S-80

A Espanha está vivendo um escândalo em torno do novo submarino militar, no qual o Ministério da Defesa do país destinou cerca de 680 milhões de dólares.

Só agora ficou claro que por causa de uma falha no design (o submarino veio a superar em 68 toneladas o peso que havia sido previsto) o submarino poderá submergir, mas não emergir.

Então o Ministério enfrenta uma escolha difícil: encerrar o projeto e reconhecer a perda de um grande montante de dinheiro que equivale a um terço do orçamento militar do país, ou investir mais dinheiro para aumentar o comprimento do submarino no sentido de distribuir seu peso.

FONTE: Voz da Rússia

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Jornalista especializado em temas militares, editor-chefe da revista Forças de Defesa e da trilogia de sites Poder Naval, Poder Aéreo e Forças Terrestres. É também fotógrafo, designer gráfico e piloto virtual nas horas vagas. Perfil no Facebook: https://www.facebook.com/alexandregalante

57 Responses to “Novos submarinos espanhóis não conseguirão emergir” Subscribe

  1. Diegolatm 23 de maio de 2013 at 17:42 #

    Voz da Russia….Umm..(desconfiado) o projeto é da NAVANTIA?

  2. Augusto 23 de maio de 2013 at 17:47 #

    Não precisa desconfiar, a notícia é real e saiu em alguns periódicos espanhóis, como o El Mundo.

    É nessas horas que se vê que o know-how francês faz muita falta a Navantia.

  3. Vader 23 de maio de 2013 at 17:51 #

    Hmmmm, notícia esquisita… A Espanha faz embarcações de qualidade desde a Era das Grandes Navegações.

    Enfim, como a notícia é da Voz da Rússia…

  4. Marcelo 23 de maio de 2013 at 17:53 #

    o caso parece ser real…e sério, segue link do El País:
    http://politica.elpais.com/politica/2013/05/08/actualidad/1368033966_797022.html

  5. André 23 de maio de 2013 at 18:09 #

    Será mesmo verdadeira essa notícia??!!!

  6. edurval 23 de maio de 2013 at 18:13 #

    Senhores,

    A noticia e assustadora e de dificil credibilidade.

    O problema relatado não deveria ter sido de facil analise nas simulações e calculos dos projetistas?

    Uma situação como essa pode realmente ocorrer ?

  7. Marcos 23 de maio de 2013 at 19:04 #

    E aqui, sem nenhuma tradição, sem conhecimento técnico, sem nunca terem desenvolvido sequer um submarino convencional, querem projetar e construir um submarino nuclear!!!!

  8. Observador 23 de maio de 2013 at 19:05 #

    Glub, Glub, Glub…

    Os novos submarinos já tem até nome:

    Kamikase Class.

    Melhor que aprender com os próprios erros é aprender com o erro dos outros.

    O pessoal da MB já deve estar de olho para saber o que aconteceu.

  9. Blind Man's Bluff 23 de maio de 2013 at 19:14 #

    Mais que eu, quem deve estar rindo da desgraça hispanica é a DCNS!
    kkkkk

  10. Vader 23 de maio de 2013 at 19:17 #

    Marcos disse:
    23 de maio de 2013 às 19:04

    “E aqui, sem nenhuma tradição, sem conhecimento técnico, sem nunca terem desenvolvido sequer um submarino convencional, querem projetar e construir um submarino nuclear!!!!”

    Vai vendo a m. que pode dar… E aqui, não duvido nada que na hora H apareça algum gênio do PT e diga para mandar bala, no “vai que dá”…

  11. MO 23 de maio de 2013 at 19:24 #

    ou .. uma tremenda apolice de seguro ne .. ‘Vai que …”

  12. Marcos 23 de maio de 2013 at 19:37 #

    Bom… o Brasil já pode se juntar à Espanha e ao Canadá: o grupo dos três grandes enrolados.

  13. Corsario137 23 de maio de 2013 at 20:05 #

    Uma coisa é certa: Submarino é uma coisa complicada.
    Os americanos perderam uns 2 ou 3 nucleares ao longo da guerra fria, os russos o dobro disso talvez, os ingleses também apresentaram falhas, enfim, mesmo o avanço tecnológico recente e com os supercomputadores que simulam tudo, ainda assim é um desafio e tanto construir e operar um submarino.

    No mais, que M hein!!!

  14. Corsario137 23 de maio de 2013 at 20:08 #

    E pra não ser injusto, os franceses também.
    O primeiro reator não cabia dentro do submarino! Tiveram que reprojetar.

  15. Soyuz 23 de maio de 2013 at 20:17 #

    “Bom… o Brasil já pode se juntar à Espanha e ao Canadá: o grupo dos três grandes enrolados”

    Eu colocaria a Austrália também nesta lista.

    Se a culpa é dos Australianos que não construíram direito ou dos suecos que não projetaram direito isto é uma daquelas intermináveis discussões de “tirar da reta” onde normalmente quem perde é a verdade dos fatos.

    Os Suecos também já participaram de outro programa naval que não deu em nada, seu nome “Torpedo 2000″ rs

  16. Wagner 23 de maio de 2013 at 20:23 #

    Se fosse um caso desses na Rússia, certas pessoas estariam xingando até não poder mais, nossa, estariam lotando o blog de ofensas a Moscou.

    Dessa vez foi num país da Otan. E agora ?

    Agora aquilo que eu sempre disse, o de que a situação econômica afeta o desenvolvimento armamentista ( uma coisa óbvia mas negada por alguns radicais anti-russos carcomidos da Guerra Fria), é provado correto.

    A Espanha está em profunda crise econômica e social, claro que tudo vai começar a dar errado, incluindo submarinos.

    No caso até tinha dinheiro ainda, mas tambem, vai saber se nao andaram cancelando verbas de testes ou coisas assim ? Já faz uns anos que a Espanha está em colapso.

    Qualquer país do mundo ( e não só a Rússia dos anos 90) que estiver com problemas econômicos graves vai ter dificuldade na produção armamentista. INCLUINDO PAÍSES DA OTAN.

    Não tenho dúvidas que a crise espanhola afetou , indiretamente, a qualidade do projeto e de seus testes e previsões. A questão econômica sempre deve ser analisada.

    Pq tudo começa a dar para trás : O fornecedor não coopera, o outro abre falência, o outro muda o ramo econômico, o outro entra em crise e exige mais dinheiro além do original ( aliás casos assim foram frequentes na Rússia), o Eng. sênior vai embora para os States ou Alemanha projetar Video Games ou Porta estantes para DVDs proibidos para menores de 18 anos, o outro está estressado com a situação e brigou com a mulher e não projeta o troço direito, o outro só pensa no Green Card, etc. ( kkkkkkkkkkkkkkkkkk!!! :) )

    Claro, errar é humano, muitos projetos tem problemas , é natural.

