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As lições táticas do ataque ao HMS Sheffield na Guerra das Malvinas/Falklands

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Na manhã de 4 de maio de 1982, o destróier Type 42 HMS Sheffield, da Royal Navy, foi atingido mortalmente por um míssil AM39 Exocet, disparado por um jato Super Étendard da Armada Argentina.
O navio escolta britânico atuava como “piquete-radar” e era responsável pela defesa antiaérea de área de unidades maiores da Força Tarefa britânica, que tinha como objetivo a retomada das Ilhas Malvinas/Falklands.

Mesmo sendo equipado com um radar de busca aérea de longo alcance e mísseis antiaéreos Sea Dart com alcance de pelo menos 40km, o Sheffield não conseguiu detectar a aproximação dos Super Étendard, nem se proteger do míssil Exocet. O fantasma da vulnerabilidade da escolta britânica ainda está presente hoje, quase 30 anos depois, apesar dos avanços tecnológicos, devido à uma limitação natural: a curvatura da Terra.

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A curvatura da Terra continua sendo uma limitadora do alcance dos radares dos navios, que possuem uma zona cega à baixa altura, a partir da linha do horizonte. Essa vulnerabilidade também está presente nos radares terrestres e é usada por pilotos de aviões do tráfico, por exemplo, para escapar à detecção.

O ataque ao Sheffield

A tática argentina para atingir vasos importantes da Royal Navy empregava aeronaves de patrulha marítima, como o P-2 Neptune, que repassavam os contatos por rádio, às aeronaves de ataque.
No ataque ao Sheffield, um Neptune realizou a função de esclarecimento marítimo, mudando de altitude constantemente e aproveitando a zona cega dos radares britânicos para efetuar apenas algumas varreduras com seu radar, a fim de não alertar os sistemas MAGE (ESM) dos navios britânicos.

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Dois Super Étendard decolaram da Base Aérea de Rio Grande armados com um Exocet cada, realizando reabastecimento em voo com um KC-130 Hercules. A operação foi apoiada por jatos Dagger, realizando CAP a 7.000m, armados com mísseis ar-ar e um Lear Jet, atuando em missão de diversão.
Após o reabastecimento, os Super Étendard continuaram nas coordenadas dadas pelo Neptune, voando em 4.500 metros. Depois, desceram para entrar na zona morta dos radares britânicos, evitando a detecção.

Quando os jatos estavam voando rente ao mar, perto das coordenadas especificadas pelo Neptune, receberam uma mensagem da aeronave de patrulha, confirmando um grande alvo no meio e dois menores nas coordenadas 52º33′ sul e 57º40′ oeste e outro alvo mediano, a 52º48′ sul e 57 º31′ oeste. Ou seja, o último navio estava distante dos outros a cerca de 30 milhas. Os jatos prosseguiram para as coordenadas sempre “colados” na água, elevando-se a poucos metros a mais para realizar algumas varreduras com seu próprio radar de busca, a fim de localizar os alvos, sem alertar os equipamentos MAGE/ESM britânicos. Ambos os pilotos detectaram um alvo grande e três medianos, travaram seus Exocet no alvo maior e quando estavam a cerca de 50km de distância, lançaram os mísseis. Ver no mapa a seguir, as trajetórias das aeronaves argentinas e os horários em que os contatos foram detectados pelo Neptune.

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Os britânicos declararam mais tarde que os argentinos tinham acertado o HMS Sheffield com o Exocet e um outro míssil tinha passado pela proa da fragata Yarmouth. O Exocet, entre suas muitas habilidades, pode mudar seu curso, caso não encontre o alvo e também possui uma espoleta de proximidade para fazê-lo detonar, se passar muito perto de um navio. Estas e outras características do míssil fizeram com que os argentinos pensassem ter acertado também um outro navio maior, como o porta-aviões HMS Hermes, mas isto foi negado pelos ingleses.

