Submarino com propulsão nuclear Álvaro Alberto

Cinco novos submarinos, que estão sendo construídos na costa fluminense, deverão ser entregues até 2023, segundo a Marinha brasileira

ClippingNEWS-PAProteger as riquezas nacionais de ameaças navais que emerjam no futuro é a justificativa da Marinha para os R$ 23 bilhões que o Brasil está investindo para construir um submarino com propulsão nuclear e quatro modelos convencionais que substituirão a frota atual.

Com o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub), que tem previsão de entrega dos cinco veículos até 2023, o País ingressará em um seleto grupo que dispõe de tecnologia para a construção de submarinos nucleares, hoje formado apenas por Estados Unidos, China, Rússia, Reino Unido e França. Esta última é a parceira escolhida para a transferência tecnológica que possibilitará a fabricação do veículo naval em território nacional. Lançado em 2008, o Prosub contempla, além dos submarinos, a construção de um estaleiro e de uma base naval.

Embora seu cronograma físico-financeiro se estenda até 2025, a Marinha mantém a previsão de conclusão do submarino nuclear, chamado de Guardião da Amazônia Azul, para 2023. Até o momento, o Prosub não sofreu cortes ou contingenciamentos que prejudicassem o cronograma. “O programa está sendo executado dentro do previsto, com pequenas alterações”, afirma o contra-almirante José Roberto Bueno Junior, diretor do Centro de Comunicação da Marinha.

Encerrada a fase de concepção, o submarino nuclear passa agora pela etapa do projeto básico. As fases seguintes incluem o detalhamento e a construção e testes. Para tanto, o Brasil já investiu R$ 10,3 bilhões no programa – aproximadamente 48% do aporte necessário. Neste ano, a previsão é de injeção de mais R$ 2,261 bilhões. Até a sua conclusão, outros R$ 11 bilhões devem ser aplicados.

Efeito dissuasório
De acordo com Bueno, o submarino nuclear terá um “efeito dissuasório”. Sob esse prisma, aquele que desejar atentar contra o País, independentemente de sua motivação, será compelido a frear seu ímpeto bélico pela presença da embarcação. O investimento encontra-se em um patamar de elevada importância, conforme o militar, porque mais de 90% do petróleo brasileiro é extraído do mar, que ainda serve como via de transporte para 95% do comércio exterior. O submarino será também, na sua visão, um instrumento de defesa da “Amazônia Azul” – extensa área oceânica, adjacente ao continente, com incalculáveis bens naturais.

O argumento é o mesmo utilizado pelo coordenador do Prosub, o almirante de esquadra Gilberto Max Roffé Hirschfeld, em audiência realizada pela Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, em fevereiro. Segundo ele, o País é foco de ambições, em virtude de suas riquezas e capacidades, e necessita estar preparado e com uma Força Armada potente. “Não para entrar em guerra. Ao contrário, exatamente para ter o poder de dissuasão”, declarou.

Para Bueno, outro aspecto relevante é a transferência de tecnologia, a qual permitirá a fabricação nacional de equipamentos e sistemas dos submarinos, muitos deles com alto teor tecnológico e passíveis de serem aplicados em outros setores industriais. “Ao término do programa, o Brasil terá aumentado significativamente sua capacidade dissuasória e de gerenciamento de empreendimentos dessa envergadura, além de ser reconhecido pela sua capacidade de projetar, desenvolver e construir submarinos convencionais e com propulsão nuclear”, aposta.

Atualmente, cinco submarinos integram a frota da Marinha do Brasil. O mais antigo, o Tupi (S-30), foi construído na Alemanha e incorporado em 1989. O mais novo, o Tikuna (S-34), foi construído no Rio de Janeiro e incorporado à frota em 2005. Eles serão substituídos pelos novos submarinos convencionais, com custo estimado em 500 milhões de euros por unidade.

Vantagens sobre convencional

Armado com torpedos e mísseis, o Guardião da Amazônia Azul terá 100 metros de comprimento, cerca de 10 metros de diâmetro e 17 metros de altura. Com autonomia ilimitada (alimentada por um reator nuclear), poderá imprimir até 25 nós (45 km/h) a 350 metros de profundidade. Sua tripulação será composta por 100 militares.

Embora a capacidade de ocultação seja comum a embarcações do tipo, o submarino nuclear não precisa se expor na superfície para recarregar as baterias em determinados intervalos – período no qual o modelo convencional torna-se vulnerável, podendo ser detectado por radares de aeronaves ou navios. Assim, afirma Bueno, a embarcação dispõe de maior mobilidade, o que é tido como um fator importante para a defesa.

Com fonte virtualmente inesgotável de energia, ele pode desenvolver altas velocidades por tempo ilimitado, cobrindo rapidamente áreas geográficas consideráveis. “Pode chegar a qualquer lugar em pouco tempo, o que, na equação do oponente, significa poder estar em todos os lugares ao mesmo tempo”, afirma.

maquete_submarino_nuclear-brasileiro

Estratégia acertada
Na opinião de Leonam dos Santos Guimarães, doutor em Engenharia Naval e Oceânica, que atuou por 20 anos no Programa Nuclear da Marinha, a estratégia brasileira é acertada e o investimento se justifica não apenas por questões comerciais, como também por aspectos geográficos e demográficos. Ele salienta que o país possui 7.408 quilômetros de extensão de costa oceânica e que mais de 70% da população brasileira reside numa faixa litorânea que se estende por até 100 quilômetros do mar.

“Para preservarmos tantos interesses, é essencial que estejamos preparados para, caso necessário, controlar áreas marítimas estratégicas ou negar o seu controle por potências estrangeiras e impedir a exploração econômica por um outro país sem nossa concordância”, afirma.

Guimarães lembra que a ideia de construção do submarino nuclear passou a ser amadurecida pela Marinha em 1978. Também ressalta as vantagens do projeto na comparação com o modelo convencional, considerando-o muito superior na distância que pode navegar e na velocidade empreendida. Por fim, entende que o Prosub é viável do ponto de vista técnico e econômico, mas acredita que possa haver dificuldades para vencer os prazos estabelecidos. “As disponibilidades financeiras ano a ano podem comprometer a previsão de entrega até 2023”, avalia.

FONTE: Terra

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Jornalista especializado em temas militares, editor-chefe da revista Forças de Defesa e da trilogia de sites Poder Naval, Poder Aéreo e Forças Terrestres. É também fotógrafo, designer gráfico e piloto virtual nas horas vagas. Perfil no Facebook: https://www.facebook.com/alexandregalante

77 Responses to “Sem cortes, programa de submarinos já consumiu R$ 10,3 bi” Subscribe

  1. Ozawa 21 de abril de 2014 at 0:00 #

    Tá bom, mas combinaram com os russos ?

    Incomoda-me essa história recorrente de justificar um SubNuc para”proteger-a-amazônia-azul”… De quem ? Se for da Marinha de Cuba, da Mauritânia, da Namíbia, tudo bem, mas acho que é usar um bate-estacas para prender um prego no chão…

    Nada contra um SubNuc, como arrasto tecnológico de várias matizes da economia, o principal argumento na minha modestíssima opinião, negação (limitada) do uso do mar contra uma moderna força marítima numa estratégia conjunta de defesa (que ainda não temos). Mas esse ufanismo de guardião da Amazônia Azul é demais e causa ânsia de vômito !

    Se os EEUU, Rússia, China, Reino Unido, (e mesmo a França, “amiguinha” e detentora do projeto…) num futuro remoto, remotíssimo, lá pelos idos de 2040, entenderem numa reunião fechada do Conselho de Segurança da ONU, onde o Brasil SubNuncaSentará, que a “Amazônia Azul” deve ser internacionalizada, não é unzinho, doisinhos SubNuc Tupiniquim que nos irá defender de dezenas de ‘improved’, estou falando futurologicamente de 2040…, Virginia, Seawolf, Ohio , Barracuda, Astute… e suas respectivas unidades de superfície numa Força-Tarefa arrasa Amazônia-Azul…

    Menos, bem menos, mas bem menos mesmo…

    A propósito, cadê as escoltas ?

  2. Ozawa 21 de abril de 2014 at 0:10 #

    Como as “escoltas” não têm empreitera envolvida amargam até hoje uma decisão…

    Sinceramente, não há provas concretas (sem perdão do trocadilho) de financiamento das empreitreiras a políticos e militares brasileiros…, mas só esse inédito fluxo financeiro ininterrupto do Tesouro Nacional ao SubNuc, que já em construção aplica uma clássica “negação do uso do dinheiro” por outras unidades navais, é muito estranho…

  3. MO 21 de abril de 2014 at 1:39 #

    pessoal, este sai agora a pouco, a noite, com chuva para pegar ele, novissimo, vindo do estaleiro para SSZ, navio tanque para sucos citricos !!!! =

    http://santosshiplovers.blogspot.com.br/2014/04/mt-orange-ocean-d5ds2-maiden-voyage.html

    Very first photos during her maiden call Santos

    !0 photos

  4. thomas_dw 21 de abril de 2014 at 9:02 #

    O projeto do novo submarino nuclear nao se chama ´Guardião da Amazônia Azul´ mas ´Elefante Branco´.

    a primeira unidade terá o nome de ´Falta de Escala de Produção´ e sera seguido pelo ´Sucatamento da Esquadra´,´Baixos Soldo da Tropa´ e Infraestrutura Militar Naval precária´.

