Marinha doa ‘ambulancha’ para Roraima

Em virtude da intervenção do deputado federal Chico Rodrigues (DEM), a população do Baixo Rio Branco será beneficiada por uma unidade móvel de atendimento em saúde. Trata-se da “ambulancha”, oficialmente conhecida como Lancha de Apoio Médico (LAM), barco doado pela Marinha Brasileira ao Governo do Estado e que atenderá as comunidades ribeirinhas. A unidade está em Belém (PA) e deve chegar até o final do ano aqui em Roraima.

O parlamentar, que é relator do orçamento do Ministério da Defesa – ao qual a Marinha está ligada –, percebeu que o Estado do Pará conta com várias unidades móveis do tipo lancha e achou viável para Roraima, que também tem grande número de moradores às margens dos rios.

Segundo o parlamentar, a população do Baixo Rio Branco tem necessidade de remoções rápidas e a “ambulancha” tem potência para deslocamentos imediatos. “O barco deve ficar em Santa Maria do Boiaçu à disposição da população e se deslocará à medida que houver demanda”, frisou.

A “ambulancha” já é utilizada em municípios com populações ribeirinhas. Custa em média R$ 300 mil e é fabricada no estaleiro da Marinha Brasileira. O processo de negociação para a doação da embarcação ao Estado de Roraima durou em média cinco meses.

Em Roraima, contará com a parceria com o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) estadual e terá repassem mensal de R$ 13 mil para manutenção da embarcação. A equipe médica, composta por um médico e dois assistentes, é a mesma que está lotada em Santa Maria do Boiacu.

Para o secretário estadual de Saúde, Rodolfo Pereira, o recebimento dessa embarcação é muito importante, já que vai cobrir uma lacuna enorme no Sul do Estado, que tem uma logística diferenciada, por se tratar de rios ao invés de estradas. “Vai melhorar a qualidade de vida e salvar vidas da população ribeirinha, já que a embarcação é ágil”, enfatizou.

O Barco

Equipada com balão de oxigênio, três macas, kit de primeiros socorros, radar, bússola, sinalizador, dentre outros equipamentos existentes em uma ambulância normal, adaptada a uma embarcação, a “ambulancha” atenderá somente aos moradores do Baixo Rio Branco, pelo fato de a região ter rios navegáveis, mesmo no período de seca (verão intenso).

O modelo é pioneiro no Brasil. Possui 7,80 metros de comprimento, velocidade de 30 nós (aproximadamente 55 quilômetros por hora), é movida a diesel, tem motor de 220 HP, tanque combustível com capacidade para 400 litros. Possui casaria, espécie de hospedagem para a equipe e tem capacidade para um condutor e mais cinco pessoas, entre equipe médica, três ao todo, e um paciente.

FONTE: BV News

 

Vem mais DDG-51 por aí

DDG-103

A Marinha dos EUA adiantou 171 milhões dólares à Grumman Corporation para a continuação da produção dos destróieres Aegis classe “Arleigh Burke” (DDG-51).

Os recursos serão utilizados na compra de materiais que levam mais tempo para fabricar, grandes equipamentos de apoio ao novo navio, incluindo os motores de propulsão principal, geradores de turbina a gás, hélices e sistemas de ar condicionado. A cadeia de produção dos DDG-51, que se espalha pelos EUA, será beneficiada. Os materiais serão usados na construção do DDG-113.

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LCS-2

O segundo Littoral Combat Ship (LCS) que será construído pela Austal vai custar pelo menos US$ 547 milhões, de acordo com informações divulgadas pela US Navy.

O custo do LCS-1 da Lockheed foi de US$ 637 milhões e o do LCS-2 (foto acima), da General Dynamics/Austal, de US$ 704 milhões.

O preço dos LCS está bem além da meta inicial de US$ 220 milhões e por esta razão a US Navy resolveu mudar para a estratégia de compra “winner-take-all”, na qual o vencedor levará o contrato de 51 navios. Assim, a escala de produção ajudará a reduzir bastante o preço unitário.

SAIBA MAIS:

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Manta UUV

A Marinha dos EUA está financiando o desenvolvimento de um submarino autônomo que reúne informações de inteligência militar em águas costeiras e portos, através da implantação de pequenos veículos submarinos não-tripulados (UUV).

