Vale a pena ler de novo: visita ao navio-patrulha ‘Macaé’ em Santos-SP

Vale a pena ler de novo: visita ao navio-patrulha ‘Macaé’ em Santos-SP

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Visita Macaé 7-8-2015 - foto 19 Poder Naval

Vinheta ExclusivoNo dia 7 de agosto de 2015, os editores dos sites Poder Naval e Santos Shipphotos, Fernando “Nunão” De Martini e Marcelo “MO” Lopes, além de amigos e colaboradores, tiveram o prazer de conhecer o navio-patrulha Macaé (P 70), atracado ao cais da Capitania dos Portos de São Paulo, no Porto de Santos.

O navio já havia sido visitado, em anos anteriores, por editores e colaboradores dos sites, mas aproveitamos esta ocasião para mostrar detalhes adicionais em relação ao que já foi publicado – ainda mais devido ao fato da visita ter contado com a excelente acolhida do atual comandante do navio, capitão de corveta Rodrigo de Mello Francesconi, oficiais e tripulação. Também aproveitaremos para rever algumas fotos e informações publicadas em matérias anteriores, complementando as atuais.

Visita Macaé 7-8-2015 - foto 25 Poder Naval

Visita Macaé 7-8-2015 - foto 17 Poder Naval

O navio-patrulha Macaé, que dá nome à sua classe de patrulheiros de 500 toneladas de deslocamento carregado e derivados de um projeto francês (tipo P 400), foi construído pelo estaleiro INACE –  Indústria Naval do Ceará, do qual foi o casco número 570, e incorporado à Marinha do Brasil em 9 de dezembro de 2009. O estaleiro de Fortaleza também foi responsável pela construção de outro navio da classe, o Macau (P 71), casco 579 da INACE. Após um relativamente longo período de avaliações, testes, o Macaé finalmente foi transferido do Setor do Material para o Setor Operativo da Marinha, em cerimônia realizada em 5 de setembro de 2012.

macae-badger

Ao final, mostraremos as características básicas do navio, embora alguns dados já sejam tema dos próximos parágrafos. Agora, imagine que esteja numa visita guiada ao Macaé, atravesse conosco a escada do portaló, suba ao convés e dirija-se à principal porta de entrada para o interior do navio.

Visita Macaé 7-8-2015 - foto 40 Poder Naval

A porta acima (vista de quem já está dentro da superestrutura) fica localizada logo à frente da chaminé, e é um dos poucos pontos negativos que podemos atribuir, assim de cara, para o projeto desses navios-patrulha de 500 toneladas. A passagem entre a parte fechada da superestrutura e a chaminé é um tanto estreita, praticamente da largura da própria porta, quando aberta.

Evidentemente, há outras formas de acesso à parte interna do navio, como veremos, mas achamos importante destacar esse aspecto “espremido” por destoar do que se vê a seguir, quando se adentra a superestrutura (parte construída do navio acima do convés principal) e a impressão geral passa a ser de compartimentos muito mais espaçosos do que se poderia imaginar, vendo de fora uma embarcação de apenas 54,2 metros de comprimento e cuja superestrutura ocupa menos da metade disso.

NPa500 - main deck

Para ajudar o leitor a se situar, acima está um plano geral desse nível do navio. Alguns compartimentos foram modificados em relação a este esquema, que é mostrado na íntegra ao final da matéria, mas em geral o plano serve para dar uma noção de proporções e indicar o caminho de nossa visita. Ao passarmos pela porta já mostrada, visualizamos um corredor que corta longitudinalmente este nível da superestrutura, dividindo compartimentos  a bombordo e a boreste, como se pode ver na imagem abaixo, tomada na direção da proa. À direita (boreste) está a pequena porta corrediça da cozinha do navio, e à esquerda (bombordo), uma das mesas do rancho / área de descanso e recreação dos tripulantes. A porta ao final do corredor já dá acesso ao convés de proa, mas no momento ficaremos por aqui.

Visita Macaé 7-8-2015 - foto 39 Poder Naval

As duas imagens abaixo mostram o rancho, visto a bombordo (logo abaixo pode-se ver uma das vigias, entre um dos dois monitores do espaço e de um console de operação localizado nesta área). Há espaço para que mais da metade dos tripulantes (22 cabos e marinheiros) possa se alimentar ao mesmo tempo no rancho.

