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vinheta-clipping-navalNo último dia sete, chegou ao fim a 6ª Mostra Internacional de Defesa Marítima, em São Petersburgo. O evento de cinco dias já se consolidou entre as maiores três exposições internacionais de armamentos navais e equipamento militar.

O diretor-geral da exposição, Mikhail Zolotarev, informou que neste ano o evento contou com 457 empresas de 31 países. Somente no departamento de demonstração junto ao cais da Estação Marítima e nas águas circundantes estavam expostos 36 navios, lanchas e embarcações da frota marítima do Serviço de Guarda de Fronteira do Serviço Federal de Segurança da Rússia e das demais empresas participantes.

Durante a realização do salão, foram revelados os detalhes do projeto do míssil supersônico russo-indiano “BrahMos” e os prazos para a adoção dos submarinos nucleares do tipo “Borei” pela Marinha russa.

O primeiro teste de lançamento desse míssil a bordo da aeronave indiana Su-30MKI deve acontecer em 2014. Sivathanu Pillay, diretor-executivo da empresa responsável, “BrahMos aerospace”, diz que o míssil lançado do ar será um pouco diferente das outras versões, já que a própria plataforma, o Su-30MKI, se move a velocidades supersônicas e, dessa forma, elimina a necessidade de acelerar o míssil até uma velocidade similar. Já há contratos assinados para o fornecimento de pouco menos de mil modelos.

BrahMos

O BrahMos foi projetado para destruir uma vasta gama de alvos marítimos. É caracterizado pelo grande alcance do voo (até 290 km), velocidade supersônico e uma poderosa carga de combate (até 250 kg), bem como baixo índice de detecção por radares. Nesse míssil foi concretizado o princípio “atirou, esqueça” – ele próprio encontra o alvo. Pela avaliação dos especialistas, ainda não existe no mundo um míssil análogo que tenha tamanha velocidade supersônica e semelhante alcance de voo.

Paralelamente, os construtores navais russos anunciaram o cumprimento das obrigações conforme os termos do contrato para a construção do primeiro porta-helicóptero do tipo “Mistral”, que será utilizado pela Marinha russa.

A popa do navio, que abrigará o porta-helicóptero “Vladivostok”, já foi enviada para a França, e daqui a duas semanas deve chegar em Saint-Nazaire, local da construção final do navio. O porta-helicópteros será colocado na água em outubro deste ano. Depois disso, o navio será levado de volta à Rússia e passará por adaptações que correspondem às exigências da Marinha russa. Pelo plano, o produto final irá compor a frota no outono de 2014. Também já foi iniciada a construção do corpo do segundo navio deste tipo, o “Sevastopol”.

Fontes sugerem que a Rússia pode propor para a França o fornecimento dos helicópteros Ka-52K Alligator para equipar o terceiro e o quarto porta-helicópteros do tipo Mistral. “Como o helicóptero ainda está sendo criado, a ‘adaptação marinha’ do Alligator irá surgir apenas em 2014”, afirmou o diretor-executivo da Kamov, Serguêi Mikheev.

O Ka-52K Alligator, que está servindo de base para criar uma versão marítima do helicóptero de combate Ka-52K, também foi apresentado no salão naval pela holding Russian Helicopters. Acredita-se que, no futuro, o Ka-52K será o modelo básico de helicóptero para a Marinha russa.

No evento também foi divulgado que o cruzador submarino estratégico de propulsão nuclear com mísseis balísticos “Alexander Nevsky”, do projeto 955 “Borei”, será entregue para a Marinha russa em 15 de novembro. Segundo o diretor-geral da empresa Sevmash, Mikhail Bidnitchenko, Em paralelo, há dois submarinos dessa classe em construção, um dos quais (“Vladímir Monomakh”) será entregue à Marinha no final deste ano.

A Sevmash também está trabalhando ativamente para construir sete submarinos multialvos de propulsão nuclear do tipo Ash. Todos os sete barcos devem ser entregues antes de 2020.

Submarino “Borei”

Os submarinos do projeto 955 “Borei” de quarta geração podem transportar até 16 dos mais recentes mísseis balísticos intercontinentais, com combustível sólido e alcance de voo de mais de 10 mil quilômetros. São equipados com unidades de ogivas separáveis e de orientação individual.

Respeito do prazo

A Rússia retomou o projeto da central nuclear flutuante “Akademik Lomonosov”, que está sendo construída no estaleiro Báltico, em São Petersburgo.

“Temos um contrato de quatro anos e devemos entregá-la em setembro de 2016”, especificou o diretor-executivo da empresa, Aleksandr Voznesenski. “Durante quase dois anos, não havia quase nenhum trabalho”, admitiu Voznesenski. “Agora estamos no período de adaptação, compramos os equipamentos e os materiais. Em breve, vamos instalar os reatores.”

