O dia D para os portos

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vinheta-clipping-navalBRASÍLIA E SÃO PAULO A presidente Dilma Rousseff convocou ministros, empresários e políticos para se dedicarem totalmente, hoje e amanhã, à votação da Medida Provisória 595, que cria regras para as futuras concessões e autorizações de instalações portuárias. Nos bastidores, o exército de Dilma foi instruído a usar, como argumento para a aprovação da MP, o risco de o país perder R$ 35 bilhões em investimentos na modernização do sistema portuário, caso a matéria não passe no Congresso. Mesmo com todo empenho do governo, líderes aliados estavam céticos em relação à possibilidade de a MP ser votada na Câmara e no Senado antes de perder a validade, quinta-feira.

O total de investimentos previstos com a aprovação da MP é de R$ 54,2 bilhões. Segundo interlocutores de Dilma, se o governo for obrigado a usar o chamando plano B, ou seja, reformar o sistema por decreto e outros normativos, a avaliação é que a burocracia e a demora no processo de licitações desestimularão as empresas e o valor a ser investido cairá para R$ 19,2 bilhões. A ordem de Dilma, dizem fontes, é evitar comentar a possibilidade de um plano B nas negociações, para que o texto ao menos comece a ser discutido na noite de hoje.

- Vamos entrar com tudo. A briga é para ganhar – disse interlocutor do Palácio, acrescentando que a equipe do governo disparou vários telefonemas pedindo apoio para, entre outros, o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, e a presidente da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e senadora Kátia Abreu (PSD-TO).

FIESP ESPALHARÁ FAIXAS EM PROL DA MP

Aliada do Palácio do Planalto nesse processo, Kátia admite dificuldades para a aprovação da MP, cujo fim é a abertura dos portos ao capital privado. Para ela, o Brasil pode perder a oportunidade de uma modernização mais abrangente e profunda em seu sistema portuário – passo fundamental para o país melhorar o comércio internacional e se tornar uma potência econômica. Embora avalie que, com as mudanças feitas na Câmara, o melhor seria o governo resolver o problema por meio de decreto, ela considera fundamental a participação do setor privado nesse processo:

- É obrigação do governo continuar investindo em infraestrutura. Mas precisamos do (investimento) privado para complementar.

Após disparar e-mails aos deputados no fim de semana, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) veiculou propaganda ontem na TV, no horário nobre, e espalhará hoje no aeroporto de Brasília e perto do Congresso faixas -”O Brasil quer a MP dos Portos” – dirigidas aos parlamentares, pedindo a aprovação da MP dos Portos.

- Está claro o esforço do governo em melhorar a competitividade dos nossos portos. Não podemos retroceder. A modernização dos nossos terminais portuários passa pelas novas regras da MP 595 – disse o presidente da Fiesp, Paulo Skaf.

EXPORTADORES: PORTOS SÃO A ÚNICA ALTERNATIVA

Para o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, não pode haver um plano B, pois sem reforma portuária, o país enfrentará insegurança logística e jurídica. Segundo a AEB, 70% das exportações são de commodities e essa produção é enviada por via marítima. Incluindo os manufaturados, 95% das exportações são via portos.

- Ou seja, os portos não são uma alternativa, são a única opção – disse Castro.

Para deputados da base governista, a falta de articulação e diálogo do governo foi grande e o texto vai à apreciação com 28 destaques que tentam alterá-lo. Sem acordo, a votação pode se arrastar. Somam-se a isso o clima ruim provocado por denúncias do líder do PR, Anthony Garotinho (RJ), sobre “negócios” com a MP e a insatisfação da base.

O líder do PMDB, Eduardo Cunha (RJ) avisou que sua bancada estará em Brasília amanhã e que não votará 100% como Dilma está pedindo. Líder do PP, Arthur Lira (AL), também antevê dificuldades, por causa das emendas, falta de diálogo, acusações de Garotinho e ameaça de um decreto. O líder do PSD, Eduardo Sciarra (PR) diz que a bancada é a favor da MP, mas defenderá mudanças. Já líder do PT na Câmara, José Guimarães (CE), disse que ao menos 80 dos 89 deputados estarão presentes para votar hoje. E o líder do DEM, Ronaldo Caiado (GO) não vê chances de aprovar a MP antes que ela perca a vigência nesta quinta-feira.

FONTE: O Globo via Resenha do Exército

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Jornalista formada pela Universidade Federal do Paraná. Ganhou o Prêmio Sangue Novo do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná com uma monografia sobre o PROSUB. Feliz proprietária de um SSN classe Virginia.

4 Responses to “O dia D para os portos” Subscribe

  1. Corsario137 13 de maio de 2013 at 11:48 #

    Eu acho que passa. Se não, vai ficar difícil a governabilidade da presidenta.

  2. Vader 13 de maio de 2013 at 11:49 #

    Peço licença para repetir comentário que fiz exato um mês atrás:

    “Essa MP dos portos, anunciada com toda a pompa e circunstância pelo governo, vai dar em NADA e os portos continuarão a ser o retrato do que o Brasil tem de mais atrasado. E as safras irão continuar a se perder nas estradas. E a indústria brasileira vai continuar a ter baixa competitividade em relação ao exterior.

    Entendam: o governo do PT (aliás, QUALQUER governo do PT, em qualquer nível) só se elege e se mantem no poder por conta das minorias influentes que ele, PT, apóia, e que lhe dão sustentação na sociedade e no Congresso. Isso porque a “defesa das minorias”, sincera ou falsa (na maioria das vezes falsa) é a bandeira essencial do pensamento petista.

