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Petrobras tenta mudar regra para plataforma

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Plataforma P-51

Estatal negocia revisão do índice de conteúdo local para mais dois projetos no pré-sal

Por Fernanda Nunes / RIO, O Estado de S. Paulo

A Petrobrás pediu ao governo para rever os índices de conteúdo local de mais duas plataformas projetadas para o pré-sal. Se conseguir, poderá construir, provavelmente na Ásia, os cascos das embarcações dos projetos Itapu e Búzios 5. Ao recorrer à discussão direta com o Planalto, a empresa evita que o debate seja estendido ao público, em audiências.

O pedido faz parte das negociações sobre a revisão do acordo de cessão onerosa que a empresa mantém com os ministérios de Minas e Energia e Fazenda. Por esse acordo, fechado em 2010, a Petrobrás recebeu o direito de explorar, sem licitação, 5 bilhões de barris de petróleo no pré-sal da Bacia de Santos. Em troca, o governo recebe parte do óleo produzido.

“O contrato de cessão onerosa contém previsão de revisão de determinados itens, entre estes os índices de conteúdo local. Deste modo, este tema está entre aqueles a serem negociados pelas respectivas comissões de negociação, já constituídas pela Petrobrás e pelo governo”, informou a estatal.

A empresa já pediu a revisão dos compromissos de aquisição local de duas embarcações – para as áreas de Libra e Sépia, no pré-sal. Para rever o acordo de Libra, recorreu à Agência Nacional do Petróleo (ANP). O aval demorou mais de um ano para sair, mas permitiu que a empresa fizesse licitação internacional, vencida pela Modec.

Para Sépia, a Petrobrás buscou outro caminho, que não passa pela ANP e, por isso, não depende da realização de consulta e audiência públicas. A empresa foi direto ao Planalto e incluiu a revisão do conteúdo local como parte das negociações do contrato da cessão onerosa.

Agora, a estatal faz o mesmo com Itapu e Búzios 5, que devem ter os contratos de licitação de afretamento fechados neste e no próximo ano. A estatal receberá as propostas dos fornecedores para a concorrência da plataforma de Búzios 5 em 26 de fevereiro e a expectativa é de que a licitação de Itapu aconteça em 2019, segundo a agência de informação no setor de petróleo E&P Brasil.

A cessão onerosa foi idealizada em um momento de euforia com o pré-sal e com a sua capacidade de impulsionar a indústria nacional. Por isso, prevê índices de aquisição interna que são de 100% para alguns itens. Para a construção dos cascos das plataformas, a exigência de aquisição local é de 70%, o que, na prática, limita a contratação aos estaleiros nacionais.

A Petrobras alega, porém, que o preço no Brasil é 40% mais alto do que no exterior e se nega a seguir o que foi firmado em 2010. Os empresários brasileiros, por seu turno, acusam a estatal de negar a eles o direito de participar das concorrências.

FONTE: Estadão

36 COMMENTS

  1. Mais uma prova de que está tudo errado…
    Nem uma estatal quer comprar conteúdo nacional.
    Os impostos que o Estado cobra inviabilizam as compras do próprio estado.

  2. uioehaoiaeioaehoieahioehaoiaehoiaheioheioeaae

    Tipo, vc é obrigado a comprar minha gasolina cara.
    Mas eu não quero comprar navio caro aqui.

    Se fosse um filme diriam que era muito forçado pra ser verdade! eaoiheaoihaeo

  3. O fato dos estaleiros nacionais não cumprirem prazos, entregarem pedidos com defeitos de qualidade e utilizarem técnicas de fabricação da década de 70 não tem qualquer relação com isso.

  4. “Chico Novato 12 de Fevereiro de 2018 at 14:42
    Os impostos que o Estado cobra inviabilizam as compras do próprio estado.”
    Todas essas aquisições incentivadas são isentas de impostos sobre as vendas, mas realmente há outros custos tributários embutidos, muito altos. Mas há muito mais do que apenas o custo dos impostos, as pessoas tendem a simplificar nesse aspecto, mas temos que admitir: a ineficiência ou carestia da indústria nacional perante a de outros países é gigantesca, e há vários fatores envolvidos.
    Aqui mesmo no Poder Naval tem sido discutido que navios construídos no Brasil sairiam pelo menos 40% mais caros do que no exterior. Serão só os impostos??