    A nova classe sera denominada ´Debandada Geral´ – que é o que vai ocorrer com a falta de dinheiro para todos os outros setores da Esquadra.

    Salve se quem puder.

  5. aldoghisolfi 21 de abril de 2014 at 9:55 #

    OZAWA, bom dia! Li os teus comentários mas precisei atender ao telefone, quando retornei o thomas_dw já estava postado e ele disse mais ou menos parte do que eu ia referir. Fui criticado tempos atrás quando comentei que achava que deveríamos ter uma excelente flotilha de subs convencionais e uma mais do que excelente esquadra de superfície, pois de nada adianta UM nuke. Comentei que apoiava o projeto do nuke apenas para que pudéssemos ter a pesquisa nuclear em permanente desenvolvimento e sob controle militar. NO MAIS, fazer como os israelenses que colocaram mísseis com pequenas ogivas nuclaeres nos seus subs convencionais. Nós podemos fazer o mesmo e aí, só aí sim!, teríamos poder de dissuasão. Caso contrário, será sempre como dissestes e o thomas complementou.

    Lê o comentário lá no FORTE a respeito da comemoração do Dia do Exército; estão corretos.

  6. joseboscojr 21 de abril de 2014 at 10:19 #

    Realmente está provado que o submarino é a principal arma para por a pique as unidades de superfície.
    Um bom nome para o submarino nuclear brasileiro é Exocet.

  7. Blind Man's Bluff 21 de abril de 2014 at 10:46 #

    Ou entao Kursk.

  8. thomas_dw 21 de abril de 2014 at 10:59 #

    O Submarino Nuclear – a quinta unidade da serie, sera cancelado pelo próximo governo, qualquer que seja.

    As condições precárias das contas do Governo, não permitirão que se gaste Bilhões de Reais num protótipo de duvidoso (leia-se : nenhum) valor militar.

    O próprio conceito do Submarino Nuclear caminha para a obsolescência devido ao custo exorbitante, enquanto o AIP começa a ser cada vez mais viável.

    Um SSK Japonês, de 4,000t com AIP derrota qualquer SSN pela metade do preço, voce compra 24 SSK pelo preco de 10-12 SSN e ainfraestrutura e’ bem mais barata.

    A verdade e’ que o sonho do SSN e’ um pesadelo.

    Uma Marinha que nao e’ capaz de repor uma Fragata de em um prazo de 50 anos como a nossa nao e’ (leia se as Niteroi) nao pode e nao deve sonhar com um Mamute Branco.

  9. joseboscojr 21 de abril de 2014 at 11:08 #

    Thomas,
    Tá otimista em meu amigo!!

  10. thomas_dw 21 de abril de 2014 at 11:45 #

    espera só o ano que vem – quando a fatura vier.

    um detalhe quanto ao SSN que raramente e’ mencionado – para ter um reator nuclear a bordo, e necessário ter outro em funcionamento em terra, bela conta que iria sair.

  11. Marcos 21 de abril de 2014 at 12:21 #

    Esses submarinos saíram da mesma cabeça de onde saiu os helicópteros EC-725.

  12. Marcos 21 de abril de 2014 at 12:37 #

    Depois de terem mandado nosso dinheiro para o espaço com o lançamento do satélite com os chineses, agora foi a vez de mandar dinheiro para as profundezas com os submarinos franceses.

    Nosso inimigo não está lá fora. Está aqui dentro.

  13. Blind Man's Bluff 21 de abril de 2014 at 13:36 #

    O inimigo somos nos, brasileiros, ricos, pobres, esquerda e direita. É preciso amadurecer como sociedade.

  14. Ozawa 21 de abril de 2014 at 14:51 #

    Da série “um subnuc pra chamar de seu”, sugiro um nome para o BR1: LE BRÉSIL N’EST PAS UN PAYS SERIEUX*

    Virá bem a calhar um subnuc brasileiro com esse nome em confronto com aquela hipotética força naval internacional para internacionalização da lagosta* da amazônia azul que postei acima…

    * a propósito 1: De Gaulle NÃO é o autor dessa frase…

    * a propósito 2: na Amazônia Azul a lagosta nada ou anda ?

  15. aldoghisolfi 21 de abril de 2014 at 15:27 #

    De Pimenta, “o Brasil não é um país sério” foi pronunciada por um brasileiro. E ele era o Embaixador Carlos Alves de Souza, que serviu em Paris entre 1956 e 1964. Durante o conflito pesqueiro entre o Brasil e a França, conhecido como “Guerra da Lagosta”, em 1962, o embaixador foi chamado pelo Presidente Charles De Gaulle para discutir o problema. Carlos Alves de Souza saiu da reunião convencido de que a França estava com a razão. Horas mais tarde, ao ser entrevistado por um jornalista brasileiro, expressou seu descontentamento com a famosa frase. E como “quem conta um conto, aumenta um ponto”, como diz outro adágio popular, por aqui espalhou-se o boato que a tal frase tinha sido dita por De Gaulle, mito que permanece até hoje”.

    Nunca antes na história desse país uma frase foi tão bendita/bem dita. Permanece válida até hoje.

  16. Reinaldo Deprera 21 de abril de 2014 at 16:25 #

    Eu fico triste em ver tanta gente contra. O SubNuc é caro? É! Porque é caro? As razões tem muito mais haver com o socialismo francês e seu bem estar social do que os custos de transferência de tecnologia.

    Mas – sempre o mas – sairia mais caro se partíssemos do zero, não é mesmo? Então, no mínimo tá no zero a zero. Com a vantagem de fomentar as indústrias de alta tecnologia dos dois países, Brasil e França.

    Outra coisa é que esta arma dará a capacidade da Marinha do Brasil de negar o uso do mar por outras forças navais e, causar sérios danos a qualquer outra força naval mais bem equipada. O poder de dissuasão das Forças Armadas do Brasil será alavancado para outro nível. A MB poderá exercer a negação do uso do mar, para boa parte dos países que existem.

    Alguém aí está preocupado com o louco do Maduro comprando arma a rodo? Relaxa, 5 SubNuc no Mar do Caribe e não chega papel higiênico nunca mais!

    Ozawa
    21 de abril de 2014 at 0:00

    “…reunião fechada do Conselho de Segurança da ONU, onde o Brasil SubNuncaSentará..”
    Não sei não em, acho que o SubNuc preenche alguns “requerimentos” para ocupar uma cadeira no conselho. Se o Brasil mostrar a capacidade nas próximas eleições de vencer interesses políticos externos (antigos e “rojos”) e com isso, se firmar como uma democracia de fato. Mesmo sem armas nucleares mas com o T-50 killer + SubNuc, não haverá mais desculpas para votar contra o Brasil nas próximas eleições de membros do conselho de segurança da ONU.

  17. Ozawa 21 de abril de 2014 at 16:29 #

    “As pessoas fazem a sua história, mas não sob condições de sua escolha.” Karl Marx

    “O passado é um país estrangeiro: fazem as coisas de modo diferente por lá.” L.P. Hartley

    Considerando os aforismos acima, é certo que olhar a história em perspectiva, do confortável lugar do espectador e não do protagonista daquele momento, suprime uma boa parte da autoridde moral para qualquer avaliação do ato, mas, não fosse assim, sem esse aspecto dialético, a história simplesmente se repetiria. Observo: como estaria a MB se houvéssemos trilhado outros caminhos:

    1) Do divorciamento completo dessa obstinação destrutiva orçamentária de um NAe ?

    2) Da manutenção da parceria com a Alemanha nos submersíveis do consórcio IKL, desenvolvendo e aumentando a frota a um total de pelo menos 10, mesmo que isso significasse o “SubNunCa” ?

    3) Da canalização dos recursos despendidos em projetos mirabolantes (Nae/SubNuc) para definição do ProSuper (6 escoltas) e das ‘improved’ Barroso (12 escoltas) ?

    4) Não teríamos, posto acima, uma MB mais equilibrada e consentânea com a medianidade de nossa estatura geo-política ?

    5) No passado, anos 70/80, a combinação Niterói/Inhaúma/Tupi – se desenvolvida e mantidos os recursos para os projetos iniciais como hoje se observa com o SubNuc – denotava um plano de reaparelhamento sensato pelo almirantado de então ?

    6) Diriam, ora, Ozawa, se não for isso que (não) temos hoje, não seria nada disso que você pretende, é isso ou nada ?

