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80 anos do Monitor Parnaíba – primeira parte

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O Parnaíba na Baía de Guanabara ao final da Segunda Guerra Mundial – fotos DPHDM (Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha)

Monitor ‘Parnaíba’

Um veterano de guerra em plena forma

Há 75 anos o monitor ‘Parnaíba’, que até hoje é capitânia da Flotilha de Mato Grosso, foi convocado para combater na Segunda Guerra Mundial. Conheça esta e outras histórias do ‘Caverna Mestra da Armada’, marco da construção naval militar brasileira que está completando 80 anos de sua prontificação, desde as origens traçadas no seu antecessor até as missões atuais

Por Fernando “Nunão” De Martini (adaptação e atualização da matéria publicada na revista Forças de Defesa número 8, em 2013)

Nas águas do Rio Paraguai, um navio de guerra da Marinha do Brasil vem marcando presença há praticamente oitenta anos. Ao longo do tempo, ele ganhou alguns apelidos carinhosos de suas sucessivas tripulações, dentre os quais o mais conhecido, e também o que mais faz justiça às suas formas e capacidades, é “Jaú do Pantanal”. O Jaú é um grande peixe de água doce, que frequentemente ultrapassa um metro de comprimento e os 100kg de peso. É considerado um dos maiores bagres da América do Sul, autêntico peso-pesado, com um corpo largo em relação ao comprimento. E também é um poderoso predador, perigoso para suas presas, com sua boca larga. Pescá-lo é um desafio digno dos mais fortes.

Naquele sinuoso rio, quem manda abaixo da linha d’água é o Jaú, assim como quem manda acima dela é o monitor Parnaíba, o “Jaú do Pantanal”, que também exibe o título de “Caverna Mestra da Armada” por ser o mais antigo navio de guerra em serviço operacional na Marinha do Brasil. Houve um tempo, porém, em que esse navio foi convocado a deixar “as margens crespas dos rios”, onde se destacava por sua forte couraça e canhão de grosso calibre, e seguir para “os verdes mares bravios”. Eram os anos da Segunda Guerra Mundial, quando o monitor fluvial partiu para guerrear num ambiente no qual nem de longe poderia ser considerado soberano, e onde combatiam submarinos, corvetas, contratorpedeiros, cruzadores e encouraçados. Aquele Jaú, grande entre as curvas do rio, deixou a água doce e se aventurou nas ondas salgadas, cercado de horizontes muito mais largos e desafiadores.

Esta matéria foi pensada, inicialmente, para contar essa história de quando o Parnaíba foi chamado para lutar no Atlântico Sul, fato ocorrido em 7 de abril de 1943 e que completava setenta anos quando da publicação original deste texto na revista Forças de Defesa número 8, em 2013. Esse aniversário, porém, teve na época a companhia próxima de outros igualmente significativos: em novembro de 2012, eram comemorados setenta e cinco anos da incorporação do navio (6/11/1937), poucos meses após serem relembrados os setenta anos da entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial (22/8/1942). Assim, aproveitamos a oportunidade para interligar essas e outras histórias que envolvem o monitor Parnaíba, um navio que também marcou a retomada da construção naval militar brasileira, naquela época: foi o “casco nº1” do Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro, na Ilha das Cobras. Mas este texto não trata “apenas” dos fatos de décadas atrás: além de pesquisar documentos e imagens, visitamos o 6º Distrito Naval no Mato Grosso do Sul, percorremos a Base Fluvial de Ladário e embarcamos no monitor Parnaíba para mostrar a você como esse veterano capitânia da Flotilha de Mato Grosso vem sendo mantido em plena forma.

Toda essa história que chega aos dias de hoje, contudo, precisa começar a ser contada um pouco antes desses marcos históricos acima, para que possamos entendê-la no seu conjunto. Nossa narrativa começa em 1932, dez anos antes da entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial. Foi quando um solitário monitor chamado Pernambuco, antecessor do “Jaú do Pantanal”, teve seu batismo de fogo no Rio Paraguai.

