Índia: RFI para novo caça naval

Rafale M F2 F3

A Marinha da Índia encaminhou três pedidos de informação (request for information) para diferentes empresas solicitando esclarecimentos sobre caças embarcados, informou o site flightglobal. Estas aeronaves seriam utilizadas nos dois porta-aviões de construção local que entrarão em operação na década seguinte.

O RFI foi encaminhado para a Boeing, Dassault e Lockheed Martin referente aos caças F/A-18E/F Super Hornet, Rafale e F-35 Lighting II respectivamente. Não foi informado a número de aeronaves a ser adquirido.

Em função do longo tempo até a conclusão dos porta-aviões, é provável que o RFP (request for proposals) não ocorra tão cedo.

O interessante é que a reportagem não citou empreas russas recebendo o RFI. Atualmente a Marinha da Índia está recebendo seus caças RSK MiG-29K, além de desenvolver seu próprio caça embarcado, o Tejas, cujo pedido preliminar de seis aeronaves foi feito este ano.

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vinheta-clipping-navalA Petrobras negou a existência de irregularidades na construção de 23 embarcações para transporte de petróleo executadas por um consórcio liderado pela empreiteira Camargo Corrêa. O contrato é um dos três em que o MPF (Ministério Público Federal) aponta indícios de superfaturamento, que teriam sido descobertos pela operação Castelo de Areia, da Polícia Federal. Nesta segunda-feira (1º/12), a Procuradoria denunciou novamente três diretores da construtora.

Em nota divulgada nesta terça-feira (1º/12), por meio da subsidiária Transpetro, a estatal afirma que ainda não foi notificada sobre a denúncia, mas assegura a lisura dos contratos. “É notório que os preços exigidos pela Transpetro são competitivos internacionalmente, com equivalência financeira proporcionada pelo Fundo de Marinha Mercante”, diz trecho do comunicado.

A Petrobras destaca que houve na verdade redução no valor dos navios e argumenta ainda que o programa de expansão de sua frota de cargueiros foi acompanhado e fiscalizado pelo TCU (Tribunal de Contas da União), e que todos os ajustes sugeridos pelo Tribunal foram implementados.

Leia a seguir a íntegra do comunicado:

Rio de Janeiro, 1º de dezembro de 2009

Nota de esclarecimento

Em relação à reportagem publicada hoje pela Folha de S. Paulo, a Transpetro esclarece que:

1. A companhia desconhece qualquer citação judicial ou ação do Ministério Público noticiada pelo jornal.

2. O Programa de Modernização e Expansão da Frota da Transpetro (PROMEF) é acompanhado e fiscalizado permanentemente pelo Tribunal de Contas da União. As correções e ajustes recomendados pelo TCU nos editais e contratos de construção dos navios foram prontamente implementados.

3. É notório que os preços exigidos pela Transpetro são competitivos internacionalmente, com equivalência financeira proporcionada pelo Fundo de Marinha Mercante. Um exemplo claro do esforço da Transpetro em reduzir os custos de seus navios foi abordado em reportagem do jornal Valor Econômico, que tratou da desistência da construtora Andrade Gutierrez em participar do projeto de construção de navios da Transpetro, mesmo depois de ter ganho a licitação em consórcio formado com as construtoras Queiroz Galvão, Camargo Corrêa e PJMR Empreendimentos.

4. Conforme entrevista do presidente da Andrade Gutierrez, Rogério Nora de Sá, ao jornal Valor de 31 de agosto de 2006 o grupo saiu do projeto do Estaleiro Atlântico Sul porque, depois da proposta entregue, ocorreram negociações com a Transpetro para a redução do preço. Disse o presidente da Andrade Gutierrez ao Valor: “as novas negociações foram para reduzir valores. Chegaram a um ponto que achamos que o risco (do investimento) era grande em relação aos recursos necessários, mesmo com financiamento, para colocar o projeto em pé. O risco era acima do adequado”.

5. Conforme a própria Folha destacou na sua edição do último domingo, dia 29 de novembro, graças às encomendas da Transpetro, a indústria naval brasileira passou a ter a sexta maior carteira do mundo, à frente dos Estados Unidos.

6. A Transpetro, ciente da sua responsabilidade com o crescimento do país, sempre preza pela lisura e transparência de seus processos. Como sempre, a companhia está à disposição da Justiça e do Ministério Público.

FONTE: Última Instância

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CV Barroso_AMRJ

A Corveta “Barroso” foi transferida para o setor operativo, no dia 23 de novembro, em uma cerimônia realizada no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro, tornando-se o mais novo navio escolta da Esquadra.

A cerimônia contou com as presenças do Comandante de Operações Navais, do Diretor-Geral do Material da Marinha, além de outras autoridades.