Visita Macaé 7-8-2015 - foto 23 Poder Naval Visita Macaé 7-8-2015 - foto 22 Poder Naval

Visita Macaé 7-8-2015 - foto 6 Poder Naval

A foto acima mostra o mesmo corredor no sentido oposto, visto de proa para popa. No lado direito deste ângulo invertido (bombordo), as portas dão acesso a camarotes dos oficiais. Já a boreste, sucedem-se as portas da escoteria (onde se guarda o armamento portátil para as ações realizadas pelo Grupo de Visita e Inspeção (GVI) / Grupo de Presa (GP) na atividade de patrulha naval), da câmara do comandante e da praça d’armas, que é o refeitório e área de descanso dos oficiais. Também a boreste fica a escada para o passadiço, mas no momento faremos uma parada na praça d’armas.

Na imagem abaixo, o editor do site Santos Shipphotos, Marcelo “MO” Lopes, conversa com o comandante Francesconi, em visita que precedeu a do dia 7 de agosto, quando em companhia do colega Paulo “Osso” de Oliveira Ribeiro, lhe entregou uma fotografia emoldurada do navio em comissão realizada anteriormente em Santos. O capitão de corveta Rodrigo de Mello Francesconi é o sexto comandante do Macaé, assumindo o comando em 30 de janeiro de 2015.

Visita Macaé ago2015 - foto Paulo

Visita Macaé 7-8-2015 - foto 21 Poder Naval

Além da foto do navio, na ocasião Marcelo e Paulo “Osso” entregaram a Francesconi exemplares da revista Forças de Defesa e do livro “Monitor Parnaíba 75 anos”, da Aeronaval Comunicação (também responsável pela “trilogia” Poder Naval, Poder Aéreo e Forças Terrestres). O livro de autoria de Fernando “Nunão” De Martini também fez parte do “kit” de presentes entregue aos comandantes dos navios japoneses em visita a Santos na mesma ocasião, como vimos em matéria anterior (clique para acessar).

Visita Macaé 7-8-2015 - foto 1 Poder Naval Visita Macaé 7-8-2015 - foto 2 Poder Navalmacae-p70-PWAE-ml-24-02-13- com logos

A praça d’armas, diferentemente do que mostra o plano que disponibilizamos desse nível do navio mostrado mais acima, está no estremo dianteiro direito (boreste) da superestrutura (onde no plano estaria a câmara do comandante). Esse posicionamento pode ser comprovado ao se ver quatro fotos acima, atrás de Marcelo, uma vigia voltada para boreste e, na imagem abaixo, outra vigia voltada para a proa. Essa vigia está ocupada pelo duto de um aparelho portátil de ar-condicionado, usado como auxiliar para quando o navio está atracado – vale dizer que a temperatura estava agradável em todos os compartimentos visitados, climatizados pelo sistema central. Na foto que abre esta matéria, pode-se ver a parte externa branca do duto na vigia logo ao lado do canhão.

Ainda na foto abaixo, em primeiro plano, está o pequeno sino da praça d’armas, em cujo badalo se dependura um boneco simbolizando Hércules, que é o apelido do navio (“Hércules da Amazônia Azul”).

Visita Macaé 7-8-2015 - foto 27 Poder Naval Visita Macaé 7-8-2015 - foto 28 Poder Naval Visita Macaé 7-8-2015 - foto 29 Poder Naval

A praça d’armas tem um bom tamanho para os cinco oficiais do navio, além de eventuais oficiais estrangeiros em intercâmbio, o que vem sendo o caso, e convidados como nós. Fomos informados sobre o intercâmbio de militares de países africanos, fazendo atualmente parte da tripulação do Macaé, e que continuam os entendimentos para eventualmente exportar essa classe para marinhas africanas. O navio tem condições de abrigar esse pessoal adicional, pois embora a tripulação normal seja de 35 homens, as acomodações são divulgadas como suficientes para 43, sendo 5 oficiais (+2), 8 suboficiais e sargentos (+2) e 22 cabos e marinheiros (+4).

Abaixo, mais algumas imagens da praça d’armas, onde estão quadros com fotos e pinturas do Macaé, além de uma maquete do navio.

Visita Macaé 7-8-2015 - foto 30 Poder Naval

Visita Macaé 7-8-2015 - foto 31 Poder Naval

É hora de sair da superestrutura, pela porta de vante, e pisar no convés de proa, onde está instalado o armamento principal do Macaé, um canhão de 40mm/L70 (tubo com 70 calibres de comprimento) fornecido pela ST Kinetics de Singapura. Trata-se de um desenvolvimento do canhão Bofors sueco.

