Os novos ventos do Oriente: ideia de ‘navios asiáticos’ é levada ao...

Os novos ventos do Oriente: ideia de ‘navios asiáticos’ é levada ao Comandante da Marinha

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Navios chineses em operação: financiamento do governo de Pequim garante a competitividade da indústria de construção naval no mercado internacional

 

Roberto Lopes

Enviado Especial ao Rio

Vinheta ExclusivoHá cerca de duas semanas, um grupo empresarial integrante da BID (Base Industrial de Defesa) apresentou ao comandante da Marinha do Brasil, almirante Eduardo Leal Ferreira , por escrito, a ideia de renovar alguns setores da Esquadra em um prazo relativamente curto, por meio da compra de navios modernos fabricados nos chamados “mercados alternativos” asiáticos.

Leal Ferreira não recebeu uma proposta formal, mas apenas uma correspondência que lembra a excelência da técnica construtiva e os custos consideravelmente menores das embarcações produzidas por grandes corporações da Ásia, que possuem financiamento garantido por seus governos – em especial, fornecedores da Coreia do Sul, da China e de Cingapura.

Os propositores desse plano defendem que a Marinha continue a conferir total prioridade ao projeto de construção no Brasil das quatro corvetas classe Tamandaré (também conhecidas como CV03 ou Classe Barroso Modificada), o que garantirá a geração de empregos e a qualificação da indústria naval na construção de unidades militares.

Mas eles buscam interessar os chefes navais brasileiros em navios que possam, ainda nesta década – e em meio a mais grave crise econômica desde que o Partido dos Trabalhadores assumiu o Poder, em 2003 –, reforçar a força de superfície. Especialmente diante das baixas programadas da fragata Bosísio (F-48) – cuja mostra de desarmamento foi marcada para 15 de julho próximo –, e da fragata Niterói (F40), atualmente docada para reparos de emergência na Base Naval de Aratu (BA).

NSS Felinto Perry - k11
O “Felinto Perry” não conseguiu chegar a Arraial do Cabo

 

Perry – O quadro de dificuldades na manutenção e de falta de peças de reposição para os reparos que se fazem necessários nos navios é alarmante. O pessoal da Diretoria-Geral do Material da Marinha precisa fazer contas até para adquirir suprimentos básicos, como bombas auxiliares.

No início da semana passada, o navio de salvamento de submarinos Felinto Perry (K-11) suspendeu da Base Naval do Rio de Janeiro para uma curta navegação de, aproximadamente, 60 milhas até um ponto ao largo do município fluminense de Arraial do Cabo, onde seriam testados os seus equipamentos de apoio ao mergulho. Mas não conseguiu completar a viagem. Precisou voltar por causa de problemas em sua propulsão. Foi a segunda vez que isso aconteceu.

A fragata União (F45) que em abril foi docada no porto italiano de Taranto para o conserto de seus dois hélices, deveria seguir, após o término do reparo, na primeira semana de junho, para o Líbano, onde assumiria o comando da Força-Tarefa Marítima da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (FTM-UNIFIL). Contudo, o Estado-Maior da Armada e o Comando de Operações Navais acharam mais prudente rever esse plano.

Os almirantes designaram a corveta Barroso (V34) para a comissão no Líbano, e determinaram à União que regresse ao país tão logo esteja em condições de fazê-lo.

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A “União” se encontra em reparos no porto italiano de Taranto

 

A Barroso está sendo preparada, a toque de caixa, para suspender na terceira semana de julho.

Fragatas leves – O grupo empresarial que está levando a ideia dos barcos asiáticos ao Comando da Marinha vem contatando as principais indústrias navais do Extremo Oriente há cerca de um ano. E opera com a estratégia de que seu trabalho em nada colida com o Programa de Obtenção de Meios de Superfície (PROSUPER) – planejamento que preconiza a construção no país de cinco fragatas de 6.000 toneladas, cinco patrulheiros de 1.800 toneladas e um navio de apoio logístico de porte estimado em 23.000 toneladas.