    7) Então, tudo bem, vamos lançar ao mar o “LE BRÉSIL N’EST PAS UN PAYS SERIEUX” ao som do Samba da Lagosta…

  18. Alexandre Galante 21 de abril de 2014 at 17:27 #

    Pessoal, pensando bem, o investimento que está sendo feito vale a pena.

    Só como comparação, o programa Minha Casa, Minha Vida consumiu de 2009 a 2013, R$ 73,2 bilhões.

    O Bolsa-Família consumiu 24 bilhões só em 2013.

    O Programa Nuclear da Marinha têm gerado arrasto tecnológico altamente benéfico para a nossa indústria, que de outra forma não conseguiríamos obter.

    Um submarino nuclear não se compara com um convencional, em nenhum quesito. O SSN é uma arma de outro patamar, equivale à Dama (ou Rainha) do jogo de xadrez naval. O submarino convencional é o peão, muito limitado, principalmente no Atlântico Sul.

    Se o Brasil conseguir fazer seu submarino nuclear, será um feito a ser comemorado.

    O mais difícil será convencer os governos de esquerda a terem o mesmo comprometimento com a Defesa que eles mostram com os programas sociais.

  19. Farragut 21 de abril de 2014 at 18:35 #

    Como falar em dissuasão se nosso poder político parece mais comprometido em “investir” no Poder Marítimo de outros países através das onipresentes empreiteiras?

    http://oglobo.globo.com/economia/apoio-superporto-no-uruguai-pode-tirar-cargas-de-terminais-brasileiros-12247958

    Nesse contexto, como deixar claro a potenciais adversários que o Brasil fará tudo o que for necessário para defender seus interesses nacionais, inclusive com o uso da força?

  20. Marcos 21 de abril de 2014 at 18:36 #

    Um submarino nuclear é, de fato, uma arma e tanto. Mas há pré requisitos. O cidadão tem um Porsche Panamera, mas mora em favela. Não dá! Primeiro, primeiro, primeiro, primeiro, os meios de superfície, depois a gente fala em submarino nuclear. Se hipoteticamente a USNavy resolver atacar o Brasil, esse submarino vai é ser caçado.

    E já vi muita gente dar cheque mate com peão.

  21. thomas_dw 21 de abril de 2014 at 18:43 #

    um pais com tantos problemas de infraestrutura, educação, saúde não precisa de um programa de Submarinos Nucleares.

    Um programa de meia duzia de SSN custa a bagatela de US$ 12bn só para os SSN sem contar a infraestrutura, estamos falando de R$25 a 30 bilhões de Reais, isto num pais aonde nem um Metro bom temos.

    Em uma democracia, aonde se discute prioridades, um programa Nuclear destes nem seria discutido.

    Isto quando as 9 Fragatas da Marinha estão chegando ao fim da vida util sem um programa viável a vista para os substituir, 4 das 5 Corvetas estao encostadas, o único Porta Avioes nao sai do Porto, o unico Navio de Assalto e’ mais velho que o Sao Paulo, o Porta Avioes mais Velho do Mundo.

    Se o SSN sair, vai ser um prototipo que como o Sao Paulo, nunca sera operacional e ira ser um buraco negro que destruirá a Esquadra.

  22. juarezmartinez 21 de abril de 2014 at 18:57 #

    Galante! Sobre a tua firmação de se manter o subnuc:

    Ter não significa operar…..

    Hoje, com, cinco IKL, repito cinco submarino de projeto simples, com escala de produção no mundo inteiro, baixo custo de operação, tripulação reduziada, a MB se vê aos tranco e barrancos para mante-los em condições operacionais e atualiaados(por sinal ainda não terminaram a modernização), como é que vão conseguir manter e operar o coisa tão complicada e onerosa quanto um sub nuclear, pelo amor de Deus gente, a Marinha e as demais forças estão com uma sangria de pessoal qualificado por pagar os piores salários do mercado, terem que operar na maior parte das vezes em sucatas que põe em risco a vida de marinheiros, aviadores e infantes diariamente e aí vem essa conversa para boi dormir de guardião do pré sal, só se for o guardião da PQP.

    Grande abraço

  23. Alexandre Galante 21 de abril de 2014 at 19:05 #

    A conversa de guardião do pré-sal é para o gringo e para o político que aprova as verbas.

    Nossos submarinos convencionais só servem para manter doutrins, num conflito real poderiam fazer muito pouca coisa, por causa da velocidade limitada.

    Nos exercícios de que participei a gente escapava dos submarinos acelerando e saindo do caminho deles, o que não dá pra fazer com um nuclear, porque ele te caça, vai atrás de você onde estiver.

    Os gastos militares do Brasil são ridículos, estão em torno de 1% do PIB, vocês estão vendo pelo prisma errado.

    Investimos pouco e fazemos muito com o pouco que é ainda contingenciado todos os anos.

  24. joseboscojr 21 de abril de 2014 at 19:31 #

    O submarino nuclear pra Marinha do Brasil é igual um equipamento de ressonância magnética de última geração para o posto de saúde de Pirapongas do Norte, onde falta gaze e mertiolate, o médico não vai há 5 anos, não tem ninguém que entende o manual em inglês, e a energia elétrica só dura 2 horas por noite. Depois da novela, o gerador desliga.
    Sem dúvida um aparelho de ressonância magnética é um excelente equipamento médico, ninguém duvida disso, mas os pacientes tão morrendo de diarreia e mordida de cobra.

  25. juarezmartinez 21 de abril de 2014 at 19:57 #

    Alexandre Galante 21 de abril de 2014 at 19:05 #

    A conversa de guardião do pré-sal é para o gringo e para o político que aprova as verbas.

    Nossos submarinos convencionais só servem para manter doutrins, num conflito real poderiam fazer muito pouca coisa, por causa da velocidade limitada.

    Nos exercícios de que participei a gente escapava dos submarinos acelerando e saindo do caminho deles, o que não dá pra fazer com um nuclear, porque ele te caça, vai atrás de você onde estiver.

    Os gastos militares do Brasil são ridículos, estão em torno de 1% do PIB, vocês estão vendo pelo prisma errado.

    Investimos pouco e fazemos muito com o pouco que é ainda contingenciado todos os anos.

    Galante! De nada adianta investir uma baba para ficar mofando no cais por falta de recursos para opera-lo, e é o que vai acontecer, porr a gente não consegue operar um NAPA full, falta dinheiro.
    Não estamos discutindo a validade estratégica do Subnuc, apenas que não poderemos mante-lo, pois quando acabar as obras, acaba o fluxo de Interesse($$) pelo projeto.
    Observas as marinhas da Australia, Canada, Espanha, Holanda,e etc…os caras continuam com a opção de operar subs diesel elétricos de melhor desempenho com os fabricados pelo Japão do que optar pelo nuclear, sabe porque?

    Porque eles sabem que ter não significa operar…..

    Grande abraço

  26. Mauricio Silva 21 de abril de 2014 at 20:09 #

    Olá.
    A idéia de se ter (pelo menos) um submarino nuclear de ataque na MB ganhou força com a Guerra das Malvinas/Falklands. O deslocamento da esquadra inglesa no Atlântico Sul, deixou o país (Brasil) numa situação incômoda: ter de deixar sua esquadra fundeada, pois não tinha meios efetivos de se contrapor ao “invasor”. A única “ameaça” poderia vir da FAB. E a “eterna” disputa (MB/FAB) não poderia ficar de fora.
    Assim, a MB passou a investir na construção de um SubNuc. Mas com recursos sempre baixos e limitados, o projeto andou (até o início do século) “à passos de tartaruga”. Foi no governo do PT que o projeto ganhou força e recursos, até chegar a sua viabilidade atual.
    Temo, porém, que o resultado final seja um “vôo de galinha”, se não houver uma manuteção orçamentária/estrutural para os (um é pouco…) SubNuc brasileiros.
    Infelizmente, a nossa história mostra que mudanças de governo trazem descontinuidades a projetos em andamento nas FFAA. Muita coisa terá de mudar para que tenhamos SubNuc efetivos na MB. É esperar para ver (ou para não ver…).
    SDS.

  27. daltonl 21 de abril de 2014 at 20:44 #

    Esqueceu-se mencionar a India no “clube” e falando em India, ela é a detentora do” mais velho porta avioes do mundo” Thomas, quase 4 anos mais “velho” que o NAeSP, mas em breve o Viraat será retirado de serviço, então essa “honra” será nossa.

    Arrisco a escrever que o Brasil necessita mais de SSNs do que os paises que o Juarez mencionou…cujo TO é mais limitado e ainda possuem acordos sérios de defesa com os EUA e não apenas de exercícios navais.

    Mas como já escrito aqui, SSNs comprometem o restante da Esquadra…algo semelhante está ocorrendo na US Navy onde bilhões de dólares serão gastos para substituir os atuais SSBNs comprometendo os demais meios navais.

    E não serão uma duzia de submarinos entre nucleares e convencionais, dos quais nem todos estarão sempre disponiveis que irão conter uma hipotética grande força naval ou mesmo uma união de marinhas médias.

