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US Navy envia USS ‘Fitzgerald’ ao litoral norte-coreano

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Cleared for public release by Lt.Cmdr. Terry Dudley, USS Kitty Hawk Public Affairs Officer

vinheta-clipping-navalAs tensões na Península Coreana sugerem que qualquer provocação ou exagero pode levar a um conflito de proporções inimagináveis. No fim da tarde de ontem, a Marinha dos Estados Unidos anunciou o envio do contratorpedeiro USS Fitzgerald — equipado com o sistema de mísseis Aegis — e uma estação de radar em banda X (SBX, pela sigla em inglês) para a costa da Coreia do Norte. A decisão se segue à mobilização de bombardeiros B-2 Spirit e de caças F-22 Raptor e à realização de testes militares conjuntos com a Coreia do Sul. O USS Fitzgerald participava dos exercícios e foi transferido para o sudoeste da Península Coreana, em vez de retornar à base de origem, no Japão. “O deslocamento (do navio) é uma iniciativa prudente, para oferecer mais opções de defesa antimísseis, se forem necessárias”, confidenciou uma autoridade norte-americana à agência France-Presse, sob condição de anonimato.

Ao mesmo tempo que as manobras militares aconteciam, a Casa Branca colocava em xeque a ameaça representada pelo ditador Kim Jong-un, que declarou guerra ao vizinho e prometeu “dissolver” o território norte-americano. “Apesar da dura retórica que estamos ouvindo de Pyongyang, não estamos vendo mudanças na posição militar norte-coreana, como mobilizações em larga escala e posicionamento de forças”, afirmou o porta-voz da Presidência dos Estados Unidos, Jay Carney. “Não vimos ação que apoie a retórica. (…) Deixo para os analistas avaliarem o significado desta desconexão entre a retórica e as ações”, acrescentou.

A presidente sul-coreana, Park Geun-hye, não parece disposta a esperar por sinais concretos. Ela aumentou ontem o tom beligerante e mandou um recado claro e direto aos vizinhos comunistas. “A razão da existência do Exército é proteger o país e o povo de ameaças. Se houver qualquer provocação contra a Coreia do Sul e contra seu povo, haverá uma resposta poderosa e imediata, sem quaisquer considerações políticas”, declarou. “Como comandante em chefe das forças armadas, eu confio no julgamento dos militares sobre provocações abruptas e de surpresa, por parte da Coreia do Norte. (…) Por favor, cumpram com sua missão de zelar pela segurança do povo, sem se distrair um minuto”, emendou a presidente, citada pela agência de notícias Yonhap.

“É preciso ter em mente que tanto Park quanto o norte-coreano, Kim Jong-un, são líderes novos e tentam estabelecer sua credibilidade, por meio da liderança militar. Na prática, a presidente da Coreia do Sul terá a palavra final sobre uma eventual retaliação”, afirmou ao Correio Steven Weber, professor de ciência política e de relações internacionais da Universidade da Califórnia-Berkeley. Ele alerta para o risco de os envios do radar e do destróier à costa norte-coreana serem interpretados como um convite à guerra. “As manobras defensivas de um país geralmente parecem ofensivas para o outro lado”, observa.

Diretor do Centro para Estudos Coreanos da Universidade de Columbia, em Nova York, o historiador Charles K. Armstrong adverte que uma resposta poderosa de Seul a uma provocação de Pyongyang, ou até mesmo um ataque preventivo, poderia escalar a tensão até uma guerra aberta. “Seria uma catástrofe para ambas as Coreias”, sustenta, em entrevista por e-mail. Ele também aposta que o regime de Kim Jong-un vai considerar a presença do radar naval norte-americano e do destróier como uma “ação provocativa” e mais um sinal da “política hostil” americana para com a Coreia do Norte. Um cenário que, segundo Armstrong, obrigará Pyongyang a intensificar ainda mais suas ameaças, levando os Estados Unidos a anunciarem novas ações militares. Um círculo vicioso perigoso e imprevisível.

