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Continuando nossa troca de idéias sobre os futuros submarinos do Brasil, no gráfico acima pode-se ver o alcance de um submarino convencional dotado de sistema AIP (Air Independent Propulsion) com células de combustível, como o alemão U-214.
O círculo menor mostra o raio de ação submerso de nossos atuais U-209, antes que precisem usar o snorkel para recarregar as baterias. O alcance submerso do U-214 é de cerca de 420 milhas a 8 nós e 1.248 milhas a 4 nós, usando células de combustível.
O U-214 já foi comprado pela Grécia, Coréia do Sul, Turquia e Portugal. O submarino está prestes a ser adquirido pelo Paquistão e concorre também para ser o próximo submarino da Índia.

 

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O navio-aeródromo “CVN21″, atualmente em construção, terá um custo total em torno de US$13,7 bilhões (mais que o dobro da classe “Nimitz”), devido ao emprego de muitas tecnologias inovadoras (clicar na imagem). O primeiro navio, USS Gerald R. Ford (CVN78), deve entrar em serviço em 2014, substituindo o primeiro NAe de propulsão nuclear do mundo, o USS Enterprise, que terá mais de 50 anos de idade.

 

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No momento em que a imprensa brasileira diz que o novo Plano Estratégico de Defesa vai contemplar a construção de “porta-aviões não-convencionais, de função múltipla”, é bom dar uma olhada no Dokdo, o novíssimo navio de assalto anfíbio da Marinha da Coréia do Sul (ROK Navy).
Ele foi lançado ao mar em julho de 2005 e incorporado exatamente dois anos depois. Desloca 18.800 toneladas carregado, tem 199m de comprimento, 31m de boca e 7m de calado.
O Dokdo é o navio-capitânia da Frota de resposta rápida da ROK Navy, que inclui os destróieres KDX-III, KDX-II, KDX-I e submarinos U-214.
Como um navio anfíbio de alta velocidade, Dokdo foi baseado no conceito de assalto “over-the-horizon”. Como o nome indica, o assalto “além do horizonte” comporta uma operação militar na qual um desembarque anfíbio é conduzido com grande velocidade através de helicópteros e veículos anfíbios que partem do navio contra alvos além do horizonte, evitando a detecção e ataque do inimigo. Os navios de desembarque convencionais, como os empregados pela Marinha do Brasil na Operação Atlântico realizada recentemente, têm que aproximar-se da costa para o desembarque, correndo o risco de serem alvejados.
O Dokdo pode transportar 720 fuzileiros (+300 tripulantes), 10 tanques, 10 caminhões, 7 AAVs, três peças de artilharia, 10 helicópteros e dois LCAC hovercrafts, capazes de abordar costas inimigas fazendo 40 nós (74 km /h).
A auto-defesa do navio inclui o sistema RAM (RIM-116), e o CIWS Goalkeeper, cada reparo tendo custado cerca de US$ 15 milhões.
O Dokdo é semelhante ao Juan Carlos I da Espanha e ao destróier porta-helicópteros japonês Hyuga.
O navio está pronto também para participar de operações de Paz da ONU e em missões de ajuda humanitária. Até o ano 2020, a ROK Navy planeja incorporar mais dois navios do tipo.

NOTA DO BLOG: Se o Ministério da Defesa pensa em construir um ou mais navios semelhantes ao Dokdo, é bom ir preparando o orçamento: cada um sai por cerca de US$ 1 bilhão.

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Constituição na Operação Bogatun

A fragata Constituição (F 42), da Marinha do Brasil, esteve no Porto do Rio Grande no final de semana. Ela saiu do Rio de Janeiro no último dia 29 e atracou no cais do Porto Novo no início da noite de sexta-feira. Na manhã de domingo partiu para Mar del Plata (Argentina). De lá, segue para o Chile, onde participará da Operação Bogatun.

Conforme o comandante do 1º Esquadrão de Escolta, capitão-de-mar-e-guerra Paulo Ricardo Médici, nesta operação, que ocorre de 24 a 27 deste mês, a fragata passará pela Argentina e três portos do Chile: Punta Arenas, Talcahuano e Valparaíso. Na Bogatun, participa, junto com navios e submarinos chilenos, de exercícios de adestramento da tripulação e aprestamento do navio.

