Home Ciência e Tecnologia Prosub: entrega dos primeiros simuladores (PARTE 2)

Prosub: entrega dos primeiros simuladores (PARTE 2)

8672
36

Comissionamento dos dois primeiros simuladores para submarinos classe S-BR ocorrerá nesta semana

por Guilherme Poggio

Dando sequência à matéria publicada ontem (clique aqui para ler o texto), segue abaixo a segunda e última parte sobre os simuladores para submarinos classe S-BR. Como as informações colhidas durante a visita  ao EBN foram muitas, nós do Poder Naval reproduziremos todas elas em diferentes postagens.

Simulador baseado em computador (Computer Based Training – CBT). A função básica é simular de forma integral o software de controle integrado da plataforma do navio (IPMS – Integrated Platform Management System).

As diversas estações que compõem a sala do CBT

A sala do simulador é composta por oito estações de trabalho (cada uma com quatro telas planas). Em cada uma dessas estações é possível simular o funcionamento do submarino e seus diferentes sistemas. O software permite reproduzir fielmente as mesmas telas das estações de trabalho (consoles) que o submarino real terá.

O software possui um módulo de passeio virtual pelo submarino e pelo que pudemos ver uma das quatro telas das estações sempre apresentava esta informação.

Com o CBT será possível simular 3.000 falhas diferentes que podem ocorrer no navio. Ou seja, praticamente quase todas as possibilidades de algo dar errado podem ser treinadas naquela sala antes mesmo que a tripulação navegue pela primeira vez com o submarino. Além da simulação da falha o software reproduz as reações do navio diante delas.

É importante destacar que muitas destas falhas possuem restrições de simulação em mar por implicar em riscos à plataforma e/ou aos tripulantes. Este talvez seja o grande salto que a Força de Submarinos dará na área de simulação, pois até então a Marinha não operava simuladores com esse patamar para treinar suas tripulações.

Telas mostrando a simulação das interfaces e do ambiente do compartimento de controle do submarino

Tela mostrando o ambiente virtual de praça de máquinas do S-BRSimulador de superfície. Este é um simulador de retorno à superfície. Todo submarinista antes de retornar à superfície com segurança deve recompor o quadro tático na cota periscópica e seguir uma série de procedimentos. Até por este motivo o simulador conta com o sistema de combate completo e um periscópio de ataque.

Vista parcial da sala do simulador de superfície durante a visita de representantes dos órgãos de imprensa especializada. O simulador propriamente dito está à direita da foto e a porta de acesso está aberta.
Detalhe o acesso ao simulador de superfície.

Há similaridades entre o simulador de superfície e o simulador tático. Porém, o simulador de superfície não possui o sistema de combate completo. A Marinha possui a opção de adquirir o sistema de combate completo para o simulador de superfície e assim ficar com dois simuladores táticos. No entanto, ela preferiu no momento realocar recursos em outras áreas mais críticas do programa.

No momento da visita o simulador estava montado e a empresa Naval Group realizava testes internos para que o comissionamento dele ocorresse juntamente com o simulador tático (não visitado pela equipe do Poder Naval) na segunda semana de julho.

Interior do simulador de superfície. Ele reproduz parcialmente o compartimento de controle e manobra do submarino. Em destaque aparecem a mesa tática e o periscópio de ataque. Ao fundo os consoles do sistema de combate. O simulador tático não difere muito deste no aspecto visual.

Além dos três simuladores detalhados acima existem outros três em diferentes fases de implantação (tático, controle de alagamento e procedimentos de escape).

O Simulador de plataforma (ver post anterior) e o CBT (descrito acima) estão mais adiantados. O comissionamento dos mesmos deverá ocorrer ainda nesta semana. Em seguida o pessoal responsável terá duas semanas de instrução e, posteriormente, os simuladores serão considerados entregues.

Na mais recente atualização do acordo comercial do Prosub a Marinha incluiu um contrato de manutenção dos simuladores até o final da abrangência do contrato de manutenção dos submarinos, incluindo a capacidade de atualização do software.

