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A Rússia planeja garantir presença permanente no mar Mediterrâneo por meio de uma força-tarefa a ser implantada na região até 2015. Segundo informa o Estado-Maior, o esquadrão será formado por navios das frotas do mar Negro, mar do Norte e mar Báltico.

O novo grupo está sendo criado à imagem do Quinto esquadrão operacional da Marinha da URSS, que a Guerra Fria, era esse grupo que se ocupou de missões de combate na área do mar Mediterrâneo. Naquela época, o principal inimigo do esquadrão era a Sexta frota operacional da Marinha dos EUA. No entanto, um ano depois do colapso da União Soviética, em 1992, o Quinto esquadrão foi dissolvido.

Porém, com o tempo a medida se revelou inadequada. A região do Mediterrâneo continua centro de conflito de interesses dos principais poderes mundiais, além de palco da Primavera Árabe, e da prolongada guerra civil na Síria. O chefe do Ministério da Defesa russo, durante sua visita à Frota do mar Negro em 20 de fevereiro, declarou que na área do Mediterrâneo estão concentradas as ameaças mais significativas para os interesses nacionais da Rússia.
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A tarefa, obviamente, é séria. Há que se criar um sistema de sustentação material e técnica do esquadrão. E hoje em dia, a única base, e também a única instalação naval militar russa no exterior, é o porto sírio de Tartus. Além disso, é necessário, em dois ou três anos, atualizar os navios da Frota do mar Negro, aponta o assessor do chefe do Estado-Maior russo, ex-comandante da Frota, almirante Igor Kasatonov: “naturalmente, são necessários grandes gastos, novos navios. O fato de que é geopoliticamente necessário ter um grupo assim é bom, isso é desejável. Mas o governo precisa se esforçar para criar um grupo desse tipo, tendo como modelo o Quinto Esquadrão”.

O governo russo vem prestando atenção ao problema da atualização da Frota do mar Negro já há anos. Agora estão sendo construídos três submarinos diesel-elétricos e três fragatas. O teatro de ação foi minuciosamente estudados ainda nos tempos soviéticos. Quanto aos objetivos da criação de uma força-tarefa, eles são muito claros, diz o editor-chefe da revista Export Vooruzheny (Exportação de Armas) Andrei Frolov: “eu acho que, primeiro de tudo, é uma demonstração da bandeira, assim como algumas ambições russas, internacionalmente. A demonstração de que, passados 20 anos, a Rússia chegou ao que tinha a União Soviética. E, finalmente, a capacidade de responder mais rapidamente a certas cituações. Muitas vezes acontece que para navios pode levar 4-5 dias para saírem de Sevastopol e chegarem no lugar certo. E a situação pode se desenvolver muito mais rapidamente”.

Segundo especialistas, dois ou três anos e um prazo bastante real para resolver o problema da renovação da frota. O Estado-Maior informou que a interação dentro do futuro agrupamento mediterrânico já foi praticada durante exercícios recentes: manobras do esquadrão russo foram realizadas na região em janeiro.

FONTE: Voz da Rússia e Kyvi Post (tradução e adaptação do Poder Naval a partir de originais em português e inglês)

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Jornalista formada pela Universidade Federal do Paraná. Ganhou o Prêmio Sangue Novo do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná com uma monografia sobre o PROSUB. Feliz proprietária de um SSN classe Virginia.

Um comentário para “Rússia quer voltar ao Mar Mediterrâneo”

  1. Ivan 26 de fevereiro de 2013 at 17:15 #

    http://www.guiageo-europa.com/mapas/mapa/mediterraneo-mapa.gif

    O mapa, sempre o mapa.

    Se a Rússia perder o porto de Tartus na costa da Síria, hoje em guerra civil, ficará muito difícil para sua marinha projetar poder sobre o Mediterrâneo, até por que o estreito de o Estreito de Bósforo, Mar de Mármara e Estreito de Dardanelos que fecham o Mar Negro estão dentro do território da Turquia, país que se posiciona com protagonista cada vez mais forte naquela região do mundo.

    Este desenho é esclarecedor:
    http://arquivom.files.wordpress.com/2009/05/estreito_de_dardanelos1.jpg?w=480&h=360

    Se em determinado momento os interesses russos forem violentamente contrários aos interesses turcos este últimos simplesmente fecham a porta. Aí “quem tá dentro não sai e quem tá fora não entra”.

    Sds,
    Ivan, an oldinfantryman.

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