A Constituição, fragata da classe Niterói, foi construída na Inglaterra. Teve sua quilha batida em 1º de março de 1974 e em 31 de março de 1978 foi realizada sua Mostra de Armamento e houve a incorporação à Marinha do Brasil. Em 2006, após período de modernização, voltou a possuir um moderno sistema de combate, além de armamentos e sensores de última geração.

Seu sistema de armas foi projetado com a finalidade de proporcionar detecção, acompanhamento, aquisição e ataque a alvos submarinos, de superfície e aéreo. Conta com um canhão Vickers MK-8, de 4,5 polegadas, para emprego contra alvos aéreos e de superfície, que tem alcance máximo de 22 quilômetros e cadência de 25 tiros por minuto, mais dois canhões Bofors 40mm/70 Cal MK3, para o mesmo emprego e com alcance de 12 quilômetros.

Possui também míssel Aspíde, superfície-ar, com alcance de 14 quilômetros, e míssil Exocet MM-40, superfície-superficie, com alcance acima de 54 quilômetros. Tem ainda torpedos MK-46 (dois lançadores triplos), capaz de atingir alvos submarinos na profundidade de 7 a 600 metros aproximadamente, e foguete Boroc (um lançador duplo).

Trata-se de um navio de 129,55 metros de comprimento e com calado máximo de 6,13 metros. Sua tripulação é composta de 22 oficiais e 187 praças. Em termos de propulsão, possui duas turbinas a gás e quatro motores diesel, que podem ser aplicados aos seus dois eixos propulsores. A instalação da propulsão é do tipo CODOG (Combined Diesel Or Gás).

Resgate

A fragata chegou a Rio Grande trazendo a bordo o pescador Gilberto Calistro Felício, 37 anos, de Itajaí, Santa Catarina, resgatado do barco pesqueiro catarinense Astra IV, a aproximadamente 40 milhas da costa do Rio Grande. A tripulação do pesqueiro pediu auxílio ao navio da Marinha porque o pescador apresentava dor de cabeça e sangramento num ouvido, segundo informações do comandante da Constituição, capitão-de-fragata Marcos Borges Sertã.

O navio foi até o pesqueiro e resgatou o pescador. Já a bordo da fragata, foi atendido por um médico que diagnosticou otite aguda e o medicou. Sertã relatou que o helicóptero da Constituição estava pronto para trazê-lo para Rio Grande, caso fosse necessário, mas como o caso não exigia urgência, Felício veio com a fragata. Na chegada ao porto do Rio Grande, o pescador foi encaminhado ao pronto-socorro da Santa Casa para continuar o tratamento.

Fonte: Jornal Agora

 

Guerreiro 15 içando náufrago.

Na tarde do dia 30 de outubro, a Aeronave de Serviço da Esquadra (ASE) – SH-3A Guerreiro 15 (http://www.naval.com.br/blog/?p=632), foi acionada pelo SALVAMAR SUESTE para realizar buscas a tripulantes do barco pesqueiro Continente II que teria naufragado, na posição cerca de 17 milhas náuticas a SE da Ilha de Cabo Frio.

Após a realização de briefing com a tripulação, médico e enfermeiro da Policlínica Naval de São Pedro da Aldeia e mergulhadores do Centro de Instrução e Adestramento Aeronaval (CIAAN), a aeronave decolou para a cena de ação.

Fruto de minucioso planejamento, as buscas foram iniciadas na posição 20 milhas a NE do ponto de afundamento da embarcação, e logo na segunda pernada do plano de busca, foram localizados três náufragos que estavam reunidos próximos aos destroços e flutuavam graças ao uso de coletes salva-vidas.

Em pouco tempo, e com a auxílio dos mergulhadores, os náufragos foram içados para bordo do Guerreiro 15. Após receberem os primeiros socorros pela equipe médica da aeronave, os sobreviventes foram trasladados para o aeroporto de Cabo Frio, de onde seguiram na ambulância do Corpo de Bombeiros para o Hospital Central da cidade.

A Marinha do Brasil, atuando na salvaguarda de vida humana no mar, realizou mais um resgate com sucesso, graças ao trabalho e preparo das equipes adjudicadas ao SALVAMAR SUESTE (Com1ºDN).

Fonte e fotos: ComForAerNav.

Nota do Blog: BRAVO ZULU Esqd. HS-1!

Náufragos próximos aos destroços. Náufragos atendidos a bordo do Guerreiro 15.
Tripulação do Guerreiro 15.

