estaleiro-atlantico-sul-em-pernambuco-onde-foi-construido-o-primeiro-navio-do-promef-04-05-2010

ClippingNEWS-PASeis navios e três comboios hidroviários construídos por estaleiros nacionais passarão a fazer parte da frota da Transpetro até dezembro, tornando 2014 um ano de recorde na entrega de embarcações previstas na carteira de encomendas da indústria naval do Brasil, a quarta maior do mundo na categoria de navios em geral e a terceira em número de petroleiros, segundo a Petrobras.

Entre 2012 e 2020, as encomendas englobam 22 plataformas de produção de petróleo, 146 navios offshore, 26 petroleiros, 29 sondas de perfuração, cinco submarinos, dois navios graneleiros e sete porta-contêineres, só para citar alguns exemplos mencionados em palestra do coordenador de Infraestrutura Econômica do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Carlos Campos Neto, no painel “Investimentos em Petróleo e o Impacto da Indústria Naval” do L.E.T.S., evento promovido semana passada pelas federações de indústrias estaduais de São Paulo e Rio de Janeiro (Fiesp\/Firjan).

O balanço faz parte de um livro sobre o ressurgimento da indústria naval brasileira que o Ipea deve lançar até julho. Conforme o levantamento, os investimentos no setor somam R$ 149,5 bilhões. Em um período de dez anos a partir de 2000, quando estava praticamente sucateada, a indústria naval brasileira avançou na média de 19,5% ao ano, mostra o estudo.

“Esta retomada é basicamente consequência do desenvolvimento das encomendas da Petrobras e da produção offshore”, afirma Campos Neto, um dos organizadores do livro, intitulado “Soerguimento da Indústria Naval no Brasil – 2000-2013″, junto com o técnico de Planejamento e Pesquisa do Ipea, Fabiano Pompermayer.

Ao todo, a carteira reúne 404 encomendas, com a maior parte dos investimentos para a produção de sondas de perfuração – R$ 54 bilhões da parceria Petrobras\/ Sete Brasil – e plataformas – R$ 53,4 bilhões da estatal para plataformas. Campos Neto destacou que a Petrobras deve fazer uma contratação adicional de 15 plataformas até 2017, com o desembolso de mais R$ 36,75 bilhões, e as estimativas de especialistas apontam para a necessidade de mais 12 a 15 plataformas, a partir de 2020, para a exploração do Campo de Libra – a construção de 13 plataformas, segundo o estudo, custaria R$ 31,85 bilhões.

Pompermayer participou do painel abordando a questão da indústria de navipeças, cujas receitas tiveram crescimento médio anual de 6,1% entre 2000 e 2010, ficando bem abaixo da média da indústria naval como um todo (19,5%). Quando considerados apenas os segmentos cuja produção é mais ligada ao setor naval, mas também fornece os equipamentos para outros setores (navipeças restrito), o aumento é de 5,3%, em média, e supera a taxa média de seus respectivos setores, que aponta expansão de 3,3% no período. “Podemos concluir que o setor de navipeças têm tido um desempenho muito bom, mas ainda não está conectado ao crescimento da indústria naval”, afirma Pompermayer.

As constatações têm por base uma pesquisa feita para o livro com 734 empresas que fazem parte do catálogo de navipeças da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e da Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip). Neste trabalho, o Ipea enviou um questionário para uma enquete, recebendo respostas de 98 empresas.

Segundo os entrevistados, 75,6% veem boas perspectivas para navipeças nos próximos anos, com 51,2% confirmando planos de investimentos para ampliar a capacidade operacional. Em uma relação de dez programas públicos de incentivo a inovação e investimentos, 54,4% alegaram desconhecer os benefícios e apenas 8,1% já utilizaram os recursos. Entre os entraves ao desenvolvimento do setor, os empresários consideram a carga tributária o pior de todos (82,5%), seguida pela regulação trabalhista (60,6%).

“Temos a sorte de ter petróleo de pré-sal, mas não tanta sorte, já que é um petróleo complicadíssimo de retirar, exigindo um dos sistemas mais complexos e caros do mundo. Nesse contexto, fica evidente que precisamos ter um sistema de fornecimento de peças e serviços eficientes dentro do país”, afirmou Carlos Padovezi, diretor de Operações e Negócios do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT).