Por fim, completando a descrição das instalações do prédio dos simuladores dos submarinos convencionais, existem cinco salas de aula e um auditório que se localizam no andar superior.

36 COMMENTS

  1. Que Maravilha, é um belo de um vídeo game !!! PSP 5000

    brincadeira a parte, o custo destes simuladores imagino eu já esta incluso todo no programa prosub ?? Vamos precisar também atualizar nossos meios de resgate de submarinos não ?

    • Sim, Rodrigo, os simuladores fazem parte do pacote.

      Sobre atualização de meios de resgate, há matéria recente sobre o assunto.

    • O próprio site Naval (esse daqui) publicou em 29de Maio deste ano (2018) q o Almirante Leal Ferreira pediu ao CON para estudos de um novo sistema de salvamento submarino.Espero q ele realmente cheguei um dia em breve e q seja aerotransportado

      • Estou muito satisfeito com o PROSUB, nunca pensei que seria assim essa transferência de tecnologia, pelo menos a nivel a AL estamos 30 anos a frente da Argentina, Colombia, Chile no que toca as instalações de Itaguai, o PROSUB não têm igual no Hemisferio Sul, fora o Programa da Australia (12 SSK Barracudas também da Naval Group), não vejo outro programa semelhante, no final de tudo serão 21 submarinos (6 SSN SNBR + 15 SSK SBR), na prática o Prosub é o maior contracto do Naval Group fora da França, e tudo com a realidade virtual e instrumentos de tecnologia digital de ponta, estaremos preparados para produzir Subs da gama do Virginia, do Astute e dos Barracudas, a MB está noutro patamar… nesse momento não ha como parar essa industrialização das nossas forças submarinas.

        • “no final de tudo serão 21 submarinos (6 SSN SNBR + 15 SSK SBR), na prática o Prosub é o maior contracto do Naval Group fora da França”

          Só para esclarecer, Filipe: no contrato atual são 4 SBR e 1 SNBR. Para construir futuros submarinos além desses 5, é preciso novas encomendas, novos contratos e verbas / financiamento.

  2. Parabéns ao PN pelas ótimas matérias sobre os simuladores, já permitindo antever a qualidade dos demais itens que serão trazidos dessa oportuna visita a Itaguaí. Estas matérias reconfortam quanto à redução na quantidade de combatentes de superfície, priorizar é isso mesmo, com recursos escassos não há como ter tudo ao mesmo tempo.
    .
    Já que pedir não custa, sugiro (imagino mesmo que já esteja previsto) que em uma foto do google earth sejam marcadas todas as construções já existentes ou em andamento na parte sul da base. Também uma foto de altitude mais elevada, marcando a totalidade das instalações (Nuclep, UFEM, partes norte e sul, túnel). Seria uma atualização das anteriores, novamente agraciando os apreciadores do tema com imagens esclarecedoras e permitindo a periódica comparação com situações posteriores.

  3. Parabéns Marinha, só com muita força de vontade e competência é possível, mesmo com toda a irresponsabilidade dos nossos governantes para com as forças armadas, manter esse projeto em andamento.

  4. Sei que o meu comentário nada tem a ver com a matéria, mas como o blog não tem um espaço para comentários gerais, só resta o espaço para comentários em matérias específicas. O blog ignorou total e solenemente as notícias recentemente veiculadas por diversos jornais sobre corrupção e superfaturamento na compra das fragatas da classe Niterói. As fontes teriam sido documentos do governo inglês. Fiz esse alerta nos comentários de outra matéria, sobre o nome do NPHM Atlântico já estar sendo mencionado no Diário Oficial, mas os responsáveis pelo blog não publicaram o comentário.

    • Seu comentário deve ter sido bloqueado automaticamente por algum motivo, pois diversos outros comentários falando desse tema (documentos de investigação sobre superfaturamento do estaleito Vosper na época da construção da classe Niterói), e com link para a reportagem da Folha de São Paulo sobre isso, foram publicados.