Tática continua válida

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Quase três décadas depois, a tática empregada pelos argentinos de combinar REVO, aeronaves de patrulha marítima, aeronaves de diversão e aeronaves de ataque dotadas de mísseis antinavio, continua perfeitamente válida, para o enfrentamento de forças de superfície. Muitas contramedidas embarcadas foram desenvolvidas desde então, como as aeronaves de alerta aéreo antecipado (AEW), sistemas MAGE/ESM mais sensíveis e sistemas CIWS, de defesa anti-míssil. Mas, mesmo assim, ataques de saturação por mísseis antinavio podem furar as defesas de forças-tarefa, atingindo alvos de maior valor.

No caso do Brasil, chega a ser absurdo o fato de nossa Força Aérea até hoje não dispor de um só míssil antinavio em seus estoques, apesar de possuirmos uma excelente aeronave de ataque, o AMX.
A Marinha do Brasil, por sua vez, possui mísseis AM39 Exocet numa quantidade extremamente limitada, repetindo o erro da Armada Argentina quando começou a Guerra das Malvinas: só tinha 5 ou 6 mísseis disponíveis.

Por outro lado, para a defesa do nosso único navio-aeródromo, será necessário a aquisição de navios dotados de defesa antiaérea de área/antimíssil e aeronaves AEW, tanto para o alerta antecipado de ataques de mísseis antinavio, quanto para a indicação de alvos aos jatos AF-1 Skyhawk. A adoção de mísseis antinavio para os AF-1 também é imperativa, a fim de proporcionar um aumento sensível na capacidade de ataque do NAe São Paulo.

49 COMMENTS

  1. Pois é… A história se repete; e os erros também. Apesar da guerra das Falklands ter sido aqui ao lado – pudemos observar de camarote (e aprender), repetimos hoje o erro da Argentina em 82 ou seja, não temos meios para enfrentar as ameaças – e os que temos, estão quase sucateados.
    Acredito não ser culpa somente da MB, FAB e Ex por isso mas sim, e principalmente, de alguns dos (antigos) chefes de nossas forças, juntamente com nossos políticos que contingenciam e gastam as verbas em baboseiras pensando em suas carreiras e empregos políticos ao invés de pensarem no país e nos homens que o servem com dedicação.
    Sds

  2. Aliás, não fosse isso, bem provavelmente a Argentina poderia ter mandado a FT inglesa de volta para casa.
    Tivesse o PA argentino funcionado a contento ou que eles tivessem afundado mais um ou dois dos navios de conteiners do tipo do Atlantic Conveyor, os ingleses não teriam mais como tomar as ilhas.
    Toda artilharia, helicópteros de apoio, munição, alimentos, etc estavam a bordo desses navios.
    Sds

  3. A Argentina tinha 5 misseis e o último segundo eles acertou o Invencible.

    O fato encontra sustento já que esse navio demorou muito a voltar para a Inglaterra, reforçando a idéia de que sofreu alguma avaria e foi reparado no mar.

    até onde é verdade eu num sei. no livro Malvinas 1982 da editora da ASAS essa história é contada.

  4. PC
    Tudo tem sua fase na história.
    A nossa visão estratégica mudou. Está mudando também o modo de pensar, apesar de muitas resistências. Com a modernização dos AMX a história vai mudar assim como também disse o Almeida com relação os novos mísseis Harpoons para os P-3AM que por sinal vai mudar alguns conceitos na patrulha marítima. Só com plataformas com sistemas modernos poderemos ter armas modernas. O mesmo está acontecendo com os novos Helis da MB que ainda nem chegaram, mas já compraram os mísseis. Também temos o caso da modernização dos A-4 que virão com sistemas modernos para operar armas modernas. Não se esqueça dos novos mísseis marítimos que se equivalem aos exocet 40. Lembrar também que as fragatas/corvetas passaram ou estão passando por modernizações. As FFAA da Argentina teve sua fase e infelizmente foi em uma época triste politicamente para o país e olha lá como está agora.

  5. Magine se a argentina tivese ums 200 a 500 desses misseis eu nao gosto de argentino + seria interesante ver a marinha real toma um exculaxo dos ermanos!

