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good-hope

Correlacionado aos excelentes comentários realizados sobre a batalha de Coronel e ao cruzador blindado HMS Good Hope, unidade da classe “Drake”, muito comentado em um post recente.

Para ilustrar para eventuais curiosos sobre o navio, seguem imagens.

Drake-class Drake_class_cruiser_diagrams_Janes_1914

 

17 Responses to “HMS ‘Good Hope’, por falar em Coronel…” Subscribe

  1. Rafael M. F. 11 de setembro de 2013 at 22:25 #

    Aproveitando a deixa:

    O Good Hope, assim como o Monmouth, possuíam uma falha grave de projeto, aliás comum aos seus pares contemporâneos: a casamata inferior do canhão de 6 in. era sujeita à entrada de água quando em mar agitado, precisando ficar vedada quando o mar ficava encapelado. Isso significava que o mar bravo o deixava com apenas 50% da capacidade de fogo nas baterias secundárias, isso sem precisar qualquer ação inimiga.

    Levando-se em consideração que em mau tempo era impossível fazer uma pontaria adequada com o armamento em casamata devido aos balanços do navio, pode-se afirmar que o Good Hope ficava virtualmente privado da totalidade suas baterias secundárias. E era exatamente esta situação em que se encontrava quando da batalha de Coronel.

    O segundo fator contra Cradock: embora os canhões de 9.2 in. do Good Hope fossem de calibre superior aos 8.2 in do Scharnhorst, esses últimos eram mais modernos, tinham alcance superior (basta dizer que eram apenas 3.000 jardas inferior aos de 12 in. do Invincible) e cadência de fogo mais rápida. E o Scharnhorst dispunha de oito deles (quatro em duas torretas duplas e mais quatro em casamata). Assim como sua nave-irmã Gneisenau.

    Desnecessário dizer que o Monmouth possuía um armamento ainda inferior – 14 canhões de 6 in., sendo quatro deles em torretas duplas, oito em casamatas duplas e dois em casamatas simples. Mas com apenas os quatro canhões das torres duplas em condições de uso efetivo.

    Resumo da ópera: apenas dois canhões de 9.2 in., de projeto mais antigo, contra 16 canhões de 8.2 in., mais modernos – ou oito, se levarmos em consideração apenas as torretas.

    Alguém tinha dúvida do resultado desse confronto?

    Pois bem, com essa força mambembe (composta ainda pelo cruzador ligeiro Glasgow e pelo cargueiro armado Otranto) Sir Cristopher Cradock decidiu enfrentar o muito mais moderno e bem equipado Ostasiengeschwader de Maxmilian Von Spee, composto pelos já citados Scharnhorst, Gneisenau, além dos cruzadores ligeiros Leipzig, Nürnberg e Dresden.

    Agora, a pergunta principal: Por que Cradock decidiu se engajar em um combate onde suas chances seriam remotas?

  2. MO 12 de setembro de 2013 at 7:05 #

    Talves falta de infos mais apuradas sobre o esquadrão do Spee ?

  3. daltonl 12 de setembro de 2013 at 10:12 #

    Cradock pensou que o Leipzig estivesse sózinho e foi atrás dele e ao
    perceber que o S e o G estavam próximos, decidiu mesmo assim entrar em combate e os motivos dados no livro “Coronel and the Falklands” são:

    Cradock era um bravo por natureza e não admitia a palavra retirada, e ele poderia facilmente ter escapado se assim quisesse quando descobriu estar em inferioridade;

    Cradock compreendia que mesmo inferiorizado, não apenas em navios, mas também em tripulantes experientes, não poderia afundar a força
    inimiga, mas, já seria suficiente avaria-la, pois os alemães estavam longe de suas bases, ao contrário dos navios almães que operavam no mar do norte próximos das bases e de reforços.

    A questão de grande número de tripulantes inexperientes na força de Cradock se dá por uma decisão do Almirantado, já que não havia orçamento suficiente para manter tantos navios, navios considerados de segunda classe recebiam tripulações incompletas e se necessário receberiam de última hora novos tripulantes.

    Há quem defenda essa posição para a US Navy de hoje, mantendo navios minimamente tripulados que poderiam ter suas tripulações complementadas quando necessário.

