USS Stark

No dia 17 de maio de 1987, a fragata USS Stark da Marinha dos EUA foi atingida por dois mísseis Exocet AM39 lançados por um jato Mirage F1 iraquiano, durante a guerra Irã-Iraque.

Os impactos dos mísseis provocaram a morte de 37 tripulantes, mas por sorte o navio não afundou, devido ao trabalho das equipes de controle de avarias e do mar calmo.

O incidente trouxe ao debate novamente a vulnerabilidade dos navios de superfície aos ataques com mísseis antinavio, a exemplo do que ocorreu com o destróier britânico HMS Sheffield durante a Guerra das Malvinas.

Uma série de erros possibilitaram que a USS Stark fosse atacada por um país amigo na ocasião, o Iraque.

Para o piloto iraquiano, a fragata americana parecia um petroleiro inimigo navegando dentro da zona de exclusão marítima imposta ao Irã. Baseado nas informações que obteve pelo radar e pelo sistema de navegação inercial da aeronave, o piloto iraquiano lançou seus mísseis a 11 milhas da USS Stark.

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Do lado americano, o jato iraquiano foi acompanhado todo o tempo pelo radar de um E-3 AWACS que estava operando na área e que passava informações para os navios americanos no local.

O Mirage F1 foi interrogado por rádio pela USS Stark nas frequências internacionais padrão, mas não obteve resposta, enquanto o avião se aproximava.

Para o comandante e oficiais da fragata americana, seu navio estava fora da zona de exclusão marítima e, portanto, não seria atacado por um avião aliado.

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Quando se percebeu que o avião iraquiano iluminou e travou seu radar na fragata, tentou-se em vão lançar chaff e colocar o sistema antimíssil Vulcan Phalanx no modo automático, mas já era tarde.

Às 18h10 a USS Stark foi atingida a bombordo no costado, na seção 100, à altura da segunda coberta, por um míssil que não detonou. Depois de 25 segundos um segundo míssil atingiu o navio no mesmo local, explodindo no alojamento da tripulação.

As avarias provocadas pelo ataque foram orçadas na época em 142 milhões de dólares.

O comandante Glenn Brindel e três oficiais da USS Stark foram afastados de suas funções após o incidente. O navio voltou a operar depois dos reparos e continou na ativa até 1999.

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NOTA DO PODER NAVAL: O incidente com a USS Stark colocou em discussão as regras de engajamento em áreas de tensão, onde as ordens superiores muitas vezes atam as mãos dos comandantes que precisam decidir o que fazer em questão de minutos ou segundos.

A fragata americana tinha todas as condições de se defender do avião iraquiano, mas devido às regras de engajamento o comandante hesitou em iluminar o jato iraquiano com seu radar de direção de tiro ou lançar um míssil antiaéreo.

Para os brasileiros a reflexão é importante porque desde novembro de 2011 mantemos fragatas em rodízio liderando a Força-Tarefa Marítima da Força Interina das Nações Unidas no Líbano, uma área de alto risco.

Lista de tripulantes que pereceram a bordo da USS Stark:

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Jornalista especializado em temas militares, editor-chefe da revista Forças de Defesa e da trilogia de sites Poder Naval, Poder Aéreo e Forças Terrestres. É também fotógrafo, designer gráfico e piloto virtual nas horas vagas. Perfil no Facebook: https://www.facebook.com/alexandregalante

29 Responses to “Há 26 anos, a fragata USS ‘Stark’ era atingida por dois mísseis Exocet durante patrulha no Golfo Pérsico” Subscribe

  1. Júlio Cezar 18 de maio de 2013 at 16:20 #

    Acredito que a experiência da “Stark” é bem conhecida da MB e os procedimentos seriam outros. Os cursos e treinamentos de GE sempre comentam os incidentes do HMS “Sheffield” e do USS “Starc”, hoje a estória seria outra.

  2. Ace 18 de maio de 2013 at 16:58 #

    E hoje são inimigos mortais, repetira tal façanha hoje o Irã ?

  3. Blind Mans Bluff 18 de maio de 2013 at 19:24 #

    Não sei se a historia seria outra. Os sistemas de hoje, mesmo o AEGIS, apesar de avançados e modernos, tem a mesma vulnerabilidade de sempre: o fator humano.

    Com tantos aviões civis, militares e trafego naval operando no golfo persico, e depois do tragico incidente do USS Vincennes na mesma região, ninguem opera em modo 100% automatico. Isso significa que, assim como em 1987, o fator humano ainda tem que decidir e apertar o botão vermelho na hora H. E mesmo em modo automatico, nem o AEGIS é garantia de sucesso quando operando em aguas litoraneas.

  4. Emerson 19 de maio de 2013 at 0:45 #

    Essa é uma das minhas preocupações, como foram instruídos os comandantes de nossas fragatas sobre possíveis atos hostis quando em missão naquele barril de pólvora. Caças israelenses voam livremente, podemos ser alvo até de ataques com barcos pequenos ou de mísseis vindo de terra. Afinal podemos ter boas relações com inúmeros países mas num conflito isso conta pouco e sobra pra todo mundo.