  6. Alinhando informações:

    1) a FAB não possui nenhum míssil anti-navio. A MB por sua vez tem o AM-39 Exocet, que é de dotação dos SH-3 Sea King (não sei quantos), e acaba de adquirir 8 (só?!?) mísseis Penguin, que serão de dotação dos novos SH-60. Os Lynx operam com o Sea Skua, mas não sei afirmar se a MB os possui.

    2) o míssil negociado com o Paquistão é o MAR-1, anti-radiação, e não está em serviço ainda.

    3) nenhuma fonte oficial inglesa jamais confirmou o ataque ao HMS Invincible, e a Royal Navy alega que o tal ataque teve por alvo o Atlantic Conveyor. O navio já tinha sido atingido antes, havia muita fumaça e isso teria levado o piloto argentino a se confundir. O HMS Invincible demorou a retornar a UK pois aguardava ser rendido pelo seu irmão gêmeo, o HMS Illustrious. O HMS Hermes, mais desgastado pela ação, retornou antes.

    Também concordo com todos vocês, as FFAA brasileiras deveriam sim ter mais míssies desse tipo em estoque. E acho que já passou da hora de ter um desses desenvolvido e fabricado por aqui.

    De nada adianta revólver sem munição.

    ****The first attack took place on May 25 (the same day HMS Coventry was sunk); a raid of Super Etendards launched an attack on HMS Hermes carrier group. An Exocet was launched against what the Argentine pilot believed was Hermes (the largest contact on his radar scope). The missile was spoofed by chaff launched from Hermes and her escort vessels, broke lock and reaquired a new target: Atlantic Conveyor. Lacking any means of defence, it was struck by the Exocet – whether the warhead exploded or not is unclear – and fire spread throughout the ship.

    Atlantic Conveyor was abandoned and was being towed away when, on May 30, another attack was launched by Argentine air forces, this time against HMS Invincible. Two Exocets were fired this time: one of them simply missed and hit the water (I remember reading that earlier battlefield, “hot”, on-station reports claimed that naval fire was responsible for destroying the incoming threat) and the other homed onto the burning carcass of Atlantic Conveyor. This was allegedly confirmed, if I recall correctly, by crew from HMS Exeter (which attempted to engage with Sea Dart the incoming Exocets without success) and by crew of the tug boat Irishman; they heard a loud “bang” on the hull of the Atlantic Conveyor (supposedly the missile hitting the damaged ship). Anyway, the ship sank that very day.

    Some of the events of that day relate to Myth Nº2. However, it must be stated clearly that no official Argentine sources claim that HMS Invincible was sunk; the Argentine Air Force, however, claims that HMS Invincible was hit on May 30 by an Exocet missile and 1000lb bombs from Argentine Skyhawks. I believe Argentine pilots mistook the flaming wreck of Atlantic Conveyor and bombed the wrong ship (it was already smoking, perhaps leading them to believe it was a recently hit target; they were getting shot at, flying just a few metres above the water with their canopies blurred out with salty sea water… one could get confused, isn’t that reasonable?)

  7. Caro Cantarelli, 200 a 500 misseis do tipo Exocet é um absurdo. com muitissimo menos os ingleses teriam de pedir para a setima cavalaria aparecer. Basta poucas uns 20 ou 30 já bastariam.
    Quanto ao caso do invecible, o piloto argentino sobrevivente a operação declarou que conseguiu atingir com bombas o PA inglês.

  8. Esse ataque foi como a partida de Futebol de ontem entre o Corinthians 2 x 3 Atlético Paranaense. Apesar da derrota do Timão no final saiu com gostinho de vitória e a torcida do atlético apesar da vitória no final ficou meio que frustrada.hehehehehehe.
    Ouvi falar que o míssel Exocet não chegou a explodir, imagina se tivesse então???