    Nesse sentido o governo do PT é refém de seu próprio monstro, o tal de “presidencialismo de coalizão”. O governo só consegue passar no Congresso o que as “minorias influentes” que ele tanto apóia querem. Cada congressista ou grupo de congressistas da base aliada representa a sua “minoria influente” e o governo só age e, na verdade, só tem poder para agir, dentro do que estas minorias lhe pré-agendam. O PT e seu governo são reféns de sua própria essência, do que lhes faz – supostamente – diferentes de outros partidos/governos.

    Assim, o governo do PT não tem poder algum para atuar em nome da maioria, do que o país realmente precisa. Não consegue fazer passar coisa alguma que enfrente as tais minorias que lhe dão sustentação. E as minorias dos sindicatos de portuários, Força Sindical, governos estaduais da base aliada, “ogmas” e empresários do setor são REALMENTE poderosas e influentes.

    Para que o governo do PT conseguisse aprovar alguma coisa que vá contra estas minorias influentes apontadas, ele precisaria se expor. Dar a cara a tapa. A presidentA precisaria ir ao Congresso em pessoa, falar aos parlamentares. Reuniões teriam que ser feitas pelo governo para apresentar as necessidades do país, para explicar porque que a coisa tem que mudar; negociações com todas as partes precisariam ser promovidas. Na pior das hipóteses o governo precisaria ir para a televisão tentar engajar as massas á sua vontade, para que estas fizessem pressão no parlamento. Enfim, fazer política de verdade.

    Ora, o governo do PT fará isso? Não, claro que não.

    Primeiro porque o PT, como partido autoritário de esquerda que é, está acostumado a ver sua vontade aprovada sem negociação, seja isso através de “rolo compressor”, seja por meio da cooptação pura e simples dos “adversários”, através de cargos ou mesmo de dinheiro, como ficou bem demonstrado no Mensalão.

    Segundo porque, mesmo que quisesse negociar, a base “aliada” está tão acostumada com o toma-lá-dá-cá do “presidencialismo de coalizão” (que o PT herdou do PSDB, mas elevou ao píncaro de excelência capaz de unir à sua causa até mesmo elementos do naipe de Paulo Maluf e Delfin Neto), que simplesmente não iria dar ouvidos ao governo.

    Terceiro porque, ainda que superados os dois obstáculos anteriores, o governo atual do PT, mais ainda que o anterior, é COMPLETAMENTE INCOMPETENTE quando precisa inovar, e simplesmente não tem a menor ideia de como se faça uma verdadeira negociação política.

    Entendam: o governo da “gerente” foi eleito para dar continuidade à agenda petista de afirmação das minorias. Não foi eleito para inovar em nada, não foi eleito para promover mudanças grandes para a maioria da população brasileira, mas sim para manter o status atual e promover as agendas das minorias. É por isso por exemplo que as tentativas de reformas estruturais não vão pra frente. Esse governo é só um ocupante do cargo.

    Para se vencer a verdadeira “máfia” dos portos, o governo precisaria bater contra muita gente QUE LHE APÓIA, a começar pelo Eduardo Campos e pelo Paulinho da Força. Mas isso tem custos enormes do ponto de vista político. Isso dá trabalho. Para isso, é preciso competência política.

    E o governo do PT não tem nada disso. O PT e seu governo apenas sabem demonizar a pífia oposição e operar em favor das minorias influentes, enquanto se locupletam com as benesses do Estado.

    Essa MP dos portos é uma piada de mau gosto. Só serve para o governo falar pro agronegócio e pra indústria: “vc viu, vc viu, eu bem que tentei, “eles” é que não deixaram”. É só jogo pra torcida.

    Para modernizar os portos do Brasil seria preciso uma Margareth Thatcher, não uma Dilma Roussef.”

  3. Marcos 13 de maio de 2013 at 13:35 #

    A situação no país, como um todo, vai mal.
    De um lado são caminhões que não conseguem descarregar os grãos: filas e mais filas. E essas mesmo filas se fazem do outro lado, com navios aguardando para aportar e poder carregar. As companhias estão simplesmente mandando seus navios para outros países.

    Outro caos é no setor de energia elétrica. Nos EUA, o gás de Xisto já custa 20% do gás que chegas as indústrias brasileiras. Incluam ai um câmbio sobrevalorizado, um custo de mão de obra que se assemelha a dos franceses.

    Inflação do supermercado maior que 10%, crescimento nulo e corrupção generalizada.

    By by, Brasil!!!!

  4. Colombelli 13 de maio de 2013 at 16:14 #

    Vader:
    Irretocável a sua manifestação. Assino embaixo ipsis litteris. O PT governa na base das cotas, do bolsa miséria, do assistencialismo fajuto e da mídia. Criou seus próprios monstros e agora não sabe o que fazer. E ainda tem gente, entre eles, colocando a culpa na oposição (inexistente e fraca) ou na mídia ( com o bordão criado do “PIG”). Onde quer que haja um interesse de um aliado, nada será mexido. Ainda tentam por uma máscara de democracia nas suas ações, mas são mais autoritários que o governo militar, que eles tanto criticam, bastando ver a tentativa de controle da mídia que tramita no congresso patrocinada pelo PT e o loteamento do governo em troca de apoio, estado refens de un s partidos mequetrefes. A ruina do PT virá da sua propria praxis, cedo ou tarde, mesmo que muitos deles tentem se convencer do contrário. Governar exige o mesmo que um campo de batalha exige: coragem moral, e isso eles não tem.

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