Blog Aéreo

Corpo de Engenheiros - MB abre inscrições para concurso

A Marinha do Brasil, através da Diretoria de Ensino da Marinha (DEnsM), abriu inscrições para o Processo Seletivo para o Corpo de Engenheiros. As inscrições poderão ser realizadas na página oficial da DEnsM, até 16h30 (horário de Brasília) do dia 10 de setembro. Os cargos oferecidos são: Engenharia Civil (5), Engenharia de Materiais (5), Engenharia Mecânica (5), Engenharia Naval (3). As provas serão realizadas no Rio de Janeiro-RJ, Vila Velha-ES, Salvador-BA, Natal-RN, Olinda-PE, Fortaleza-CE, Belém-PA, São Luis-MA, Rio Grande-RS, Porto Alegre-RS, Florianópolis-SC, Ladário-MS, Brasília-DF, São Paulo-SP, Manaus-AM e Parnaíba-PI.

Bulgária recebe segunda fragata classe Wielingen

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A Marinha da Bélgica transferiu oficialmente a segunda fragata classe Wielingen para a Marinha da Bugária. A cerimônia de transferência da ex-Westdiep (agora Gordi) ocorreu no último dia 22 de agosto na base naval de Zeebrugge. A primeira delas, renomeada Druzki (ex-Wandelaar), foi adquirida em 2005 e espera-se ainda para este ano a transferência da Wielingen.

A classe Wielingen era formada por quatro unidades. Além dos três navios adquiridos pela Bulgária, a Westhinder foi desativada em 1993 e desmontada. Na Marinha da Bélgica estes navios foram substituídos por duas fragatas usadas classe Karel Doorman (batizadas Leopold I e Louise-Marie) adquiridas da Holanda em 2005.

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Exclusivo: primeiro vídeo do Osprey no Iraque

Texas Tower - Uma plataforma marítima de vigilância aérea

TT-4

Foto: TexasTower.com

Em função dos questionamentos feitos por alguns leitores do BlogNaval e da grande celeuma em torno da opinião do Almirante Saboya sobre transformar plataformas de petróleo num SIVAM marítimo, o Poder Naval OnLine trouxe à tona a interessante história da Plataforma TT-2. Essa foi a primeira tentativa da USAF em transformar plataformas marítimas em centros de vigilância aérea.

Nos primeiros anos da Guerra Fria, a grande preocupação da USAF num eventual conflito com a URSS era oferecer um alerta antecipado mínimo para que os seus caças interceptassem os bombardeiros soviéticos antes que os mesmos despejassem suas cargas de bombas nucleares nas cidades costeiras. Já no início da década de 1950 os primeiros estudos para um sistema de radares instalados em plataformas marítimas fixas, semelhantes às plataformas de petróleo, foram considerados satisfatórios.

A vantagem destas instalações sobre os navios da USN era que as mesmas seriam unidades fixas dotadas de potentes e pesados radares de vigilância aérea. Porém, as áreas onde estas seriam instaladas deveriam ter condições geográficas favoráveis como grande distância do continente e pouca profundidade. A região marítima compreendida entre Boston e Filadélfia, na costa leste dos EUA apresentava estas condições, além de ser um importante centro econômico e industrial do país a ser defendido. O posicionamento das plataformas e as características do radar permitiram à USAF uma alerta antecipado de 300 a 500 milhas, ou trinta minutos mais de aviso sobre os sistemas baseados em terra.

A USAF se convenceu da necessidade de tais plataformas em 1952 e autorizou a construção de cinco delas em 1953. Denominadas “Texas Towers”, somente três delas (TT-2, TT-3 e TT-4) foram efetivamente construídas. A primeira delas, TT-2, foi posicionada a 110 milhas de Cape Cod (Massassuchets) e primeiramente ocupada em dezembro de 1955. Sua “tripulação” normal consistia de seis oficiais e 48 praças, substituídos a cada 30 dias por outra equipe.

As três unidades off-shore da USAF operaram por pouco tempo. Em 1960 a TT-4 sofreu muitos danos com um furacão e foi completamente destruída no ano seguinte por uma tempestade de inverno. Neste último evento, existiam 28 homens trabalhando naquela instalação. Todos morreram. Algum tempo depois a USAF começou o processo de desativação das duas unidades sobreviventes. Em março de 1963 a última delas foi descomissionada.

