OPINIÃO

O prestígio, privilégios e a responsabilidade do Comando no mar

n Joseph Conrad

Somente um marinheiro compreende até que ponto um navio reflete a personalidade e a competência profissional de um só indivíduo — o seu Comandante. Para um civil, esta percepção não é clara e, muitas vezes, de compreensão impossível — mas é a realidade.

Um navio no mar é, em si, um mundo distante e, em consideração às prolongadas operações navais, realizadas muito longe de suas bases, a Marinha coloca grande poder de decisão, mando, responsabilidade e confiança nas mãos daqueles que tenham sido escolhidos para o Comando.

 

Em cada navio existe um homem apenas que, nas horas de emergência ou de perigo no mar, não pode pedir auxílio ou conselho a qualquer outro. Um homem que, sozinho, é o único responsável pela navegação segura, pela correta operação das máquinas, pela precisão da artilharia e pela manutenção do moral da tripulação. É ele o Comandante. Ele personifica o próprio navio.

O Comando é a mais difícil e espinhosa incumbência da Marinha. Não existe um momento sequer, durante o período de comando, em que possa escapar das garras da responsabilidade do Comando. Seus privilégios, se assim se os pode chamar, à vista de suas obrigações e responsabilidades, são ridiculamente pequenos; mas só o exercício do Comando no mar pode proporcionar, à Marinha, a experiência necessária a seus grandes Chefes.

O Comando é uma função que merece, decididamente, o maior e mais honroso título existente no mundo marítimo — o de COMANDANTE.

Tradução de Haroldo Basto Cordeiro Junior (Alte RRm)