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Marinha Alemã experimenta ‘síndrome de LCS’ em nova fragata que falhou em provas de mar

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Baden-Württemberg F222

Com 90% de novos sistemas, esta fragata monstro de tripulação pequena não está pronta para a missão

Por Sean Gallagher

A Marinha Alemã tem muitos problemas no momento. Não tem submarinos funcionando, em parte por causa de uma falta crônica de peças de reparo. A Deutsche Marine ainda está voando helicópteros mais antigos do que seus pilotos – o Sea Lynx entrou em serviço em 1981 e o Sea King em 1969 – e atrasou sua substituição. E agora, o serviço enfrenta problemas com os navios mais novos tão graves que o primeiro da classe falhou em seus testes marítimos e foi devolvido aos construtores navais em dezembro de 2017.

Como Christian Mölling, especialista da indústria de defesa no Conselho Alemão de Relações Exteriores em Berlim, disse a William Wilkes do Wall Street Jornal em janeiro, os contratos militares alemães são “um inferno de completo desastre. Levarão anos para resolver esse problema”.

As fragatas da classe “Baden-Württemberg” foram encomendas para substituir os navios da classe “Bremen” da era dos anos 1980, todos menos dois dos quais já foram aposentados. Com comprimento de 149 metros (488 pés) e um deslocamento de 7.200 toneladas métricas (cerca de 7.900 toneladas), as “Baden-Wurttembergs” são do tamanho de destróieres e tiveram reduzido o tamanho da tripulação necessária para operá-las (dessa forma, elas são semelhantes às classes do Littoral Combat Ship (LCS) da Marinha dos EUA e aos destróieres da classe “Zumwalt”).

Como os navios LCS e Zumwalt, os navios “Baden-Württemberg” foram concebidos recentemente, produto das lições alegadamente aprendidas com a “guerra assimétrica” ​​do Golfo e Guerras do Iraque.

Como o Zumwalt, as fragatas “Baden-Wurttembergs” pretendem ter capacidades melhoradas de ataque terrestre – uma capacidade de missão em grande parte perdida nos outros navios pós-unificação da Deutsche Marine. A nova fragata deveria ser um “master of all trades” que levam fuzileiros navais para lançar sobre terra, fornecer apoio de fogo, caçar navios e submarinos inimigos e ser capaz de ser desdobrada em missões distantes por até dois anos longe do porto. Tal como acontece com os navios LCS da Marinha dos EUA, a Marinha Alemã planejava alternar tripulações – enviando uma nova equipe para atender o navio desdobrado para substituir a equipe de serviço.

Era para ser um navio maravilhoso e prova do ressurgimento da Deutsche Marine. Pelo menos esse era o plano.

Em vez disso, a Baden-Württemberg agora tem a indesejável distinção de ser o primeiro navio que a Marinha Alemã se recusou a aceitar após a entrega. De fato, o futuro de toda a classe de fragatas alemãs está agora em dúvida por causa da grande quantidade de problemas experimentados com o primeiro navio durante os testes de mar. Assim, a Baden-Wurttemberg não estará atirando com suas armas em nada no futuro previsível (e tampouco o Zumwalt por enquanto, uma vez que a Marinha dos EUA cancelou pedidos para os seus projéteis de US$ 800 mil por tiro).

Baden-Württemberg F222

Os problemas de integração do sistema são uma parte importante dos problemas da Baden-Würrtemberg. Cerca de 90 por cento dos sistemas do navio são tão novos que nunca foram instalados em um navio de guerra – na verdade, nunca foram testados juntos como parte do que a Marinha dos EUA chamaria de “um sistema de sistemas”. E todo aquele novo hardware e software não funcionou bem em conjunto – particularmente com o sistema de computador de comando e controle do navio, o Atlas Naval Combat System (ANCS).

Construído pela Atlas Electronik GmbH de Bremen, o ANCS é um novo sistema de comando e controle multifunção para as armas e sensores do navio. Destina-se a amarrar radar, sonar e outros dados de sensores (juntamente com informações do helicóptero do navio e dos drones e dos sistemas de controle de tiro de armas do navio) em um conjunto de consoles. O sistema deve permitir que uma pequena equipe de marinheiros e oficiais administre centralmente quase toda a operação do navio e suas armas em estações equipadas com joystick na sala de operações do navio. A Atlas comercializou o sistema de combate como “o sistema para fragatas e corvetas da nova geração”, e a classe F125 deveria ser a grande estreia do ANCS.