      Na minha opinião a abordagem a esse assunto dos anos 70 ainda está muito preliminar por parte da mídia, e superficial, para valer uma matéria para discussão aqui no Poder Naval (mesmo um clipping), ainda mais levando em conta a profundidade com que já abordamos a construção da classe Niterói aqui no site e na revista Forças de Defesa. Conheço o trabalho de pesquisa bastante sério do historiador que encontrou o documento, e que já fez um trabalho de respeito sobre a aquisição de encouraçados pela MB no início do século XX. Por isso mesmo acredito que ele ainda tenha muito o que se aprofundar no assunto, para manter o seu alto padrão de pesquisa. Creio que o tema só foi para a mídia devido à conjuntura atual de se explorar com mais ênfase vários aspectos da repressão e corrupção da ditadura militar (1964-1971), pra contrabalançar o barulho que uma minoria muito mal-informada faz quando pede intervenção militar, en meio à corrida presidencial (e também devido a um ex-militar fazer parte dessa corrida). Acho melhor esperar o pesquisador aprofundar sua pesquisa e apresentar mais resultados e cruzamentos de dados, num ambiente de maior isenção e dentro do rigoe histórico, para aí sim o debate sobre o assunto fazer sentido e ser produtivo, e não meramente um tema impregnado da disputa eleitoral.

      • Parabéns pela visão e análise da situação política que vivemos hoje. É verdade, estamos em uma fase da vida Nacional em que poderão haver mudanças tremendas ideológicas e administrativas, o que incomoda diversos setores que estão , hoje e no passado recente, no poder e serão enormemente afetados. Novamente parabéns pela lucidez da Trilogia.

  5. Excelente como o prosub está cumprindo com as metas de prazo (espero que de custo tbm).
    Tenho uma pergunta mais técnica pois não sou da área e me deu certa curiosidade ao ver os simuladores e refletir um pouco sobre os periscópios: Com o advento do avanço tecnológico não seria interessante aposentar o sistema optico de periscópios, que além de pesado deve ocupar um espaço enorme, e se partir para a utilização de câmeras e outras tractanas digitais que ocupam menos espaço e as imagens podem ser reproduzidas em qualquer monitor, liberando espaço em que hoje se encontra o fosso do periscópio?

    • DigJoy,
      Ambos os tipos (penetrantes, cm sistema óptico e não penetrantes, com sistema optrônico) são considerados necessários, até por redundância. Há os dois tipos. Mais informações em próximas matérias.

    • DigJoy dos Sete Mares

      Pretendemos tratar de periscópios em outra matéria. O que eu posso adiantar para você é que o número de periscópios penetrantes está diminuindo e de não penetrantes está aumentando. Atualmente no S-BR só temos um penetrante (o periscópio de ataque).

  6. Meus cumprimentos pelas reportagens !!! Mostrar fatos ajuda aos entusiastas montarem uma idéia mais clara e imparcial das atividades da MB !!! BZ !!!

    • Agradecemos XO. Para isso contamos com a colaboração da MB que organizou essa nossa visita às instalações. Assim podemos dar uma visão diferente (porém, complementar) da oficial sobre o projeto.

  7. Parabéns Sr. Poggio, reportagens como estas são de extrema importância e devem ser promovidas pelas forças armadas, pois demonstram onde e como esta sendo aplicado os recursos.

    Quanto a MB, ela esta no caminho certo, simulação é fundamental, economiza recursos e logo estes equipamentos estarão pagos pelo valor que se vai economizar, treinando os tripulantes sem colocar o submarino no mar. Ótimo.

    Um ponto off-topic que me chama a atenção é vendo a foto do alto da base, não tenho como não deixar de pensar na vulnerabilidade destas instalações, como tantas outras na costa do Rio de Janeiro a um ataque de mísseis de cruzeiro. No mundo atual já foram muitas as ações deste tipo com a finalidade de pressionar etc. Será que no futuro deste século que ainda esta no começo não poderemos ser alvos de algo assim e por causa de uma ação desta perder centenas de milhões de dólares em patrimônio todo concentrado em construções de superfície no litoral. Creio que o Ministério da Defesa tem o dever de pensar em algumas formas de proteção.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here