O Office of Naval Research fechou contrato com a Science Applications International Corp (SAIC) no valor de US$ 2,5 milhões em novembro para a construção de um protótipo de UUV que possa lançar UUVs menores. O contrato faz parte do Programa chamado “Autonomous UUV Delivery and Communication.”

Pequenos UUVs já podem ser lançados em águas hostis por submarinos tripulados, mas a US Navy acredita que um veículo submarino autônomo poderia cumprir essa missão, sem o risco de exposição de um submarino nuclear.

Sob o contrato, a SAIC vai demostrar como um UUV mãe pode carregar, lançar e recuperar pequenos UUVs.  A nave mãe também poderá fazer o download dos dados coletados pelos pequenos drones.

Nos últimos 24 meses tem havido significativa atividade no mercado de UUV. A BAE Systems recentemente lançou o Talisman L, um UUV especializado para águas costeiras.

Empresas também estão aumentando as capacidades dos UUV através de aquisições. Por exemplo, a iRobot adquiriu a Nekton Research em 2008, uma fornecedora de sistemas subaquáticos e tecnologias.

FONTE: Defense Systems

SAIBA MAIS:

NOTA DO EDITOR: No futuro próximo, os UUV poderão se tornar a principal ameaça a submarinos tripulados. UUVs “suicidas” poderão ficar à espreita aguardando a passagem de submarinos inimigos para acionarem os motores e atacarem seus alvos.

Seria bom se o Brasil também começasse a investir pesado nesse tipo de tecnologia submarina, a exemplo do que está fazendo na área de veículos aéreos não-tripulados (VANT).

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Expandindo as fronteiras marítimas

Brasil tenta incorporar cerca de 1 milhão de km² ao seu território marítimo, ampliando assim a área conhecida como Amazônia Azul

Silvia Pacheco

vinheta-clipping-navalApesar de o país possuir uma imensa fronteira marítima e a maioria de sua população viver a menos de 200km do litoral, o potencial estratégico, econômico e ecológico oferecido pelo oceano ainda é pouco conhecido pelos brasileiros. Porém, o fundo do mar esconde uma riqueza imensa, alvo de atenção do governo e da Marinha do Brasil. É por isso que a Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (CIRM) trabalha para aumentar os limites do mar territorial brasileiro, ampliando assim uma região conhecida como Amazônia Azul.

O desafio é garantir soberania para fins de exploração, conservação e gestão dos recursos naturais em uma área maior do que a que cabe ao país atualmente. Na prática, isso significa estender a chamada Zona Econômica Exclusiva (ZEE), ampliando-a de 3,5 milhões de quilômetros quadrados para aproximadamente 4,5 milhões. “O objetivo é fazer com que os pesquisadores comecem a dar mais atenção ao nosso potencial marítimo, pois estamos falando de uma fonte infinita de recursos vivos, de minérios e de petróleo”, explica o comandante Geraldo Juaçaba, integrante da CIRM.

Para isso, o país precisa do reconhecimento da Comissão de Limites da Plataforma Continental (CLPC) das Nações Unidas, formada por 148 países, incluindo o próprio Brasil. A luta já dura alguns anos. Em 1989, a marinha, a comunidade científica brasileira e a Petrobras fizeram o Levantamento da Plataforma Continental Brasileira (Leplac) pleiteando 963 mil quilômetros quadrados além da ZEE. A proposta foi apresentada à CLPC em 2004, que só reconheceu 771 mil quilômetros quadrados, deixando de fora 192 mil. Para garantir também essa parcela do oceano, o Brasil faz agora um novo levantamento. “Segundo a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM), qualquer país pode pedir o direito de soberania absoluta até o limite de sua plataforma continental natural, o que é o nosso caso. Não vamos desistir disso”, afirma Juaçaba.

Para tanto, o deputado federal Rodrigo Rollemberg criou uma emenda no Congresso Nacional para a liberação de um crédito de R$ 167.400.000 para que a Marinha pudesse concluir os estudos da plataforma continental brasileira. “A intenção é reapresentar os estudos para a comissão da ONU e garantir o direito do Brasil sobre esses 960 mil quilômetros quadrados”, diz o deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), autor da emenda. “A Amazônia Azul é um dos projetos mais estratégicos para o país. Se estamos descobrindo riquezas como o pré-sal, há 150 milhas, imagine o que não podemos achar nas 350 milhas pleiteadas”, salienta.

