Home Estratégia Consulta pública aos Documentos Estratégicos de Defesa

Consulta pública aos Documentos Estratégicos de Defesa

1546
8

Os documentos estratégicos do Ministério da Defesa: a Política Nacional de Defesa (PND), a Estratégia Nacional de Defesa (END) e o Livro Branco de Defesa Nacional (LBDN) encontram-se em apreciação no Congresso Nacional e estão disponíveis para consulta pública. Durante esse período, o cidadão poderá apresentar sugestões e colaborar com a consolidação das ideias e dos novos conceitos apresentados na proposta atual.

A Política Nacional de Defesa (PND), a Estratégia Nacional de Defesa (END) e o Livro Branco de Defesa Nacional (LBDN) são os documentos de mais alto nível do País em questões de Defesa, baseados nos princípios constitucionais e alinhados às aspirações e aos objetivos nacionais fundamentais do Estado Brasileiro.

Esses documentos foram encaminhados para apreciação do Congresso Nacional em cumprimento ao previsto na Lei Complementar (LC) nº 97/1999, alterada pela LC no 136/2010, correspondentes ao período 2017/2020.

A contribuição do cidadão brasileiro, além de proporcionar à comunidade a oportunidade de expressar suas opiniões, de conhecer mais sobre os temas que estão em debate no âmbito da Defesa e de propor importantes sugestões, auxiliará o Ministério para a revisão da próxima edição.

A Consulta Pública atende à Estratégia de Governança Digital, publicada em 7 de março de 2016 (portaria do MPDG, nº 68). O objetivo é disponibilizar informações em formato aberto, para que possam ser utilizadas livremente, viabilizando o surgimento de novos negócios, aumentando a transparência da gestão pública e contribuindo com a sociedade na melhoria da qualidade dos dados.

Para ler e acrescentar comentários aos Documentos Estratégicos de Defesa no site www.participa.br, clique aqui.

A Esquadra em Operação

O QUE DIZ A NOVA ESTRATÉGIA DE DEFESA SOBRE A MARINHA DO BRASIL

3.3.2  Marinha do Brasil

A Marinha do Brasil tem como missão-síntese preparar e empregar o Poder Naval, a fim de contribuir para a defesa da Pátria; para a garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem; para o cumprimento das atribuições subsidiárias previstas em lei; e para o apoio à política externa.

A intensificação das ocorrências de atos ilícitos no mar, na forma de pirataria, tráfico de pessoas e de drogas, contrabando, pesca ilegal, crimes ambientais e outros demandam a presença estatal nos mares e nas vias navegáveis. Daí decorre que o Poder Naval deve dispor de meios capazes de detectar, identificar e neutralizar ações que representem ameaça nas águas jurisdicionais brasileiras, e manter a segurança nas linhas de comunicação marítimas onde houver interesses nacionais, nos termos do direito internacional.

O cumprimento desse conjunto de atribuições será efetuado por meio das tarefas básicas do Poder Naval: controle de área marítima; negação do uso do mar; projeção de poder sobre terra; e contribuição para a dissuasão. O monitoramento do mar, inclusive a partir do espaço, deverá integrar o repertório de práticas e capacitações operacionais.

O Poder Naval deve explorar suas características intrínsecas de mobilidade, de permanência, de versatilidade e de flexibilidade, que, favorecidas pela liberdade de navegação, pela disponibilidade de pontos de apoio logístico fixos, estrategicamente posicionados, e pela incorporação de apoio logístico móvel às forças em operação, proporcionam o emprego do Poder Naval em largo espectro de atividades, desde o apoio às ações de diplomacia, o emprego limitado da força, até as operações de guerra naval.

As capacidades para controlar áreas marítimas, negar o uso do mar e projetar o Poder Naval terão por foco incrementar a segurança e a habilitação para defender as plataformas petrolíferas, as instalações navais e portuárias, os arquipélagos e as ilhas oceânicas nas águas jurisdicionais brasileiras e responder prontamente a qualquer ameaça às vias marítimas de comércio.

