Home Reportagem Poder Naval Online visita a Forbin

Poder Naval Online visita a Forbin

128
40

forbind620-16

galanteentrevistabalducchiO Poder Naval Online e a Alide estiveram no dia 29 de março de 2009 pela manhã, a bordo da fragata de defesa aérea Forbin, de 6 mil toneladas, da Marinha Nacional da França. O navio está atracado desde o dia 25 no Armazém 8, do cais do Porto do Rio de Janeiro.
Fomos recebidos pelo comandante do navio, capitaine de vaisseau BALDUCCHI, que concedeu entrevista exclusiva e nos apresentou o Centro de Operações de Combate e o passadiço da Forbin.

No dia 3 de março, a novíssima fragata de defesa aérea deixou sua base em Toulon para uma travessia de longa duração (TLD). A missão de cerca de três meses trouxe o primeiro navio de projeto franco-italiano para este lado do Oceano Atlântico. Após uma escala no Marrocos e no Brasil, o navio segue para o Caribe, Estados Unidos e Canadá, a fim de verificar os sistemas do navio em clima frio. A visita da Forbin ao Brasil faz parte da programação envolvendo a Aliança Estratégica Brasil-França e permitiu aos oficiais brasileiros conhecerem as tecnologias presentes nas FREMM, que estão sendo oferecidas à Marinha do Brasil, para substituição de suas escoltas.

Após dois anos de provas de mar, segundo os processos de controle industrial, a Forbin está fazendo sua primeira navegação oceânica de duração significativa, para avaliação operacional.
Segundo o capitão Christophe BALDUCCHI, o navio já foi incorporado à Marine Nationale, mas ainda não atingiu a FOC (Full Operational Capacity). As semanas de navegação através de diferentes climas permitirão testar o navio, a fim de verificar a confiabilidade do seu equipamento. A Forbin está embarcando um helicóptero Panther da flottille 36F e deve retornar à França em meados em maio.

comtebalducchi-2

Tecnologia voltada para o combate

forbind620-15Não fomos autorizados a fotografar outras áreas internas do navio, mas podemos dizer que a configuração do Centro de Operações de Combate é realmente impressionante, muito parecida com o do Type 45 da Royal Navy, inclusive o formato dos consoles e disposição dos displays. O COC é muito espaçoso, tomando o convés de boreste a bombordo, com displays em número suficiente para o embarque de Comandantes de Força e seu staff.
O sistema de combate CMS 3.2 (Combat Management System ) usa tecnologia COTS, rodando software dedicado sobre plataforma Unix. O software do CMS inclui 22 módulos em 24 consoles, 10 computadores e 3,5 milhões de linhas de código.
Se o COC do navio for atingido em combate, um mini-COC que fica na popa do navio entra em ação.
Os consoles do CMS são ligados por dois barramentos separados, um em cada bordo, para garantir o funcionamento em caso de avaria.

Nas palavras do comandante, os navios desta classe têm como missão principal atuar como “torres de controle de vôo no mar” ou “AWACS marítimos”, provendo o controle do espaço aéreo para Forças-Tarefa.
A missão secundária é a proteção de unidades de alto valor, contra aeronaves e mísseis. Para isso, pode detectar, localizar, identificar e possivelmente engajar simultaneamente 12 aviões e mísseis antinavio. A Forbin conta com radar tridimensional de longa distância SM1850, um radar multifunção phased array Empar (capaz de rastrear mais de 300 alvos simultâneamente) e uma suíte de guerra eletrônica, incluindo jammers e chamarizes de nova geração.
Para enfrentar as ameaças aéreas, de superfície e submarinas, o CMS e seus operadores têm à disposição 32 mísseis Aster 30 (cerca de 100 km de alcance), 16 mísseis Aster 15 (alcance de 30 km), dois canhões de 76 mm, 8 mísseis anti-navio MM40 Block III e dois tubos lançadores para torpedos anti-submarino MU-90.