  9. Robson Br
    É verdade; vc tem toda a razão.
    Pelo menos em nossas FAs a mentalidade mudou mas já quanto aos políticos …
    Vemos por exemplo a MB fazendo das tripas coração para manter navegando e atualizadas as fragatas e corvetas.
    Vemos o esforço para colocar em condições o São Paulo, bem como atualizar os IKL da esquadra e construir Scorpene novos – e isso tudo sem receber já há anos um centavo dos royalties do petróleo que lhe são destinados por lei, que foram contingenciados para pagar juros à alguém…
    Sds

  10. não, vcs estão confundindo os casos. Um dos pilotos argentinos disse qe atingiu o invecible com bombas e dai disseram que ele confundiu com o convés de uma fragata. A missão era a mesma. mas eu tava falando do ultimo exocet que foi lançado. Não se sabe do destino desse. Os argentinos dizem que foi o invecible e os ingleses que foi agua. Nessa mesma missão tinha uma esquadrilha de A-4 que seguiu o rastro do missil e bombardeou o PA, que era esse piloto que tem sido descreditado. Mas convhenamos, mesmo que esteja rapido no avião confundir um convoo de fragata com o convés de PA é muito dificil, ou não é?

  11. Digno de nota tal ataque, a despeito da ideologia política reprovável que os conduziram à guerra, os pilotos envolvidos no ataque são merecedores dos maiores elogios. Imagine-se, quanto aos SE, a velocidade desses caças rente ao mar…, um só erro…

  12. O Invincible permaneceu no Atlantico Sul até ser rendido pelo Illustrious, isso é fato. Se tivesse sido atingido por bombas, afundaria ou precisaria de reparos sérios, e portanto seria mandado de volta antes do Hermes, o que não aconteceu (as bombas não teriam explodido?) . Não acredito que reparos tenham sido feitos no meio do oceano.

    De toda a forma, não é isso que está em discussão aqui. A verdade é que com tão poucos aviões e tão poucos mísseis, a marinha argentina assustou e muito a Royal Navy.

  13. Uma coisa é inegável, os navios ingleses são muito bem construídos. O Invencible pode ter resistido a um acerto de Exocet! Quem sabe? Se a Argentina dispuisesse de um 30 mísseis seria um Deus nos acuda!Talvez a Inglaterra tivesse que pedir aux´lia a US Navy ou USAF para bombardear e arrasar a Base Aérea de Rio Grande com B52`s,já pensaram?

  14. Prezado Galante,

    Parabéns pelo post!

    A Guerra das Malvinas foi um divisor de aguas. Dela podem ser tiradas grandes lições. Toda a Estratégia Naval predominate há época, foi revista. Todos os projetos de navios de escolta atuais levam em consideração o que ocorreu naquele conflito.

    Mais uma vez, parabéns pelo texto e pela iniciateiva.

    Abraços

  15. Além da curvatura da terra que tem a ver com o horizonte radar, tem a questão do baixo RCS dos mísseis que em geral estão abaixo de 0,1 m2, o que dificulta seu engajamento até que estejam muito próximos.
    Mesmo mísseis de defesa de área aptos a interceptarem mísseis, não podem fazê-lo senão a distâncias bem menores que a do horizonte radar.
    Já os grandes mísseis russos podem ser detectados e engajados a distâncias maiores, o que compensa serem supersônicos.Provavelmente a uma distância 3 vezes maior que a dos pequenos mísseis ocidentais.
    O Exocet, ao contrário do Harpoon, tem maior possibilidade de ser detectado em distâncias maiores, haja vista o seu sistema de propulsão por motor foguete sólido que libera óxidos, que são fonte de reflexos.

  16. Ao meu ver o conceito do Sheffield já era equivocado na década de 80.
    Um navio de defesa de área, armado com um sistema de míssil de grande alcance, mas que não tinha capacidade de auto-defesa já que não possuía um sistema de defesa de ponto eficaz.
    Na época da Guerra das Malvinas já estavam operacionais o Ciws na USN e os Sea Wolfs na própria Marinha Real.
    Em que pese a maior complexidade e custo de se ter dois sistema de mísseis em um mesmo navio (Sea Dart e Sea Wolf), as vantagens teriam valido à pena.
    Uma solução menos complexa seria a adoção de pelo menos 1 Phalanx nesse tipo de navio por ele ter operação autônoma, mas como eles foram projetados tendo em vista a marinha da URSS, que utilizava mísseis gigantes, tal equipamento não foi cogitado.
    Também esses navios, no caso de um conflito com a URSS, estariam sob o manto protetor dos NAes americanos.
    O pequeno Exocet fez a diferença simplesmente pela falta de imaginação dos projetistas e estrategistas da RN.
    Deu no que deu!