 

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“ … a Marinha encontra-se diante de decisões difíceis. Com o orçamento atual, o programa do submarino nuclear levará talvez ainda trinta anos para a sua concretização, o que não parece aceitável. Com o desenvolvimentos dos modernos sistemas de propulsão independentes do ar para submarinos, já não se pode afirmar que no prazo de trinta ou pouco mais anos a opção pelo submarino nuclear seja a mais acertada porque, ao longo de todos esses anos, ele consumirá um percentual expressivo do orçamento da Marinha, o que prejudicará inúmeros outros projetos e, ao final do prazo para o seu desenvolvimento, talvez não signifique o mesmo que hoje.”
Almirante Armando A. F. Vidigal – A evolução do pensamento estratégico naval brasileiro (2002)

o-capitular.jpgPrograma Nuclear da Marinha fará 30 anos em 2009 e até agora, consumiu cerca de US$ 1 bilhão em recursos. Nos últimos anos, o Programa sobreviveu em estado vegetativo, devido ao corte de verbas.
O início do Programa Nuclear da Marinha deu-se no final de 1978, quando uma decisão ministerial engajou a Força no desenvolvimento da propulsão nuclear para submarinos. A decisão baseou-se na premissa de que, num eventual conflito, a Marinha do Brasil estaria em grande inferioridade contra um adversário que possuísse submarinos nucleares. Para a Marinha, a premissa foi confirmada na Guerra das Malvinas, em 1982, quando o afundamento do cruzador argentino ARA General Belgrano pelo submarino nuclear britânico HMS Conqueror, fez a Marinha Argentina retirar seus navios do Teatro de Operações.
Além do emprego militar, a propulsão nuclear aplicada a submarinos teria aplicação dual, possibilitando o uso do reator em usinas nucleares em terra, para a produção de energia elétrica. Sendo uma tecnologia de “arrasto”, traria também benefícios para o desenvolvimento de uma enorme gama de outras tecnologias.
O Programa autônomo de desenvolvimento de tecnologia nuclear recebeu o codinome de Programa Chalana, constituído por um conjunto de atividades com o propósito de desenvolver no País uma planta nuclear de propulsão de submarinos e o combustível necessário.
Sempre foi considerado um programa de longo prazo de maturação, que visava equipar a Força Naval de submarinos com propulsão nuclear, com alto grau de componentes nacionalizados. Inicialmente abrangia quatro projetos: Zarcão, Ciclone, Remo e Costado. O Projeto Zarcão, concluído em 1982, permitiu o domínio da tecnologia de obtenção de zircônio e háfnio nuclearmente puros.
O Projeto Ciclone, concluído em 1986, permitiu o desenvolvimento de ultracentrífugas para obtenção de urânio enriquecido e o seu emprego conjunto em cascata, numa usina de enriquecimento.
Os projetos que estão ainda em desenvolvimento são o Remo e o Costado. O primeiro visa à obtenção de uma planta de propulsão nuclear, do tipo PWR de pequenas dimensões, para ser instalada em submarino. O Projeto Costado, por sua vez, visa capacitar a Marinha a construir um submarino que possa receber o reator nuclear.
Para conseguir terminar finalmente o reator nuclear, a Marinha precisa de mais um bilhão de dólares, investidos num período de 10 anos.
O presidente Lula, em julho de 2007, em visita ao Centro de ARAMAR, garantiu a liberação de recursos anuais de R$ 130 milhões, para a conclusão do reator e do programa de enriquecimento de urânio da Marinha.