Além dos grandes riscos ambientais a que estas instalações estavam sujeitas, o advento dos mísseis intercontinentais e o desenvolvimento de aeronaves AEW (na época o EC-121) não justificavam mais a manutenção daquele sistema. Na foto abaixo uma maquete da TT-2 exposta no museu da Base Aérea de Peterson. Atualmente a base é sede o USNORTHCOM.

Foto: Poder Naval OnLine

TT-2

Atlântico Sul inicia construção de navios para a Transpetro

Conhecido até um ano atrás como estaleiro virtual, o Atlântico Sul, das construtoras Camargo Correa e Queiroz Galvão, dará início nesta sexta-feira às obras de construção dos primeiros navios encomendados pela Transpetro, dentro do seu Programa de Renovação e Expansão da Frota (Promef).
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva estará às 9h, no Porto de Suape, em Pernambuco, para fazer o primeiro corte do aço, que marca o início da construção dos 10 navios contratados pela Transpetro junto ao estaleiro. Na cerimônia está previsto o primeiro corte do aço para a construção da Plataforma P-55, da Petrobras, que vai atuar em Roncador, na Bacia de Campos.
Os 10 navios fazem parte da primeira fase do Promef, que tiveram encomendas de 26 unidades ao custo total de US$ 2,5 bilhões. Deste total, US$ 1,2 bilhão vão para o Estaleiro Atlântico Sul, que ficou com a maior encomenda, de 10 navios Suzmax.
Para a segunda fase está prevista a construção de mais 23 navios, totalizando 49 embarcações. No total, serão consumidos 2 milhões e 700 mil toneladas de porte bruto, sendo que na primeira etapa estão previstas 440 mil toneladas de chapas grossas de aço para a construção dos 10 navios Suezmax, cinco Aframax, quatro Panamax, quatro navios de produtos e três navios para transporte de gás liquefeito de petróleo (GLP).
Em entrevista concedida em Recife, o diretor de Transporte Marítimo da Transpetro, Agenor Junqueira, disse que o impacto que o programa terá na Balança de Pagamentos da Transpetro será de US$ 600 milhões, sendo US$ 330 milhões na primeira fase e US$ 270 milhões na segunda.
“Assim o Promef vai ajudar a restituir a nossa soberania no setor do transporte marítimo, que representa um gasto anual de USS 10 bilhões para o País”, disse Junqueira.
Deste total, menos de 4% são pagos a armadores brasileiros. O diretor destacou que, “diante deste quadro é conveniente ressaltar que o País esta retomando posição destacada no mercado mundial de construção de navios de grande porte, como ocorreu nas décadas de 60 e 70, quando chegou a ser o segundo maior fabricante”, disse.

Fonte: Jornal do Commercio/RJ/Kelly Lima/Da agência estado

Falando em fabricação de torpedos…

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Para combinar com a matéria “A versão chinesa do torpedo Mk.46“, um pouco da história (pouco difundida) da fabricação de torpedos no Brasil.  São trechos do capítulo “Indústria Militar-Naval”, escrito por Hélio Leôncio Martins para o livro História Naval Brasileira - Quinto Volume Tomo II - Rio de Janeiro, SDGM, 1985:

“A 12 de dezembro de 1940 (o Ministro Guilhem) criou a Comissão de Estudos de Torpedos, inicialmente chefiada pelo Capitão-de-Mar-e-Guerra (EN) Mário da Costa Braga e, quando este passou para a reserva, em abril de 1941, pelo Capitão-de-Corveta Américo Jacques Mascarenhas da Silveira.”

“…com a encomenda dos Contratorpedeiros Classe Javari na Inglaterra, foram-nos entregues os planos de recebimento, operação e manutenção dos torpedos ingleses que os equipariam. Utilizando-os, a Comissão resolveu não construir o torpedo completo, mas começar por alguns dos seus componentes. Os Capitães-Tenentes Roberto da Rocha Fragoso e Abel Campbell de Barros, estagiando sucessivamente em fábricas de torpedos norte-americanas, determinaram quais as máquinas necessárias e as adquiriram. A 16 de setembro de 1943, conseguiu-se fazer funcionar com sucesso uma máquina propulsora de torpedo Weymouth (um dos existentes no inventário da MB à época) inteiramente executada no Brasil. Em outubro foram recebidos giroscópios fabricados por uma firma porto-alegrense, que passaram perfeitamente no primeiro teste, sem necessidade de qualquer correção.”

