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Monitor Parnaíba completa 80 anos como marco da construção naval do Brasil

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Por Lívia Gaertner

Marco da retomada da construção naval brasileira no século XX, o Monitor Parnaíba, embarcação que integra o conjunto da Flotilha de Mato Grosso, completou 80 anos de atuação em missão militar. A cerimônia de comemoração não podia ter ocorrido de outra maneira se não durante navegação pelo rio Paraguai, entre os municípios pantaneiros de Ladário e Corumbá, nesta sexta-feira, 10 de novembro.

Apesar das oito décadas em atuação das quais se relatam feitos históricos como a defesa do Brasil durante a Segunda Guerra Mundial, a embarcação veio passando por intervenções que modernizaram sua estrutura como bem lembrou o comandante do 6º Distrito Naval, em Ladário, contra-almirante Luiz Octávio Barros Coutinho.

“Essa belonave foi construída no Brasil pelo nosso arsenal de Marinha no Rio de Janeiro há 80 anos, isso demonstra a capacidade da Marinha, capacidade que teve as tripulações anteriores e, hoje, temos esse espaço que chamamos de convoo onde podemos abrigar nossos helicópteros, pousar com ele aqui navegando dentro do rio, isso é demonstração de capacidade e termos condições de zelar pela nossa soberania”, ressaltou durante solenidade onde ele, assim como demais representantes militares e civis, foram homenageados com honrarias da “Ordem do Jaú”, nome de uma dos maiores peixes pantaneiros pelo qual o Monitor Parnaíba também é conhecido no meio militar.

Alma forte e jovem

O Capitão de Mar e Guerra reformado, Gilson Antônio Victorino da Silva, comandou o Monitor Parnaíba, entre os anos de 87 e 88. Residente, hoje, em Vitória, no estado do Espírito Santo, ele afirma que num comparativo com a memória de sua época de comando aos dias atuais, a embarcação foge ao destino do tempo.

“Quando se colocou o convés de voo se tornou outro navio, se modernizaram as comunicações e os armamentos, ele até rejuvenesceu. Esse navio hoje é mais jovem do que foi há 30 anos quando o comandei, ao contrário do que comumente acontece quando as coisas vão sendo passadas pelo tempo, o navio assumiu o estado da arte”, afirmou ao Diário Corumbaense.

“Ele faz muito bem sua missão e melhor do que qualquer um, tanto que é muito respeitado no Pantanal com sua presença, sua ‘silhueta’. Acredito que não há quem nascesse no Pantanal sem conhecer a silhueta do Parnaíba, isso é muito significativo”, disse ao falar da imagem simbólica que a embarcação infere aos habitantes de Corumbá e Ladário.

“A gente diz que os navios, na Marinha, têm alma e a desse é muito forte até pelo nome que remonta a corveta mais heroica na Batalha do Riachuelo, então essa alma impregna em todos nós e faz com que tenham muito carinho. É um navio que vai se superando”, comentou o capitão reformado sobre a vida longa do Parnaíba.

Histórico

O Monitor Parnaíba teve sua quilha batida em onze de junho de 1936, pelo então Presidente da República Getúlio Dornelles Vargas, sendo batizado e incorporado à Armada em seis de novembro de 1937, na cerimônia em que teve como madrinha a Sra. Darcy Sarmanho Vargas, Primeira-Dama do País. Em nove de março de 1938, transferia sua subordinação à Flotilha de Mato Grosso.

Ao longo destes 80 anos, testemunhou inúmeros feitos e fatos relevantes da nossa história. Em abril de 1943, foi desincorporado da Flotilha de Mato Grosso, passando a integrar a Força Naval subordinada ao Comando Naval do Leste, com sede em Salvador (BA), para escoltar navios e patrulhar o porto. Durante a Segunda Guerra Mundial, realizou a escolta de seis comboios e a proteção de navios de guerra norte-americanos, além de operações anti-submarino, com o lançamento de bombas de profundidade.

Foi desligado do Comando Naval do Leste em vinte de dezembro de 1944, no porto de Vitória, passando a ficar subordinado diretamente ao Estado-Maior da Armada. Em 25 de maio de 1945, após 3.570 milhas navegadas e 24 dias de mar em operações de guerra, foi reincorporado à Flotilha de Mato Grosso, sediada em Ladário (MS).