Mas a integração dos sensores e hardware de armas com o sistema de comando e controle foi deficiente, no mínimo. Os problemas não foram corrigidos antes dos ensaios marítimos terem começado em abril de 2016, e o Escritório Federal Alemão de Equipamentos, Tecnologia da Informação e Suporte em Serviço do Bundeswehr (BAAINBw), agência do governo alemão que supervisiona a aquisição de sistemas militares, empurrou os testes funcionais dos sistemas do centro de operações de combate até o final de agosto de 2017. Isso ultrapassou a data original de comissionamento programada do navio de 28 de julho. E, a partir de dezembro, os problemas ainda não tinham sido resolvidos para que o BAAINBw aceitasse o trabalho como bem sucedido.

Em cima dos problemas dos sistemas de informação, existem outros: o navio apresenta um pouco de inclinação para a boreste, por causa de excesso de peso e não pode atingir a máxima velocidade com seu sistema de propulsão combinada de turbina lançado pela primeira vez e que combina diesel e gás.

Nada disso deve ser uma surpresa para os observadores de aquisições militares experientes, tendo em conta os problemas que a Marinha dos EUA experimentou com as classes “Freedom”, “Independence” e “Zumwalt”. No caso do Zumwalt, o grande número de tecnologias novas incorporadas aumentou o tempo de desenvolvimento do navio de acordo. O excesso de custos (e uma mudança nos requisitos de missão e restrições orçamentais) forçou a Marinha dos EUA a cortar a encomenda de 32 navios originalmente planejados para apenas três. Os navios LCS tiveram seus próprios problemas, e as novas encomendas de construção foram congeladas enquanto a Marinha busca construir versões de fragata maiores, melhor armadas e de maior tripulação.

Mas para as forças armadas alemãs – que tem sofrido um colapso em seu financiamento nas últimas duas décadas – esses tipos de questões têm um impacto muito mais substancial na prontidão: são um sintoma de um problema muito maior e duradouro com a administração militar alemã. Desde o “dividendo da paz” da reunificação e o fim da Guerra Fria, o orçamento militar da Alemanha despencou para apenas 1,15% do produto interno bruto (PIB) do país em 2016 – bem abaixo da marca de 2% estabelecida por acordo entre membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). E o foco da estratégia dos militares alemães também mudou.

Baden-Württemberg

FONTEarstechnica.com

78 COMMENTS

  1. Fragatas reprovadas
    Submarinos sem peça de manutenção
    Caças no chão
    Helicópteros obsoletos
    Tanques insuficientes pras missões Otan

    Oq ta acontecendo com a Alemanha?

  2. Que coisa realmente maluca… O país desenvolve alguns dos mais notáveis projetos na área de superfície, submarinos, aeronaves e carros de combate, mas encontra-se numa penúria dessas! Acredito que quando o assunto é sobre asas rotativas e submarinos nosso país ainda respira, diferentemente dos alemães.

  3. Yuri 18 de Fevereiro de 2018 at 19:22
    Talvez seja intencional…fugindo de suas responsabilidades dentro da OTAN e do conflito imigratório. Aliás, a Alemanha há muito não representa a OTAN com a mesma responsabilidade do seu PIB (correlação) o que gera um vácuo de representatividade militar. Eu acredito muito que o governo alemão está trabalhando para trazer imigrantes…esse recuo nas áreas de segurança, assim como discursos políticos, políticas públicas (conjunto da obra) etc…são brechas para alcançar este objetivo (trazer imigrantes).
    ……………………
    Trocando de assunto: que navio lindo! Pela última foto parece que ele comporta 2 helicópteros.

  4. “Cerca de 90 por cento dos sistemas do navio são tão novos que nunca foram instalados em um navio de guerra – na verdade, nunca foram testados juntos como parte do que a Marinha dos EUA chamaria de “um sistema de sistemas””
    Uma pergunta aos especialistas: em aviação antes de qualquer protótipo ficar pronto os sistemas são testados ( hard e software ) no chamado ‘Iron Bird’, na indústria naval isso não acontece também?

    • Pessoal, o motivo do post é discussão técnica. Discussões políticas direita x esquerda não tem nada a ver com a matéria. Por favor, vamos nos ater ao tópico, para que não precisemos deletar posts. Obrigado!

  5. Alemanha tem dinheiro, o problema dos helicópteros é o mais rápido e fácil de resolver, o problema foi esse fiasco de fragata, sabe-se lá porque. Agora os submarinos, me pegou de surpresa. Não sabia disso. Mas teoricamente é mais fácil de se resolver que a fragata…

  6. Deixa ver se eu entendi, a Merkel tá conspirando contra seu próprio país e tá sabotando as forças armadas da Alemanhã, não passando recursos suficiente para num eventual conflito contra a Russia e em caso de derrota, ela assumiria um cargo na futura admnistração Russa da nova Alemanha ocupada. Ahhh !!!! agora entendi.

