Porta-aviões Charles de Gaulle docado em Saint-Nazaire

O governo francês retomou o maior estaleiro do país em Saint-Nazaire, na costa atlântica, para evitar que a empresa italiana Fincantieri obtivesse uma participação majoritária

Os governos francês e italiano continuam em desacordo sobre a propriedade do maior estaleiro da França.

Na semana passada, o governo francês nacionalizou o estaleiro STX France em Saint-Nazaire, na costa atlântica, para evitar que uma participação majoritária fosse tomada por uma empresa italiana.

O governo francês disse que buscava defender os interesses estratégicos da França, mantendo uma participação de 50%.

O ministro das Finanças francês retomou as negociações sobre o acordo em Roma na última terça-feira.
O estaleiro é o único na França grande o suficiente para construir porta-aviões e também constrói outros grandes navios de guerra e navios de cruzeiro. O maior navio de cruzeiro do mundo, Harmony of the Seas, foi construído lá.

O estaleiro foi posto à venda após o maior acionista, o conglomerado sul-coreano STX, entrar em colapso no ano passado. O governo francês possuía o restante das ações no estaleiro.

A construtora italiana Fincantieri e outro investidor italiano chegaram posteriormente a um acordo para comprar uma participação maioritária no estaleiro naval.

Porta-aviões Charles De Gaulle em faina de docagem

“Melhores condições”
No entanto, em meados de julho, o ministro das Finanças, Bruno Le Maire, anunciou que a França exerceu um direito de “pré-concessão” de recomprar a participação dos italianos.
Ele disse que o motivo era proteger os interesses estratégicos da França em matéria de construção naval.

A França propôs um acordo de propriedade 50-50 com a estatal Fincantieri italiana, mas a empresa rejeitou a idéia.
No entanto, o senhor Le Maire disse que a proposição, que permitiria preservar os interesses estratégicos da França, permaneceu na mesa.

Ele disse que viajaria para Roma no dia 1º de agosto para discutir isso com ministros do governo italiano.

Em um comunicado, o Sr. Le Maire disse que a decisão de nacionalizar o estaleiro de Saint-Nazaire foi apenas temporária. No entanto, o movimento deu à França tempo para negociar as “melhores condições possíveis” para a participação da Fincantieri no estaleiro, acrescentou.

A Itália respondeu contra a decisão francesa de impedir que a Fincantieri ficasse com a maioria. Em uma declaração conjunta, o ministro da Economia, Pier Carlo Padoan, e o ministro da Indústria, Carlo Calenda, disseram: “o nacionalismo e o protecionismo não são uma base aceitável para o estabelecimento de relações entre dois grandes países europeus.
“Para trabalhar em projetos conjuntos, você precisa de confiança e respeito recíprocos”.

FONTE: BBC

27 COMMENTS

  1. eu sou de opinião que alguns setores estratégicos tem que ficar na mão do governo tem que ter nacionalismo nesta situação .
    do contrario é a mesma coisa e de você ter a sua casa mas não e dono da sua cama, televisão etc,etc.
    não podemos ter aqui no brasil partidos que tenha esta filosofia nos governando ex (partido liberal e outros)o brasil pelo que nos vemos os nossos politicos tem esta tendencia
    vende até a mãe para sair-se. bem temos que ter cuidado com estes malignos

