EUA transferem cutter da classe ‘Hamilton’ ao Vietnã

EUA transferem cutter da classe ‘Hamilton’ ao Vietnã

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USCGC Morgenthau (WHEC-722) será renomeado como CSB 8020 para a Guarda Costeira do Vietnã

HONOLULU – A Guarda Costeira dos Estados Unidos transferiu um “cutter” de grande autonomia para a guarda costeira do Vietnã durante uma cerimônia em Honolulu, no dia 25 de maio.

O navio, rebatizado CSB 8020, deverá melhorar a consciência do domínio marítimo da guarda costeira do Vietnã, aumentar sua capacidade de executar operações de aplicação da lei marítima e realizar operações de busca e salvamento e outras operações de resposta humanitária.

“Este cutter fornece um símbolo concreto e significativo da Parceria Integral dos EUA com o Vietnã”, disse o vice-almirante da Guarda Costeira dos EUA, Michael J. Haycock, comandante assistente para aquisição e diretor de aquisição. “A Guarda Costeira tem a honra de ver este navio continuar a preservar a paz global e a prosperidade como parte da guarda costeira do Vietnã”.

O CSB 8020 foi transferido para a Guarda Costeira do Vietnã pelo governo dos EUA através do programa Excess Defense Articles. O EDA oferece equipamentos militares em excesso aos países parceiros e aliados dos EUA em apoio aos seus esforços militares e de modernização da segurança.

FONTE: U.S. Coast Guard

23 COMMENTS

  1. E pensar que este mesmo navio participou da Guerra do Vietnã tendo como missão principal impedir ou dificultar o envio de material do Norte para o Sul do Vietnã , na época armado com
    um canhão principal de 127 mm que foi substituído por um de 76 mm durante período de modernização iniciado no fim dos anos 80.

  2. Essa é a única classe de navio americanos dotada de um sistema de controle de tiro para o canhão provido de radar.
    Outras característica pouco comuns a navios de guarda costeiras (fora dos EUA) é o radar de busca aérea de longo alcance e o Phalanx.

  3. Cometi um equívoco!! A classe “Famous”, de média autonomia (Medium endurance cutter) também utiliza um radar de controle de tiro para o canhão de 76 mm (Mk-75).
    Interessante sobre a Guarda Costeira Americana é sua classificação de navios acima de 65 pés de “cutter”. Abaixo de 65 pés (e 50 t) é chamado de “boat” (barco).
    Além da dimensão os “cutters” têm em comum o fato de todos terem rampas traseiras para embarcações e todos serem dotados de armamento estabilizado e de controle remoto (76 mm, 57mm, 25 mm, .50). Todos os classificados como “high endurance” são dotados também de convoo e hangar e helicóptero orgânico. Os de “medium endurance” são dotados somente de convoo. Os de “high endurance” são dotados também de radar de busca aérea de longo alcance.
    Já os chamados “boats” não possuem rampa traseira e não possuem arma estabilizada

  4. Ah! Os “high endurance” também são dotados de um Phalanx e de sistemas de defesa antimíssil soft kill.

  5. “O EDA oferece equipamentos militares em excesso aos países parceiros e aliados dos EUA em apoio aos seus esforços militares e de modernização da segurança.”
    É irônico ver esta notícia sabendo que até décadas atrás o Vietnã esteve em guerra contra os Estados Unidos e hoje, graças a um inimigo em comum e mais poderoso tornou-se um país “parceiro e aliado.

  6. Irônico é ver a mágoa que a esquerda brasileira tem dos EUA por conta do apoio deste à Revolução Militar de 64. Mágoa esta que foi disseminada para uma legião de abestados através de lavagem cerebral imposto pela cultura marxista impregnada no tecido social brasileiro, enquanto vemos o Vietnã se tornando um aliado dos americano.

  7. Esses navios são lindo! Admiro muito a USCG! Existe um filme espetacular chamado “Anjos da Vida”, com Kevin Costner, sobre o treinamento dos Mergulhadores de Resgate.

