Um submarino de propulsão nuclear russo navegou, sem ser detectado, pela região do Golfo do México durante semanas. A incursão só foi percebida depois que a embarcação deixou as águas de importância estratégica para os Estados Unidos.

Citando fontes anônimas, o jornal Washington Free Beacon declarou que essa foi a segunda passagem de um submarino russo tão perto do litoral americano desde 2009. “A incursão secreta no Golfo ocorreu na mesma época em que bombardeiros estratégicos russos sobrevoaram áreas restritas do espaço aéreo estadunidense, na região do Alasca e da Califórnia, entre junho e julho. Essas manobras evidenciam uma assertividade militar crescente por parte de Moscou”, declarou o jornal em seu site.

De acordo com o Beacon, oficiais americanos disseram que as patrulhas russas acabaram expondo a deficiência dos Estados Unidos no que se refere à guerra anti-submarinos. Algumas dessas forças responsáveis pela detecção e combate a esses alvos correm risco de sofrer cortes previstos no plano do governo Obama para reduzir em cerca de 500 bilhões de dólares do orçamento do Pentágono ao longo dos próximos 10 anos.

Ainda segundo informações do jornal, a Marinha de Guerra é responsável por detectar e rastrear submarinos estrangeiros. O serviço utiliza sensores submersos e satélites para localizar e seguir as embarcações.

A reportagem afirma que o submarino russo era da classe Akula, uma embarcação de propulsão nuclear de ataque, inicialmente desenvolvida pela antiga União Soviética nos anos 1980 para se contrapor aos modelos da classe Los Angeles da Marinha Americana.

Segundo informações do site WeaponSystems.net “A classe Akula é sucessora da Victor III e continua sendo o submarino de ataque mais capacitado da Marinha Russa, até que a nova classe Yasen entre em serviço”. De acordo com o Beacon, um oficial americano declarou que o submarino russo operou próximo à costa dos Estados Unidos durante um mês.

“O Akula foi construído com apenas uma finalidade: destruir submarinos americanos armados com mísses balísticos, e suas tripulações”, um oficial estadunidense teria dito ao Beacon. “É uma embarcação muito discreta, então é capaz de transitar escondida, evitar a detecção e, quem sabe, passar por qualquer escudo de proteção na área”.

“Enviar um submarino de propulsão nuclear para a região do Golfo do México e do Caribe é mais uma manifestação do presidente Putin mostrando que a Rússia ainda é um ator no cenário político-militar mundial”, explicou o analista naval e especialista em guerra com submarinos, Norman Polmar. “Assim como o envio recente de uma força-tarefa liderada por um crusador de propulsão nuclear na área do Caribe, a Marinha russa dá a Putin a oportunidade de ‘exibir sua bandeira’ como não seria possível com as forças aéreas e terrestres”, acrescentou Polmar.

Oficiais da Marinha não comentaram o episódio, segundo o Washington Beacon.

FONTE: Newsroom America

Jornalista formada pela Universidade Federal do Paraná. Ganhou o Prêmio Sangue Novo do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná com uma monografia sobre o PROSUB. Feliz proprietária de um SSN classe Virginia.

13 Responses to “Submarino nuclear russo navega próximo à costa dos EUA durante semanas” Subscribe

  1. Alfredo Araujo 15 de agosto de 2012 at 17:11 #

    “as patrulhas russas acabaram expondo a deficiência dos Estados Unidos no que se refere à guerra anti-submarinos. Algumas dessas forças responsáveis pela detecção e combate a esses alvos correm risco de sofrer cortes previstos no plano do governo Obama”

    É o tipo de coisa q beneficia as FAA dos dois paises…

    A força submarina russa ganha prestígio, por (continuar) ser a forma mas eficaz de colocar em xeque a supremacia americana no mar, e as forças anti-sub americanas não sofrem os cortes q iriam sofrer…

    Se fosse combinado não seria tão benéfico para ambos !!

  2. joseboscojr 15 de agosto de 2012 at 19:06 #

    Em tempo de paz é muito difícil negar uma grande área submarina.
    Diferente do espaço aéreo, onde o radar cobre grandes áreas, teria que haver uma ameaça real para convergir os meios necessários (navios, submarinos, aeronaves, etc) para negar grandes áreas da costa.
    Os P-3 seriam os meios mais prováveis de detectarem um submarino abelhudo em tempo de paz, mas sem uma ameaça real, como lançar suas sonoboias?
    A detecção com MAD também exige que a aeronave saiba o que está procurando.
    A única possibilidade de prontidão seria o sistema de sonar no fundo do mar, mas não sei quais áreas cobre.
    Satélites têm pouca utilidade em detectar alvos fortuitos.
    Nem a USN e a USCG conseguem estar de prontidão 24 horas por dia, 365 dias por ano, atenta a tudo que ocorre na costa americana. Passa submarino nuclear russo, submarino cocaleiro, navio pesqueiro recheado de cubanos, etc.