Duas áreas do litoral merecem atenção especial, do ponto de vista da necessidade de controlar o acesso marítimo ao Brasil: a faixa que vai de Santos a Vitória e a área em torno da foz do rio Amazonas. Dessa forma, a Marinha dará continuidade ao trabalho de instalação de sua nova base de submarinos e aos estudos para estabelecer, nas proximidades da foz do rio Amazonas, um complexo naval de uso múltiplo.

A Marinha estruturar-se-á, por etapas, como uma Força balanceada entre os componentes de superfície, submarino, anfíbio e aéreo, dotada de alto grau de mobilidade. Isso permitirá aumentar a flexibilidade com que se persegue o objetivo prioritário da estratégia de segurança marítima: a dissuasão contra qualquer concentração de forças hostis nas águas de interesse nacional.

A força naval de superfície contará tanto com navios de grande porte, capazes de operar e de permanecer por longo tempo em alto mar, quanto com navios de menor porte, dedicados a patrulhar o litoral e os principais rios brasileiros. Deverá contar também com navios de apoio logístico móvel, necessários ao provimento da mobilidade da força naval em áreas de interesse. Dentre os navios de grande porte, deverá ser dispensada especial atenção à obtenção de navios de propósitos múltiplos e também de navios aeródromos. Contribuirá para a operação da Força Naval, a capacidade da Força Aérea de operar em conjunto com a aviação naval, para garantir o controle do ar no grau desejado.

Para assegurar a tarefa de negação do uso do mar, o Brasil contará com força naval submarina de envergadura, composta de submarinos de propulsão nuclear e de propulsão convencional. Diligenciará para que o Brasil ganhe autonomia nas tecnologias cibernéticas que guiem os submarinos e seus sistemas de armas, e que lhes possibilitem atuar em rede com as outras forças navais, terrestres e aéreas.

A fim de garantir a capacidade de projeção de poder e ampliar a de controlar áreas marítimas, a Marinha deverá dispor de meios de fuzileiros navais, em permanente condição de pronto emprego, essenciais para a defesa de instalações navais e portuárias, dos arquipélagos e das ilhas oceânicas, nas águas jurisdicionais brasileiras, para atuar, tempestiva e eficazmente, em operações de guerra naval, em atividades de emprego de magnitude e permanência limitadas, em operações humanitárias e em apoio à política externa em qualquer região que configure cenário estratégico de interesse. Nas vias fluviais, serão fundamentais para assegurar o controle das margens durante as Operações Ribeirinhas. O Corpo de Fuzileiros Navais, força de caráter anfíbio e expedicionário por excelência, constitui-se em parcela do Conjugado Anfíbio da Marinha do Brasil.

A Marinha deverá contar, também, com embarcações de combate, de transporte e de patrulha, oceânicas, litorâneas e fluviais, concebidas de acordo com os mesmos requisitos de versatilidade funcional que orientarão a construção das belonaves de alto mar. A Força deverá adensar sua presença nas vias navegáveis das duas grandes bacias fluviais, a do rio Amazonas e a do sistema Paraguai-Paraná, empregando tanto navios-patrulha, como navios-transporte, ambos guarnecidos por helicópteros e adaptados ao regime das águas.

COMPARAR AS MUDANÇAS EM RELAÇÃO ÀS EDIÇÕES DE 2008 E 2012:

8 COMMENTS

  1. A melhor sugestão é a seguinte: Redução de efetivo redundante com objetivo de remanejar verba para aquisição e desenvolvimento de materiais e infra-estrutura necessárias para uma defesa minimamente eficaz no sec. 21. O nosso país gasta 90% do caixa com ativo, inativo e pensionista sobra pouco até para manutenção do pouco equipamento que se tem, isso tem que ser revisto no minimo.