    Mas, voltando ao nosso amado país, poderia a MB repassar para uma futura Guarda Costeira as lanchas distritais, os NPa de 200 e 500 ton, além dos NaPoc Amazonas e ficar somente com as escoltas e outros meios?

  8. Nino,
    Excelente observação.
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    Só reforço que, a bem da verdade, foram os EUA que saíram de suas terras e tomaram parte num conflito fora de sua alçada. Algo semelhante ao que pode vir a ocorrer com a Coréia do Norte e vem ocorrendo no Oriente Médio.
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    Independente do argumento que possa ser aventado, como a “defesa da liberdade”, não é lícito a qualquer país uma ação unilateral de caráter bélico.
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    Iniciar uma guerra ou dela tomar parte sem que haja motivo legítimo deveria ser algo além de reprovável pela ONU. De fato, deveria levar à sanções ao país agressor, algo que não ocorre com membros do CS da ONU.
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    Por essas e outras o planeta ainda vive uma insegurança incompatível com o avanço tecnológico que vivemos. Enviamos o homem ao espaço e não conseguimos resolver nossos problemas de forma pacífica e multilateral.
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    A indústria bélica agradece.

  9. Bosco,
    Se tornar aliado dos EUA, ou mesmo parte daquele país, não é sinônimo de nada. Me lembra alguns que afirmam que se o Brasil tivesse sido colonizado por franceses, holandeses ou ingleses estaria melhor… ignoram totalmente a condição das ex-colônias daqueles países, lembrando apenas onde houve colonização de povoamento, onde os europeus foram, em geral fugidos, formar uma nova nação..
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    Sobre a ação dos EUA, foi mais uma intromissão daquele país em outro Estado soberano. Os problemas de um país devem ser resolvidos internamente. E, salvo dados que desconheço, nunca houve risco real do Brasil se tornar satélite soviético… Não havia um partido popular comunista no Brasil (até porque contraria a visão leninista de partido), a URSS há muito não tinha intenção tampouco cacife para implementar uma ação efetiva de mudança de regime em países como o Brasil e, nem de longe, Cuba poderia interferir de forma decisiva na realidade tupiniquim.
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    Os únicos países que, no século XX, se tornaram “socialistas” ou qualquer coisa ligada à URSS passaram por situações totalmente distintas do Brasil. Cuba teve uma revolução que nem de longe era comunista – na realidade, tava mais para povo pró-Lava Jato; Vietnã se inseria no quadro dos países que foram colonizados e estavam lutando pela sua soberania – o que o Brasil já conquistara fazia tempo; a África seguia a mesma linha dos asiáticos pró URSS ou China, sendo essa outro exemplo do que levou à mudança de regime.
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    A própria URSS só surgiu em razão da guerra em seu território, com um povo exausto (como nunca vivenciamos nem de longe por aqui) e que tinha necessidade de paz e pão. O comunismo, na época, era um ideal que cativava esses miseráveis… O Brasil não era feudal, imperial, não estava em guerra, quer dizer, não tinha nenhum elemento para possibilitar uma mudança drástica de regime.
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    E Jango estava muito, mas muito mesmo, longe de ser comunista… No máximo, era um social-democrata, algo que governou a Europa e teve uma massa gigantesca de adeptos no EUA…