Em janeiro de 1998, iniciou-se um Período de Modernização, que duraria cerca de um ano e meio. Quando completou 62 anos de incorporação, em seis de novembro de 1999, deu-se inicio ao seu novo ciclo de vida, pois, modernizado, passou a dispor de maior mobilidade, flexibilidade, autonomia e eficácia, graças à modificação de suas plantas propulsora, de governo e de geração de energia, à modernização de seus sensores e equipamentos de comunicações, à substituição dos antigos canhões de 40/60 pelos canhões Bofors 40/70, provenientes da Fragata Liberal, e também à instalação de um convés de voo, proporcionando-lhe o título de navio de 3º classe com o maior poder de fogo e o único a transportar aeronave orgânica na área do Pantanal.

FONTE: Diário Corumbaense

78 COMMENTS

  1. “isso demonstra a capacidade da Marinha”
    Muito bem dito, contra-almirante!!! O Monitor Parnaiba realmente é o melhor exemplo, é o cartão postal da triste situação e capacidade da atual marinha Brasileira. Só rindo para não chorar.

  2. Será que a gente não consegue uns contratorpedeiros classe Farragut, uns cruzadores Pensacola e um ou dois courassados New México!??
    Vai deixar a nossa marinha bem equiparada!
    Isto beira o ridículo, o absurdo e improvável de um paísinho de quinta categoria!

  3. Eu achava que o navio militar mais antigo em operação fosse o “Kommuna”.
    .
    Na boa. Qual o problema do Monitor Parnaíba?
    É “velho”?
    E a extensa modernização que fizeram?
    O casco disso aí foi feito pra tomar porrada, hoje navega em rio… Capaz de chegar aos 100 anos nas condições que ele opera.
    .
    “Ele faz muito bem sua missão e melhor do que qualquer um, tanto que é muito respeitado no Pantanal com sua presença, sua ‘silhueta’. Acredito que não há quem nascesse no Pantanal sem conhecer a silhueta do Parnaíba, isso é muito significativo”

  4. Assim como o anciāo F-5 se tornou acervo da FAB. Estamos famosos mundialmente por operar equipamentos milirares ad eternum. Que o Parnaiba esteja tão velhinho, tudo bem. Cuida dele, da muito amor, e o transforma talvez em museu flutiante, para a alegria de crianças em todo o Brasil. Mas manterlo como o flagship da força do Amazonas??? Rsrsrs. Rindo, para não chorar.

  5. Partircularmente, eu gosto muito dessa embarcação, coloquei como fundo de tela, tivesse Rewel eu comprava.
    O país não tem cultura de respeito aos idosos. O Parnaíba cumpre bem e melhor o seu papel, deveríamos ter feito mais. Olha aí a Classe Pedro Teixeira, devíamos ter avançado. Divagando, deu até pra vislumbrar um “Overhaullin” dessa preciosidade. Ele já é um porta helicópteros, pode ser dotado de RBS, de Igla, levar um Astros 2 ou Guarani com torre UT-30 (Amfíbio eim), ancorado no convés de vôo. Tinha que ter sido redesenvolvido, ter dado sequência, não estaríamos indo de projetos com base em tecnologia colombiana.Na mão de quem gosta e entende já teríamos coisa muito melhor. Eu por ironia e sem entender desse riscado, arriscava um palpite no reprojeto: Chegava a ponte pra frente, extendia o convés de vôo com hangar, miniguns, colocava sonar de pescaria (Há submarinos de traficantes), Camcopter S-100, radar 3D da Saab e Link BR 30. O Pantsir na frente, seria a cereja do bolo. Pedir o Gripen pousando verticalmente seria demais. Teríamos o Parnaíba-XXX-multipropósito, o “Ocean” do interior brasileiro e do amanhã. Ah, o Pantsir teria que ser “Jaúnalizado”. Parece idiotice, mas carecemos de imaginação também.
    Agora, falando sério, parabéns ao Parnaíba e a todos que fazem ou fizeram parte de sua honrrosa e bem sucedida história.

  6. Excelente barco! Bruto, feio e eficaz, como deve ser um guerreiro.
    Esse aí é um exemplo de material que, a despeito da idade, está em serviço porque cumpre a missão. Simplesmente não houve necessidade de substituição.
    Att.

  7. Parabéns ao Parnaíba. Concordo com os Srs. Bardini, Spindola e Junior P. Embarcação própria ‘para aguentar, visto o material do qual foi construído. Só gostaria que tivéssemos mais meios a serem empregados e modernos. Dar continuidade aos bons projetos.

  8. Caro Joao Moita Jr,
    “Mas manterlo como o flagship da força do Amazonas???”
    02 erros: O primeiro é o de português. Forma correta: “mantê-lo”;
    O segundo: “Amazonas”??????
    A Região Amazônica não é tão grande assim!!
    Se lesse com atenção o texto, constataria que a embarcação está subordinada à Flotilha de Mato Grosso, onde fica a Região do Pantanal, não a Amazõnica.
    Espero ter sido útil.

