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O leitor pergunta: como é a defesa contra torpedos e outras questões

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O torpedo leve antissubmarino MU90 também pode ser usado contra torpedos pesados lançados de submarinos

O leitor José Luiz enviou um e-mail para a nossa redação com perguntas sobre a defesa de navios contra torpedos e deu a ideia de publicarmos as respostas como post para que outros leitores interessados sobre o assunto também possam se inteirar.

José LuizPrimeiramente parabéns pelo seu heroísmo em manter este baluarte da informação sobre defesa naval que é o site Poder Naval o qual acompanho desde do começo dos anos 2000.

Poder Naval – Obrigado José pelas palavras elogiosas. Bom saber que nos acompanha por todos esses anos.

JLTrata-se dos meios e táticas aplicadas na MB no caso nas nossas escoltas da classe Niterói e Inhaúma. Já li sobre sistemas defensivos como o AN/SLQ-25 Nixie e sistemas de mascaramento como Prairie Masker. Não tenho conhecimento se algo similiar existente nos nossos navios.

PN – Os navios da MB não têm o AN/SLQ-25 Nixie e os navios que tinham o Prairie Masker, os contratorpedeiros classe Pará (classe “Garcia”), já foram desativados. O Prairie Masker é um sistema de redução de ruído irradiado e serve para dificultar a identificação e classificação por sonar passivo.

O Masker gera bolhas de ar no casco para abafar o ruído das máquinas e o Prairie gera bolhas de ar nas lâminas do hélice para reduzir o ruído de cavitação.

O sistema Prairie sendo testado em um propulsor de um destróier classe Arleigh Burke

Já o AN/SLQ-25 Nixie, é um despistador de torpedos rebocado empregado em navios da US Navy e de aliados.

É composto por um dispositivo chamariz rebocado (TB-14A) e um gerador de sinal a bordo. O chamariz emite sinais para seduzir um torpedo para longe do alvo pretendido.

O Nixie tenta derrotar o sonar passivo do torpedo pesado inimigo ao emitir ruídos simulados do navio, como o ruído da hélice e do motor, que são mais atraentes que o navio para os sensores do torpedo.

A variante AN/SLQ-25A utiliza um cabo de reboque de fibra óptica (FOTC) e um guincho de rolo duplo RL-272C. As saídas do Nixie podem ser facilmente identificadas na popa dos navios que têm o equipamento.

Chamariz (decoy) do Nixie
Guincho de rolo duplo do Nixie
Portas do sistema Nixie na popa de um cruzador classe Ticonderoga

JLMinhas principais dúvidas são sobre como é detectado o torpedo inimigo, sonar ativo? Medidas defensivas: Vira a proa para o torpedo? É possível usar o torpedo antissubmarino Mark 46 como uma espécie de arma anti-torpedo? Li que os russos mantem o sistema RBU 6000 também sobre o seu possível uso como arma anti-torpedo, às Niterói ainda mantem os Boroc (não sei se operacionais) este sistema podia ser usado como arma anti torpedo? Pode se utilizar a artilharia de tubo para disparar contra o torpedo na sua aproximação final visto esta perto da superfície, existe esta possibilidade? Outra indagação o helicóptero orgânico no caso o Lynx pode tentar interceptar o torpedo com uma carga de profundidade ou um torpedo Mark 46?

PN – A aproximação do torpedo pesado inimigo é detectada por sonar passivo e por sonar ativo.

O MK.46 não tem capacidade anti-torpedo porque já é um projeto antigo e foi desenvolvido para combater submarinos. Para engajar um torpedo pesado, que é um alvo pequeno, o torpedo anti-torpedo tem que possuir um hardware mais avançado e um software adequado ao perfil da ameaça.

Os europeus desenvolveram o MU90, que é torpedo leve da classe do Mk.46, mas é muito mais avançado.

O MU90 Impact é da mesma classe do Mk.46 americano, com diâmetro de 324mm, comprimento de 3m e peso de 300kg. Ele possui um alcance de 10km em velocidade máxima (alcança até 20km em baixa velocidade) e pode alcançar alvos submarinos que estejam mergulhados até 1.000m de profundidade.

A diferença do MU90 para os atuais torpedos de 324mm é seu software e cabeça de busca avançados, mais adequados ao engajamento de submarinos convencionais silenciosos operando em águas rasas.

O fabricante diz que o MU90 é tão preciso, que pode ser empregado como torpedo anti-torpedo, isto é, pode defender o navio contra torpedos pesados lançados de submarinos.

