Fragata União patrulha ‘corredor’ da guerra civil síria

Fragata União no Líbano

ROBERTO GODOY – O Estado de S.Paulo

vinheta-clipping-navalA fragata F-45 União, da Marinha do Brasil, está na zona de guerra, no Mediterrâneo, no eixo marítimo do provável escoamento clandestino de armas para o grupo radical Hezbollah – mas não apenas. Segundo o consultor das Forças Navais Libanesas, Ismail Sharif, “há uma grande preocupação com o contrabando endereçado ao conflito civil sírio”.

O navio brasileiro é o líder da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Unifil). A frota tem sete unidades, além da F-45 União: duas da Alemanha, duas de Bangladesh, uma da Indonésia, uma da Turquia e uma da Grécia.

Há 269 militares brasileiros, 208 dos quais são tripulantes da Armada, a bordo da fragata – os demais são especialistas, como os 14 do Destacamento Aéreo, os 19 fuzileiros navais, os 15 oficiais do Estado-Maior, os quatro do Corpo de Saúde e os nove Mergulhadores de Combate, os homens da força especial treinada com referência no time americano Seal, responsável por façanhas – como a que resultou na morte do líder Osama bin Laden, da Al-Qaeda.

A missão prioritária da União é rastrear, identificar e interrogar navios em trânsito na área. Esta é a segunda vez que a F-45 atua na região. Ela foi a primeira capitânia do Brasil da FT-Unifil em 2011. Outras unidades nacionais da classe assumiram a tarefa depois, a intervalos de aproximadamente seis meses.

Desde o começo da participação da Marinha no processo, foram realizadas 19.250 interrogações e cerca de 1.550 inspeções. Essa etapa do procedimento é executada exclusivamente por equipes das forças libanesas.

Tensão

Não é um trabalho burocrático. Talvez 100 disparos reais, porém de advertência, foram realizados para intimidar e constranger embarcações geralmente mercantes, que se recusam a obedecer à norma de verificação estabelecida no mandato da ONU.

Ismail Sharif garante que “em várias ocasiões o radar de vigilância indicou a presença de drones, os veículos aéreos não tripulados, cruzando o espaço a grande altitude em clara função de observação sobre o mar”.

Nada se compara, porém, à tensão causada pelo sobrevoo de caças de Israel. Um oficial, ex-integrante do grupamento brasileiro conta que, quase todos os dias, os jatos supersônicos Falcon F-16I invadem o limite do Líbano e cruzam o corredor marítimo utilizado pelos contrabandistas de armas.

“Por esse mesmo motivo, também estamos nessas coordenadas”, explica o comandante. E é aí que os pilotos israelenses testam os limites: ativam seus radares e esperam o sinal de detecção do sistema do navio, medindo, assim, o tempo de resposta. “É um jogo pesado de alto risco: uma informação mal interpretada pode ter consequências muito sérias, dramáticas”, pondera o militar brasileiro.

A F-45 União, comandada pelo Capitão-de-Fragata Gustavo Calero Garriga (o comandante da FT é o contra-almirante Joése de Andrade Bandeira) é a mais nova das seis fragatas compradas, há 40 anos, na Grã-Bretanha durante o governo de Ernesto Geisel. As últimas três foram construídas no Rio. Entre 1997 e 2003, todas passaram por um programa de revitalização, ganhando novos radares, recursos eletrônicos sofisticados e armas avançadas.

Celso Amorim, ministro da Defesa, afirmou sexta-feira que o Brasil é “um país provedor da paz”, no Instituto Rio Branco, onde são formados diplomatas. O ministro explicou que política externa e política de defesa se complementam na tarefa, tanto no conjunto regional como no sistema internacional, contexto em que se situam as missões pacificadoras como a da Unifil.

FONTE: O Estado de S. Paulo (título original “Fragata do Brasil patrulha ‘corredor’ da guerra civil síria“)

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Jornalista formada pela Universidade Federal do Paraná. Ganhou o Prêmio Sangue Novo do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná com uma monografia sobre o PROSUB. Feliz proprietária de um SSN classe Virginia.

9 Comentários para “Fragata União patrulha ‘corredor’ da guerra civil síria”

  1. Marcos 24 de setembro de 2013 at 16:28 #

    Autoridades russas detiveram embarcação do Grrenpeace, com brasileira a bordo, após tentarem invadirem uma plataforma de gás e petróleo russa.
    (folha)

    Pois é!
    Já imaginou se fosse nos EUA? Ia ser uma discurseira sem fim lá na ONU.

  2. daltonl 24 de setembro de 2013 at 19:10 #

    “As últimas três foram construídas no Rio. ”

    Danger Will Robinson !

    Na verdade as últimas DUAS foram construídas no Brasil.

  3. MO 24 de setembro de 2013 at 19:30 #

    KKKK isso sem contar a maior assinatura de um sapiencia o tal a F45 Uniao … ah sim o F 45 eh a união, nao a Uniao eh o F 45 … kkkkkkk Dalhe sapiencia !!!

    Nem vou falar do hifem ….

  4. Jacubão 24 de setembro de 2013 at 22:28 #

    A UNIÃO FAZ A FORÇA!!!
    Está lá porta climática do navio!!!

  5. wwolf22 25 de setembro de 2013 at 13:10 #

    A Fragrata recebeu algum “equipamento especifico” para patrulhar essa area ??

  6. MO 25 de setembro de 2013 at 13:22 #

    sim, pontos 50 (e isso eh serio), o lynx ta com o flir e 7,62, ta equipada plena para função

  7. MO 25 de setembro de 2013 at 15:18 #

    em tempo, mais um cape size ‘pequenininho’ de 106.000 t. =
    http://santosshiplovers.blogspot.com.br/2013/09/mv-abml-eva-9ha3041-mais-um-cape-size.html

  8. GUPPY 26 de setembro de 2013 at 22:44 #

    MO,
    Desculpe a franqueza mas achei o cape size do link feinho principalmente a proa com as protuberâncias nos escovéns. Ainda bem que o que importa mesmo não é a beleza, certo? Valeu o registro principalmente pelo deslocamento.

    Abs

  9. MO 27 de setembro de 2013 at 13:40 #

    risos Guppy, mas estas protuberancias são bem funcionais, eu achei lindo (sou suspeito para cape sizes)

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