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ANÁLISE: Japão fará mudança histórica se Izumo virar porta-aviões

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Destróier porta-helicópteros Izumo

Por Ryo Aibara

Administrações sucessivas prometeram que as Forças de Autodefesa do Japão nunca possuiriam armas “ofensivas”, como mísseis balísticos intercontinentais, bombardeiros estratégicos de longo alcance e porta-aviões, que teriam uma postura exclusivamente defensiva da nação.

Agora, o Gabinete de Abe terá que implantar um novo mantra se converter o porta-helicópteros Izumo Japan Maritime Self-Defense Force em um porta-aviões de combate com caças F-35B de pleno direito, que possuem capacidades de discrição avançadas.

Várias autoridades do Ministério da Defesa de alto escalão disseram que estava sendo considerada a conversão do Izumo, que já é o maior destróier do Japão, com um comprimento de 248 metros e uma plataforma de voo horizontal, como os que equipam os porta-aviões.

Quando o Izumo foi adicionado à frota da JMSDF em 2015, os oficiais da JASDF (Japan Air Self-Defense Force) pediram que fosse considerada a aquisição de F-35B para uso no navio, o que o tornaria o único porta-aviões da frota.

No entanto, essa discussão não prosseguiu devido a preocupações de que isso entraria em conflito com a posição da política de defesa do Japão. Também havia preocupações naquela época de que a aquisição de caças furtivos poderia agravar ainda mais as tensas relações com a China.

Mas com os funcionários do Ministério da Defesa agora revisando as Diretrizes do Programa de Defesa Nacional e compilando um novo Programa de Defesa de Médio Prazo até o final de 2018, a discussão foi novamente estendida à possibilidade de adaptar o Izumo.

Uma proposta é que o Izumo sirva como “porta-aviões defensivo” com a missão de defesa das ilhas periféricas, como as ilhas disputadas de Senkaku no Mar da China Oriental.

Uma possibilidade de modificação do Izumo seria aumentar a resistência ao calor do seu convés de voo para permitir que os F-35Bs pousassem verticalmente sobre o navio. O novo planejamento também inclui a JASDF comprando os F-35Bs para o porta-helicópteros.

Os funcionários do Ministério da Defesa reconhecem a dificuldade de estabelecer uma linha clara na definição da diferença entre um porta-aviões defensivo e ofensivo. Por essa razão, os funcionários do ministério nem sequer chamarão o Izumo de porta-aviões, mas usarão uma terminologia completamente diferente para a nova versão.

Uma conclusão é esperada no verão de 2018 depois que funcionários do ministério consultem funcionários no gabinete do primeiro ministro.

Em uma coletiva de imprensa de 26 de dezembro, o ministro da Defesa, Itsunori Onodera, negou que fosse dada consideração à aquisição de F-35B, bem como à modernização do Izumo.

No entanto, ele acrescentou: “É necessário sempre considerar várias alternativas”.

A administração do primeiro-ministro Shinzo Abe aprovou a compra de novas armas que desfazem a linha entre armas defensivas e ofensivas.

As despesas relacionadas serão incluídas no orçamento fiscal de 2018 para considerar a aquisição de mísseis de cruzeiro de longo alcance. Embora as autoridades do Ministério da Defesa afirmem que o objetivo desses mísseis não seria ter capacidade de ataque inicial contra bases de mísseis inimigas, seu alcance é de até 900 quilômetros.

Destróier porta-helicópteros Izumo

FONTE: The Asahi Shimbun

66 COMMENTS

  1. Comenta-se em Israel que o sistema de defesa contra mísseis e foguetes foram adquiridos por S Korea e Japão, esse é um ótimo caminho.

  2. Isso não vai acontecer.

    O Japão é um país ocupado militarmente pelos USA.

    A China vai pressionar Trump e ele cederá.

    Se Trump deixar isso a China abre a fronteira de novo pro Kim e lá se vai o embargo.

    Esses japas são quase PROPRIEDADE dos americanos. Os americanos mandam neles.

  3. “Carlos A Soares 27 de dezembro de 2017 at 14:12
    Dois CIWS Phalanx na popa, coisa de patrão.”

    E um na proa. Mesma configuração do Ocean.