“Neste ínterim, o Almirante Jonas Ingram, Comandante da Quarta Esquadra Norte-Americana, em visita ao Rio de Janeiro, assistiu à máquina funcionar, entusiasmou-se com o que havíamos conseguido sem auxílio exterior e prometou obter desenhos de um moderno torpedo, o que cumpriu, entregando ao Brasil as especificações do torpedo MK XV-Mod. III.”

“Na Ponta da Armação, desde 1943, construíra-se a futura fábrica, onde, a 7 de fevereiro de 1945, os primeiros operários começaram a trabalhar. Mas só pela Lei 93, de 13 de dezembro de 1947 (a mesma que criou a Fábrica da Artilharia), a comissão de estudos cedeu lugar à Fábrica de Torpedos da Marinha.”

“O primeiro torpedo MK XV-Mod. III, de uma série de cinco, foi testado no mar, com êxito, a 19 de outubro de 1954; os três restantes (o número 001 não correu), a 20 de abril de 1955. Fabricado um primeiro lote de dez torpedos, planejou-se um segundo igual. Mas só 17 chegaram ao estágio operativo.”

“Quando, depois da guerra, discutiu-se a conveniência de continuar a produção do MK XV, houve a idéia de também fabricar torpedos para submarinos. Os primeiros planos solicitados aos Estados Unidos foram recusados, porque se tratava de um tipo muito adiantado. Um segundo pedido, objetivando modelo mais modesto, foi também negado, porque era antiquado. Decidiu-se então estudar, por conta própria, um dos torpedos dos Submarinos Classe Tupy, e teve-se a grata surpresa de achá-lo muito parecido com os que estavam sendo fabricados, dependendo apenas de diminuir um pouco o comprimento. Os Capitães-Tenentes (EN) Flávio Monteiro e João Botelho Machado estudaram as modificações a serem introduzidas, o torpedo foi produzido e correu excelentemente”.

NOTA DO BLOG: Esta história refere-se a uma época em que, sob a gestão do Almirante Henrique Aristides Guilhem, Ministro da Marinha de 1935 a 1945, houve um grande impulso na construção naval militar no Brasil. Apesar do índice de nacionalização dos navios ser praticamente zero, dada as limitações da indústria nacional dos anos 30 e 40, desse esforço frutificou a efetiva implantação do atual Arsenal da Marinha do Rio de Janeiro, com máquinas, técnicas e pessoal qualificado para o padrão tecnológico da época, e destacam-se a construção de seis Navios-Mineiros (depois Corvetas) Classe Carioca, três Contra-Torpedeiros Classe M e seis Contra-Torpedeiros Classe A, entre outros navios, assim como a implantação das Fábricas de Artilharia, de Pólvora e Explosivos, de Minas Submarinas, de Aviões, de Torpedos (conforme esta matéria) e Oficina de Eletrônica, e também de novas bases e diversos melhoramentos na logística - iniciativas que serão objeto de outras matérias como esta.

Em 1947, a assinatura do Tratado Interamericano de Assistência Recíproca - TIAR - trouxe diversas vantagens para a MB no que se refere à obtenção de navios e sobressalentes de origem norte-americana. Mas, em compensação, trouxe desinteresse quanto à atualização das atividades de fabricação. Isto, combinado ao avanço da tecnologia, levou a um longo período de estagnação nessa área, que durou até a década de 1970.

Faltam apenas dois dias para o “tão aguardado e comentado” 7 de setembro de 2008. A história acima resume muito do que gostaríamos e do que não gostaríamos que se repetisse no futuro da Marinha do Brasil.

Foto: lançamento experimental do primeiro torpedo fabricado no Brasil - página 189 da obra citada.

Obs: clicando nos diversos links da matéria, você pode saber mais sobre os diversos navios citados, bem como ter informações para adquirir o livro que serviu de base para este texto.