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O Projeto Costado

Enquanto construía os submarinos da classe “Tupi” (IKL-209/1400), com transferência de tecnologia alemã, a Marinha se preparava para projetar o primeiro submarino convencional de projeto brasileiro, o SNAC-I. Ele seria uma “bancada de testes” para o futuro SNAC-II, o Submarino Nuclear de Ataque (SNA).
O então Ministério da Marinha contratou a HDW / IKL para fornecer um programa de treinamento para a elaboração de um projeto próprio de submarino no Brasil. Para esta finalidade, cerca de 30 engenheiros foram destacados para participar do treinamento durante os anos 1985 e 1986, seguido de uma fase de concepção de projeto entre os anos 1986 e 1990.
Houve treinamento de projeto de submarino no Rio de Janeiro, na forma de palestras, de 1º de abril a 7 de maio de 1985. Foram abordados os assuntos hidrodinâmica, resistência de materiais, termodinâmica, arquitetura naval de submarinos, física e química relacionada a submarinos.
Também foi feito o treinamento de projeto de submarinos na IKL em Lübeck, Alemanha, na forma de palestras, de 20 de maio a 19 de julho de 1985. Foram abordados os assuntos de projeto de casco de submarinos, propulsão, “lay-out” e eletricidade de submarinos.
Entre 5 de agosto a 6 de dezembro de 1985, foram abordados temas sobre mecânica, elétrica, automação e eletrônica, comunicações e sensores/sistemas de combate de submarinos.
Entre janeiro de 1986 e junho de 1990 (54 meses), o treinamento consistiu da Fase de Projeto de Concepção de um projeto próprio, baseado nos requisitos da Marinha do Brasil para um submarino convencional de grande porte, compreendendo as seguintes partes:
1.Estudo de Viabilidade (janeiro de 1986 a março de 1986)
2.Projeto de Concepção (abril de 1986 a dezembro de 1986)
3.Fase Preliminar do Projeto (janeiro de 1987 a maio de 1987)
4.Fase de Projeto de Contrato (julho de 1988 a junho de 1990).
Em 1º de outubro de 1990, todas as atividades foram interrompidas por parte da Marinha do Brasil.
Anos mais tarde, o projeto ressurgiu como SMB-10 (Submarino Médio Brasileiro), um modelo convencional com deslocamento carregado de 2.500 toneladas, 8m de boca e 67 metros de comprimento.
Mas a Diretoria de Engenharia Naval (DEN) ainda precisava contar com auxílio técnico estrangeiro para projetar o SMB-10, já que o Brasil não domina todas as facetas de um projeto dessa complexidade.
O projeto do SMB-10 também acabou cancelado, fazendo a Marinha partir para um projeto totalmente estrangeiro, de um submarino convencional que pudesse receber um reator nuclear posteriormente.

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Aproveitando o legado

Em 6 de setembro de 2005, o jornal Valor, em sua edição online, noticiou que a Comissão de Financiamentos Externos (Cofiex) tinha aprovado a contratação de empréstimo internacional para construção de um submarino convencional alemão U-214 e a modernização dos cinco U-209 já existentes na Marinha. O financiamento, de 882,4 milhões de euros daquele ano, contratado no ABN AMRO, se somaria à contrapartida do Governo, de 135,9 milhões de euros (87% de financiamento e 13% de contrapartida), totalizando 1,08 bilhão de euros.
A construção do novo submarino ficaria a cargo da siderúrgica alemã ThyssenKrupp, por meio de sua subsidiária ThyssenKrupp Marine Systems, sob acordo de transferência de tecnologia para o governo brasileiro. A obra teria assessoria de outra subsidiária, a HDW (Howaldtswerke Deutsche Werft AG), o estaleiro que construiu o primeiro submarino do mundo (1850) e o primeiro motor a vapor para fins navais (1849).
Esperava-se começar a construção do submarino já em 2007, aproveitando a conveniência logística de se adotar um modelo alemão, possibilitando o uso de boa parte das instalações e ferramental do AMRJ, usados na construção dos submarinos da classe “Tupi” (U-209). O contrato com a ThyssenKrupp, porém, acabou não sendo assinado.

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Mudança de rumo

Em setembro de 2007, o Presidente Lula assinou um decreto criando um grupo de trabalho para a elaboração do Plano Estratégico de Defesa Nacional.
Em fevereiro de 2008, Lula e o Presidente da França Sarkozy, encontraram-se na Guiana Francesa, onde conversaram sobre cooperação militar e tecnológica entre os dois países, incluindo a transferência de tecnologia de submarinos “Scorpène”.
Segundo o Chefe de Estado francês, a transferência de tecnologia permitirá ao Brasil construir futuramente seu submarino nuclear.

Quanto custa um submarino nuclear?

