Porta-aviões INS ‘Vikrant’

Nas fotos a maquete do INS Vikrant, navio-aeródromo que está sendo construído na Índia, com assistência técnica italiana. O navio é uma versão modificada do Cavour da Marinha Italiana. No convés de voo, caças Tejas da versão naval.

Mais abaixo, uma tabela comparativa entre o Vikrant, o Cavour e o Vikramaditya.

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Fotos mais recentes do casco do ex-Varyag, navio-aeródromo russo adquirido pela China, agora fora da doca, mostram que os trabalhos estão bem avançados.

O progresso na prontificação do navio e o recente voo do J-15, cópia do caça naval Su-33 russo, evidenciam a firme disposição da China de ingressar no “seleto grupo” de nações que operam navios-aeródromos.

Observe-se nas fotos a instalação de placas na “ilha” do navio, que deverão receber radares planares 3D phased array.

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Operação Atlântico II: 19 a 30 de julho

Militares expandem simulação de ataque ao pré-sal

Eduardo Simões – Reuters

Ao mesmo tempo em que a prospecção de petróleo no pré-sal é ampliada para além da área das primeiras descobertas, Marinha, Exército e Aeronáutica começam na semana que vem um exercício militar de norte a sul da costa do país para mostrar capacidade de proteger as riquezas submarinas.

Ao contrário de sua primeira versão realizada em 2008 e que se concentrou somente na região Sudeste, a Operação Atlântico 2, com início marcado para 19 de julho, abrangerá também a região Nordeste e, além de simular ameaças à infraestrutura petrolífera, também exercitará o combate à pesca ilegal.

“Esse ano nós vamos realizar uma operação muito mais complexa, com maior grau de realismo”, disse à Reuters o contra-almirante Paulo Ricardo Médici, subchefe de operações do Comando de Operações Navais da Marinha.

Ele acrescentou que os arquipélagos de Fernando de Noronha e de São Pedro e São Paulo, ambos na costa da região Nordeste, foram incluídos no teatro de operações das manobras deste ano.

“Essa inclusão de Fernando de Noronha se deve ao fato de (a ilha) ter um possível emprego estratégico por forças inimigas, caso não tenhamos militares realizando um perfeito controle territorial”, disse Médici.

“(Fernando de Noronha) pode ser um importante apoio logístico para qualquer força que quiser atacar o nosso território”, completou. Já a área de São Pedro e São Paulo, segundo o almirante, é alvo constante de embarcações que pescam ilegalmente na costa brasileira.

As manobras incluirão a simulação de ataques de submarinos e de ocupação por forças inimigas de uma plataforma de petróleo emprestada às Forças Armadas pela Petrobras.

A um custo estimado de 10 milhões de reais, de acordo com Médici, os jogos de guerra também envolverão a infraestrutura petrolífera das bacias de Santos e Campos e instalações energéticas, como as usinas nucleares em Angra dos Reis.

“É uma região que precisará ser protegida à medida que tivermos cada vez mais plataformas operando”, disse Médici, acrescentando que o Brasil não sofre uma ameaça específica. “(Mas) precisamos estar preparados.”

Novos meios

A Operação Atlântico 2 mobilizará 10 mil militares das três forças. Navios de guerra, aviões de transporte e de ataque também participarão das manobras.

Médici reconheceu a necessidade de aquisição de novos equipamentos para garantir a proteção da costa brasileira, especialmente novos navios-patrulha e navios-escolta.

“Nós temos 8.500 quilômetros de costa. Se você pensar que nós precisamos proteger toda essa costa marítima, vai se verificar claramente a necessidade de mais meios”, afirmou.

Ele disse, no entanto, que a chegada de um submarino a propulsão nuclear à esquadra brasileira, prevista para 2020, será essencial para essa tarefa.

“Quando nós conseguirmos isso (submarino nuclear)… nenhum país do mundo terá coragem e condições de se aproximar de nossa costa”, disse.

Além do submarino a propulsão nuclear, resultado de um acordo com a França que prevê a transferência de tecnologia da parcela convencional do navio, o Brasil deve adquirir também novos caças de multiemprego para a Força Aérea.

FONTE: Reuters, via Estadão

IMAGEM: página inicial do site da Operação Atlântico 2 – clique na imagem para acessar e ver mais detalhes sobre a operação. Nos links abaixo, veja várias matérias sobre a edição passada, entre as quais algumas exclusivas do Poder Naval

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Pequeno reator vai difundir geração nuclear

Rebecca Smith, The Wall Street Journal

A Bechtel, gigante americana dos setores de engenharia e construção civil, deve anunciar hoje parceria com a Babcock & Wilcox, fornecedora de equipamentos nucleares, para levar ao mercado um projeto de pequeno reator comercial nos próximos anos.

A Bechtel, empresa de capital fechado, recusou-se a revelar seu investimento na joint venture, limitando-se a dizer que é “substancial”, e reafirmou seu otimismo quanto às perspectivas promissoras de novas concepções técnicas que podem baratear a energia nuclear para elétricas menores e colocar as usinas em funcionamento mais rapidamente.