As duas guerras do monitor ‘Pernambuco’, o antecessor do ‘Parnaíba’

Porto Esperança, Mato Grosso, 31 de julho de 1932: no último dia do mês em que estourou a rebelião de São Paulo contra o governo de Getúlio Vargas (a chamada “Revolução Constitucionalista”, que está fazendo 81 anos), o monitor Pernambuco se posicionou próximo à localidade de Porto Esperança, à época no Estado de Mato Grosso e atualmente no Mato Grosso do Sul. Sua tripulação mantinha-se fiel ao governo e enfrentava forças rebeldes que procuravam ocupar Porto Esperança para garantir não só o controle total da Estrada de Ferro Noroeste, mas principalmente o domínio do Rio Paraguai como via fluvial de abastecimento de materiais necessários à sua luta em São Paulo.

O próximo passo dos rebeldes seria atacar Ladário, base da Flotilha de Mato Grosso, da qual o Pernambuco era capitânia. Era a alternativa após a Marinha (legalista) bloquear o porto de Santos com seus desgastados navios de guerra adquiridos mais de 20 anos antes: a chamada “Esquadra de 1910”, da qual vamos falar logo mais. Ainda que longe dos principais cenários das lutas de 1932, a ocupação de Porto Esperança era uma ação de importância estratégica, e boa parte da responsabilidade em impedi-la estava nas mãos da tripulação do Pernambuco. Mas que navio era aquele? Como a sua história seve de contexto à posterior construção do Parnaíba, confundindo-se também com a própria história da Marinha nas primeiras décadas da República, vamos desviar um pouco o curso para contá-la. A narrativa está dividida em duas “guerras”: a primeira é a longa luta para completar o Pernambuco. A segunda é a participação do navio nos combates de 1932.

O monitor Pernambuco, antecessor do Parnaíba. O ano atribuído à foto é 1932, quando o navio participou dos combates da Revolução Constitucionalista

A quilha do Pernambuco foi a primeira de uma belonave construída no Brasil a ser batida após a Proclamação da República. O navio pode ser considerado, porém, uma continuidade de esforços da última década do Império para acompanhar a evolução da construção naval no mundo. Isso se deu após o “surto” construtivo da época da Guerra do Paraguai (1864-1870), quando no então Arsenal de Marinha da Corte, localizado próximo ao centro do Rio de Janeiro, foram construídos encouraçados e monitores de pequeno porte e projeto nacional, com couraças de ferro e casco de madeira. Após a guerra, a Marinha Imperial voltou a adquirir seus principais navios no exterior, pois as capacidades locais não permitiam a construção dos grandes encouraçados inteiramente metálicos então sendo adquiridos pelas potências navais. O Arsenal, nesse meio tempo, produziu cruzadores de propulsão mista (vela e vapor) com cascos de madeira e estruturas de ferro, fabricando também as máquinas a vapor que os movimentavam. Gradativamente, cresceu a utilização de ferro da Fábrica de Ferro de Ipanema, perto da atual cidade de Sorocaba, em São Paulo, nessas obras.

No início da década de 1880, houve um esforço para capacitar o Arsenal na construção de navios metálicos, com estrutura de ferro nacional e chapas do casco de aço importado, e foram batidas as quilhas de seis canhoneiras (com deslocamento entre 210 e 400 toneladas) e de um grande cruzador, de mais de 4.500 toneladas, o futuro Almirante Tamandaré. Suas construções (algumas só terminadas na República) foram tentativas de se acompanhar os avanços técnicos dos países industrializados, capacitação que permitiu ao primeiro ministro da Marinha após a Proclamação da República, o vice-almirante Eduardo Wandenkolk, ordenar a construção pelo Arsenal de dois novos monitores para a Flotilha de Mato Grosso.

O primeiro, o Pernambuco, teve sua quilha batida em 20 de março de 1890, seguido em 11 de junho do mesmo ano pelo segundo da classe, o Maranhão. Porém, as obras sofreram inúmeros atrasos, ao mesmo tempo em que a finalização do recentemente lançado cruzador Almirante Tamandaré, citado acima, consumia quase todos os recursos materiais, financeiros e de pessoal. As dificuldades combinavam com a transição histórica, em que a instabilidade política afetava a viabilidade econômica daquelas primeiras indústrias “de base”, como o Arsenal do Rio de Janeiro e a Fábrica de Ferro de Ipanema. Com essas instabilidades, deixou de haver apoio financeiro para renovação do maquinário e dos conhecimentos do Arsenal. Este foi se estagnando, e os parcos recursos disponíveis eram consumidos nos reparos das belonaves existentes. Quanto à Fábrica de Ipanema, esta fechou as portas em 1895.