  4. Bom, vamos lá.

    Esse é o famigerado artigo da Constituição do Japão (fonte: http://www.br.emb-japan.go.jp/cultura/constituicao.html)

    Artigo 9. Aspirando sinceramente a paz mundial baseada na justiça e ordem, o povo japonês renuncia para sempre o uso da guerra como direito soberano da nação ou a ameaça e uso da força como meio de se resolver disputas internacionais.
    Com a finalidade de cumprir o objetivo do parágrafo anterior, as forças do exército, marinha e aeronáutica, como qualquer outra força potencial de guerra, jamais será mantida. O direito a beligerância do Estado não será reconhecido.

    Atualmente, há uma interpretação que entende que as forças armadas são somente para autodefesa.

    Até aí, tudo certo.

    Contudo, é simplesmente possível interpretar que a transformação do Izumo e do Kaga em porta-aviões como um incremento nas forças de autodefesa – medida necessária, afinal, para fazer frente aos vizinhos.

    Por outro lado, as características destes possíveis porta-aviões não necessariamente os tornam arma de ataque, já que terão um pequeno contingente de aeronaves.

  5. Você está errado…o Japão já encomendou 42 F-35A dos EUA…encomendar alguns poucos “Bs”
    não fará muita diferença.
    .
    O Japão é tão “militarmente ocupado” quanto a Espanha que compartilha sua principal base naval com os EUA desde a guerra fria e onde hoje encontram-se baseados 4 “Arleigh Burkes”.
    .
    Mais importante que comprar ou não F-35B…foi a decisão de se aumentar a frota de submarinos …dos tradicionais 16 + 2 exclusivos para treinamento, para 18 ou 20 além de
    2 para treinamento e aumentar o número de navios equipados com “AEGIS”…dos 6 atuais
    para 8.
    .
    O Japão tornou-se um aliado dos EUA…assim como a Austrália onde ocorre um entra e sai de
    plataformas militares dos EUA e permanecem cerca de 2000 fuzileiros navais sob rodízio.

  6. Eles vao usar mais eufemismos, como esse de chamar esse porta heli, de destróier.

    Daqui ha pouco compram uns Sub Nucs classe Ohio e vão chamar de “submersível de defesa e exploração do átomo”

    Por mim, cut the bullshit e dê nome aos bois

  7. pois é, o Japão esta no caminho certo. Penso que o Brasil poderia sim, em um prazo de 5 anos após a incorporação do OCEAN operar alguns F35B, tipo uma ala de 8 a 10 aeronaves, nada demais… se o Brasil vai desativar o SAMPA deve colocar algo no mesmo nível no lugar, um porta seahawk não é o mesmo de um porta F35B, até um leigo sabe disso, más deve vir algum “ixpechialixta” na sequencia dizer que não vale a pena ou ideia de maluco… enfim, o Japão sabe o que faz quem dera o Brasil poder demostrar o mesmo.

  8. diego…
    .
    o problema é que o “São Paulo” nunca operou mais que 6 desatualizados A-4s…nem mesmo modernizados haviam sido, então para se querer algo no mesmo nível não poderia ser
    8 a 10 F-35B…o que exigiria aeronaves extras para treinamento e substituição das que
    eventualmente encontram-se em manutenção…e um importante detalhe…um único F-35B
    custa o que vai custar o HMS Ocean para o Brasil… imagine um mínimo de 12 deles ?

  9. Dalton. Morei vários anos no Japão e não dá para comparar as bases americanas na Espanha com aquelas que existem no Japão. Lá no Japão existem bases aéreas enormes e os aviões militares americanos possuem total liberdade de espaço aéreo. Os casos de conflitos entre os militares a população japonesa em Okinawa são frequentes.

  10. Dalton 27 de dezembro de 2017 at 16:26

    Se defender custa caro, acredito que vc sabe disso… agora quer economizar então vamos voltar a ser indios, derrete tudo que é de aço e faz arco e flecha.

    Uma ala de 10 F35b vai custar mais que o próprio barco?? é obvio que vai, o mesmo caso do IZUMO ou estou equivocado?? agora levar levar defesa a serio e de brincadeira tbm tem suas diferenças…

    • Uma ala de 10 F35b vai custar mais que o próprio barco?? é obvio que vai, o mesmo caso do IZUMO ou estou equivocado?”

      Está equivocado.