  9. Marco da construção naval do Brasil no século XIX. Não existe melhor exemplo de construção naval brasileira! Foram quantos anos para concluir essa embarcação?

    Saudações!

  10. O João, me diz uma coisa Dom, então vamos ver se este seu bla bla bla todo ai faz algum sentido (e dos ixpertos que foram no embalo) : o que define a condição operacional e combatente de um navio monitor fluvia, quais suas vantagens e desvantagens e se vc conseguir responder isto, me pondere o Monitor Parnaíba, aonde que ele não se adequa as suas funções e porque ??? (ai Dom que eu quero ver, e tenha certeza que se vc conseguir falar algo minimamente que embase aos seus comentários ao menos reconhecerei aqui da mesma maneira que estou lhe ponderando )

    Vamos nao fiinja que não viu, quero ver ai o sabidão em palavras todo este arroto de besteira Jenialidade de Jeniu Naval, a EGN tem que receber seu CV !!!!

    A pergunta é estendida aos ixpetões ai do aviaozinhum e navais de google que estãoo perdidos por aqui

  11. isso ja tinha que ter sido cortado no maçarico ha muito tempo.se nao da pra manter uma força com equipamentos atualizados e modernos melhor e descomissionar e reduzir efetivo do que fazer de conta que temos uma esquadra com navios obsoletos sem armamentos atuais com pouca muniçao e pessoal com muito pouco treinamento

  12. ” Foram quantos anos para concluir essa embarcação?”
    .
    Edcarlos, creio que sua pergunta tenha sido retórica, já que a resposta está no próprio texto. Foram 17 meses, ou pouco menos de um ano e meio.

  13. O Parnaíba teve um “irmão”, o Paraguassu, citado no site NGB. Teve a quilha batida em 1891, recomeçaram a construção nós anos 30 e incorporado em 1940.
    Lembro-me de ver uma foto sua numa publicação da Marinha de quase 40 anos atrás. Estava numa margem de rio semi-afundado.
    Engraçado, ele foi incorporado depois do Parnaíba e teve baixa em 1971, conforme o site.

  14. Correções: “nos anos 30” – erro provocado pelo “corretor automático”;
    “Estava numa margem de rio, semi-afundado.” (Faltou a vírgula).

  15. Que navio, que marcialidade ! ISSO sim é um verdadeiro navio de guerra. Não esses navios frescos de atualmente, como as Fremm francesas. O navio é muito mais marcial, muito mais altivo do que esses frescos de hoje.

  16. Muito bem, Celacanto Baldroega, você fez o que a gente vive incentivando aqui: pesquisou numa boa fonte antes de comentar e agregou informações para a discussão. Parabéns.
    .
    Sobre a baixa do Paraguassu, o próprio Parnaíba era candidato a dar baixa nos anos 70-80 e se planejava um navio-patrulha semelhante aos da classe Roraima, mas com convoo, para substituí-lo. Seria provavelmente semelhante ao Itaipu, construído no AMRJ no inicio dos anos 80 para a Armada Paraguaia. Mas havia outras prioridades e as verbas para essa construção nunca vieram. Avançou então proposta de modernizar o Parnaíba com novos sistemas de propulsão, comunicação, melhorias na habitabilidade, melhor armamento secundário e instalação de convoo.
    .
    E o navio, que estava certamente obsoleto em sua área de atuação, praticamente renasceu para se tornar o mais capaz de toda a bacia do Paraguai, aliando o que ele já tinha de bom (baixo calado, blindagem, resistência do casco e espaço / reserva de flutuabilidade para armamento pesado) com as melhorias incorporadas.

  17. O Bardini está certo…o navio “militar” mais antigo em serviço é o “Navio de Resgate” russo Kommuna incorporado em 1915 e continua ativo embora em um meio bastante “benigno” que é o Mar Negro, mas, benigno por benigno, rios (água doce) também são e isso contribui para uma
    grande longevidade ainda mais quando acompanhado por revitalizações…ele deverá durar mais
    que todas as fragatas ainda em serviço…assim espero…será triste quando finalmente ele se for.