Para piorar a situação, em 1893 estourou a chamada “Revolta da Armada” contra o governo de Floriano Peixoto, mais um exemplo da instabilidade republicana. A revolta dividiu a Marinha e afetou duramente o Arsenal herdado do Império e localizado próximo ao centro da então Capital do Brasil, espremido entre o mar e o morro do Mosteiro de São Bento, bem no “olho do furacão”. As instalações foram bombardeadas, os operários acabaram espalhados e máquinas e ferramentas foram repassadas ao Exército e à Estrada de Ferro Central do Brasil. Os trabalhos nos dois monitores só voltaram a ganhar ritmo em 1895, ao mesmo tempo em que o Arsenal era reconstruído e o incompleto Almirante Tamandaré era terminado, tudo com muita dificuldade. Foi necessário priorizar a construção do monitor mais adiantado, o Pernambuco, planejando-se retomar as obras no segundo somente após as provas do primeiro. Ainda assim, o lançamento do Pernambuco só ocorreu em 28 de setembro de 1905.

Gastaram-se mais cinco anos até a incorporação em 1910, somando vinte anos de obras desde o batimento da quilha! Chegando a Ladário em 1911, o navio se manteria por mais de 25 anos como o único monitor da Flotilha de Mato Grosso, tendo como principal companhia para operações um aviso recebido em 1908, o Oiapoque. Este serviria até 1964, mas era um pequeno navio, com armamento leve (dois canhões de 37mm quando incorporado).

O Pernambuco seguia a típica configuração dos monitores, inaugurada pelo encouraçado de nome Monitor desenvolvido na Guerra de Secessão dos Estados Unidos (1860-1865), e que se mantinha como “receita”, com variações de maior ou menor porte. Tinha boca (10,6m) de proporção larga em relação ao comprimento (43m), tal qual o peixe Jaú de que falamos. Combinada a um pequeno calado (1,6m) e estreita borda livre, essa configuração permita a instalação de uma grossa couraça (100mm) e de uma pesada torre blindada, posicionada bem baixa em relação ao centro de gravidade, com dois canhões de 120mm como armamento principal, tudo isso num deslocamento relativamente modesto de 473 toneladas. Essas dimensões eram adequadas a manobras nos sinuosos canais de navegação do Rio Paraguai.

Pode-se dizer que o Pernambuco encerrou uma linhagem de navios de construção metálica iniciada no Império, da qual fez parte a canhoneira Marajó, lançada do Arsenal da Corte em 1885 e construída com estrutura de ferro nacional e aço importado

À meia-nau, o Pernambuco apresentava um estreito passadiço e uma alta chaminé seguida do mastro, tendo mais à ré uma superestrutura que se alinhava com o formato em “V” da popa, abaixo da qual estava seu único leme. Essa superestrutura servia de plataforma ao armamento secundário (canhões de 57mm e 37mm). O navio era equipado com caldeiras alimentadas a carvão ou lenha, fornecendo vapor a duas máquinas de tríplice expansão com potência de 800HP, acopladas a dois eixos e hélices, e alcançava 11 nós.

Enquanto a Flotilha de Mato Grosso se renovava parcialmente, a Esquadra baseada no Rio de Janeiro passava por um extenso reequipamento. Nos anos em que o Pernambuco era finalizado, uma melhora das finanças do País permitiu encomendar uma esquadra completa a estaleiros ingleses. Por um lado, isso mostrava a preocupação do Governo em reforçar o Poder Naval, mas por outro deixava claro que a construção local de navios, mesmo de menor porte, havia sido posta de lado.

Coincidentemente, o Pernambuco foi incorporado no mesmo ano em que chegou a maior parte dos navios da chamada “Esquadra de 1910”: dois poderosos encouraçados tipo “Dreadnought” com doze canhões de 305mm cada, dois rápidos cruzadores leves (chamados de “scouts”) e dez contratorpedeiros (chamados de “destroyers”). Alguns anos depois, foram recebidos também três pequenos submarinos, encomendados à Itália.