    Mas a reportagem torna evidente a idéia de que a economia afeta tudo.

    E confirma que não, não é só na Rússia ou Índia que existem problemas… a OTAN tambem tem. Sei que isso parece ser um choque para alguns, mas, sim, é verdade…

    Mas tal como os Lada estão sendo corrigidos na Rússia, esses submarinos espanhois tambem serão corrigidos.

    :)

  17. Colombelli 23 de maio de 2013 at 21:27 #

    Wagner, isso ai não tem nada que ver com crise econômica. E uma falha de projeto bem anterior a atual “crise”. Se ja foram gastos mais de 600 milhões, isso vem de há muito e é um erro básico de projeto estrutural, ou seja, um erro inicial.

    Qualquer nação que se puser a projetar e constuir algo tecnologicamente avançado e complexo está sujeita a isso, sejam paises do antigo Pacto de Varsóvia, sejam da OTAN. Nenhum projeto desta natureza sai incólume a contratempos e falhas. A questão é se vale a pena pagar por isso arriscando na produção própria.

    O incidente conduz, portanto, a uma reflexão da utilidade de se projetar e construir do zero para apenas algumas poucas unidades correndo altos riscos e com alto gasto, ou comprar pronto e anexar o máximo transferência de tecnologias para manutenção, operaçãoe eventual desenvolvimento, propiciando um grau adequado de independência. Sem o devaneio do nuclear, que levou forçadamente ao Scorpene, o Brasil poderia ter investido na construção de mais alemães (equivalentes ao modelo frances em desempenho), coisa que ja sabia fazer e ja tinha feito, e que poderia estar agora a pleno vapor, com resultados para breve tempo. Prefiro 15 convencionais a curto prazo do que 3 nucleares daqui 25 anos, sobretudo se a missão for defensiva.

    E serve igualmente de lição para aqueles que, embarcando na fantasia do governo, acham que em 2025 estaremos com um sub nuclear em condições. Teremos quanto muito um protótipo que demorará anos até se transformar em uma arma efetiva, e isso se não houver contratempos como este da espanha.

  18. Marcos 23 de maio de 2013 at 23:10 #

    Colombelli:

    É por ai!!!

    Eu diria que com a decisão de adquirir os Scorpène, ficaremos no mesmo estágio que já nos encontramos: é como se fossemos fabricar um lote de F-5 com eletrônica nova. Só!

    Na medida que já há disponível no mercado submarinos com AIP, os Scorpène ficaram defasados. Aliás, são defasados em termos de alcance e de mergulho.

  19. Marcos 23 de maio de 2013 at 23:12 #

    Bom, depois de termos construído o primeiro navio torto do Mundo, só falta agora, diferente dos espanhóis, construirmos um submarino que não mergulha.

  20. Marcos 23 de maio de 2013 at 23:14 #

    Não adianta, se você quer algo bom, contrate alguém que saiba fazer.

    Para que eu vou andar de Citroen se posso andar de BMW.

  21. Corsario137 23 de maio de 2013 at 23:52 #

    Colombelli tirou as palavras da minha boca, ou melhor, o texto dos meus dedos.

    Acho que a crise espanhola em nada tem influência sobre o problema do submarino. EUA e URSS perderam seus “boats” no auge do gasto militar. Projetar e operar submarinos é algo complexo pacas mesmo, seja nuclear, seja diesel-elétrico-aip.

    Também concordo que é um devaneio esse submarino nuclear. Não condiz com as pretensões militares brasileiras. É uma assimetria.
    Um país que não tem uma aeronave de caça 4g que seja, nem escoltas no estado da arte, ou AA funcionando, ou-ou-ou… – é uma infinidade de carências na defesa – estar desenvolvendo e produzindo um submarino nuclear. Antes gastassem esse dinheiro na produção de mais Scopenes (já que decidiram por eles).

    Aqui é o país do 8 ou 8000!

  22. Colombelli 23 de maio de 2013 at 23:57 #

    Justamente, se continuassemos a produção dos modelos alemães de que ja dispunhamos experiência de operar e construir, poderiamos chegar a 2025 com, por exemplo 10 unidades, quem sabe 12, todas feitas aqui com preços na faixa de 400 a 600 milhões a unidade. Com os Scorpene não acrescemos nada em termos de capacidade e ainda teremos de nos adaptar aos novo meio. Com eles estamoa aprendendo a fazer algo que ja sabemos e fazemos. O único motivo declarado oficialmente para sua escolha foi o fornecimento do casco nuclear. Ora, uma linha nuclear operativa não virá antes de 2035, a altos custos e acrescendo pouco e nada militarmente em uma estratégia defensiva. E se vier, serão poucas unidades.

    Ai pergunta-se: se vc estivesse em um porta aviões a 300 km da costa brasileirae atacando o pais teria mais receio de ter a sua espreita, 03 nucleares ou 15 diesel/elétricos? Quantos em cada caso estariam realmente operacionais tendo em conta a necessidade de manutenção e descanso? E qual seria o peso da perda de uma unidade em cada caso? Não precisaria nem ser AIP, que pode ser meio caro, o comum mesmo ja cumpre a missão.

    Tudo se resume a custo benefício. Vale a pena produzir quando se tem grande demanda ou quando o que se produz por conta não é vendido, e somente quando o que se produz acresce algo efetivo ao que se pode comprar. Õ nuclear não esta nesta condição em dois dos itens.

  23. Galante 24 de maio de 2013 at 10:25 #

    Colombelli, submarinos convencionais não conseguem acompanhar uma FT inimiga com porta-aviões por causa da velocidade.

    Submarinos convencionais só conseguem atacar navios que passam por por sua área de patrulha, que é limitada.

    A tática de emprego de submarinos convencionais é atacar o inimigo em entrada e saída de portos e em rotas padrão.

    Não dá para comparar o desempenho de um submarino convencional com um nuclear, a distância entre os dois é astronômica.

    Observem nessa história como é difícil para um submarino convencional engajar forças de superfície:

    http://www.naval.com.br/blog/2012/07/04/vale-a-pena-ler-de-novo-o-afundamento-da-fragata-ins-khukri-na-guerra-indo-paquistanesa-de-1971/

  24. Blind Man's Bluff 24 de maio de 2013 at 10:39 #

    @Galante

    O preço também. É por isso que muitas nações, como a China por exemplo, prefere ter 30+ SSKs que 2 ou 3 SSNs.