A tecnologia empregada é voltada para o combate, baseada nas lições da guerra das Malvinas e a Guerra Irã-Iraque. Ele é capaz de oferecer proteção contra ataques aéreos maciços, de mísseis supersônicos e aeronaves.
Ao perguntarmos qual era a ordem de grandeza da RCS (Radar Cross Section – Seção Reta Radar) do navio e qual a principal vantagem da tecnologia stealth em combate, o capitão Christophe BALDUCCHI nos respondeu que a RCS é dado classificado, mas que sua grande vantagem é ocultar totalmente o navio quando este lança nuvens de chaff, oferecendo alvos alternativos de maior intensidade para mísseis atacantes. A Forbin também tem baixíssima assinatura infravermelha, pois os gases de exaustão das chaminés são tratados.

A fragata suspende amanhã de manhã do Rio de Janeiro e fará exercícios com um navio e um submarino brasileiro.

forbind620-14 forbind620-10 forbind620-12

forbind620-5 forbind620-1 forbind620-7

comtebalducchi-3

forbind620-6

FOTOS: A segunda de cima para baixo é de Leo Melo – Alide / Todas as outras de Alexandre Galante – Poder Naval Online

NOTA do BLOG: Agradecemos a Philippe Bauzon, Adido Naval da França no Brasil e ao comandante da Forbin, capitão BALDUCCHI, pela gentileza com que nos tratou.

NOTA do BLOG 2: Comparar a Forbin com a Sachsen alemã, que visitamos em Salvador, no dia 12 de março.

40 COMMENTS

  1. Parabéns Galante e ao Blog.
    Dá para saber a opinião dos oficiais da MB que visitaram o navio, ou ainda é muito cedo ??
    Galante, chique a gravata, heim !!

    Sds.

  2. Será em setembro próximo que França e Brasil deverão implementar os acordos assinados em dezembro de 2008.

    Muito rapidamente, o Brasil terá de considerar a substituição dessas unidades, com idades variando de 27 a 33 anos. É nesse mercado que a DCNS oferece a sua Fragata Multi-Missão (FREMM).

    FRAGATAS A SEREM SUBSTITUÍDAS:
    – 06 MK10 VT DE 3800 toneladas
    – 03 TYPE 22 DE 4400 toneladas

    Quanto as INHAÚMA, deverá ter outra solução.

  3. Eu pessoalmente não gosto da configuração com dois canhões de 76mm lado a lado.
    Quanto aos Exocet block 3 pelo que eu sei eles ainda não estão operacionais. Ou estão?

  4. Com relação a Midway (o Filme), a legenda dis que General Quarters GQ é quartel general (umas 346 vezes)
    Tavendo Fernandinho, não é soh o Histori Channel que tem treta com “dubradores” (deve ter sido o Avo do careta do History channel)

    As OHP dominando o filme (Lt Cdr McKlusky, Tatch … )

    MO

  5. Ostra, os “dubradores” até que devem ganhar bem.
    Quem normalmente eles pagam mal pra cacete são os tradutores. Conversei com um outro dia – os caras muitas vezes até são bons, mas sem nenhuma experiência em termos técnicos, têm um prazo ridículo pra entregar a tradução geralmente por um valor pífio, aí dá nisso… “Atenção estações de batalha!!! Quartel General!!!”

  6. Olá Galalnte!

    Parabéns pela matéria. Tu conseguirias traçar um perfil comparativo entre a Forbin e a Fragata Alemã que este em Salvador??

    Grande abraço

  7. Galante,

    Parabéns por mais essa excelente matéria.

    Gostei da forma como a dupla de 76-SR esta posicionada, um ao lado do outro.Lembra um pouco os navios da “era de ouro” das batalhas navais. Navio bom é navio cheio de canhões, principalmente se a bateria principal for de 406mm. Secundária de 203mm e terciária de 152mm. Para o quesito AAA, o calibre 127mm, 76mm, 40mm, 20mm e 12.7mm estão de bom tamanho. De preferência que sejam na seguinte quantidade:

    bateria principal: 15 canhões de 406mm, divididos em 5 torres triplas, sendo 2 na popa, e 3 na proa;

    bateria secundária: 16 canhões de 203mm, divididos em 8 torres duplas, sendo 4 em cada bordo do navio;

    bateria terciária: 32 canhões de 152mm, divididos em 16 torres duplas, sendo 8 em cada bordo;

    AAA:

    127mm: 40 canhões, divididos em 20 torres duplas, na super estrutura;

    76mm: a mesma quantidade, no mesmo esquema;

    40mm: 120 canhões, divididos em 30 torres quádruplas abertas, espalhados pelos bordos e pela super estrutura;

    20mm: 60 canhões, divididos em 15 torres quádruplas, baseados em cima das torres da bateria principal. 3 em cima de cada uma.