“Precisamos de um Sivam que funcione no mar”

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Fonte: Jornal A Tarde, da Bahia

alte-saboya.jpgAo mesmo tempo em que o governo federal alardeia a descoberta de número crescente de campos petrolíferos em alto-mar, a Marinha cobra mais recursos para a ampliação de sua frota da navios de guerra. Segundo o almirante-de-esquadra Júlio Saboya, chefe do Estado-Maior da Marinha, o número atual de embarcações e outros veículos como aviões e helicópteros está muito aquém daquilo que ele aponta como a quantidade mínima necessária para uma vigilância efetiva do mar territorial brasileiro e da zona econômica exclusiva.
Durante visita a Salvador, o segundo oficial na escala de comando da Marinha concedeu entrevista exclusiva ao repórter João Mauro Uchôa. Saboya revelou que a Marinha já iniciou estudos para a construção de uma estrutura de radares semelhante ao Sistema de Vigilância da Amazônia, o Sivam, que é controlado pela Força Aérea Brasileira. A idéia é instalar antenas nas plataformas da Petrobras em alto-mar.
Mesmo diante de um cenário de aperto financeiro - agravado por sucessivos contingenciamentos de recursos -, o almirante defende a continuidade do polêmico programa nuclear da Marinha, cujo objetivo principal é a construção de um submarino nuclear. Segundo Saboya, a construção de uma arma deste tipo pode garantir um assento permanente para o Brasil no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, mas também poderá ajudar a aumentar a oferta de energia elétrica.

A TARDE - Em 1963, a França enviou um navio de guerra para a costa da região Nordeste a fim de proteger seus pesqueiros que insistiam em invadir o litoral brasileiro atrás de lagosta. O então presidente João Goulart decidiu acionar a Marinha para expulsar os franceses. No entanto, o que se viu foi um festival de limitações. A espinha-dorsal da Marinha recebeu ordem para se deslocar do Rio de Janeiro para o litoral do Nordeste, mas muitos navios ficaram pelo meio do caminho ou nem sequer tiveram condições de zarpar. Este mês, a Marinha realiza um exercício de ataques simulados às plataformas da Petrobras em alto-mar. A esquadra está em condições de vigiar e defender a costa brasileira?

Júlio Saboya - Não. O que existe atualmente é algo parecido com um núcleo de esquadra. Temos pessoal adestrado e muito bem preparado, mas não há meios suficientes para a área que está sob nossa responsabilidade, dentro da zona econômica exclusiva, que se estende, em alguns pontos, a 200 milhas da costa, mas, em outros pontos, vai até 350 milhas. Isso representa área equivalente a cerca de metade do território brasileiro em terra. É óbvio que não é com a esquadra que temos atualmente e nem com os navios-patrulha que poderemos garantir a proteção de uma área tão grande. Ainda há concentração de campos petrolíferos no litoral do Espírito Santo e do Rio de Janeiro, mas já existem muitos campos nas regiões Norte e Nordeste. Tudo isso implica a disponibilidade de meios. Com o que temos hoje, não há como garantir a quantidade ideal de patrulha naval e de segurança. Por isso, temos que aplicar o princípio da dissuasão, ou seja, precisamos de meios navais que mostrem a potenciais agressores que qualquer incursão no território brasileiro pode custar muito caro (ao agressor). Isto é fundamental, pois não temos condições de ter, a médio prazo, meios suficientes para cobrir todo o mar na nossa jurisdição.

A TARDE - Que tipo de acréscimo à frota atual é necessário para que a Marinha tenha condições de fazer uma vigilância efetiva no litoral brasileiro?