EUA, Reino Unido, França, além da Rússia e China, constroem e operam submarinos nucleares há décadas e, ao longo destes anos, fizeram investimentos bilionários em recursos humanos e em infra-estrutura necessários para a obtenção desses meios de combate.
Os altos custos de projeto, construção e operação e os riscos de operação de submarinos nucleares sem dúvida, preocupam suas Marinhas e, principalmente suas lideranças políticas.
As novas classes de submarinos nucleares de ataque, em construção nos Estados Unidos (Classe “Virginia”), Inglaterra (Classe “Astute”) e França (Classe “Barracuda”), dão uma idéia dos custos do desenvolvimento e construção desses complexos navios.
Os custos estimados de construção dos primeiros submarinos de cada série, baseados num estudo do United States General Accounting Office – GAO, publicado em 1996, são os seguintes:
Virginia (com custo estimado em 1996, atualizado para 2008): US$ 4,9 bilhões
Astute (com custo estimado em 2007 ): ₤ 1,5 bilhões
Barracuda (com custo estimado em 2006): € 1,9 bilhões
Vale lembrar que a cada submarino adicional da classe, o valor unitário vai caindo, por causa da economia de escala.

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Quanto custará o submarino nuclear brasileiro?

Os cinco países construtores destas três classes de submarinos, têm décadas de experiência neste setor e dispõem de toda a complexa e caríssima infraestrutura industrial e de recursos humanos, e mesmo assim, não escaparam de riscos de aumento de custos e atrasos que, aliás, foram alertados antecipadamente por auditorias especializadas.
O submarino nuclear concebido pela Marinha do Brasil, conforme informações publicadas em vários artigos da imprensa e da Marinha, vai deslocar em torno de 6.000 toneladas, situando-se portanto entre o “Astute” britânico e o “Barracuda”, francês.
Sem dúvida, será um submarino mais simples tecnologicamente, mas sua estrutura, propulsão, sistemas auxiliares, sistemas de navegação e governo, acomodações etc., terão semelhança com os submarinos nucleares em construção nos EUA, Inglaterra e França.
Além disto, com certeza absoluta, os padrões de precisão, qualidade e confiabilidade, terão que ser equivalentes.
Com base nisso, pode-se assumir que, uma vez construída a infraestrutura física e adquiridos e treinados os recursos humanos necessários, o primeiro submarino nuclear brasileiro terá um custo e um prazo de projeto de construção no mínimo comparável ao de seus similares, porém o fator de risco de aumentos de custos e prazos será maior, provavelmente na faixa de 30% a 50%.
Utilizando os valores e prazos dos primeiros submarinos da classe “Virginia”, “Astute” e “Barracuda”, pode-se estimar o custo de construção do primeiro submarino nuclear brasileiro na faixa de € 1,8 a € 2,7 bilhões, ou US$ 2,8 a US$ 4,2 bilhões, ou R$ 4,3 a R$ 6,5 bilhões.
Projeções indicam que o programa do primeiro submarino nuclear brasileiro demandará, num prazo de 20 anos, recursos da ordem de R$ 13 a R$ 19 bilhões, incluindo a formação de pessoal, projeto, custo da primeira unidade, custo do estaleiro e nova base naval e ainda, o custo operacional nos primeiros cinco anos.
O prazo entre a decisão de alocar recursos para o projeto do submarino nuclear brasileiro e o término de um projeto de contrato, avançado o suficiente para permitir o início do contrato de construção, pode ser estimado entre 5 e 8 anos, contados a partir da existência de um núcleo de engenheiros com experiência e qualificação adequadas para fazer o projeto de submarinos.
O prazo de construção do primeiro submarino nuclear nacional até a entrega, contado a partir do término do projeto de contrato, pode ser estimado na faixa de 10 a 15 anos.
Temos assim o prazo total estimado para o empreendimento, entre 15 e 23 anos, mais o período necessário para formar o núcleo de engenheiros.