    12.7mm: 80 bocas, sendo 20 conjuntos quádruplos, baseados na torre principal, bem no alto. ficaria baseada logo abaixo do radar principal, com um pavimento todo para ela, dando uma volta completa na torre. Para cima das cabeças dos artilheiros das .50, ficaria o radar principal do navio.

    Total:

    Canhões: 323 bocas de fogo, com calibres variando de 20mm até 406mm.

    Se colocarmos as .50 na jogada, o nº passa dos 400.

    Coisa para um deslocamento de 60.000 toneladas, ou mais.

    Isso sim que é navio com “persistência de combate”, não esses CVN que o pessoal idolatra hoje em dia.

    Ai que saudade do Yamato, Musashi, San Francisco, Nevada, Oklahoma, Missouri, Mississipi, Bismark.

    abraços.

  8. Vassily,

    só um pequeno reparo. o San Francisco foi um cruzador pesado armado com 9 canhoes de 8 polegadas, construido alguns anos antes de Pearl Harbor. Nem era top de linha na segunda guerra muito menos um encouraçado.

    Os demais que vc citou, foram encouraçados sim.

    abraços

  9. Prezados Senhores,
    Estou tentando há 3 dias cadastrar vosso endereço de RSS, sem sucesso. A mensagem de erro que aparece é:
    “Erro no processamento de XML: declaração xml ou de texto fora do início da entidade
    Posição: http://www.naval.com.br/blog/?feed=rss2
    Número da linha 2, coluna 1:”
    Espero estar contribuindo para o aperfeiçoamento do Blog.
    Cordialmente,
    Luiz Temporal

  10. Obrigado, Luiz. Já estamos cientes do problema e vamos resolver.
    Enquanto isso, você pode ler o Blog também pelo Google Reader, por lá está funcionando normalmente.

  11. Estou com uma dúvida. No texto é mencionado que esta fragata francesa é da
    classe FREMM, mas na revista Tecnologia e Defesa, quando seus jornalistas visitaram a Base Naval de Toulon, mostraram que a primeira fragata FREMM, a “Aquitanie” , ainda estava sendo construída e só entrará em operação em 2011. Esta fragata que está no RJ é , na verdade da Classe Horizon, este sim, um projeto franco-italiano aos quais serão construídas 2 para cada país. Por favor, me corrijam se eu estiver errado. Abraços a todos

  12. Galante, vcs já usam o FeedBurner (http://feedburner.google.com/)? Tem um plugin para WordPress que redireciona os pedidos de feed para esse serviço, poupando recursos de CPU do servidor, além de permitir a inserção de Adsense no RSS, e emitir relatórios estatísticos.

    []s

  13. Valeu, Galante. Acompanho sempre seus textos na Revista Força Aérea. Vc foi piloto naval tb não foi? Saiba que o atual comandante da Baenspa, o CMG Matias é meu amigão. Gostei muito deste blog, vou frequentá-lo a partir de hoje. Abraços a todos!!!!

  14. Como é que é??????????????

    O Galante trabalha para a Revista Força Aérea???????????????

    Em qual edição?????? qual matéria???????????? Preciso ler o rodapé das matérias com mais calma. Pois nunca vi escrito Alexandre Galante em lugar nenhum, em nenhuma das edições que tenho. E olha que comecei à comprar na edição 10. Desde o nº citado, só perdi 2 ou 3 edições.

    Preciso me informar melhor.

    abraços.

  15. A classe Horizon é bastante cara. As proximas fragatas da França serão classe Fremm multiproposito. Comparando com a Sachsen, acho a Horizon mais capacitada inclusive seu radar PESA tem mais alcance que o radar AESA da Sachsen. Os Exocet III, não estavam disponiveis no inicio do ano. ? Já estão na Forbin ?

  16. […] em exercícios militares. Mas é certo que rendeu boas fotos! Para saber mais sobre a Forbin, clique aqui e acesse matéria especial do Blog do Poder Naval, que esteve a bordo do navio em sua recente escala […]

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here