    E apesar de tudo, temos a segunda maior marinha do
    continente americano…não tá fácil para ninguém :)

  28. joseboscojr 21 de abril de 2014 at 20:47 #

    Eu ainda acho que o melhor pro Brasil evitar que levem o pré-sal debaixo do braço e miniaturizem a Amazônia é a bomba de cobalto de 10.000 Mt enterrada debaixo da Praça dos Três Poderes.
    Se algum chefe de Estado olhar feio pra gente nós ameaçamos de detonar o bicho. Se insistirem na encarada, BUMMMMMMMMMMMM

  29. Alexandre Galante 21 de abril de 2014 at 20:57 #

    Juarez, esses países que você citou não vale, fazem parte da OTAN e estão sob o guarda-chuva do EUA. E não dá pra comparar o Mediterrâneo com o Atlântico.

  30. joseboscojr 21 de abril de 2014 at 21:10 #

    De preferência o Brasil tem que esperar a hora certa de detonar a BOOMMMMMMMMBA, que é pra ver se a explosão dá uma empurradinha e a Terra sai de órbita e vai em direção ao Sol.
    Pelos meus cálculos, em uns 6 meses a Terra entra na fotosfera, claro, se a detonação da BOMMMMMMMMBA, for no momento certo.

  31. Alexandre Galante 21 de abril de 2014 at 21:37 #

    Bosco, vc tá muito nihilista, hein? rs

  32. joseboscojr 21 de abril de 2014 at 21:45 #

    Realmente Galante!
    E tem “piorado” ultimamente.

  33. joseboscojr 21 de abril de 2014 at 21:47 #

    Mas tá bom!
    Eu abandono a ideia da Terra se chocar com o Sol e fico só com a BOMMMMBA.rsrsssss

  34. Fernando "Nunão" De Martini 21 de abril de 2014 at 22:08 #

    Senhores, o verdadeiro buraco é, como sempre, mais embaixo (ou mais profundo, já que o assunto é submarinos). A dura realidade se impõe aos planejamentos mais otimistas.

    Não vejo nada de errado com o investimento para ter, enfim, o primeiro submarino nuclear, pelos meios que foram possíveis (tentou-se por projeto próprio, tanto de um convencional quanto de um nuclear, mas as condições da virada para os anos 90 impediram a continuidade).

    Tirando minhas ressalvas de que outras prioridades, a meu ver, já deveriam há muito estar sendo resolvidas antes de se pensar num grande programa de submarinos, como a da substituição das fragatas, realmente nada contra. É claro, se não houvesse o programa de submarinos, nada garante que houvesse no lugar um de fragatas, como frisou outro dia o LM e eu concordo plenamente com a opinião dele, dados os precedentes históricos.

    O problema maior é a tendência da frota realmente operacional diminuir cada vez mais, tanto de superfície quanto de submarinos.

    Isso porque, abaixo de certo número mínimo da frota em geral, a quantidade de meios efetivamente disponíveis cai e muito quando problemas se acumulam. E problemas não têm faltado para resolver.

    Hoje temos cinco corvetas. Quantas estão em serviço?

    Uma, a Barroso.

    As quatro Inhaúmas estão no AMRJ, cada uma num estágio de manutenção.

    Apesar de termos cinco submarinos convencionais, eventualmente os reparos e manutenções mais pesadas, assim como as modernizações, podem se acumular devido às dificuldades de se fazer as coisas nos tempos certos, devido aos contingenciamentos.

    Quantos dos cinco atuais submarinos estão realmente em serviço?

    Ao menos na semana passada, creio que só um.

    Pelo que pude conferir na minha última ida ao Rio na semana passada, o Tikuna foi o único que não vi no cais Oeste do AMRJ (assim, pela lógica inversa, deveria estar operacional ou de prontidão na sua base, do outro lado da Baía de Guanabara).

    Quanto aos quatro Tupis, qualquer um que passasse pela ponte que dá acesso ao AMRJ durante a última semana podia ver, sem dificuldade, e dia após dia, três deles no cais Oeste. Qualquer pessoa num dos prédios próximos das obras de desmanche da Perimetral também poderia (ou pode) conferir isso sem dificuldade.

    Dois passaram a semana atracados, provavelmente em algum tipo de manutenção mais leve ou instalação de equipamento, o Timbira e o Tapajó.

    Um terceiro era impossível de não se notar, pois chamava especialmente a atenção: estava no dique flutuante Almirante Schieck, com o casco raspado, todo vermelho, uma belíssima visão de seu porte e linhas. Não dava pra ler a vela direito, até supus que era o Tupi, mas olhando mais atentamente o indicativo me pareceu ser o Tamoio (S 31). Mesmo numa ocasião, olhando de um lugar mais alto, não pude ter certeza.

    Já olhando também do alto por um vão do teto retrátil que instalaram no dique Santa Cruz (excelente ideia essa recente de cobrir o dique normalmente usado pelos submarinos, devo frisar), me pareceu haver um quarto docado ali no Santa Cruz. Sobrou, nas contas, o Tupi, em PMG.

    Duas semanas atrás, em outra ida ao Rio, o panorama era quase o mesmo, com alterações pontuais: só um submarino a menos atracado no cais Oeste, enquanto o Almirante Schieck, com seu submarino dentro, estava no cais Sul.

    Ou seja, mesmo com cinco corvetas, só uma opera no momento, com as outras quatro em manutenção no AMRJ.

    Mesmo com cinco submarinos, ao menos na semana passada só o Tikuna não estava no AMRJ.

    E a coisa fica mais complicada quando vemos a Defensora, do alto, ao longo do tempo. Fica patente o quanto está “depenada”, e a cada vez que a vejo, menos equipamentos são visíveis. Já passou e muito do ponto de ser um PMG, quando os equipamentos são retirados, passam por manutenção, mas percebe-se que voltam. Nesse caso, eles não estão voltando. Parece mais que a Defensora realmente virou uma fonte de peças, infelizmente (posso estar errado, é claro).

    Felizmente, para compensar, os demais navios da classe Niterói e Greenhalgh têm passado pouco tempo no AMRJ individualmente. Atracam, fazem algum trabalho, eventualmente ficam docadas, voltam para as missões. O mesmo vale para a Barroso, que passou vários dias no AMRJ mas já tinha saído na semana passada. Porém, se todo o trabalho sobrou para pouco mais de meia dúzia de fragatas e uma corveta (ao que se soma os três NPaOc que estão direto operando em missões que há pouco tempo sobrava para as escoltas fazerem), logo o preço vai ser cobrado, com vários navios entrando juntos em períodos de manutenção. É quase inevitável, esse filme já foi visto várias vezes (e é o que ocorre com as Inhaúma, que foram usadas até o talo enquanto a classe Niterói estava quase toda parada em modernização). Será que as corvetas hoje paradas já estarão em operação para cobrir as manutenções mais pesadas que certamente virão para as fragatas hoje sendo mais utilizadas?

    Pra não dizer que só trouxe notícias preocupantes, um ponto positivo é que pude ver o NDD Ceará mais uma vez com caldeiras acesas na Guanabara.

    Realmente não é fácil manter uma marinha com boa disponibilidade com tantos trabalhos se acumulando por causa da corda que precisa ser esticada cada vez mais. Assim, eventualmente essa disponibilidade cai muito. Como é o caso desses exemplos das corvetas e submarinos: 20% operando, ou um em cada cinco. Muito pouco, espero que a fase passe e melhore e suba para aceitáveis 50% (ou 60%, três em cada cinco).

    Por essas e outras, reitero: é importantíssimo construir novos submarinos e corvetas, mas é fundamental manter o que se tem operando, e sem ter que dar baixa em parte da classe para canibalizar e manter os demais. Precedentes não faltam, para ficar só com os recentes: foi assim com os últimos classe “Pará” (Garcia), embora justificável por estarem já se aproximando do final da vida útil, mas foi assim também com a prematura desativação da hoje totalmente depenada Dodsworth (tipo 22), e aparentemente está sendo assim com a Defensora, embora torça para que seja reversível. Torçamos para que o mesmo não ocorra com uma das Inhaúmas.

  35. juarezmartinez 21 de abril de 2014 at 22:11 #

    Alexandre Galante 21 de abril de 2014 at 20:57 #

    Juarez, esses países que você citou não vale, fazem parte da OTAN e estão sob o guarda-chuva do EUA. E não dá pra comparar o Mediterrâneo com o Atlântico.

    Galante! A Australia não é membro da OTAN, e tem a China roncando no cangote deles, o Canada que faz parte da OTAN gostaria muito de ter meia dúzia de SSNs, com os Russos passeando nas costas e no território artico deles, porque ele não tem???

    Por que ter não significa poder operar

    Grande abraço.

  36. juarezmartinez 21 de abril de 2014 at 22:19 #

    nando “Nunão” De Martini
    21 de abril de 2014 at 22:08

    Senhores, o verdadeiro buraco é, como sempre, mais embaixo (ou mais profundo, já que o assunto é submarinos). A dura realidade se impõe aos planejamentos mais otimistas.