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A real situação da Marinha

“O poder naval brasileiro poderá desaparecer até 2025, se até lá não houver novos investimentos em equipamentos.” O alerta foi dado pelo comandante da Marinha, almirante-de-esquadra Julio Soares de Moura Neto, em audiência pública promovida pela Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE), no dia 16 de agosto de 2007.
O Programa de Reaparelhamento da Marinha requer um investimento de R$ 5,8 bilhões ao longo do período de 2008 a 2014 e ainda não foi aprovado.
As prioridades iniciais do programa, segundo o comandante, são a construção de submarinos e navios-patrulha e a aquisição de helicópteros. O valor do PRM é praticamente o mesmo do primeiro submarino nuclear brasileiro!
Isso sem contar os custos da infra-estrutura necessária à construção, operação e manutenção.
Os investimentos no Programa Nuclear da Marinha até agora ocorreram às custas de cortes em importantes setores e atividades da Força, como a operação dos meios da Esquadra, a aquisição de sobressalentes, a manutenção dos navios e o adestramento.
Um reflexo disso é o estado de paralisia da aviação embarcada de asa-fixa e do NAe São Paulo, por falta de recursos que foram drenados pelo Programa Nuclear.
Mesmo com o aporte financeiro prometido pelo atual Governo para a conclusão do projeto do reator nuclear, percebe-se claramente que, mantida a conjuntura atual, não haverá verba suficiente para a construção do(s) submarino(s) nuclear(es) brasileiro(s), a não ser que haja um sensível aumento no orçamento do Comando da Marinha.
E mesmo que o aumento no orçamento ocorra, será preciso avaliar se vale a pena construir submarinos nucleares daqui a 20 anos, quando o gap entre o desempenho destes e dos submarinos convencionais será bem menor, graças ao desenvolvimento tecnológico. Com o valor gasto na construção de apenas um submarino nuclear, seria possível construir 3 ou 4 submarinos convencionais com AIP.
Com o anúncio do Plano Estratégico de Defesa e as referências quase que constantes ao submarino nuclear como a arma ideal para proteger a “Amazônia Azul”, é possível que o submarino nuclear brasileiro seja construído algum dia, mas é fundamental que, até lá, a Marinha do Brasil não negligencie os avanços dos submarinos convencionais, investindo também em outras tecnologias de propulsão independentes da atmosfera.
Até que o submarino nuclear chegue, os submarinos brasileiros não poderão depender somente do snorkel para sobreviver num conflito. (Última atualização: 3/11/2008)

 

Fique por dentro parte 2: classe Mistral

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Dando prosseguimento à nossa série que visa mostrar por dentro a complexidade de várias classes de navios de guerra, para que todos sempre possam discutir com um certo “pé no chão” e maior conhecimento do assunto, é a vez de abordar outra classe de navios de grande complexidade, como os LHD – Landing Helicopter Docks na terminologia da marinha norte-americana (US Navy) ou BPC – Bâtiment de Projection et de Commandement como são conhecidos na Marinha francesa (Marine nationale).

Em outras palavras, são porta-helicópteros de assalto dotados de doca para embarcações de desembarque. Ou, mais resumidamente, navios de projeção estratégica. No caso da classe Mistral aqui retratada, são unidades com convés de vôo contínuo, hangar para helicópteros, alojamentos para tropa, hangar para carros de combate, elevadores para aeronaves e doca alagável na popa. Ou seja, navios também bastante complexos, embora bem mais simples do que um NAe de propulsão nuclear como o R91 Charles de Gaulle da mesma marinha, ou o CVN 75 Harry S. Truman mostrado na primeira matéria desta série, ou mesmo em relação ao nosso A12 São Paulo, de propulsão “convencional” e menor deslocamento em relação aos dois citados acima, mas dotado de convés em ângulo, catapultas e aparelhos de parada como eles.

Para mais detalhes e fotos sobre a classe, faça uma verdadeira “visita virtual” complementar à essa visão de raio-x (cutaway) clicando aqui para uma reportagem realizada pelo Poder Naval Online sobre um dos dois navios da classe, o Tonnerre. O site Alide também realizou uma extensa matéria sobre o Tonnerre, que você pode acessar clicando aqui.

Outros navios  similares, como projetos da Coréia do Sul e da Espanha, serão temas de novas matérias em breve. Afinal, notícias recentes sobre o Plano Nacional de Defesa indicam que “portaaviões não-convencionais, de função múltipla (sic) e de menor porte” podem estar sendo cogitados para a Marinha do Brasil.

Imagem: arquivo em jpg convertido a partir de arquivo pdf disponibilizado no site da marinha francesa. O link para o pdf e mais dados sobre a classe podem ser acessados clicando aqui

 

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Prioridades incluem a fabricação de porta-aviões, base naval na Amazônia e privilégios à indústria bélica nacional

