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A MP dos Portos

vinheta-clipping-navalMesmo correndo o risco de ser derrotado no Congresso, o governo não aceitou as mudanças sugeridas pelo relator, senador Eduardo Braga (PMDB-AM), no texto original da Medida Provisória (MP) 595 que reformula o sistema portuário e cria condições para o aumento da concorrência e para a modernização dos serviços. Mais uma vez, o governo demonstra nessa questão coerência e determinação de mudar um quadro caracterizado por baixa eficiência e custos operacionais excessivos.

Desde seu anúncio, em dezembro, o governo tem defendido a essência da MP, que prevê, entre outras mudanças, a licitação dos terminais cujos contratos de arrendamento foram firmados antes de 1993 e estão vencidos ou prestes a vencer, além de maior liberdade para a contratação de mão de obra pelos novos operadores dos terminais.

Pressões de empresários de diferentes segmentos, sindicalistas, governos estaduais que operam portos próprios e políticos espertos cresceram na medida em que foram ficando mais claras as consequências das mudanças contidas na MP. Essas pressões levaram o senador Eduardo Braga, que é o líder do governo no Senado, a incorporar boa parte das sugestões ao seu relatório.

Diante da determinação do governo de não aceitar essas mudanças, o senador adiou a apresentação de seu relatório, inicialmente previsto para quarta-feira (10/4), e não fixou nova data para apresentá-lo. A MP tem vigência até 16 de maio e não pode mais ser reeditada. Para não perder a validade, até aquela data terá de ser aprovada pela comissão do Congresso encarregada de examiná-la, passar pelos plenários da Câmara e do Senado e ser sancionada pelo Executivo.

Das mudanças negociadas pelo relator com empresários, a que mais desagradou ao governo é a que prorroga por mais 10 anos o arrendamento dos terminais em portos públicos concedidos antes de 1993 (quanto entrou em vigor a Lei dos Portos), com a condição de os arrendatários realizarem investimentos em ampliação e modernização das instalações nos três primeiros anos do novo período contratual. Nas negociações, os empresários teriam se comprometido a investir R$ 10 bilhões. A MP original prevê simplesmente a licitação de mais de 50 terminais. Como compensação para os terminais arrendados depois de 1993, o relator pretendia estender também para esses contratos a possibilidade de renovação antecipada.

A terceira mudança refere-se aos chamados terminais-indústria. Eles seriam destinados a indústrias que têm carga própria suficiente para operá-los. Uma das inovações da MP é a possibilidade de criação de terminais privados sem exigência de carga própria do operador. Pela MP, a concessão seria feita por meio de chamada pública. O relator propõe a dispensa de chamada pública para os terminais que operem 100% de carga própria.

Além disso, governos estaduais que operam seus próprios portos, como o de Pernambuco, chefiado por Eduardo Campos (PSB), vinham resistindo a um ponto da MP que restringe sua autonomia para licitar áreas nos terminais estaduais.

Sindicalistas, de sua parte, vinham se opondo à redução do poder dos atuais Órgãos Gestores de Mão de Obra (Ogmos), por eles controlados, na escolha dos trabalhadores a serem contratados pelos novos operadores dos terminais. Chegaram a ameaçar uma greve nacional contra essa medida, mas, em negociações com o governo, aceitaram a mudança, pois conseguiram assegurar que os contratados estejam registrados num cadastro de trabalhadores, que incluirá também os vinculados aos Ogmos.

Mesmo assim, dirigentes sindicais, como o deputado Paulinho da Força (PDT-SP), continuam a ver nas discussões sobre a MP 595 uma oportunidade de tentar fortalecer seu prestígio pessoal. Estão falando em greve para protestar contra a ação da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), que estaria monitorando suas atividades no Porto de Suape, em Pernambuco, contra a MP 595.  “Ora, se fizerem greve sempre que um órgão do Estado cumprir sua missão, como fez e está fazendo a Abin nesse caso, não farão outra coisa na vida”.

Talvez seja isso que queiram.

FONTE: O Estado de S. Paulo via Resenha do Exército

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Jornalista formada pela Universidade Federal do Paraná. Ganhou o Prêmio Sangue Novo do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná com uma monografia sobre o PROSUB. Feliz proprietária de um SSN classe Virginia.

3 Responses to “A MP dos Portos” Subscribe

  1. Vader 13 de abril de 2013 at 11:00 #

    Essa MP dos portos, anunciada com toda a pompa e circunstância pelo governo, vai dar em NADA e os portos continuarão a ser o retrato do que o Brasil tem de mais atrasado. E as safras irão continuar a se perder nas estradas. E a indústria brasileira vai continuar a ter baixa competitividade em relação ao exterior.