  2. Boa tarde!
    É incrível a decadência da França na última década! Virou um país de quinta categoria, pelo menos é essa percepção que eu tenho! Não falo apenas no aspecto econômico, mas no geral.
    Parte da matéria: “”””Ele disse que o motivo era proteger os interesses estratégicos da França em matéria de construção naval””””
    Essa é a expressão mais hipócrita que existe nesse mundo! Certamente esse estaleiro não dá lucro, alguns empresários vão empurar essa bucha para o “Estado francês”, o Estado francês, governado por um bundão baqueiro de esquerda (Estado grande e intervencionista na economia e na vida das pessoas) aparece com essa desculpa “interesse estratégico” para manter o “status quo” da coisa toda, sem desagradar a opinião pública francesa. Vão usar dinheiro público para manter algo privado que não gera lucro, pois não é competitivo.
    Eu sou brasileiro, sei muito bem como isso funciona!
    O mais vergonhoso nessa história é querer barrar uma empresa italiana, uma empresa de um pais parceiro da França em diversos projetos, Horizon e atualmente o FREMM.
    Empresa italiana não pode comprar, mas se aparecer um coreano (O estaleiro foi posto à venda após o maior acionista, o conglomerado sul-coreano STX, entrar em colapso no ano passado.) ou um chinês, aí podem levar de graça, nesse caso o bundão banqueiro de esquerda da França entrega o estaleiro sem problema algum, se bobear o chinês ganha cidadania francesa!
    É por esses e outros motivos que eu apoio o BREXIT, essa União Europeia não tem nada de europeia, é uma vergonha!
    Abraço!

  3. Antonio Carlos, a moda atual é o Liberalismo, que desbancou o Socialismo e vem cooptando cada vez mais adeptos por estas plagas. Entretanto, quem entende um pouco do que o Liberalismo significa, sabe que um dos pouquíssimos papéis desempenhado pelo Estado nesta orientação política, é o de Defesa da pátria. Sendo assim, nesta função, mesmo um Estado com direcionamento Liberal é em parte Nacionalista.

  4. Antonio Carlos 5 de agosto de 2017 at 15:46
    Não confunda privatização (que no Brasil é algo ligado a partidos de esquerda – PSDB, PT, PMDB etc…) com teoria econômica liberal, liberalismo é a não intervenção do Estado na economia e na vida das pessoas (liberdades), esse pensamento nasce exatamente com a ideia de se opor ao Estado Absolutista da Europa, que na época controlava tudo e todos.
    O Brasil nunca teve um governo liberal, não sabemos o que é liberalismo e no momento há apenas 1 partido que prega isso publicamente – PARTIDO NOVO. Já partidos de direita não há nenhum atualmente! Estou falando na prática, não na sigla partidária.
    Privatizar é entregar algo para o setor privado, no caso brasileiro, com o Estado sendo sócio majoritario em diversas situações. Privatizar é algo muito diferente da proposta liberal que visa desregulamentar setores, visando a ampliação de empresas no fornecimento de produtos e serviços.
    Ex: você pode privatizar os correios e não desregulamentar o setor (o mercado continua fechado), foi o que ocorreu nos anos 90 com o FHC e outros, justamente por isso criaram as Agências reguladoras (fechar o mercado) ou você pode abrir um determinado mercado para ter 300 empresas competindo entre si para fornecer produtos e serviços.
    O Brasil, desde sempre, foi dominado por políticas de esquerda, inclusive no período militar, tão verdade que no governo militar o Estado era enorme.
    Por favor, não caia na ideia de que partidos como PSDB, PMDB etc…são de direita ou pior, liberal. Isso não existe no Brasil!
    Normalmente, especialmente no Brasil, a ideia de “”vender até a mãe””, em termos financeiros é deixar de gerar bilhões de reais em rombos nas contas públicas, no aspecto administrativo é deixar de fornecer serviços arcaicos com preço de ouro (linha telefônica nos anos 90 ou carros da idade da pedra para privilegiar empresas “nacionais”) ou deixar de atuar em setores econômicos que devem ser preenchidos pelo mercado e não pelo Estado, onde a iniciativa privada se sai melhor. Ex: até os anos 90 o governo federal produzia aparelhos telefônicos (o aparelho mesmo, aquele negócio que fica em cima de um balcão na sala), produzia motores, produzia material agrícola, produzia celulose, chapas de aço e ferro etc…e o mais engraçado: atualmente existe a empresa brasileira de chips, criado pelo FHC, desde a sua fundação sempre deu projuízos e no governo dilma foi administrado pelo PCdoB kkkkkk
    Já o argumento nacionalizar, normalmente, é não deixar falir uma coisa que já está falida! Normalmente tem algum espertinho por trás querendo se desgazer de algo kkkkk
    Acho que pensar estratégico é dar prioridade para alguns setores, mas isso não significa necessariamente o Estado produzir ou ofertar algo.
    Abraço!