  2. Olá a todos.
    Acho excelente a ideia de lermos estes documentos e discutirmos bastante as ideias para, em seguida, encaminharmos individualmente nossas sugestões. Sugiro apenas que não nos apressemos em manifestar ideias sem antes lermos os documentos. Inclusive, seria importante que os comentários fossem feitos fazendo referência a qual trecho do documento estaria em debate

  3. Fico muito triste quando vejo estas questões, pois não adianta nada, não temos e não vamos ter nos próximos 10 anos uma marinha de verdade, sinto meu dinheiro jogado no lixo, os políticos não prioriza em tão não adianta consulta pública, divulgação, pois não temos capacidade de manter as caravelas que temos, ou muda o sistema político ou vamos ficar de Canoas pintada de cinza tapadas com epox, a marinha está uma lástima e o almirantado no meu ver não tem atitude.

    Quando os 4 novos submarinos estiverem em plena operação os IKL será desativado por idade, o Brasil não tem marinha é uma força abstrata. Seria melhor fechar as portas e terceirizar.

  4. Vou repostar o comentario que fiz em outro post, sobre este assunto.
    .
    A proposta de nova END acaba com as prioridades da MB:
    .
    A atual END determina: “Na maneira de conceber a relação entre as tarefas estratégicas de negação do uso do mar, de controle de áreas marítimas e de projeção de poder, a Marinha do Brasil se pautará por um desenvolvimento desigual e conjunto. Se aceitasse dar peso igual a todas as três tarefas, seria grande o risco de ser medíocre em todas elas. Embora todas mereçam ser cultivadas, serão em determinada ordem e sequência. A prioridade é assegurar os meios para negar o uso do mar a qualquer concentração de forças inimigas que se aproxime do Brasil por via marítima. A negação do uso do mar ao inimigo é a que organiza, antes de atendidos quaisquer outros objetivos estratégicos, a estratégia de defesa marítima do Brasil. Essa prioridade tem implicações para a reconfiguração das forças navais.

    Para assegurar a tarefa de negação do uso do mar, o Brasil contará com força naval submarina de envergadura, composta de submarinos convencionais e de submarinos de propulsão nuclear. O Brasil manterá e desenvolverá sua capacidade de projetar e de fabricar tanto submarinos de propulsão convencional, como de propulsão nuclear. Acelerará os investimentos e as parcerias necessários para executar o projeto do submarino de propulsão nuclear. Armará os submarinos com mísseis e desenvolverá capacitações para projetá-los e fabricá-los. ”
    .
    A proposta de nova END retira estes e outros trechos do atual documento, e passa a dar igual importancia às três tarefas: controle de área marítima, negação de uso do mar e projeção de poder. Ou seja, oque a atual END tenta evitar (de nos tornarmos mediocres nas 3 tarefas) é exatamente oque a futura END vai fazer.
    .
    Resumindo: PROSUB e a tal “força naval submarina de envergadura, “subiram no telhado”. Posso estar enganado, mas possivelmente unidades adicionais não serão contratadas tão cedo, o futuro do submarino nuclear tornou-se ainda mais incerto e não teremos continuidade. Gastamos mais de R$ 30 bilhões, construimos toda uma estrutura dedicada ao desenvolvimento de submarinos, que ainda não está completo, e o projeto deixou de ser prioridade.
    .
    É de desanimar….

  5. Zorann, discordo de você, o texto foi apenas enxugado. Mas em nenhuma parte diz que os submarinos não são prioridade.

  6. Agora, com relação à Aviação Naval foi retirada uma parte importante do texto da END de 2008:

    “A Marinha trabalhará com a indústria nacional de material de defesa para desenvolver um avião versátil, de defesa e ataque, que maximize o potencial aéreo defensivo e ofensivo da Força Naval.”

  7. Olá Galante!
    .
    Não dizem que os submarinos não são prioridade. Mas agora diz que todas as outras tarefas tem igual valor e prioridade. Ora, se dá prioridade a tudo, na prática é o mesmo que dizer que não há prioridade.

  8. A base legal da Defesa do Brasil em consulta pública, para qualquer cidadão alfabetizado contribuir? Qualquer cidadão, por mais desqualificado que seja, pode ter sua opinião com o mesmo peso da opinião de especialistas? Isso é democratite.
    Será que nossa Defesa será influenciada pelos “movimentos sociais”?

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here