  4. MO 12 de setembro de 2013 at 11:47 #

    quanto ao Cradock era realmente informação incompleta ent~so, ele não obteu resultado imediato, mas logo apos fez efeito nas Falklands

    ha uma certa marinha, nao sei bem de onde que utilizac este conceito adaptado ao equipamento and armamento .. quale mesmo

  5. Rafael M. F. 12 de setembro de 2013 at 13:14 #

    Dalton, por maior que seja a bravura de Cradock, um marinheiro da velha-guarda – eu o admiro muito pelo seu senso de dever – IMHO ele ultrapassou a linha tênue entre a coragem e a estupidez.

    Spee estava retornando à Alemanha – por ordens do Alto-Comando – e de lá provavelmente não mais sairia, e se saísse, seria para o Mar do Norte e provavelmente teria o mesmo fim do Blücher. Seus cruzadores não configurariam mais nenhuma ameaça, diferentemente do Emden, que chegou a paralisar o comércio no Extremo Oriente e causou a mobilização de forças absolutamente desproporcionais que deixaram de ser aproveitadas em outros teatros.

    (Aliás, as aventuras do Emden merecem um post à parte)

    Era ponto pacífico para o Almirantado – leia-se Churchill e Battenberg – que Cradock não deveria dar combate a Spee sem ter antes reunido uma força adequada. E Cradock aguardava o Carnarvon e o Defence.

    Só que as mensagens que eram passadas a Cradock eram pouco claras. Ordenavam que aguardasse a concentração de forças suficientes, o notificavam da presença de Spee próximo à costa chilena, mas não passavam qualquer orientação quanto a como proceder caso o encontrasse.

    E Cradock sabia que recentemente um de seus colegas foi asperamente repreendido por não ter dado caça ao Goeben. E não estava disposto a se arriscar a sorte semelhante. Entre se retirar e lutar, mesmo em franca desvantagem tática e técnica, escolheu o segundo.

    Aliás, esse foi mais um erro apontado pelos críticos de Fisher: a obssessão em formar uma grande esquadra o fez esquecer de criar pequenas forças de cruzadores que atuassem como uma “cavalaria”, de forma a impedir incursões de navios inimigos semelhantes contra as rotas comerciais.

    Os esquadrões de cruzadores do Pacífico foram formados de forma um tanto improvisada, e eram formados em sua maioria por obsoletos navios.

  6. Rafael M. F. 12 de setembro de 2013 at 13:39 #

    Aliás, um dos colegas de Cradock – Troubridge – foi submetido a corte marcial em novembro de 1914, sob a acusação de abster-se de perseguir o Goeben, mesmo sob ordens de não engajar uma força superior.

    Provavelmente Cradock lembrou-se de Troubridge, Milne e de Lapeyrère quando optou por dar combate a Spee.

  7. Rafael M. F. 12 de setembro de 2013 at 13:44 #

    Falando no Goeben, um site interessantíssimo sobre a sua perseguição e as consequências de sua fuga:

    http://www.superiorforce.co.uk/

  8. andreas 12 de setembro de 2013 at 17:51 #

    Uma curiosidade ao longo das eras: apesar de sermos considerados pacíficos, como aliás o somos, e muita gente achar “que por essas bandas nada acontece”, nas duas Guerras Mundiais as primeiras Batalhas Navais ocorreram no Atlântico/Pacífico Sul ao largo da Costa Sul-Americana, tendo o Graf Spee na 2 GM afundado seu primeiro mercante perto da nossa Costa. Isso sem falar na Guerra das Malvinas. e na Guerra da Lagosta, ou seja, 4 eventos de batalhas navais mais uma questão que praticamente se resolveu no mar, em 68 anos. Infelizmente, o que poucas pessoas enxergam: desde as Guerras Púnicas, ou seja, vai tempo que é assim, quem controla o mar, praticamente tem qualquer guerra ganha!

  9. Fernando "Nunão" De Martini 12 de setembro de 2013 at 17:52 #

    Rafael,

    Falando em Coronel e nos navios da batalha, acabo de colocar no ar uma narrativa interessante sobre quando o HMS Glasgow deu as caras por aqui para lamber suas feridas, após a batalha.