Mas tratemos por enquanto dos acessos a esta área. Como se percebe na imagem abaixo, além da porta externa de aço, da superestrutura, há uma segunda porta interna. Este é o principal acesso à proa, por isso esta parte do navio não costuma fazer parte do roteiro de visitações públicas, como a que foi realizada no dia anterior (6 de agosto), pois implicaria em acessar a área interna da superestrutura, o que é complicado em grupos grandes, além do fato que a amurada também complicaria o acesso diretamente do cais a esta área.

Porém, para a tripulação, além desta porta central há dois outros acessos possíveis a esta área, que são as escadas que levam às duas asas do passadiço – uma das quais pode ser vista na foto abaixo, bem à direita, tendo no alto uma porta. Mostraremos essa passagem de outro ângulo, mais adiante.

Visita Macaé 7-8-2015 - foto 33 Poder Naval

Visita Macaé 7-8-2015 - foto 32 Poder Naval

Andando nesta parte do navio, a impressão que se tem é que a torreta do canhão de 40mm é maior do que se imagina, mas que combina mais com o porte da embarcação do que as similares (embora mais antigas) instaladas na classe “Grajaú”, de pouco menos da metade da tonelagem da “Macaé”.

Esta diferença fica clara na imagem abaixo, divulgada pelo site Alide (foto de Felipe Salles) quando da incorporação do Macaé em 2009, sendo visto ao lado de um navio classe “Grajaú”, comparação que também pode ser feita na foto seguinte, que tiramos há dois anos por ocasião de visita à corveta Jaceguai, no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro, junto ao cais do 1º Distrito Naval. Além das linhas mais “robustas” da proa, devido ao convés nesta área ser protegido por uma amurada de aço ao invés da balaustrada do navio menor, percebe-se também uma boa diferença na largura do passadiço.

Macae5 - foto Felipe Salles - ALIDE

NPa Gurupá - P46 e NPa Macaé - P70 no Rio - foto Nunão - Forças de Defesa

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A respeito do canhão principal do Macaé, fomos informados que a torreta pode tanto ser guarnecida por três tripulantes (dois para operação e um como reserva) como ser operada de forma remota, a partir do Compartimento de Operações (geralmente chamado de Centro de Operações de Combate ou de Informações de Combate – COC / CIC – nos navios de guerra maiores). Os disparos em geral são em rajadas curtas, incluindo uma munição traçante para eventual correção do tiro, e pode-se empregar tanto munição para impacto direto ao alvo (perfurante / alto explosivo) quanto de proximidade / programável.

Visita Macaé 7-8-2015 - foto 3 Poder Naval

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O tiro pode ser realizado utilizando-se tanto o sistema de mira instalado na própria torreta, quando esta é guarnecida, quanto pela alça eletro-óptica instalada em plataforma do mastro logo abaixo da antena menor de radar (são duas antenas de radar, sendo a maior posicionada no alto).

Na imagem acima pode-se ver a plataforma da alça, mas esta se encontrava vazia pois o equipamento foi enviado para manutenção. Porém, na foto abaixo (de 2013), é possível ver a alça (dotada de sensores de imagem diurnos e noturnos) instalada no mastro. Clique nesta e em outras imagens para ampliar e ver mais detalhes. Na ausência da alça, a posição do alvo é passada à guarnição conforme os dados fornecidos pelos radares, com direção local do tiro.

NPa Macaé - P70 no Rio - foto Nunão - Forças de Defesa

Armas de 40mm L70 dessa geração são capazes de uma cadência superior a 300 tiros por minuto, disparando projéteis com peso pouco inferior a 1kg (o peso completo da munição é de cerca de 2,5kg) a uma velocidade de boca de cerca de 1.000 m/s e alcance efetivo para alvos de superfície ao redor de 10km. De início, sabe-se que houve problemas de disponibilidade com os canhões do Macaé e do Macau, em especial relacionados à sua instalação nos reparos / torretas e a adaptação das mesmas às condições de emprego no mar, dentro de uma iniciativa de nacionalização.

Ao longo do tempo, as dificuldades foram contornadas, e ao menos na ocasião de nossa visita não foram mencionados problemas atuais com as armas. O fato é que a Marinha tomou recentemente a decisão de mudar o fornecedor dos canhões do tipo, que deverão equipar futuros navios da classe. Ao invés da ST Kinetics, agora serão da BAE Systems.