  7. Fico pensando só uma coisa.. navios tão modernos e automatizados, com tripulação mais que reduzida… numa batalha que sofra um pulso (PEM – EMP) efetivo ou avarias em seus sistemas esse tipo de embarcação se torna uma presa fácil.
    Ás vezes o “muito” atrapalha..

  8. Galante,
    “Mas para as forças armadas alemãs – que tem sofrido um colapso em seu financiamento nas últimas duas décadas – esses tipos de questões têm um impacto muito mais substancial na prontidão: são um sintoma de um problema muito maior e duradouro com a administração militar alemã. Desde o “dividendo da paz” da reunificação e o fim da Guerra Fria, o orçamento militar da Alemanha despencou para apenas 1,15% do produto interno bruto (PIB) do país em 2016 – bem abaixo da marca de 2% estabelecida por acordo entre membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). E o foco da estratégia dos militares alemães também mudou.”

    Esse parágrafo foi tirado do texto e não foi inventado por mim e extrapola a discussão puramente técnica do porque o sistema de combate da fragata não tá funcionando.
    A chancelar da Alemanha flerta com uma visão globalista do mundo e nesse contexto o nacionalismo e o patriotismo não são bem vindos e portanto, forças armadas poderosas seriam um excrecência.

  9. Em 2013 esses navios dessa classe custavam 750 milhões de euros e serão construídos 4 unidades. Sem dúvidas é muito interessante…pelo que li o navio realmente vai operar 2 helicópteros (Sea Lynx).
    “”Para a sobrevivência do navio, o F125 foi construído de acordo com o princípio de duas ilhas “”
    Terá uma MLG 27 e cinco metralhadoras controladas remotamente 12,6 mm (Leonardo – Oto melara).
    Gostei do canhão de 127 mm da Leonardo Oto Melara.

  10. Henrique 18 de Fevereiro de 2018 at 20:45
    Eu também não gosto disto. Há um meio termo entre as coisas…um navio tão grande e armado com tripulação pequena é estranho.

  11. Algum motivo para ser pouco armada?
    Não possui vls e nem mísseis de médio/l.alcance AAW.
    Sua defesa está a cargo do RAM, canhão oto Melara com munição Vulcano, canhões 30mm e metralhadoras .50.
    Possui harpons provisórios e 2 helis.
    Para baixa/média intensidade tá bom…mas por este custo?
    Não gostei não!!
    Manda pra nós não!!
    Agora….falar em problemas de “conversa” entre sistemas, o que não vi tantas novidades….tá mais terem contratado aquele cara do Jurassic Park para cuidarem dos sistemas….
    Tipo assim…”não pouparam despesas”….SQN!!
    Kkkkk

  12. Willhorv,
    Há previsão para lançadores verticais onde poderiam ser instalados o ESSM, mas o radar AESA do navio opera em banda C e em instalando os mísseis também teriam que instalar iluminadores para eles ou então esperar os futuros ESSM Block 2 com seeker ativo.
    O RAM block 2 utilizado pelo navio é muito bom mas realmente um navio desses mereceria uma defesa em camadas.

  13. Interessante que escolheram um canhão de 127 mm de alta cadência (40 t/min) com capacidade AA mas não instalaram um sistema de controle de tiro radar/EO. Isso sugere que não querem utilizar o canhão na função AA mas apenas na função de apoio de fogo e acharam por bem que uma melhor cadência seria necessário. Eu particularmente acho esquisito essa escolha.

  14. Como pode os caras construírem de tudo mas não terem “nada” operacional ou com diversos problemas? Tudo isso o que está acontecendo com eles mancha muito a reputação, os clientes podem ficar com um pé atrás quando se tratar de produtos militares alemães.

  15. Pessoal vamos lembrar que vanguarda tecnológica é sinônimo de atraso no cronograma, me diz qual sistema de defesa, seja um avião, tanque, submarino ou navio que trouxe sistemas completamente novos que não enfrentou problemas, quer um exemplo melhor que o F-35? Inovar não é fácil! Agora essa inclinação da fragata foi de lascar…

  16. Yuri, o pessoal do outro lado do canal não tem moral para falar nada, em vez de apontar o dedo para os outros, o britânicos deveriam se preocupar com os seus type 45 que estão praticamente todos no porto por problemas nos motores, da sua falta crônica de pessoal que esta começando a ser algo critico, do estouro no orçamento de seus dois porta aviões, enfim poderiam citar N exemplos para te provar que a Grã Bretanha também esta deixando muito a desejar, quem parece estar em melhor situação na Europa são Itália e França

  17. Eu nao entendi a “sindrome de LCS” que problema os lcs tem?nunca ouvi falar, so mitos. E o zunwalt coitado demorou pra sair mas não foi reprovado, o que ele tem haver.

