cristina-fernandez-kirchner-placa-malvinas-20120402-size-598

vinheta-clipping-naval“As coisas não ficarão assim por muito mais tempo!”. A frase foi pronunciada na última terça-feira, 2, pela presidente Cristina Kirchner em alusão ao controle britânico sobre as Malvinas, arquipélago do Atlântico Sul reivindicado desde 1833 pela Argentina. Cristina, durante as cerimônias realizadas nesta terça-feira, dia de comemoração do veterano da Guerra das Malvinas – e dos 31 anos do desembarque das tropas do ditador Leopoldo Fortunato Galtieri nas ilhas – exigiu que Londres sente à mesa de negociações para discutir a entrega do arquipélago à administração da Argentina, país que dominou esse território durante treze anos, entre 1820 e 1833.

“É uma incongruência”, sustentou Cristina, em referência aos 180 anos de posse britânica das ilhas, às quais denomina de “anacrônico encrave colonial” e de “lacraia que envergonha a Humanidade”.

Cristina fez um discurso cheio de acusações à Grã-Bretanha na cidade de Puerto Madryn, na província patagônia de Chubut. A presidente citou como verdadeiros rumores da época da Guerra das Malvinas (1982), sustentando que Londres havia “ameaçado” bombardear Rio Gallegos, onde morava na época com seu marido, Nestor Kirchner, onde ainda existe a base aérea de onde partiam aviões argentinos que combatiam sobre as ilhas.

A presidente argentina intensificou as reivindicações sobre as ilhas a partir de 2009, ano no qual companhias britânicas iniciaram a exploração de petróleo na plataforma marítima ao redor das Malvinas. No ano passado, quando comemoraram-se os 30 anos da guerra, ela aumentou as pressões internacionais nas esferas diplomáticas.

Há poucas semanas, um referendo realizado nas Malvinas indicou que os “kelpers” (denominação dos ilhéus) indicaram de forma quase unânime que pretendem continuar sob a administração de Londres. Em Buenos Aires, o governo argentino indicou que a votação era “ilegal”. Cristina exige que Londres sente à mesa das negociações, embora sem a presença dos kelpers, ignorados pelo governo argentino.

Acompanhada de grande parte de seu gabinete de ministros, governadores, lideranças parlamentares, além de representantes de organizações de veteranos de guerra alinhados com o governo, Cristina acusou Londres de “militarizar” o Atlântico Sul. Segundo ela, a Argentina, ao contrário da Grã-Bretanha, pretende lançar em breve um “navio científico” que navegará na região.

Neste ano a cerimônia coincide com o recente pedido feito pela presidente argentina ao papa Francisco (o cardeal argentino Jorge Bergoglio) para que o Vaticano ajude Buenos Aires a intermediar nas negociações que Cristina pretende estabelecer com o governo britânico de David Cameron.

A presidente destacou que seu governo pretende investigar o DNA dos restos mortais de 123 soldados argentinos que morreram nos combates nas ilhas e que nunca puderam ser identificados. “São soldados argentinos somente conhecidos por Deus”, disse a presidente, em referência aos soldados argentinos enterrados pelos britânicos no cemitério de Port Darwin.

Cristina Kirchner também acusou a Grã-Bretanha de insistir na posse das Malvinas “para esconder os problemas econômicos” que o governo Cameron enfrenta.

FONTE: O Estado de S. Paulo

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Jornalista formada pela Universidade Federal do Paraná. Ganhou o Prêmio Sangue Novo do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná com uma monografia sobre o PROSUB. Feliz proprietária de um SSN classe Virginia.

6 Responses to “Em aniversário da Guerra das Malvinas, Cristina pede negociação” Subscribe

  1. maxi47 3 de abril de 2013 at 16:51 #

    A senhora Presidenta Cristina Kirchner é de um incoerência quase hollywoodiana…será que os Hermanos sabem de algo que existaalgo($$$$$$$$) debaixo daquela ilha que só tem cabras,pinguins, e Kelpers que a Grã Bretanha ainda não sabe?

  2. eduardo.pereira1 3 de abril de 2013 at 18:30 #

    Ta chato essa mulher mendingando estas ilhas que nao conseguiu ou conseguira jamais sendo que até o povo la ja decidiu o que quer! !

  3. Roberto Bozzo 3 de abril de 2013 at 23:30 #

    Esta mulher é muito chata… em vez de ficar tagarelando asneiras por que ela não capacita suas forças armadas a ponto de obrigar a Inglaterra a sentar-se para discutir uma solução negociada ? O pior é ela encontrar eco nas besteiras em quase toda a AS…

  4. Vader 4 de abril de 2013 at 10:15 #

    Essa nega pode ser louca, mas não é chata nem tonta. Isso aí é método.

    Vai dobrar os ingleses e esses vão gentilmente retirar seus Typhoon, sua guranição, seus SSNs e mudar os Kelpers para Assunção ou alhures?

    Nunca. Quanto a isso, vae victis. A GB JAMAIS abrirá mão das Falklands.

    Mas fazendo isso ela passa a impressão para a plebe ignara argentina de que luta pelos “direitos” argentinos às ilhas, ao mesmo tempo em que desvia a atenção dos gigantescos problemas internos pelos quais passa o país.

    Enfim, isso é uma medida de política interna, não externa.

  5. aldoghisolfi 4 de abril de 2013 at 10:26 #

    É… é o equivalente nos dias de hoje à patriotada do Galtieri… pura manobra dispersiva, pois os Kelpers já firmaram posição e isso haverá de influenciar qualquer (impossível!) decisão negociada a favor da Argentina.

    O Vader falou bem: vae victis, desde os velhos e sempre lembrados mestres romanos.

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