O retorno dos blimps

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    A Royal Navy anunciou o interesse no uso de Blimps (ou Airship) para vigilância e reabastecimento dos seus novos porta-aviões. O modelo de vigilância estudado é o Long Endurance Multi-Intelligence Vehicle (LEMV) da Northrop-Grummam. O US Army comprou três LEMV em 2010 por US$ 315 milhões para realizar missões de vigilância no Afeganistão. O LEMV tem autonomia de 3 semanas, gasta 4,5 galões de combustível por hora, tem 90 metros de comprimento, capacidade de carga de 1,1 toneladas e pode ser controlado por uma estação em terra, operar de forma autônoma ou ser pilotado.

    Os modelos Hybrid Air Vehicles (HAV) da Northrop-Grummam estão sendo estudados para as missões de carga. A versão HAV-366 (imagem abaixo) tem capacidade de carga de 50 toneladas sendo mais que o dobro do C-130. Tem autonomia de vários dias a uma velocidade de 80 nós. Pode ser usado para apoiar missões antipirataria levando 150 tropas e suas embarcações em incursões contra alvos em terra.

    Estudos americanos

    Os blimp são considerados bem mais baratos de operar que as aeronaves de asa fixa ou rotativa o que renovou o interesse neste tipo de plataforma. Já foram extensivamente usados no passado em operações militares, mas caíram em desuso. A US Navy operou 168 blimps durante a Segunda Guerra Mundial para patrulha costeira anti-submarina. Na década de 1950 foram usado para vigilância radar contra ataque de mísseis balísticos operando até 1962.

    Na década de 1980 o blimp Airship 500 foi testado pela Guarda Costeira Americana, França e Reino Unido para patrulha marítima. O estudo PACE (Patrol Airship Concept Evaluation) realizado em 1983 pela Guarda Costeira Americana mostrou a vantagem dos Blimp comparados com as aeronaves. Queriam uma aeronave para seis tripulantes com autonomia de 48 horas. O programa foi cancelado em favor de um projeto de blimp de vigilância da US Navy. A imagem abaixo é dos testes da marinha francesa com o Airship 500 lançando um bote no mar.

    Em 1982 o Reino Unido pensou em usar os blimps para alerta aéreo antecipado depois dos combates contra os argentinos nas Malvinas. A Royal Navy acabou usando os helicópteros Sea King na missão.

    A US Navy reiniciou os estudos sobre o uso de blimps para uso militar a partir de 1974. Após estudos de 1985, a NASP (US Navy Airship Program) concluiu que os blimps eram a forma mais barata para manter a capacidade de alerta aéreo antecipado contínuo. Passaram a estudar o uso dos Blimps como plataforma de vigilância contra ataques de mísseis anti-navio contra Grupos Tarefas sem porta-aviões. Em 1986 foi lançado uma concorrência para desenvolver a aeronave. Foram enviados propostas da Goodyear/Loral com o WPG-3W e da Airship/Westinhouse com o Sentinel 5000. O Sentinel 5000 foi escolhido em um contrato de US$ 170 milhões em 1987. A imagem abaixo é um conceito de um blimp de alerta aéreo antecipado baseado no Sentinel 5000.

    A Westinghouse desenvolveria o radar e a Airship a aeronave baseada no modelo Sentinel 1000 porém bem maior. O Sentinel 5000 levaria 15 tripulantes com autonomia de 30 dias. Seria reabastecido de três em três dias pelo Grupo Tarefa que acompanharia. Operaria em uma altitude de 1.500 metros, mas podendo chegar a 3.000 metros. Usaria dois motores para cruzeiro e um para velocidade. O projeto foi cancelado no meio de 1990 por falta de fundos. Esperavam comprar até 40 Sentinel 5000 por US$ 2 bilhões para um futuro requerimento de uma plataforma de alerta antecipado independente para apoiar grupos tarefas.