O abandono das obras do Maranhão ao longo das duas décadas seguintes mostra a falta de prioridade à construção local. Somente em meados de 1931, no entusiasmo dos primeiros meses da “Revolução de 30”, seu casco foi enfim lançado com um novo nome, Vitória, para ser abandonado outra vez – voltaremos a falar dele à frente. Esse período também foi marcado pelas dificuldades de manutenção, tanto do Pernambuco no Arsenal de Ladário quanto da “Esquadra de 1910” no Arsenal do Rio de Janeiro, pois ambas as instalações permaneceram quase paradas no tempo, com máquinas antigas e pouco eficientes. No caso do Arsenal de Ladário, inaugurado em 1873 com maquinário da Guerra do Paraguai, a principal falha era não possuir dique, apenas uma mortona (carreira com aparelhagem para puxar navios) eternamente em obras, que só ficou em condições de colocar o Pernambuco em seco para seus primeiros grandes reparos em 1926. Como as cheias do rio eram cruciais para o encalhe e desencalhe naquela mortona, somente dois anos depois foi possível ao Pernambuco voltar a navegar. Com isso, uma ameaça ocorrida no período, que foi a aproximação de Ladário dos rebeldes da “Coluna Prestes”, não pôde contar com o solitário monitor para um eventual combate. Felizmente para a Flotilha, quando uma nova ameaça surgiu em 1932 seu único monitor estava em condições de combater.

A linhagem que levou ao Pernambuco teve seu auge no cruzador Almirante Tamandaré, construído em aço no Arsenal da Corte a partir de 1884 e lançado ao mar em 1890, ano de batimento de quilha do monitor. Com mais de 4.500 toneladas, foi o maior navio de guerra produzido no Brasil. O longo tempo de construção do Pernambuco pode ser atribuído, em boa parte, aos recursos consumidos pela demorada prontificação do cruzador, que só foi considerado pronto para incorporação em 1897

Após esse largo desvio do curso principal desta história, porém fundamental para entendermos logo mais as origens do Parnaíba, nossa narrativa chega novamente a 31 de julho de 1932, com o Pernambuco preparando-se para o combate em Porto Esperança. Sua tripulação aguardava a chegada do mercante Taquari, transportando uma tropa legalista do 17º Batalhão de Caçadores, escoltado pelo aviso Oiapoque. À tarde, com a chegada desses navios, os canhões de 120mm do monitor tiveram seu batismo de fogo, bombardeando as posições adversárias com apoio das armas mais leves do Oiapoque. O peso da artilharia naval obrigou os rebeldes a abandonarem suas posições e as tropas legalistas puderam desembarcar. Porém, à noite os rebeldes conseguiram expulsar a tropa do 17º batalhão, que reembarcou para lutar novamente no dia seguinte. Na madrugada de 1º de agosto, tripulantes do monitor desembarcaram para retirar trilhos da ferrovia e assim impedir a chegada de reforços adversários. Novos combates ocorreram e, por fim, os rebeldes deixaram Porto Esperança em poder dos legalistas. Tanto a artilharia naval quanto as ações de tripulantes do Pernambuco foram fundamentais nesta ação bem-sucedida.

Os rebeldes dirigiram-se para Porto Murtinho, mais ao sul, e para lá se dirigiu também o monitor, apoiando com sua artilharia forças de cavalaria da polícia do Rio Grande do Sul. No sangrento combate, a cavalaria gaúcha venceu as tropas da rebelião. Relato sobre as ações atestou os grandes estragos causados pelas granadas do monitor.

Daí em diante, a Marinha manteve o domínio do Rio Paraguai, e mesmo ataques aéreos realizados pelos rebeldes em Ladário, no mês de setembro (confrontados por um canhão antiaéreo improvisado de 57mm montado no Oiapoque, enquanto a tripulação do monitor disparava armas portáteis no convés) não conseguiram êxito em tirar essa supremacia das forças legalistas.