Armas nucleares

Em sua edição de ontem, o jornal The Washington Post afirmou que autoridades norte-americanas e especialistas independentes concluíram que a Coreia do Norte deu passos incomuns para ocultar detalhes da arma nuclear testada em fevereiro. Duas análises da detonação de 12 de fevereiro confirmam que os efeitos da explosão foram excepcionalmente contidos, com poucos traços radioativos liberados na atmosfera. Um provável indicativo de mudança do projeto da bomba atômica, com o uso de urânio altamente enriquecido em seu núcleo.

Ponto de vista

Jogo perigoso e barganha

“Os norte-coreanos têm um histórico de provocar a Coreia do Sul, inclusive com ataques mortíferos contra alvos menores. A melhor forma de pensarmos sobre o panorama na Península Coreana é visualizarmos uma competição de tomada de riscos. Pyongyang tenta levantar o perigo de uma guerra, a fim de aumentar o seu poder de barganha. Trata-se de um jogo perigoso, que funcionou no passado. Os EUA farão tudo o que puderem para melhorar sua capacidade de defesa na região, enquanto tentam se abster de realizar manobras que possam ser consideradas agressivas e provocadoras, por parte da Coreia do Norte.”

Steven Weber – Professor de ciência política e relações internacionais da Universidade da Califórnia-Berkeley

Uma situação muito perigosa

“Eu não acho que a Coreia da Norte deliberadamente tentará provocar o Sul. No entanto, ela pode responder ao que vê como provocação — exercícios militares sul-coreanos no mar, por exemplo — com algum ataque em pequena escala. Isso é o que a Coreia do Norte fez em novembro de 2010, quando bombardeou uma ilha sul-coreana. Infelizmente, o que cada lado vê como dissuasão é visto pelo outro lado como provocação. Permanecemos em uma situação muito tensa e perigosa. A Coreia do Sul adotou, desde ontem, um novo nível de retórica. Em parte, é uma tentativa da presidente Park Geun-hye de mostrar que ela é uma líder forte e que se levantará contra as ameaças norte-coreanas.”

Charles K. Armstrong – Professor de história e diretor do Centro para Estudos Coreanos da Columbia University (em Nova York)

Um “espião” em alto-mar

A estação de radar em banda X pode rastrear e avaliar mísseis balísticos e está conectado a 10 sistemas interceptadores sediados em Fort Greely (Alasca) e na Base da Força Aérea Vandenberg (Califórnia). Com 73m de largura por 118m de comprimento (o tamanho de dois campos de futebol), e 85m de altura, o SBX detecta os mísseis balísticos no espaço, durante os 20 minutos nos quais esses artefatos permanecem fora da atmosfera da Terra. O radar transmite informações para uma central de operações, que calcula uma missão de interceptação e lança um novo míssil. O SBX consegue diferenciar as ogivas das chamadas iscas — ogivas falsas para confundir os sistemas de detecção. O custo estimado do projeto é de US$ 900 milhões.

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FONTE: Correio Braziliense via Resenha do Exército (adaptação do Poder Naval. Título original “Manobras de Guerra“)

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7 COMMENTS

  1. Acho impressionante esse nhém nhém nhém de “expecialistas” americanos tentando comparar a novíssima assunção do governo pelo tampinha norte-coreano com a da presidente da Coréia do Sul.

    O tampinha é um playboy que herdou o comando do tiranete seu pai, que jamais teve que ser político em toda a sua vida, até porque o país que herdou é uma ditadura comunista.

    Já a presidente sul-coreana é uma política profissional, com anos e anos de bagagem na arena política.

    No entanto os “expecialistas” julgam os dois com a mesma moeda, como se uma política experiente e democraticamente eleita, com anos de serviços prestados a seu país, país este com instituições democráticas firmes e sólida participação popular, fosse a mesma coisa de um ditadorzinho playboy, e tivesse algo a provar para o povo que a elegeu.

    É ridículo. É como comparar Winston Churchill com Adolf Hitler, que antes de ser chanceler havia sido… pintor de paredes!

