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A versão chinesa do torpedo Mk.46

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O Yu-7 (Projeto 109, também conhecido como ET52 na versão de exportação) é um torpedo leve anti-submarino copiado do torpedo americano Mk-46, por engenharia reversa.

O torpedo foi desenvolvido conjuntamente pelo Instituto Xi’an de Maquinaria de Precisão (também conhecido como Instituto 705), pela China Shipbuilding Industry Corporation (CSIC) e pela Universidade Politécnica do Noroeste (NPU). O Yu-7 é a arma anti-submarino padrão das escoltas da China.

Em outubro de 1978 navios de pesca chineses encontraram um torpedo de combate Mk-46 Mod 1 Block 2 da US Navy, que não explodiu, perto das ilha Hainan. O torpedo foi entregue aos militares chineses, para apreciação e mais tarde foi utilizado para desenvolver uma cópia de engenharia reversa, no âmbito do Projeto 109.
A primeira fase dos trabalhos de engenharia reversa foi realizada pelo Instituto Xi’an, entre dezembro 1978 e abril de 1979.

O desenvolvimento da cópia chinesa Yu-7 começou em 1982. A enorme tarefa foi partilhada entre o Instituto 705, responsável pela concepção geral e pelo desenvolvimento do sistema de controle de águas rasas, e a NPU, responsável pelo desenvolvimento do sistema de controle de águas profundas.

As fábricas 872 e 874 foram responsáveis pela produção torpedo. O programa entrou em engenharia de desenvolvimento em 1984.

A equipe de projeto produziu 80.000 blueprints e mais de 100.000 páginas de documentos técnicos. Mais de 90 institutos de pesquisa e fábricas em todo o país estiveram envolvidos na produção de mais de 5.000 peças e 4.500 instrumentos para o torpedo.

Os dois primeiros protótipos foram montados na Fábrica 874, em dezembro de 1984 e testados em 750 lançamentos em Kuming, em dezembro de 1985.

O desenvolvimento do Yu-7 esbarrou em enormes dificuldades técnicas. No final dos anos de 1980, a República Popular da China foi capaz de obter algumas tecnologias do Mk-46 dos Estados Unidos, quando os dois países formaram uma aliança temporária contra a União Soviética.

Embora não tenha sido possível concluir o processo, devido ao embargo de armas à República Popular da China imposto pelos Estados Unidos depois de 1989, alguma documentação técnica e documentos do Mk-46 foram recebidos e utilizados para ajudar no desenvolvimento Yu-7.

Em 1989 o torpedo Yu-7 realizou 68 lançamentos em quatro etapas de testes no mar. O lote inicial de produção dos Yu-7 começou no início da década de 1990 e o projeto foi certificado para a finalização em 1994.

Outro grande benefício para o programa de desenvolvimento do Yu-7 foi a compra pela China de 40 unidades do torpedo italiano Alenia A244-S, em 1987, que também foi examinado pelo Instituto 705.

A incorporação das tecnologias italianas do Alenia A244-S causou mudanças no projeto do Yu-7, atrasando seu cronograma, mas, segundo o Jane’s Information Group, o maior fator de atraso foi a dificuldade encontrada na conversão do sistema britânico de medidas ao sistema métrico, e as normas do Instituto Americano de Engenheiros Elétricos e Eletrônicos para os padrões internacionais.
O torpedo Yu-7 finalmente recebeu certificação em 1994 e foi para a plena produção no final da década de 1990.

NOTA DO BLOG: A China demorou 16 anos para desenvolver seu torpedo leve anti-submarino, com enorme investimento de capital humano e recursos. Não foi preciso reinventar a roda, simplesmente copiaram “na cara dura” o melhor torpedo do mundo, mas mesmo assim, encontraram dificuldades imensas. Se o Brasil resolver um dia produzir seus próprios torpedos, é bom ficar sabendo que terá um duro caminho a percorrer.

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21 COMMENTS

  1. Interessante matéria, muito boa mesmo.Onde tem “engenharia reversa” leia-se “pirataria da braba”.Mesmo assim parabéns aos chinas, como se vê em negrito no texto, o esforço foi muito grande, caro, e levou muito tempo( mesmo que tenha sido na base do CTRL-C e CTRL-V ).

    Em breve eles chegam no MK 48 iguais aos do brasil.

    Nota : Reparem os funcionários trabalhando de havaianas, tecnologia e desenvolvimento nota 10, segurança no trabalho nota 0.

    SDS

  2. Quem já não fez engenharia reversa?, que atire a primeira pedra, casos de pirataria, cópia ilegal, engenharia reversa ou como queiram clssificar, que o digam os americanos com as V2, está na hora de sermos mais relistas.
    Ninguém vai facilitar a aquisição de tecnologia sensível para um país com o potêncial do Brasil.

    SDS.

  3. Concordo plenamente, os EUA foram ao espaço graças a tecnologia alemã da 2ª GM, então pq nós não copiamos também. Espionagem e Inteligência é isso, os Russos, Americanos e Britânicos que o digam.