Segundo Danilo Koetz Calazans, oceanógrafo da Universidade Federal do Rio Grande (UFRG), a Amazônia Azul, comparada à Amazônia Verde, tem mais riquezas. “A floresta, sem dúvida, tem maior biodiversidade. Porém, a Amazônia Azul tem muito mais potencial do ponto de vista animal, farmacológico, energético, mineral e socioeconômico”, justifica.

Para definir o valor de um bioma é preciso analisar os recursos naturais que ele oferece. Os recursos marinhos são classificados em quatro categorias: minerais, de biodiversidade, energéticos e não extrativos. Começando pela exploração de minérios de valor industrial, a Amazônia Azul dispõe de cascalhos, areias e argilas, calcário, além de metais nobres, como ouro, platina, magnetita, cassiterita, óxidos de titânio entre outros. Entre os recusos energéticos, o petróleo e o gás natural são os principais, sendo a descoberta de óleo e gás na camada de pré-sal um dos exemplos mais recentes.

Já a biodiversidade da região ainda é pouco conhecida. De acordo com o especialista em ecologia bêntica e gerenciamento costeiro Alexander Turra, do Instituto de Oceonografia da Universidade de São Paulo (USP), há um imenso potencial biotecnológico submerso. “Várias áreas na costa não foram estudadas ainda. Acreditamos que ali exista uma grande chance de acharmos novas espécies que possam servir como potencial biotecnológico, principalmente na questão de fármacos”, avisa.
Preservação

Do ponto de vista ambiental, o papel do mar na fixação de carbono atmosférico e no controle do clima global é tão difícil de medir quanto o do bioma amazônico. “Entretanto, a Amazônia e todas as florestas tropicais do planeta sempre foram os principais alvos do movimento conservacionista internacional, com o mar geralmente em segundo plano, recebendo alguma atenção da mídia nas raras ocasiões em que ativistas abordam heroicamente navios pesqueiros asiáticos, verdadeiros piratas da biodiversidade marinha”, afirma o oceanógrafo Frederico Brandini em um de seus artigos.

Calazans também chama a atenção para o fato de haver poucos projetos na área marinha. “É um campo inesgotável para estudos tanto na área biológica, quanto geológica, física, química e oceonográfica. Poucos sabem, mas estamos preparando pessoal especializado para atuar na Amazônia Azul e assim aumentar a área de atuação e exploração oceânica”, informa.

FONTE: Correio Braziliense

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Em 15 anos mais de 1400 resgates

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Ao longo de 15 anos de serviço, nada menos que 1.430 pessoas, ou quase 100 por ano, foram resgatadas pelos AS365SP Dauphin da Aeronavale.

Estas aeronaves permanecem em alerta constante em 5 diferentes locais ao longo da costa francesa (Le Touquet, Cherbourg, Lanvéoc, La Rochelle e Hyères).

Somente nos primeiros 10 meses de 2009,  foram 458 missões que totalizaram 654 horas de voo e 168 pessoas resgatadas.

FONTE e FOTO: Marine Nationale

 

Não fizemos a lição de casa

O Brasil possui o programa de submarinos nucleares mais longo da história e o que menos obteve resultados. Por que isto aconteceu? De quem é a culpa?

A ideia de dotar a Marinha do Brasil de um submarino nuclear começou a ser cogitada na década de 1970 e evoluiu de forma mais prática entre 1976 e 1978.

Existiam três pontos básicos que deveriam ser vencidos. A primeira delas tratava do domínio do ciclo do combustível nuclear (projetos ZARCÃO e CICLONE). Em segundo lugar o Brasil teria que projetar e desenvolver um reator nuclear (projeto REMO) suficientemente compacto para um casco de submarino. O país também precisava projetar e construir um casco de submarino (projeto COSTADO) que recebesse o reator em desenvolvimento.