    Estratégicamente então a diferença de performance não é assim tão astronomica, pois 30 SSKs de tocaia cobrem uma área muito maior do que 3 SSNs; além do mais, acima dos ~12 knots, a eficiencia do sonar ignora o tipo de propulsão do submarino e a partir daí, além de cego, o “jogador” vai se tornando também cada vez mais surdo.

  25. Galante 24 de maio de 2013 at 10:54 #

    @Blind, Verifique quantos SSN tem a China e a geografia no entorno, é bem diferente do nosso Atlântico Sul.

    Observe que EUA, UK e França abriram mão dos SSK justamente pela relação custo-benefício.

    Tem uma história ou lenda muito interessante de um almirante brasileiro que embarcou num submarino nuclear americano ao largo do estado da Bahia, durante uma operação UNITAS.

    Com nosso almirante a bordo, o submarino americano veio até o Rio de Janeiro navegando a mais de 30 nós de velocidade constante!

    Depois do desembarque do almirante brasileiro no Rio de Janeiro, o submarino nuclear passou a ser o sonho da Marinha do Brasil.

  26. Rogério 24 de maio de 2013 at 12:32 #

    Wagner disse:
    23 de maio de 2013 às 20:23

    “Se fosse um caso desses na Rússia, certas pessoas estariam xingando até não poder mais, nossa, estariam lotando o blog de ofensas a Moscou.”

    Pode crer que eu seria um, pois graças aos seus comentários eu peguei uma antipatia tão grande da Rússia.

  27. Blind Man's Bluff 24 de maio de 2013 at 12:50 #

    @Galante

    Não foi pela estratégia dominante de projeção de força e dissuação nuclear que as 3 potencias escolheram SSNs?

    Afinal, ninguem não pode operar SSBNs sem uma escolta do mesmo nível.

  28. Ivan 24 de maio de 2013 at 13:00 #

    Galante,

    Uma mapa simplificado do Atlantico Sul usado em uma apresentação sobre a Estratégia Nacional de Defesa:
    http://1.bp.blogspot.com/_cKWrx07TlwY/TIMQfeyOLEI/AAAAAAAAALE/qury2g6UXKg/s1600/oberg18.jpg

    Não há estreitos no entorno da costa brasileira, nem mesmo baias ou golfos que possam ser fechados. Os submarinos convenionais fariam defesa de ponto, possivelmente diante de bases importantes ou campos de petróleo específico. Defesa de área é com o outro, como vc destacou.

    Abç.,
    Ivan.

  29. Ivan 24 de maio de 2013 at 13:01 #

    Este outro mapa dá uma visão da costa brasilieira e áreas de interesse.
    http://geopoliticadopetroleo.files.wordpress.com/2010/07/zona-economica-exclusiva-zee-brasil.jpg

  30. Blind Man's Bluff 24 de maio de 2013 at 13:22 #

    Eu entendo o ponto de vista do nosso almirante depois que desembarcou do SSN. Porém estratégia na vistão de Daveluy é “fazer o máximo com limitados recursos, ou pelo menos garantir que os recursos forneçam o maior valor”. Interpretado por Peter Howard, essa frase significa que estratégia (para uma nação não dominante como a China e o Brasil) estrategia é fazer o maximo com limitados recursos e que estes se multipliquem dentro do calculo estrategico e de riscos do adversário.

    Levando esse pensamento para o Brasil, citarei uma frase de Paul H. B. Godwin sobre a China:
    “A mais efetiva capacidade ofensiva sendo adquirida pela PLAN é o submarino Kilo diesel-electric, adquirido da Russia, especialmente o type-636(…) Mesmo considerando as capacidades ASW encontradas em um CVBG americano, esse submarino representa uma ameaça real. Assumindo que a proxima geração de SSNs chineses, o type 093 (Shang) se beneficie de tecnologias russas, armamentos e assistencia de design, a ameaça submarina às operações americanas (na região) sobre a próxima decada (2020+) vão aumentar significativamente.”

    Veja como a primeira geração de SSNs chineses, os três Han foram simplismente ignorados pelo estrategista americano, assim como nossos primeiros SSNs também o serão. O valor desses SSNs no calculo de risco do adversário (o americano) foi nulo se comparado ao que foi gasto financeiramente pela China!

    Sem dúvida nenhuma que, quando comparamos o Atlantico Sul com os mares territoriais da China, para o Brasil seria melhor senão obvio, operar uma duzia de SSNs. Porém esse fato implica em nada mais que uma visão um tanto otimista, para não dizer utópica do crescimento economico e industrial do país ao longo das próximas decadas.

    Então eu volto na mesma questão do meu primeiro post, o papel do SSK e seu valor financeiro e estrategico comparado as capacidades de um SSN e ainda mais se levarmos em conta que nossa projeção de interesses para as proximas decadas, sendo otimista, não vao mais além do que a costa oeste africana.

  31. Marcos 24 de maio de 2013 at 13:59 #

    Galante:

    Não adianta ter um submarino nuclear se você não tiver outros meios para operar em conjunto. É ocaso de um blindado. De nada adianta mandar um blindado para combate se não houver uma infantaria que o acompanhe. Exemplo disso é o caso da Síria.

  32. Galante 24 de maio de 2013 at 22:15 #

    Marcos e Blind;

    Um submarino nuclear opera melhor apoiado por outros meios (satélites e aviões de patrulha), mas pode operar sozinho muito bem, pois é a arma “stealth” por excelência.

    Os SSNs são caçadores matadores, foram projetados para destruírem outros submarinos e unidades de superfície.

    Como bem apontou o Ivan, submarinos convencionais podem apenas defender setores limitados, não podem caçar ninguém.

    Para uma defesa efetiva em todo o Atlântico Sul, até a costa da África, nada melhor que o submarino nuclear, que é mais rápido inclusive que navios de superfície para chegar em qualquer ponto de interesse do Brasil em poucos dias.

  33. Colombelli 25 de maio de 2013 at 0:01 #

    Blind, foste uma precisão cirúrgica na apreciação da questão. Permito-me, ainda assim, apesar da propriedade com que abordaste a questão, tecer algumas considerações sobre os argumentos do Galante.