  10. Uboot,
    Eu não disse que há vantagens ou não de ser aliado dos EUA. O que disse foi que enquanto somos magoadinhos com os EUA por conta dele ter ficado do lado dos militares em 64 o Vietnã, após o mesmo período da Guerra do Vietnã, é chamado de “aliado” dos EUA. Fiz apenas uma constatação factual.
    Quanto às ex-colônias das potências ocidentais, discordo totalmente. Muitas dessas ex-colônias se tivessem sido protegidas da cobiça ocidental por uma redoma mágica estariam pior do que estão hoje. Por exemplo: a Índia. Hoje há 300 milhões de indianos na classe média e meio bilhão acima da linha da miséria absoluta. Não fosse a colonização ocidental e provavelmente haveria lá hoje um bilhão de duzentos milhões de miseráveis e meia dúzia de marajás.
    O mundo é do jeito que é e não do jeito que idealizamos. Nesse mundo real não há isso de países serem ilhas isoladas e resolverem seus próprio problemas internos.
    Quanto à intervenção americana no Vietnã, talvez ela não tivesse ocorrido se não tivesse havido antes intervenção soviética e chinesa na região exportando sua ideologia marxista. Mas claro, como o mundo não é um lugar ideal mas real, é impossível um país não importar ideologia estrangeira do mesmo modo que é impossível um país não financiar a revolução em país estrangeiro, inclusive com armas. Nesse contexto de realidade e não de idealização é que se pode avaliar a intervenção do maldoso EUA no pacífico Vietnã.

  11. Bosco,
    Sobre o cutter, lhe parece um bom projeto para as necessidades brasileiras? Qual seria a real utilidade da rampa numa embarcação desse porte?

  12. Uboot,
    A rampa traseira facilita as operações de lançamento e recuperação de embarcações (RHIB, botes infláveis, etc) e permite que sejam lançadas sem que haja necessidade de reduzir a velocidade do navio e recuperar em velocidade bem maior que de forma tradicional.
    Esse cutter tem tudo que é preciso para um navio patrulha oceânico mas o custo de operação não deve ser barato. Pra nós a classe Amazonas tá de bom tamanho. O “defeito” da Amazona é só não ter rampa traseira que eu considero muito útil.

  13. Bosco,m
    Sobre os EUA, posso até concordar contigo de que a imagem dos EUA no Brasil não é das melhores. Porém, não foi apenas com 64 que os EUA ganharam essa fama… Eles inventaram a política do porrete e depois o soft power na América… Logo, pela proximidade (em todos os sentidos), é a primeira potência que devemos ter cuidado ao tratar.
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    De qualquer forma, os EUA apenas buscam garantir seu way of life e isso tem custo. Não adianta querer ser a maior potência do globo e ter as mesmas posições e ações que o Brasil. Se o EUA tivessem as FFAA com as mesmas condições das brasileiras, não seriam a potência que são. Por isso que eu sempre deixo claro meu ponto de vista: nações possuem interesses, geralmente econômicos, ponto.
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    Sobre o Vietnã, ele estava na “zona de influência” da China tanto quanto estávamos na dos EUA. A diferença é que os EUA já eram uma potência com visão e poder global enquanto a China saía da confusão da sua independência e reorganização política (Que ainda se desenvolve, seja lá como for). Quer dizer, a China estava querendo agir como os EUA e os EUA querendo manter a supremacia… nada demais…
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    Sobre a rampa, a questão realmente deve ser o custo x benefício dessa rampa. Não vislumbrei, para as nossas necessidades, uma utilidade que compensasse o custo da evolução do nosso projeto. Quem sabe um dia…
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    Se bem que o Vietnã entra naquele pensamento: agora que tem, vão ter que manter… Será que os EUA já começam a abrir novos mercados?

  14. Uboot,
    Os EUA é o saco de pancada do politicamente correto porque é a nação mais poderosa da terra, tanto em termos militares quanto econômicos. E nem é a mais maléfica se formos ver a história recente de outros países.
    Antes da SGM o Reino Unido era a bola da vez, junto com a Alemanha. Antes ainda era a França. Podemos regredir até chegarmos ao Egito dos faraós e antes ainda, até os acadianos.
    Quando os EUA ruir como a superpotência dominante outra vai ocupar o lugar e será julgado por suas ações e por suas omissões. O mundo é assim é sempre será pelo menos enquanto seres humanos formos. Talvez lá no Paraíso ou no Inferno as coisas sejam diferentes mas não duvido que até nesses lugares Deus e o Diabo sejam julgados por suas atitudes. rsrsss
    O Brasil, por sua vez, parece que será sempre um ator coadjuvante e relegado a nunca ser julgado ou a ser julgado com um excesso de benevolência tendo em vista que no cômputo da civilização humana não fede nem cheira e não há nada que indique que essa condição irá se alterar nos próximos 500 anos.

