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Naval Group realiza testes com torpedo F21 lançado de submarino nuclear de ataque

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Torpedo F21
Torpedo F21

O Naval Group realizou um novo lançamento do torpedo F21 no âmbito do programa Artemis, liderado pela Agência Francesa de Aprovisionamento da Defesa (Direction Générale de l’Armement -DGA). A médio prazo, a DGA pretende equipar todos os submarinos da Marinha Francesa com este pesado torpedo, o mais eficiente da sua geração.

Este lançamento foi realizado no início de maio a partir de um submarino de ataque movido a energia nuclear (SSN). O F21 foi lançado sob a autoridade do DGA em uma linha acústica subaquática do DGA Missiles Testing na costa de Hyères.

“Este novo teste bem-sucedido de um submarino nuclear é parte do processo de qualificação do F21 e reforça nossa confiança na confiabilidade do torpedo, que está sujeito a um cenário de teste operacional particularmente exigente”, explica Damien Raby, diretor da unidade de negócios de Armas Subaquáticas do Naval Group. O F21 usado para o teste era idêntico ao torpedo de combate atualmente em produção, dos quais várias dezenas de unidades serão entregues à Marinha Francesa a partir de 2019.

O lançamento foi realizado de acordo com o procedimento e a comunicação com o lançador ficou operacional durante todo o exercício. Os dados gravados em tempo real deram uma visão completa de toda a missão, validando assim a realização de todos os objetivos.

Torpedo F21 sendo embarcado em um submarino
Torpedo F21 sendo embarcado em um submarino

Artémis, um programa inovador na área de torpedos pesados

O objetivo do programa F21 Torpedo é substituir o F17 por um torpedo de desempenho de nova geração, mais ágil, mais rápido, mais inteligente e mais operacional.

O torpedo pesado F21 foi projetado para neutralizar navios e submarinos inimigos. Com um alcance e velocidade excepcionais, o torpedo F21 está planejado para evoluir pelo fundo do mar, mas também e especialmente nas áreas costeiras muito ruidosas e muito densas no tráfego marítimo.

Com um poder computacional muito alto que lhe dá excepcional capacidade de processamento em tempo real, o torpedo F21 se beneficia de um avançado sistema de missão e maior autonomia. Essas características técnicas ampliam enormemente as possibilidades de emprego tático com excelente capacidade de discriminação de alvos, especialmente em ambientes difíceis.

O contrato inclui o desenvolvimento e entrega de uma centena de torpedos F21, bem como a sua integração nos submarinos franceses.

A Marinha do Brasil também selecionou o F21 para equipar seus submarinos.

Torpedo F21
Torpedo F21

Sobre o torpedo F21

O torpedo F21 é o único novo desenvolvimento do mundo na categoria de torpedos pesados. Possui características que excedem em muito todos os outros torpedos pesados ​​atualmente em serviço. Além de seus níveis excepcionais de desempenho, a inteligência tática a bordo torna esse torpedo um precursor do que os drones subaquáticos de amanhã poderiam ser.

DIVULGAÇÃO: Naval Group

33 COMMENTS

  1. O importante é produzirmos torpedos próprios que sejam imunes a “virus” ou interferencias plantados nos seus sistemas originais. Neste ambiente de muita sofisticação para torna-lo mais inteligente se propicia a póssibilidade de colocar dispositivos que recebam comandos indesejados.

    • Luiz Floriano,

      O que você disse seria o ideal, mas ai caímos no velho problema brasileiro de não investir em pesquisa e tecnologia.

  2. Partindo da premissa que o SBR será equipado com o SUBTICS e com o torpedo F21, a pergunta que faço aos feras no assunto é a seguinte : Se e quando a MB resolver que o SBR também irá lançar mísseis, bastaria ela compra-los e usar ou seria necessário algum upgrade/modificação na configuração original do SBR , como por exemplo modificar os tubos de torpedos e/ou o SUBTICS ?

    • Prezado Mk48,

      Os submarinos da Classe ‘Riachuelo’ e o Álvaro Alberto estarão aptos a disparar o SM-39 Exocet e poderão ser equipados com mísseis de cruzeiro.

      Abraços

  3. Alguns dados sobre o F21 :

    Weight 1.5 tonnes
    Length 19.6 feet (6.0 m)
    Diameter 21 inches (0.53 m)
    Range 31 nautical miles (57 km)
    Propulsion Electric, 2 propellors
    Speed 50 knots (93 km/h)
    Operational depth > 32 feet (9.8 m)
    Mid-course guidance Wire-guided
    Tracking Acoustic homing

  4. Muitos dizem que o Brasil não investe em desenvolvimento tecnológico, eu discordo. Investimentos sim, mas os resultados sem pífios com raras exceções. O investimento tem que produzir resultados, tem que se pagar. Priorizar produtos que podem ser vendidos internamente e exportados para criar um círculo virtuoso, com os lucros sendo reinvestidos em novos produtos. Falta visão de mercado.

  5. E cadê o TPN (Torpedo Pesado Nacional) da Mecraton? Será que será adaptado ao SBR e SNBR ? Poderá ser mais avançado do que o F21? Espero bem que sim.

    • Prezado Filipe,

      O projeto do TPN foi desenvolvido pela Mectron com transferência de tecnologia alemã.

      Desde 2015 que não se tem notícias sobre o TPN.

