vinheta-clipping-navalRajadas de vento verticais, evento de difícil previsão, teriam provocarado o naufrágio do veleiro-escola canadense Concórdia no último dia 17, a 300 milhas marítimas (550 km) do litoral do Rio de Janeiro, próximo à cidade de Cabo Frio, segundo oficiais da Marinha brasileira.

Os 64 tripulantes resgatados passarão esta tarde na Base Naval do Rio de Janeiro para resolução de trâmites no Departamento de Imigração da Polícia Federal. Eles deverão retornar a seus países de origem na próxima semana.

Algumas das estudantes do Concórdia – Keaton Jane Farwell (17 anos), Lauren Unsworth (16 anos), Olívia Aftergood (16 anos) e Katherine Irwin ( (16 anos), todas do Canadá – relataram ter recebido noções de sobrevivência em situações de emergência no mar. Elas relataram que durante o naufrágio, vestiram as roupas de emergência e passaram às balsas salva-vidas.

As estudantes foram resgatadas por um navio japonês, com tripulação filipina. “Eles foram muito gentis. Não temos como agradecer a receptividade que tivemos”, manifestaram. Os tripulantes foram transferidos para a fragata brasileira Constituição. As meninas disseram não ter tido ainda contato com os pais, que entretanto, já foram avisados do naufrágio pelas autoridades do Canadá.

O Condórdia foi localizado graças ao equipamento conhecido como Epirb (Emergency Position Indicating Radio Beacon), que emite sinais de emergência para estações na costa e/ou para satélites geoestacionários.

O veleiro pertence à West Island College International e realizava a travessia de Recife para Montevidéu, no Uruguai, quando foi surpreendido pelo tempo adverso. Por volta das 17 horas do último dia 18, o comando do 1º Distrito Naval foi informado dos sinais transmitidos pelo EPIRB e solicitou que um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) fizesse investigações no local. A aeronave localizou uma balsa salva-vidas com pessoas nas proximidades de onde foi detectado o sinal de emergência. A tripulação do veleiro canadense permaneceu entre 38 e 40 horas nas balsas salva-vidas.

O comandante da fragata brasileira Constituição, capitão de corveta Marcos Borges Sertan, foi comunicado pelo 1º Distrito Naval e acionou a tripulação que, em cinco horas já estava no mar. O comandante do 1º Distrito Naval, vice-almirante Gilberto Max, afirmou que “a ação principal de não ter vítimas no naufrágio foi do comandante do navio, que conseguiu que todos os tripulantes pegassem as balsas (salva-vidas)”.

Gilberto Max destacou também o fato de o equipamento EPIRB ter ficado junto à tripulação, facilitando sua localização pela FAB e o pronto acionamento da Marinha e dos navios mercantes que se encontravam próximos ao local. “Foi profissionalismo de todos os lados”. Acrescentou que esse somatório de esforços fez com que o resgate fosse um sucesso.

O capitão do Concórdia, o norte-americano Also William Curry, disse não se considerar um herói. “Heróis são os estudantes”. Ele salientou que um dos pontos que ajudaram no salvamento da tripulação foi o fato de os estudantes estarem em salas de aula, próximo ao convés, quando o veleiro emborcou no mar, após as 14 horas do dia 17.

FONTE: Agência Brasil

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COMENTÁRIOS VIA FACEBOOK

5 Comentários to “MB: rajadas de ventos verticais podem ser a causa do naufrágio do veleiro-escola”

  1. JSilva disse:

    Quero deixar aqui registrada a minha estima e admiração pelos tripulantes da Constituição, por terem tido a idéia e a presença de espírito de colocarem a bandeira de faina do “”URSO” aberta na entrada do hangar do navio, demonstrando através da imprensa, o espírito de corpo dessa unidade naval.

    Mesmo que quase ninguém saiba do que estou falando fica o registro.

  2. Clésio Luiz disse:

    É impressão minha ou deveria-se usar o termo “bote” ao invés de “balsa”?

  3. Domingos disse:

    JSilva, desculpe a minha ignorância, mas o amigo poderia me explicar o que quis dizer?
    Como admirador do blog e especialmente do site, fico curioso e ansioso para ter detalhes que, como mero admirador, não tenho acesso.
    Agradeço a atenção e fico no aguardo

  4. JSilva disse:

    Explicar o que?

    O que é bandeira de faina ou o fato de ninguem ligar nem ter curiosidade pelo que possa ser isso?

  5. João Jorge Peralta disse:

    Também eu e minha esposa Zilda, navegando de Recife para Salvador, em nosso Veleiro TRIUNFO II, a cerca de 45 Km da costa, passamos por situação perigosíssima, quase no mesmo horário da tragédia do CONCORDIA.
    Conhecemos o Veleiro Escola canadense em 8/2, ao sair de Recife para Tamandaré (Praia dos Carneiros), a 50 milhas do Recife. O CONCÓRDIA estava ancorado no porto do Recife, e alguns de seus tripulantes tiraram fotos do nosso veleiro, quando passamos ao lado. Também estava ancorado, próximo do Concórdia, o Veleiro Escola SAGRES, da Marinha Portuguesa. No dia 17/2, levantamos âncora na Praia dos Carneiros, rumando para Salvador.
    No dia 18, pelas dezenove horas, já no litoral baiano, também nós passamos por uma situação assustadora. De repente tudo ficou escuro, rajadas fortíssimas, nosso veleiro parecendo um cavalo selvagem, indomável, ondas varrendo o convés, barco adernando com a borda dentro dágua. Uma situação desesperadora, como que vinda do nada, inesperada, por isso não estava preparado, somente a vela mestra estava rizada (tamanho reduzido), e a genoa (vela de proa) estava toda aberta. Tivemos estragos em ambas as velas.
    Soube do naufrágio, assim que atracamos no TENAB (Terminal Náutico da Bahia), em Salvador, no sábado (dia 20/11). Pareceu-me incrível um fato desta natureza, no litoral brasileiro acima do trópico de Capricónio, onde muito raramente as condições de tempo no mar chegam a ser perigosas. A única parte do litoral brasileiro que costuma oferecer riscos é o de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
    Todos lamentamos o naufrágio deste veleiro escola, com longa e prestigiosa história de navegação pelos mares do globo, e de preparação de jovens para a vida. Graças a Deus, somente prejuizos materiais, e grande susto. Algo inesquecível para os jovens estudantes, e certamente grandes lições. A principal lição é que sempre devemos estar preparados para os imprevistos. Parabenizamos o comandante pela competência em evitar perda de vidas humanas, e ficamos felizes pela pronta e eficiente ação de nossa Marinha brasileira.
    João Jorge Peralta – Veleiro TRIUNFO II

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