  15. Uboot e Bosco, para nós o que compensa como patrulha é o NpaOc-BR. Ninguém falou mais nisto e as Tamandarés parecem que viraram realidade, sendo os NpaOc-BR no mesmo casco. Será que desistiram?

  16. Só acrescentaria ao que o Bosco escreveu que o Vietnã do Sul era aliado dos EUA assim como
    o norte estava nos braços da China e URSS. Estava-se em plena guerra fria e o chamado
    efeito dominó ou seja se cair um país para o comunismo os vizinhos irão cair também era uma
    preocupação…ao menos sob o ponto de vista daquela época.

  17. Agora, passado mais tempo, o Vietnã tornou-se aliado americano…
    Afinal, quem ganhou a guerra então?
    Dá pra pensar…

  18. É lamentável que estejamos tão atrasados em construção naval. Nem sequer conseguimos reter a tecnologia pela qual pagamos tão caro ao tempo de Ishikawagima e Verolme. É o desastre do crescimento tipo voo de galinha: curto e direcionado para baixo.

  19. Céus, mais do mesmo lero-lero eterno que aprendemos equivocadamente nas aulinhas de ‘história’ da tia Teteca. Obrigado Bosco, e Dalto por jogarem uma luz aqui.
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    Mas é sempre bom lembrar que a política americana para o Vietnã foi inspirada na experiência da Guerra da Coréia e pautada pela Teoria do Dominó. Nunca houve uma tentativa americana de invadir o Vietnã do Norte e eliminá-lo da face da Terra, mas sim em garantir a sobrevivência do Vietnã do Sul ante à agressão proveniente do Norte.

  20. Uboot…
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    O inicio da colonização nas Américas teve por parâmetro a exploração do território…
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    Falando dos americanos especificamente, o primeiro assentamento bem sucedido ( Jamestown, Virgínia ), era uma colônia de exploração, que viria a prosperar com o plantio de Tabaco no século XVII… Salvo melhor juízo, a primeira onda de colonizadores cujo propósito era tão e somente constituir um assentamento, e que deu certo, veio somente com a travessia do ‘Mayflower’, em 1620, constituindo o que hoje é Plymouth. As tentativas antes destas duas, no século XVI, falharam…
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    “Sobre a ação dos EUA, foi mais uma intromissão daquele país em outro Estado soberano.”
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    Que intromissão em Estado soberano…? O Vietnam era dividido em dois: o do Norte e o do Sul. E os americanos eram aliados do Sul… E a ação americana foi em amparo aos sulistas.
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    “A própria URSS só surgiu em razão da guerra em seu território…”
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    A URSS surgiu principalmente para manter o máximo possível de territórios e as zonas de influência do antigo Império Russo…
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    Grosso modo, a mentalidade da liderança russa nunca mudou desde a ascensão de ‘Pedro, O Grande’ ( mesmo o comunismo nunca mudou muito a visão de mundo que os russos tem ). A ideia sempre foi avançar para onde fosse possível, garantindo saídas para o mar, além de um “escudo” para manter o centro do Império invulnerável a invasões. Os russos são obsessivos com isso…
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    Movimentos independentistas, como o da Ucrânia no inicio do século XX, sempre foram uma constante fonte de dores de cabeça para os russos, mesmo durante o período soviético e notadamente no Cáucaso… Aliás, o primeiro conflito externo travado pelos soviéticos foi contra a Polônia em 1919-1921, que terminou com a vitória e independência definitiva da Polônia.

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