  18. “W.K. Em 11 de novembro de 2017 at 20:04
    Considerando o teatro onde ele opera, e que ele provavelmente lutaria contra as poderosas marinhas da Bolívia e Paraguai”
    .
    Não foi à toa que, em meados dos anos 1930, a construção de um monitor fluvial (que se tornou o Parnaíba) não só foi incluída no plano naval original de 1932 como passou à frente de outros navios do plano (mineiros-varredores, contratorpedeiros, submarinos e cruzadores), não só por atender à política de começar a construir do mais simples para o mais complexo: o fato é que a Guerra do Chaco grassou por essa época na região, com Brasil tendendo a apoiar um lado, Argentina (com marinha muito superior à brasileira) tendendo ao outro, e tanto Bolivia e Paraguai (com destaque para este último) adquirindo canhoneiras para operarem na região e reforçarem suas armadas. A Argentina também construiria canhoneiras para operar na Bacia do Paraguai. A construção do Parnaíba, além do reprojeto e reconstrução da obra inacabada do Paraguassu, aumentaram a capacidade da Flotilha de Mato Grosso, que só tinha o monitor Pernambuco (que teve sua propulsão a carvão e lenha modernizada para óleo) e o pequeno aviso Oiapoque.
    .
    Hoje o que precisa ser pensado com urgência, na minha opinião, é a substituição dos 4 pequenos navios-patrulha costeiros da classe Piratini, que antes de irem para o ambiente fluvial serviram por décadas no mar, e estão muito mais desgastados que os navios maiores e mais velhos da flotilha.

  19. E ai o pessoal do contra, cade o embasamento que o Parnaíba não consegue realizar suas funões, será que ressuscitará aquele JENIU que ha alguns anos atras queria colocar Perry´s nos rios ??? vamos la Jenialidades, pq o Parnaiba é incompatível com suas funções ??????

    To contndo minutos para aprecer um artista que vai quer VLS no rio ….

    • Dalton, só sei do Parati, que no caso era um dos dois navios da classe (originariamente de seis) em serviço no 4º DN (Base Val de Cães, Belém).
      .
      Os quatro em serviço no 6º DN, até onde sei, continuam por lá. Mas há muito tempo já se fala da necessidade de substituí-los, antes de se pensar em novos navios do porte do Parnaíba para a Flotilha de Mato Grosso.

  20. MO, a realidade é essa, cada vez mais comentários têm o selo FEBEAPN de falta de qualidade: Festival de Besteiras que Assola o Poder Naval.
    .
    O único “consolo” é que, a partir de conversas que tenho vez por outra com editores de outros sites (blogs) de defesa, vi que eles reclamam da mesma coisa.
    .
    Podemos concluir que se trata de um fenômeno generalizado e crescente de burrice coletiva. Felizmente há exceções, e sempre aparece gente nova com disposição de debater e aprender. Mas para cada um com essa disposição, tem uma dúzia de “sapientias navalis feicebuqueiras”.
    .
    É assustador.

  21. Olha Fernandinho a pessoa não saber é uma coisa, mas até então penso que deve falar Eu acho que e se der sorte ainda fala por isso, por aquilo e por isso, agora quando a pessoa mal tem ideia sobre o que ta falando, ai …. continuo na esperança que estes JENIUS Entusiastas que cairam aqui de paraquedas tentem embasar o pq das afirmações deles ..

    No mais, inclusão digital é assim mesmo, toda vez que abre-se os comentários vem esta legião de JENIUS Entusiastas ou melhor, com o perdão da minha classe, este monte de ostra, a descarregar estas perolas .. e viva o Google, Wikipédia, formando entusiastas/guerreiros e o Battlefield/COD digiatis a rodo ..,

    Na época do livro tinha gente assim, mas em numero infinitamente menor ….

    Como falei daqui a pouco aparece um ai querendo VLS la no pantanal …

    • É por aí MO.
      Sapientias geralis.
      Criticar é importante, mas é preciso um mínimo de conhecimento sobre o tema em questão pra isso. E vontade de aprender alguma coisa é o mínimo do mínimo do mínimo pra chegar nesse conhecimento mínimo.
      Mas tem uma galera abaixo do mínimo da mosca do cocô do cavalo do bandido.
      Geração mimimi.
      Abaixo do mínimo.
      É o mimimínimo.

      • Kkkkkkkkkkkkk e sacume né, quem gosta disto ja é meio Nerd, Jejo e tonto, imagina no nivel e o pior que o pessoal normalmente é o bocoh da turma mas é a referência no assunto quando há uma pauta …. so …….

        Ja deu Rafale !!!!! kkkkkkkkkkk

  22. Nunão…
    .
    entendi…você estava referindo-se apenas aos 4 do 6 DN…achei que o outro do 4 DN tivesse dado baixa também e teria comido bola.

