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Mergulhadores de combate da MB

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Curso de elite para formar mergulhadores de combate da Marinha inclui até nado com mãos e pés amarrados

Túlio Brandão

vinheta-clipping-navalRIO – Embarcados no navio Tambaú, perto da Ilha Grande, os alunos “05” e “10”, os únicos que não pediram para sair dos 15 que entraram no curso de formação do Grupamento de Mergulhadores de Combate da Marinha (Grumec), aguardam, vestidos, o início de mais um exercício de guerra. Faz frio, mas ali só sobrevive quem resiste a tudo. “Água!”, ordena, assim que pisa no barco, o comandante Michael Aguiar. Prontamente, os alunos se jogam no mar, de roupa e tudo, como mostra a reportagem de Túlio Brandão neste domingo.

Pode parecer exagero aos olhos de um civil, mas Aguiar, coordenador do curso de unidade de operações especiais militares mais longo do Brasil e admirado até pelo temido Batalhão de Operações Especiais (Bope), sabe que situações de guerra são incomparavelmente piores. Não à toa, o currículo do curso, que dura nove meses, inclui nado de cem metros com mãos e pés amarrados e, na mesma fase, dez quilômetros de natação em mar aberto equipado com minas para explodir cascos, fuzis e todo o aparato de um combatente.

Peneira costuma eliminar até atletas da Marinha

Em terra, nada é mais fácil: na chamada “semana do inferno”, os alunos se tornam prisioneiros de um campo de concentração e são submetidos a uma tensão extrema e à exaustão física.

– Ser de operações especiais é não desistir diante dos obstáculos. É necessário um autocontrole enorme. A metodologia prevê situações de tensão, como a pressão sobre um aluno, tentando provocar a sua desistência. Ficamos com aqueles que suportam, que são capazes de resistir a tudo. Esses estão preparados para situações que encontramos em missões – diz Aguiar, deixando claro que não se excede. – O curso exige rigidez, mas rigidez não é abuso.

A peneira costuma eliminar até mesmo atletas da Marinha, que suportariam o estresse físico sem problemas. Já houve edições em que ninguém chegou ao fim. Iniciado há 35 anos, o curso formou até hoje apenas 192 mergulhadores de combate. Desses, há cerca de 50 ativos, em simulações de guerra ou em missões em áreas de fronteira e na chamada Amazônia Azul – nome dado pelos militares à extensa faixa de mar pertencente ao Brasil. Em tempos de pré-sal, o grupamento se torna ainda mais importante.

– Somos a única unidade de ações especiais capaz de retomar uma plataforma de petróleo em poder de algum inimigo – diz o capitão-tenente do Grumec André Teixeira.

A ameaça não é tão distante. A Petrobras chegou a produzir um comercial em que os mergulhadores de combate invadem uma plataforma cheia de sequestradores e reconquistam o território, mas ele acabou não sendo veiculado.

O Bope reconhece a força dos mergulhadores de combate. Rodrigo Pimentel, ex-capitão do batalhão e autor do livro que deu origem ao sucesso “Tropa de Elite”, rasga elogios aos colegas da Marinha:

– Eles têm um diferencial de mergulho, muito claustrofóbico, além de serem formados em guerra de selva, paraquedismo e outras especialidades. Talvez seja a formação mais completa de um curso de unidades especiais. Temos uma admiração grande por eles.

Muito longe dessas discussões, “05” e “10” estavam prontos para o exercício de guerra. A missão, acompanhada pelo GLOBO, consistia em montar um bote em cima do submarino Tupi, navegar amarrado ao periscópio da embarcação à noite, remar até uma determinada distância da costa da Ilha Grande, nadar equipado e, perto da praia, mergulhar para invadir a enseada de Provetá. De lá, os alunos seguiriam por uma trilha na mata, durante a madrugada, até a enseada do Sítio Forte. Ali, disfarçados de civis, pegariam carona num barco pesqueiro até o ponto onde estava um caiaque militar, para remar até um estaleiro e destruir o dique em que estava sendo construído um submarino nuclear inimigo.

A “faina”, nome dado pelos militares a qualquer atividade ou missão, deu certo. Eles ainda não concluíram o curso, mas podem festejar por já terem passado pelas piores fases. “05”, que fora dali é conhecido como o segundo-sargento Cacildo de Araújo, tem 34 anos. Em 2006, foi reprovado nos testes de apneia dinâmica. Quis tentar de novo este ano, mas o limite de idade o impedia. Apelou, então, ao Comando da Marinha, que acabou mudando o limite de idade por causa de Cacildo.

FONTE: O Globo, 24.10.09

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10 COMMENTS

  1. Nao so disseram o nome de alguns membros como tambem revelaram coisas como o tamanho da unidade, niveis de aproveitamento no curso e ate quantos qualificados o pais possui!!

    Seguranca operacional zero de acordo com a midia…

    Sds!

  2. Marine, meu irmão,

    isso é um truque. Na verdade tudo é invenção do repórter. kkkk.

    Faltou a lista da FAB e do EB. kkkkkkkkk.

    Um abraço.

  3. Excelente matéria!!!
    Mas, pela pouca informação que tenho, já sabia que o curso do GRUMEC é o mais puxado a nível de adestramento….
    Eles provam que só o conhecimento não é competência, só a aplicação do conhecimento e a resistência é competência….

  4. Marine

    Talvêz as tais informações citadas não sejam verdadeiras…??
    Seria uma maneira de “desinformação proposital” para deixar um possível inimigo mal informado.
    Sds

  5. Caraca, sempre soube que esse curso do GRUMEC era ogro, mas não imaginava que fosse tão punk… 10 km de nado equipado? Nem a pau…

    A propósito, quem conhece a Ilha Grande sabe que de Provetá até o Sítio Forte é uma pernada duca, uma morraria do inferno, e uma mata fechada que dá até medo, principalmente no trecho após Araçatiba. Caras, já fiz essa trilha durante o dia e dá até medo. Nem imagino como deve ser fazer essa trilha na madrugada. Tem que ter muita moral e vibração. Boa sorte aos dois alunos.

    Abs.

  6. Parabéns aos dois que ainda continuam.

    Devemos criar mais cursos como este, e aumentar o numero de nossas forças especiais. Prefiro 10 mil homens bem treinados do que 50 cambotas….

    A propósito, relevar números não é inteligente. Espero que estes números sejam irreais.

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