O desafio era muito grande para um país que nunca havia construído sequer um submarino convencional e engatinhava nos acordos nucleares com a Alemanha. Passados mais de 30 anos, nenhum destes três pontos foi inteiramente satisfeito e o programa do submarino nuclear brasileiro ganhou o título do mais longo programa e o que menos resultados gerou. Por que isso aconteceu? Quais são as razões?

Leia a continuação deste texto, de conteúdo exclusivo para assinantes, aqui no Poder Naval.

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O mais longo de todos os programas – parte 2

(se você ainda não leu a primeira parte deste texto clique aqui)

Quanto tempo os países levaram para desenvolver o primeiro submarino nuclear?

Esta pergunta não possui uma resposta simples, direta e objetiva. Depende de uma série de fatores, incluindo o momento histórico. Também não é possível traçar uma relação direta entre o tempo que se gastava para projetar um submarino 50 anos atrás e os dias atuais. Mas é interessante analisar como as outras nações desenvolveram os seus primeiros programas e quanto tempo cada uma levou.

Grosso modo, o desenvolvimento dos submarinos nucleares no mundo pode ser dividido em três grandes momentos. O primeiro deles ocorreu logo após o término da II Guerra Mundial, quando os principais vencedores  (EUA, URSS e Reino Unido) pesquisavam o desenvolvimento da energia nuclear e sua aplicação em navios e submarinos. O desenvolvimento foi rápido e estas nações gastaram entre nove e treze anos para lançarem ao mar o seu primeiro submarino de propulsão nuclear.

USS Nautilus, primeiro submarino nuclear do mundo. Foram necessários somente nove anos para lançá-lo ao mar.

Coube aos EUA a primazia do projeto e desenvolvimento do primeiro submarino nuclear do mundo. O USS Nautilus foi lançado ao mar em 1954, menos de nove nos após o término da II Guerra Mundial. Quatro anos depois foi a vez da URSS lançar ao mar o K-3 “Leninskiy Komsomol” (classe November/Project 627). Mesmo os britânicos, que suspenderam os trabalhos com propulsão nuclear entre 1952 e 1955, lançaram o HMS Dreadnought em 1959, depois de 13 anos no início dos estudos (e com ajuda norte-americana).

O segundo momento histórico ocorreu na década de 1960, quando duas potências nucleares em ascensão (França e China) entraram para o “clube dos submarinos nucleares”. Na época os franceses buscavam maior independência em relação à OTAN e os chineses procuravam o seu próprio espaço entre as duas superpotências. Estes dois países gastaram perto de 15 anos de pesquisas até que os primeiros submarinos nucleares fossem lançados ao mar. A construção da primeira unidade nuclear da França, o Le Redoutable, foi autorizada em 1963, entrando em operação em 1971. A China continental também realizou os seus estudos ao longo da década de 1960, lançando o Han (Tipo 091) ao mar em 1974.

Atualmente vivemos o terceiro momento, onde antigos países do Terceiro Mundo (atualmente classificados como países em desenvolvimento) lutam para desenvolver seus próprios submarinos nucleares. Este grupo de países é formado pela Índia, Brasil e Argentina.

É natural que os países da terceira onda tivessem uma dificuldade maior no projeto e na construção de submarinos nucleares. São países que não possuem tradição na construção de submarinos convencionais e que desenvolveram seus programas nucleares tardiamente em relação às  nações citadas anteriormente.

A Índia lançou o seu primeiro submarino de propulsão nuclear ao mar neste ano. Existem relatos de que aquele país enfrenta problemas no desenvolvimento do reator e que o mesmo não foi integrado ao casco até o momento.

A Argentina decidiu praticamente congelar seus estudos no campo dos submarinos nucleares por total falta de recursos finanaceiros. Sobraram Índia e Brasil. A Índia, que iniciou seus estudos mais ou menos na mesma época do programa brasileiro (década de 1970), já lançou o casco do primeiro submarino nuclear ao mar depois de mais de 30 anos de trabalhos. O Brasl, por outro lado, ainda não definiu o projeto do casco.

De quem é a culpa?

Como pode ser visto acima, o Brasil já teve tempo mais do que suficiente para desenvolver o seu submarino nuclear. Mesmo descartando qualquer comparação com outros programas existentes no mundo, 30 anos é tempo bastante para o desenvolvimento de qualquer programa militar. No entanto, os resultados foram modestos, descontando-se a área do domínio do ciclo do combustível. Por que?