Torpedo MU90

Para combater a ameaça dos torpedos pesados do tipo “wake homing” de fabricação russa lançados de submarinos classe Kilo de exportação, os americanos desenvolveram o sistema anti-torpedo SSTD – Surface Ship Torpedo Defense.

O SSTD, que foi desenvolvido com bastante rapidez na última década, é uma combinação de sistemas que trabalham juntos para defender um porta-aviões (e eventualmente outros combatentes de superfície menores) contra ataques de torpedos. Inclui três componentes principais:

  • O primeiro é um sistema de sensor acústico rebocado chamado Torpedo Warning System (TWS) que faz exatamente como diz, ele detecta a aproximação de um torpedo atacante. Este sensor é rebocado na popa do porta-aviões, por isso é particularmente adequado para a detecção de torpedos “wake homing”.
  • Este dispositivo rebocado está ligado a estações de controle tático que fornecem alerta antecipado, classificação de ameaça e direção de ação para o Centro de Informações de Combate (CIC) do navio e para o passadiço.
  • O terceiro e último componente do SSTD é o Countermeasure Anti-Torpedo (CAT), um mini-torpedo destinado a eliminar o torpedo atacante por hard-kill.

O CAT do SSTD sendo lançado de um porta-aviòes. Em testes, o CAT interceptou torpedos pesados atacantes em sete ocasiões

Sobre as outras formas de engajamento de torpedo pesado atacante por foguetes, helicópteros e canhões, a dificuldade reside na capacidade de detecção da ameaça com antecedência e a indicação de alvo precisa para arma de defesa.

Armas e sistemas antigos terão pouca ou nenhuma eficácia, por isso estão sendo desenvolvidos novos sistemas de armas e sensores para a tarefa.

JLPergunto também sobre a existência de uma profundidade mínima de segurança existente no torpedo Mark 46 para proteger o próprio navio lançador e também se ele tem algum tipo de programação que permita o uso secundário em uma emergência como arma antinavio.

Da mesma forma para fechar também li que mísseis que a MB usou como o Sea Cat e o atual Albatros tem capacidade secundária anti navio, pode dizer algo sobre isso.

O torpedo Mk.46 foi feito para combater alvos submarinos em águas profundas e tem dificuldade de engajar alvos em águas rasas. O Mk.50 que foi feito para substituí-lo e corrigir esse problema, ainda enfrenta problemas de desenvolvimento. Eles não têm função antinavio.

Os torpedos leves antissubmarino têm um tempo de corrida e profundidade mínima para começar o padrão de busca em espiral descendente alternando o sonar passivo/ativo para detectar o alvo. Os parâmetros são inseridos no torpedo antes do lançamento.

O lançador triplo de mísseis Seacat era instalado nas fragatas Vosper Mk10, classe Niterói

Quanto ao Seacat e o Albatros, o primeiro tinha uma capacidade antinavio de emergência, caso fosse necessário, porque a orientação do míssil era por rádio e linha de visada . Já o Albatros/Aspide é guiado por radar semi-ativo e é derivado do míssil ar-ar Sparrow. Segundo o fabricante, só pode ser usado contra alvos aéreos.

Lançador de míssil superfície-ar Albatros Aspide de uma fragata classe Niterói

51 COMMENTS

  1. Gostaria de aproveitar este post tão específico e rico em informações para colocar uma questão:
    – Já que estamos falando de torpedos, existe algum tipo de torpedo que realize operações só busca e rastreio (sem conter carga detonadora), e que poderia ser regulado para atuar a partir de 300 mts. de profundidade, no sentido de encontrar por exemplo algum vestígio do casco do ARA San Juan no fundo do mar?

  2. Alexandre Galante 29 de novembro de 2017 at 15:12
    O Bluefin 12D é capaz de realizar operações de busca a 3 nós a uma profundidade máxima de cerca de 5.000 pés por 30 horas, enquanto o Iver 580s pode operar a uma profundidade de 325 pés, viajando a 2,5 nós para até 14 horas
    Que ótima matéria Galante, mas mesmo com equipamento desse (artefato de 1º mundo), nada foi detectado. Provavelmente se deve ao fato desses equipamentos não possuírem sensores de detecção de áreas muito extensas. Afinal esses equipamentos na verdade estariam buscando uma agulha em um palheiro.

  3. Senhores, parabéns pela abordagem desse assunto fascinante e ao mesmo tempo complexo e altamente técnico.
    Parabéns ao leitor por sugerir esse assunto fascinante, sobre a evolução das contra medidas navais.
    Cavalheiros foi uma honra.