Visita Macaé 7-8-2015 - foto 4 Poder Naval

 

NPa500 - bridge deck

Acompanhemos novamente nosso trajeto seguindo o plano acima. Deixando o convés de proa, entramos novamente na superestrutura pela porta central, já mostrada, e acessamos a escada interna que dá acesso ao passadiço, vista abaixo. O passadiço do navio tem acabamento interno de suas paredes em madeira, que esconde as camadas de blindagem em kevlar instaladas entre esse acabamento e a parte externa de metal.

A blindagem desses compartimentos superiores em que se comanda e navega o navio, contra o fogo de armas leves e estilhaços, é um item desejável para um meio empregado em atividades como o combate à pirataria, onde se pode esperar reações dos chamados alvos de interesse.

Visita Macaé 7-8-2015 - foto 38 Poder Naval    Visita Macaé 7-8-2015 - foto 34 Poder Naval

No passadiço, o sistema de navegação que equipa a classe “Macaé”, compreendendo computadores, telas, consoles e os radares instalados no mastro é da empresa norte-americana Sperry Marine. Nas fotos acima e abaixo, pode-se ver algumas das telas e outros equipamentos diversos, como o indicador no teto para a posição do leme do navio. Acima, bem no canto esquerdo superior da foto (e visto na imagem abaixo também na parte superior esquerda) está o visor para os dados de navegação da agulha giroscópica instalada sobre o passadiço, no tijupá. Nas imagens externas que vimos antes, o equipamento está coberto por uma lona para proteção enquanto o navio permanece atracado.

As imagens abaixo também destacam a posição do “timoneiro”, ao centro, e as duas cadeiras laterais em que o comandante, conforme sua preferência de bordo, pode ocupar.

Visita Macaé 7-8-2015 - foto 36 Poder NavalVisita Macaé 7-8-2015 - foto 35 Poder Naval

Visita Macaé 7-8-2015 - foto 37 Poder Naval

Na foto acima, vê-se ao fundo do passadiço as gavetas onde se guarda as cartas náuticas e a mesa de navegação. Deve-se ressaltar, porém, que o sistema de navegação do navio inclui cartas digitais e todos os auxílios modernos – mas o método tradicional de plotagem (e a proficiência dos tripulantes na sua utilização) é indispensável em qualquer embarcação como “back-up”. Foi permitida a visita ao pequeno Compartimento de Operações acessível pela porta aberta logo ao lado da mesa de navegação, embora fosse solicitado que não se tirassem fotos.

Essa restrição, que varia conforme o navio e a situação, é compreensível e foi acatada. Mas, para dar aos leitores uma ideia de como é o compartimento, temos uma imagem de 2012, quando realizou-se a passagem do navio ao Setor Operativo. Do lado esquerdo da imagem, temos o Terminal Tático Inteligente (TTI), desenvolvido pelo IPqM (Instituto de Pesquisas da Marinha) e cujo console é fornecido por uma empresa nacional. O equipamento fornece o quadro tático ao redor do navio, a partir de informações dos radares e outros sensores eventualmente integrados (GPS, giro, hodômetro). Com essas informações, pode-se tanto decidir ações quanto dar posições de tiro para a guarnição do armamento principal, quando é o caso.

Segundo informações do IPqM, o sistema disponibiliza ao operador a apresentação do movimento relativo e verdadeiro da plataforma, permitindo tracking manual e automático de contatos. O TTI pode se comunicar com outras plataformas por meio de um link de transmissão de dados de até 2400 bps. Nos navios da Classe “Macaé”, o TTI opera com um console único, mas pode também operar de modo distribuído, em rede local. Trata-se do primeiro sistema tático brasileiro a incorporar cartas náuticas eletrônicas homologadas pela DHN. É prevista a inclusão de interfaces com outros sensores e sistemas como: SCM, MAGE, anemômetro, canhões etc.

Informamos, em parágrafo anterior, que o canhão de 40mm do Macaé pode ser controlado no Compartimento de Operações, a partir da alça eletro-óptica. O console da alça fica instalado na posição bem à direita e que estava ocupada, na foto de 2012 abaixo (quando o equipamento ainda não existia no navio) por um monitor do sistema de monitoramento interno e externo por câmeras (como o que pode ser visto preso ao teto do passadiço, em imagem mais acima). O console que vimos nesta visita do dia 7, e que se assemelha ao TTI ao seu lado, incorpora dois “joysticks” para controle remoto da alça e do canhão.