    Entendam: o governo do PT (aliás, QUALQUER governo do PT, em qualquer nível) só se elege e se mantem no poder por conta das minorias influentes que ele, PT, apóia, e que lhe dão sustentação na sociedade e no Congresso. Isso porque a “defesa das minorias”, sincera ou falsa (na maioria das vezes falsa) é a bandeira essencial do pensamento petista.

    Nesse sentido o governo do PT é refém de seu próprio monstro, o tal de “presidencialismo de coalizão”. O governo só consegue passar no Congresso o que as “minorias influentes” que ele tanto apóia querem. Cada congressista ou grupo de congressistas da base aliada representa a sua “minoria influente” e o governo só age e, na verdade, só tem poder para agir, dentro do que estas minorias lhe pré-agendam. O PT e seu governo são reféns de sua própria essência, do que lhes faz – supostamente – diferentes de outros partidos/governos.

    Assim, o governo do PT não tem poder algum para atuar em nome da maioria, do que o país realmente precisa. Não consegue fazer passar coisa alguma que enfrente as tais minorias que lhe dão sustentação. E as minorias dos sindicatos de portuários, Força Sindical, governos estaduais da base aliada, “ogmas” e empresários do setor são REALMENTE poderosas e influentes.

    Para que o governo do PT conseguisse aprovar alguma coisa que vá contra estas minorias influentes apontadas, ele precisaria se expor. Dar a cara a tapa. A presidentA precisaria ir ao Congresso em pessoa, falar aos parlamentares. Reuniões teriam que ser feitas pelo governo para apresentar as necessidades do país, para explicar porque que a coisa tem que mudar; negociações com todas as partes precisariam ser promovidas. Na pior das hipóteses o governo precisaria ir para a televisão tentar engajar as massas á sua vontade, para que estas fizessem pressão no parlamento. Enfim, fazer política de verdade.

    Ora, o governo do PT fará isso? Não, claro que não.

    Primeiro porque o PT, como partido autoritário de esquerda que é, está acostumado a ver sua vontade aprovada sem negociação, seja isso através de “rolo compressor”, seja por meio da cooptação pura e simples dos “adversários”, através de cargos ou mesmo de dinheiro, como ficou bem demonstrado no Mensalão.

    Segundo porque, mesmo que quisesse negociar, a base “aliada” está tão acostumada com o toma-lá-dá-cá do “presidencialismo de coalizão” (que o PT herdou do PSDB, mas elevou ao píncaro de excelência capaz de unir à sua causa até mesmo elementos do naipe de Paulo Maluf e Delfin Neto), que simplesmente não iria dar ouvidos ao governo.

    Terceiro porque, ainda que superados os dois obstáculos anteriores, o governo atual do PT, mais ainda que o anterior, é COMPLETAMENTE INCOMPETENTE quando precisa inovar, e simplesmente não tem a menor ideia de como se faça uma verdadeira negociação política.

    Entendam: o governo da “gerente” foi eleito para dar continuidade à agenda petista de afirmação das minorias. Não foi eleito para inovar em nada, não foi eleito para promover mudanças grandes para a maioria da população brasileira, mas sim para manter o status atual e promover as agendas das minorias. É por isso por exemplo que as tentativas de reformas estruturais não vão pra frente. Esse governo é só um ocupante do cargo.

    Para se vencer a verdadeira “máfia” dos portos, o governo precisaria bater contra muita gente QUE LHE APÓIA, a começar pelo Eduardo Campos e pelo Paulinho da Força. Mas isso tem custos enormes do ponto de vista político. Isso dá trabalho. Para isso, é preciso competência política.

    E o governo do PT não tem nada disso. O PT e seu governo apenas sabem demonizar a pífia oposição e operar em favor das minorias influentes, enquanto se locupletam com as benesses do Estado.

    Essa MP dos portos é uma piada de mau gosto. Só serve para o governo falar pro agronegócio e pra indústria: “vc viu, vc viu, eu bem que tentei, “eles” é que não deixaram”. É só jogo pra torcida.

    Para modernizar os portos do Brasil seria preciso uma Margareth Thatcher, não uma Dilma Roussef.

  2. MO 18 de abril de 2013 at 11:41 #

    bom, traduzindo na pratica = la vem cagada …

  3. santiago 5 de maio de 2013 at 10:28 #

    O bom mesmo era no governo dos TUCANO – PSDB eim!!!!!!!!!, que privatizaram a VALE e por isso ficou, e ate hoje todo mundo acha bom, e os estado que eram governado pelo os TUCANO – PSDB, tambem aproveitaram o embalo e fizeram tanta privatizaçao, como é o caso aqui do Ceara, que privatizam o BEC, COELCE, TELECEARA e quase joga fora a CAGECE, ai ninguem lembra, mas o governo (do PT) tentando fazer algo diferente e mesmo assim ficar no poder, ainda assim nao presta. Santa paciencia meu povo! o Brasil nao é bom… Tudo bem! mas hora boa de reclamar é nas urnas.

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