  4. Muito interessante mesmo, nunca tinha visto um post dedicado sobre esse assunto. Obrigado pelas informações!
    Só fiquei na dúvida sobre quais meios de defesa contra torpedos existem na MB, se alguém souber dizer ficarei grato!

  5. Muito bom o post!!!

    O Site poderia fazer mais explanações sobre diversos equipamentos navais tais como CWIS, torpedos pesados, missieis AAW quais os mais eficientes e compara-los.

  6. Prezados, as FCN possuiam o sistema Agouti para mascarar o ruído dos hélices… não estão.operacionais atualmente… o que nos resta são procedimentos e manobras táticas empregadas em guerra A/S… abraço…

  7. Apenas como complemento, o IPqM está estudando se consegue desenvolver um despistador de torpedos a partir do projeto SLDM (sistema de lançamento de despistadores de mísseis)… abraço…

  8. O sistema Countermeasure Anti-Torpedo atua por Hard-Kill ? quer dizer que o mini torpedo vai bater diretamente no torpedo atacante, como o míssil Thaad bate no míssil inimigo ? Ou ele explode nas proximidades para destruir o torpedo atacante ?

  9. Também os “ladrilhos” antiecoicos que recobrem alguns submarinos tem função antitorpedo , reduzindo o eco do sonar ativo.
    Também há pesquisa sobre munição supercavitante para canhões de pequeno calibre na função antitorpedo.
    Alguns despistadores antiitorpedo lançados por foguetes explodem com a aproximação do torpedo.

  10. Sinto me duplamente honrado, primeiramente pela presteza da informação, senhores escrevi este e-mail há apenas 12 horas, depois por ser foco de uma publicação inteira e bem preparada.

    Uma pena, apenas em saber que o míssil AlbatrosAspide não ter uma capacidade secundária anti navio, pois acredito que poderia acrescer um acréscimo interessante contra um alvo rápido em uma distância intermediária entre um MM 40 Exocet e o canhão Vickers de 4.5 pol.

    Me corrija se eu estiver errado o Albatros/Aspide é guiado por radar semi ativo, então segue as ondas refletidas pelo alvo que é “iluminado” pelo radar de tiro, então poderia ser lançado em salvas com vários mísseis seguindo o eco, em trajetória parabólica para aumentar o alcance, vários mísseis vão direto para o alvo, o norte americano Standard tinha esta capacidade não, o Sea Dart britânico salvo engano também tinha. Com a espoleta de proximidade seria uma arma interessante contra lanchas e outros alvos menores em um conflito assimétrico ou uma arma backup caso o canhão tivesse um acidente de tiro e ficasse fora de ação.

    Muito obrigado

  11. José Luiz, para a função de atingir ameaças de superfície rápidas e ainda a uma boa distância (lanchas, por exemplo) creio que os canhões de 40mm com munição 3p são mais do que adequados. E não é preciso impacto direto, e sim programar as espoletas para uma chuva de balins sobre o alvo.

    O vídeo abaixo, apesar de ser com teste de canhão de 57mm e contra alvos estáticos, mostra como funciona a munição e seus efeitos:

    https://m.youtube.com/watch?v=rldn9Hvzih4

  12. José Luiz,
    Em tese vc está certo já que é desse modo que o standard e o Sea sparrow funcionam, mas se o fabricante diz que não é habilitado para a função antisuperficie é porque não o testou nesse modo é como não é por deficiência de hardware só pode ser de software. Mas se eu tivesse que apostar eu colocaria todas as minhas férias fichas que ele é capaz.

  13. Se pensarmos bem o torpedo é muito mais lento e detectável que projéteis ou mísseis.
    Então há maior tempo de reação contra a sua ameaça.

  14. Prezados, algumas contribuições:

    – sim, apesar do fabricante não vender essa possibilidade, já foi considerada a possibilidade do emprego do Aspide contra embarcações pequenas, mas com bastante restrição no envelope de distâncias, lembrando que o Seawolf também prevê esse emprego. Particularmente tem acho mais eficaz e eficiente um 40mm com munição 3P;
    – o A12 veio com Nixie;
    – torpedos pesados modernos são armas muito complexas em hardware e software. Na sua maioria são de propulsão elétrica (e por isso mais silenciosos), podem ser guiados sem emissão até distâncias relativamente curtas dos alvos e podem cumprir o engajamento na fase final até em busca passiva. Não são de fácil contramedida.