O contrato para conclusão da usina nuclear flutuante de Pates foi assinado pelo estaleiro Báltico e a Rosenergoatom Concern, em dezembro de 2012.

Voznesenski contou no estaleiro também está sendo construído o navio quebra-gelo nuclear, projeto 22220, com capacidade de 60 megawatts, bem como o navio quebra-gelo diesel-elétrico “Viktor Chernomyrdin”, com capacidade de 25 megawatts. A construção desse navio quebra-gelo foi iniciada em outubro de 2012 e ele deve ser entregue ao comprador em 2015.

Publicado originalmente pelo Vzgliad

FONTE: Gazeta Russa

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Jornalista formada pela Universidade Federal do Paraná. Ganhou o Prêmio Sangue Novo do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná com uma monografia sobre o PROSUB. Feliz proprietária de um SSN classe Virginia.

4 Responses to “Exposição internacional apresentou destaques da indústria naval russa” Subscribe

  1. joseboscojr 16 de julho de 2013 at 14:26 #

    O Brahmos/Onix é sem dúvida um dos mais avançados e letais mísseis antinavios do mundo, agora ele não faz tudo que é capaz de fazer junto.
    Por exemplo, se quiser voar a Mach 2.9 não pode ser ao nível do mar, tem que ser a grande altitude. Se quiser voar ao nível do mar sua velocidade não passa de Mach 1.5. Se voar ao nível do mar não chega a 290 km. Se quiser atingir um alvo a 290 km terá que voar alto.
    Ou seja, ele tem velocidade de Mach 2.9 sim, mas a 14.000 metros de altura.
    Ele atinge alvos a 290 km mas numa condição ótima, ou seja, voando a Mach 2.9 a 14.000 metros de altura.
    Ao nível do mar (15 m de altura) sua velocidade não passa de Mach 1.5 e seu alcance cai para 120 km.
    Num perfil de voo alto-baixo seu alcance cai para alguma coisa entre 120 e 290 km.
    Ele possui também algumas desvantagens: É relativamente grande e mesmo tendo havido um cuidado dos projetistas com sua assinatura radar, tem um RCS razoável. Chuto no mínimo como a de um Harpoon ou Exocet, cerca de 0,1 m2, o que para todos os efeitos práticos é muito.
    Um míssil supersônico com essas dimensões e voando em baixa altitude não tem como esconder sua grande assinatura térmica. A chama do propulsor e o atrito da superfície, principalmente quando ao nível do mar, produz muito calor.
    É pouco manobrável já que a Mach 1.5 + não tem como fazer curvas muito apertadas, principalmente com pequenas superfícies aerodinâmicas, otimizadas para o voo supersônico.
    Sem dúvida é um míssil letal, e sem dúvida a visão de uma onda de Brahmos/Onix se aproximando num ataque de saturação tem potencial de causar infarto em muito estrategista do Pentágono, mas está longe de ser invencível, ou como diziam a respeito do Sunburn (Moskit) , está longe de ser um carrasco dos porta-aviões ou a arma do juízo final para os porta-aviões.

  2. Wagner 16 de julho de 2013 at 16:23 #

    excelente, Bosco, mas, eu pergunto ao Pentágono agora :

    Querem apostar ???

    KKKKKKKKKKK !!!

  3. joseboscojr 17 de julho de 2013 at 13:28 #

    Wagner,
    A defesa mais eficaz americana contra esse míssil é o míssil antimíssil RAM.
    Mudando de pato pra ganso e falando da mesma coisa, é visível que há um gap na capacidade anti-navio americana.
    Mesmo levando-se em conta os caças dos porta-aviões é nítido que o Harpoon é um míssil completamente inadequado e de modo geral é vulnerável aos sistemas de defesa de ponto russos, haja vista o Kashtan.
    Sem dúvida o melhor míssil antinavio americano hoje é o SLAM-ER, lançado de avião, e o Tomahawk block IV, lançado de navios e submarinos.
    Só com a entrada em operação da bomba planadora antinavio JSOW C-1 e do míssil LRASM é que os americanos voltarão a se equiparar aos russos, claro, usando um conceito completamente diverso deles.
    Enquanto os russos apostam na velocidade, os americanos apostam na furtividade.
    Um abraço.

  4. João Filho 17 de julho de 2013 at 14:22 #

    Enquanto os russos apostam na velocidade, os americanos apostam na furtividade…

    Seria dificil um Nae escapar de ser atingido pelo menos varias vezes por um salvo de uma duzia de Brahmos.

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