  11. Camargo…
    .
    a propósito também sou um “nipófilo” e estou bem a par das bases americanas no Japão…mas…veja que mesmo com a guerra fria correndo solta principalmente no Atlântico Norte e Mediterrâneo o Pacífico foi e é fonte de muita dor de cabeça, a começar pela guerra da
    Coreia quando os EUA até pediram um envolvimento do Japão e que tecnicamente continua havendo um estado de guerra, a guerra do Vietnã, etc, então, nada mais coerente que
    transferir para o Japão o que hoje estaria em Pearl Harbor.
    .
    A quantidade de meios americanos no Japão está diretamente relacionado ao grau de ameaça
    percebida e para os japoneses acabou sendo muito conveniente ter essa proteção enquanto a nação e seu povo tratavam de reconstruir o país.
    .
    abs

  12. diego…
    .
    não dá para comparar o orçamento militar do Japão com o do Brasil nem agora nem dentro dos 5 anos que você citou.
    .
    Nem mesmo entrei na questão das modificações que seriam necessárias para permitir o “Ocean” operar com o F-35B…não apenas decolar e pousar e sim operar de forma permanente.

  13. Antes de tudo, devemos lembrar que o OCEAN NÃO OPERA O F-35. rs
    Mas enfim, as modificações no IZUMO são mil vezes mais fáceis que no Ocean para operar o F-35B, claro que o desenho do IZUMO talvez já tivesse essa opção de adaptação no futuro, afinal os Japas são extremamente organizados. Talvez, apenas duas grandes modificações seriam necessárias para a operação com segurança do F-35, pois ao que parece, todo o resto já é apto para recebe-lo.

  14. Olá Colegas. O orçamento militar do Japão foi de US$ 46 bilhões em 2016 (0.93% do PIB, ou US$ 360 por habitante), enquanto que o do Brasil foi de cerca de US$ 22 bilhões (1,4% do PIB ou 106 dólares por habitante). Ou seja, mais ou menos o dobro.

  15. Olá Dalton. Também vejo do mesmo modo, inclusive as bases dos EUA no Japão também serviram e servem para conter a “ameaça” vermelha. Se no oriente médio e Magreb, os EUA fizeram o cinturão verde (islãmico) para conter a URSS, no sudeste asiático eles fizeram o cinturão amarelo (Japão e Coreia do Sul, já que eles perderam a Coreia do Norte e o Vietnâ).

  16. “Se a modificação do Izumo ocorrer ela vai abrir caminho para a construção de um navio(s) mais apropriado para o F-35B…” Capitão Óbvio!
    Os americanos não podem mais se dar ao luxo de tratar o Japão como um gigantesco feudo de Satsuma. Coisa que o Japão foi até 1945…A China e o Nhonho atômico tornaram este artigo da constituição obsoleto (olha o Capitão aí de novo). São coisas que acontecem…

  17. Camargo…
    .
    tão importante quanto o valor total do orçamento é o quanto é aplicado em cada área, como
    pessoal, compra de armas, pesquisa, moradia, saúde…não tenho esses dados, mas, presumo que haja uma diferença aí também…na forma como se gasta…e não se deve esquecer que
    devido à uma forte aliança militar com os EUA, há obrigações, mas, também direitos e isso
    pode incluir cobertura em áreas digamos mais “fracas” do setor de defesa japonês e certas
    facilidades para se adquirir equipamento e treinamento e isso provavelmente torna a
    diferença entre o orçamento japonês e brasileiro maior ainda.

  18. Sei que muitos não gostam da idéia, mas se for para operar F35 ou qualquer outra aeronave de asas fixas, o caminho mais barato seria mandar reformar nosso Nae São Paulo na China. Por pouco mais de 70% do orçamento que temos para reformar-mos aqui, os chineses deixam ele na ponta dos cascos, com capacidade para operar por mais uns vinte anos e com financiamento de no mínimo dez anos.
    Esse navio poderia ter uns vinte e quatro caças a bordo, mais helicópteros e outras aeronaves. Eles sabem fazer isso com um custo baixo e ótima qualidade.

  19. burusera…
    .
    o Japão é um país rico…mas…há limites para o que eles podem conseguir…veja grandes nações de outrora como o Reino Unido por exemplo…veja o que era a Royal Navy em 1945 e o que é hoje.
    .
    Hoje a “marinha japonesa” é maior que a Royal Navy…mas…isso se deve em grande parte da marinha japonesa não operar 4 grandes submarinos “estratégicos” e sete outros de ataque
    todos de propulsão nuclear.
    .
    Cada submarino de ataque da Royal Navy custa aproximadamente 3 dos submarinos convencionais japoneses e os “estratégicos” custam bem mais que um de “ataque” então
    não se pode querer muito do Japão em termos militares…não se trata dos EUA deixarem ou não…e sim que há limites.
    .
    Muita gente se lembra da marinha imperial japonesa de 1941…ela era até maior que a Frota americana do Pacífico, mas, é preciso levar em conta que os EUA já haviam iniciado um
    programa de construção que empalidecia completamente o que o Japão estava construindo
    e as coisas não mudaram muito.