  5. joseboscojr 19 de maio de 2013 at 10:41 #

    O piloto iraquiano também era uma besta. Usar um Exocet para atacar o que parecia um petroleiro?
    No mínimo poderia ter checado visualmente apesar de já ser meio tarde ou então se não tivesse nenhuma outra arma usado os canhões.
    O “povo” daquela época não tava nem aí pra um desastre ecológico.

  6. Galante 19 de maio de 2013 at 11:31 #

    Bosco, essa guerra ficou conhecida como a guerra dos petroleiros. Muitos deles foram atacados com mísseis.

  7. MO 19 de maio de 2013 at 12:20 #

    bosco nestes combates o objetivo era este mesmo apareceu no radar disparava nao importa quem era, era minar o comercio de petroleo seu objetico principal, nos (a empresa) tivemos navios exocetados la (atendi o navio, mas a época nao haviamais marca nenhuma)

  8. Joker 19 de maio de 2013 at 12:23 #

    O pessoal do COC das Mk10 vivem com o fiofó na mão por lá, isso quando os Davi não resolvem testar propositalmente como está a resposta das Mk10. Não que eles apareçam de surpresa ou outra coisa, mas principalmente porque o tempo de reação é curtíssimo dentro das RoE vigentes…

  9. José Roberto dos S. Soares 19 de maio de 2013 at 16:08 #

    Isto comprova a eficiência operacional dos mísseis Exocet comprovado em combate, tal qual ocorreu durante a Guerra das Malvinas em 82, quando o mesmo atingiu o navio da RN.

  10. Daniel 19 de maio de 2013 at 18:20 #

    Será que as Greenhalg vão ter uma change de operar por lá?. Seria interessante vê las operando no Líbano.

  11. joseboscojr 19 de maio de 2013 at 18:36 #

    José Roberto,
    Sem querer dizer o contrário, mas a rigor mesmo só a Stark é que foi uma prova real da eficiência do Exocet tendo em vista que ele atingiu um mote de navios mercantes desarmados e em 82 estava à frente do seu tempo e a RN não tinha nenhuma defesa capaz de interceptar o míssil e só contava mesmo com as cotra-medidas (chaffs).
    Como disse não estou desmerecendo o míssil, mas só oferecendo uma outra leitura dos acontecimentos e principalmente o AM-39 considero ainda bem avançado haja vista que é o míssil anti-navio padrão do Rafale.

  12. ARMANDO JULIO 19 de maio de 2013 at 18:48 #

    PERGUNTO AOS ENTENDIDOS !!! COM QUE ARMA, QUE DEFESA AS FRAGATAS BRASILEIRAS VÃO SE DEFENDER DOS MISSEIS ANTI NAVIO ??? RESPONDO A QUESTÃO : COM NADA !!!! POIS NÃO TEM CANHÕES ANTI MÍSSIL !!!!AMORIM SINISTRO DA ” DEFESA “ACHA QUE TER ARMAS É BOBAGEM, SOMOS UM PAIS PACIFICO !!!!KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK O BRASIL É RIDÍCULO !!!!!

    NOTA DO EDITOR: SEJA EDUCADO, NÃO ESCREVA COMENTÁRIOS SOMENTE COM MAIÚSCULAS.

  13. joseboscojr 19 de maio de 2013 at 18:56 #

    Armando,
    Os canhões Trinity das corvetas e das fragatas e os mísseis Sea Wolf e Aspide das fragatas têm capacidade antimíssil sea-skimming subsônico.
    Também tem a defesa passiva, soft-kill, que faz uso em geral de lançadores de chaffs e flares.

  14. Flávio 19 de maio de 2013 at 19:17 #

    Interessante o fato do primeiro missli não ter explodido.

    No ataque ao HMS Sheffield na guerra das Malvinas/ Falklands discute-se tambem se a cabeça de guerra do missil explodiu ou se o incêndio foi causado pelo combustivel remanescente.

    A que será que se deve esse fato ? Falha de manutenção ? Na montagem ?

    sds.

  15. Flávio 19 de maio de 2013 at 19:25 #

    ARMANDO JULIO disse:
    19 de maio de 2013 às 18:48

    Como bem relatou o amigo Bosco , quanto aos sistemas de armas não estamos não estamos tão vulneraveis.

    A questão é se as regras de engajamento de hoje não deixam os comandantes de mãos atadas.

    sds.

  16. MO 19 de maio de 2013 at 20:46 #

    ao Aluminio, ele foi o vilão

  17. MO 19 de maio de 2013 at 20:51 #

    E entao, será que neste caso o que os Altes incleses lam,entaram, a falta de canhão embarcdo poderia ser um demerito grande nelas, os quais acertaram na Batch III e os romenicos na Batch II ?

  18. Bravoone 19 de maio de 2013 at 20:57 #

    Caro Flávio, o problema da nossa defesa antiaérea, é o seu alcance, que é muito limitado, o conjunto aspide 2000, trinity, chaffs e flares, pode até ser eficiente para defender a camada mais interna, mas está longe de ser o ideal, precisamos urgente de um míssil antiaéreo de maior capacidade, como o Aster 30 por exemplo.