  23. MO, aproveitando que estou incentivando o Galante a republicar aqui uma matéria da revista sobre o Parnaíba, lembrei de posts de quase dez anos atrás sobre o navio, quando a gente já se enchia o saco de comentários malhando o Parnaíba. Este aqui, que partiu de uma premissa provocativa ao pessoal que tanto malhava tentar exercitar o cérebro, teve mais de 100 comentários, e destaco um dos mais legais (e vc vai reconhecer o autor):
    .
    http://www.naval.com.br/blog/2009/02/20/quem-vai-substituir-o-%E2%80%9Cvelho%E2%80%9D-parnaiba/
    .
    “Vagner 20 de fevereiro de 2009 at 10:37
    Bom dia srs.
    Deixa eu ajudar um pouquinho…
    Apesar de já ter sido comentado por aqui e em outros foruns e blogs, a impressão é a de que alguns lêem, bloqueiam a informação no cérebro, e continuam com o mesmo discurso.
    O Parnaíba, na sua modernização, trocou TODOS os sistemas de bordo. Quando eu digo sistema, eu me refiro ao que realmente interessa num navio: propulsão, geração de energia, governo, comunicações, sensores, armamento, além da reformulação das acomodações de bordo. Antigo, só o casco mesmo (antes que alguém levante a questão, o canhão de 76,2mm e as mtr 20mm atuais não são originais. Foram instalados BEM depois da incorporação do Navio, já na década de 60).
    O casco, estando em bom estado, que é o caso, não interfere no desempenho por ser antigo. No caso do Parnaíba, ao contrário, até ajuda. Para vcs terem uma idéia, além de calar pouco, cerca de 1,5mts, o navio tem o fundo completamente plano, e eixos lemes e hélices embutidos em túneis. Isso significa que o navio pode encalhar totalmente que continua com propulsão e governo. Além disso, tem proteção balística nos compartimentos vitais e para o pessoal que guarnece os armamentos de 20mm e 40mm. Para o pessoal do 76mm não possui, mas isso tem chances de mudar em breve.
    O colega Fábio Max comentou que, se o navio entrasse em combate, seria com as Marinhas da Bolívia e Paraguai, provavelmente somente contra “canoas”. Esse raciocínio simplifica o combate ribeirinho a uma ação entre embarcações e isso leva a conclusões totalmente equivocadas. A principal tarefa de um navio desse, em Operações Ribeirinhas, é a de garantir a “superioridade” no rio. Isso significa garantir que embarcações, aeronaves e principalmente, posiçoes em terra, não vão impedir o trânsito da tropa que está sendo transportada de um ponto ao outro.
    Assim, eu arrisacaria dizer:
    – contra embarcações´é imbatível;
    – contra posições de terra, é imbatível, desde que não seja surpreendido;
    = contra aeronaves, aí a coisa complica.

    No caso da posição de terra, o problema é detectar a tropa inimiga antes da emboscada. No ambiente do Pantanal isso somente pode ser feito com a utilização de esclarecimento aéreo e com lanchas a frente do movimento do Navio. O problema maior é à noite, onde praticamente somente sensores infravermelhos ou de intensificação da luz dão resultados. E nesse caso, o navio não possui instalado. O que se faz é colocar OVN nas lanchas batedoras. A aeronave nossa não voa de noite.
    Contra a ameaça de aeronaves, a coisa complica porque a deteção da aproximação é muito difícil (lembrando que radares COMUNS não detectam alvos em movimento sobre terra). E para engajar a aeronave com chance de sucesso, somente detectando-a com boa antecedência.
    Assim, encurtando o post, que já está grande demais, eu diria que o substituto do Parnaíba deveria ser o próprio Parnaíba, equipado com:
    – um radar com capacidade MTI;
    – um dispositivo óptico tipo alça optrônica de vigilância (não precisa controlar o armamento);
    – um MANPAD daquele de ombro mesmo.
    E só.
    Ou seja, mais uma pequena modernização e tem navio para mais 70 anos (deve ter gente querendo me matar ao ler isso).

    Um abraço.

    Obs: só para vcs terem noção de como o navio é NOVO, em breve ele vai passar pela PRIMEIRA revisão dos motores. Sabe aquela que você leva o carro na concessionária, para fazer a revisão dos 10000kms?”

    • É fernandinho e o tal negocio nem uma linha para me quebrar as pernas, na hora de justificar o comentário …. é exatamente a mesma coisa quando os bananaas comentam “sucata” … da na mesma, embasamento zero …

      Quanto ao comentário do Vagner … Orns Concurs, afinal, não se espera que no pantanal se enfrente a Russia, Sri Lanka ou Kazhakistanelicos …