  20. Mario…
    .
    isso é apenas um “desejo” seu…os chineses pegaram um casco inacabado portanto novo e
    o completaram o que exigiu muito deles e isso que não tiveram que lidar com catapultas.
    .
    O “São Paulo” já completou 54 anos…o casco pode estar até em bom estado…mas…certamente há limites…não seria assim tão fácil para os chineses.
    .
    Os próprios americanos se surpreenderam com a última manutenção do USS Enterprise em
    2008, quando o navio contava com 47 anos…acabou levando muito mais tempo e custou muito mais…isso que o navio foi construído por eles inclusive no mesmo local onde a manutenção ocorreu para que o navio durasse alguns poucos anos mais.
    .
    Não há dinheiro agora para aventuras muito menos querer 24 caças a bordo de um NAe…nem mesmo os 12 A-4s a serem modernizados, adquiridos em 1997, já foram todos entregues…
    pelas minhas contas, apenas 3…e um deles perdeu-se em trágico acidente.
    .
    abs

  21. Olá Dalton. Você tem razão sobre todos estes detalhes e teríamos que abrir os orçamentos para preparar uma análise mais elaborada. Uma vez eu li um relatório sobre as forças armadas japonesas e eles estimava que se eles decidissem em manter uma força nuclear de dissuasão (similar á francesa ou inglesa), isso consumiria cerca de 50% do orçamento militar. MAnter essa força nuclear em prontidão significa manter submarinos, aviões e mísseis completamente operacionais, além de uma estrutura de manutenção/emergência nuclear extremamente cara. O custo de manter uma estrutura nuclear é dezenas de vezes mais cara do que fabricar as bombas (que são muito caras também). De qualquer modo, 46 billhões de dólares por ano é muito dinheiro. Basta lembrar que o orçamento do Chile ou da Argentina é de cerca de US$ 6 bilhões por ano (lembrando que o nosso é de 22 bilhões, o que também é muito dinheiro).

  22. Olha aí, abre o olho Brasil, manda o são Paulo para a China or manda o ocean para modificar, quem sabe umas 8 aeronaves com capacidades vtol seja interessante.

  23. Pois é Camargo…e olha que no caso britânico eles abriram mão de todo seu arsenal nuclear
    bombas de queda livre e cargas de profundidade mantendo apenas ogivas atômicas que eles instalam no mísseis americanos “Trident” que ficam estocados em King´s Bay na Georgia EUA…o submarino vai até lá, embarca os mísseis retorna à Escócia onde as ogivas são instaladas e depois da patrulha precisa devolver os mísseis um “trabalhão” mas sai mais em conta do que manter mísseis próprios.

  24. Olá Dalton. Uma coisa legal do orçamento japonês é como eles envolvem toda a industria local. No caso da marinha, eles usam os estaleiros japoneses (visitei o da Mitsubishi em Nagasaki). Os helicopteros e caças são todos fabricados sob licença no Japão e modificados para incorporar conteúdo local. Claro que tudo fica mais caro. Basta lembrar do F16 (Mitsubishi F-2) que ficou maior e bem mais caro, mas com isso eles mantém a industria de defesa funcionando sem depender de escala para exportação que é proibido. Acredito que modelo industrial-militar japonês seria muito bom para ser aplicado no Brasil.

  25. Dalton,
    discordo de você e concordo com sub-urbano.
    O Japão jamais poderá ser comparado com aliados tradicionais americanos.
    Ao fim da guerra eles se renderam incondicionalmente e por muito pouco o imperador
    deles não foi condenado à morte. Eu também os considero como um protetorado
    americano. Nada mais aconteceu depois da guerra, senão o fato da elite japonesa ter
    se acomodado e de eles terem se tornado bem sucedidos economicamente. Quem garante
    a segurança do Japão é, em primeira instância, os americanos que ainda baseiam milhares
    de soldados lá dentro, com toda a imunidade característica de um país invasor.

  26. Off nem tão off assim:

    Solução para o baixo orçamento brasileiro em Defesa:

    1. Duas bases navais americanas: uma no Nordeste com estaleiro e outra no Sul ou Sudeste

    2. Base dos Marines em São Paulo, Amazonas e Mato Grosso do Sul

    3. Bases do Exército Americano em Roraima, Amazonas, Acre, Rondônia, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul

    4. Base da Força Aérea Americana, pelo menos duas uma no Nordeste e uma no Norte

    Falei besteira? 😀

  27. Olhando de fora acho que o Shinzo Abe está sendo um primeiro ministro. Já passou da hora do Japão rever estes artigos de sua constituição, ainda mais com a China construindo bases em atols (é assim o plural de atol?) e olhas artificiais. Sem falar no gordinho fogueteiro.