  5. Grande coisa, como se fosse relevante a estatização. Um exemplo é os EUA, nem preciso falar sobre seu poder industrial, e não há estatais nos Estados Unidos, pois é desnecessário, até mesmo usinas nucleares são privadas.

  6. BrasileiroDeverdade volta correndo para os livros!!!!!
    A mentirinha que contam para nossos pequenos Liberais idiotas brasileiros

    O argumento contra o capitalismo estatal perdeu força quando se vê o campeão da economia de mercado virando sócio de fabricantes de automóveis, de seguradoras e de bancos, como é o caso dos Estados Unidos.
    Estão citadas aqui somente algumas das maiores empresas estatais Federais Norte-americanas, porém existem empresas estatais Estaduais e Municipais, um exemplo das Estatais Estaduais é a Alaska Railroad.
    AMTRAK – Em vários filmes norte-americanos aparecem pessoas tomando os trens desta companhia, mas ninguém sabe que ela é uma ESTATAL e o que seria um crime no Brasil uma ESTATAL DEFICITÁRIA. Esta estatal foi criada em 1971 para operar o transporte de passageiros por trem e possui atualmente 34.200km de via férrea própria, opera 300 trens por dia e transporta anualmente 31,2 milhões de passageiros por ano (2012).

    Foi criada porque as empresas privadas não queriam transportar mais passageiros por ser deficitário, mas diferentemente que no Brasil, o governo Nixon criou a empresa que continua a ser subsidiada até hoje.

    Export–Import Bank of the United States – Banco (ou agência) com objetivo de subsidiar exportações Norte-Americanas, inclusive com linhas especiais de crédito para pequenas empresas. Ou seja, enquanto aqui os direitistas recriminam o financiamento a exportação do BNDES lá eles tem até banco para isto.

    Farm Credit System – Não é somente um banco que subsidia a agricultura nos Estados Unidos, é todo um sistema de crédito que financia 191 BILHÕES de dólares por ano neste sistema (tem outros). De novo, enquanto querem privatizar o BB para acabar com o crédito agrícola, nos USA eles tem vários sistemas que fazem isto com dinheiro do governo.

    Tennessee Valley Authority – Uma das maiores geradoras e distribuidoras de energia elétrica dos Estados Unidos, gera anualmente 35.000 MW/ano (sexto lugar), se somássemos mais a energia gerada pelo U.S. Army Corps of Engineers (21.900MW/ano) e U.S. Bureau of Reclamation (15.000MW/ano), o governo federal norte-americano seria o maior gerador de energia do pais, ficando bem acima do maior grupo privado a Duke Energy (57.000 mW/ano). Além de hidrelétricas a TVA possui geração a carvão, gás e eólicas.

  7. Está certo.
    A França tem autonomia na área de defesa.
    Não pode entregar suas fábricas a estrangeiros.
    Nos EUA as empresas são privadas, mas genuinamente americanas.
    Diferente seria de uma Lockheed Martin tivesse acionistas majoritários chineses, russos, alemães, turcos, mexicanos…

  8. Gostaria de destacar que o texto acima foi do Blog Du Carvalho , matéria escrita por Rogério Maestri. Então está história que nos Estados Unidos não possuem estatais, é história da carochinha. O mercado sem o controle, sem regulamentação é um monstro, que promove desigualdades e perversidades. Estatais são necessárias em diversos setores estratégicos do ponto de vista da segurança nacional, autonomia, finalidade social e fomentar o desenvolvimento económico.