  4. Acredito que com engenharia reversa e dinheiro o Brasil hj levaria menos tempo para chegar a esse mesmo torpedo . É só olhar quando os chineses começaram (1978). Então…

  5. Agora, imaginem vocês que o Brasil possui um estoque limitado de torpedos Mk.46 americanos e que eles são a única arma efetiva contra submarinos.
    Na Guerra das Malvinas, a Royal Navy esgotou os paióis dos seus navios de tanto lançar torpedos em contatos espúrios no mar, na tentativa de acertar os submarinos IKL-209 argentinos. Os ingleses tiveram que pegar mais torpedos com a US Navy.
    Quanto tempo duraria o estoque de Mk.46 da MB num conflito?

  6. Senhores,
    Talvez não seja tão simples assim para o Brasil utilizar engenharia reversa, pois poderia sofrer inúmeras restrições e boicotes por conta dos países que nos abastecem hoje, eles poderiam suspender a venda dos MK 48, dos helicópteros, dos aviônicos e motores utilizados pela EMBRAER, e a construção do sub nuclear também estaria comprometida, só para citar alguns exemplos. A China já é boicotada mesmo pelo ocidente, não tem nada a perder.

    Tem uma rima que diz “na engenharia nada se projeta, tudo se copia”, no nosso caso sou favorável a exigência de repasse de tecnologia junto com a venda de equipamentos, para construção aqui e possível desenvolvimento daquilo que compramos.

    SDS

  7. “Nota : Reparem os funcionários trabalhando de havaianas, tecnologia e desenvolvimento nota 10, segurança no trabalho nota 0.”

    Não é “Havaianas”, é “Raider”.

    O EB tentou aplicar “engenharia reversa” no SAM “Roland”, os alemães descobriram e aí foi nicas de peças de reposição.

  8. oi galera do blog bom uma vez li n internet que o brasil tinah como um dos projetos principais o desenvouvimento d eum torpedo pesado
    nao sei se e especulaçao o se como tudo no brasil esta engavetado esperando o 7 de setenbro que esta prosssimo digase de pasagen mais acho que o brasil vai precisar de um de um topedo classe m 48 nacional nao to falando de viagengen deliranto to falando do que precisamos se vamos ter nao sei !!!!!!!!!!!1

  9. Caros amigoas, não vou discutir sobre o caráter dos chineses, poís na minha humilde opinião eles não o teem, mais com boicote e tudo, com reconhecimento do governo “Lula Lá” na OMC e tudo mais, ninguém vejam bem, ninguém para de fazer comércio com eles.Eles estão se tornando uma potência mundial porque para isso: “Não é preciso pedir permissão a ninguém”, A “Nação” tem de fazer por merecer.
    SDS

  10. O Brasil não tem de copiar tem que insistir em alguma transferencia de tecnologia vejam o caso do Brasil em construir submarinos ,aviões com a embraer, temque associar como fez a FAB com a Dentel africa do sul. O Brasil poderia investir mesmo pouco por exemplo com o pak-50 russo . eu vejo que não e necessário fechar com a França e isolar os alemâes no caso dos subs. No caso fechar os su-30 mas manter canais abertos com a França ou vice versa se optar pelo rafael. Participar de Projetos já em andamento mandar tecnicos engenheiros. Sobre Torpedos são poucos Paises que se aventuram o jeito e comprar os americanos os alemaes ter um estoque bom por que não uns modelos chines em caso de conflito teriamos pelo menos em fornecedor

  11. É claro que devemos desenvolver nossa tecnologia, mas isto só pode dar certo, à longo prazo. A curto prazo, comprar com transferência de tecnologia. É sempre bom repetir o que já escreví em um dos Blogs: não estamos nos armando para enfrentar os USA. Pelo contrário, não temos interesse nenhum em hostilizá-los (nenhum mesmo). Por outro lado, tecnicamente, não se enfrenta uma superpotência, seja em guerra convencional ou (Deus nos livre) nuclear, com FAA de terceiro mundo. A única forma de um país mais fraco enfrentar uma superpotência (sejam os americanos, russos ou, está pintando, os chineses) é com a guerra de guerrilhas (com apoio popular, todo mundo junto). Precisamos, sim, nos prepararmos contra nossos vizinhos aloprados e radicais (que não sabem com quem estão se metendo….). Boa tarde a todos e que os deuses iluminem nossas autoridades!

  12. […] Ikara. O sistema é concebido para transportar e soltar um torpedo leve anti-submarino MU-90 ou Mk.46 (de 300kg e 324mm de diâmetro), perto de um submarino detectado pelo sonar do navio, por um […]

  13. […] A versão chinesa é equipada com um radar de busca de banda X, um sonar Sintra HS-12 e um torpedo anti-submarino Yu-7 (cópia chinesa do Mk.46 Mod.2 e do A244S). O Z-9C também leva uma antena para prover atualização […]

  14. O nosso querido Brasil está muito atrazado,aqui não se produs nem radinho de pilha. Quanto mais torpedo,missil;radar,avião,navios submarinos.Você conhesse auguma tecnologia Brasileira avansada que foi dezenvolvida aqui no brasil, nos não tenhos marca.Você ja viu algum dia um desfile do presidento da repúbrica usando um carro com tecnologia Brasileira.Omundo e assim mesmo quem sabe mais manda não tem outro geito,estamos ferrado p .

  15. Hello! Your post (A versão chinesa do torpedo Mk.46) does so well that I would like to translate it into French, publish on my french blog and link to you. You have something against it? Regards

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