Júlio Saboya - Precisamos de várias coisas. A primeira, é um sistema semelhante ao Sivam (o Sistema de Vigilância da Amazônia, operado pela Força Aérea Brasileira), que funcione no mar. Já está sendo iniciada uma série de entendimentos para se utilizar as plataformas da Petrobras, que são estruturas que poderão abrigar um sistema de radar com acompanhamento por satélite. Desta forma, teremos cobertura global da zona econômica exclusiva. Também precisamos de escutas submarinas. Um submarino em condições perfeitas de navegação ainda é uma arma invisível. Tudo isso faz parte de um pacote. Mas precisamos de outras coisas. Não basta termos apenas mais navios e plataformas flutuantes. O ideal é uma Marinha com dois núcleos de esquadra, sendo um no Rio de Janeiro e outro no Nordeste. Mas os Distritos Navais também precisam de navios em número compatível. Mas esta questão não é tão simples de resolver. Não se trata de duplicar ou triplicar a frota atual. A solução é mais complexa. Depende do tamanho dos navios. Queremos mais navios do porte do Gravataí (último navio de um lote de seis embarcações de patrulha entregues ao Brasil por um estaleiro alemão na década de 1990), mas também precisamos de embarcações de maior tonelagem, com capacidade para permanecer mais tempo no mar. Precisamos de 50 navios de patrulha espalhados pela costa brasileira, mas só temos 16. Isso é necessário para termos um mínimo de cobertura.

A TARDE - A Marinha vem sofrendo dificuldades para manter a capacidade operacional do porta-aviões São Paulo. No início deste ano, nenhum dos 23 caças a jato A-4 Skyhawk adquiridos do Kuwait em 1998, por R 70 bilhões, tinha condições de vôo. Recentemente, a Marinha passou a cobrar uma fatia maior dos royalties obtidos com a exploração do petróleo. Isso seria suficiente para garantir a modernização da frota?

Júlio Saboya - O porta-aviões São Paulo já é um senhor de idade que passou por uma série de modernizações. O navio está na fase final de recuperação. Nosso objetivo é torná-lo operacional até o final do ano que vem. Entretanto, cada vez que abrimos uma nova frente de trabalho no navio, descobrimos algo que não pode deixar de ser reparado. O navio vai voltar a operar em condição muito superior à que ele estava quando foi comprado. Em 2003, chegamos a ter seis A-4 embarcados no São Paulo, mas a parada do porta-aviões diminuiu a capacidade da Marinha de manter os pilotos voando. Além disso, os próprios aviões também começaram a sentir o peso da idade e tiveram problemas nas turbinas. Fizemos contratos de manutenção, mas todas as turbinas que voltavam foram reprovadas. Isto fez com que a disponibilidade de aeronaves fosse diminuindo. Mas há cerca de 15 dias, já começamos a botar os A-4 para voar. É claro que nunca mais serão os 23. Muita coisa foi reaproveitada, pois temos dificuldades de encontrar peças de reposição. Teremos de ter pelo menos seis ou sete A-4 prontos para voar. É um programa que virá junto com o retorno operacional do São Paulo. A questão dos royalties do petróleo é lei. A Marinha tem direito a um percentual. O que acontece hoje é que ela recebe uma parte como fonte de recursos dentro do orçamento anual. O restante fica com o governo, que faz contingenciamento para gerar o superávit. O que recebemos é insuficiente para fazer o reaparelhamento e acaba se misturando com despesas de custeio. Temos cerca de R 4 bilhões que deveriam ter vindo para a Marinha nos anos anteriores, mas acabaram sendo retidos pelo governo. Isso é quase o que precisamos para fazer o reaparelhamento. A decisão é do governo. O papel da Marinha é apontar aquilo que ela precisa.

A TARDEDesde a década de 1970, a Marinha vem desenvolvendo um submarino nuclear. As estimativas mais otimistas dizem que serão necessários mais seis anos para a conclusão da obra, que já consumiu cerca de R 2,32 bilhões. Por que o Brasil precisa de uma embarcação deste tipo?