    Não vejo nada de errado com o investimento para ter, enfim, o primeiro submarino nuclear, pelos meios que foram possíveis (tentou-se por projeto próprio, tanto de um convencional quanto de um nuclear, mas as condições da virada para os anos 90 impediram a continuidade).

    Tirando minhas ressalvas de que outras prioridades, a meu ver, já deveriam há muito estar sendo resolvidas antes de se pensar num grande programa de submarinos, como a da substituição das fragatas, realmente nada contra. É claro, se não houvesse o programa de submarinos, nada garante que houvesse no lugar um de fragatas, como frisou outro dia o LM e eu concordo plenamente com a opinião dele, dados os precedentes históricos.

    O problema maior é a tendência da frota realmente operacional diminuir cada vez mais, tanto de superfície quanto de submarinos.

    Isso porque, abaixo de certo número mínimo da frota em geral, a quantidade de meios efetivamente disponíveis cai e muito quando problemas se acumulam. E problemas não têm faltado para resolver.

    Hoje temos cinco corvetas. Quantas estão em serviço?

    Uma, a Barroso.

    As quatro Inhaúmas estão no AMRJ, cada uma num estágio de manutenção.

    Apesar de termos cinco submarinos convencionais, eventualmente os reparos e manutenções mais pesadas, assim como as modernizações, podem se acumular devido às dificuldades de se fazer as coisas nos tempos certos, devido aos contingenciamentos.

    Quantos dos cinco atuais submarinos estão realmente em serviço?

    Ao menos na semana passada, creio que só um.

    Pelo que pude conferir na minha última ida ao Rio na semana passada, o Tikuna foi o único que não vi no cais Oeste do AMRJ (assim, pela lógica inversa, deveria estar operacional ou de prontidão na sua base, do outro lado da Baía de Guanabara).

    Quanto aos quatro Tupis, qualquer um que passasse pela ponte que dá acesso ao AMRJ durante a última semana podia ver, sem dificuldade, e dia após dia, três deles no cais Oeste. Qualquer pessoa num dos prédios próximos das obras de desmanche da Perimetral também poderia (ou pode) conferir isso sem dificuldade.

    Dois passaram a semana atracados, provavelmente em algum tipo de manutenção mais leve ou instalação de equipamento, o Timbira e o Tapajó.

    Um terceiro era impossível de não se notar, pois chamava especialmente a atenção: estava no dique flutuante Almirante Schieck, com o casco raspado, todo vermelho, uma belíssima visão de seu porte e linhas. Não dava pra ler a vela direito, até supus que era o Tupi, mas olhando mais atentamente o indicativo me pareceu ser o Tamoio (S 31). Mesmo numa ocasião, olhando de um lugar mais alto, não pude ter certeza.

    Já olhando também do alto por um vão do teto retrátil que instalaram no dique Santa Cruz (excelente ideia essa recente de cobrir o dique normalmente usado pelos submarinos, devo frisar), me pareceu haver um quarto docado ali no Santa Cruz. Sobrou, nas contas, o Tupi, em PMG.

    Duas semanas atrás, em outra ida ao Rio, o panorama era quase o mesmo, com alterações pontuais: só um submarino a menos atracado no cais Oeste, enquanto o Almirante Schieck, com seu submarino dentro, estava no cais Sul.

    Ou seja, mesmo com cinco corvetas, só uma opera no momento, com as outras quatro em manutenção no AMRJ.

    Mesmo com cinco submarinos, ao menos na semana passada só o Tikuna não estava no AMRJ.

    E a coisa fica mais complicada quando vemos a Defensora, do alto, ao longo do tempo. Fica patente o quanto está “depenada”, e a cada vez que a vejo, menos equipamentos são visíveis. Já passou e muito do ponto de ser um PMG, quando os equipamentos são retirados, passam por manutenção, mas percebe-se que voltam. Nesse caso, eles não estão voltando. Parece mais que a Defensora realmente virou uma fonte de peças, infelizmente (posso estar errado, é claro).

    Felizmente, para compensar, os demais navios da classe Niterói e Greenhalgh têm passado pouco tempo no AMRJ individualmente. Atracam, fazem algum trabalho, eventualmente ficam docadas, voltam para as missões. O mesmo vale para a Barroso, que passou vários dias no AMRJ mas já tinha saído na semana passada. Porém, se todo o trabalho sobrou para pouco mais de meia dúzia de fragatas e uma corveta (ao que se soma os três NPaOc que estão direto operando em missões que há pouco tempo sobrava para as escoltas fazerem), logo o preço vai ser cobrado, com vários navios entrando juntos em períodos de manutenção. É quase inevitável, esse filme já foi visto várias vezes (e é o que ocorre com as Inhaúma, que foram usadas até o talo enquanto a classe Niterói estava quase toda parada em modernização). Será que as corvetas hoje paradas já estarão em operação para cobrir as manutenções mais pesadas que certamente virão para as fragatas hoje sendo mais utilizadas?

    Pra não dizer que só trouxe notícias preocupantes, um ponto positivo é que pude ver o NDD Ceará mais uma vez com caldeiras acesas na Guanabara.

    Realmente não é fácil manter uma marinha com boa disponibilidade com tantos trabalhos se acumulando por causa da corda que precisa ser esticada cada vez mais. Assim, eventualmente essa disponibilidade cai muito. Como é o caso desses exemplos das corvetas e submarinos: 20% operando, ou um em cada cinco. Muito pouco, espero que a fase passe e melhore e suba para aceitáveis 50% (ou 60%, três em cada cinco).

    Por essas e outras, reitero: é importantíssimo construir novos submarinos e corvetas, mas é fundamental manter o que se tem operando, e sem ter que dar baixa em parte da classe para canibalizar e manter os demais. Precedentes não faltam, para ficar só com os recentes: foi assim com os últimos classe “Pará” (Garcia), embora justificável por estarem já se aproximando do final da vida útil, mas foi assim também com a prematura desativação da hoje totalmente depenada Dodsworth (tipo 22), e aparentemente está sendo assim com a Defensora, embora torça para que seja reversível. Torçamos para que o mesmo não ocorra com uma das Inhaúmas.

    Tudo isto que o Nunão colocu de forma clara e pontual, são FATOS e não factóides como os debilmentais esquerdopatas de outro blog gostam de caricaturizar, tudo isto se resume novamente a :

    Ter ou comprar não sginifica operar….

    Grande abraço

  37. daltonl 21 de abril de 2014 at 22:24 #

    Juarez…

    Australia e EUA estão ligados por outra aliança, chamada ANZUS que envolve também Nova Zelandia.

    Quanto ao Canadá querer SSNs, a situação não anda nada boa por lá, com vários combatentes de superficie indisponiveis e praticamente nenhum dos 4 SSKs e recentemente um dos dois grandes e “velhos” navios de apoio logistico “quebrou” e teve que ser resgatado pela US Navy e não deverá retornar ao serviço.

    Não estou comparando marinhas nem missões, apenas
    lembrando que a situação não está boa para ninguém,
    exceção por enquanto da China.

    abraços

  38. MO 21 de abril de 2014 at 22:28 #

    Fernandinho, aproveitando prate avisar and os que gostaum = https://www.facebook.com/santosshiphotos?ref=hl

  39. Fernando "Nunão" De Martini 21 de abril de 2014 at 22:35 #

    Muito bem, MO!

    Detesto facebook, mas adoro navios…

    Podia ser bridgebook, ao invés de facebook, rsrsrsrs

  40. Alexandre Galante 21 de abril de 2014 at 22:37 #

    Cumpádi Juarez, como disse o almirante Dalton, a Austrália também opera sob o guarda-chuva da US Navy, ou seja, tmb não vale como exemplo.

    De qualquer forma, a Austrália há muito tempo vem namorando a possibilidade de ter seus seus próprios SSN, tendo em vista sua grande teatro de operações.

  41. joseboscojr 21 de abril de 2014 at 22:41 #

    A continuar essa quebradeira no Ocidente e logo, logo, as previsões dos antiocidentais de plantão vão se concretizar e todos nós, inclusive eles e suas famílias, vamos ter que aprender a comer com pauzinho e a bater palminha pra foto do “líder”.
    Isso numa parte do mundo, porque na outra, vão ter que aprender a usar turbante.