    É inegável que para uma defesa de todo o Atlântico Sul e oeste da África os SSN são mais indicados. Porém, pergunto: Por que temos de defender todo o Atlantico Sul? Que temos nós de ver com o oeste da África? Estas duas necessidade somente tem sentido em uma estratégia de projeção de força, a qual não condiz com aquilo que o Brasil oficialmente apregoa, ou seja uma postura eminentemente defensiva. Na perspectiva dela, nós temos de defender nossa costa, não todo o Atlântico Sul. De outra banda (expressão que costumam usar nas petições jurídicas), não é com cinco SSN que iremos assegurar proteção à nossa navegação em mares longinquos. Haveria necessidade de muito mais. Neste ultimo caso, ter poucos SSN equivale a ao so ter SSK.

    Os nucleares apresentam pelo menos quatro pontos de vantagem bem nítidos. Podem ser maiores, levar mais armas, tem mais autonomia, e velocidade.

    O fato de serem maiores e propiciarem maior conforto à tripulação faz a diferença em missões mais longas, próprias de ações de projeção de força. Em missões defensivas próximas à costa, típicas de uma estratégia defensiva, com missoes mais curtas, este requisito não é tão relevante, pois é contraposto pela facilidade de reabastecimento.

    O fato de um SSN poder levar até 30 ou 32 torpedos ou misseis de superfície em vista de 14 a 18 de um SSK também tem pouca relevância concreta, pois dificilmente um submarino irá disparar, por exemplo, 10 armas em uma única missão de patrulha, tanto mais quando é conveniente que dispare e fuja. Levando 14 ja esta louco de bom ( aqui no sul tem uma musica que diz assim, “tando mais ou menos esta loco de bom”. É o caso).

    Restam os dois requisitos em que efetivamente a diferença tem repercussão no desepenho de combate. Autonomia e velocidade.

    No que diz respeito à autonomia ilimitada (ou limitada pela condições da tripulação) que o SSN tem, ela é importante em missões de longa duração, longe das bases, como ad exemplum, a campanha britânica nas Falklands. Missões, portanto, tipicamente ofensivas de projeção de força. Em uma estratégia defensiva, de quem não profliga uma postura expansionista, onde as missões serão efetuadas mais perto das bases, a menor autonomia dos convencionais é compensada por um maior número deles. E isso ainda permite ter tripulações mais descansadas pelo revesamento, que será possivel pela maior proximidade.

    Quanto à velocidade para acompanhamento de FT, certamente que o Galante tem razão. Porém, parece-me que este problema seja mais um problema do atacante do que do defensor. Quem tem declaradamente estratégia defensiva pode operar em espera, nos termos em que faziam os U boats no Atlântico norte. Se vamos defender nossa costa e portos, podemos atuar em “matilhas” cobrindo com mais submarinos uma mesma área que seria pratrulhada pelos nucleares. Com isso temos uma cobertura que pode ser feita com mais rapidez para atingir cada ponto e com maior dispersão de meios, o que torna a localização do inimigo mais efetiva. Ademais, a velocidade de um submarino nuclear será quanto muito, o dobro da de um convencional. Ocorre que com o dinheiro gasto com um nuiclear se constroem e operam pelo menos 04 convencionais, no mínimo. Logo, um nuclear acaba não fazendo o que os convencionais que poderiam existir com seus recursos fazem. E se precisarmos acompanhar com submarinos uma FT, podemos, com mais unidades, formar corredores de passagem, com acompanhamento mais curto e em revesamento.

    Quanto ao caso dos EUA, UK e França, estes podem se dar ao luxo de operar SSN por diversos fatores. No caso norteamericano, seu orçamento e sua tradição permitem ter dezenas de nucleares. Claro que entre ter um número de convencionais e o mesmo numero de nucleares os segundos são preferíveis se se tem dinheiro pra operá-los. No caso dos britânicos e franceses, em posição defensiva, eles operam na perpesctiva da OTAN, e portanto, se um deles fosse atacado, os submarinos de uns atuariam em prol dos outros. Assim o UK não terá apenas 08 submarinos de ataque na sua defesa, mas também os franceses e boa parte dos norteamericanos. Quem defende o UK e a França são os submarinos deles, reciprocamente, e dos EUA, além dos convencionais de outros paises da organização. Ja quando operam em missões de projeção de força, individuais ou no âmbito da OTAN, os SSN são os indicados, pois elas serão feitas longe das bases. Neste caso precisam de nucleares. Veja-se que a Alemanha, que não pensa em projeção de força (como pensam a França e a Inglaterra, sobretudo esta ultima que ainda tem interesses no AS) opera so convencionais e vai muito bem. Pra eles, EUA, UK e Franca, o SSN é uma necessidade por conta de sua posturas de projeção de força e os SSK são dispensáveis pois defensivamente eles contarão uns com os outros.

    Em conclusão, para que os SSN sejam viáveis em custo/benefício em vista dos SSK, eles tem de ser empregados em um umero mínimo considerável, como frisou o Blind, as 13h22min, seja porque o pais os tem por conta neste numero, seja porque pode aliar-se a outro. Com um numero de SSN pequeno, é melhor operar mais mais convencionais do que eles.

    Logo, para paises sem investimentos consideráveis em defesa, ou cujos investimentos não são seguros ( vide corte no orçamento da defesa desta semana) o SSN não vale a pena, pois não serão feitos em numero considerável. Estes paises, sobretiudo se tiverem estratégia defensiva, conseguem mais efeito dissuasório com mais unidades SSK construidas e operadas com o mesmo custo de poucos SSN .

    Por fim, um maior número de SSK ao inves de alguns poucos SSN favorece ao aspecto da disponibilidade decorrente de baixas de combate, manutenção e descanso. Quem tem 20 convencionais e perde ou tem indisponíveis cinco ainda tem 15 operativos. Quem com o valor destes 20 SSK faz 05 nucleares e perde ou tem indisponíveis 02, so ficou com 03. Estes não fazem o mesmo que 15 convencionais fazem pelo mesmo preço.