  3. joseboscojr 15 de agosto de 2012 at 19:15 #

    E só pra complementar, ate´onde eu sei, o sistema SOSUS, de sonares no fundo do mar, não cobria a costa americana.
    Hoje há um sistema mais amplo (IUSS) que usa tanto sonares rebocadas por diversos navios, inclusive civis, até sistemas de sonar no fundo do mar, mas também não sei se cobre a totalidade da costa americana.

  4. Fabio ASC 15 de agosto de 2012 at 21:17 #

    Faiou meu post?!?!?!

    Vamos lá. Com os sonares e microfones submarinos (esqueci o nome técnico rsrsrs) eles já saberiam quando saiu de sua base e para onde foi.

    Deixaram chegar tão perto para evitar os cortes nesta área.

  5. pco-andrade 15 de agosto de 2012 at 23:50 #

    Até onde é interessante os russos acreditarem que os USA não detectou seu submarino.

    Foi vigiado a distância? A quem interessa divulgar fraquezas ou capacidades de um e de outro lado?

    Há que se considerar o jogo de informação e contra-informação.

  6. Fabio ASC 16 de agosto de 2012 at 0:12 #

    Hidrofones…

  7. Fabio ASC 16 de agosto de 2012 at 0:13 #

    Hidrofones…

  8. daltonl 16 de agosto de 2012 at 11:09 #

    Se realmente aconteceu novamente, ainda assim é muita fumaça e pouco fogo, pois os russos não podem manter uma presença sustentada, como se fazia nos “bons tempos” da União Sovietica.

    Dos 3 Akulas II, os mais avançados, um encontra-se “alugado” para a India que segundo consta ajudou financeiramente no témino deste.

    Outros 6 ou 7 Akulas e 6 SSNs de classes anteriores montam um total de cerca de 15 SSNs e descontados os que se encontram em manutenção, no Pacifico ou atracados em suas bases por falta de fundos, denota uma clara falta de SSNs no mar.

    Para piorar ainda mais as coisas uma nova classe de SSNs está passando por mais atrasos e recentemente descobriu-se que o primeiro da classe, esta apresentando niveis de ruido maiores que o esperado e problemas no reator.

    Eventualmente estes problemas serão superados, mas, não muitos destes submarinos poderão ser adquiridos de qualquer forma.

    Os EUA não veem mais a Russia como seu principal adversário não importa o que alguns politicos americanos irresponsaveis digam e mudaram de acordo para lidar com a China, Coreia do Norte e o Irã.

    Os russos, ainda parecem estar dominados pelo saudosismo da guerra fria e “aparecer” de vez em quando na costa leste dos EUA deve ser bom para efeitos de propaganda.

  9. Blind Man's Bluff 16 de agosto de 2012 at 15:53 #

    Amigos não se iludam. Essa reportagem é apenas Lobby, pegadinha pra impulsionar o contribuinte ignorante a ir contra os cortes vitais do orçamento americano.

    A mais de 50 anos que os submarinos russos frequentam a costa americana. E vice e versa!

    O famoso SOSUS, nada mais é que uma quantidade imensa de sonares, alinhados ao longo do fundo do oceano, de modo a captarem ondas de baixissima frequencia, provenientes de emissores a centenas as vezes milhares de kilometros de distancia. Porém ao contrario do que a maioria pensa, não são capazes de escutar qualquer submarino, muito menos os mais modernos. Foi criado para rastrear os primeiros boomers sovieticos ainda movidos a diesel, enquanto esses recarregavam suas baterias e faziam muito barulho.

  10. daltonl 16 de agosto de 2012 at 16:40 #

    O SOSUS não era infalivel, mas se o livro do Polmar “Cold war submarines” merece crédito, há relatos de sua utilidade, inclusive cita a detecção de um “November” que aproximou-se do USS Enterprise e o mesmo sendo alertado, acelerou a mais de 30 nós e o “November” para desconcerto de todos conseguiu acompanhar, o que foi uma surpresa pois pensava-se que a velocidade máxima seria de no máximo 25 nós.

    O SOSUS conseguia mesmo traçar os próprios “barulhentos” submarinos americanos e os sovieticos tinham sua propria versão, menos sofisticada.

    Até o momento a US Navy está negando o ocorrido, então, talvez nunca saibamos com certeza o que de fato ocorreu ou não ocorreu, mas a presença de um solitário SSN russo não será o que fará os cortes serem mais brandos.

  11. Fabio ASC 16 de agosto de 2012 at 19:04 #

    Sonho em ver um exercício envolvendo estas duas fantástics forças submarinas atuando juntas.

  12. vilarnovo 17 de agosto de 2012 at 17:01 #

    Reza a lenda que o SOSUS conseguia identificar os Bears devido ao enorme barulho das hélices contrarotativas.

  13. JOÃO 9 de janeiro de 2013 at 20:47 #

    OS AMERICANOS SÃO FRACOS DEMAIS, OS RUSSOS SÃO UMA GRANDE POTENCIA MUNDIAL. O BRASIL DEVERIA COMPRAR ARMAMENTO RUSSO E NÃO FRANÇES…………… PARA DEFENDER NOSSO TERRITÓRIO

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