    Saudações!

  10. MO 12 de setembro de 2013 at 17:59 #

    Ow fernandinho, sabia que vc iria gostar .. er .. vc colocou no ar aonde mesmo ? num axei … *da um desconto, sou meio ostra mesmo ….

  11. Fernando "Nunão" De Martini 12 de setembro de 2013 at 18:07 #

    Hum…

    Procure no alto da página do site. É o post mais recente publicado.

    Pode ser que você tenha que dar F5 por estar com página antiga aberta.

    Abs!

  12. daltonl 12 de setembro de 2013 at 19:25 #

    Rafael…

    também IMHO, guerra e lógica nem sempre andam juntas. A História está cheia de eventos que pareciam suicidas ou desesperados que acabaram em retumbantes vitórias. A sorte recompensa os audazes como dizem.

    Também é fácil “criticar” o perdedor depois da batalha. Por que George Custer não fez isso ou aquilo ? No caso dele, ninguém sobreviveu para contar a estória então dados foram manipulados e teorias conspiratórias surgiram…mas…poderia ter funcionado, aliás, como tantas vezes a sorte o favoreceu antes.

    Cradock não precisava vencer…bastava alguns tiros de sorte…como aqueles do Prince Of Wales contra o Bismarck que mudou o destino dos alemães.

    O esquadrão alemão era mais forte, mas tinha um calcanhar de Aquíles que era estar operando longe de suas bases. Alguns tiros bem colocados e seria difícil para eles prosseguirem inclusive no temperamental Atlântico Norte.

    E se Cradock os tivesse deixado ir e Von Spee causasse mortes e danos ao Império Britânico subsequentemente ?

    Na minha opinião, acho difícil compreender homens como Cradock e Custer:

    - Não sou militar;
    - Se fosse militar, felizmente, vivemos longe do vespeiro que é o resto
    do mundo e não sabemos o que é uma luta de vida ou morte;
    - Carregar uma tradição como a da Royal Navy tem um peso considerável;
    - Finalmente, cada um tem sua personalidade…alguns são agressivos,
    outros frios, outros tímidos e a posição de comando é um lugar muito
    solitário.

    abs

  13. Rafael M. F. 12 de setembro de 2013 at 20:43 #

    Dalton, não lhe contesto. A sorte recompensa os audazes.

    Mas creio que Cradock conhecia seu inimigo, e conhecia a si mesmo. E creio que ele sabia que seu navio não tinha condições de bater de frente, dada a disparidade de forças. Ele sabia que os navios alemães, além de mais poderosos, eram tripulados por gente experiente, ao contrário dos seus próprios navios.

    Mas, mesmo assim, ele partiu para cima de Spee. Provavelmente na esperança de causar danos aos alemães, como afirmaste, e tentar sair do local, já que poderia se refugiar em portos chilenos para quaisquer reparos, ao contrário de Spee, que só pôde ficar 24 horas em Valparaíso.

    Para mim também é difícil compreender uma decisão dessas, onde a retirada seria plenamente justificável – daí a minha linha tênue entre a coragem e a estupidez.

    Tenho um extremo respeito por Cradock e Spee – esse último, por ter se sacrificado para dar aos cruzadores ligeiros a chance de escapar.

    Mas Cradock tinha a opção de não entrar em combate. Spee, não.

    Bom, dou três versões para a decisão de Cradock, IMHO:

    1) A ambiguidade das mensagens passadas pelo Almirantado: ele deveria aguardar reforços, mas não possuía nenhuma orientação quanto ao que fazer caso encontrasse Spee;

    2) O precedente criado pela fuga do Goeben, onde três colegas de Cradock foram severamente repreendidos, e um deles inclusive foi submetido à Corte Marcial, por ter decidido não entrar em combate quando houve a oportunidade, embora possuísse orientações de “não dar combate a uma força superior”;

    3) O pressuposto de que poderia atacar Spee, causar-lhe algum dano e se retirar da área, o que se revelou tragicamente equivocado.

    Mas o terceiro foi consequência dos dois primeiros.