  24. Ainda sobre o tema, recentemente estive em evento da MB com a presença do alte Senna Bittencourt, cujo tema era justamente a construção de monitores desde a Guerra do Paraguai até o Parnaíba. Perguntei a ele tanto no evento, e depois conversamos pessoalmente (sempre com o prazer que é conversar com ele, como outras tantas vezes) sobre a modernização do Parnaíba, da qual ele participou mesmo à distância. Itens importantes de guerra eletrônica estavam incluídos no pacote, mas foi preciso deixá-los de lado devido à falta de verbas para tudo o que se pretendia modernizar, e focou-se no indispensável (propulsão, comunicações, convoo, armamento, habitabilidade). O mesmo princípio do “Ótimo é inimigo do bom” que foi o caso da classe “Grajaú” de navios-patrulha de 200t, preparados para receber radar de direção de tiro para o canhão de 40mm ser controlado remotamente, mas que não foi possível instalar por falta de verbas, ficando com o controle local mesmo. Já na classe “Macaé” esse papel ficou reservado a alça eletro-óptica, que foi instalada.
    E eu continuo achando que uma alça do tipo seria importante para instalação no Parnaíba. E se além disso pensarem num novo canhão para substituir a velha peça de 76mm, o navio pode chegar aos 100 anos fácil…

  25. Quais são as possibilidades de, quando a hora chegar de realmente se necessitar substituí-lo, se construir um substituto por aqui? Já existe algum projeto nesse sentido?

  26. Sempre que vejo este barco, lembro do filme “O Canhoneiro do Yang-Tsé”.
    .
    No rio não tem submarino para combater. Só precisa de meios anti-superfície e antiaéreo.
    Sugestões :
    – um sistema AA baseado no Igla ou Carl Gustav;
    – Um heli com capacidade de ataque e transporte de tropas (Blackhawk ou até mesmo o Sabre);
    – um pelotão de FN.
    – achar o projeto original no AMRJ, pensar no que foi feito e pode melhorar, e fazer mais alguns para a bacia do Paraná e a Amazônica.

    • Olá Delfins, apenas tambem considere isto tudo em uma embarcação com calado reduzido para operações fluviais, e este é um dos X da questão, alem de blindfagem e afins

  27. Delfim…
    .
    que coincidência…o “Canhoneiro…” é o meu filme preferido entre todos os estilos…um senhor drama …e achei o filme melhor que o livro.
    abs

  28. Está excelente para o cenário onde opera. BZ para as tripulações que o mantiveram operando por todo esse tempo. Realmente tem uma ” alma forte”…

  29. Não é meu filme predileto do Steve McQueen, mas é um dos meus atores prediletos. Também acho a época imediatamente anterior à Segunda Guerra Mundial na China, mais ou menos do incidente com o USS Panay até o início das hostilidades, as patrulhas fluviais e os destacamentos do USMC e unidades de outras potências como um período bem interessante.

  30. valmor 21 de fevereiro de 2009 at 21:08
    Penso que poderiamos sim, ter algo mais novo flutuando pelo Rio Paraguai…mas sem sombra de duvida teremos que considerar as peculiaridades da região – volume de água – em determindos meses a flotilha pode chegar a Cuiabá(pelo Rio Cuiabá), em outros meses navegam somente na calha do Rio Paraguai…
    Então,o calado é um fator limitador, agora sobre armamento, tecnologia e acomodações, isso pode ser discutido muito.
    Apenas uma pequena observação de quem, hoje, é Pantaneiro.
    👆👆👆👆👆👆
    Isso foi em 2009
    Em 2016 tive a satisfação de estar a bordo, durante a visitação à cidade de Cáceres MT…não tem como ficar indiferente a sua presença!

  31. TukhAV, ou você não leu absolutamente nada, ou não sabe o que está falando, ou ambos. Mas seria um bom alvo para quem, afinal de contas?

  32. Não encontrei a matéria anterior aqui do blog portanto nemo nome do colega que postou um link com patrulhas fluviais soviéticas que utilizavam torre(s) com canhão de 100mm de carro de combate e eu até sugeri que poderiam fazer o mesmo na Parnaíba utlizando a torre do Cascavel com canhão de 90mm inclusive com a mira laser. Outra possibilidade seria instalar o morteiro ‘Nemo’ de 120mm, matéria aqui no blog (morteiro-nemo-de-120mm-da-finlandesa-patria-em-emprego-naval) bem como o já citado pelo Nunão como emprego de manpads para defesa aérea aproximada bem de outros dipositivos o que deixaria a embarcação ainda mais apta para seu contexto operando por mais alguns anos como a “nau capitânia” do pantanal. E não descartaria adição de algumas LPR-40, LP01, CB 90H etc mas desde que tenham condições de atuar naquele ambiente. No link um kit de embarcação russa mais antiga que usava os tais canhões de carro de combate, mas não achei as que o colega citou naquela oportunidade que eram mais modernos …. http://aprj.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=1134:soviet-armored-boat-project-1125-zvezda-1350&catid=36:embarcacoes&Itemid=53

  33. A marinha brasileira é assim mesmo: come sardinha (monitor Parnaíba) e arrota caviar (NAe + submarino nuclear). E assim vão tocando o barquinho, com festas regadas a champanhe para comemorar promoções por anos a bater ponto ou reforma com gordas pensões até a tataraneta. CLAP CLAP CLAP

  34. Por curiosidade, quanto custaria fazer um navio destes hoje em dia, isso sem a praça de armas. Apenas comunicação, motorização e o casco?