Está claro que, da parte da Marinha, houve planejamento e que o mesmo foi traçado desde o começo de forma bastante lúcida, com etapas claras e evolução contínua. Porém, o plano traçado inicialmente sofreu diversas modificações em função das dificuldades que foram surgindo ao longo do tempo. Nada mais natural em um campo onde se desenvolvem pesquisas de base.

Mas o que realmente prejudicou o desenvolvimento do submarino nuclear nacional foi a falta de um fluxo de recursos constante e adequado. O fluxo de recursos inconstante levou sempre à necessidade de um novos planejamentos, gastando-se mais tempo e os escassos recursos replanejando o programa.

E o dinheiro apareceu

No dia 2 de setembro passado o Senado Federal aprovou o empréstimo de 4,32 bilhões de euros, de um total de 6,7 bilhões, que serão utilizados no Prosub (Programa de Desenvolvimento de Submarinos ). O acordo com a França foi efetivamente assinado no dia seguinte à aprovação e envolve:

1. Compra do Pacote de Material e Logístico para os 4 (quatro) Submarinos Convencionais (S-BR);

2. Construção dos 4 S-BR;

3. Projeto e Construção do Submarino com Propulsão Nuclear (SN-BR) – este contrato incorpora a compra do pacote de Material e Logístico para o SN-BR;

4. Compra de Torpedos e Despistadores;

5. Projeto e Construção de um Estaleiro e de uma Base Naval;

6. Administração, Planejamento e Coordenação do Projeto e da Construção do SN-BR;

7. Transferência de Tecnologia;

8. e OFFSET.

O Prosub nada mais é do que a etapa mais recente desse constante replanejamento. Até 2007 o Prosub simplesmente não existia e o programa do submarino nuclear navegava vagarosamente por outros caminhos.

Cronograma do Prosub, etapa mais recente do programa de desenvolvimento do submarino nuclear nacional. As metas não atingidas nos programas anteriores (SNAC, SMB-10, etc) sofreram replanejamentos constantes.

O Prosub é, em última análise, uma tentativa de sanar a incapacidade brasileira de projetar e construir seu próprio submarino nuclear devido à inconstância de recursos que o programa viveu desde a sua criação. Como ao longo dos últimos 30 anos o programa não teve recursos suficientes para financiar projetos de pesquisa e desenvolvimento, o Brasil teve que arcar com uma “solução importada”.

Quando o ministro da Defesa Nelson Jobim anunciou que o acordo com a França permitiria ao Brasil “queimar etapas”, o que ele realmente estava dizendo é que nós não teremos acesso a determinados conhecimentos e tecnologias, pois estas serão importadas. Quem “queima etapas” não domina toda a cadeia do conhecimento.

Envolvimento da sociedade

Acontece que só a questão financeira não se justifica, embora seja a mais importante. O programa nuclear da Marinha, de tão secreto, foi colocado à margem da sociedade. Não houve debate, não houve justificativa, não houve esclarecimento ao cidadão. A Marinha tocou o projeto sem o aval da sociedade. Isto é compreenssível em uma ditadura, mas a mesma acabou há mais de 20 anos!

O país democratizou-se, mas a questão do submarino nuclear continuou a ser tratada “dentro de quatro paredes”, mesmo sendo este o maior e mais importante programa de defesa do país de todos os tempos. Este “desconhecimento” do assunto no meio civil pode ser claramente constatado pela total falta de debates no Congresso sobre o tema.

De tempos para cá isto já foi percebido pelas altas autoridades. Mesmo porque a ‘chave do cofre’ está nas mãos dos civis. O que ocorre hoje em dia é uma corrida atrás do tempo perdido, para esclarecer e obter o apoio da sociedade civil.

A pergunta que fica é a seguinte: haverá tempo suficiente para demonstrar à sociedade a importância deste programa e a necessidade de se manter o alto fluxo de recursos por um longo prazo, independentemente das oscilações econômicas? Caso a resposta seja negativa, entraremos novamente no nefasto ciclo que perdura nestes 30 anos.

LEIA TAMBÉM:

NOTA: os comentários para esta matéria serão feitos no ‘post’ aberto cujo título é Não fizemos a lição de casa

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