Após a primeira luta, que foi pela sua própria existência, esta foi a segunda “guerra” do Pernambuco, agora em combates reais na medida para um monitor fluvial: controle dos rios e apoio de artilharia a desembarques. A guerra real do Parnaíba, pouco mais de dez anos depois, seria diferente, mas antes ele também precisaria vencer batalhas ligadas à sua própria concepção. Teria que mostrar que a Marinha estava vencendo a inércia, e que sua construção seria muito mais rápida do que a de seu predecessor ou do casco abandonado do ex-Maranhão / Vitória, que servia a todos como lembrança das décadas de estagnação.

O Pernambuco visto de popa junto à mortona do Arsenal de Ladário. O trabalho de encalhar e desencalhar o monitor na mortona era necessário para realizar reparos no casco, hélices e leme, e dependia do regime de cheias do Rio Paraguai. Isso resultava em períodos de indisponibilidade do navio que chegavam a superar dois anos
Artilharia naval em ação no Rio Paraguai, durante os combates de 1932. A torre que abrigava os dois canhões de 120mm do Pernambuco é vista apontando para alvos na margem, em Porto Esperança

VEJA NA SEGUNDA PARTE: Na década de 1930, um novo Programa Naval incorpora um novo monitor (clique para acessar)

19 COMMENTS

    • Pois é Vivaldo, numa guerra cada lado conta o que acha que viu na hora, e muito disso passa à história como versões conflitantes. Em geral, em ataques a navios, os atacantes costumam achar que causaram mais dano do que realmente ocorreu.
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      O Pernambuco e o Oiapoque aguentaram os ataques, mesmo porque foram relativamente poucos, com poucos aviões e de capacidade reduzida, mas o grande risco que correram levou a uma preocupação bem maior com a defesa antiaérea de novos navios na área, quanto em instalar por lá uma unidade aérea da Marinha.
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      A preocupação com a ameaça aérea levou a equipar o monitor Paraguassu (do qual a série ainda vai falar), incorporado à Flotilha de Mato Grosso em 1940, com metralhadoras Madsen de 20mm para defesa antiaérea (que, se não me engano, ainda estavam em processo de aquisição quando o Parnaíba ficou pronto).
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      Só teve um porém, segundo o historiador Hélio Leôncio Martins (que inclusive foi da primeira tripulação do Paraguassu). O então ministro da Marinha alte Guilhem, ao visitar e inspecionar o navio recém-completado, ficou enfurecido pelo fato de terem usado uma sobra de verba de mobiliário interno para melhorar o acabamento e luxo das instalações. Para “castigar” os responsáveis por não cumprirem suas determinações de austeridade na decoração, em meio a tanto esforço de construção com verbas escassas, mandou retirar as metralhadoras recém-compradas, que foram para outros navios… Posteriormente, o Paraguassu recebeu armas antiaéreas adequadas, assim como o Parnaíba.

  1. Dessa primeira parte, o que eu destacaria de interessante é o prenúncio, em 1932, de operações ribeirinhas com táticas mais modernas e com um viés diferente da experiência anterior de monitores apoiando tropas, que era da Guerra do Paraguai.
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    Essas situações históricas vêm sempre à mente quando vejo comentários que menosprezam a importância da bacia do Paraguai ainda hoje, e a necessidade de uma presença naval / militar ali, e não apenas policial.
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    A Flotilha de Mato Grosso, desde que foi baseada em Ladário nos anos 1870, teve várias fases de quase abandono, sendo até considerado um castigo servir lá. É preciso planejar a renovação de seus meios mais leves da classe Piratini por embarcações desenvolvidas para a região, que não sejam meios “aposentados” do mar e transferidos para o ambiente fluvial, como é o caso desses já desgastados navios-patrulha costeiros com mais de 40 anos e que não se comparam em robustez a navios maiores, mesmo mais antigos, como o Parnaíba.

  2. Podem não gostar quando digo: Existe Marinha fora do principado da Guanabara. Ladário, Aratu, Vau-de-Cães tinham que receber mais atenção.

  3. cmte Luis, o Pernambuco provavelmente foi desmantelado após sua aposentadoria em 1948.
    Uma pena pois era um belo navio com um belo histórico de combate.

  4. Belo trabalho jornalístico! Não é possível deixar de observar a letargia que tomou conta do Brasil após o golpe republicano, a paralisia, inclusive, é vista até hoje. E dizem que sou louco quando afirmo categoricamente que o nosso país perdeu o fio da história em 15 de novembro de 1889.

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