Para Padovezi, é necessário que a indústria tenha continuidade de demanda local e a perspectiva de atuar no mercado exportador, buscando competitividade a partir do desenvolvimento tecnológico em produtos e processos, qualificação de recursos humanos e gestão, e planejamento para reduzir os custos de produção.

Materiais, peças e equipamentos compõem 65% dos custos da indústria, mão de obra é responsável por 20% e custos complementares, por 15%. “A preocupação é se os novos estaleiros ou que estão vindo para o país conseguirão sobreviver após este pico de demanda provocado pelas necessidades das plataformas que a Petrobras está construindo. A impressão que é que muitos destes estaleiros não terão condições de continuar em médio ou longo prazo.”

FONTE: Ipea

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7 Comentários para “Setor naval cresce 19,5% ao ano desde 2000”

  1. Leonardo Pessoa Dias 29 de maio de 2014 at 7:43 #

    “Em um período de dez anos a partir de 2000, quando estava praticamente sucateada”

    Prometo não fazer qualquer alusão ou interpretação política desse fato.

    Agora, o que realmente me intriga é se este setor terá capacidade de se sustentar, recebendo encomendas externas. Senão será o mesmo caos quando do fim da proteção de mercado.

    Confesso que não consigo enxergar até onde vai o impacto do custo Brasil e a limitação do empresariado, dependente do governo via empresas de capital misto.

  2. Guilherme Poggio 29 de maio de 2014 at 13:10 #

    Prezado Leonardo Pessoa Dias

    Seus questionamentos são bastante pertinentes.

    Manter uma indústria naval competitiva e que não dependa apenas de encomendas exclusivas do governo ou de empresas estatais é fundamental.

  3. MO 29 de maio de 2014 at 15:00 #

    apenas como complementação de info, navios construídos aqui são praticamente todos sob licensa de projetos estrangeiros feitos com menor capacidade dos originais (ie = motores menos potentes, pior acabamento, pior conforto, equipamentos de menor desempenho) e basicamente todos ou de encomenda estatais ou de empresas estrangeiras com subsidiárias nacionais para atender a petrobras … isso não necessariamente significa que estamos progredindo, estamos fazendo alguma quantidade no mercado off shore e quase nulo no mercando de navios ercantes comerciais, a excessão dos N/T´s estatais (cuja regra do projeto / qualidade é muito proxima ao descrito acima)

    Em tempo =

    http://santosshiplovers.blogspot.com.br/2014/05/mv-gladiator-c6yk2-fotos-do-leitor.html

    5 photos

  4. Leonardo Pessoa Dias 29 de maio de 2014 at 19:04 #

    Prezado Guilherme Poggio,

    De fato, este é o dilema da Esfinge. Mesmo sem concordar integralmente com as observações do MO, vejo como correta a observação de que a indústria está focada no mercado offshore, e poderá padecer desse “bem”.

    Navegação de cabotagem, fluvial e defesa deveriam ser eixos de desenvolvimento e sustentação do mercado, quando das oscilações do mercado interno offshore.

    E esta é uma questão que honestamente não tenho dados ou uma opinião formada: seria responsabilidade do GF desenvolver este mercado interno e externo, já que a AL poderia ser uma área de influência da nossa indústria naval; ou das empresas, com uma visão comercial mais aguçada e preocupada em de fato se estruturar e não ficar dependente do mercado offshore interno?

  5. Mauricio R. 31 de maio de 2014 at 18:25 #

    E tem ainda os tais dos 65% de conteúdo nacional.

  6. Luiz Monteiro 5 de junho de 2014 at 17:43 #

    Por falar em construção naval, seguem links interessantes do Centro de Projetos de Navios (CPN):

    http://www.mar.mil.br/cpn/#napa200

    http://www.mar.mil.br/cpn/#npaoc

    http://www.mar.mil.br/cpn/#naplog

    http://www.mar.mil.br/cpn/#edvm

    http://www.mar.mil.br/cpn/#edcg

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