  9. FXE,
    .
    E você considera lógico que existam estatais deficitárias, comendo dinheiro que poderia ser empregado em outras áreas onde se faz mais necessário…?!
    .
    O transporte ferroviário declinou nos EUA a medida em que formas alternativas de transporte se fixaram, principalmente o transporte aéreo e rodovias. Ou seja, foi mais a própria evolução do transporte que determinou a queda desse setor ( grosso modo, fenômeno similar aconteceu no Brasil )… Até onde já li, a existência dessa empresa estatal de transporte ferroviário, entre outros pormenores, vem prejudicando sistematicamente o fornecimento de cargas pelos EUA. Aliás, o próprio serviço não é considerado um primor…
    .
    O Ex–Im Bank é sumariamente criticado pela maneira como concede seus créditos. Apesar de previsões de lucros em torno de US$ 1.5 bilhão até 2025, uma analise do próprio Congresso americano prevê perdas de aproximadamente US$ 2 bilhões, fruto de créditos concedidos a emprendimentos de risco.
    .
    No mais, praticamente todas as crises econômicas no século passado e neste, encontram raízes no excesso de créditos concedidos por instituições com vinculo estatal, que criaram distorções severas no mercado.
    .
    Não estou dizendo que a intervenção do Estado é em todo ruim… Mas o Estado deve tão e somente apoiar setores que sejam verdadeiramente estratégicos, principalmente ( e de preferência somente ) os relacionados a defesa…

  10. A frança acordou depois que os salsichões já estavam dentro. Quem vai financiar o novo caça alemão stealth é o governo francês (que vai ter o direito de comprar o avião), já que é financiador estratégico de empresas de defesa (e a AirBus hj só tem a sede na frança, o lucro vai pra Alemanha).
    Ademais, foi uma jogada correta e estratégica, porém tardia, uma vez que os coreanos já foram majoritarios em um passado recente. Esse “colapso” coreano foi bem providencial, e, logo logo, pode ser que a indústria naval coreana (já excelente) passe por upgrades de projeto. Fizeram o ToT multinacional na base…

    Saudações.

  11. Srs
    O problema da eficiência ou não de uma empresa não depende dela ser privada ou pública mas sim se ela opera em um mercado competitivo e se ela é gerida em busca de resultados ou atendendo a interesses políticos.
    Uma empresa privada monopolista será ineficiente no que se refere a fornecer bons produtos ou serviços a preços razoáveis, pois procurará obter o maior lucro possível.
    Uma empresa pública com direção apolítica poderá ser eficiente se tiver que enfrentar concorrência e operar de modo não deficitário.
    Os problemas surgem, por exemplo, no que se refere as empresas privadas, um exemplo típico de distorção são fusões onde são gerados verdadeiros monopólios privados.
    Quanto as empresas públicas, o problema surge quando elas são monopolistas, o que gera pouca preocupação no controle de custos, ou quando elas são geridas com critérios políticos ou ambos os casos. E se elas tem suporte financeiro do Estado, a situação fica complicada, caso comum no Brasil.
    Em consequência, no Brasil, a privatização tem sido a solução, não tanto para a busca de eficiência, mas sim para eliminar a influência política em sua gestão que resultaram elevados prejuízos para o erário.
    Há também o caso dos empreendimentos que são estratégicos para o país e não contam com o interesse de empreendedores privados. Daí a empresa pública torna-se uma necessidade.
    E isto acontece em praticamente todos os países, inclusive no modelo de maior sucesso do liberalismo, o EUA, onde há empresas públicas e ao longo de sua história há muitos casos de empresas públicas de sucesso.
    Sds

  12. FXE,

    Me diga uma estatal no Brasil, que seja boa. Petrobras? Correios?, Que só servem de cabide de empregos, e para enriquecer políticos ladrões, que não trazem benefícios para a população.

