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Novo cronograma de entrega dos submarinos S-80 da Armada Espanhola

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Concepção do submarino S-80

A Armada Espanhola diz que espera ter seu primeiro dos quatro submarinos S-80 entregue até 2021 e que o preço final para os submarinos será substancialmente superior a 3 bilhões de euros (US$ 3,6 bilhões).

Encomendada por US$ 2,13 bilhões em 2004 para substituir os velhos submarinos classe Daphné dos anos 1970, a classe S80 foi assediada por uma série de problemas de produção nos últimos anos, que envolveram o alongamento de seus cascos e um redesenho contínuo da propulsão independente do ar (AIP).

Histórico do Programa

Na década de 1980, a França iniciou estudos para a substituição de seus submarinos diesel-elétricos classe Daphné. O estaleiro francês na época DCNI (mais tarde DCNS e depois Naval Group) apresentou um design totalmente novo chamado S-80, com um casco em formato de gota de lágrima (“teardrop”) e novas armas e sensores, que o governo francês decidiu não financiar.

O DCNI então propôs uma opção mais barata chamada S-90B, um submarino classe Agosta com melhorias limitadas que foi novamente rejeitado pelos franceses, mas que foi exportado para o Paquistão. Enquanto isso, a Espanha enfrentou o mesmo problema na substituição de seus Daphnés, conhecidos como classe Delfín no serviço espanhol, como parte do Plano ALTAMAR. O estaleiro Bazán (mais tarde Izar e depois Navantia) iniciou um novo projeto, mas quando conheceu o S-80, concordou em colaborar em uma joint venture com base no S-80 francês. Este design conjunto foi mostrado na exposição Le Bourget Navale em outubro de 1990.

O fim da Guerra Fria significou o fim do financiamento e a joint venture teve que esperar até 1997 para a sua primeira venda – para o Chile – do novo design, designado classe Scorpene nos mercados de exportação. No mesmo ano, a Espanha começou a olhar novamente para seus requisitos e, em 1998, indicou que compraria quatro Scorpenes, opcionalmente com um sistema de propulsão independente do ar (AIP) para maior autonomia quando submerso. Um requisito de tripulação para a variante S-80 Scorpene foi concluído em outubro de 2001. Mas isso foi logo superado pelos eventos, já que a Armada Espanhola ficou mais interessada em usar submarinos para projeção de poder do que em um papel mais estático e defensivo.

Submarino classe Scorpene

Esta mudança foi codificada na orientação de janeiro de 2002 do Chefe de Operações Navais e na revisão de defesa estratégica de fevereiro de 2003. O novo requisito exigia um submarino maior com mísseis de capacidade de ataque terrestre, que se tornou conhecido como o design S-80A. Este era um submarino AIP com um diâmetro de casco de 7,3 metros (24 pés) em comparação com 6,2 metros (20 pés) da família Scorpene, um deslocamento submerso de cerca de 2.400 toneladas versus 1.740 toneladas, superfícies de leme maiores e uma posição de lemes diferente.

O governo espanhol aprovou a compra de quatro submarinos S-80A em setembro de 2003 e assinou um contrato com o Izar em 24 de março de 2004.  O acordo original foi de 1,756 bilhão de euros para projetar e construir quatro submarinos, cerca de US$ 550 milhões por unidade, mas em 2010, o custo aumentou para € 2,212 bilhões (US$ 700m por submarino).

O plano previa a primeira unidade a ser entregue em 2011, mas o governo discordando sobre quem deveria fornecer o sistema de combate empurrou o cronograma para 2013. Em 2011, a crise orçamental da Espanha atrasou ainda a primeira entrega até 2015, com os submarinos restantes sendo entregues a intervalos de um ano até 2018.

A construção do S-81 começou em 13 de dezembro de 2007. Em janeiro de 2012, os nomes foram anunciados, homenageando três engenheiros que fizeram submarinos e o primeiro comandante da força submarina espanhola, respectivamente — Isaac Peral (S-81), Narciso Monturiol (S-82), Cosme García (S-83) e Mateo García de los Reyes (S-84).

Seção do submarino S-80 mostrando parte do motor elétrico

Em maio de 2013, a Navantia anunciou que foi identificada uma séria falha de design de desequilíbrio de peso que atrasararia a entrega do primeiro submarino para a Marinha Espanhola até 2017. O excesso de peso de 75 – 100 toneladas foi adicionado ao submarino durante a construção e o projeto original não era capaz de emergir após o mergulho.

