Maersk Luz - 01 set 2011 - 3

Sergio Barreto Motta

A China acaba de anunciar veto ao P3, sistema em que três dos maiores armadores do mundo iriam atuar em consórcio para transportar contêineres de e para o país asiático. Compõem o P3 a líder mundial Maersk, a suíça MSC e a francesa CMA CGM. União Européia e os Estados Unidos decidiram autorizar essa atuação, mas vão monitorar as ações, para evitar danos a seu comércio externo. Ao atuarem em bloco, o P3 teria condições de impor níveis de fretes aos importadores e exportadores dessas regiões. Para a Ásia, por exemplo, vão usar nada menos de 255 navios.

Informa a revista inglesa PFI que a Maersk se disse surpresa com a decisão chinesa. O presidente da Maersk, Nils Andersen, afirmou que, com o acordo, haveria redução de custos e de emissão de gases na atmosfera. A MSC também se disse desapontada e afirmou que a atuação conjunta significaria redução no consumo de combustíveis e no custo geral. A China não deu explicações, mas, certamente, levou em conta que ter parte de suas cargas sob controle de três gigantes estrangeiros poderia comprometer objetivos nacionais.

No Brasil, a situação é bem mais grave, pois se a China tem empresas de grande porte, como a Cosco, para se contrapor aos gigantes internacionais, o Brasil sequer dispõe de um navio porta-contêineres nas rotas externas. Na verdade, o governo brasileiro sequer sabe detalhes da operação dos estrangeiros.

No momento, um grupo pressiona a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) para que ao menos exija o registro dos armadores estrangeiros e obrigue que eles informem os níveis de fretes aplicados para exportadores e importadores brasileiros. Há pressões também para que o governo estimule a criação de frota nacional que, embora pequena, permita comparações com a ação dos armadores estrangeiros no comércio exterior brasileiro. (clique no gráfico para ampliar)

TRANSPORT: Maersk Triple-E

FONTE: Portos e Navios

Tags: , , , ,

Jornalista especializado em temas militares, editor-chefe da revista Forças de Defesa e da trilogia de sites Poder Naval, Poder Aéreo e Forças Terrestres. É também fotógrafo, designer gráfico e piloto virtual nas horas vagas. Perfil no Facebook: https://www.facebook.com/alexandregalante

One Response to “Brasil e China na guerra dos contêineres” Subscribe

  1. Lyw 24 de junho de 2014 at 18:58 #

    “… Há pressões também para que o governo estimule a criação de frota nacional que, embora pequena, permita comparações com a ação dos armadores estrangeiros no comércio exterior brasileiro…”

    Isto poderia ser muito benéfico, tanto para uma postura firme do Brasil na “geopolítica dos contêineres” quanto para a indústria naval nacional que atualmente tem na transpetro uma reserva de mercado.

Leave a Reply

You must be logged in to post a comment.

Marinha do Brasil fará Desfile Naval no 7 de setembro

  Em comemoração ao Dia da Independência do Brasil – 7 de setembro – a Marinha do Brasil realizará o […]

Governo Federal deve R$ 820 milhões à armação

Sergio Barreto Motta Muito eficiente ao cobrar de devedores, o Governo Federal age de modo diferente quando é ele quem […]

Promef completa dez anos e conta com 14 embarcações em construção

  O Programa de Modernização e Expansão da Frota da Transpetro completa uma década este ano a todo vapor. Atualmente, […]

Navios da MB atraem grande público no fim de semana em Santos-SP, mesmo com chuva

Visitamos os navios da MB que estavam no porto de Santos-SP no último domingo. Para surpresa nossa, mesmo com o […]

F. ‘Rademaker’ (F 49) e seus MM 40

Apresentando os novos Exocet MM 40 da Fragata ‘Rademaker’ (F 49), fotografados na escala em Santos/SP, no dia 30/08/2014. A […]

Compre agora sua revista Forças de Defesa número 11

Outra revista igual a essa, só daqui a 100 anos! A Revista Forças de Defesa 11ª edição de 140 páginas na versão impressa […]