    • Ferreira Junior, não entendi sobre o que você quer dizer com praça d’armas. No Parnaíba, trata-se de um compartimento mais ou menos do tamanho de um carro pequeno, onde cabe uma mesa e cadeiras para umas 8 pessoas, onde os oficiais do navio fazem as refeições.
      .
      Sobre quanto custaria um novo, completo ele deve sair mais ou menos o preço de um NPa de 500 toneladas classe “Macaé”, já que o deslocamento é semelhante. Um pouco menos na propulsão, de potência menor, um pouco mais em outras áreas, como armamento, que seria em maior quantidade.
      .
      Se não me engano, o Macaé custou 50 milhões de reais.
      Mas vale lembrar que sensores, sistemas de combate e armamentos modernos costumam responder por até metade do custo de um navio de guerra. Em navios mais simples como os destinados à patrulha naval, essa proporção deve cair para 1/4 ou menos.

  35. O bom dos Manpads é que são mísseis prontos para uso, então basta embarcar dois fuzileiros com um Mistral, e o Parnaíba terá sua defesa AA de ponto. Se colocar ali um radar da categoria do Saber M60, melhor ainda.

    Não vou sugerir um VLS pra não chocar o MO kkk, no máximo um reparo Simbad =)
    Att

  36. Nunão, realmente o erro da praça d’armas foi um equivoco meu. Obrigado pela informação. Contudo abusando da sua boa vontade, o desenho do casco do Monitor Parnaíba, não poderia reduzir o valor dos custos, isso sem o armamento, pois olhando como leigo, o navio parece ter um fundo semi-chato; já que ele tem 400 toneladas?

      • Obrigado, Nunão. Quem sabe a nossa Marinha não resolve fazer uma classe de navios (fluvial) seguindo o desenho do Monitor Parnaíba. Tenho para mim que os custos seriam reduzidos.

          • Ferreira Junior,
            .
            O deslocamento atual do Parnaíba é maior que 400 toneladas. Fica entre 600 e 700 toneladas, conforme a carga de combustível, munição, provisões etc.
            .
            Quanto a desenho de casco, basicamente navios para emprego fluvial possuem relação boca x comprimento que os deixam mais largos, com fundo chato e menor calado. Por exemplo, o Parnaíba tem 54,3m de comprimento, 10,2 de boca e 1,5m de calado, enquanto as dimensões do Macaé são de 54,2m de comprimento, 8m de boca e 2,3m de calado.
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            Uma das partes mais complicadas do desenho do Parnaíba é a dos túneis que encobrem parcialmente os hélices e os posicionam mais acima, em relação ao fundo do casco, do que seria usual numa montagem convencional dos mesmos, o que além de proteger contra obstáculos nos rios e permitir governo e movimentação com o navio encalhado, aumenta um pouco a distância dos hélices em relação ao fundo (sempre relativamente próximo) do rio, o que rouba menos potência do que se estivessem mais próximos. Outra relativa complexidade do desenho é o sistema de fixação da proteção blindada vertical que chega a 3 polegadas na linha d’água na região das praças de máquinas, e da horizontal que é mais ou menos metade disso. O resto é um desenho bem convencional para o tipo.
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            Mas não é preciso copiar o desenho do Parnaíba. Este já serviu de inspiração para outras classes, caso dos dois NaPaFlu classe Pedro Teixeira e dos dois NaPaFlu classe Roraima, bem mais recentes, e que também incorporaram túneis para eixos e hélices e outras características de fundo chato e boca larga do Parnaíba, só que com desenho, estrutura e processo de construção muito mais modernos. Por exemplo, a estrutura e chapeamento do Parnaíba é típica de um navio construído com técnica de rebitagem, e não de soldagem. É robusto, mas não se faz mais cascos rebitados, e é possível obter resistência estrutural adequada com menos peso em projetos de cascos soldados. Melhor então buscar os exemplos mais recentes.
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            O Itaipu da Armada Paraguaia, por exemplo (construído no AMRJ no início dos anos 1980), segue as linhas da classe Roraima, com a diferença principal de instalação de convoo e cerca de 80t a mais de deslocamento (440t x 364t) e calado ligeiramente maior. Em relação ao Parnaíba, são cerca de 8m a menos no comprimento e 1,5m a menos na boca.
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            (Obs – quem te respondeu agora a pouco mais acima foi o MO, não fui eu).