  34. Control 25 de maio de 2013 at 7:16 #

    Senhores

    Os submarinos quando em velocidade, são surdos e, portanto cegos. Daí a tática de correr e parar, onde na com as paradas eles buscam obter ou recuperar as informações situacionais.
    O segundo aspecto é o que os submarinos em alta velocidade revelam sua posição pelo ruído que causam, particularmente se estiverem mais próximos a superfície onde, devido a menor pressão a cavitação ocorre mais facilmente (sem contar o ruído gerado pelo turbilhonamento da água pelas irregularidades do casco.
    A efetividade da ação dos submarinos de ataque americanos na eventual caça e destruição dos submarinos soviéticos na guerra fria baseava-se em muito nos sistemas de sensores que vigiavam o Atlântico Norte e mais precisamente os caminhos de saída dos submarinos russos e as passagens de acesso ao Atlântico Norte.
    Ou seja, a efetividade dos submarinos dependem de sistemas externos a eles que os municiem e permitam que eles se coloquem em posição favorável (o que aliás vale também para navios de superfície e aviões). A sua vantagem e a facilidade de permanecer oculto, o que não é tão verdadeiro se precisar navegar em alta velocidade.
    A questão do submarino nuclear é a mesma de qualquer arma: para que ela é necessária e contra quem ele precisará ser usada?
    Se for para defender nossas águas de uma marinha dotada de um razoável efetivo de submarinos e navios e com recursos para cobrir uma grande área de mar, ou seja uma potência naval, um submarino nuclear será logo caçado e destruído se buscar exercer sua capacidade de se mover em velocidade mais alta. Se não fizer isto, terá que operar como os submarinos diesel elétrico operando em tocaia. Ou seja, para enfrentar uma marinha de maiores recursos, não basta um submarino nuclear ou mesmo alguns poucos.
    Se for para ameaçar uma marinha nanica, um submarino nuclear nem é necessário.
    Observando a questão sem emoções pró e contra, e considerando que nossos marinheiros não são incompetentes, o que se pode deduzir que o objetivo final do projeto do subnuc é desenvolver a capacidade da MB em dispor a longo prazo de um transportador de mísseis, função que os subnucs são imbatíveis. O subnuc de ataque é só um caminho, pois funcionalmente ele é desnecessário e caro demais.
    Quanto aos submarinos espanhóis, a reportagem é estranha pois a capacidade de submergir e emergir é o feijão com arroz de um submarino e não é coisa de altíssima tecnologia. São sistemas de bombas e válvulas quase que padrões desde os primeiros submarinos. Se há problemas, provavelmente não é neste aspecto.

    Sds

  35. Wagner 25 de maio de 2013 at 12:20 #

    Rogério disse:
    24 de maio de 2013 às 12:32

    Ou seja, o que vc quer é que ninguém defenda a Rússia. Vamos todos defender os States, malhar os russos e bancar os norte americanos.

    meu filho, se vc ganhou antipatia pela Rússia tudo pq eu a defendo, isso significa que vc já odiava a Rússia antes, eu apenas fiz mostrar seu lado de ódio contra um país que não fez nada de mal PARA NINGUÉM deste blog.

    Minhas posições são as mesmas do atual governo russo, logo, se vc odeia meus comentarios, vc automaticamente é contra o governo russo.

    Pois o que eu falo é apenas o que o Kremlin falaria. O ocidental , o brasileiro em particular, não está acostumado com alguém como eu, que ativamente defenda a Rússia, isso por causa da Guerra Fria e do preconceito contra os russos. Logo, quem me odeia apenas odeia a Rússia, pq eu sigo rigorosamente a linha de Moscou.

    Tanto que no pravda eu discordei daquele editor pq ele adotou posições muito favoraveis ao kadhafi e eu fui contra, mas ele se dizia defensor de Moscou, só que falou a opinião dele que ia contra as declarações, da época, do governo russo.

    Se o fato de uma voz discordante da maioria do blog incomodá-lo tanto, Rogerio, isso significa que vc não entendeu o que é a democracia, não é mesmo ??

    Enquanto houver preconceito e discriminação contra a Rússia, eu vou defende-la. É direito meu.

    Mas se fosse um cara defendendo os States vc iria imediatamente gostar dele, não é mesmo ??

  36. Wagner 25 de maio de 2013 at 12:27 #

    Caras como o Dalton, Ivan e o Bosco fazem excelentes observações sobre equipamentos russos sem qualquer preconceito ou discriminação, esse tipo de comentário eu mal falo nada, até pq meu nível técnico não chega ao deles. ( e eu não tenho problema nenhum em admitir isso).

    Agora, comentários do estilo jocosos, generalizantes e preconceituosos, pode ter certeza que vão ter de me aturar falando contra. O comentário preconceituoso sai do escopo técnico e entra na área da ideologia, área de humanas, a qual é minha e posso falar.

  37. Corsario137 25 de maio de 2013 at 12:55 #

    Excelente comentário Control.

  38. Galante 25 de maio de 2013 at 14:57 #

    Senhores, estou achando ótima a discussão sobre submarinos convencionais e nucleares. Até abri os comentários este final de semana para ver se aparece um submarinista aqui para dar uma opinião de quem realmente opera debaixo dágua, porque opinião de almirante de poltrona aceita tudo…rs

    Acho que os senhores estão subestimando os submarinos nucleares e super estimando os convencionais.

    Submarino convencional nem poderia realmente chamar-se submarino, pois ele depende da atmosfera para continuar operando, mesmo os AIP são limitados.

    Um submarino convencional precisa de a intervalos de 2 em 2 dias ou 3 em 3 dias esnorquear, para renovar o ar ambiente e recarregar as baterias. O tempo em que ele faz o esnorquel ele fica vulnerável a aviões, helicópteros e outros submarinos.

    Só essa vulnerabilidade já coloca em risco a tripulação e o investimento no submarino.

    Enquanto usa o esnorquel o submarino convencional emite mais ruído, emite fumaça e calor. Na cota periscópica ele fica um alvo fácil para outros submarino, como demonstrado em exercícios.

    Enquanto isso, a autonomia de um submarino nuclear é praticamente ilimitada! Não precisa usar esnorquel, ele produz seu próprio oxigênio, sem falar na produção ilimitada de energia que possibilita a instalação e operação de equipamentos de sonar de maior alcance do que os submarinos convencionais, cuja produção de energia é sempre limitada.

    Além do mais, um submarino nuclear pode ficar em patrulha de 3 a 6 meses, sem precisar voltar ao porto, enquanto a autonomia de um submarino convencional é de no máximo 30 dias. Quando ele voltar ao porto para reabastecer, poderá ser destruído.

    Submarinos nucleares quando navegam em alta velocidade a grandes profundidades são silenciosos, porque a pressão da água evita a cavitação e a produção de bolhas.

    Hoje os submarinos nucleares estão tão silenciosos que estão se chocando uns com os outros sob a água e obrigando a delimitação de cotas de operação entre submarinos aliados para evitar esse tipo de acidente, como ocorreu com submarinos franceses e ingleses.

    Outra questão é que apenas um submarino, seja convencional ou nuclear, exige a mobilização de dezenas de navios e aeronaves para caçá-lo. E no caso da presença de um submarino nuclear, pode obrigar uma Marinha inteira a ficar no porto, com medo de ter seus navios capitais afundados, pois o submarino nuclear é caçador matador, ele busca suas presas onde elas estiverem, não fica esperando elas passarem por ele.