NPa Macaé - Terminal Tático Inteligente no compartimento de Operações, atrás do passadiço

Atrás do Compartimento de Operações, há ainda o de Comunicações, não disponível para visitarmos (o que é praxe em qualquer navio da Marinha). É hora de seguir rumo à popa do Macaé. Deixamos o passadiço pela porta de bombordo (que pode ser vista duas fotos acima, entre as duas cadeiras), que dá acesso à chamada asa do passadiço, ou “lais”.

Visita Macaé 7-8-2015 - foto 7 Poder Naval

Da “asa”, tem-se uma boa visão do convés de proa e, como já informamos, este também pode ser acessado por escada que conecta esse convés a uma pequena porta, vista na imagem abaixo. Sob o convés de proa, diferentemente de navios maiores (ou mesmo navios de porte similar, como o já mencionado monitor Parnaíba) não estão situados compartimentos habitáveis, como os alojamentos da tripulação (a chamada “coberta”). Apenas paióis diversos ocupam o convés inferior na área da proa. A coberta para cabos e marinheiros, assim como seus banheiros, fica exatamente sob a superestrutura, abaixo dos alojamentos de oficiais. Os alojamentos de sargentos / suboficiais ficam sob a área de popa do convés.

Visita Macaé 7-8-2015 - foto 8 Poder Naval

Visita Macaé 7-8-2015 - foto 9 Poder Naval

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Acima, mais duas vistas do mastro do navio, onde estão instalados os dois radares Sperry Marine, antenas diversas de comunicações, além da pequena plataforma (vista na parte mais baixa, à esquerda na imagem) para a alça eletro-óptica que, como já mencionamos, havia sido retirada para manutenção.

Caminhando ainda neste nível em direção à popa, chegamos ao local de instalação das metralhadoras GAM BO1 de 20mm, uma por bordo. Segundo o comandante Francesconi, para a maior parte dos contatos engajados em missões de patrulha naval, as metralhadoras têm se mostrado intimidadoras o suficiente.

Visita Macaé 7-8-2015 - foto 11 Poder Naval

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Acima, fotos da Bandeira de Faina do Macaé gentilmente arvorada por tripulantes do navio, incluindo detalhe da bandeira com destaque para a figura do herói da mitologia grega Hércules.

Chegou a hora de deixar a parte superior do navio, rumo à popa, por uma escada a boreste da chaminé. Mas antes, do alto, ainda vimos que uma série de tambores ocupava a lateral de uma das duas plataformas destinada a botes infláveis de casco rígido (RHIB) utilizados nas missões do Grupo de Visita e Inspeção (GVI) e do Grupo de Presa (GP). Os tambores recebidos continham óleo para trabalhos de manutenção que se realizava, na ocasião, nas máquinas do navio. Os botes são baixados e recolhidos por um guindaste instalado entre as duas plataformas, sendo que na de ré repousava o único bote então embarcado no navio (protegido por uma lona). Mais à popa, está a posição para içamento e entrega de cargas por helicópteros, marcada com a letra “H”.

Visita Macaé 7-8-2015 - foto 13 Poder Naval

Olhando para baixo nessa mesma posição, percebe-se uma pequena chaminé. Ela serve para exaustão do gerador auxiliar (de emergência), situado logo abaixo de onde estávamos. A posição desse gerador, junto à superestrutura, é compatível com um navio destinado a missões de patrulha em tempo de paz, mas no caso de um navio de guerra em geral ele é posicionado em posições menos vulneráveis, preferencialmente abaixo do convés ou mesmo da linha d’água, distante dos motores / geradores principais.

Visita Macaé 7-8-2015 - foto 14 Poder Naval

Acima e abaixo, fotos do compartimento do gerador auxiliar, ao pé da escada. O posicionamento do mesmo, sobre o convés principal (main deck), pode ser conferido em mais uma seção do plano geral que reproduzimos logo abaixo.

Visita Macaé 7-8-2015 - foto 15 Poder Naval Visita Macaé 7-8-2015 - foto 16 Poder Naval

NPa500 - main & lower deck

Nesta mesma seção do plano, podemos ver o convés inferior (lower deck), onde estão instalados os motores da propulsão do navio e os geradores principais de eletricidade. Como estava sendo realizada uma manutenção nos motores, não foi possível visitar a praça de máquinas na ocasião, assim como os alojamentos de cabos / marinheiros e sargentos / suboficiais, contíguos. Porém, quando da passagem do navio ao Setor Operativo, em 2012, também foi possível fotografar os motores e o Centro de Controle de Máquinas, e reproduzimos aqui as fotos tiradas àquela época.