  42. joseboscojr 21 de abril de 2014 at 22:43 #

    Belos navios MO.
    Também não sabia que existia “porta suco de laranja gelado”. rsrsss

  43. juarezmartinez 21 de abril de 2014 at 23:02 #

    Tchê Galante! No alto da minha ignorância naval, eu estava tentando aprimorar meu “Ingrês” lendo o Defense News, sem pedir ajudar aos “universitários do “google tradutor” e se meuos olhos e meu cérebro estarem funcionando mais ou menos no alto dos meus quase 50 anos de vida, eu li com estes olhos que a a terra a de comer que os Aussies estavam de namoro com a turma da ex Marinha Imperial do sol nascente para comprar um lote de Subs classe Soryu, um troço de 4.000 tons de deslocamento, como a gente da fronteira do Rio Grande diria: ” Coisa de patrão”…

    Grande abraço

  44. Ozawa 21 de abril de 2014 at 23:05 #

    MO, compartilho da ignorância do Bosco sobre “porta-suco de-laranja” e gelado ainda ! Taí, o NAe São Paulo daria um imenso “porta-bagaço-de-laranja”…

    E para finalizar minha partcipação nesse post, já dei meu recado, é certo que a essa altura do campeonato a MB não vai dar um “cavalinho de pau” no projeto SubNuc…, agora, aonde tá vai…, nem que seja pro fundo… Mas diante do quadro geral da MB bem desenhado por todos, é uma profunda, uma abissal estupidez o que fizeram…

  45. Yluss 22 de abril de 2014 at 0:38 #

    Sabe o que falta depois de tantas boas colocações e a boa descrição de observador do Nunão?

    Porque a MB não coloca alguém que sabe o que está ocorrendo para elucidar essas dúvidas sobre disponibilidade da frota e planos de manutenção?

    Porque uma instituição militar não se preocupa em informar melhor os interessados que como nós dedicam tanto tempo em um espaço público de alta relevância para o tema defesa como é esta trilogia?

    Alguém que tem o canal com a MB, já solicitaram que a instituição procure participar de uma debate como este?

    Por que diabos que não temos as informações que o Nunão investigou? Porque não se colabora com os poucos entusiastas e com isso colaborariam com a própria MB?

    #frustrado!

    Sds o/

  46. juarezmartinez 22 de abril de 2014 at 7:53 #

    Porque é proibido pelo atual “guverno nunca ates visto na hostória deste paif”, junto com amentalidade hellmanns maionese voyager do Admiral Moon que noticias como estas sejam publicadas e ainda seja debatidas, como dizem la ´nos fóruns alinhados:” Apesar do PIG, a MB continua dando um show de competência” e qualquer coisa de ruim é culpa da FAB, da Veja, do PIG, da Trilogia, Juarez, do Vader, do Macegueiro. do Nunão e de tantos outros que estão tentando mostar que o coisa está ficando muito feia.

    Off topic fechado, segue o baile.

    Grande abraço

  47. thomas_dw 22 de abril de 2014 at 9:36 #

    Verdade, a Australia vem namorando uma frota de Submarinos Nucleares a tempos, o Canada também ai a realidade dos custos aparece e a vontade some, o Reino Unido tem alguns (7) e 4 SSBN e uma infraestrutura estabelecida. mas mesmos eles nao sabem como pagar o desmonte dos seus SSN aposentados.

    Tai o problema, a manutenção e desmonte do bicho, os EUA tem um local com dezenas e dezenas de reatores de SSN e SSBN descomissionados.

    Os fatos são cruéis – nao temos dinheiro para uma linha de produção.

    A Franca nao tem tambem – e com isso a sua frota de superfície softre.

  48. daltonl 22 de abril de 2014 at 10:08 #

    A observação do Nunão sobre a MB aplica-se a qualquer outra marinha do mundo, em menor ou maior grau, com exceção da China por enquanto.

    Mesmo a US Navy está passando por momentos muito dificeis para tripular e manter seus navios e a proposta agora para 2015 é retirar “temporariamente” metade dos
    22 cruzadores, para que sejam modernizados e possam eventualmente substituir os 11 que permanecerão quando estes derem baixa…há quem duvide que serão de fato modernizados, pois há muitos outros problemas.

    Sim, a US Navy pode explodir o mundo, mas para as tarefas cotidianas mal está dando conta.

    Temos 4 corvetas “encostadas” e eles terão 11 cruzadores “encostados”…pior para eles, pois eles possuem inimigos reais e não imaginários como nós como a tolice veiculada sobre a IV Frota, por exemplo.

    Discordo do Juarez quando ele escreve que é proibido
    veicular noticias “ruins” sobre a MB, até para atender um publico, que é muito reduzido…aliás nunca me canso de admirar como nós que frequentamos blogs de defesa e
    /ou temos interesse em assusntos militares somos
    tão poucos.

    É mais fácil encontrar noticias sobre a US Navy porque lá a defesa é levada a sério e precisa ser levada mesmo
    enquanto aqui e na maioria dos países as preocupações são outras.

    A situação está ruim…mas…para muitos outros está ainda pior então o que vier será lucro.

  49. Farragut 22 de abril de 2014 at 11:27 #

    Yluss,

    a cultura política brasileira dita que as autoridades “prestam contas” através de milhões ou bilhões gastos em publicidade. Debater de forma republicana está fora de questão, pois pode haver o imprevisível questionamento e isto pode ser ruim para “os negócios”. Autoridades políticas dando a cara a tapa, no padrão dos depoimentos no congresso (EUA) ou das perguntas ao primeiro-ministro (Reino Unido), não ocorrerão no Brasil por gerações.

  50. Nautilus 22 de abril de 2014 at 13:29 #

    Tá bom, senhores!
    Qual a solução, então?
    Se a MB não pode ter Submarinos ou NAe, vamos vender tudo como sucata, extinguir a Marinha do Brasil e criar a Guarda Costeira do Brasil.
    Assim, vocês ficarão completamente satisfeitos. E ainda tem gente aqui que vem a um site de discussão de assuntos militares dizer que o Brasil, com seus problemas de infraestrutura, saúde e educação, não pode ter submarino nuclear! Ora, faça o favor! O que está fazendo aqui então, Thomas_dw? O Brasil tem dinheiro para tudo isso. Falta é competência na gestão e combate aos desvios e corrupção.

  51. Fernando "Nunão" De Martini 22 de abril de 2014 at 13:46 #

    Nautilus, se acalme.

    Alguém aqui escreveu que vai ficar satisfeito extinguindo a Marinha do Brasil?

    O que não pode é fazer de conta que não existem problemas, apenas isso, como muitos por aí teimam em fazer, fugindo da realidade (estou falando de quem discute o tema e não da Marinha, que sabe muito bem onde está apertando o calo).

    E também não se pode esquecer que os novos meios, como o próprio submarino nuclear, também terão seus custos de operação, e se preparar desde já para atendê-los.

    Hoje, como mostra a situação da frota de corvetas (com apenas uma disponível em cinco, e os submarinos atuais também não longe disso), infelizmente não estamos dando conta do que temos agora, de forma satisfatória, e com tendência à desativação de meios se a coisa piorar. Pode ser apenas mais uma fase (como inúmeras outras do passado), mas se o problema não for encarado por todos que se interessam pelo tema, restará apenas lamentar as próximas fases.

  52. wilton feitosa 22 de abril de 2014 at 13:46 #

    Se permitam um pitado …

    O problema do Brasil não é exatamente dinheiro … nosso PIB gira entorno de US$ 2,4 Trilhões, somos a sexta/sétima economia do mundo … Estamos a frente de Canada, Austrália, Espanha, Itália, México, Índia, Rússia, Turquia … e bla bla bla …

    Nosso problema é GESTÃO, em todas as esferas, inclusive privada …

    Podem dobrar o dinheiro para a saúde e educação que quase nada vai mudar … por isso sou a favor de múltiplas frentes de DESENVOLVIMENTO … isso sim transforma uma sociedade…

    Se pegarem a grana do PROSUB e jogarem na saúde e na educação, pouco vai mudar, e não tem a haver com este ou aquele governo, tem haver com o aculturamento da nossa sociedade…

  53. eduardo.pereira1 22 de abril de 2014 at 14:40 #

    Wilton Feitosa excelente colocação !!

    Infelizmente nosso governo adiministra a nação à base do marketing (o qual só serve pra dilubriar a massa, o povão que nao busca informação sobre nada só se baseando no que veem nos jornais, muitos dos quais manipulados pelos senhores feudais que nos governam ).
    Todo o mundo e até uma minoria pensante aqui mesmo no Brasil sabe da real condição e do estado crítico que o país está vivendo após tantos anos de uma cultura governista de exploração que remonta a nossa descoberta tantos e tantos anos atrás e não só governista não pois os governantes aprenderam vendo acontecer da mesma forma que nós estamos vendo, no Brasil muitos são, por natureza cultural ou não ,oportunistas se aproveitando de tudo o que é possível para seu bem pessoal e atirando pedras nos políticos que roubam milhões, hipocrisia pura pois muitos gostariam de estar no lugar de quem roubou usufluindo do luxo e riquesas advindas do suor alheio e que deveria estar sendo convertido em benfeitorias para a melhoria da qualidade de vida dos brasileiros. Mesmo assim ainda existem atividades gratuitas no Brasil que não são gratuitas em outras partes do mundo tao sedutoras como os EUA.
    Realmente o que nos falta é GESTÃO, porém a mesma só será exercida por aqui após uma mudança de geração sendo esta nova geração tendo sua maioria pensante ,estudada, cheia de cultura ao menos no nível médio/superior.
    Lembrem-se que foi preciso 40 anos para que toda uma geração pecadora se acabasse no deserto e o Senhor permitisse aos novos entrarem na terra prometida a qual Moisés apenas pode contemplar de longe.