    A Marinha do Brasil já decidiu que não quer arremedos de submarino, ela quer submarinos verdadeiros e que possam navegar rapidamente a qualquer ponto do Atlântico do Sul onde os interesses do Brasil estejam em jogo.

    Além das vantagens táticas do submarino nuclear, tem a questão do arrasto tecnológico do projeto que todos sabem, não preciso repetir.

    É um projeto maior do que a Marinha, é um projeto do País.

    Submarinos convencionais são limitados, mas têm sua importância em determinadas situações, principalmente para Marinhas que operam em mares fechados e de pouca profundidade.

    Mas no caso do Brasil, acredito que no futuro seria mais racional abandonar os convencionais optar por um força só de submarinos nucleares, como fez os EUA, UK e França, que possuem Marinhas de águas azuis e têm interesses no mundo inteiro.

  39. Rogério 25 de maio de 2013 at 15:34 #

    Ótimo comentário Galante, fico imaginando a Armada Argentina com apenas um SSN em 82, talvez a história fosse outra.

  40. Corsario137 25 de maio de 2013 at 15:42 #

    Olhae o Galante! Excelentes argumentos.
    Aproveitando que os amigos entendedores do assunto: como será o SSN brasileiro? Alguém tem maiores detalhes do desenho, bem como dos armamentos que ele irá dispor?

  41. joseboscojr 25 de maio de 2013 at 16:08 #

    Eu acho o submarino nuclear a arma mais fantástica que existe e é uma evolução natural de uma marinha de primeiro mundo de um país com dimensões e riquezas continentais como as do Brasil.
    Ou seja, estamos longe de merecê-lo!

  42. Ivan 25 de maio de 2013 at 16:22 #

    Galante,

    Concordo em quase tudo.
    Apenas entendo que ainda há espaço para os submarinos (ou submersíveis) convencionais diesel/eletríco. Tem menor custo de aquisição e operação, podem ser construídos em maior quantidade e uma indiscutível capacidade de defesa de ponto.

    Com novos materiais as baterias e motores elétricos dos subs diesel/elétricos estão cada vez mais eficientes. Pensar em mergulhos de alguns dias é possível, mesmo sem AIP (que vejo como desnecessário para o Atlântico Sul). Um menor tempo de recarrega é também provável.

    No caso de uma área definida, como os campos de petróleo no sudeste ou foz do Rio Amazonas no norte um punhado de subs diesel/elétricos silenciosamente a espreita é um fator de dissuasão respeitável.

    Até mesmo para emboscar uma frota agressora estes SSK são eficientes.

    Mas uma combinação com alguns poucos SSN fica mortal.
    Os subnuc não precisam atacar os navios principais, basta afundar o trem logístico que sustenta qualquer frota em combate a longas distâncias.

    Afunde os petroleiros que cruzadores, destroyers e fragatas terão que procurar um porto rapidamente para não ficar a deriva.

    High & Low Mix naval !!!

    Abraço,
    Ivan, misturando subs e caças… :)

  43. Ivan 25 de maio de 2013 at 16:37 #

    Rogério,

    SE a Argentina em 82 tivesse colocado em operação os seus 2 (dois) únicos Type 209, ARA Salta (S-31) e ARA San Luis (S-32), bem como treinado corretamente (e efetivamente) suas tripulações e mantido estoque de armas adequados, coisa que poderiam ter feito pois foram eles que atacaram, teriam dado um trabalho ‘danado’ a Royal Navy e afundado vários navios de sua majestade inglesa.

    SE a tripulação do ARA San Luis (S-32) montasse corretamente seus torpedos teria afundado alguns navios (HMS Alacrity e HMS Arrow), com graves concequências contra a campanha inglesa.

    SE a Armada da República Argentina tivesse meia dúzia de SSKs Type 209 ao invés de apenas 2 (dois), talvez pudesse concentrar 3 (três) nas ilhas e contar com uma eventual reserva no prolongamento da guerra, forçando a Inglaterra repensar a estratégia.

    ‘SE’ é o eterno quesionamento das guerras.

    Mas não foi assim que aconteceu…

    Abç.,
    Ivan.

  44. Corsario137 25 de maio de 2013 at 16:50 #

    Ivan,
    Tem aquela de que não tiraram as travas dos torpedos, é verdade?
    Isso porque eles que estavam atacando, se fossem os atacados teria sido um caos.

  45. colombelli 25 de maio de 2013 at 18:09 #

    Ivan, endosso ipsis litteris o comentário supra, assim como o do Control em quase tudo.

    Galante, apesar das tuas judiciosas e corretas pontuações acerca do SSN, a meu ver a questão central ainda continua sendo diversa, e segue os termos dos apontamentos do Blind e do Control. Não se trata de estabelecer qual submarino é melhor, pois o nuclear sem dúvida o é. Não fosse assim, não seria a opção das maiores marinhas do mundo. A questão é: Considerada uma estratétigia defensiva e a ausência de interesses longinquos, bem como o custo de construção e operação do SSN e, principalmente o fato de que serão poucas unidades, qual a alternativa mais adequada, eles ou maior quantidade de SSK? Na esteira do que expus alhures e do que mencionou o Control e Blind, pra enfrentar um gigante poucos SSN não farão diferença, para enfrentar uma marinha menor, o SSK cumpre a missão. A meu ver, o SSN so tem razão de ser diante destas premissas se de fato se pensa no futuro em um lançador de misseise se esta escondendo e estamos escondendo as garras por ora. Ja quanto as marinhas do UK, EUA e França ( e mesmo Russia tb), é pouco provável que no futuro se tenha no Brasil uma consciência apta a garantir os investimentos em defesa que estes paises sempre tiveram e tem. Os cortes oportunistas desta semana no orçamento, contrariando o que o governo apregoa estão ai para provar isso. Ai esta a diferença fundamental pela qual estes paises não servem de paradigma.

    Aproveito o ensejo para por à análise uma ideia a que ontem cheguei e que poderia potencializar a capacidade dissuasória do Brasil no emprego dos submarinos, sejam nucleares sejam convencionais, mas mais pertinente a estes ultimos. Consistiria em fazer que a base de Itaguai se tornasse uma base central, com duas bases de apoio para submarinos (especialmente manutenção leve e reabastecimento de combustivel ou víveres e rearmamento), uma no sul ( talvez Rio Grande) e uma no Rio Grande do Norte. A partir desta ultima, aliás, com poucas centenas de km e esta em meio do Atlântico. E com a crescente influência do Brasil na África, em um futuro poderia ser alvitrada a utilização de uma base no oeste da África. Teriamos dois pontos de apoio, dois baluartes, no setor de maior estrangulamento do Atlântico, como se fossem apoios de um verdadeiro pórtico para os mares do sul. Ali poderia ser montada uma “matilha” de espera.