Um ex-funcionário espanhol diz que o problema pode ser atribuído a um erro de cálculo – alguém aparentemente colocou um ponto decimal no lugar errado ou pela adição de novos dispositivos tecnológicos. Alongar o submarino criaria flutuabilidade adicional, embora a um custo de € 7,5 milhões por metro. Com o projeto também sofrendo com um sistema AIP de baixo desempenho (que deveria permitir que o submarino ficasse submerso por 28 dias, mas só está conseguindo 21), o Ministério da Defesa espanhol anunciou em junho de 2013 que a Navantia tinha assinado um contrato com a empresa norte-americana General Dynamics Electric Boat para ajudar a resolver o problema de excesso de peso.

Em setembro de 2014, o excesso de peso detectado foi resolvido e o trabalho de construção está pronto para ser retomado no final de outubro de 2014. Em novembro de 2014, a Navantia relatou novamente ter completado o trabalho de redesenho para resolver o problema do excesso de peso. No total, o casco será alongado em sete metros, e o deslocamento aumentou em 75 toneladas. A data prevista de entrega do primeiro submarino é 2021. Em janeiro de 2017, foi relatado que o sistema AIP não estaria pronto a tempo para a entrega do primeiro submarino.

S-81, primeiro submarino espanhol classe S-80 em construção

21 COMMENTS

  1. Olá. Existe um relatório do TCU com um custo de 10 bilhões de reais pelos nossos 4 Scorpenes (estes valores não incluem nem o estaleiro/base (outros 8 bilhões) nem o submarino nuclear (outros 8 bihões). Esse valor para os SBR também daria cerca de 700 milhoes de dólares por submarino. O que pode ser apenas uma curiosidade, é que os nossos SBR também deslocarão cerca de 2200 ton, semelhante aos submarinos espanhois.

  2. Interessante a importância do projeto.
    Em tese, no projeto são incluídas todas as variáveis.
    Esse excesso de peso impedia o submarino de emergir…
    Já imaginou se descobrissem isso só depois de pronto?
    Alguém colocou uma casa decimal para a esquerda ou direita.
    Essa é boa.
    Existem fórmulas, cálculos, programas de computador que definem os parâmetros.
    Mas se alimentam errado…
    Ah quero adicionar 20 torpedos lá na frente. Em que isso interfere?
    Tem que considerar tudo isso…

  3. A Navantia é controlada pelo Tesouro Nacional Español, portanto Estatal.
    Quem paga a conta é o povo.

    Lá como cá, porém …..

  4. Se os especialistas editores e comentaristas do PN ( Galante, Nunão, XO, CA Luiz Monteiro, Dalton, entre outros ) me permitem gostaria de colocar alguns fatos que leigos como eu normalmente desconhecem. Até assistir um documentário espanhol sobre um grande empresário Horacio Echevarrieta ( este personagem era um republicano, passou a se relacionar c/ o Rei p/ viabilizar seus negócios e quando finalmente foi proclamada a República ele já estava marcado como monarquista, caindo em desgraça ), não sabia que desde a década de 1920 a Espanha já fabricava submarinos sob licença dos ingleses. Graças a este homem, num ambicioso projeto a partir de 1926, chegou a produzir o mais moderno submarino da época ( além de uma fábrica de torpedos ), através de uma ligação dissimulada c/ a Marinha Alemã, que escondia seu rearmamento c/ estaleiros na Holanda. No documentário vemos que logo após o Tratado de Versalhes, portanto muito antes dos nazistas, as forças armadas alemães já buscavam formas de fugir das amarras impostas pelos vencedores da 1ª GM. É uma história muito interessante que envolve o Almirante Canaris ( que depois chefiaria a Abwehr, o serviço secreto alemão ), por exemplo, a criação da Ibéria oriunda da Lufthansa, e por aí vai. O documentário está em espanhol, mas c/ boa vontade dá p/ entender bem e a parte que relato começa por volta dos 18:40 min. e um pouco da história do Canaris 6:20 min.
    https://www.documaniatv.com/historia/el-ultimo-magnate-armas-y-negocios-en-la-europa-entreguerras-video_d42637d02.html

  5. Esse tipo de coisa acontece no mundo todo, o F 35 não me deixa mentir. O porque eu não sei, seja corrupção ou a complexidade da coisa mecanismos precisam ser desenvolvidos para evitar esses absurdos.