No âmbito da parceria, a Bechtel ajudará a Babcock a concluir o projeto de um reator modular, denominado “mPower”, e buscar a aprovação necessária da Comissão de Regulamentação Nuclear dos EUA, conhecida pela sigla em inglês NRC, para iniciar as vendas.

A Bechtel terá a responsabilidade exclusiva pelos aspectos de engenharia, adquirindo os componentes principais e construindo as usinas modulares. As companhias ainda não informaram quais serão os custos prováveis dessas pequenas usinas nucleares.

Depois de algumas unidades terem sido construídas, esperam os parceiros, eles poderão oferecer versões padronizadas por um preço fixo, algo que os fornecedores de usinas nucleares até hoje não conseguiram. Custos imprevisíveis puniram o setor no ciclo de construção anterior e sufocaram o crescimento após a década de 1980.

Embora o tamanho médio dos reatores tenha crescido gradualmente, alguns observadores acreditam haver espaço para pequenos reatores. Esses esquemas modulares podem ser construídos em fábricas e enviados por via férrea, barcaças ou caminhões até os locais onde deverão funcionar, e depois montadas como “bloquinhos de Lego”. As pequenas dimensões permitem construção mais rápida, com menos dinheiro imobilizado em equipamentos antes de as vendas de energia começarem.

Atualmente, a Babcock produz pequenos reatores para a Marinha dos EUA, assim como combustível nuclear e componentes. No passado, a companhia projetou grandes reatores, mas queria algo que pudesse construir em suas fábricas nacionais existentes.

Sua parceira, a Bechtel, é uma das empresas com maior experiência em construção de reatores do mundo. Ela tem atualmente um contrato para construir um reator grande no Estado de Maryland e foi responsável por volume significativo de obras em 64 dos 104 reatores comerciais em operação no país.

“Nos consideramos a [empresa] principal do setor a ter 5.000 engenheiros com a palavra ” nuclear ” no currículo”, disse Jack Futcher, presidente da Bechtel Power Corp. Christofer Mowry, presidente da Babcock & Wilcox Nuclear Energy, disse que a participação da Bechtel ajudará o reator a ganhar terreno como sério concorrente para os reatores de grande porte. “A Bechtel não se envolve em projetos científicos”, disse Mowry. “Esse [acordo] vem consolidar a confiança de que a promessa desse pequeno reator irá se materializar.”

Atualmente, o reator da Babcock existe só no papel. Ainda assim, ele está atraindo interesse, especialmente de pequenas companhias de eletricidade que querem substitutos para usinas alimentadas a carvão, mas não podem arcar com os custos de reatores nucleares de tamanho padrão – que são dez vezes maiores do que a unidade de 125 megawatts da Babcock.

Em dias recentes, uma dúzia de companhias de eletricidade associaram-se a um consórcio criado para ajudar a Babcock a avançar. O interesse de empresas de eletricidade é fundamental, porque a NRC aloca mais pessoal a projetos de reatores cujos fabricantes têm clientes à espera. A Babcock e a Bechtel pretendem apresentar um pedido de certificação para o reator em 2012 e esperam iniciar sua construção a partir de 2017.

No passado, as pequenas companhias de eletricidade compravam participações minoritárias em reatores de grande porte, em associação com grandes companhias de eletricidade pertencentes a investidores, mas às vezes sentiam-se impotentes em face dos termos dos contratos. Reatores de pequeno porte são atraentes, disse Earl Watkins, principal executivo da Sunflower Electric Power Corp, porque companhias de eletricidade ainda menores poderiam ter suas próprias unidades. Se agregadas em associações, as companhias de eletricidade poderiam compartilhar equipes de segurança e de manutenção para controlar os custos.

O reator da Babcock foi projetado para ser enterrado no solo, para maior segurança e para funcionar pelo dobro do tempo entre paralisações para recarga de combustível nuclear – cerca de quatro anos -, dos reatores existentes.

A Babcock está negociando com a NRC para reduzir o número de trabalhadores dos reatores de pequeno porte. Por exemplo, uma usina composta por uma só unidade pode ter 80 funcionários de segurança, contra 400 no caso de um reator de grande porte. O número cresceria com a incorporação de mais reatores, sendo que uma usina formada por oito unidades exigiria uma equipe de segurança equivalente à empregada num único reator de grande porte. “Precisamos ser mais eficientes em termos de pessoal ou a equação econômica não fechará”, disse Mowry.

FONTE: Valor Econômico – 14/07/2010

Hidropirataria na Amazônia, um delírio

Antonio Felix Domingues

Há anos o fantasma da hidropirataria ronda cabeças no Brasil. Embora seja contada como uma história quase policial, a hidropirataria é um delírio que, em vez de contribuir para maior valorização da água, acaba desviando a atenção de problemas reais, como a insuficiente cobertura da rede de água tratada para as populações amazônicas, o índice mais baixo do Brasil.