  17. Num programa passado no Discovery Turbo um comandante da Marinha Inglesa que esteve nas Malvinas argumentou que o pessoal da Marinha Argentina calibrou mal as bombas usadas, elas passavam por dentro dos navios sem explodir…….SE tivessem deixado-as como vieram de fábricas o estrago teria sido mmmmuuiiitoooo maior…..outra…….enquanto os aviões da esquadra inglesa tinham 30 minutos sobre as ilhas , os argentinos tinham 3 minutos…….mais uma, que os Argentinos tentaram uma manobra para interceptar o porta-avião ingles utilizando os canhóes do General Belgrano que podiam atingir 130 KM, manobra esta interrompida por um avião patrulha inglês que informou a sua posição ao Submarino inglês e o resto todos já sabem

  18. Vamos tecer algumas observações:

    1) A Argentina começou a guerra começou a guerra com poucos mísseis disponíveis. Menos da metade dos Exocet’s encomendados. Depois de deflagrado o conflito, foram embargados. Óbvio… Mas, os “hermanos”, acreditem, reclamam disso até hoje…

    2) O que se tem quanto ao “Invencible” é especulação pura. Não há motivo real para se esconder qualquer coisa que tenha havido com uma embarcação, cujo combate se deu em… 1982! Mas… Como bem sabem os historiadores militares, quem mais sonega e desinforma, são os augures da liberdade: EUA, Grã-Bretanha, França e Israel…

    3) Para o amigo que perguntou sobre o uso de aeronaves para “Diversão”: Os Argentinos usavam Learjets e outros pequenos jatos de uso executivo, para despistar o controle aéreo da Frota Britânica, seguiam eles, rotas divergentes daquelas que fariam parte das esquadrilhas de ataque.

  19. Catraca…

    é possivel que tenham errado na dublagem, pois os canhoes de 6 polegadas do belgrano nao podiam alcançar 130 kms…na verdade nem canhoes de encouraçados atingiam tal alcance, no maximo uns 25 kms.

    abraços

  20. entrevista com o piloto sobrevivente do ataque ao invencible. vale a pena ver e decidir quem tem razão.

  21. A guerra das Malvinas transparece que os governantes argentinos, junta militar, demonstrou falta de competência para sua atividade principal, a guerra, diferente da guerra suja onde assassinaram dezenas de cidadãos argentinos. Vide movimento das mães da Praça de Maio. Estando em declínio sua já ilegitima posição no poder, a invasão das Malvinas foi pretexto para desviar a atenção do povo à crise econômica que assolava a Argentina. Deste modo a ação de guerra foi injusta e o resultado foi o fim da ditadura militar argentina.
    A reação primeira ministra inglesa que também estava em baixa no ibope inglês aproveitou-se para distrair o povo também, só que com a vantagem moral de ter sido o Reino Unido agredido. O resultado foi esse que todos sabem.
    Foi uma cartada perigosa a ação inglesa, pois desde a II Guerra, antes do ataque japonês a Pearl Harbor nenhum estrategista naval aceitava um ataque há mais de 10mil quilômetros da base, face aos problemas logísticos e riscos diversos. Os navios capitais poderiam ser torpedeados ou destruídos e a ação de resposta estaria prejudicada ou perdida.
    A força aerea argentina não estava preparada para atuar neste campo de guerra, ou seja, ataque marítimo e não houve tempo para o seu preparo para esta ação, que foi política, sem preocupação com as consequências militares.
    As forças inglesas estavam saindo de um exercício naval, portanto, prontas para a guerra, com o que havia de mais moderno para a guerra inclusive armas de ponta.
    Os argentinos tiveram quantidade, coragem, mas mal equipados, e mal governados.
    Entretanto, se todas as bombas argentinas tivessem explodido a frota inglesa teria sido destruída e o resultado seria outro. Dos cerca de 40 navios de guerra, fragatas e contra-torpedeiros, quase todos sofreram avarias ou perda total.
    Na guerra das Malvinas, a força naval demonstrou seu preparo, com os super etendard, com total eficácia face aos poucos mísseis existentes, praticamente, cada tiro um alvo acertado. Os A-4 também acertaram e afundaram navios em seus ataques demonstrando estarem preparados para aquela guerra.
    O resultado para a força aerea argentina é exemplo para a nossa força aerea que também não está preparada para a defesa do tal pré-sal se fosse necessário, hoje