          • Obrigado. Vou torcer que a MB, construa navios patrulha fluviais bem armados. Espero que sejam bem mais em conta que os MACAÉ.

  37. A renovação do ComFlotMT deve ser mais complicada… para o ComFlotAM, temos a Colômbia para compartilhar experiências, eles tem o Nodriza, além de o ambiente operacional ser basicamente o mesmo… no Pantanal é mais complicado… os rios são mais estreitos, existe maior ocorrência de pedras… a “solução amazônica” não deve ser adequada, teria de haver adaptações ao meio original… resumindo, ninguém mais tem esse desafio, a solução trem de ser, portanto, “regional”…
    Com relação à configuração de armamento, não servi no Pantanal, mas minha experiência na Amazônia permite-me sugerir que não há necessidade de nada superior a 40mm… sim, existem morteiros 81mm nos classe Roraima e Pedro Teixeira, para apoio de fogo, mas tenho minhas dúvidas em sua eficácia…

  38. Seria interessante para a MB atualizar o projeto da Parnaíba e construir mais umas duas unidades para proteção da região?
    Ou ela sozinha pode dar conta do recado?
    Abraço

  39. Apesar de ser bem antigo,parece um navio com boa aparência física,isto é poucas marcas da idade,seria ideal quando a MB aposenta-lo colocasse ele como navio museu,a MB precisa usar disso como meio de despertar interesse dos jovens por exemplo ao visitarem um navio como este,ouaté mesmo uma niteroi no futuro em um museu,a importância deste navio para a epoca em que ele serviu,ainda mais se tratando do Parnaiba que serviu na segunda guerra,seria uma bela atração,pelo que parece ele ainda tem alguns anos pela frente mas depois de aposentado seria uma boa ideia.

  40. MO, Nunão, não liguem não gente!

    Quem está aqui há muito tempo entendeu a reportagem! O resto é forista de Facebook, G1, Revista Veja, Folha, etc.

    Democracia é isso, a maioria fala besteira e a minoria tem que interpretar!!!

    São os mesmos que acham o F-35 um avião de caça fuderoso!!!

    Vida longa ao Jaú!!!!

    • Oi Xará, apenas o detalhe no caso o Parnaíba, o mesmo se aplica aquele que adoram o termo “Sucata”, não houve um simples linha dejustificativa, quiça de conhecimento sobre o que esta “asneirando” .. Não sei quanto ao Fernandinho, mas ja estou de culhão cheio disto, perde-se um tempão para absolutamente nada …. Alias devem ter notado uma certa mudança no perfil das matérias …

  41. A reforma da previdência já está implantada há muitos anos nas FFAA, navio com 80 anos de serviço e na ativa, caças com quase 50 anos de serviço e na ativa, fuzis com 50 anos de uso e na ativa, fragatas com 40 anos de mar e na ativa. Parabéns aos nossos “iluminados lideres” bela reforma da previdência, equipamentos todos obsoletos, contenção de recursos para investir em equipamentos, mas na hora do salário, das mordomias, das gratificações, da mamata, dos 10%, do direito a aposentadoria após poucos anos no exercício das suas atividades públicas destes “lideres” aí a farra não tem fim. Parabéns ao octogenário navio, meu medo é você servir de exemplo para os demais equipamentos da força ou ser modelo para a reforma da previdência – Triste muito triste a falta de descaso neste país.

  42. Srs
    Se um navio ou avião, máquina ferramenta ou qualquer equipamento cumpre sua função não há sentido em aposentá-lo porque é velho.
    Tal aposentadoria só se justifica quando o equipamento se desgasta, perde funcionalidade, seu uso se torna desnecessário ou sua manutenção represente um valor muito alto, maior do que o de sua reposição por um novo.
    Não parece ser o caso do Parnaíba, e as críticas expressam, apenas, a síndrome do carro zero, mal cultural típico do povo das plagas tupiniquins.
    Sds

  43. Vejo muita gente aqui criticando a marinha por manter um navio tão velho em operação mas poucos sabem que na sua área de atuação o Parnaíba não tem inimigos a altura. O único navio de guerra mais pesado a navegar pelas águas pantaneiras é a canhoneira Paraguay – C1, porém ela estar inoperante no momento pois passa por uma modernização sem previsão de término. A única critica que faço ao velho Parnaíba é o fato do seu canhão principal não possuir um escudo que proteja sua tripulação contra armas leves.

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