  18. Esse navio não tem nada demais. A única tecnologia em estado da arte é o radar AESA com TRMs de nitreto de gálio que são tidos como pelo menos 4 vezes mais eficiente que os tradicionais de GaA.
    A tecnologia ainda está no início mas é muito promissora e deverá revolucionar a tecnologia de radares.

  19. Essa fragata tem o mesmo problema do F-35. Muita tecnologia inovadora e prazos errados de desenvolvimento.
    O resultado está aí. Não há resultados, ou resultados pífios.
    Anos para um equipamento estar 100% operacional.
    Espero e desejo que a MB faça a escolha pelo mais simples.
    Mais simples de construir, manutenir e manter.
    Abraço.

  20. Guizmo, os motivos estão na matéria, voltar para a prancheta eu duvido, porque as fragatas estão prontas ou em estágios avançados de fabricação. Os problemas de integração do sistema, com o tempo, muito provavelmente serão resolvidos, agora já o problema de inclinação para a boreste, por causa de excesso de peso vai ser mais complicado de corrigir e talvez nem seja possível

  21. Vi uma vez os comentários de um engenheiro naval alemão que trabalhou neste projeto.

    Ele apontou os problemas estruturais que redundaram nas deficiências verificadas nesta classe de fragatas.

    De vários fatores por ele apontados, lembro-me de ele ter dito que o governo alemão, desde o início, se preocupou mais com a geração de empregos em estaleiros do que com observar as peculiaridades que um navio de guerra demanda.

    A título de exemplo, ele disse que esse projeto deveria ter sido de atribuição de poucas empresas muito especializadas em sistemas militares, mas foi pulverizado em diversas empresas com com know-how marítimo “genérico”.

  22. O grande problema esta aqui:
    “A nova fragata deveria ser um “master of all trades” que levam fuzileiros navais para lançar sobre terra, fornecer apoio de fogo, caçar navios e submarinos inimigos e ser capaz de ser desdobrada em missões distantes por até dois anos longe do porto”.
    Só falta especificar que também deve cuidar das crianças e levar o cachorro para passear.
    Querer que o mesmo navio cumpra missões dispares com eficácia, cada uma com suas exigências peculiares, e como querer que um mesmo atleta seja medalhista olímpico em levantamento de peso, 100 metros rasos e na maratona.

  23. “(…) esse navio não tem nada demais.”
    – Bosco, blog Poder Naval, 2018.

    Obrigado amigo, já posso rasgar minha carteira de capitão amador, acostumado a ter uma tripulação de 8 e ter certeza que não é suficiente. Sua frase é extremamente confortante e de uma profundidade técnica fenomenal.

    Segue o baile.

  24. Galante, você foi de Marinha: para não entrar muito nos ditames da labuta de convés e passadiço, como explicar de forma sucinta para o amigo Bosco que reduzir os monkey-see-monkey-do (ou tripulantes para os leigos) em um vaso de guerra é muito mais complexo que parafrasear o elemento mágico do radar?

    Gostaria de ver o amigo tocar, sob fogo inimigo, uma faina de combate e isolamento de compartimento alagado/em chamas sozinho ou só com um taifeiro; já que não tem nada de mais nesse brinquedinho…

    Aquilo em que nosso conhecimento escapa não deveria ser tão levianamente embrulhado e enviado. Ou também não tem nada demais no F35 e no LCD?

  25. Bosco,
    Mas 1,5% do orçamento alemão é muita coisa (em termos absolutos, abaixo dos gastos da França e do Reino Unido, mas acima dos da Coreia do Sul e da Itália, por exemplo, que, até onde eu sei, não passam por problemas semelhantes e entregam bons navios).
    Assim como também não me parece que o problema com essa fragata seja falta de investimentos. Os engenheiros é que não deram conta do serviço.