  22. Lembro do dia do ataque ao Sheffield, e independente de qualquer rivalidade da época, me recordo que existia um apoio brasileiro e uma torcida pelo Argentinos contra a Dama de Ferro. Faltou muito pouco para que a Força Real retornasse a velha ilha com o rabo entre as pernas. A Marinha e as Força Argentina tiveram chances preciosas de reverter o vantagem tecnológica inglesa da época e o apoio Chileno e Americano aos Ingleses foram de extrema importância.

  23. Bem lembrado Wolfpack, na época da guerra das Malvinas eu estava numa escursão em Foz do Iguaçu, num pacote turístico “visite Sete Quedas antes que acabe”, face o enchimento da represa de Itaipu.
    Vi diversos aviões Xavantes fazendo voos razantes e helicopteros na copa das árvores. O curioso é que os helicopteros não faziam barulho apesar de sobrevoarem a copa das arvores, fiquei pensando será que existia algum dispositivo para que fossem silenciosos na sua aproximação?
    Do lado argentino de Foz do Iguaçu, havia todo um rigor na vigilância de quem entrava na Argentina, mas era rigor latino americano, ninguém foi barrado e todos se divertiram e fizeram compras do lado argentino, do lado uruguaio e paraguaio, levando muita muamba.
    Lembro também que a impresa inglesa não cerceava as informações das ações argentinas, o que dava até ibope. Por exemplo a explosão de uma fragata “Briliant”, estampou capas de jornais e até da revista veja e isto é, e a fato foi feita pelos próprios jornalistas ingleses que cobriam a guerra. Explodia num dia e imediatamente já estava na mídia.

  24. Em tempo:
    Quando falei que a nossa força aerea não estava preparada, quis dizer, ninguém na américa do sul ou do hemisfério sul está preparado para enfrentar uma superpotencia ou potência média nuclear. A força britânica na época era totalmente profissional, como ainda o é. Os fuzileiros britânicos era profissionais, eram cerca de 3mil contra mais de 15mil conscritos argentinos, com aquele comandante incompetente argentino em “porto argentino”ou Porto Stanley que ao final se rendeu para os ingleses.
    lembro que a imprensa mostrava imagens dos soldados ingleses sendo orientados a cortarem a barba antes de dormir face ao frio da manhã naquela região. Eles estavam bem equipados com roupas e botas térmicas produzidas para aquele tipo de guerra, nas áreas gélidas do Atlantico Sul.
    Lembro também das mães argentinas costurando agasalhos de lã para os soldados argentinos que estavam com roupa imprópria para aquela ação, passaram fome e frio, muitos morreram naqueleas condições. Quinze mil soldados totalmente mal equipados para aquele rigoroso frio polar. Total irresponsabilidade dos comandantes e governantes.

  25. Getulio,

    só um comentario: vc escreveu sobre a Brilliant, e há uma muito conhecida foto de um piloto argentino pintando o perfil deste navio com tinta amarela,no seu skyhawk, mas na verdade, a brilliant nao foi atingida pois a bomba a ela endereçada atingiu o HMS Glascow colocando -o fora da guerra.