    Depois do inicio do projeto do Sentinel 5000 foi logo pensado em outras variantes. Na fase de conceito foi estudado armar o Sentinel 5000 com um “airborne Patriot” ou uma bateria de 16 mísseis AMRAAM. A USAF estudou seu uso para complementar as aeronaves AWACS na missão de detectar mísseis cruise em picket radar na costa dos EUA. Uma versão anti-minas foi considerada para substituir os helicópteros na missão a a principal vantagem sendo o tempo de deslocamento até a aérea de operação sendo bem menor. Uma versão anti-submarina levaria um sonar fazendo a missão que fazia durante a Segunda Guerra Mundial, e com um sonar bem maior e mais capaz que os levados pelos helicópteros.

    Blimps na MB

    Os blimps poderiam ser interessantes para a MB para realizar uma grande variedade de missões. Como plataforma de alerta aéreo antecipada poderia ser um complemento aos S-2 Traker que estão sendo modificados para a missão. Poderiam apoiar Grupos Tarefas sem a necessidade de um porta-aviões. Idealmente seria uma versão não tripulada voando a grande altitude.

    Um blimp de carga poderia fazer o papel dos C-1 Trader de carga apoiando as operações da esquadra. Poderia levar cargas urgentes, pessoal ou fazer evacuação médica. Um modelo de grande capacidade como o HAV366 poderia apoiar as operações dos fuzileiros, principalmente as missões de paz com um tempo de reação bem menor que os navios.

    Uma das missões mais atualmente é a proteção do pré sal. Um blimp poderia atuar como plataforma de sensores e armas protegendo o local, incluindo missões anti-submarina.

    5 COMMENTS

    1. Sem dúvida os benefícios advindos da utilização dos blimps na AEW contínua seriam imensos tendo em vista os custos de se manter E2 no ar, sem falar que tal benefício se estenderia aos LHD/LHA operando com os F-35B, transformando-os em verdadeiros SCS (Sea Control Ship).

    2. Mas e as fraquesas ?
      Pelo tamanho e formato, um blimp não seria facilmente detectável a dezenas de quilômetros ?
      E quando detectado, não seria de facil destruição, por causa da menor capacidade de manobras evasivas ?

    3. Alfredo,
      Eu penso que não.
      Primeiro, ele é muito difícil de ser detectado (baixa assinatura radar e térmica) apesar do grande tamanho por ser feito de material composto e usar motores a hélice/ducted fan, e ainda haver a opção de usarem técnicas furtivas.
      Se hoje até os porta-aviões feitos de aço podem ter seu RCS reduzido, imagine um dirigível em que 80% dele é hélio e materiais compostos.
      Quanto a ser facilmente destruído por ter capacidade de manobra reduzida, também não acho que seja relevante já que por mais lento que seja é pelo menos 3 x mais rápido que um navio, e ninguém acha que navios sejam alvos vulneráveis.
      Na sua defesa ele se valeria de “contra-medidas” além de defesa ativas na forma de canhões, mísseis antimísseis e até de DEW (laser???)
      Na verdade, a operação de um dirigível é muito mais parecida com a de um navio do que com a de uma aeronave.
      Por último, ele no caso de ser usado como um AEW ficaria tão vulnerável quanto um E2C, que não passa de um avião de transporte com um calombo nas costas, mas cuja vulnerabilidade nunca foi vista como algo digno de nota por operar bem dentro da cobertura dos caças e fora de alcance do inimigo.

    4. Bosco
      Sem falar que os AirShips têm “bêxigas” de He separadas. E é mais fácil abater um E2C que um ” Zéppelado”……!!!
      E bem armado ficaria um alvo “caro” .

    5. Como citou o bosco, um blimp seria uma peça do grupo tarefa boiando mais alto, mas seria o alvo principal.
      Já explodiram um míssil dentro de um balão de helio e os danos foram leves. dava para pousar em segurança.
      Uma aeronave lenta como um blimp pode facilmente receber formas furtivas.
      No caso de um AEW não tripulado voando bem alto, um caça terá que entrar no alcance dos navios escoltas abaixo, caso tenham mísseis de longo alcance. Voando alto um caça entra no alcance dos radares dos navios a mais de 250 km e fica vulnerável o tempo todo aos mísseis de longo alcance.
      Atacar baixo não adiante pois é para isso que serve o blimp AEW. Na subida vai ter que escolher atacar o blimp ou se defender.
      Se for furtivo vai ter que se aproximar mais ainda, mas o se o caça for furtivo também irá anular a capacidade furtiva do blimp.

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