  5. Custo mais alto, impostos, burocracia, prazos, qualidade de produção… São vários os fatores por trás desse pedido da Petrobrás. Creio que o governo vai liberar até pq quanto mais rápido essas plataformas estiverem operando mais dinheiro para a Petrobrás e para os governos.

  6. 70%?

    Por isso a OSX mandou construir os cascos tanto das plataformas quanto dos navios petroleiros da OGX no estaleiro Jurong em Singapura.

    O Brasil já era pra estar entre os 8 grandes produtores de petróleo do mundo passando o México, se não fosse essas exigências de conteúdos nacionais, e olha que o México detém um número de reserva de petróleo comprovadamente menor. Juntando o campo Tupi, passamos também a China em número de reservas comprovadas, embora a China produza mais de 4 milhões de bpd, o Brasil engatinha com seus 1,7 milhões de bpd.
    O que me deixa mais intrigado é o nível de capitalização das empresas chinesas e americanas, mesmo não tendo as maiores reservas, na verdade os dois países não ficam nem entre os 10 com as maiores reservas do mundo, ainda assim emplacam suas petrolíferas no ranking 10, mais precisamente a Exxon Mobil e a PetroChina. A mediocridade se sustenta em torno da Venezuela, mesmo tendo as maiores reservas de petróleo do mundo, não conseguiu emplacar sua estatal no ranking 15, uma verdadeira vergonha internacional.

  7. O problema não são os impostos.
    São os “acordos” de alinhamento de valores.
    Se a peça custaria 500 cobram 2500.
    Porquê durante o processo muitos “interessados” precisam ser atendidos.

  8. Amigos trabalho na área industrial, inclusive petroquímica, a questão é muito mais complexa. Vou colocar apenas alguns elementos.
    No Brasil, se um empresário resolve se arriscar e investir em uma indústria, já de cara enfrenta os absurdos sistemas tributário e burocrático que todos conhecemos, a insegurança jurídica e econômica, mas também ‘muros’ que aparecem no caminho, como, por exemplo, uma Certificação do Inmetro e por aí vai. Vamos imaginar que uma empresa seja estimulada pela Petrobras p/ fabricar um instrumento/equipamento específico p/ substituir um importado, o empresário tem que necessariamente imaginar que as encomendas podem ficar limitadas a aquelas do momento, pois aqui as coisas mudam muito rapidamente e todo seu investimento poderá não ser recuperado, então ou ele recusa ou coloca no seu custo um bom ‘over price’ a título de seguro. No final das contas temos custos maiores pelo chamado custo Brasil, por ter que desenvolver determinado produto e ainda o custo p/ se cobrir de futuros prejuízos.
    No caso específico da Petrobras, está mais do que provado que o intuito nunca foi o bem da indústria nacional – aliás no período do PT o percentual da participação da indústria chegou a ser menor do que o de 1950, quando nem havia indústria automotiva no Brasil e por outro lado o lucro dos bancos alcançaram os maiores níveis da Historia, desde a 1ª fundação do Banco do Brasil – o objetivo era desviar verbas e ainda posar de nacionalista. Um dos presos na Lava-jato afirmou que a criação da estatal Sete Brasil foi apenas p/ facilitar a corrupção no setor. Não havia condições mínimas de se construir tudo que se encomendou a ainda nos prazos estipulados. Há ainda outro ingrediente que pouco se fala: o pré-sal foi hiper inflado p/ se ganhar politicamente. Geólogos da própria Petrobras alertavam que as característica do solo marinho, aliadas a profundidade, determinavam uma baixa exatidão nos resultados das pesquisas, então havia casos de algo como ( somente a nível de ilustração ) potencial de 100 a 800 e governo divulgava apenas os 800.
    Não vou nem falar da refinaria Abreu e Lima, c/ custos iniciais de US$ 2,4 bi e parece que nem c/ 20Bi termina.

  9. Assim como a Embraer é o bolso do contribuinte que paga ase regalias de sindicatos de ____________
    _______________________

    COMENTÁRIO EDITADO. LEIA AS REGRAS DO BLOG

  10. Um fatores de ser mais caro para construir no BR (alem de impostos, produtividade etc) se deve ao fato que durante o projeto, execução e entrega as empresas brasileiraa e somente elas tem que bancar duzias de fiscais da Petrobras, fornecendo hotel de primeira salas exclusivas com ar refrigerado, café expresso, internet ezclusiva de alta velocidade, imaginem isso quanto fica em 2 a 4 anos.
    Ja empresas estrangeiras não são obrigadas a bancar essa trupe toda, no maximo um único fiscal.
    Isso eu senti na pela quando trabalhava em uma multi alemã, onde era mais barato produzir la do que cá.