    Resumo da ópera: mantenho a opinião que o ato de Cradock foi suicida. Mas credito esse desastre quase que exclusivamente ao Almirantado, cuja capacidade de clareza se mostrou falha, e cuja estrutura de C² era completamente inadequada.

  14. daltonl 12 de setembro de 2013 at 21:29 #

    Ao menos um dos objetivos Cradock conseguiu, que era fazer os alemães gastarem preciosa munição que não poderia ser reposta.

    Sempre achei algumas similaridades com Custer e sua última batalha:

    - não houve sobreviventes, ao menos onde ocorreu o grosso da luta;

    - Cradock não considerou o HMS Canopus por ser lento enquanto Custer recusou as gatlings pelo mesmo motivo;

    - Cradock receava ter o mesmo fim de seus colegas, enquanto Custer
    havia caído em desgraça com o Presidente Grant por ter chamado
    acessores do Presidente de corruptos, portanto ambos homens
    tinham motivos extras para ir a luta;

    - Ambos eram como cães de caça, uma vez sentindo o cheiro da presa
    não a deixariam escapar.

    - No caso de Spee, um cavalheiro igualmente, ele perdeu dois filhos que corretamente estavam em navios diferentes, enquanto Custer, perdeu dois irmãos, um sobrinho e o cunhado.

  15. MO 12 de setembro de 2013 at 22:49 #

    Verdade Dalton, mas o momento, digo a decisão de tomar uma ação, depende muitos dos dados que se tinha disponíveis e/ou que se supõem estrem nas mãos no momento, e este momento, as vezes as consequencias durão uma eternidade, mas que ainda assim a decisão são em momentos curtissimos. As vezes a guerra é uma arte não muito linear e talves os fatores decisivos de um combate assim o tenham dirigido.

    Agradeço muito a Voce e ao Rafael por engrandecerem muito este post, sabe um post sobre algo real, fascinante e palpavel, tão mais legal que ficar conjecturando sobre coisas que nem existem que geram bla bla bla´s quilometricos e na maioriaa das vezes futeis.

    Parabens aos dois, o Fernandinho deve estar Buzy no momento e uma pena, uma pena muito grande Reginaldo Bacchi não ter visto e comentado este post !!

    Muito Obrigado !!!

  16. GUPPY 13 de setembro de 2013 at 21:51 #

    Esta matéria me lembrou alguns comentários do Nunão, do MO e do Dalton no post “Um retrato da nossa Esquadra” de 29 de outubro de 2011, by Galante, onde:

    Nunão disse:

    “Quanto às Falklands inglesas, a batalha do Rio da Prata teve um precedente na IGM, quando uma força de cruzadores pesados e leves liderada pelo Graf Spee (na época o almirante, não o navio…) foi batida pela pela força de cruzadores de batalha ingleses Invincible e Inflexible, mandados pra lá às pressas.”

    MO disse:

    “Ow Fernandinho eles na verdade começaram a se pegar em aguas chilecas”

    a treta terminou nas Falkands, como o Scharnorst e o Gneisenau indo pro saco (em tempo o Schar e o Gneise da IGM, claro, aonde o G(eraudo) Spee bateu as bota)”.

    Admiral Dalton disse:

    “Na Primeira Guerra, os alemães tinham colonias no oceano Pacifico,
    e uma grande marinha e o Almirante Spee após sua vitória próximo ao Chile só poderia rumar para o Atlantico onde pretendia bombardear as Falklands que era também uma estação de reabastecimento de carvão para a Royal Navy e foi surpreendido pelos cruzadores de batalha que o Nunão mencionou acima.”

    Só o termo “Coronel” não foi citado porque não houve necessidade.

    http://www.naval.com.br/blog/2011/10/29/um-retrato-da-nossa-esquadra/#comments

    Abraços

  17. Rafael M. F. 14 de setembro de 2013 at 7:56 #

    GUPPY disse:
    13 de setembro de 2013 às 21:51

    Vou jogar esse comment no post abaixo. A gente continua lá.

    http://www.naval.com.br/blog/2013/09/12/por-falar-em-coronel-e-em-good-hope-os-reparos-do-glasgow-no-brasil-em-1914/#axzz2eraIHWVi

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