  13. Senhores, este negócio em específico não é uma estatização a qual estamos acostumados a ver, ou seja, não é uma estatização para manutenção de poder político e ideológico (comum em republiquetas, especialmente na AL), mas a tentativa de manter viva a indústria naval de grande navios franceses no mercado europeu e seu entorno (especialmente a indústria naval de transatlântico e porta-aviões). Uma coisa seria o estaleiro sendo mantido por conglomerados econômicos de fora da Europa (que teriam interesse econômico e financeiro de mantê-lo funcionando), outra coisa é um concorrente direto tomar de conta. Por favor, não misturem as coisas.
    .
    Obs: Em nenhum momento estou defendendo estatizações e/ou estatais, como tentaram ventilar isto em outra matéria no Poder Aéreo, mas apenas convidando aos colegas a olharem um pouco mais além da notícia escrita.

  14. Engraçado como utilizam os EUA como exemplo de país liberal, mas esquecem de diversos outros, os países escandinavos, por exemplo, são tidos como país de ampla liberdade econômica. Há presença do Estado? Sim! Mas onde ele deve estar e nas devidas proporções e dentro dos limites reais! Uma coisa seria dar apoio a empresas nacionais de defesa, ser sócio de projetos, incentivar a inovação de novas armas através de universidades (algo sensato), outra é fazer concursos públicos, lotar fábricas etc…para fazer um casco de navio kkkkk
    Eu não fiz meu comentário querendo usar os EUA como exemplo, mas já que utilizaram os EUA para parâmetro de Estado grande ou pequeno, então vou entrar na onda…Mas nem de longe, mas nem de longe mesmo, a presença do Estado na economia dos EUA pode ser comparado a qualquer país. Dizer que há muita presença do Estado na economia dos EUA é de uma ignorância enorme (óbvio que existe, óbvio que deve variar de Estado para Estado, mas em um proporção ainda pequena em relação ao resto da maior parte dos países do mundo).
    Apenas como exemplo, nos EUA há mais de 3 mil bancos de toda ordem, espalhados pelo país inteiro. No Brasil há 1 dúzia de bancos que concentram 90% dos recursos, sendo que 3 dos 7 maiores bancos são públicos! Até os anos 90 havia bancos públicas em cada Estado da federação, grande municípios tinham bancos públicos.
    Observamos há alguns meses o HSBC-Brasil sendo comprado pelo Bradesco, agora eu pergunto, onde estão os orgão reguladores?? Como pode tanta concentração de mercado nas mãos de poucos agentes???
    Bancos privados dos EUA tendo o Estado como sócio deve ser herança da crise de 2008 quando o Estado socorreu diversos bancos. Aliás, o Estado jamais deve socorrer um banco em falência, jamais! Não tem nada tão errado quanto isso! Uma coisas é garantir liquidez dos títulos dos indivíduos (cidadão normal que tem dinheiro no banco), outra é querer “salvar” o banco! Se o banco não foi competente, se não são competittivos, se tomaram decisões erradas, então os donos vão ter que vender a empresa, vão perder o controle da companhia. A empresa vai sumir? Os empregos vão desaparecer caso o governo não “salve” a empresa? Óbvio que não! Algum outro empresário ou grupo empresarial vai comprar aquele banco! A coisa vai continuar! Mas donos de bancos tem influência política ou não? Será que esses caras conseguem ser “salvos”?
    Uma coisa é o Estado estar presente nas falhas de mercado, ou seja, setores onde não há interesse da iniciativa privada, onde há enormes riscos, onde há assimetria de informações etc…outra é o estado querer produzir navios (caso francês). Ou ser propriedade apenas temporariamente.
    Como eu disse anteriormente, a estatização normalmente é carregada de hipocrisia, nacionalismo infantil e o principal, interesse econômico de alguém, de algum grupo empresarial. O Governo francês travando a compra desse estaleiro acaba privilegiando outros estaleiros (ou talvez 1 em específico). Será que o Naval Group (ex-dcns) ficou feliz com essa estatização? Será que o Naval Group ficaria feliz vendo um grupo rico como o Fincantieri atuando dentro da França? Roubando contratos? Talvez o Naval Group não queria comprar o estaleiro, mas pode usar alguém (Estado) para isso…
    Vocês acham que os bancos brasileiros gostam de concorrência? Ou eles utilizam as agências estatais para fechar o mercado? O Brasil tem um dos maiores juros do mundo, o povo consome crédito igual água, bancos brasileiros estão entre os mais lucrativos do mundo (dezenas de bilhões anualmente)…por que não há grande concorrência?
    Olhem que interessante, a questão central não é nem se a organização é público ou privado, mas sim a existência de concorrência. A pior coisa que existe é o fechamento de mercado, como ocorre no Brasil! Não há problema algum na existência de um estaleiro público (talvez seja até interessante), desde que exista outros estaleiros privados, tal existência de concorrência serve inclusive para mensurar o custo de um determinado produto ou serviço. Afinal, o que adianta um estaleiro público da Marinha do Brasil (exemplo) produzir uma fragata com custo unitário de 2 bilhão de dólares? Com esse dinheiro daria para importar 2 Destroyers da Coréia do Sul.
    Como eu disse antes, a teoria econômica liberal foca na ampliação da concorrência, ou seja, o estímulo a criação de empresas (que acaba gerando empregos). Na Noruega, os diversos governos locais estimulam o consumo comunitário (fazer trocas com o meu vizinho), o desenvolvimento local, o empreendedorismo regional…justamente para se contrapor a grandes empresas e concentração de mercado. Justamente por esse e outros motivos a Noruega é conhecimendo como um dos países com maior liberdade econômica do mundo.
    Vocês já devem ter visto pessoas dizendo: Vou comer no Mcdonalds, pois sou capitalista! Esta frase é um engano! Na verdade você é mais capitalista (capitalismo de mercado, sistema de trocas) comendo no comércio da esquina da sua rua do que comendo no Mcdonalds.
    Abraço!