A ideia é oferecer à Marinha diferentes tipos de navios de apoio, e até fragatas leves – com deslocamento entre 3.000 e 4.000 toneladas –, de custo unitário em torno de um terço do valor de um navio de 6.000 toneladas (estimado entre 800 e 900 milhões de dólares).

Tudo sempre dentro do mesmo procedimento: centrar o foco em embarcações que não rivalizem com as unidades previstas no PROSUPER ou com as corvetas classe Tamandaré, e que – fabricadas no exterior – possam ser entregues à Marinha do Brasil em um prazo máximo de dois a três anos, a partir da assinatura do contrato.

Nos últimos dez meses o governo petista hospedou algumas das principais autoridades do governo chinês (presidente, vice-presidente, primeiro-ministro e ministro da Ciência, Tecnologia e Indústria para a Defesa); e, no mês passado, também recebeu a visita da presidenta da Coreia do Sul, Park Geun-hye.

Type 071 YUZHAO Jinggang Shan井冈 999 Kunlun Shan昆仑山 998 Amphibious Transport Dock LPD amphibious warfare ships of the People's Republic of China's People's Liberation Army Navy chinese (2)
Navio de desembarque anfíbio chinês Tipo 071 “Yuzhao”

15 COMMENTS

  1. Numa emergencia – a MB pode comprar da Navantia meia duzia de OPV para quebrar um galho, OPV como o BAM Meteoro, enquanto as corvetas nao saem.

    meia duzia de OPV saem mais ou menos pelo valor de 1 FREMM.

    e os modelos da Navantia podem operar os SH-60 e Lynx sem problema.

  2. Bom, se um Pais como o Brasil não tem capacidade/ competência para construir, que compremos dos asiáticos !!!!!
    Num Pais que NADA EH LEVADO A SERIO, vamos esperar o que ???
    se a Barroso levou 15 anos, imagina os subs… falta de vergonha na cara dos politicos e empresarios…

  3. Ô wwolf22, desculpe, mas você está enganado: ter capacidade/competência pra construir, o Brasil TEM SIM, E MUITA! O problema são a SAFADEZA e a ROUBALHEIRA.
    E ISSO é MUITO levado a sério!
    E thomas_dw, esse teu comentário me faz pensar que, desse jeito, seria muito melhor o pais TERCEIRIZAR a proteção de suas águas territoriais. Além de, claro, ABANDONAR DE VEZ qualquer pretensão de ter uma Marinha digna de ser considerada como tal, pra não falar em coisas como ‘projeção de poder’, ‘mostrar bandeira’, etc, etc e etc.
    O fato, puro e simples, é que, por essa e por outra, este pobre país jamais deixará de ser a REPUBLIQUETA que tem sido, ao longo das últimas décadas.
    E, mais triste ainda, é o fato de que NÃO PRECISARIA sê-lo, mas OPTA por sê-lo.

  4. Apenas para complementar os comentários do a.cancado e do wwolf22:

    Assim como houve a lenta construção da corveta Barroso, que se arrastou por 14 anos devido a cortes de verbas que interromperam os trabalhos por longos períodos, houve entre as décadas de 1980 e 1990 a construção de quatro corvetas classe Inhaúma, praticamente de forma simultânea, numa média de 6 a 7 anos cada uma (o que também foi tempo excessivo devido a contingenciamento de verbas, mas ainda assim demonstra que é possível ser mais rápido quando se tem os recursos financeiros, humanos e técnicos).

    Com os recursos técnicos, humanos, financeiros e modernização do AMRJ para ao menos operar com a capacidade que perdeu ao longo do tempo, não seria impossível construir 4 Tamandarés em prazos semelhantes às 4 corvetas classe Inhaúma.