      Especulo que pelo fato da Mectron estar ligada a Odebrecht, e esta todos sabemos no que se envolveu, a coisa tenha desandado. Repito : Isso é pura especulação minha.

      Abs.

        • Acredito que seria melhor diversificar, investir em torpedos de diâmetro reduzido e torpedos com capacidade anti-torpedos.
          Isto traria maior flexibilidade e modernidade aos nossos subs.

  6. Se os ingleses optaram por utilizar um torpedo convencioanl, de trajetória reta a ainda afundaram o Belgrano, não vejo o porque não continuarmos fabricando estes torpedos convencionais, se já tinhamos essa capacidade. Sempre terá uma ocasião em que essa arma será de muita valia. Ainda considerando que as modernas baterias possibilitam que torpedos elétricos tenham um alcance bem maior. Parece uma arma de simples projeto: propulsão elétrica, guiagem por giroscópio mecânico acionado por ar comprimido, correção de nivel por Barton e cabeça de guerra com carga explosiva detonada por espoleta multipla de contato e retardo. A trajetória pode ser programada para zig zag ou curva, mediante programador mecanico-elétrico temporizado. Simples e barato (em termos comparativos, claro…);

  7. Prezado Luiz Floriano,

    Como você citou em seu comentário , o comandante do HMS Conqueror decidiu-se por utilizar os velhos torpedos de tiro reto Mk.8 da Segunda Guerra Mundial, não só porque eram mais confiáveis que os novos Tigerfish Mk.24, guiados a fio, mas também porque levavam maior carga explosiva.
    O ano era 1982 e a reputação dos Tigerfish Mk.24 não era das melhores, apesar de que a MB adotou inicialmente este torpedo para equipar os subs classe “Tupi” e aparentemente não teve maiores problemas com ele. Posteriormente a MB optou por utilizar os torpedos americanos Mk48 ADCAP (comprou na ocasião 30 unidades via FMS), que hoje em dia armam o “Tupi” e o “Tikuna”, que durante os seus PMG´s tiveram os seus sistemas de direção de tiro originais trocados pelo americano, para poder suportar o novo torpedo. Os demais submarinos (3) ainda estão aguardando esta modificação.

    A primeira tentativa brasileira de produzir torpedos remonta ao início da década de 1940. Além disso, essas armas eram o principal meio ofensivo dos contratorpedeiros da época, dos quais nove estavam em construção no AMIC/AMRJ. Era preciso armá-los também.

    Estabeleceu-se na Ponta da Armação uma Fábrica de Torpedos (assim como uma de artilharia fora estabelecida no Arsenal, para os canhões dos navios), a partir da criação da Comissão de Estudos de Torpedos, em 12 de dezembro de 1940. Componentes de exemplares em serviço foram estudados, outros fabricados a partir de planos que vieram para manutenção dos que equipariam seis contratorpedeiros ingleses encomendados e não entregues e, em 1943, foi posta a funcionar uma máquina propulsora brasileira.

    Quando o almirante Jonas Ingram, comandante da Quarta Esquadra dos Estados Unidos (sob a qual atuavam os navios brasileiras) visitou as instalações e viu a máquina, prometeu enviar planos de um torpedo norte-americano. Ele cumpriu a promessa, mas só no pós-guerra tudo estava pronto para fabricar os torpedos MkXV mod III de 21 polegadas, os mais modernos então disponíveis nos EUA.

    Ao longo dos anos 1950, foram produzidas 20 unidades para emprego pelos contratorpedeiros e iniciou-se a adaptação para uso nos submarinos, mas essa iniciativa foi desestimulada pela bem mais fácil obtenção de armas e equipamentos diretamente dos Estados Unidos, conforme o Acordo de Assistência de 1952. A partir daí, foram décadas em que apenas se adquiriu torpedos no exterior.

    Vindo mais para o presente, quando a MB iniciou o projeto de construção dos SBR e do SNBR , ela vislumbrou que poderia ter problemas na aquisição de torpedos para estes subs. Assim, foi contratada a empresa Mectron (do grupo Odebrecht) para desenvolver o que viria a ser chamado de TPN (Torpedo Pesado Nacional), que seria desenvolvido com transferência de tecnologia alemã, porém desde o ano de 2015 que não se tem notícias deste projeto, provavelmente por conta dos escândalos em que a Odebrecht esteve / está envolvida.

    Assim, aparentemente , perdemos mais uma oportunidade de desenvolver e produzir nacionalmente torpedos.

    Abs.

    * Para compor este post utilizei partes de uma matéria produzida pelo Alexandre Galante.

  8. Nunão

    Boa ideia. Acho muito interessante esa história do torpedo necional. Pode acontecer com ele o que acontece com outros manufaturados: é mais barato e mais simples importar do que produzir. Mas, não é o que mais interessa para a segurança nacional. A MB não pode depender de importação de itens críticos, como os torpedos. De que nos adiantará fabricar submarinos, se não fabricamos a arma básica do mesmo que é o torpedo.

  9. Da mesma forma como nacionalizamos os Exocet MM-40, poderemos nacionalizar os F-21 , podemos chamar de transferência de tecnologia, seria o ideal…

    • Não creio Filipe.

      O Exocet é um projeto da década de 1970, é mais fácil de transferência de tecnologia. Já está defasado. Agora o F21 é novíssimo e possui muita tecnologia sensível e ainda classificada. Não creio que transfiram.

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