  15. Sobre o ASPIDE, se não estou falando bobagem, na repotencialização que os Argentinos fizeram nos seus mísseis, o CITEDEF agregou a capacidade do míssil ser usado contra alvos de superfície.

  16. Excelentes posts!!!
    .
    Era o assunto similar que estava buscando e postado noutro topico, porém mais centralizado em engodos (DECOYS) aplicaveis a SSK´s que pudessem fornecer falsa informações da localização do Sub. Não necessariamente um decoy lançado quando o SSK esta submetido ao ataque, mas algo mais parecido com os Engodos inflaveis que simulam tanques, caminhoes, lança misseis e ate avioes estavionados como foco diversionista. Algo que pudesse simular os mastros de um SSK recarregando as baterias, um snorkel acima da agua.
    .
    Para navios, existem decoys como estes aqui IDS 300 ou AN/SLQ-49 Chaff Bouy Decoy System

  17. Não tem muito o que fazer depois que você detecta um torpedo pesado vindo na sua direção. É tentar despistar com as contra medidas, se elas existirem e as manobras. Se você, por algum milagre realizar uma manobra e desviar do torpedo, ele vai passar por você, perder o alvo (você) e entrar em modo de busca (começa a fazer movimento de circulo), posteriormente vai travar em você novamente, rsrsrs.
    Um Spearfish por exemplo, pode perseguir um alvo por mais ou menos hora, rsrsr… Não tem muito o que fazer.
    .
    Se existir um torpedo anti-torpedo minimamente efetivo, talvez exista um fio de esperança. Isso se você conseguir detectar a tempo que existe um torpedo pesado vindo em sua direção. Se não tiver um sonar que preste, não vai saber nem o que aconteceu…

  18. Sim Nunão estava esquecendo dos 40 mm, mas lembrando que o alcance de um Aspide iria superar o projétil de 40 mm. Mas isso é apenas conjectura visto que, não existe esta possibilidade. Agora o que assusta é a vulnerabilidade das nossas escoltas atuais a um torpedo anti navio. Os agora desativados contra torpedeiros da classe Garcia norte americana eram um show em termos de ASW, creio que nunca tivermos um navio tão completo.

    Bem assunto interessante não falta, para discutir em termos de armamentos, principalmente para os mais nostálgicos como no meu caso, fico pensando no comparativo dos Ikara vs Asroc por exemplo. Na experiência brasileira com o Boroc. No desempenho dos sonares EDO das fragatas Niterói.

    Tecnologia militar sempre esta envolta com uma capa de segredo militar, estes sistemas que agora foram descontinuados e pode se dizer são peças de museu, foram na minha juventude os top’s do secretismo, então sempre é muito interessante saber mais sobre eles. Fica aqui a sugestão.

  19. Sobre a defesa contra enxames de pequenos barcos o mais avançado sistema até agora é o Hellfire Longbow dotado de radar ativo, lançado verticalmente dos LCS. Um desses navios poderá levar até 60 deles.
    Outro projeto interessante nesse sentido é a munição de 57 mm ORKA, guiada por imagem IR, lançada do canhão Mk110.
    Também digno de nota e a capacidade do sistema de mísseis RAM contra alvos de superfície.

  20. para enxames Mestre Bosco, eu realmente confiaria mais nos MK-110 ou similares desta categoria…..pode ser drone, dezenas de botes, o que for…aquela chuva de aço cria uma verdadeira barreira, com rapidez e capacidade sustentada….4 picos em cada ponto e pronto…sei lá…missil é muito bom, mas teria de ter uma senhora capacidade de lançamento massivo e recarga…e dependendo do enxame numa situação apocaliptica…o 57 mm com fragmentação é imperdoavel…

  21. Carvalho,
    Mas a proposta do Longbow no LCS é essa. Eles são lançados verticalmente em rápida sequência e como têm orientação autônoma (radar ativo milimétrico) cada um seria designado para um alvo independente. As ameaças que passassem seriam engajadas pelos canhões de 30 mm e pelo Mk110. Claro, antes ainda haveriam os helicópteros com Hellfires e afins.
    Quando a munição ORKA lançada por canhão também poderá engajar alvos diversos num volume de fogo sustentado.
    Tem que ver se isso tudo funciona de acordo senão quem vai resolver mesmo serão os velhos canhões.

  22. Deve ser bem difícil se livrar do SPEARFISH navegando a 80KN , pior que isso talvez só os super cavitantes da RUSSIA.