  46. Milton 25 de maio de 2013 at 21:22 #

    Tenho a impressão que o Brasil logo vai mudar sua postura internacional.
    Esse pacifismo brasileiro não condiz com os desejos de dominação da Internacional/Foro de Sao Paulo. Eles querem com certesa serem respeitados no munndo como uma potencia militar. Nesse projeto meio secreto cabem muito bem os sub nuc e Naes.

  47. Claudio Dönitz 25 de maio de 2013 at 23:52 #

    Fabricados nos Estaleiros Tabajara. Esta organização também fabrica helicópteros.

  48. Rogério 26 de maio de 2013 at 0:28 #

    25 de maio de 2013 às 16:37

    É vero Ivan, mas imagine poder recepcionar a força tarefa Britânica além da Ilha de Ascensão sem a inconveniência de precisar emergir. ;)

    []s

  49. GUPPY 26 de maio de 2013 at 1:37 #

    Considerando que a costa brasileira tem milhares de kilômetros (do Oiapoque ao Chuí) e ainda que o Oceano Atlântico não é nada pequeno, mesmo somente o Atlântico Sul, prefiro ter 03 SSNs operando do que 15 SSKs. As vantagens da autonomia ilimitada e velocidade dos atômicos, por si só, já um baita fator de dissuassão. Como bem já foi lembrado em comentário anterior, a presença de um SSN pode colocar uma marinha inteira nos portos. A rapidez com que um SSN pode atingir um local desejado pode ser mais impressionante do que pensamos porque a real velocidade do submarino nunca é revelada, ao contrário, é omitida. De fato, se os argentinos pudessem contar com um único SSN no início de 1982, a esquadra britânica poderia ter sido agredida muito antes da ilha de Ascensão. Distância da base não seria nenhum problema para o hipotético SSN portenho.
    Agora, claro que eu ainda prefiro o mix do Ivan com alguns SSKs guardando alguns pontos estratégicos como a baía de Guanabara, porto de Santos, Suape, foz do Amazonas, Paranaguá, Rio Grande, etc.

    PS: I’m sad. O Galante disse acima que submarinos convencionais nem deveriam ser considerados submarinos já que precisam esnorquear, dependem da atmosfera e melhor serem considerados submersíveis. Poor GUPPYs.

  50. colombelli 26 de maio de 2013 at 6:17 #

    Guppy o problema é que com 03 vc terá ao menos um fora de combate por manutenção ou descanso, e terá um imenso vazio entre os que operarem. Se perder um em combate ou havias, ja se foi 1/3 da sua capacidade.

    Com 15 SSK, pode ter 10 ou 12 em operação e ter distâncias relativamente curtas entre eles. Chegam mais de um ao localtão rápido quanto o nuclear, pois tem menos espaço a percorrer. Operando mais perto das bases, estão no alcance dos aviões de patrulha e podem ir ao local exato da caçada recebendo informação privilegiada dos meios aéreos. Se perder 05, o mesmo terço, ainda lhe restam 10.

    O inimigo nos importa aqui, não antes, até porque há certas regras de engajamento ainda que pouco respeitadas ( o Belgrano sabe bem).

    Qualquer submarino bota uma marinha de superfíce em pânico, nuclear ou não. A mera possibilidade dos 03 submarinos convencionais argentinos estarem na espreita branqueou o cabelo de muita gente nos navios britânicos.

    Um ou dois SSN argentinos. Como iriam localizar a esquadra inglesa bem antes em milhares de quiilômetros de mar aberto? Os aviões de patrulha argentinos estariam fora de alcance. Neste caso pra localizar, tem que emergir. Mas se eles tivessem 06 SSK , não precisava ser nem 12, bem operados em torno das Falklands, com 04 permamentemente em serviço, sem torpedos com circuitos montados ao avesso e que funcionaram dentro do tubo sem sair, ou que falharam no disparo, queria ver a Royal Navy chegar perto do arquipélago.

    Sempre lembrando que a discussão é por amor ao argumento, pois a escolha do mix ja esta feita na MB. Tomara que vingue e com bem mais que 05 SSN principalmente porque é nosso rico “cascalho” que esta sendo gasto neles.

  51. GUPPY 26 de maio de 2013 at 17:30 #

    Prezado Colombelli, eu entendi todo o seu raciocínio e concordo que é bastante racional no entanto eu coloquei uma preferência pessoal de 03 SSNs (operando) do que 15 SSKs porque não obstante seus argumentos, as vantagens de autonomia ilimitada e velocidade elevada por tempo indeterminado são recursos por demais preciosos no caso de necessidade. Claro que eu quero crer que o apoio de meios como aviação de patrulha adequada, algum satélite militar geoestacionário no defronte para a costa brasileira e outros recursos adequados seriam disponibilizados para os 03 SSNs de Pindorama. Aliás, não é à toa que EUA, Inglaterra e França depois de operarem seus SSNs não quiseram mais saber de SSKs e, acredito, não é apenas pela doutrina de projeção de poder que eles adotaram até porque vez por outra poderiam utilizar SSKs, caso tivessem, principalmente próximo dos seus litorais ou em mares mais fechados.
    Mas o mais importante é que a decisão de operar SSN juntamente com SSK, como você bem lembrou, já foi tomada.

    Abraços

  52. Blind Mans Bluff 26 de maio de 2013 at 20:04 #

    Senhores, uma coisa que todos parecem ignorar que na verdade é o que de fato faz um submarino ser efetivo ou não é sua tripulação.

    Estamos falando em uma tripulação operar durante 2 meses um reator nuclear miniaturizado, constantemente em critico. Se não fosse dificil o suficiente, este reator é a primeira geração brasileira de reatores atômicos embarcados, operados pela primeira geração de marinheiros nucleares, no primeiro submarino projeto no Brasil. Isso não é piada.

    Não há duvidas que as capacidades táticas de um SSN são infinitamente superiores as de um SSK. Mas também são os custos de treinamento, operação e manutenção. Um submarino nuclear é uma máquina mais complexa que até mesmo o ônibus espacial.