    Sds.

  54. ernaniborges 22 de abril de 2014 at 14:42 #

    wilton feitosa 22 de abril de 2014 at 13:46 #

    Ufa !

    Finalmente encontrei alguém que fala a minha língua !

    Parei de participar porque achava que não me fazia entender ou que só postava besteira (no Naval, Aereo e no Forte) pois por tudo caíam de pau em mim. Mas, concordo contigo quando diz que nosso problema não é dinheiro.É má gestão, corrupção e impunidade. Onde a lei de Gerson é regra, não pode haver progresso.

  55. Luiz Monteiro 22 de abril de 2014 at 21:18 #

    Prezados,

    Os mais antigos no Poder Naval me desculpem, sei que estão cansados de saber, mas é bom sempre escrever para quem é novo por aqui e que muitas vezes não podem escrever ou perguntar.

    O Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB) prevê a construção de um estaleiro e uma base naval no Município de Itaguaí (RJ), obtenção de 4 submarinos de propulsão diesel-elétrica (Classe “Riachuelo”), com deslocamento aproximado de 2.100 toneladas e 1 submarino de propulsão nuclear (“Álvaro Alberto”), com deslocamento aproximado de 6.000 toneladas.

    Além desses meios, a Marinha do Brasil (MB) pretende no médio prazo, construir mais duas unidades da Classe “Riachuelo”.

    Outrossim, o “Álvaro Alberto” passará por cerca de 3 anos de avaliações, após ser comissionado. Decorrido este tempo, MB pretende construir o segundo submarino de propulsão nuclear, corrigindo eventuais falhas (se elas existirem) e aperfeiçoando o projeto.

    Vale salientar que, os submarinos de propulsão nuclear, não necessariamente são armados com artefatos (armas) nucleares. No caso do “Álvaro Alberto”, ele não levará tais armas, em seu inventário, constará torpedos pesados, mísseis contra alvos de superfície e mísseis de cruzeiro com alcance de até 300 quilômetros, todos com ogivas convencionais (não nucleares).

    Os submarinos de propulsão diesel-elétrica possuem deslocamento menor e operação mais silenciosa que os submarinos de propulsão nuclear. Todavia, possuem autonomia limitada à capacidade de suas baterias.

    Quando essas baterias descarregam é necessário ligar os motores diesel para recarregá-las.

    Ademais, quanto maior a velocidade do submarino, mais rapidamente suas baterias se esgotarão, precisando serem recarregadas.

    Para diminuir a taxa de indiscrição, normalmente essa “recarga” é feita próximo da superfície utilizando-se o “Snorkel”. Neste momento, o submarino fica extremamente vulnerável.

    Os sistemas de propulsão independentes da superfície (AIP) foram desenvolvidos para aumentar o tempo que um submarino de propulsão convencional pode ficar submerso sem a necessidade de ligar seus motores diesel.

    Apesar de toda evolução dos sistemas AIP, eles ainda são limitados em autonomia e principalmente em velocidade. Normalmente, usando o AIP, o submarino se deslocará com velocidade entre 4 e 7 nós.

    Os submarinos de propulsão diesel-elétrica são ideais para águas pouco profundas (até 150 metros) e para serem utilizados em estratégias de posição. Ou seja, o submarino patrulha, em baixa velocidade, um pequeno quadrante, onde se espera que a Força Tarefa (FT) inimiga irá navegar. Quando esta FT entra no alcance das armas do submarino ele realiza o ataque.

    Todavia, os submarinos de propulsão nuclear possuem autonomia praticamente ilimitada, possuindo restrições, apenas, quanto à sua capacidade de levar víveres para sua tripulação.

    Além disso, o submarino de propulsão nuclear pode permanecer navegando em velocidades de 25 a 30 nós durante o tempo que for necessário. Entretanto, nestas velocidades ele terá sérias restrições para ouvir o ambiente ao seu redor.

    Os submarinos de propulsão nuclear por possuir deslocamento muito maior e pela emissão maior de ruídos, se comparado aos submarinos de propulsão convencional, são mais indicados para serem utilizados em águas mais profundas.

    Estes submarinos são utilizados em estratégias de manobra. Eles podem ser enviados para interceptar uma FT inimiga em grandes distâncias e patrulhar um quadrante muitas vezes maior do que o do submarino de propulsão convencional.

    Ademais, eles podem fazer parte de uma FT, pois possuem velocidades compatíveis com os meios de superfície.

    As últimas gerações de submarinos nucleares (Classes “Virginia”, “Astute” e “Yasen”) possuem taxa de indiscrição muito menor que os submarinos anteriores. Isso se deve a novos sistemas de propulsão, desenho de casco, materiais utilizados em sua construção, entre outros fatores.

    Para países banhados por mares restritos como o Mediterrâneo, Mar Báltico, entre outros, e para operações próximas da costa, os submarinos diesel-elétricos são os mais indicados. Para oceanos abertos como o Atlântico, Pacífico e outros, os submarinos de propulsão nuclear são mais aconselhados.

    Conforme se depreende, as estratégias de utilização de submarinos de propulsão convencional e de propulsão nuclear são diferentes e complementares.

    Por fim, vale destacar que, em sua estratégia naval, a MB entende que precisa dos dois tipos. Um para ser utilizado próximo da costa brasileira (Propulsão diesel-elétrica) e outro para ser utilizado em águas mais profundas (Propulsão nuclear).

  56. joseboscojr 22 de abril de 2014 at 21:33 #

    Luis Monteiro,
    Só um complemento ao que você postou. Estando a 25/30 nós um submarino nuclear, além de não poder escutar o ambiente ao redor, se torna muito fácil de ser detectado já que o nível de ruído que produz aumenta consideravelmente, perdendo completamente a furtividade e se tornando um alvo “relativamente” fácil.
    Tanto o convencional quanto o nuclear, para estarem aptos a usarem seus sensores e para se manterem discretos, operam em patrulha, em geral, abaixo de 10 nós.
    No caso do DE, bem menos, de modo a poupar energia.

  57. Luiz Monteiro 23 de abril de 2014 at 11:01 #

    Prezado Bosco,

    Grato pelo complemento.

    Os submarinos de propulsão nuclear utilizam velocidades elevadas quando precisam se deslocar rapidamente para o teatro de operação ou fazendo parte de uma Força Tarefa.

    Nesta situação, o ruído produzido pelo submarino de propulsão nuclear é abafado pelo ruído produzido pelos meios de superfície, permitindo que o submarino se oculte.

  58. eduardo.pereira1 23 de abril de 2014 at 15:18 #

    Luiz Monteiro;

    Boa tarde ,nao sei se vc é da MB, caso seja, vc tem alguma noticia de a quantas aanda o projeto da futuras corvetas classe Barroso ?

    Sds.

  59. Luiz Monteiro 23 de abril de 2014 at 16:27 #

    Prezado Eduardo Pereira,

    Quanto ao Programa Corveta 03 (CV03), ele segue em andamento. No início de março foi concluída a licitação para escolha da empresa nacional para realizar o projeto detalhado das novas corvetas, sendo escolhida a empresa Vard Niterói S/A, subsidiária do estaleiro italiano Fincantieri.

    Quanto aos sensores, a MB pretendia usar tanto nos novos escoltas de 6.000 toneladas, quanto nas novas corvetas o IMast, fabricado pela Thales Holandesa. Pretendia-se usar o IMast 400 nos escoltas de 6.000 toneladas e o IMast 100 nas futuras corvetas. Todavia, a Thales holandesa e a MB não chegaram a um acordo quanto a nacionalização de alguns sensores, e acabou sendo descartada. Assim, a MB optou por uma configuração convencional de mastro com radares de busca aérea e de superfície rotativos para as futuras corvetas.

    Em relação ao armamento, a decisão sobre o sistema de mísseis antiaéreos será escolhido entre o sistema Evolved Sea Sparrow Missile (ESSM) da Raytheon e o Sea Ceptor da MBDA.

    As corvetas serão dotadas de 4 mísseis superfície-superfície, canhão principal de 76 mm e canhões de 40 mm e 2 lançadores triplos de torpedos.

    Terão capacidade de operar um helicóptero orgânico (com hangar na popa).

  60. Fernando "Nunão" De Martini 23 de abril de 2014 at 16:53 #

    “…e canhões de 40 mm…”

    Prezado Luiz Monteiro,

    Não pude deixar de reparar no plural “canhões”.

    Foi só um equívoco na escrita (coisas que acontecem e entendemos perfeitamente) ou podemos conjecturar uma volta à configuração da classe “Inhaúma”, com dois reparos singelos nas laterais do hangar ao invés de apenas um sobre o mesmo? Um seria um reparo duplo, no padrão italiano?