  11. Tem que ser fabricadas 100% fora do país! Nossa “indústria naval” nunca conseguiu se modernizar, apresenta custos altíssimos para fabricação, fora impostos altos. Era bonito ver aquela multidão de trabalhadores na Ponta d’Areia em Niterói, mas aquilo tinha um custo enorme para a Petrobrás… Estaleiros inchados, corrupção dentro dos mesmos, sindicatos e sindicalistas “surfando na onda”… Infelizmente amigos do blog, temos que apoiar e assistir a construção das plataformas longe de nossas terras…

  12. “A Petrobras alega, porém, que o preço no Brasil é 40% mais alto do que no exterior e se nega a seguir o que foi firmado em 2010. Os empresários brasileiros, por seu turno, acusam a estatal de negar a eles o direito de participar das concorrências.”

    Um montão de empresa parando suas linhas de produção, um montão de mão de obra especializada “batendo lata” e a Petrobras fazendo “beicinho”. Depois fica que nem a marinha da Alemanha, sem peças de reposição.
    Parece-me que está faltando é “gestão” nesta estorinha para boi dormir.

  13. O percentual elevado de conteúdo local não ajudou em nada nossa capacidade de construção naval. Distorceu prazos e principalmente a qualidade final do produto. É o tipo de protecionismo que destrói qualquer chance de produtividade e qualidade! Por outro lado construir na Asia é mais barato, mas nós não vemos nada desta economia. É balela. A festa continua, só mudou o endereço e a diária é em dólares…

  14. Andrigo!
    Além de erros no projeto, erros de execução e a falta de conservação adequada já condenaram os módulos dos cascos que estão no Estaleiro Rio Grande. Inclusive eles já estão sendo cortados e vendidos como sucata. Trabalhei muitos anos ali e posso dizer que os trabalhadores , capitaneados pelo sindicato dos metalúrgicos, tiveram enorme influência negativa sobre todo o empreendimento. A única coisa construída com máxima eficiência foi a dívida de oito bilhões de reais…

  15. Pessoal,

    Cansamos de discutir que para a construção da classe Tamandaré, o conteúdo nacional traria retorno ao contribuinte…

    Entendo como a Petrobrás é uma estatal está tese também vale.

    Até porque o preço da gasolina é de estatal…

    Quando privatizar, liberar os preços, o e mercado do petróleo/combustíveis, aí é outra história.

  16. “Fabiano 13 de Fevereiro de 2018 at 16:19
    Cansamos de discutir que para a construção da classe Tamandaré, o conteúdo nacional traria retorno ao contribuinte…
    Entendo como a Petrobrás é uma estatal está tese também vale.”
    Permita-me discorda.
    A grande diferença é que a Marinha é o próprio Estado, pode se dar ao luxo de pagar mais caro para incentivar a indústria nacional, inclusive porque parte volta na forma de impostos.
    Mas a Petrobras é uma empresa, tem que dar lucro e ser competitiva, obrigá-la a comprar mais caro é um pecado. Depois nós é que nos damos mal, a empresa tem que cobrar gasolina cara para cobrir os rombos, de diversos tipos, conforme bem conhecido. O que o governo tem que receber dela são os dividendos, na mesma condição que os demais acionistas. Além disso, os royalties e impostos, quanto mais ela produzir e lucrar, mais retorna para o governo, que pode então usar tais recursos para suas políticas públicas. Fazê-la ser ineficiente é um tiro no pé, vejam o que acontece com a PDVSA, por exemplo.

  17. Obrigado pelo ponto de vista.

    Desculpe os erros de português, digitei do celular e este corretor é danado. Rsrs.

    Como contribuinte, achava que tudo comprado mais barato seria melhor para o tesouro nacional, mas agora entendi que para há exceções como a Marinha, no qual há retorno através de impostos. Por isso tenho a dúvida em relação a Estatais.