    Se o Brasil consegue embalar essa, vai ter, sem sombra de duvidas, obtido sucesso na maior empreitada de 500 anos de história do país. Um projeto de bilhões de dólares sem plano B. Lembrem-se que este projeto é de longo prazo, pelo menos 30 anos, provavelmente mais, pois não será a primeira classe de submarinos nucleares brasileiros que negará os mares do Atlântico Sul ao adversário. Possivelmente tampouco será a segunda classe, aquela efetiva, experiente e fiável.

    Só que esse projeto não depende apenas das relações políticas internas do Brasil ou externas com a França e fornecedores estrangeiros, mas também e principalmente da economia brasileira e mundial. Muita coisa pode dar errado.

  53. Blind Mans Bluff 26 de maio de 2013 at 20:12 #

    Pra quem se interessa mesmo pelo assunto, posso recomendar dois livros:

    -Seapower: A guide to the twenty-first century, Geoffrey Till
    (http://www.amazon.com/Seapower-Twenty-First-Century-History-ebook/dp/B00AYILFR0/ref=sr_1_1?s=digital-text&ie=UTF8&qid=1369609885&sr=1-1&keywords=Seapower)

    Teoria da estratégia marítima naval. Leitura dificil.

    -Making a submarine officer: Alex Fleming
    (http://www.amazon.com/Making-Submarine-Officer-Francisco-ebook/dp/B0052YQLWA)

    Auto biografia de um ex oficial da marinha americana, durante sua permanencia no USS San Francisco (Los Angeles Class). Interessantissima leitura, principalmente pra quem acha que basta construir um submarino nuclear e sair navegando os 7 mares. kkk

  54. Theo Gatos 27 de maio de 2013 at 0:19 #

    Caros,

    (aproveitando o comentário aberto mesmo não sendo nem almirante de poltrona e muito menos submarinista)

    Concordo com o Galante que o SubNuc é um projeto de uma nação, não apenas da marinha do Brasil.

    Levando em conta as análises referentes à distância do Brasil à uma posição de centro no cenário mundial (deixando sua posição semi-periférica atual) encontramos grandes lacunas na questão energética e da nossa, ainda sem solidez, indústria de base saindo um pouco da questão militar pura (já que os comentários tecidos por vocês abordam com muito mais competência a questão do que eu poderia acrescentar)

    Reproduzo aqui um trecho escrito pelo Prof. Dr. Darc Costa acerca de um possível benefício do SubNuc ao Brasil Nação e ao direcionamento deste a uma posição mais central no mundo moderno.

    “Quanto à energia nuclear, a via adequada para a América do Sul é o emprego de reatores menores que as centrais de 1.000 ou 1.100 MW, normais nos países da Comunidade Econômica Européia (CEE). Muitas empresas, como INVAP, argentina, e o programa em curso para o
    desenvolvimento do submarino nuclear brasileiro projetam atualmente reatores entre 15 e 300 MW, que possuem muitas vantagens em comparação com modelos de maiores dimensões. Tratados de forma modular possibilitam o aumento gradual da geração, à medida que aumenta o parque gerador,permitindo a manutenção e recarga, um a um, sem grande interrupção no fornecimento de energia. Reduzem os serviços de engenharia civil para instalá-los; bem como o período de montagem, especialmente se construídos em série; e, talvez, requeiram menores investimentos. Os minireatores são, também, “inerentemente seguros”, por operarem a baixas pressões, e não sofrem as falhas das centrais maiores, e seus períodos de manutenção são muito menores.

    Outro aspecto importante, é que as centrais menores podem ser fabricadas em série, montadas e enviadas a outros locais. Somente a produção em série torna possível a construção de centrais nucleares na escala necessária que satisfaça as necessidades do próximo século.

    Quanto às termelétricas, supõe-se que também podemos aplicar os métodos de produção em série, com a correspondente redução nos investimentos.

    A América do Sul deve iniciar a aproveitar a tecnologia e experiência técnica da Argentina e do Brasil, combinada com a capacidade de produção de bens de capital que possui o Brasil. Como coloca a SBEF(1988l), como parte de seu Projeto Cerem, a empresa INVAP, de Bariloche, projetou um protótipo de reator nuclear miniaturizado. O plano é produzir reatores entre 15 e 30 MW. Este tamanho será útil em lugares isolados e pouco povoados, mas terá que aumentá-lo para potências
    entre 150-300 MW, como os projetados pela Marinha Brasileira, para atender as necessidades de energia mais freqüentes na América do Sul.

    Contudo, é um passo importante e deve servir de base para ampliar com rapidez o programa de treinamento e construção nuclear sul-americano.”

    Portanto trata-se de uma questão muito maior do que o “elefante branco” descrito por diplomatas americanos com benefícios (se corretamente aplicados) enormes ao desenvolvimento tecnológico e estratégico do país!

    Não quis fugir muito do tópico, apenas observá-lo de um outro prisma que dá suporte à afirmação do Galante.

    Sds.

  55. colombelli 27 de maio de 2013 at 6:07 #

    Blind, perfeito no teu comentário das 20:04.

    Teo, que a energia nuclear será necessária ao Brasil isto é fato, pois estamos chegando ao limite de aproveitamento de nosso potencial hidroelétrico, sobretudo em vista das indevidas intervenções do indigenismo e ecologismo radicais, que querem barrar tudo, como em Belo Monte ( e olha que eu sou ecologista).

    Porém, este desenvolvimento de um reator para uso civil não carece do programa do sub nucelar para ocorrer. Ele pode vir de uma via independente. Aliás, vincular um programa de uso civil com o sub nuclear automaticamente esta afastando a possibilidde de uma cooperação com a Argentina, pois o aspecto militar torna a tecnologia algo que deveremos guardar a sete chaves. Ja há entendimentos com a Argentina para um reator comum, e ele não terá nada a ver com o reator da marinha.

    Ademais, como o submarino é muito mais do que so um reator, esta ligação apontada como uma das justificativas ( ou seja, os benefícios tecnológicos para uso civil que vem do programa militar), poderá até prejudicar o programa civil, pois os recursos para o sub nuclear envolverão muitos outros sub-projetos que tem suas dificuldades e representam mais possibilidades de falhas e atrasos.

  56. Theo Gatos 30 de maio de 2013 at 19:43 #

    Colombelli,

    Concordo com você em evitar a criação de um vínculo direto, mas é uma herança positiva e inevitável o expertise acumulado pelo país após um programa como esses, mesmo ele sendo exclusivamente militar…

    Então não seria nem como justificativa, mas como capacidade acumulada pela nação e como tecnologia dominada, porque atualmente não dominamos por completo essa etapa da cadeia/ciclo de energia nuclear (a de desenvolvimento de reatores).

    Sds.

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