  15. Não existe nada tão ruim para um país quanto algo similar ao BNDES. O BNDES é terrível para o Brasil. O dinheiro do BNDES é fruto do lançamento de títulos públicos através do Tesouro Nacional, ou seja, fruto de dívida pública. O dinheiro é captado a 10% ao ano no mercado e emprestado para empresários a 4% ao ano. A diferença é um rombo pago pelo Estado (diluído na sociedade)! Ou seja, divida para captar o dinheiro, divida para fechar o rombo da divida e inflação recorrente do crédito fácil.
    Há uma corrupção gigantesca no BNDES, tão verdade que temos exemplos notórios disso: Eike Batista (financiou diversos políticos pelo país todo) e Joesley Batista (financiou até o Papa).
    Por que estes indivíduos não foram na Bolsa de Valores? Não foram atrás de investidores? Não foram em bancos privados? Não lançaram títulos privados? Não foram em agência de investimento? E o principal, por que não utilizaram de recursos próprios?
    Eu guardo dinheiro durante 10 anos, poupando todos os meses para abrir uma padaria. Dai do nada aparece o Joesley do meu lado com 500 mil reais e abre uma padaria gigante!
    Qual a razão disso? Qual a lógica?
    Há falha de mercado no setor de petróleo? no agronegócio?
    Se os projetos são bons certamente vai ter investidores interessados. Não precisa de empurrão político.
    O BNDES cria uma distorção enorme na economia, cria uma desigualdade imensa e uma canalização de recursos públicos para fins privados.
    Enquanto isso não tem dinheiro para comprar remédio no posto da esquina, mas algumas centenas de bilhões para empresários há de sobra!
    Curioso não?