Júlio Saboya Um submarino nuclear é um elemento de dissuasão fundamental. A existência dele é suficiente para deixar todo mundo de guarda fechada. Sozinho, ele faz a dissuasão que talvez dez submarinos convencionais não façam. Por outro lado, não podemos abrir mão do submarino convencional, que é ideal para águas não muito profundas. Entretanto, as zonas de maior profundidade e cada vez mais afastadas da costa - e onde estão sendo descobertos poços de petróleo - são territórios para um submarino nuclear. É ele que tem velocidade, mobilidade e capacidade para permanecer invisível. Quem tem um submarino nuclear senta no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Todos os países que estão lá têm esta tecnologia, coisa que ninguém cede. Nós tivemos que desenvolver a nossa. Ninguém ensina a enriquecer urânio. Cada país tem a sua tecnologia. Nós já dominamos o enriquecimento do urânio, mas precisamos de um gerador de energia elétrica. A planta nuclear do submarino nada mais é do que um gerador que move motores de propulsão. Precisamos de recursos e mais seis anos - isto é uma estimativa - para concluir esta planta. Já temos reatores de potência zero. A planta que já funciona em Aramar (Centro Experimental da Marinha, localizado no município paulista de Iperó), tem capacidade para abastecer uma pequena cidade e é mais do que o suficiente para um navio nuclear. Mas ela também pode fornecer energia elétrica a uma cidade com 20 mil ou 100 mil habitantes, conforme a potência do reator. O programa da Marinha permitiu ao Brasil dominar todo o sistema de geração de energia elétrica a partir da energia nuclear. É uma vitória imensa.

A TARDE O Brasil ainda sofre pressão externa contra o programa nuclear?

Júlio Saboya A pressão foi mais forte no início, quando era mais fácil interrompê-lo. Um país que tem a matéria-prima necessária e consegue desenvolver tecnologia nuclear adquire condições de colocar material no mercado internacional a preços mais baratos. É por isso que quem segue este caminho pode sofrer restrições e barreiras. Do ponto de vista bélico, ninguém tem dúvidas de que o Brasil não vai produzir bomba atômica.

A TARDEEm sua última visita à Rússia, o presidente venezuelano Hugo Chávez tentou acertar a comprar de submarinos de propulsão convencional, porém mais modernos do que os do Brasil. O apetite voraz de Chávez por armamento preocupa a Marinha?

Júlio Saboya A imagem da Venezuela como oponente do Brasil é algo que não passa pela nossa cabeça. Não temos atritos de fronteira com eles e não temos nada a ver com seus problemas internos. Não interessa se ele (Chávez) vai ficar mais ou menos forte militarmente do que o Brasil, pois isto é um processo cíclico. Hoje, ele pode ser mais poderoso; amanhã, não. A Marinha olha o crescimento do potencial bélico da Venezuela com certa inveja.

A TARDESe proteção dos campos petrolíferos é a prioridade para a Marinha, a vigilância da Amazônia passou para segundo plano?

Júlio Saboya Não. São duas coisas diferentes - a Amazônia Azul e a Amazônia Verde. Ambas têm a mesma importância. A Amazônia Verde é atribuição prioritária do Exército. Na Amazônia Azul, a responsabilidade é prioritariamente da Marinha. Temos apoio do Exército, se for necessário, e, principalmente, da Força Aérea. Mas as duas Amazônias precisam ser defendidas.

A TARDE O Exército é contrário à demarcação de reservas indígenas de grandes proporções em área de fronteira, como a da Raposa/Serra do Sol, em Roraima. A Marinha também vê áreas deste tipo como ameaça à soberania nacional?

Júlio Saboya Este é um assunto que não diz muito respeito à Marinha. Os rios navegáveis continuam deste jeito dentro ou fora do território indígena. Não faz sentido botar barreira em rio.

A TARDEOs Fuzileiros Navais participa da Missão de Paz no Haiti. Que tipo de ensinamento esta experiência trouxe?

Júlio Saboya Uma ação deste tipo traz componentes psicológicos e de treinamento que envolvem aspectos que não existem nos exercícios. A presença brasileira no Haiti é extremamente benéfica. Prova disso é que a ONU sempre pede para que as tropas permaneçam. É evidente que problemas pontuais podem ocorrer. Alguns dizem: será que não estamos pagando um preço muito alto? Acho que não. Se não fizermos isso, não vamos nos mostrar à comunidade internacional. É um caminho necessário para quem almeja sentar no Conselho de Segurança da ONU.

A TARDE No mês passado, o advogado haitiano David Josue esteve em Salvador para pedir a saída das tropas brasileiras do Haiti. Ele prometeu entregar um abaixo-assinado ao presidente Lula cobrando uma solução para a questão. Segundo ele, militares brasileiros da Força de Paz teriam praticados “atrocidades” no Haiti. O senhor tem conhecimento desses fatos?

