sábado, março 6, 2021

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‘Otto Hahn’: o navio mercante nuclear que quase veio para a MB

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Alexandre Galante
Ex-tripulante da fragata Niterói (F40), jornalista, designer, fotógrafo e piloto virtual - alexgalante@fordefesa.com.br

ns-otto-hahn.jpg

No início do Acordo Nuclear Brasil-Alemanha,  no final da década de 1970, o governo alemão, sabendo da intenção da Marinha do Brasil de construir seu submarino nuclear, ofereceu ao Brasil o navio-mercante de propulsão nuclear Otto Hahn. A oferta foi feita porque o navio tinha se tornado economicamente inviável à época, já que pouquíssimos países aceitavam em seus portos, navios com propulsão nuclear, com receio de contaminação.
A Marinha do Brasil chegou a examinar e inspecionar o navio, pois a propaganda era de que ele seria um excelente instrumento para o preparo das “futuras guarnições submarinas”.
ottohahn.jpgMas após minucioso exame, a proposta foi recusada, devido ao alto custo de operação do navio e o tempo que ainda decorreria para se construir o primeiro submarino nuclear brasileiro, que se imaginava estaria no mar no ano 2000.
Em 1979,  o Otto Hahn foi desativado e seu sistema de propulsão nuclear foi removido, dando lugar a motores diesel.
Durante nove anos de operação, o Otto Hahn navegou 650.000 milhas náuticas à propulsão nuclear, visitando 33 portos em 22 países, inclusive o Rio de Janeiro.
Em 1983, o Otto Hahn foi recomissionado como MS Trophy e alugado para o serviço marítimo comercial. Em 19 de novembro daquele ano, foi rebatizado como MS Norasia Susan, depois como MS Norasia Helga em 1985, MS Hua Kang He em 1989, e MS Madre até hoje.
O navio operou pela Alon Maritime Corporation da Grécia a partir de 1999 e foi adquirido pela Domine Maritime Corporation da Libéria, em 2006.

otto-hahn-2.gif

Características gerais

  • Deslocamento 25.790 toneladas (26.200 t) completo, 16.871 toneladas (17.141t) padrão
  • Comprimento: 164,3m flutuação, global de 172,0 m
  • Boca: 23,4 m
  • Bordo livre: 5,3 m
  • Capacidade: 14.040 toneladas brutas (TAB) (39.760 m³)
  • Propulsão: Nuclear
  • Velocidade: 15,75 nós (29 km/h)
  • Tripulação de 63 tripulantes, 35 pessoal de pesquisa
  • Reator
    • Potência: 38 MW
    • Volume: 35 m³
    • Pressão: 85 kp/cm ² (8,3 MPa)
    • Temperatura: 300 ° C
    • Combustível: 1,7 toneladas métricas de urânio enriquecido a 3,5-6,6%
    • Autonomia a plena carga: 900 dias
    • Consumo de combustível: 23.000 MW d / t
    • Fluxo médio do nêutron térmico: 1.1×10 13 / (cm ² s)
    • Número de elementos / barras de combustível: 12/2810
    • Menor diâmetro equivalente: 1.050 milímetros
    • Altura do núcleo ativo: 830 milímetros
    • Diâmetro das Barras de combustível : 11,4 milímetros
    • Revestimento do combustível: 0,8 mm de Zircaloy -4
    • Construtor: Deutsche Babcock & Wilcox-Dampfkesselwerke AG und Internationale Atomreaktorbau GmbH
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Joaca

Escapamos de uma fria…

Fábio Max

Isso é o que eu chamo de um trambolho!

Henrique

imaginem um navio destes nas mão de piratas/terroristas.?!

Matheus

Ou eles usariam muito bem, por ser rapido para um navio mercante (17 nos).
Do ponto de vista radiológico, eles teriam mais problemas que os possíveis alvos.

marcelo

se compra o navio talvez hoje em dia ja nao teriamos gastado um fortuna para desenvolver o reator nuclear para o submarino…..certas oportunidades que nao si pode perder…….hoje em dia que pais vende para o outro um navio com propulsao nuclear mesmo que seja muito velho….nenhum pais…………………se esse navio tivesse a venda hoje varios paises iriam querer comprar para possuir a tecnologia

Corsario-DF

O navio é realmente um “trambolho”. Mas concordo com o Marcelo. Poderíamos ter comprado o mesmo para que obtivéssemos a tecnologia necessária para a construção do nosso reator nuclear naval com muito mais facilidade, pois já se vão 30 anos e agora é que temos a luz no fim do túnel para a construção do nosso primeiro reator. O Navio em sim na minha opnião não ia servir pra nada, talvez como ele aindo opera hoje, teríamos colocado nele os motores diesel e ele serviria a nossa marinha mercante, mas sem dúvida alguma o importante era a retirada do reator… Read more »

edilson

gato por lebre radioativo…

Guilherme

O problema é que no Brasil parece que o povo tem medo de fazer engenharia reversa! Não entendo isso!
Em muitos casos, essa solução seria muito boa. Mas não, o povo gosta de passar anos e mais anos (30) para desenvolver alguma coisa.
É triste.

Erik

Amigos esse navio era tao ruim, que ate hoje navega comercialmente e tem se mostrado uma obra-prima da construçao naval germanica, mesmo sem o reator sua estrutura (casco) esta em otima forma, navio lucrativo, claro o bjetivo seria o reator, que agora esta em terra…poderia sim ter sido muito util a para um pais como o Brasil. Mas acredito que provavelmente esse navio nao existiria mais…

Confiram fotos atuais do M/V Madre.
http://www.shipspotting.com/modules/myalbum/photo.php?lid=479994
Saudaçoes Mercantes.

Erik

[…] seu submarino nuclear, ofereceu ao Brasil o navio-mercante de propulsão nuclear Otto Hahn. Clique aqui para conhecer a […]

Francisco

Foi um vacilo grande. Gostaria de saber a opinião de quem, na época, participou do estudo dessa questão. Deve haver algum engenheiro da marinha, aposentado, que queira dizer alguma coisa. Por ouro lado deve ser sigiloso.

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