  26. Olá Amigos, bem já comentei em outro post coisa parecida, mas vendo esses problemas todos em programas de NOVAS ARMAS acho muito inteligente por parte da MB na concorrência da classe Tamandaré abrir para o projeto dela, que é um desenvolvimento nacional no qual ela tem vasto conhecimento, ou no em projetos que já estejam em operação, isso diminui o risco de pagar uma coisa no estado da arte de verdade e acabar com algo parecido com artesanato de mendigo.
    Dos problemas apresentados da marinha Alemã eu acredito que o ´´problema´´ esta no planejamento da mesma, coisa que deve ser resolvida com mudanças nas doutrinas e quebra de paradigmas, tipo uma reestruturação afim de melhor atender as metas desejadas, a FAB ta se reestruturando para chegada nos F39, deviam fazer algo parecido.

  27. Jr,

    As Type 45 não estão todas paradas em razão de problemas nos motores ou falta de pessoal. Aliás, vale destacar que a propulsão apresentou problemas exatamente por se tratar de um sistema inovador.

    De qualquer forma, o HMS Duncan está em missão da OTAN e o HMS Dragon na costa britânica se preparando para a próxima missão.

    A RN está tão “mal” que tem um novo porta aviões comissionado e outro em vias de conclusão. Sem falar em 4 novos SSN’s, dos quais 3 já estão em serviço e um está em testes.

    Se eles estão mal, as demais ainda estão abaixo.

  28. As noticias apontam que os problemas de flutuação da Fragata tem origem na pulverização de fornecedores. Foram sub contratados pela Marinha Alemã/Governo Alemão, uma diversidade de construtores navais notadamente especializados em projetos civis de baixa complexidade, tudo em nome da geração de emprego. O inferno está lotado de boas intenções.

    A negligência administrativa é apontada em diversos relatórios como parte dos problemas que não são apenas a inclinação a boreste, como também problemas estruturais. O Estúdio que entregou o designer, fez os testes em escala e as provas em software não teve autonomia administrativa para contratar, vistoriar e fiscalizar os fornecedores e construtores ao longo de todo o Programa. O Resultado é este. O Setor operacional da Deutsche Marine não aceitou o navio após as provas de mar, no entanto, foi uma das Diretorias de Projetos da Deutsche Marine que fez parte da lambança lá no inicio do programa.

    Casos como este e em outros programas é que apontamos a importância das Agências Militares e Civis a serviço da MB como a ENGEPRON, a Diretoria de Engenharia Naval, do Centro de Projetos de Navios, a Diretoria de Gestão de Programas Estratégicos da Marinha, a Diretoria-Geral do Material da Marinha e finalmente da AMAZUL, dentre outras… Muitos colegas não fazem ideia do quão complexo é trabalhar e gerir esses setores. O Capitães-de-Mar-e-Guerra e Almirantes que dirigem essas organizações são Doutores ou Pós Doutores nessas e em outras áreas e ainda sim as vezes cometem deslizes. Imaginem o quão deve ser complexo em uma Marinha de Primeiro mundo?

    Adsumus

  29. Vixi !!!
    Navio cego, surdo e mudo !!!
    Não atira !!!
    Não detecta alvo de sup. e aéreo !!!
    Isso dai serve pra que ?!
    Tem mais que devolver cobrar o dinheiro de volta e cobrar multa rescisória pra aprender a trabalhar direito .
    O troço é tão ruim que tem banda pra boreste e nem pode guinar turbinando senão aderna.
    Vão gastar outros milhões de euros pra corrigir tudo isso e até lá continua sem navio.
    Que papelão !!!
    Governo Alemão mais fiasquento que já vi na face da terra.
    Não se aprumem não pra ver uma coisa !!!

  30. A fragata alemã sofreu do mesmo “mal” de outros projetos inovadores: a opção pela total ou quase total automatização e a concentração de funções em um único meio. Isso tem um custo em tempo, recursos financeiros e risco muito alto, vide F-35 (substitui de uma só vez A-10, F-16, F-15…..). Acho que sob esse aspecto, compreensível a comparação com outros projetos.

    Assistindo a F-35, submarinos S-80 espanhóis, LCS, Zumwalt e, agora, F-125, dá para entender porque a Marinha do Brasil quer projetos maduros. Imagina optar por algo inovador, pagar o preço “de grife” e o barco não funcionar… Em país sério, banca-se a conta e conserta-se, porque o risco da inovação era sabido e foi bancado. Aqui, onde impera a má gestão, a MB seria torpedeada em críticas.

    Quanto à obsolescência dos meios militares da Alemanha, há que se separar o joio do trigo. Essa explicação simplista de direitas/esquerda, socialismo, refugiados e etc.., é argumento de quem não sabe argumentar (e já cansou!). Eles enfrentam outros dilemas mais complexos e duradouros e lá, como na Inglaterra, Japão, etc., há um embate entre aqueles que acham que o mundo está mais seguro, e requer menos gastos militares, e aqueles que acham que está é muito mais perigoso (eu sou dessa corrente, até porque FFAAs não se improvisam).