  16. FXE 5 de agosto de 2017 at 20:16:
    “AMTRAK – Em vários filmes norte-americanos aparecem pessoas tomando os trens desta companhia, mas ninguém sabe que ela é uma ESTATAL e o que seria um crime no Brasil uma ESTATAL DEFICITÁRIA. Esta estatal foi criada em 1971 para operar o transporte de passageiros por trem e possui atualmente 34.200km de via férrea própria, opera 300 trens por dia e transporta anualmente 31,2 milhões de passageiros por ano (2012).”
    .
    Só em filmes mesmos, porque na realidade a AMTRAK é uma vergonha nacional nos EUA. Essa quantidade de passageiros é ínfima em uma país da população dos EUA, só a American Airlines transporta 51 milhões de passageiros anualmente. Sem contar a qualidade dos trens e do serviço, aquilo mal pode ser chamado de trem de alta velocidade…
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    Não distorça os fatos, após uma extensa regulamentação no setor ferroviário por parte do Estado norte-americano atendendo interesses outros que não os dos consumidores, as empresas ferroviárias entraram em enorme crise e não conseguiram rivalizar com o transporte terrestre e aéreo. Os incontáveis aeroportos e as Interestaduais tornaram obtuso viajar de trem.
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    No entanto, essa tendência de estrangular o setor foi revista e a indústria tem renascido no país, atendendo seu mercado por excelência e onde é imbatível, no transporte de cargas! Mais vale para a população norte-americana dezenas de empresas transportando bilhões de toneladas de produtos pelo país de forma rápida e segura que uma estatal fazendo proselitismo político e sangrando o Tesouro deles.

  17. O Brasil deveria sim seguir o caminho Liberal, sem a palhaçada de keynesianismo.
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    Na Defesa tem de existir sim intervenção do Estado, já que este é um dos motivos base da existência do próprio Estado, para assegurar a defesa e soberania do país. Isso é o Bê a Bá, Adam Smith…
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    Você citam exemplos “manjados” demais e acabam deturpando o sentido das coisas.
    Tentem perceber a semelhança destes casos:
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    1) Singapura. Top no ranking de liberdade econômica. Tem intervenção do Estado no ramo da defesa. Sabe qual a preferência que eles dão em aquisições de equipamento militar? Pois é, Offset do tipo ToT… Estranho né? Um dois países mais liberais do mundo dá preferência a essa porcaria de ToT, para beneficiar setores estratégicos.
    Pois é, eles mesmo tendo uma política de liberdade econômica, favorecem empresas e setores estratégicos.
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    2) Austrália. Top no ranking de liberdade econômica. Tem intervenção do Estado no favorecimento da indústria de defesa e setores estratégicos. Contratam meios para serem fabricados no país, favorecem o estabelecimento de uma indústria local, mesmo que seja uma empresa estrangeira para manutenção de meios, ou seja, fazem uso de offstes, incluindo do tipo ToT e aplicam desta forma intervencionismo no setor de Defesa…
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    3) Suíça. Top no ranking de liberdade econômica. Favorecem o setor de defesa e base industrial, fazem acordos de Ofsset, incluindo ToT, e blábláblá…
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    4) Canadá. Top no ranking de liberdade econômica. Favorecem a indústria e setores estratégicos, blábláblá…
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    Perceberam que o país ter uma economia liberal não é motivo para ter uma “política liberal” no tocante a Defesa?
    Base industrial de defesa é por si só um fator de dissuasão e é “meio de combate”, incluindo no campo politico e econômico. Fortalece a diplomacia, estabelece alianças políticas por meio de negociações, gera novos produtos que fazem a economia girar, etc, etc, etc…
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    O problema do Brasil é o Governo querer beneficiar a indústria estratégica dentro de um modelo Socialista, inchado e ineficiente, que mal pode ser fiscalizado. Ai a cidadão acha que a solução para este problema é aplicar o “liberalismo” ao setor de defesa.
    .
    Quem quer aplicar a visão “liberal” ano setor de defesa não entende nem o básico do que é Liberalismo e tem uma visão deturpada do real problema.