NPa Macaé - Praça de Máquinas NPa Macaé - CCM - Centro de Controle de Máquinas

O navio é dotado de dois motores MTU modelo 16V 4000, de 3.650 BHP, capazes de levar o Macaé a uma velocidade máxima mantida de 21 nós. Os motores são acoplados a dois eixos e dois hélices de três pás e passo fixo. A eletricidade é fornecida por 3 geradores de 270 kVA.

O controle e monitoramento da propulsão fica a cargo de um sistema nacional, conhecido pela sigla SCM (Sistema de Controle da Propulsão). Trata-se de uma versão simplificada do SCM desenvolvido para a corveta Barroso, utilizando hardware de uso comercial (COTS, ou “de prateleira”) e software totalmente desenvolvido pelo IPqM. O SCM é composto de 3 subsistemas: o Subsistema de Controle e Monitoração de Propulsão e Auxiliares (SCMPA), o Subsistema de Controle de Avarias (SCAV) e o Subsistema Manual Remoto (SMR), este último um recurso que permite o comando direto de motores, em caso de baixa dos computadores do SCMPA. Já o SCAV auxilia na segurança física do navio, indicando a leitura de sensores que monitoram fumaça, temperatura alta e alagamento em compartimentos.

Na foto abaixo, pode-se ver em primeiro plano alguns detalhes de uma das plataformas de instalação de botes (em cuja lateral estão colocados provisoriamente os tambores de óleo já mencionados).

Visita Macaé 7-8-2015 - foto 18 Poder Naval Visita Macaé 7-8-2015 - foto 20 Poder Naval

Contornando a área de popa, voltamos ao portaló, a bombordo, onde está o sino do navio. Mas nossa visita ainda não havia acabado. Fomos convidados pelo comandante do Macaé para voltar à praça d’armas, onde nos esperava um hospitaleiro café com frutas e biscoitos. Até mesmo a xícara destinada a almirantes em visita, com faixa dourada, fazia parte da mesa.

Visita Macaé 7-8-2015 - foto 24 Poder Naval

Visita Macaé 7-8-2015 - foto 41 Poder Naval

Conversando um pouco mais com o capitão de corveta Francesconi, soubemos que no planejamento original ele estava destinado a ser o primeiro comandante do navio-patrulha Maracanã, continuidade da classe “Macaé”, mas o atraso na sua construção levou-o a pedir para comandar outro navio e não perder a oportunidade de comando, sendo então destinado ao navio líder da classe.

É uma pena que navios relativamente simples como esta classe de navios-patrulha – ainda que esta visita mostre detalhes que demonstram uma maior complexidade de sistemas e equipamentos do que se imagina à primeira vista – estejam com suas construções atrasadas. Atualmente, apenas o Macaé e o Macau (este subordinado ao 3º Distrito Naval), se encontram em operação. Dificuldades com o estaleiro EISA, que constrói cinco navios da classe, levaram a sucessivos atrasos na entrega dos próximos navios.

NPa Maracana em construcao no EISA - foto A Galante

O Maracanã, cuja quilha foi batida em 25 de novembro de 2009 e, em reportagem da revista Forças de Defesa do início de 2013 podia ser visto já em avançado estágio de construção (foto acima), atualmente tem sua entrega prevista apenas para o primeiro semestre de 2016, devendo operar no 4ºDN. Espera-se que o Mangaratiba seja entregue ao 1º DN no segundo semestre de 2016, o Miramar ao 3º DN no primeiro semestre de 2017, o Magé ao 1º DN no segundo semestre de 2017 e o Maragogipe  ao 2º DN no primeiro semestre de 2018.

Visita Macaé 7-8-2015 - foto 26 Poder Naval

Esta programação de distritos navais a receber os navios pode eventualmente ser alterada:  em outubro do ano passado, foi ativado o Núcleo do Comando do Grupamento de Patrulha Naval do Sul-Sudeste, subordinado ao Comando do 8º Distrito Naval, em Santos (SP), e conforme as obras das instalações definitivas do Grupamento ficarem prontas, espera-se que um navio-patrulha da classe fique subordinado ao 8º DN e opere a partir de Santos (atualmente, navios desdobrados do 1º DN se revezam em Santos, em geral da classe “Grajaú”).