    O medo do ocidente é que o Japão entre no mercado mundial de armas.

  28. Também penso que o modelo industrial-militar japonês seria muito bom para ser aplicado no Brasil, com parceria com os americanos, e a função de ser o irmão menor, com responsabilidades na América do Sul e África Subsaariana.

  29. Caro Ten Murphy. Em minha opinião, foi uma grande besteira. Não precisamos de bases militares dos EUA. Estes militares estarão protegendo os interesses dos EUA não do Brasil. Aliás, considerando nosso nível de ameaças, não precisamos de forças armadas maiores do que as atuais. Talvez o melhor sejam até forças menores. O que é preciso é manter um nível constante de investimento em equipamento preferencialmente nacional. O Brasil e a Austrália possuem os maiores orçamentos militares do hemisfério sul, que são maiores do que o do Canadá ou Espanha, por exemplo. Quando mencionei o modelo industrial-militar do Japão quis dizer que os equipamentos devem ser produzidos localmente, mesmo que seja mais caro do que comprar diretamente de um fabricante estrangeiro. Com exceção das recentes compras de oportunidade para a MB (Classe Amazonas, G40 Bahia e agora o Ocean), é o que temos feito. Os Guarani´s do EB são produzidos aqui, o F39 será fabricado aqui, as CCT serão frabricadas aqui, os submarinos serão fabricados aqui, o KC390 (espero que não vendam a Embraer para a Boeing) também é nacional. Os helicopteros são feitos pela Helibras. Nossos interesses só serão defendidos por nossas forças armadas.

  30. Caro Qbavida. O Japão não é um protetorado dos EUA (talvez Porto Rico seja). O fato dos EUA manterem tropas no Japão não é para protege-lo, mas sim garantir os interesses dos EUA contra a Russia (antes era a URSS) e contra a China. A população japonesa não confia nas tropas americanas, sejam os nacionalistas de extrema-direita ou os socialistas de esquerda (sim, existem muitos socialistas no Japão).

  31. “Também penso que o modelo industrial-militar japonês seria muito bom para ser aplicado no Brasil”

    Só tem um grande problema… o Brasil não possui nem de perto empresas de tecnologia que nem o Japão que tem empresas gigantes como Kawasaki, Mitsubishi, Subaru (Fuji Heavy Industries), panasonic, etc. Essas empresas grandes conhecidas do Japão que fazem parte desse modelo industrial-militar japonês, no Brasil teria o que de empresa de tecnologia de porte? A Embraer e olhe lá! ou então arrumam um jeito de colocar uma empresa que não tem muita coisa a ver e regada a corrupção e trambiques com politicos como a friboi e a odebretch no setor militar…

  32. camargoer – O Japão só pode se dar ao luxo de ter essa constituição pacifistas por causa da base dos EUA, os que querem manter a constituição pacifista e tirar a base dos EUA na verdade querem cometer suicidio. O Japão ficaria totalmente a merce das intimidações da China, coréia do norte e até da Rússia, fariam o que quisessem com o Japão.

  33. Entendi, camargoer. Você tem razão. Como país pacífico e sem inimigos, devemos nos pautar não por ameaças em potencial mas sim por capacidades. Capacidade tecnológica e capacidade industrial mínima através de recursos para pesquisa e desenvolvimento e produção regular de equipamentos militares. Uma força exígua de pronta resposta, uma reserva bem adestrada e uma força grande peneirando as fronteiras contra tráfico e contrabando, seja militar ou uma guarda nacional.

    Entrando no modo viagem: O que eu não entendo é o motivo de se manter forças armadas, como você disse, uma pequena força seria o suficiente por aqui. Na minha opinião de leigo se é para manter forças armadas, tem de ter tudo que se tem direito: programa espacial completo, cibernético completo, defesa anti-mísseis e tríade nuclear, além de forças regulares no mínimo a metade das americanas. O motivo disso é exatamente porque outros Estados atuarem no seu próprio interesse, e as constantes invasões americanas pelo mundo serem testemunhas disso.

    Se bem que no Brasil a atuação de uma potência seria similar a que ocorre na Síria. Mas tenho a mesma opinião do 9 dedos: ou todos abdicam das nucleares ou todos tem o direito de as possuir.