    Mas também teve casos de atrasos ainda maiores, como um contratorpedeiro de construção iniciada em 1940 e só incorporado em 1960 (enquanto outros da mesma classe de seis levaram menos da metade desse tempo, e ainda assim muito comparado a outros anteriores que levaram seis anos, antes que o final da IIGM diminuísse a prioridade do programa), e isso quando o AMRJ na Ilha das Cobras era praticamente novo em folha. Ou do monitor Pernambuco, iniciado em 1890 (nas antigas instalações do Arsenal no continente, muitas décadas antes das atuais instalações na Ilha das Cobras serem iniciadas) mas só incorporado 20 anos depois, em 1910, mesmo ano em que se incorporou uma esquadra inteira de 2 encouraçados, 2 cruzadores e 10 contratorpedeiros encomendados à Inglaterra em 1906 e construídos todos em menos de 4 anos…

    Ou seja, o tempo de construção de 14 anos da Barroso pode ser citado de várias formas, para corroborar quaisquer argumentos, mas é preciso ver caso a caso. O atraso pode se repetir ou mesmo aumentar, mas também pode não ocorrer.

    Hoje, a não ser que o AMRJ seja modernizado em instalações, pessoal e o programa de novas corvetas possa receber verbas decentes, a construção da Tamandaré poderia levar até mais tempo que a Barroso, ou mesmo ser inviável no AMRJ. As circunstâncias podem sempre mudar, para pior ou para melhor.

  5. Se as minhas pesquisas e cálculos estiverem certos, uma Typo 054A chinesa custa 250 milhões de dólares, o que me faz crer que ocidentalizar pode elevar esse valor para mais de 300 milhões. Se observarmos uma classe Valour custa 327 milhões de dólares, uma Formidable deve ter mais ou menos esse preço. A vantagem que os chineses podem trazer é o financiamento.

  6. Se fosse para seguir em direção ao não ocidental (Japão e Coreia são ocidentais para mim), eu desistiria dessa Barroso 2.0 e compraria algo que já está no mercado (ocidental ou não, como aqui só estou falando de não ocidental…) seria a classe Steregushchy que custam entre 120 – 150 milhões de dólares. Como fragatas ficaria a classe Admiral Gorshkov, que segundo pesquisei custa 264 milhões de dólares. Em ultimo caso (pouco dinheiro), escolheria a não tão moderna classe Admiral Grigorovich, que custa 200 milhões.
    Só existem dois problemas de comprar navios (armamentos em geral) russos:
    1º Logística
    2º Demora para construir

  7. a.cancado,

    qual foi o ultimo projeto nacional projetado/executado ???
    as lachas escolas ????
    o resto eh tudo projeto comprado… ai fica fácil, quer dizer, demoraria 10 anos a menos a construção…

    empresarios sim, pois nem so de empreitas se fabricam os produtos… vai toda a cadeia de produção junto…

    mas enfim…

  8. Se comprassem umas 4 fragatas de 4000 ton de prateleira, acho que é adeus ao prosuper, resta saber se isso seria bom ou ruim…
    E as Gowind? Creio que as maiores tem porte de fragatas leves.

  9. Navio oriental? Se for coreano ou japonês a gente conversa.

    Comprar material bélico da china é dar adeus à coalizão ocidental, porque é um mercado de altíssimo lucro. De repente, a navantia sai de cena com a sua f-100, a TKMS também pode pular fora com sua valorosa classe MEKO e U-boots embaixo do braço.

    O que sobraria? o lixo entuboscorpene, e a gowind/l’adroit que nem a frança mesmo vai comprar.

    Já imagino a frota, 4 entuboscorpenes e 1 IKL-209 com o último tendo mais disponibilidade que os 4 entubados somados;
    As l’adroits/gowind registrando o primeiro caso de naufrágio por caturragem da modernidade;
    Os barcos chineses bem operacionais e com tripulações enormes, cheio de fuzileiro que ficou pra trás no teste de admissão (porque os primeiros tiveram outras oportunidades no meio civil).

    Vish.

  10. Haja pessimismo viu, mas democracia é democracia e direito de se espressar é direito de se espressar . Que venha o que nos for mais vantajoso dentro de nosso contexto político/financeiro atual e que agrade ,dentro do possível à MB.

    Sds.

  11. As Meko 200 SAN da África do Sul são navios muito interessantes, com 3700 ton, e sistemas de armas da Denel, que poderiam ser nacionalizados pela Mectron.

  12. Viu! Viu! Tira sarro de argentino que a praga volta contra nós. Daqui a pouco vamos dar graças a poder comprar equipamentos chinês. (Deus me livre de capeta chinês)

    abraços

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