Cerimônia

Projeto que contribui para o resgate da capacidade e da tecnologia da construção naval militar brasileira, a Corveta “Barroso” é o resultado do aperfeiçoamento do projeto das Corvetas Classe “Inhaúma”, construídas anteriormente no Brasil, e incorporou melhorias e desenvolvimentos tecnológicos que aprimoraram o desempenho do navio.

Com uma autonomia de 30 dias e raio de ação de 8.000 km, o navio oferecerá uma maior capacidade de proteção ao tráfego marítimo nacional, responsável por 95% do fluxo de comércio exterior brasileiro, proporcionando maior proteção aos nossos campos petrolíferos e ampliando o poder de dissuasão do Brasil no mar.

Na execução do projeto de construção da Corveta “Barroso”, com modernos sistemas, a Marinha teve como meta a busca da nacionalização, principalmente daqueles com elevado grau de complexidade técnica que agregariam tecnologia de ponta ao setor industrial associado do País.

O índice médio de nacionalização dos sistemas de bordo da “Barroso” é de aproximadamente 60%, entre os quais se destacam:

- Sistema de Controle Tático;
- Sistema de Medidas de Apoio à Guerra Eletrônica;
- Sistema de Controle e Monitoramento da Propulsão, auxiliares e de Controle de Avarias;
- Sistema de Lançamento de Despistadores de Mísseis;
- Sistema Lançador de Torpedos; e
- Sistema Indicador Visual Estabilizado de Rampa de Aproximação de Aeronaves.

CV Barroso

FONTE e FOTOS: MB

SAIBA MAIS:

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O mais longo de todos os programas – parte 1

O Brasil possui o programa de submarinos nucleares mais longo da história e o que menos obteve resultados. Por que isto aconteceu? De quem é a culpa?

A  ideia de dotar a Marinha do Brasil de um submarino nuclear começou a ser cogitada na década de 1970 e evoluiu de forma mais prática entre 1976 e 1978. Existiam três pontos básicos que deveriam ser vencidos. A primeira delas tratava do domínio do ciclo do combustível nuclear (projetos ZARCÃO e CICLONE). Em segundo lugar o Brasil teria que projetar e desenvolver um reator nuclear (projeto REMO) suficientemente compacto para um casco de submarino. O país também precisava projetar e construir um casco de submarino (projeto COSTADO) que recebesse o reator em desenvolvimento.

O desafio era muito grande para um país que nunca havia construído se quer um submarino convencional e engatinhava nos acordos nucleares com a Alemanha. Passados mais de 30 anos nenhum destes três pontos foi inteiramente satisfeito e o programa do submarino nuclear brasileiro ganhou o título do mais longo programa e o que menos resultados gerou. Por que isso aconteceu? Quais são as razões?

O ciclo do combustível e o reator

Para desenvolver o ciclo do combustível nuclear e produzir um reator experimental a Marinha associou-se ao IPEN-SP (Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares de São Paulo) e passou a trabalhar nestes programas a partir de 1979.

Foi adotada a técnica de ultracentrifugação para o enriquecimento. Após dominar a tecnologia do hexafluoreto de urânio a partir do minério de Poços de Caldas (MG), a Marinha obteve o seu primeiro grande sucesso em 1982. Em escala laboratorial, os pesquisadores conseguiram o enriquecimento isotópico de urânio com centrífugas construídas totalmente no Brasil.

Com o crescimento da pesquisa e do interesse por parte de Marinha, em 1986 surgia a Coordenadoria para Projetos Especiais (COPESP), posteriormente renomeada Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP).

Instalações do Centro Experimental de Aramar

Para dar suporte às atividades experimentais do programa de pesquisa e desenvolvimento do ciclo do combustível e de reatores nucleares, foi construído no município de Iperó (estado de São Paulo) o Centro Experimental Aramar (CEA). Este Centro, em atividade até hoje, abriga instalações de testes, laboratórios de validação experimental e algumas oficinas especiais. Ali já se enriquece urânio numa escala industrial pequena, mas suficiente para alimentar os reatores nucleares de pesquisa existentes no país.

Dos três pontos básicos citados acima, o ciclo do combustível nuclear é o campo que o Brasil está mais desenvolvido. Mas ainda não fechamos o ciclo. Uma das etapas básicas do domínio total do ciclo do combustível nuclear é a produção de gás de urânio. O Brasil ainda caminha para produzir este gás em escala industrial. Até mesmo a África do Sul, que não manifestou o desejo de construir submarinos nucleares, já produz este gás há muito tempo. Ainda podemos incluir o Canadá e Israel na lista de países que produzem o gás. As demais nações que fecharam o ciclo do combustível nuclear já possuem submarinos nucleares ou acabaram de lançar ao mar (caso da Índia).

É interessante notar que o país já produziu o gás de urânio em uma usina -piloto do Instituto de Energéticas e Nucleares (Ipen) entre 1980 e 1996. Mas depois voltou a importar o produto do Canadá. Isto mostra uma outra face maligna das iniciativas nacionais, principalmente nos projetos militares de longo prazo.