  31. Muitas marinhas enfrentam dificuldades para recrutar e reter pessoal então é importante
    pensar na redução das tripulações o que se consegue através de maior automatização.
    .
    Mesmo a US Navy estava enfrentando problemas de retenção de pessoal e baixa da moral por conta de seus navios estarem cumprindo em média 9 meses de missão…fora o tempo gasto no mar durante os treinamentos o que estava gerando problemas familiares…finalmente driblou-se isso estabelecendo um máximo de 7 meses de missão que vem sendo cumprido.
    .
    As novas fragatas alemãs tem uma tripulação pequena atendendo à falta de pessoal, mas,
    atendendo também a um novo conceito de operações, terão duas tripulações, que serão trocadas a cada 4 meses para que os navios permaneçam no teatro de operações por até 2 anos antes de retornarem para um período de manutenção.
    .
    Espera-se que 4 navios com duas tripulações cada possam realizar o trabalho de 8 navios da
    classe Bremen já que não precisarão fazer com tanta frequência às viagens de trânsito, de um lugar para outro.
    .
    Cada marinha classifica seus navios como quer…essa insistência em fazer comparações com “destroyers” não tem sentido…seja como for não se espera que tais navios façam defesa aérea com mísseis de longo alcance que ocupam mais da metade dos silos de um
    “Arleigh Burke” por exemplo.
    .
    Estes navios ocuparão um lugar dentro da OTAN e serão complementados por outros navios
    da organização e essa insistência de fazer comparações com “destroyer” não faz sentido´já que cada marinha é livre para classificar seus navios como quiser e tamanho apenas não nomina um navio e sim sua missão também…um “Zumwalt” é maior que um cruzador “Ticonderoga” na US Navy, mas, não pode fazer a missão do cruzador, então foi classificado como “destroyer”.

  32. Fila,
    Obrigado pela correção.
    Mas, ainda não muda o fato dos alemães gastarem mais que sul-coreanos e italianos que não tem esses problemas todos.

  33. Esse “master of all trades” está mais para “jack of all trades, master of none” ou em bom português, um pato.

    O que me impressiona nisso tudo é que os alemães, conhecidos pela sua eficiência e pragmatismo estarem enfrentando problemas como esse que denotam desorganização.

  34. E não é de hoje esse mundarel de “contratempos”…

    A classe ‘Braunschweig’ também teve consideráveis problemas, notadamente com seu sistema de propulsão, que as fizeram ficar nos portos por um bom tempo a partir de 2009, somente voltando todas full a partir de 2014.

    No caso deste vaso alemão na matéria…

    Problemas de hardware consistiriam naquilo cujo desempenho seja insuficiente e/ou não originalmente dimensionado para a tarefa, mas empurrado goela a baixo na promessa de fazer o mesmo; o que realmente não seria impensável, considerando o gerenciamento deficiente e a pulverização de fornecedores. Um exemplo recente consiste nos destróieres ‘Type 45’, que deverão receber um gerador extra para compensar perdas no sistema de propulsão elétrica ( IEP ) em clima quente. Não que seja o fim do mundo, mas esse tipo de mancada custa dinheiro e pode deixar o vaso indisponível por anos ( reestruturação e testes )…

    No caso específico do ANCS… Francamente, acho impressionante isso…! Ora…! Não sou engenheiro naval, mas entendo que qualquer linha de raciocínio convencional ordenaria desenvolver essas tecnologias em solo e amadurece-las, testando-as em vasos mais antigos antes de inseri-las em um novo navio de quase US$ 1 bilhão; e não implanta-las, como deixa claro o texto, logo de cara. O AEGIS, por exemplo, foi instalado em um vaso de testes ( o antigo USS Norton Sound, que foi originalmente um tender de hidroaviões ), levando anos pra ficar pronto…

    Nesse meio tempo, até seria possível construir os vasos, dotando-os daquilo que funciona e modernizando-os mais a frente.