    Saudações!

  61. Ozawa 23 de abril de 2014 at 17:11 #

    Então, pela divergência com a Thales prevaleceu essa configuração:

    http://www.naval.com.br/blog/wp-content/uploads/2013/10/CV03-02.jpg

    E não essa:

    http://www.naval.com.br/blog/wp-content/uploads/2013/10/CV03-09.jpg

  62. MO 23 de abril de 2014 at 19:19 #

    Em tempo barcaças americanas fazendo trabalho ‘diferente’ por aqui =

    http://santosshiplovers.blogspot.com.br/2014/04/barcacas-americanas-gl-61-e-gl-62.html
    Os Rb´s são Nossos =TS Incrível, TS Assanhado e Rb Andrômeda

  63. Luiz Monteiro 23 de abril de 2014 at 21:38 #

    Prezado Nunao,

    Seria o reparo duplo italiano.

  64. juarezmartinez 23 de abril de 2014 at 21:55 #

    Caro Comandante LM! O senhor poderia, por gentileza, nos dar uma “luz” do porque a MB ter optado neste “short list” pelo ESSM e Sea Ceptor?

    Grande abraço

  65. Luiz Monteiro 23 de abril de 2014 at 22:32 #

    Prezado Juarez,

    Esses dois sistemas atenderam melhor aos requisitos estabelecidos pela MB do que o Umkhonto, o Barak e o Mica VL.

  66. juarezmartinez 23 de abril de 2014 at 22:48 #

    Caro comandante LM, não querendo lhe “embretar”, mas ao mesmo tempo fiquei curioso:
    O senhor , dentro das limitações éticas, poderia, mais uma vez, por gentileza, nos elucidar qual ítem ou ainda qual quesito pesou nesta definição de short list, pergunto isto porque os dois classificaddos são bastante diferentes em alcance, sistema de guiagem, quase categorias deferentes.

    Grande abraço

  67. eduardo.pereira1 24 de abril de 2014 at 0:43 #

    Muito obrigado pela informação Luiz Monteiro , pode-se esperar um ótimo navio p/ seu propósito !

    Sds Eduardo o aprendiz.

    Deus abençoe a todos!

  68. eduardo.pereira1 24 de abril de 2014 at 10:29 #

    E ae Bosco curtiu as boas novas sobre as futuras corvetas e seus armamentos ??

  69. Luiz Monteiro 24 de abril de 2014 at 16:26 #

    Prezado Juarez,

    Ambos os mísseis estão dentro do que a MB estabeleceu como requisitos, cujo alcance de engajamento seria de 20 até 50 km e velocidade igual ou superior Mach 3.

    Seus fabricantes são os mesmos dos mísseis que disputam a concorrência para os escoltas de 6.000 toneladas. Os mísseis superfície-ar serão decididos entre a dupla ESSM/Standard, da Raytheon e o ASTER 15/30, da MBDA.

    O ESSM pode ser disparado pelo VLS MK-41 e o Sea Ceptor pode ser disparado tanto pelo MK-41, quanto pelo Sylver.

    Abraços

  70. Fernando "Nunão" De Martini 24 de abril de 2014 at 17:22 #

    Ou seja, a leitura é de que enquanto não desencalacrar a decisão das fragatas, provavelmente a definição dos mísseis das corvetas também esperará.

    Ainda que haja compatibilidades diversas (como o Sea Ceptor ser compatível tanto com lançadores Mk-41 quanto Sylver), o projeto detalhado das novas corvetas terá que levar em conta a possibilidade de receber tanto lançadores Sylver quanto Mk-41, caso a decisão sobre as novas fragatas (Prosuper) continue em banho-maria por parte do governo.

    Como o assunto é interessante, segue um link para quem quiser conhecer melhor os lançadores da família Sylver, que tem 4 versões de comprimento. Lembrando que, para o caso das corvetas, não adianta sonhar com os modelos grandes, e sim com os menores da família Sylver,

    http://www.dcnsgroup.com/wp-content/uploads/2010/10/6141.pdf

    Aqui, informações sobre o Sea Ceptor (que, pelo comprimento, acredito ser compatível com os lançadores menores da família Sylver)

    http://www.mbda-systems.com/mediagallery/files/sea-ceptor_datasheet-1379420378.pdf

    Aqui, informações básicas sobre o Mk 41, que segundo o fabricante tem 13 combinações possíveis (desde um único módulo de oito células até 16 módulos com 122 células), e que tem três profundidades diferentes, de 5,2 metros a 7,6 metros.

    http://www.lockheedmartin.com/content/dam/lockheed/data/ms2/documents/launchers/MK41_VLS_factsheet.pdf

    Por fim, informações básicas sobre o ESSM:

    http://www.raytheon.com/capabilities/products/essm/

    http://www.raytheon.com/capabilities/rtnwcm/groups/public/documents/download/rms12_essm_evolution.pdf

  71. joseboscojr 24 de abril de 2014 at 17:55 #

    Eduardo,
    Sem dúvida é uma configuração bem interessante e completa, independente do sistema de mísseis sup-ar que seja escolhido.
    Pra mim, pra ficar ideal, os SSMs deveriam ser os MM40 Block 3, ou outro similar (turbopropulsado e com orientação GPS adicional).
    Não tenho nada contra os Exocet AM39 (lançados do ar), mas acho que os mísseis antinavios lançados dos futuros navios da MB deveriam ter maior alcance que os atuais 60/70 km dos MM-40.
    Acho que isso não vai acontecer tendo em vista estarmos desenvolvendo o MANSUP. Pra mim não é o ideal, mas está longe de ser ruim.
    Quanto a configuração de canhões, é perfeita, tanto o 76 mm quanto o reparo duplo de 40 mm.
    Vale salientar que a combinação de dois canhões 40L70 num mesmo reparo provê volume de fogo superior ao Millennium de 35 mm, que é sem dúvida um dos mais perfeitos canhões antiaéreos do mundo.
    Um abraço.

  72. daltonl 24 de abril de 2014 at 18:55 #

    “…(desde um único módulo de oito células até 16 módulos com 122 células)”

    Nunão…

    o total correto é 128…acho que voce estava pensando
    nos CGs Ticonderoga que dispensaram 3 silos em dois módulos em troca de quindastes embutidos que permitiriam recarga dos silos em pleno mar e que na prática não deu certo e foram retirados mas sem reposição dos silos.

    Os primeiros Arleigh Burkes também tinham tais quindastes assim ao invés de 96 silos em 12 modulos possuem 90 silos.

    abraços

  73. joseboscojr 24 de abril de 2014 at 19:17 #

    Nunão,
    E tem a opção de se usar o lançador Mk-48/Mk-56 para o ESSM.
    Talvez para corvetas seja até mais provável que o Mk-41 tendo em vista que se prestarão exclusivamente ao lançamento de mísseis de defesa de ponto.

  74. juarezmartinez 24 de abril de 2014 at 19:28 #

    Eu interpretei as palavras do comandante LM da seguinte forma:

    O missil de curto alcance deverá ser o Sea Ceptor, enquanto que o perna longa ficará entre o Standart e Aster 30, até porque o Aster 15 custa quase tanto quanto um A 15.

    Grande abraço

  75. juarezmartinez 24 de abril de 2014 at 19:30 #

    Prezado Juarez,

    Ambos os mísseis estão dentro do que a MB estabeleceu como requisitos, cujo alcance de engajamento seria de 20 até 50 km e velocidade igual ou superior Mach 3.

    Seus fabricantes são os mesmos dos mísseis que disputam a concorrência para os escoltas de 6.000 toneladas. Os mísseis superfície-ar serão decididos entre a dupla ESSM/Standard, da Raytheon e o ASTER 15/30, da MBDA.

    O ESSM pode ser disparado pelo VLS MK-41 e o Sea Ceptor pode ser disparado tanto pelo MK-41, quanto pelo Sylver.

    Abraços

    Caro comandante LM, muito obrigado pelo retorno.

    Grande abraço

  76. joseboscojr 24 de abril de 2014 at 19:52 #

    Juarezão,
    Acho que não foi isso que ele disse não.
    Pode ser tanto a dupla ESSM/Standard quanto o trio Sea Ceptor/Aster15/Aster30.
    Provavelmente um único fabricante será escolhido para suprir a MB com mísseis sup-ar, tanto para as corvetas quanto para as unidades de 6000 t.
    Ou será o fabricante americano que irá fornecer o ESSM para as corvetas e a dupla ESSM/Standard para as de 6000 t; ou sera o fabricante europeu que irá fornecer o Sea Ceptor para as corvetas e o Aster30/Aster15/Sea Ceptor para as unidades de 6000 t.

  77. juarezmartinez 24 de abril de 2014 at 20:54 #

    Pode se também Bosco, pode ser, mas tem cheiro de miscelãnea no ar, apesar que esta seria uma parceria buenacha.

    Grande abraço

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