  6. Olá Amigos, bom eu acredito que seja esse o motivo pelo qual a MB só aceita no programa tamandaré fora o desenho da própria MB, propostas de belonaves já em uso, isso significa que imprevistos sejam minimizados e com menos risco de extrapolação de valores. programas grandes e audaciosos de armas vem principalmente nas ultimas décadas custando verdadeiros absurdos, e de fato parte disso não se explica pois as dificuldades tecnológicas não justificam 100% da exorbitância dos custos, temos como exemplo iniciativas privadas como da SpaceX que mostrou que da de baratear o desenvolvimento e uso de tecnologias avançadas. resta saber o que é que de fato acontece nesses programas militares.

  7. Gustavo 13 de Fevereiro de 2018 at 10:34
    Dizem que o melhor submarino não nuclear do mundo será australiano, Shortfin Barracuda da francesa Naval Group.

  8. Não dá para construir navios de guerra em menos de 5 anos? Sempre vejo essa média e acho bastante tempo. É questão operacional, necessária, ou com dinheiro seria possível encurtar esse tempo?

  9. Ten Murphy 14 de Fevereiro de 2018 at 0:04
    Acredito que na China, França, Coreia do Sul e nos EUA conseguem fazer em prazos menores, claro dependendo do deslocamento da embarcação.

    O que torna o processo demorado são as burocracias que envolvem a concorrência e assinatura de contratos.

  10. Ivan BC.
    O programa australiano realmente chama atenção… Aparentemente vão adaptar a propulsão convencional no casco e projeto de seu (francês) sub nuclear… Vai dar certo? As capacidades serão ampliadas? Vamos ver…
    O q me chama mais atenção é o valor… Mais de 3 bi por unidade… Ou o triplo do já caro (e grande) S80… Dá pra imaginar coisas…

  11. Tomara que isto não venha a acontecer com os nossos que teve também um alongamento.Sabem que problemas podem acontecer pois não se trata de serie como carros e bens manufaturados.Mas nos testes deste primeiro veremos as provas no mar.Submarinos são armas caras mesmos de obter e de manter mas são muitos valiosos em matéria de defesa.Espero que não parem de construir mais e mais pois o Brasil tem uma costa longa é o submarino é a melhor arma para negação do mar.

  12. Como tudo que sai dos scorpenes, e por eles é afetado, simplesmente não funciona.
    Porém, a espanha que tem forças armadas de respeito, padece do mesmo problema que a marinha brasileira no tocante a submarinos: tem um modelo que nem entregue foi, mas já gastou mais do que a frota toda e destrói implacavelmente a capacidade submarinista da armada.

    Parabéns aos envolvidos!

  13. Acho que o jornalista que assinou a informação desse site deveria pensar e repensar a enorme tolice que escreveu: ” Um ex-funcionário espanhol diz que o problema pode ser atribuído a um erro de cálculo – alguém aparentemente colocou um ponto decimal no lugar errado…”.
    O processo de desenho e cálculo para desenvolver e construir um submarino e infinitamente mais complexo do que esse jornalista possa imaginar, Eu faço projetos estruturais para construção civil e garanto que se comparar com projetos de artefatos anfíbios, os meus são apenas um videogame para criança. É impossível que um projeto desse seja barrado por “um ponto decimal no lugar errado…” Imagino que o ex-funcionário espanhol ainda está rindo, caso de ter lido esta notícia.
    O suposto problemão, foi que engenheiros da Navantia detetaram um possível sobre-peso entre 80 e 90 toneladas de um total de 2.200 toneladas, minha gente é apenas 0,04%, isso ia comprometer o quê?, Aproveitando o anterior foi feito um novo desenho aumentando a eslora ou comprimento em 10 metros e peso total mais 3.000 toneladas melhorando a autonomia de imersão a quase 18 dias submerso por miniaturizar o sistema AIP, produzindo hidrogênio a partir do bioetanol
    Está nas mão de pouco mais de meia dúzia de países no mundo, que dispõem da tecnologia própria para encarar estes desenvolvimentos, sejamos sérios no Brasil estamos ainda fora dessa parada. Precisamos uma suposta “transferência de tecnologia” francesa no nosso submarino nuclear, estão querendo enganar a quem?

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