Hugo Marques

Demorou, mas a Estratégia Nacional de Defesa vai finalmente sair do papel. O presidente Lula avisou aos ministros que até o fim deste mês assina o decreto que cria o plano militar. A minuta do decreto, à qual ISTOÉ teve acesso com exclusividade, mostra que a nova política do governo para as Forças Armadas é ousada. Como grande guinada no modelo em vigor, o projeto prevê a fabricação de portaaviões não-convencionais, de função múltipla (sic) e de menor porte, além de uma base naval na Amazônia e outra para submarinos nucleares. A prioridade é assegurar a soberania do mar territorial e da Bacia Amazônica. Entre outros artefatos, ganham destaque também os veículos não-tripulados de vigilância e combate (Vant), caças supersônicos, submarinos nucleares, mísseis, radares e bombas inteligentes.
Trata-se de um projeto de desenvolvimento para reorganizar as três Forças Armadas e reconstruir a indústria bélica nacional. Fora as 98 páginas do decreto, o governo está redigindo cerca de 20 projetos de lei e medidas provisórias para viabilizar a ambiciosa Estratégia de Defesa. Os custos ainda não foram calculados, mas fala-se em dezenas de bilhões de dólares, que o governo se apressa em justificar. “É aflitivo ter que escolher entre mais hospitais, mais escolas e mais transferências sociais de um lado e mais defesa do outro lado”, diz o ministro de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger. “Mas nada é mais caro no mundo que a independência nacional.”
A reorganização da indústria de defesa se dará a partir de um regime especial para as empresas que fabricam artefatos militares. Elas ficarão livres das amarras da Lei de Licitações e dos contingenciamentos de verbas do Orçamento da União. Em contrapartida, o Estado ganha participação especial no capital dessas empresas, na forma de golden share. Estas empresas, monitoradas pelo Estado, ficarão encarregadas de fabricar, entre outros, equipamentos de guerra eletrônica e artefatos individuais para o “combatente do futuro”. Além de garantir os investimentos, quer atrair a inteligência civil para fazer um “complexo militar-universitário empresarial”, elo entre pesquisa e produção de materiais bélicos. Para isso, vai aumentar “decisivamente” o número de bolsistas em cursos de doutorado e pós-doutorado no Exterior, nos principais centros de pesquisa do mundo.

O pacote de compra de caças, submarinos e helicópteros que será fechado até janeiro é a fórmula para importar tecnologia e deslanchar a indústria nacional. Os submarinos e helicópteros virão da França. A minuta de decreto diz que uma das alternativas é comprar em escala mínima caças de “quinta geração”, com transferência integral de tecnologia, inclusive os códigos-fonte do avião, para que uma empresa nacional comece a produzir o modelo importado. Além dos aviões de combate da FAB, a Marinha vai desenvolver um avião de vigilância, defesa e ataque para seus futuros “navios-aeródromos”, de função múltipla, que serão preferidos aos porta-aviões tradicionais e de dedicação exclusiva.
O governo incluiu no contexto da defesa nacional o desenvolvimento da energia nuclear. A minuta de decreto diz que o País não aderirá ao protocolo adicional do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP). A decisão põe fim à polêmica desencadeada anos atrás, quando a Associação Internacional de Energia Atômica (Aiea) fez pressões veladas para que o governo brasileiro assinasse o protocolo, destinado a ampliar as restrições e a organizar um regime de inspeções “invasivas” ao País. O projeto também prevê a aceleração da prospecção e o aproveitamento das jazidas de urânio, a construção de novas usinas nucleares, o uso da energia nuclear em “amplo espectro de atividades” e a nacionalização completa do ciclo do combustível. “Isso ocorrerá em pouco tempo”, garante o ministro Mangabeira Unger. Está prevista, também, a construção de submarinos nucleares e de reatores nucleares “para uso exclusivo do Brasil”. Segundo o plano, Exército, Marinha e Aeronáutica irão operar em rede, em ligação com o monitoramento da superfície da terra e do mar, “conduzido a partir do espaço”. Os detalhes estão em anexos sigilosos do projeto. Será criado o “Estado- Maior Conjunto das Forças Armadas”, para operação unificada. As tropas terrestres e os quartéis, hoje concentrados no Sul e no Leste, serão redistribuídos para Oeste e Norte. Há uma atenção especial do governo quanto à proteção da faixa do litoral entre Santos (SP) e Vitória (ES), onde estão os grandes centros urbanos e as reservas de petróleo do pré-sal. A nova base naval da Marinha ficará na foz do rio Amazonas e será do tamanho da Base do Rio, para expandir o poderio para o interior do País, aumentando sua presença nas bacias fluviais do Amazonas e Paraná-Paraguai. As barragens de hidrovias a serem construídas terão eclusas para assegurar a passagem de navios.