    Saindo do modo viagem: como preparador e sobrevivencialista acredito que as forças armadas deveriam ter um programa nacional de defesa civil e por causa disso, ter sua própria economia completa, seu próprio setor primário e secundário, cobrindo seus próprios custos, e o excesso de produção (cobrindo as necessidades das forças e defesa civil) sendo vendido a custos menores para a população. O lucro cobriria o orçamento federal da defesa e os preços baixos forçariam as empresas a assumir lucros menores, uma vez que é notório que os preços altos vão além dos impostos e custos de produção maiores do Brasil e entram em lucros maiores proporcionalmente a outros países. Tem algum sentido o que eu falei ou é mais besteira? Pode me corrigir por gentileza. Mas se não estiver tão longe do ideal isso seria juridicamente possível? Uma ideologia de preppers e survivalist aplicados as forças armadas como política de Estado para toda a nação?

    Vlw, abraços.

  34. Caro Smoking, A constituição do Japão foi promulgada em novembro de 1946, sob a ocupação americana. Ela é uma consequência da ocupação dos EUA, portanto não é um luxo e até poderia questiona se foi uma decisão soberana, mas o Japão havia assinado a rendição incondicional, portanto ela é legal e até moralmente correta. Mesmo assim, é um texto muito bom. Sendo um nipófilo assumido, minha opinião sempre terá um viés favorável ao Japão (riso). Tem uma séria animada sensacional sobre um destroyer da marinha japonesa com sistema Aegis que volta ao passado e passa a lutar contra as forças americanas… muito legal. Ela representa bem o sentimento geral de que mesmo renunciando à guerra, a autodefesa do Japão cabe à tropas japonesas. As tropas dos EUA no Japão estão lá pelo interesse dos EUA, não do Japão. Abaixo o link para a tradução da constituição japonesa no site da embaixada japonesa.
    http://www.br.emb-japan.go.jp/cultura/constituicao.html

  35. Caro Ten.Murphy. Eu entendo que nossa prioridade como sociedade é o bem estar geral e a garantia da liberdade individual. Neste contexto, o estado de direito e o regime democrático são as melhores ferramentas. Portanto, ao invés de uma doutrina de segurança nacional, onde todos os esforços seriam para assegurar a existência do Estado, penso em um doutrina humanista na qual o Estado existe para assegurar a liberdades individuais. Neste contexto, as forças armadas existem para gerar uma capacidade mínima de dissuasão contra a interferência externa contrária aos nossos interesses. Existe uma dissertaçao de mestrado “UMA ANÁLISE DO POTENCIAL DISSUASÓRIO DO SUBMARINO DE PROPULSÃO NUCLEAR BRASILEIRO” (que dá para baixa pelo google) que discute de modo bem legal como poderíamos avaliar as nossas forças armadas em cenários de conflito. As forças armadas (e o Estado) não podem ser um fim em si mesmo.

  36. camargoer – O Japão não tem nenhum amigos na região, pelo contrário, é claro que a base e a parceria com os EUA é de total interesse do Japão também. E a maioria do povo lá gosta da constituição pacifista, a dificuldade de mudar a constituição seria por causa da própria sociedade e políticos e não pelos EUA, o Trump já chegou até a defender que o Japão tivesse armas nucleares…

  37. Carmagoer, me referi ao Japão como um “protetorado” de forma figurada, apenas para expor que eles não mudaram de forma prática sua condição desde o fim da segunda guerra. E quando vc diz que os EU estao lá por interesses próprios me deixa claro que o Japão não pode, mesmo que queira, se defender sozinho. Se autodefender soa como uma piada. A velha anedota do perdedor imposta pelos americanos após ter sido esmagado por duas bombas atômicas. Mas reforço, admiro muito a cultura e o povo japonês e torço para que eles voltem a ser um país realmente soberano um dia.

  38. Caro Smoking. A impressão que tive durante os anos que morei no Japão é que a população apoia a constituição, mas a participação política da população é menor do que a que ocorre no Brasil. Como mencionei, existe uma minoria de extrema-direita nacionalista bastante barulhenta mas o setor contrário ás armar nucleares e mesmo à presença militar dos EUA é muito maior e mais organizada. Eu lembro de um prefeito de Tokyo (que teria um status de governador aqui no Brasil dada a importância da capital) tinha um discurso meio xenofóbico mas era muito criticado nos jornais e na TV tanto que sumiu. Nunca mais ouvi falar dele. Sobre mudar a constituição, acho improvável porque mesmo tendo sido promulgada durante a ocupação dos EUA, ela é muito boa e sua argumentação pacifista permeia toda a sociedade atual. A lembrança da guerra é muito forte lá. O que lembro é uma economia regional (entre os países da região) bem intensa e complementar.