  18. Ah, e complementando a diferença: no caso da União pagar mais caro, os impostos voltam para ela, o que tira um pouco do prejuízo; no caso da Petrobras os impostos sobre o que ela paga a mais não voltam para ela, mas para o Estado, ou seja, ela (e seus acionistas) ficam com todo o prejuízo.

  19. burusera 13 de Fevereiro de 2018 at 13:59

    Não é protecionismo, é senso comum!
    Não duvido do que você diz. Entretanto, parece-me que os problemas que você apontou foram de “gestão” e a gestão pode ser sempre corrigida/substituída e melhorada.
    Parece-me que colocando gente capaz (que certamente já existe), com honestidade e seriedade na empreitada, boa parte do famigerado “custo Brasil”, neste caso, deixa de existir.
    Agora, o que precisa é de honestidade, seriedade e dedicação aliados a uma boa gestão.

    Saudações

  20. Querem geração de emprego: Acaba com essa onda de só Petrobrás poder explorar ,abre para qualquer empresa explorar aqui, a cadeia de suprimentos e apoio agradece, governo não tem que explorar petróleo, sou totalmente a favor da privatização da Petrobras com Golden share tipo Embraer!!! O subsolo é da União!!!!

  21. Mesmo que a regra diga que não é para falar de política é uma ironia porque quando falamos de orçamento militar e custo de aquisição de material tudo isso é afetado direta ou indiretamente pelos políticos.

  22. Palhaçada e ninguém faz nadaaaaaaa…. e esse governo continua com o apoio de uma ” elite” suspeita e parasitária de raiz escravista. Eu jamais na minha vida, desde quando me entendo por gente, vi um momento tão vergonhoso, quanto este pelo qual nós estamos passando. Quanta omissão!

  23. Não vou nessa onda anti Brasil, acredito que a política de conteúdo nacional não pode ser deixada de lado, deve ser aperfeiçoada e onde houver os gargalos (governamentais e empresariais) sejam tratados adequadamente. É bom lembrar a todos que apesar não termos os juros da época da ditadura militar que pegou empréstimos mais favoráveis para modernizar e investir em nossas indústrias, há sim sobra de capital e de recursos com a Petrobras, o Governo entreguista faz o jogo que tá tudo esculhambado e não faz a sua parte. Nessa brincadeira com um país gigante em território e em riquezas não direcionamos nada para a construção local. O preço dos combustíveis está alto? Combate-se com estoques e com construção de refinarias… Estamos parados a um bom tempo, e nossa indústria está sendo reduzida a nada… Sem coragem para nos industrializarmos de forma agressiva, amargaremos um poço sem fundo eterno! O Brasil não é um país pequeno sem recursos naturais e com recursos humanos desqualificados (vide centros de pesquisa da própria Petrobras), temos toda a condição de crescer sim. Mas temos que mudar de governo e a forma de pensar!

  24. Prezados internautas aqui do Forças de Defesa! Gostaria apenas de esclarecer que não defendo um nacionalismo arcaico e desarmônico à um projeto nacional de desenvolvimento. Friso que é importante ter em mente o que queremos, não dar para ser bom em tudo, e produzir tudo, mas temos que ter eixos de desenvolvimento onde alguns produtos e tecnologias merecem ser desenvolvimentos ou feitos aqui no Brasil. Não estou defendendo a substituição total de importações… isso não faz mais sentido. É aproveitar as parcerias e desenvolver empresas ou empreendedores locais com foco nos eixos que o país pretende desenvolver. Mudar a política de pesquisa e patentes para darmos prioridade e tornarmos os acordos universidades – empresas mais pragmático. Agradecido a todos pela atenção!

  25. – Inadmissível que com o desemprego na casa de 13 milhões de brasileiros, só em Rio grande 30.000, uma cidade e 8.000 metalúrgicos e soldadores, demitidos dos 2 estaleiros de Rio Grande onde há 3 navios abandonados que virariam plataforma, a Petrobras via projeto deseja importar, comprar da Ásia, e lá criando empregos, e gerando impostos, virando as costas para a realidade brasileira, que ela foi uma das que criou todas essas. dificuldades.
    TaMBÉM APROVEITO O MOMENTO, que culpa tem os brasileiro se a PETROBRAS HOJE ESTEJA COM UMA DÍVIDA DE R$ 600.000.000.000,00 (bilHOês) , E agora qerar diariamente subir os combustíveis, isso só na cabeça dos desmiolados governantes e impiedosos dirigentes da estatal.

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