FONTE: Revista Isto é

NOTA DO BLOG:  O texto contém muitas imprecisões e informações incorretas, como “Portaaviões não-convencionais, de função múltipla” e “porta-aviões tradicionais e de dedicação exclusiva”, “Marinha vai desenvolver um avião de vigilância, defesa e ataque para seus futuros…”, mas dá pra ter uma idéia geral do que pode vir por aí.
Entretanto, a questão fundamental é se haverá dinheiro para fazer tudo isso…

NOTA DO BLOG 2: O A-4M decolando de um NAe da classe “Nimitz” no infográfico demonstra o conhecimento de Defesa da nossa grande imprensa.

 

O poder de combate do destróier de US$ 1 bilhão de dólares da Marinha da Coréia do Sul (ROK Navy), fica bem demostrado no design do brasão e do “patch” do navio.

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angelim-ml-171004-2.jpg N/T Agelim

N/T Angelim - PPWZ – Comprimento: 133,21 m – IMO: 8201507 – Deadweight: 10.260 mt - Construção: 04.1985 – Tipo: Navio Tanque Químico

Fotos:  Marcelo Ostra e Lauro Frangetto

 

Rússia negocia base naval na Líbia

O ditador líbio Muammar Gaddafi chegou ontem em Moscou para realizar acordos sobre venda de armas e energia. As negociações podem envolver ainda a abertura de uma base naval russa na Líbia, para contrabalançar a força dos EUA na África.

Os russos buscam estreitar os laços com o antigo aliado do período da Guerra Fria no momento em que Trípoli começa a se aproximar do Ocidente.

Gaddafi pôs fim ao isolamento internacional da Líbia em 2003, quando renunciou ao terrorismo, desistiu de desenvolver armas nucleares e admitiu responsabilidade no atentado a bomba de 1988 que explodiu um avião da PanAm e deixou 270 mortos. Ontem, em mais um importante gesto de aproximação com os EUA, a Líbia pagou US$ 1,5 bilhão ao fundo para vítimas de terrorismo.

Desde a abertura líbia, países do Ocidente aceleraram os investimentos no país, aumentaram a compra de petróleo e os fabricantes de armas europeus começaram a competir para vender armas ao governo de Gaddafi.

Ao mesmo tempo, a Rússia agiu para reconquistar o antigo aliado. Em abril, o então presidente russo Vladmir Putin, em visita à Líbia, fechou acordos nas área de energia, transporte e armas.

Fonte: Folha de São Paulo

 

Presidente confirma falta de navios na MB

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula Da Silva, disse hoje em Havana que pediu um navio de grande porte ao líder do Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, para transportar ajuda humanitária aos países do Caribe afetados por furacões.

Lula quer enviar 45 mil toneladas de arroz, sendo 15 mil delas a Cuba e o resto para Haiti, Jamaica, Honduras e outros países, pelo que pediu, na quinta-feira, a Zapatero em San Salvador -onde participavam da 18ª Cúpula Ibero-Americana- um navio maior que os que a Marinha brasileira possui.

“Ontem (quinta-feira) acertei com o companheiro José Luis Rodríguez Zapatero e ele vai nos emprestar uma embarcação grande, de mais de 50 mil toneladas, para que, daqui a três semanas, vá ao porto do Rio Grande do Sul para depois trazer o alimento para distribuí-lo aqui”, explicou o presidente.

“Sei que os alimentos precisavam chegar mais depressa, mas não temos um navio e ainda demoraríamos 45 dias para conseguir alugá-lo“, disse o presidente brasileiro.

Essa ajuda se somará às 1.500 toneladas que o Brasil já enviou à região após os furacões que destruíram vários países em agosto e setembro.

Lula, que chegou na quinta-feira a Havana para uma visita de 22 horas, reiterou o respaldo brasileiro a Cuba, atingida por dois furacões que deixaram prejuízos de mais de US$ 5 bilhões, segundo cálculos oficiais.

Em setembro, o Brasil enviou a Cuba dois aviões com 28 toneladas de alimentos para os desabrigados, e está em caminho um navio com mais mantimentos e materiais para a reconstrução de infra-estruturas e imóveis.

Lula disse que o Governo brasileiro está “fazendo um esforço muito grande” para ajudar a reconstruir as infra-estruturas elétricas destruídas na ilha.

“Uma comissão de técnicos brasileiros já está aqui, em Cuba, para ver que tipo de cabo é necessário”, disse o governante, e explicou que Cuba usa cabos de cobre e o Brasil, de alumínio, o que dificulta concretizar a ajuda.

Fonte: G1

 
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