  39. SmokingSnake, de certa forma Trump realmente parece querer isso: que os EU recuem para as fronteiras que eles possuíam antes da segunda guerra. Repito, na minha opinião, a parceria com os EU é de interesse da elite japonesa, mas uma vergonha para o povo em geral. Agora, o desejo de Trump não é compartilhado pelos estrategistas americanos. Ia deixar a China, Rússia e Japão se fortalecerem ao ponto de entrar num equilíbrio duvidoso para os próprios americanos no futuro. Acho que seria algo “divertido” de se ver e estudar. Deixaria o mundo mais interessante, mesmo rindo aqui comigo da reviravolta que isso representaria para um Japão, como você mesmo disse, odiado por todos os seus vizinhos.

  40. Olá Qboavida. De fato, não imagino os EUA tirando as tropas do Japão nos próximos 50 anos, ou mais. Há uma forte pressão da população de Okinawa, por exemplo, para fechar ou reduzir a base militar dos EUA lá, mas é ignorada. As forças armadas japonesas são bem preparadas, treinadas e equipadas, mas a presença militar dos EUA lá é pesada. De qualquer modo, é um país sensacional e um povo fantástico.

  41. Olá Qboavida. Essa visão que o Japão é odiado pelos vizinhos é equivocada. As relações entre os países ainda é pautada pela tragédia que foi a II Guerra, mas a relação entre os povos é muito pacífica. Há um forte intercâmbio de estudantes e um comércio muito intenso. Creio que seja mais provável os japoneses criticarem Trump do que Jinping (riso). Creio até que o comércio Japão-China seja mais intenso que o Japão-EUA. Além disso, há uma forte presença de empresas japonesas em todos os vizinhos, como Vietnã, Coréia e Tailândia.

  42. Olá Colegas. Para não deixar dúvidas, o Japão exporta para os EUA US$ 130 bilhões e para a China US$ 113 bilhões (depois vem Coreia US$ 46 bilhões), mas importa da China US$ 129 bilhões e dos EUA US$ 63 bilhões (depois Coréia US$ 24 bilhões). Para comparar, eles exportam para o Brasil apenas US$ 3 bilhões e importam de nós US$ 7 bilhões.

  43. camargoer 27 de dezembro de 2017 at 16:32
    Dalton 27 de dezembro de 2017 at 16:41
    .
    Camargoer e Dalton, falando em base, olhem esse monstro de base americana na Coreia do Sul:

  44. qboavida,

    Os alemães também se renderam incondicionalmente, e nem por isso deixam de ter autonomia nas decisões hoje… Aliás, não a toa se constituem no motor da atual Europa e liderança européia incondicional…

    Os japoneses tem sim independência em suas ações… Prova disso é a independência de sua industria e a forma como lidam em sua política interna. Os americanos normalmente não interferem nos assuntos japoneses.

    Evidente que a presença americana é um elemento de dissuasão frente a qualquer “estripulia” japonesa. Mas isso curiosamente funciona para os dois lados… Os japoneses também utilizam essa “proteção” a ser favor, como no caso das Ilhas Senkaku.

    Enfim, simplesmente não é possível manter um povo de mais de 120 milhões em uma mordaça. No mais, acompanho o ‘Camargoer’.

  45. camargoer 27 de dezembro de 2017 at 23:53

    Ressentimento e ódio são sentimentos diferentes, são graduações na mesma direção e sentido.

  46. Interessante ler a constituição do Japão.

    Já no início ela mostra a influência americana, começando com “nós, o povo…”

    A título de comparação, a brasileira começa com “nós, representantes do povo…”

  47. Desde quando se iniciou a construção deste “destroier” se sabia que ele teria capacidade de operar aviões VTOL, ou seja, hoje só estão o óbvio.