Júlio Saboya Sei que ele mostrou fotografias e filmes feitos há dois ou três anos. As imagens podem ter sido feitas quando a coisa estava mais complicada, com a atuação de gangues em Cité Soleil (a maior favela do Haiti). Mas eu não tenho conhecimento de ocorrências que colocassem em dúvida a respeitabilidade da tropa brasileira. Seríamos os primeiros a tomar providência. Podem ter acontecido fatos pontuais, mas eu garanto que as providências foram tomadas. Cheguei a ver alguns vídeos na TV, mas eram imagens datadas de 2006. Por que não houve denúncia? A situação política no Haiti ainda não está estável. É por isso que a tropa de paz ainda está lá. As supostas denúncias parecem jogo político.

A TARDEHá quem diga que as tropas brasileiras estão aproveitando o Haiti para treinar operações no Rio de Janeiro. Alguns comandantes do Exército defendem abertamente o emprego das Forças Armadas no combate ao crime. Qual é a sua opinião sobre esta questão?

Júlio Saboya Minha função é cumprir a lei. A Constituição não permite isso. Pessoalmente, não gostaria de me meter em assuntos policiais. O militar de carreira está armado para enfrentar o inimigo do País, mas não para brigar com nossos irmãos, mesmo que eles sejam apontados como marginais. Não podemos esquecer que muitos dos nossos homens são vizinhos deles. Isto é algo muito diferente de ter que brigar com um inimigo externo que não mora ao meu lado e não sabe o meu nome.

A TARDEEmbora o presidente Lula tenha mandado encerrar a discussão sobre a revisão da Lei de Anistia, o debate continua. A resistência das Forças Armadas brasileiras em revisar sua história não acaba comunicando a imagem de que os equívocos e excessos do passado poderão se repetir?

Júlio Saboya Sempre que houve solicitação, a Marinha entregou documentos que estavam em seu poder. Mas há um mal-entendido nisto. Acham que temos coisas que não temos. Eventualmente, surgem alguns dados de gente que trabalhou nisso (na repressão), gente que guardou documentos que não estão mais com as Forças Armadas. Esta celeuma não leva a lugar nenhum. Só serve para cutucar feridas que estão cicatrizando. Em qualquer crise interna que resulta em confronto armado, os dois lados fazem besteira. A anistia veio para acabar com isso. Não entendo isso como uma negação em revisar o passado. É melhor olhar para o futuro do que ficar remoendo fatos passados que machucam a todos.

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Nota do BLOG: O CEMA esqueceu que a maioria das plataformas em atividade a serviço da PETROBRAS são contratadas e não pertencem á empresa. Excluindo-se os FPSO/FSO, existem 45 plataformas (entre fixas, navios-sonda e semi-submersíveis) operando para a PETROBRAS no Brasil e somente 14 pertencem efetivamente à empresa. Destas, somente quatro tem capacidade de operar em águas profundas.

Marinha finalmente adquire FLIR para os seus helicópteros AH-11A Super Lynx

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flir-safire-iii.jpgNo dia 26 de agosto de 2008, nas dependências do Esquadrão HA-1, o ComForAerNav assinou o contrato com a empresa FLIR Systems INC. para a aquisição do sistema estabilizado multi-sensor de vigilância “FLIR” (Equipamento de Observação Infravermelho) SEA STAR SAFIRE III, a ser instalado nos helicópteros AH-11A Lynx, como parte do programa de modernização da frota dos AH-11A da MB.
Nessa data compareceu o Sr. James Meyer, representando a empresa FLIR Systems e o Sr. Carlos Roberto Hall Barbosa, representante daquela empresa no Brasil.
O sistema FLIR dotará as aeronaves AH-11A de um sensor passivo que permite a identificação noturna de contatos, ampliando assim a capacidade e versatilidade desse importante meio da Esquadra.
A decisão de modernizar as aeronaves AH-11A consta do Programa de Reaparelhamento da Marinha, fato esse que corrobora a importância que os meios aeronavais possuem no emprego operativo de nossa Marinha no cumprimento das tarefas do Poder Naval.
Clique no link para ler a brochura técnica do FLIR adquirido pela Marinha.