Fomos informados que é possível que um dos novos navios seja o destinado ao 8º DN, o que faria das saídas e chegadas da classe “Macaé” uma vista mais frequente para as lentes do Santos Shipphotos e do Poder Naval, em Santos. E oportunidades para mais visitas como esta que o comandante Francesconi, oficiais e praças do Macaé gentilmente nos concederam, com toda a hospitalidade e atenção, aos quais agradecemos, assim como ao pessoal da Capitania dos Portos.

Plano NPa 500

Características principais do navio-patrulha Macaé (dados do estaleiro INACE)

  • Tipo: navio patrulha de 500t, casco em aço e superestrutura em alumínio
  • Comprimento total: 54,2m
  • Boca máxima: 8m
  • Pontal: 4,60m
  • Calado: 2,3m
  • Propulsão: 2 motores MTU modelo 16V 4000 de 3.650 BHP acoplados a dois eixos e dois hélices
  • Velocidade máxima mantida: 21 nós
  • Raio de ação: 2.500 milhas náuticas
  • Armamento: um canhão de 40mm e 2 metralhadoras de 20mm
  • Navegação: Ponte Integrada de Navegação (IBS) da Sperry Marine, Sistema Integrado de Comunicações da EID, Controle e Monitoração da Propulsão e Sistemas de Alarme e Controle de Avarias do IPqM

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Para mais informações, recomendamos a consulta às matérias abaixo e ao artigo “Patrulha Naval: exercendo a soberania”, de autoria de Ícaro Luiz Gomes, publicado em duas partes nas edições 8 e 9 da revista Forças de Defesa.

Mais uma vez, nosso sincero agradecimento ao CC Francesconi, Oficiais e Guarnição do NPa Macaé, que tão gentilmente nos receberam a bordo !

TEXTO: Fernando “Nunão” De Martini

FOTOS DA VISITA E PRÉ-VISITA: Fernando “Nunão” De Martini, G. Strelniek, Marcelo “MO” Lopes e Paulo “Osso” de Oliveira Ribeiro

FOTOS DE ANOS ANTERIORES: Alexandre Galante, Fernando “Nunão” De Martini, Marcelo “MO” Lopes, Gustavo “Índio” Souza e Felipe Salles (Alide)

VEJA TAMBÉM:

35 COMMENTS

  1. Quantos desses a MB opera e quantos pretende operar? A MB comprou os canhões e os navios!

    http://www.naval.com.br/blog/2015/05/04/marinha-compra-primeiro-lote-de-canhoes-bae-systems-bofors-ab-de-40-mm-mk4/

    É um navio patrulha excelente para policiamento e vigilância de águas territoriais. Já os classe Amazonas por serem navios-patrulha oceânicos vão além de águas territoriais. Bem, é este tipo de navio que faz uma marinha funcionar em tempos de paz.

    Saudações!

  2. Parabéns pela matéria e pela cobertura fotográfica!
    Uma dúvida, no texto é dito que o NPa Maracanã “tem sua entrega prevista apenas para o primeiro semestre de 2016”. Como o primeiro semestre de 2016 já passou, o navio foi entregue?
    Creio que não, pois não foi noticiado aqui no Naval.
    Alguém sabe qual é o novo cronograma de entregas?

  3. Excelente…mas…bem que podiam instalar um par de “exocets” : ) just kidding !
    .
    Quanto à “xicara de Almirante”, outras marinhas também oferecem esse tipo de cortesia, nada demais.

  4. EduardoSP, todo navio independente do porte pode receber a visita de um Almirante, bem como oficial General de outra força ou civis assemelhados, portanto tem que ter toda a palamenta necessária e estar pronto para recebe-los.

  5. Não Edu, Xicara de Almrante foi pro MO …. justificado … kkkkkkkkkkkkkkk …

    (procedimento de protocolo normal em navios da imensa maioria das marinhas do mundo ….)

  6. Parabens aos editores vcs desmitificam um pouco as f.a. pra um brasil q nao se conhece! Acompanho o blog a um ano e é primeira vez vejo foto de alguem alem do sr galante!!! Mestre mo…agora precisaria aparecer mestre nunāo e mestre bosco!salam alaikum

  7. Jorge, o plano inicial, salvo engano, era em torno de 40 deste, mas só tem dois operacionais e três em fases diferentes de construção parados no estaleiro Ilha. Se alguém souber como anda a negociação sobre o reinicio da construção dos mesmos conte-nos. Outra é que com a operação dos “Macaé” já se tem um projeto novo corrigindo as deficiências dos “Macaé” que é o projeto do “Macaé-Mod”.