  18. Estatal ou privado pouco importa. O que vale é o país ter forças armadas capazes de dissuadir quaisquer aventureiros.

  19. alguém sabe dizer por que, em vez de comprar todas as ações do estaleiro nas mãos da stx, ficando com cem porcento daquele, a frança não comprou apenas mais um ou dois porcento, somando a maioria das ações e deixando o resto pra quem quisesse e pudesse?
    a frança é notável por ter os menores porta-aviões e submarino de ataque nucleares (urânio de baixo enriquecimento) do mundo.

  20. Não é por nada que Macron e a França são tomados com exemplo pela esquerda brasileira. Estado não tem que possuir estaleiro nem banco nem petrolífera. Basta de socialismo e ineficiência. Privatizar é o caminho.

  21. Aquisição idiota do estado francês, a Itáliai não é um concorrente francês ou inimigo ao contrário é aliada e faz parte do mesmo bloco político ou seja tem interesses e aspirações em comum, um aquisição dessa só seria razoável se o estaleiro fosse cair na mão de um país estrangeiro que não fosse aliado e nao fizesse parte do mesmo bloco político.

  22. Bardini 6 de agosto de 2017 at 15:54
    Concordo, Bardini. Apesar de eu particularmente defender um Estado pequeno e forte (como mostra meus comentários anteriores), tenho que concordar com você, um pouco de intromissão estatal na economia, especialmente no setor de defesa não é o fim do mundo! Nem tudo é dinheiro ou eficiência.
    Mas de qualquer forma ainda discordo dessa aquisição francesa e ainda acredito que tem interesse de empresários franceses utilizando o Estado francês para barrar os italianos e fechar o mercado! O que é uma vergonha!
    Abraço!
    August 7 de agosto de 2017 at 9:32
    Concordo!
    Abraço!

  23. Concordo com o Ivan BC e com o Control na parte do Liberalismo Econômico e com o Bardini e o Wellington Góes, pois dentro de um Estado Liberal onde se preze pelo Mínimo (Saúde, Educação, Justiça e Segurança), Segurança do país também esta dentro do contexto, pois imagine um estado liberal em uma situação de guerra e no caso só haveria aquele estaleiro pra construir aquele tipo de armamento, então a parte liberal cederia e intervir ali seria OK, pois é uma necessidade extrema e real, o problema é intervir no oportunismo mesmo, que é o que eu peguei ao ler alguns comentários (não posso afirmar que é exatamente o caso deste estaleiro da matéria), pois dai é só o estado mesmo querendo se meter em algo que não é de sua competência, pois sabe que não vai gerir bem aquilo e vai virar mais um item na geladeira.

  24. Esse estaleiro fica próximo ao uma base de submarinos que os alemães usaram na segunda guerra. Em 1940, os ingleses montaram uma operação fantástica para bloquear a comporta de saída e impedir que os submarinos utilizassem essa base para ataques no atlântico. Foi uma operação de muito êxito, usaram uma fragata velha de Royal Navy que se não me falha a memória, explodiu 10h após colidir com a comportas inutilizando a base. Quanta a polêmica, permitam dar meu respeitoso pitaco: Acho que não é papel de um estado nacional(país) construir trens, explorar petróleo, construir aviões, extrair minério, etc. O estado deveria utilizar todos os seus recursos para garantir a qualidade de vida de todos os cidadãos sem distinção; porém, aqueles que defendem o liberalismo como se fosse o último biscoito de pacote e apontam o EUA como sua meca, não mencionam dois fatos recentes, nessa última crise econômica global de 2008 (subprime) precisou que o governo dos EUA injetasse bilhões para impedir uma quebradeira de bancos e seguradoras privadas e não mencionam que o mesmo governo também injetou milhões na Chevrolet para que a mesma não quebrasse né! Liberalismo que pregam é o seguinte, principalmente no Brasil: Quando há lucro, ele fica com os particulares, mas o prejuízo é assumido pelo governo! Assim, até eu…

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