    Não posso deixar de reparar o que esse navio tem e a missão a qual se destina; coisas que, pra mim ao menos, não fazem sentido… Por exemplo: se é um vaso destinado a levar a bandeira alemã em missões humanitárias, operações assimétricas e de “boa vizinhança”, então pra que raios um sistema de propulsão CODLAG?!! Faz o CODAD… Dá menos dor de cabeça… E por aí vai… Para esse tipo de missões, faz o mais simples o possível. Tá aí os dinamarqueses, com a classe ‘Absalon’…

  35. Até poderia ser um “jack of all trades…” se tivesse sido pensada para cumprir muitas missões
    diferentes, guerra AA, guerra de superfície, guerra anti submarina, guerra de minas, etc,
    mas não, ela basicamente tem o mesmo armamento que a classe que a precedeu, classe Bremen, com melhores instalações para aeronaves que está de acordo com o que se espera que ela venha a fazer onde deverá operar.
    .
    Quanto à propulsão, penso ser necessária para dar a um navio desse tamanho uma velocidade máxima maior que à classe Absalon e ter um custo mais reduzido para operar e
    além das missões que o _RR_ descreveu, haverá possibilidade de se incrementar mais
    armas e mesmo ter o míssil harpoon substituído por outro como o RBS.
    .
    A classe “Spruance” quando entrou em serviço foi muito criticada pelo armamento reduzido,
    apesar da excelência de sensores e acabou com um VLS para 61 silos e algumas unidades
    também receberam um RAM.

  36. No universo acadêmico da física (lá se vão muitos anos) há uma piada sobre a resposta de um editor para os autores de um paper científico: “Seu artigo tem boas e novas ideias, o problema é que as novas não são boas e as boas não são novas…”

    Aqui parece acontecer algo análogo. Sistema de duas ilhas de comando com redundância, propulsão de 1a linha, otimizada com a diminuição de tipos diferentes de geradores, grande capacidade de fogo a curta distância, excelente canhão para médias distância (e quase longas, 100km+), bons mísseis para ataque de superfície hoje e ótimos amanhã, dois helicópteros… Barcaço…

    Mas tem coisas que são difíceis de entender, sem sonar (!?) (depende dos helicópteros, ok, são 2), somente 8 misseis navais/terrestres, sem vls…

    Pode se arguir que não são destroyers mas essas fragatas parecem ter alguns pecados… não são talhadas para guerra anti-submarina e não possuem (s.m.j) capacidade para proteger um comboio. Isso num barcão enorme…

    Me parece que para a guerra assimétrica e o “revolucionário” conceito de 2 anos em ação, um barco mais simples e dedicado sairia bem mais barato… como fragata, as irmãs europeias me parecem mais razoáveis…

    Sds…

  37. O pioneirismo historicamente sempre cobrou o seu preço, especialmente o tecnológico. Depois do “inferno ” inicial as novas tecnologias viram objeto de desejo, inclusive daqueles que “meteram o pau” no início.

  38. Agora tá na moda navio não ter lançador de torpedos. Coisinha irritante!!
    Eu leigamente acho isso um absurdo!Com níveis de furtividade dos submarinos cada vez maior, maior são as chances do submarino passar pelas defesas externas e adentrar a zona ideal de lançamento de torpedos e se não tiver nenhum helicóptero em voo ou navios com lançadores de torpedos não haverá o que fazer.

  39. Dalton ( 19 de Fevereiro de 2018 at 12:09 );

    Caro Dalton,

    Até onde já li, um bom sistema CODAD para um navio dessa tonelagem faz aí uns 27/28 nós. Tá aí a classe ‘Iver Huitfeldt’ de exemplo… Considerando as missões que esse vaso vai cumprir no futuro previsível, não penso ser necessário mais que isso. A menos, claro, que se estivesse pensando na possibilidade de ter que escoltar um carrier a toda… Mas pra esses casos, eles tem as F-124 antes de ter que por as F-125 na luta…

  40. Bosco ( 19 de Fevereiro de 2018 at 12:38 ),

    Caro Bosco,

    VLS virou a “pochete” para navios… Vai de tudo… E acho que é uma tendência irreversível, no final das contas. Pra ASW, nesse caso, acho interessante iniciativas como o ‘Hong Sang Eo’ dos sul coreanos.

    O espaço para lançadores de mísseis sup-sup também podem ser preenchidos por algo como o MILAS… Vai ver até estão pensando em algo assim para essa F-125 no futuro, se não instalarem VLS…

    Não tenho dúvidas que o reparo TT com torpedos 324mm é a solução menos custosa, mas as alternativas estão aí…

  41. Pois é, Alemanha tem recursos financeiros e tem pessoal técnico capacitado, só esqueceram a gestão da coisa toda.
    Fazendo uma comparação simplista, apesar de não termos recursos e capacidade técnica ao nível dos alemães, nossas forças militares tem gerido bem seus recursos e também os cronogramas de compras/entregas, apesar de todos os problemas.
    É isso, ou estou errado?