    A presidente sul-coreana não tem que provar NADA a ninguém. Nem a seu povo, que a escolheu sabendo quem ela era, nem muito menos para os estrangeiros. Não tem que “consolidar território”, “marcar terreno” ou nada do gênero. Ela tem é que PROTEGER SEU POVO.

    No entanto a academia americana e de alhures vivem comparando os dois, como se fossem do mesmo barro, o que NÃO SÃO.

    Lamentável a cegueira da academia americana, ou ao menos da academia americana que a nossa patética imprensa politicamente-correta latrino-americana nos franqueia acesso (duvido que a “reacionária” academia republicana tenha a mesma opinião).

    Só posso concluir que parte da academia americana, esses “expecialistas” como os entrevistados, estejam se cag. de medo de os EUA acabarem sendo arrastados para uma nova guerra. Por medo de uma nova guerra acabar com de vez com o furibundo e hipócrita governo democrata e entregar de novo o país nas mãos da oposição republicana.

    Saudações.

  2. Regimes totalitários como o de Pyongyang costumam ver como uma fraqueza as consultas políticas dos regimes democráticos. Isto sem falar, é claro, de um possível preconceito machista por ser uma mulher no outro lado, esquecendo de líderes fortíssimas como Golda Meir, Indira Ganhdi e Margaret Tatcher (entre outras).

    No meu entendimento a Presidente sul-coreana, Park Geun-Hye, está deixando claro a posição da República da Coreia quanto a um ataque oportunista vindo do norte. Mais ainda, esta mensagem não é apenas para Pyongyang, mas também para Pequim (Běijīng).

    É uma escalada?
    Claro que sim ‘cara pálida’ Weber e Armstrong.
    ‘Maloqueiro’ fica gritando que vai atirar vc tem que, no mínimo,
    destravar suas armas e avisar quem estiver na linha de tiro.

    Sds.,
    Ivan.

  3. MiLord Vader,

    Importantíssimo separar o joio do trigo, como vc fez.

    Mas um falecido político americano, Adlai Stevenson, tinha uma crítica muito ácida contra a imprensa do seu país, quando afirmava sarcasticamente que:
    “A imprensa separa o joio do trigo. E publica o joio”.

    Exagerado sem dúvida.
    Mas as vezes parece que alguns editores e reporteres tentam confirmar as palavras espirituosas do democrata Adlai. Graças a Deus na imprensa livre sempre haverá aquele que publica o trigo.

    Abç.,
    Ivan.

  4. Só para informar:
    “A China reforçou a presença de militares na província de Jilin, que faz fronteira com a Coreia do Norte, com o envio de soldados, veículos blindados e aviões de combate, segundo divulgou nesta segunda-feira a agência de notícias russa RT. A Marinha chinesa também realizou um treinamento no mar Amarelo, que banha o leste da China e o oeste das Coreias.”

    http://noticias.terra.com.br/mundo/asia/china-aumenta-presenca-militar-na-fronteira-com-a-coreia-do-norte,e183d765828cd310VgnVCM5000009ccceb0aRCRD.html

    Do Rio Yalu não passa ninguém…

    Sds.

  5. Ivan disse:
    2 de abril de 2013 às 17:54

    Ivan, joio e trigo nada meu amigo.

    Isso se chama viés. É ideologia mal-disfarçada. Na melhor das hipóteses a cretinice politicamente correta que está destruindo a civilização ocidental, na medida em que relativiza todas as coisas. Pão deixa de ser pão. Prego deixa de ser prego. Inimigo deixa de ser inimigo.

    Guerra de quarta geração, pura e simples.

    E eu tenho um faro de milhas pra essas coisas…

    Abraço.

  6. MiLord Vader,

    Minha referência era entre Kim Jong-un (joio) e Park Geun-hye (trigo).

    Quanto a guerra de quarta geração… sei não.
    Isto sempre existiu, com diversos nomes.
    Em um país democrático faz parte da liberdade de expressão.

    Sds.

  7. Putz, o nível tá elevadissímo por aki… política e estratégia pura!!!!
    vou com uma mais fácil então… É impressão minha ou essa SBX tem propulsão própria?! então o troço é mais invocado do q aparenta!!!!

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