A história, tema recorrente na mídia, conta que grandes navios-tanque vêm até o Rio Amazonas, ora próximo a Manaus, ora na sua foz, para roubar água do território brasileiro e levá-la para países sedentos. À primeira vista, a hidropirataria nos revoltaria e teríamos, evidentemente, de tomar providências contra a atividade. Entretanto, essa história não encontra fundamento, posto que as leis da economia, de forma indistinta, regem os interesses de todas as atividades comerciais.

Em valores atuais, 1 m3, ou 1 tonelada de água, custa entre US$ 0,25 e US$ 0,50 por dia para ser transportado em navios de grande porte para granéis líquidos. Qualquer viagem para um dos chamados “países com sede”, localizados no Caribe ou no Oriente Médio, por exemplo, demoraria vários dias, ao que se impõe uma realidade importantíssima: o custo da água atingiria valores superiores a US$ 3 por m3 para uma viagem de 10 dias a 13 dias, mais os custos de tratamento para torná-la potável, ao redor de US$ 0,40/m3. Esses valores nos mostram a impossibilidade do comércio mundial de água bruta para abastecimento público utilizando-se o transporte marítimo, porque os custos do frete de granéis líquidos tornam a atividade inviável em distâncias superiores a 500 km.

A realidade que está resolvendo a sede dos países é a dessalinização e o reúso, que, com tecnologia e escala, operam a custos cada vez menores. Em Israel, três plantas dessalinizadoras (Ashkelon, Hadera e Sorek), no modelo de parcerias público-privadas (PPPs), fornecem água potável a 3,5 milhões de pessoas a um custo médio de US$ 0,60/m3. Dessa maneira, Israel, dentro de alguns anos, não vai mais comprar água da Turquia, o único caso conhecido de transporte de água em navios-tanque e que, apesar da distância de apenas 600 km, está perdendo toda viabilidade econômica.

Existem hoje cerca de 380 plantas de dessalinização em todo o mundo. No Brasil há apenas uma pequena unidade, funcionando na Ilha de Fernando de Noronha, que opera ao custo de US$ 1/m3. É interessante ressaltar que nem para Fernando de Noronha compensaria levar água em navios-tanque.

Existe, sim, um comércio de água entre países, de características muito limitadas, que ocorre por aquedutos, como, por exemplo, entre Lesoto e África do Sul, Malásia e Cingapura, Turquia e Chipre.

Por outro lado, o Brasil, o país mais rico do mundo em água doce, começa a se beneficiar com a exportação de água, mas não na sua forma líquida, e sim da maneira que se convencionou chamar de água virtual, aquela que é exigida para a produção de bens agrícolas ou industriais. Alguns produtos, como grãos, frutas, carnes, aço, papel, açúcar e álcool, demandam grandes quantidades de água para serem produzidos e muitos países já encontram dificuldades ambientais para a produção desses produtos e, por isso, precisam importá-los de países com água e solo em abundância, como o Brasil, por exemplo.

Provavelmente a história da hidropirataria nasceu de uma confusão que se faz com a prática do uso da água como lastro para os navios. Sem o lastro o navio não tem segurança, navegabilidade nem equilíbrio para a viagem, operações e manobras necessárias. A água de lastro é bombeada para dentro e para fora dos navios, de acordo com a necessidade operacional. Essa prática rotineira tem trazido ao mundo problemas expressivos por causa da introdução de organismos invasores que passam pelos filtros da rede e das bombas de lastro. Atualmente, cerca de 5 bilhões de toneladas de água são movimentadas por ano entre diferentes regiões do globo.

Estimam-se em US$ 100 bilhões por ano os prejuízos globais causados por espécies invasoras na água doce levadas de um continente a outro. Os Estados Unidos gastam por ano cerca de US$ 10 bilhões, principalmente por causa do mexilhão zebra (Dreissena polymorpha).

No Brasil, há cerca de dez anos, foi introduzido o mexilhão dourado (Limnoperna fortunei), trazido por navios do Sudeste Asiático à Bacia do Prata. Para tentar prevenir o flagelo mundial provocado pela introdução de espécies exóticas a Organização Marítima Internacional (IMO), a agência das Nações Unidas responsável pela segurança da navegação e prevenção da poluição marinha, adotou, desde 2004, uma nova Convenção Internacional para Controle e Gestão da Água de Lastro e Sedimento de Navios.

Ainda que o transporte de água doce por navio fosse economicamente viável, quem o fizesse estaria contrariando o principal pressuposto dessa convenção, que é despejar no mar a água doce de lastro trazida de qualquer país, antes de retornar, para evitar a contaminação.

Esforços têm sido intensificados para fiscalizar a água de lastro em costas e portos brasileiros. Esperamos que o Brasil possa, num futuro breve, ser citado como um bom exemplo para os demais países, signatários ou não, da referida convenção.

Portanto, problemas reais de água na Amazônia existem, sim, embora não despertem tanta atenção. Como, por exemplo, o fato de que na área mais rica de água doce do planeta cerca de 40% da população ainda não tem acesso a água tratada, o índice mais baixo no País, cuja média é de cerca de 10%. Esse é, sem dúvida, um fato incômodo e real, que deveria ser objeto de nossa preocupação.

FONTE: O Estado de S. Paulo – 10/07/2010

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