  8. Poderiam encomendar mais uns 5 ao INACE, mesmo os fabricados no EISA ainda não tendo sido entregues. Correria o risco de os novos feitos no Ceará serem entregues antes dos feitos no RJ.

  9. OFF TOPIC
    China avisa ao Japão que não desiste de suas ambições no Mar do Sul da China, e diz que nem uma guerra os fariam desistir.

  10. Como é a missão de patrulha? Os IPV recebem uma área determinada? Qual extensão, quanto tempo em geral dura a missão? Recebem apoio de aviões de esclarecimento e vão nas dicas das aeronaves? Excelente reportagem? De quanto em quanto tempo vão ao mar? Quantos IPV atuam ao mesmo tempo em um DN normalmente?

  11. Mahan, na epoca que eu fiz PatNav no P51, a area de patrulha era definida pelo 2DN, de forma a cobrir uma parte da area de jurisdição daquele DN… operavamos com as ANV do Esqd Orungan, as quais faziam esclarecimento e passavam os contatos para o Navio… a missao durava 120 horas… normalmente, atracavamos em IIlhes e, na volta para SSA, cumpriamos Inspecao Naval… abraço…

  12. Dirijo-me aos elaboradores do texto, e editorial do site, todos os envolvidos na confecção deste, com enorme intuito de agradecimento e parabenizando o excelente trabalho realizado, é uma descrição muito técnica de partes do navio da classe, do qual inclusive vou utilizar como bibliografia para um trabalho que faço como arquivo, achei genial inclusive a sobreposição de fotos, de épocas diversas, de forma a cobrir com imagens ilustrando a unidade que é focada no presente. Dessa forma, deixo uma pequena colaboração ao texto, no intuito de corrigir o que identifico como um equívoco de descrição à luz de arte naval, na parte que cita a “amurada de aço ao invés de balaustrada…..”, que na verdade não é amurada, a definição deve ser borda-falsa, que consiste de chapas de aço que se elevam acima do convés principal na proa, formando então o limite superior e prolongamento, para ponto acima do costado. A nomenclatura “amurada” emprega-se para definir a parte interna dos costados, ou mais comumente usada para indicar a parte interna da borda-falsa. Grande abraço a todos, obrigado pelo excelente trabalho.

  13. porque ?por que EU (MO) não acho satisfatoria a construção de unidades navais,sejam combatentes ou não feiras pelo inace

  14. Mas MO, tirando meus 35% de ironia (e não 85%), eles entregaram, e não vi nenhuma reclamação objetiva quanto as Macaés feitas no INACE que as impeça de operar com elogios pela marinha.
    Se teve de ser feito ajustes, os mesmos podem ser feitos nas futuras, mas a Macaé segue operando…
    Já o EISA se mostrou incompetente para o mesmo trabalho. Qual a sua insatisfação quanto ao INACE no caso das Macaés?

  15. Bacana o navio. Parabéns ao CC Francesconni pelo comando. Pergunta: expor tantas fotos detalhadas assim não contraria a doutrina de inteligência? Pergunta pro pessoal da MB. O paisanal vai responder que “tem direito de saber tudo”.

  16. Fotografamos areas não classificadas, por isto a permissibilidade destas fotos, semcontar que o navio por conhecer o PN sabia que seria um divulgação positiva, não expondo nada considerado “classificado”, a diseito da função do navio

  17. MO, mas a referencia aqui é justamente o MACAÉ! Vc gostando ou não do INACE, foi o unico estaleiro que mostrou competência para construir tais meios! Já o EISA…………

  18. mas é ai que esta expressei um opiniao minha, eu gostando ou não, talvez o inace tinha sido o único que se interessou, quanto ao Eisa, é o Eisa dando uma de Eisa …. Ja se perguntou pq do desinteresse em se oferecerem para construção de navios militares nos estaleiros ?

    Me Desculpe Gayneth, mas não gosto do Inace epor motivos meus não acho ele um bom estaleiro e não acho o Macae algo do outro mundo que o qualifique melhor que outro comparativamente , mas reforço que é opinião minha

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