  48. Recentemente o Japão votou contra a decisão do Presidente Trump de Jerusalém tornar-se a
    capital de Israel…nem mesmo se abstiveram…votaram contra e pronto…acho que isso também é uma demonstração de que japoneses pensam por si próprios.
    .
    Quanto às reclamações de cidadãos japoneses da presença de militares americanos em solo japonês…especialmente Okinawa…há locais onde praticamente não há reclamações como Yokosuka, lar do USS Ronald Reagan e Sasebo, futuro lar do USS Wasp e parte dos fuzileiros navais baseados em Okinawa deverão deixar a ilha dentro de alguns anos com destino a Guam satisfazendo ao menos em parte os anseios da população.
    .
    O irônico é que as recentes atitudes chinesas e norte coreanas não favorecem a redução muito menos saída dos militares americanos do Japão e também pouco se comenta sobre o comprometimento do governo dos EUA com outras nações do continente asiático e uma prova desse comprometimento é a presença no Japão e também à ajuda humanitária prestada o
    que não tem sido pouca coisa.
    .
    No mais há um ditado muito significativo…” Amigos, amigos … negócios à parte” … que os negócios entre Japão e China vão de vento em popa é inegável, mas, não significa que não haja um forte sentimento anti japonês na China…não morei no Japão como o Camargo, mas, durante anos tive um bom relacionamento com nisseis que moraram no Japão e me contaram uma outra versão e eventualmente vejo em noticiários, fortes manifestações anti japonesas na China…não dá para generalizar…mas não dá para dizer que tudo são mil maravilhas.
    .

  49. Caro Fábio. Não é como você diz. O Gov. Japonês paga cerca de US$ 2 bilhões de dólares por ano ao EUA pela sua presença militar (mais ou menos o que o nosso MinD gasta por ano em investimento, incluindo Gripen, KC390, ProSub, etc). Não sei se isso entra no orçamento militar do Japão ou não, mas representaria 5% do orçamento (de cerca de US$ 46 bilhões). Pesquisei rapidamente o relatório do orçamento militar japonês de 2017 e eles empenham aproximadamente 44% em salário e aposentadorias. Para comparação, eles gastam cerca de 1,5 bilhão de dólares em P&D e 8 bilhões Outro ponto interessante é que as forças armadas tem um orçamento para novos equipamentos da ordem de 8 bilhões de dólares (4 vezes mais que nós).

    Encontrei um link discutindo as razões favoráveis e desfavoráveis em manter tropas dos EUA no Japão. É interessante notar que praticamente as razões favoráveis estão relacionadas à geopolítica dos EUA e não do Japão (por exemplo os problemas com a Coreia do Norte, China e Rússia).

    http://debatewise.org/debates/1929-does-japan-need-us-military-bases/

    deixo um link de uma reportagem da Time sobre os problemas.
    http://time.com/4360940/us-military-navy-japan-okinawa-alcohol-bases/
    relatório do orçamento
    http://www.mod.go.jp/e/d_budget/pdf/290328.pdf

  50. O Japão tem Rússia, China e Coréia do Norte ali do lado. Tem inimigo de sobra e pode se permitir ter armas de dissuasão para projetar poder. E porta-aviões faz parte desse conceito de projetar poder.
    Mas o Brasil precisa de porta-aviões para que? Projetar poder onde? Na África, na Argentina, na Guiana, no Suriname?
    Temos espaço suficiente para ter bases aero-navais que projetem poder de destruição até praticamente o meio do Atlântico. Porta-aviões é arma ultrapassada que só confere vantagem a uma super-hiper esquadra de longo alcance. Não temos alcance nem grandeza para isso.
    Não precisamos torrar dinheiro nesse traste apenas para brincar de marinheiro e trocar figurinhas. Submarinos sempre serão a arma mais indicada para o Brasil, em termos navais.

  51. “Porta-Aviões Defensivo”??????? Será que pode-se também chamar também um míssil balístico intercontinental de míssil defensivo ??????????????????

  52. O Japão tem estocado 50 toneladas de plutônio, que pode produzir aprox. 6.000 bombas nucleares.
    Ai não tem China, Russia, Coreia do Norte etc. Os japoneses tem estrutura industrial tecnológico (
    eletrônica militar, fabril,) dinheiro suficiente ( maior credor mundial), para produzir os artefatos em pouco tempo. Essa de fabricar porta-avioes, porta-helicopteros, etc é tão irrisório para os japoneses.
    O que mantém o seu pacifismo ainda é a constituição, caso contrário, será o início da alteração do
    equilibrio militar-nuclear no mundo !

  53. Olá Marciano, na pág.33 do relatório é possível encontrar a seguinte informação sobre o plutônio japonês:
    (pag.33) According to its INFCIRC/549 report for the end of 2014, Japan had 10.8 tons of plutonium
    in country and 37 tons of plutonium outside its territory.123 Of these 37 tons of separated plutonium, 16.3 tons was in France and 20.7 tons was in the United Kingdom.

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