  19. MO 19 de maio de 2013 at 21:03 #

    e claro … = tbm considerar nossa dotalção real destes equipamentos = considerar tbm ´possibilidade de termos “meio que de enfeite’ quantitativamente falando = misseis and munições …

  20. Bravoone 19 de maio de 2013 at 21:05 #

    Exato MO

  21. joseboscojr 19 de maio de 2013 at 21:21 #

    É MO!
    Uma coisa é termos os canhões certos e os mísseis certos, outra coisa é eles terem a munição certa (no caso do Trinity a 3P é mais adequada para a função antimíssil) ou haver mísseis nos paióis ou nos lançadores dentro de prazo de validade e uma tripulação capaz de operá-los.

    Como o Bravoone disse carecemos de uma defesa de área, mas que em última análise só serve mesmo para evitar que o GT seja alvo de uma grande variedade de armas, complicando as opções de um atacante.
    Por exemplo, um GT defendido por um navio de defesa aérea só será atacado por mísseis OTH (alcance além do horizonte), e isso limita as opções do inimigo.
    Acaba que cada navio vai depender de seu próprio armamento de defesa de ponto/antimíssil para se safar.

  22. Bravoone 19 de maio de 2013 at 22:20 #

    Sim Bosco, correto!

  23. MO 19 de maio de 2013 at 22:47 #

    verdade Bosco, concordo com tudo, mas eh o tal negocio isso se deve levar muito a serio, pois um dia isso pode matar muita gente sem nem ‘saber de onde veio’ e aqui parece que a politica é ver pra crer o primeiro e depois chorar pelos outros pois nao havera solução eventual para o momento, pois nao terá do mesmo jeito …. ver relação sea wolf x dotação tipo 22 por exemplo, e tomara, tomara que eu esteja falando uma tremenda bobagem …

  24. Afonso Sousa 19 de maio de 2013 at 23:08 #

    Uma pergunta aos amigos, aquela manobra, que se não me engano esta num livro do Tom Clancy, da embarcação fazer uma curva de raio pequeno instantes antes do impacto do míssil, para oferecer uma seção mais elevada do costado, fazendo o míssil atingir um ponto mais distante da linha de flutuação, é uma manobra exequível, válida, ou só existe na ficção?
    Abraço

  25. joseboscojr 20 de maio de 2013 at 0:07 #

    Afonso,
    Pelo que eu sei num ataque de mísseis antinavios o navio tenta manobrar de modo a ficar de frente para o mesmo na tentativa de oferecer uma menor área e na esperança de que os despistadores (chaffs) funcionem.
    Claro que essa manobra não se aplica em todos os casos, como por exemplo no caso da Stark, já que a proa da fragata não era servida pelo Phalanx que ficava na popa e não seria correto dificultar a operação do canhão.
    Um abraço.

  26. Flávio 20 de maio de 2013 at 0:23 #

    OK ! Bravoone, Bosco e MO. Entendido e concordo.
    sds.

  27. X.O. 20 de maio de 2013 at 12:08 #

    Está em estudo o envio de uma FCG para UNIFIL…

  28. victormth 21 de maio de 2013 at 21:51 #

    Poxa, será que não daria nem um tempinho pro sistema CIWIS engajar e acertar os alvos. Pelo visto o caça iraquiano deve ter disparado bem em cima do navio.
    Alguém aí poderia me dizer quanto tempo demorou do lançamento até a colisão dos mísseis Exocet.
    Pra mim o Phalanx teria capacidade para agir rapidamente nestes casos, ou será que foi realmente demora de resposta humana. Bem, pra mim pelo menos poderia pegar o segundo míssil.

  29. joseboscojr 21 de maio de 2013 at 22:21 #

    Victormth,
    Levando em conta que os mísseis foram lançados a 11 mn (20 km) de distância eles levaram cerca de 70 segundos para atingir o navio.
    Tempo mais que suficiente para colocar em ação os sistemas defensivos, a menos é claro que o radar do navio não tenha detectado o lançamento, embora antes tenha detectado a mudança de atitude do radar do caça indicado um ataque iminente.
    O que não se sabe é qual o tempo de ativação do Phalanx. Duvido muito que seja instantâneo e pode ser até que leve vários minutos, se basearmos no tempo que um computador leva para abrir.
    Na minha opinião o Phalanx deve ter sido ativado, mas levou mais tempo para estar de prontidão que o dos eventos que culminaram com o impacto dos dois mísseis.
    Sem falar que mesmo após ativado ele ainda levaria algum tempo (vários segundos) para varrer com o radar de busca, adquirir um alvo com seu radar de direção de tiro, apontar o canhão e disparar.
    Vale lembrar que o Phalanx tem pouco mais de 1500 metros de alcance e teria que esperar até que o míssil estivesse a poucos segundos do impacto para poder disparar.
    Vale salientar que necessariamente o Phalanx teria que fazer explodir a ogiva do míssil, caso contrário há grandes possibilidades dele atingir o navio de qualquer forma.
    Mesmo com a detonação da ogiva o navio em geral é alvo de grande quantidade de fragmentos.
    Um abraço.

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