos tipo towed array, revestimento anecóico, sistemas de propulsão independente da atmosfera (AIP) e mísseis anti-navio, itens ainda inexistentes em nossa Marinha e que podem fazer a diferença no futuro.

O mais importante, porém, é que a Marinha prossiga com o programa do submarino nuclear brasileiro e não ceda às pressões internas e externas que desejam o fim ou o adiamento do projeto. O submarino nuclear dará ao Brasil a capacidade de atuação global, aumentando sensivelmente o poder de dissuasão do nosso país, fazendo ver a um eventual agressor, que haverá um custo elevado à sua opção militar, incentivando a solução pacífica das controvérsias.

O submarino é a arma stealth por excelência, o grande equalizador de poderes, a única segurança de sobrevivência de uma Marinha mais fraca contra inimigos mais fortes, porque ainda é muito difícil achar alguma coisa abaixo da superfície do mar.