    Royal Navy’s Spearfish Heavyweight Torpedo – Profile

  23. Bosco 29 de novembro de 2017 at 22:21

    O laser azul esverdeado está sendo pesquisado para detectar torpedos. E minas.

    Olá BOSCO esse sistema já é aquele que ingleses e franceses iriam desenvolver em conjunto?
    Se for eu acho que das patrulhas oceânicas para cima todas deveriam ter pois se o inimigo sabe que você tem facilidade em se livrar de minas não irá gastar recursos com as mesmas minimizando riscos para os navios mercantes a menos que os mercantes sejam os alvos.

  24. Muito legal a matéria , parabéns a todos . Alguém sabe se eventualmente a marinha quisesse revestir o casco das embarcações brasileiras com aquela camada que se não me falha a memória plástica dos caça minas suecos se seria viável e se diminuiria muito a assinatura acústica.

    Apesar de tanto sofrimento para construir os novos submarinos pelo menos ele virão com o CONTRALTO em um dos vídeos tem até a bandeira brasileira.
    Acho que o CANTO é o nome do dispositivo do sistema CONTRALTO.
    CANTO® for submarine by DCNS, the anti-torpedo countermeasure

  25. Angelo,
    Se cavucar tem muita informação na internet sobre a utilização do laser azul esverdeado e das munições supercavitantes. Eu estou mais a par das pesquisas americanas e realmente não sei sobre as pesquisas francesas e britânicas.
    Aqui tem um site bem interessante: https://www.wired.com/2009/06/mine-vs-cannon-vs-torpedo-in-high-speed-underwater-arms-race/
    Ele cita um sistema já desenvolvido (RAMICS) e evoluções do conceito para englobar a capacidade antitorpedo.

  26. Angelo,
    As minas funcionam mais por espoleta de contato, magnética e de pressão. Os caça minas costumam ser construídos de materiais amagnéticos (fibra, madeira) para não estimular a espoleta magnética.
    Há espoletas acústicas mas não são comuns, e aí o revestimento não adianta muito. Essas minas de espoleta acústica são inteligentes e têm um registro interno de sinais, deixando passar navios amigos e só explodem quando passam os navios alvos. Mas ainda são raras!

  27. já e tarefa dificil atingir um missil em um meio que permite o uso de radares: o ar

    em um meio que dissipa rapidamente a onda, a agua, e muito dificil que um torpedo anti torpedo venha a atingir o torpedo inimigo

    a melhor aposta mesmo e tentar confundir o torpedo inimigo e, principalmente, fazer navios cada vez menores p ser um alvo menor e ter maior capacidade de manobra

  28. Muito interessante e com muitas informações importantes este post.

    Gostaria de fazer uma pergunta aos entendidos no assunto :

    Atualmente a MB utiliza em seus subs o torpedo americano Mk48 Adcap, que obviamente são os utilizados pelos subs americanos, o que por si só já é uma chancela e tanto.

    Os novos subs da MB irão utilizar torpedos franceses e não poderão utilizar os Mk48 americanos por questões de incompatibilidade de sistemas.

    Pergunto eu : Isto não seria um “downgrade” na capacidade ofensiva destes novos Submarinos ?

  29. Complementando a pergunta anterior, pouquíssimas marinhas no mundo, além da US Navy, utilizam o torpedo Mk48 Adcap. Assim, o que será feito do inventário deste torpedo na MB quando os subs da classe Tupi, inclusive o Tikuna, derem baixa ? Vamos perder esse armamento ?

  30. Mk48, downgrade é quando um meio militar vendido a um outro país, por exemplo, tem capacidade reduzida em relação ao original. Mas no caso o original (Scorpene) não está sofrendo downgrade, pois tem especificado o novo torpedo francês F21, que é a última palavra no desenvolvimento de torpedos franceses (e historicamente a França é muito competitiva nessa área, com bons torpedos).

    Eu diria que a MB estará muito bem de torpedos estrangeiros em seus dois tipos de submarinos, com o Mk48 nos mais antigos e o F21 nos mais novos.

    Sobre a segunda pergunta, creio que o tempo de vida útil (durabilidade e obsolescência) dos torpedos provavelmente coincidirá com o que resta de vida útil aos submarinos de origem alemã. Vale lembrar que originariamente eram equipados com torpedos Tigerfish de origem britânica que eram o estado da arte na época de incorporação dos submarinos, e agora estão sendo equipados com o Mk48 devido ao Tigerfish já estar ultrapassado frente aos novos desenvolvimentos dessa arma.