Reator nuclear

Porém, a questão do desenvolvimento do reator nuclear é bastante delicada. O projeto REMO visa o desenvolvimento e a construção de um reator nuclear nacional  do tipo Pressurized Water Reactor (PWR). Este programa também é conduzido pelo Centro Experimental de Aramar.

Conhecido como RENAP-11 (Reator Naval de Potência de 11 Megawatts), este é o primeiro reator nuclear inteiramente projetado no País.

Projeto do protótipo do reator do primeiro submarino nuclear brasileiro, conhecido como Laboratório de Geração Nucleo-Elétrica – Labgene

O desenvolvimento do reator, assim como todo o Programa Nuclear da Marinha, viveu boa parte dos últimos anos em “estado vegetativo”. O prédio definitivo do reator teve a sua construção paralisada por mais de dez anos, sendo retomada recentemente.

Para conseguir terminar finalmente o reator nuclear, a Marinha precisa de mais um bilhão de dólares, investidos num período de 8-10 anos. O presidente Lula, em julho de 2007, em visita ao Centro de ARAMAR, garantiu a liberação de recursos anuais de R$ 130 milhões, para a conclusão do reator e do programa de enriquecimento de urânio da Marinha.

O casco do submarino

A total falta de conhecimento da Marinha na construção de submarinos era um grande dilema para todo o projeto. Mas a ideia começou com os pés no chão. Primeiro era necessário adquirir novos e modernos submarinos que pudessem ser construídos no Brasil.

A obtenção de novos submarinos foi incluída inicialmente no Programa de Reaparelhamento da Marinha (PRM) Revisão 1979 e a escolha recaiu sobre o submarino IKL-209-1400 de origem alemã, projetado pela firma Ingenieur Kontor Lubeck (IKL).

Construção de submarinos convencionais no AMRJ, o primeiro passo

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Em 1982 a Marinha assinou dois contratos técnicos com o Consórcio Ferrostaal/Howaldtswerke Deutsche Werft (HDW) da Alemanha que previam a construção de dois submarinos idênticos, o primeiro no estaleiro HDW em Kiel e o segundo no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro (AMRJ). Posteriormente foi assinado um terceiro contrato para a obtenção de mais dois submarinos, que igualmente seriam construídos AMRJ.

Os contratos assinados para a construção destes três submarinos no Brasil previam, em síntese, o fornecimento de material, documentado e treinamento para o pessoal especializado da Marinha que posteriormente conduziria a obra. Durante o período de construção do primeiro submarino (o Tupi) no estaleiro HDW, um grupo de Engenheiros, Técnicos e Operários foi enviado àquele estaleiro para a realização de estágios, de acordo com as suas especializações técnicas.

Além da qualificação humana, a Marinha também investiu na modernização das suas instalações e na capacitação da indústria nacional. Um dos exemplos mais significativos foi a transferência de tecnologia da construção de seções do casco resistente, absorvida pela Marinha no estaleiro HDW, para a Nuclebrás Equipamentos Pesados (NUCLEP).

Com o programa dos IKL 209 em andamento a Marinha passou a planejar em maior detalhe as etapas seguintes. Inicialmente pensou-se em desenvolver duas classes de submarinos nacionais convencionais: NAC1 e NAC2. A produção do NAC começaria na década de 1990 e era prevista uma série de quatro unidades. Seis unidades da série seguinte, a NAC2, entrariam em serviço entre 1994 e 2000. Paralelamente à constução dos NAC2, a Marinha trabalharia na construção do casco do seu primeiro submarino nuclear, que deveria estar pronto em 2000.

Pouco tempo depois ficou claro que o projeto era muito ambicioso. No lugar do NAC1, decidiu-se produzir uma versão melhorada da classe IKL 209, que ficou conhecida como “improved Tupi”. Posteriormente ao “improved Tupi” seria construído um submarino convencional inteiramente nacional denominado SNAC-1. O casco do SNAC-1 já seria compatível com o reator nuclear nacional, que seria introduzido no SNAC-2.

Em 1990, por total falta de recursos, o programa SNAC foi praticamente paralisado. A retomada do programa voltou anos mais tarde e o casco do submarino convencional nacional (antigo SNAC-1) foi renomeado SMB-10. Mas a falta de recursos também acabou cancelando o projeto do SMB-10. Diante da árdua tarefa e dos altos custos de se projetar e construir um casco de submarino, a Marinha do Brasil partiu para um projeto totalmente estrangeiro de um submarino convencional, que permitisse o desenvolvimento de um projeto de um novo submarino capaz de receber um reator nuclear.

NOTA: os comentários para esta matéria serão feitos no ‘post’ em aberto cujo título é ‘Não fizemos a lição de casa’.

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