    Foi uma epoca interesante, já que a cobertura da midia era intensa e nao falava-se em outra coisa.

    abraços

  26. Caro Dalton,

    É verdade, pois posteriormente ao final da guerra é que se soube que a nave Briliant escapou ao que se sabe. A fato divulgada ao mundo todo é de outro navio contratorpedeiro afundado pelas forças argentinas, era guerra da informação. Os ingleses anunciavam as notícias mas não falavam toda a verdade.
    Deve ter sido terrivel aos argentinos e ingleses guerrearem no meio do oceano. Aos ingleses sempre o medo de ser torpedeado, bombardeado e …fim de jogo.

  27. Dalton e Getulio,

    A Fragata Brilliant foi atingida por disparos de 30mm na superestruturas, apenas.

    As bombas endereçadas à ela erraram o endereço.

    Obs: eu tenho a foto do piloto de A-4 pintando em seu jato uma silhueta de um navio inimigo afundado. Saiu na Revista Força Aérea ed. 11 na matéria Os Delta Contra a Frota – A Saga de Vida e Morte dos Pilotos Argentinos no Atlântico Sul.

    abraços.

  28. Getúlio, 15:44hs,

    A foto da Fragata Antelope explodindo realmente é impressionante. A bomba era uma MK-82 Snakieye com retardo de explosão de alguns milésimos de segundos. Só que a mesma não funcionou como previsto, ficando alojada no ventre da embaracação. Mais tarde, um especialista em desarmamento de explosivos tentou desativar a bomba. Só que o inglês não teve êxito, e o resultado é bem visível.

    abraços.

  29. Getulio e Vassily,

    cerca de um ano após a guerra, saiu a coleçao de fasciculos “guerra na paz”, e há uma grande abordagem sobre a guerra das Falklands…
    talvez os editores tenham se “aproveitado” do clima ainda recente e consta que foi um sucesso de vendas.

    Voces lembram-se da coleçao? Ainda se pode encontrar em sebos.

    Pessoalmente, colecionei todos os fasciculos e mandei encadernar…e também havia um concurso…onde…deveria ser enviada uma frase contendo a palavra “paz” e o premio era um jipe estilo militar.

    Obviamente minha frase nao foi a vencedora ,uma injustiça, mas a frase vencedora se bem me recordo foi a seguinte: “é por nao encontrar local para pousar que a pomba da paz prefere continuar voando”.

    inspirador, nao?

    abraços

  30. Antes de a frota inglesa ser despachada pras Malvinas, a USN fez um estudo e descobriu que os ingleses não estavam tão equipados pro front e os americanos forneceram o AIM-9L,o PHALANX,PEAVEWAY e outras coisitas.
    No que diz respeito a uma ajuda militar dos USA não seria preciso, pois o Sheffield estava armado com misséis termonucleares e caso os ingleses perdesem eu não duvido nada que eles usassem os misseis,se não é meu não será seu também.
    Belíssimo golpe de sorte dos argentinos,miraram no que viram e acertarm no que não viram duas vezes,o Atlantic Conveour que o diga.

  31. Por isso sempre respeitei os misseis de longo alcance russos. Hard kill, com guiagem de meio-curso por aeronave de patrulha marítima de longo alcance…um otht envolvendo um escolta e uma aeronave dessas me parece sempre interessante, apesar de não muito pátrico: como poderia ser garantida a presença dela quando fosse necessário??
    mas ainda sim, isso diminui o problema do alcance-radar, bem como a vulnerabilidade de um otht com helicópteros.

    mas não acho q somente misseis exocet mandariam a ft inglesa pra casa…para mim, só se a esquadra argentina, ou colocasse o 25 de mayo ou uns 2 ou 3 submarinos no teatro de operações marítimo para ameaçar os ingleses de tal maneira q a retirada fosse cogitada. e não se esqueçao dos submarinos nucleares inc=gleses…não acho q a argentina pudesse ter feito muito mais em termos de vitórias estratégicas, mas enfim…
    abraços

  32. um 42 em 82 com misseis termonucleares (ou mesmo hoje em dia …) . que coisa eim …. eita, será que nao aprendi nada

    E ae Juvenal, o que que eu falo, Seadart tomico 8-P

    MO

    Termonuclear fui punk !

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