  31. Nunão, os escorpenes da MB foram modificados em relação ao projeto original para conter uma seção adicional, onde será possível ter uma “endurance” maior , onde serão alojados mais combustível e víveres. Seguindo esta linha, por que a MB não optou por dota-Los com uma “fuel cell”, a exemplo do que fez a marinha indiana ?

  32. Mk48, acho que você poderá tirar suas próprias conclusões a partir do que a MB pensava quando decidiu que não teria AIP em seus submarinos (na época, dez anos atrás, o selecionado ainda era o Tipo 214 alemão, antes de mudarem para o Scorpene).

    Segue trecho de comentário recente em que coloquei trecho de reportagem da época (PS- sobre os indianos, ainda está em desenvolvimento o AIP deles e só deverá ficar pronto depois do último Scorpene em construção na Índia ser lançado)

    Então repasso aqui uma resposta a pergunta parecida dada oficialmente pela própria MB em 2006, época em que tinha decidido prosseguir seu programa de submarinos com o modelo alemão Tipo 214, só que sem AIP (depois a decisão mudou para o Scorpene, também sem AIP, mas dentro de um pacote incluindo o projeto do submarino nuclear, no qual se concluiu que a parceria francesa seria mais tecnicamente mais adequada que a alemã, além de outras considerações).

    Segue o texto de 2006 que tenho aqui guardado (não tenho o link original). Tirem suas próprias conclusões a partir de uma declaração original da época, que também traz alguns números comparativos:

    MARINHA DO BRASIL ESCOLHE SUBMARINO CLASSE U214 SEM AIP
    Defesanet 11 Outubro 2006
    Exclusivo Defesa @ Net – Marinha do Brasil
    Com dados do Centro de Comunicação Social da Marinha – Setembro 2006
    Defesa @ Net publica a posição da Marinha do Brasil referente à decisão de aquisição da futura classe de submarinos. O modelo escolhido e as razões da escolha. Também a definição sobre um ponto polêmico que é a adoção ou não de um sistema de propulsão auxiliar (AIP).

    Em atenção a sua mensagem, a Marinha do Brasil esclarece:

    1) Já está definido o modelo de submarino: Scorpène (França), U212 ou U214 (Alemanha)?

    Resposta: O processo seletivo adotado pela Marinha do Brasil (MB), para a escolha de um novo submarino: a ser adquirido mediante construção no país, resultou na seleção do Projeto IKL U 214, da HDW.

    Tendo em vista a conveniência de evitar a duplicidade de custos logísticos para apoiar submarinos de origens diferentes – o que ocorreria, fatalmente, se fosse escolhido projeto de outro fabricante – e considerando os vultosos investimentos realizados pela Marinha ao longo das duas últimas décadas, em diferentes metas conotadas aos submarinos Classe Tupi e, mais recentemente, na construção do Tikuna, associados à cultura e à tecnologia assimiladas neste período por nossos técnicos (engenheiros e operários) e tripulações (oficiais e praças) em relação aos processos construtivos, logísticos, de manutenção e operação destes meios, respectivamente, a MB entendeu que deveria manter a padronização dos modelos IKL – HDW, de origem alemã.

    2) o modelo escolhido será equipado com sistema Avançado de propulsão, como o AlP, no caso dos submarinos alemães?

    Resposta: A Marinha decidiu pelo proieto do IKL 214 sem AIP. As razões que levaram a tal decisão são de ordem essencialmente logística. A despeito de algumas inegáveis vantagens operacionais apresentadas pelo sistema, que permite a navegação submerso a baixa velocidade, por cerca de dez dias, sem necessidade do ar atmosférico, a MB considerou muito elevados os custos de obtenção, operação e manutenção desse sistema, levando a que a razão custo / benefício não se justificasse.

    Apenas para ilustrar, o sistema demanda, a cada recarga, quinze toneladas de oxigênio líquido e cerca de duas toneladas hidrogênio a 99,9999% de pureza, no estado gasoso, volume equivalente a oito caminhões-tanque. Além da natural dificuldade na obtenção, haveria problemas para o transporte até o submarino, posto que o hidrogênio é considerado carga perigosa. Também, para transferir os gases do veiculo de fornecimento para bordo, é necessária uma infra-estrutura para a recarga das ampolas de armazenamento do submarino, o que inviabilizaria o reabastecimento fora do Rio de Janeiro, na hipótese de haver disponibilidade desses gases em outros portos. Finalmente, uma milha náutica navegada com AIP custa o equivalente a US$ 43 (quarenta e três dólares); com diesel, US$ 6 (seis dólares).

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