  42. _RR_…
    .
    velocidade muito alta não parece ser uma exigência para os novos navios alemães, talvez
    um meio termo para eles esteja ótimo e é justamente uma F-124 que está agora treinando com o USS Harry Truman para a próxima missão onde ele substituirá o USS Theodore Roosevelt, não por conta de sua velocidade e sim porque trata-se de uma fragata de defesa aérea coisa que a F-125 não é.
    .
    Acredito que sem sabermos os custos operacionais de ambos os sistemas de propulsão, a hidrodinâmica, etc, acho difícil saber porque um sistema foi escolhido em detrimento de outro.
    .
    Na minha opinião, os alemães escolheram um navio de grandes dimensões, que será bastante flexível, operando longe da base por até dois anos , terá custos operacionais baixos e não terá que ficar passeando para cima e para baixo com dezenas de mísseis de defesa de área de
    longo alcance caríssimos a bordo e sim complementando outros navios alemães e também da OTAN.

  43. “Jr 18 de Fevereiro de 2018 at 22:49
    Yuri, o pessoal do outro lado do canal não tem moral para falar nada, em vez de apontar o dedo para os outros, o britânicos deveriam se preocupar com os seus type 45 que estão praticamente todos no porto por problemas nos motores, da sua falta crônica de pessoal que esta começando a ser algo critico, do estouro no orçamento de seus dois porta aviões, enfim poderiam citar N exemplos para te provar que a Grã Bretanha também esta deixando muito a desejar, quem parece estar em melhor situação na Europa são Itália e França”

    Amigo, não ataque o mensageiro.

    Não eh pq a inglaterra tem problemas q um site inglês n pode fazer matéria sobre outros países.

    Se fosse assim o PN n existiria pq seria dificil achar Marinha pior q a nossa pra falar.

    Abs

  44. Tecnicamente Falando a Alemanha se aproxima muito do Brasil não precisa de forças armadas.

    1- no caso Brasil temous os Amis para nos protegerem….
    2- no caso churcrute eles tem os Amis, a Rainha e os Francesezinhos.

    Então esta tudo bem……

  45. Dados os requerimentos, projetou-se o navio.
    O sistema de combate da F-125 é novo e talvez demore um pouco pra acertar. Já a banda se resolve (se não me engano, o Nimitz tinha uma banda). O pior, mesmo, me parece, é o sobrepeso que redunda em pouca ou nenhuma margem pra atualizações.
    Não acho que ele seja pouco armado ou tenha pouca sustentação de danos ou tenha propulsão complexa – a comparação com os LCSs está invertida: não são os defeitos que aproximam as naves mas justamente seus trunfos subestimados, em especial uma certa flexibilidade do arranjo interno. Uma nave que vai viajar dois anos sem voltar pra casa tem um bocado de espaço interno alocado ao suporte deste tempo de mar (tem ginásio pra tripulação atrás do canhão da proa)- basta alterar essa autonomia pra um nivel mais convencional e sobra espaço e tonelagem pra acrescentar VLS e outras coisas. Não conseguiram aumentar a dentição dos LCS do segundo lote? A Lockheed e a Austral não fizeram fragatas dos seus seaframes?
    Ao que parece, a propulsão CODLAG é mais econômica e de mais fácil manutenção que outras. Ora, são motores elétricos, alimentados por geradores a diesel, que giram os hélices. A turbina entra apenas pra velocidades maiores (a alta rpm da turbina passa por uma caixa de engrenagens redutoras antes de alimentar o eixo)
    Deixo aqui um artigo interessante e bem ilustrado sobre a F-125 (observem o design interno, no perfil longitudinal, a preocupação em fazer da fragata um navio com estupenda survivability):
    http://www.navalanalyses.com/2016/05/baden-wurttemberg-class-frigates-of.html?m=1

  46. Detalhe quase off topic:
    Quando Sean Gallagher se refere ao ‘peso’ da F-125 como sendo 7200 toneladas métricas ou 7900 ‘toneladas’, tonelada métrica é a tonelada do sistema metrico (que vige aqui e na Alemanha), 1000 kg = 1 t, e ‘tonelada’ é a tonelada curta (que vige na América e Inglaterra), 907 kg = 1 ton.
    A engenharia mecânica sofre horrores pra combinar ou intercambiar peças feitas nestes dois universos de padronização: o inglês ou imperial e o métrico ou internacional…

  47. Boa tarde.
    .
    Como a Alemanha faz excelentes belonaves para os outros e não para si ?
    .
    Caso a Marinha Alemã não queira… conheço uma Marinha que adora uma compra de oportunidade ! Adivinhem qual ?

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