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MB vai atualizar conhecimentos sobre acústica submarina e sistemas de sonar

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Por Roberto Lopes
Especial para o Poder Naval

A Marinha do Brasil (MB) vai examinar, no período de 6 a 8 de novembro, temas ligados à propagação acústica submarina, ao processamento de sinais acústicos submarinos e aos sistemas de sonar.

Os debates acontecerão no Auditório do Centro de Gestão Tecnológica da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), situado na Cidade Universitária (Ilha do Fundão), durante o XIII Encontro de Tecnologia em Acústica Submarina (XIII ETAS), organizado pelo Instituto de Pesquisas da Marinha (IPqM) e pela COPPE/UFRJ (Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade).

O evento integra o calendário de atividades de Ciência, Tecnologia e Inovação da MB para 2018, gerenciado pela Diretoria-Geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha, e contará com a ativa participação de oficiais do Comando da Força de Submarinos.

As linhas de discussão estão sendo preparadas no momento em que a Diretoria de Sistemas de Armas da Marinha avalia dar respaldo ao aproveitamento do Projeto Sonar Nacional Ativo (SONAT), do IPqM, na revitalização dos sonares das fragatas Classe Niterói.

A substituição desses sonares antigos vem sendo pesquisada há mais de um ano, e estava prevista para acontecer nessa metade inicial de 2018, mas não há informações de que tenha sido realizada.

Fonte da Marinha ouvida pelo Poder Naval diz que o serviço de revigoramento de diferentes sistemas das fragatas foi adiado para o segundo semestre (ainda que sem uma confirmação de que ocorrerá efetivamente).

Fórum – O sonar ativo possui transmissores acústicos e emitem sinais que, ao serem refletidos por obstáculos submarinos, retornam na forma de “ecos”, processados pelo sistema, gerando informações como distância e marcação (direcionamento angular) do contato.

Os transdutores, elementos sensores do SONAT, foram desenvolvidos no Tanque Hidroacústico do Grupo de Sistemas Acústicos Submarinos (GSAS) do IPqM – especialmente projetado para a condução de ensaios acústicos submarinos.

O ETAS tem por finalidade ser um fórum nacional apto a reunir representantes da MB, da indústria, do meio acadêmico e dos centros de investigação tecnológica que atuam na área de engenharia de equipamentos acústicos, de geoacústica, oceanografia acústica, posicionamento acústico, sistemas sonar e tecnologia e caracterização de materiais piezoelétricos.

O GSAS pesquisa softwares de extrema importância para o desempenho operacional das tripulações de submarinos, como o de reconhecimento de padrões sonoros e os que simulam ruídos de navios.

A seu cargo estão também, além do desenvolvimento do sonar ativo, o Sonar Passivo Nacional (SONAP), o Sistema de Sonar Passivo Rebocado (SSPR) e um Sistema de Simulação para Treinamento Sonar.

O avanço dessa investigação científica (no âmbito de um país que privilegia muito pouco o conhecimento científico) é lento, mas cada passo à frente é festejado como uma grande conquista.

No evento de novembro será realizado também o III Workshop do Projeto de Monitoramento da Paisagem Acústica Submarina da Bacia de Santos (PMPAS-BS), empreendimento conduzido pela PETROBRAS para atender às solicitações do IBAMA no âmbito do processo de licenciamento ambiental da Etapa 2 do pré-sal.

Transdutores do sonar passivo nacional
Transdutores do sonar passivo nacional

21 COMMENTS

  1. Quando se fala em Marinha a primeira coisa que nos vem em mente são os navios, submarinos, etc… porque é a parte mais visível da Instituição.

    No entanto, matérias como esta ajudam a difundir o “outro lado” da MB, o qual poucas pessoas tem conhecimento que existe, que é o lado da pesquisa e da tecnologia.

    Eu admiro e tenho muito orgulho da MB neste sentido também.

    Fazer pesquisa e desenvolvimento no Brasil não é para os fracos.

    Quando se fala em pesquisa e desenvolvimento de armas e sistemas navais ai é pior ainda, pois evidentemente os países que já passaram por esta etapa não vão nos ensinar e tudo tem que começar do zero, sem verbas e sem apoio governamental.

    Projetos como esse do sonar, do torpedo nacional, da nacionalização do Exocet e outros deveriam ser projetos de Governo, afinal trata-se de interesse nacional não mais depender de fornecedores estrangeiros para estes (e outros) equipamentos.

    A MB vem a duras penas, desde a primeira tentativa de nacionalizar a fabricação de torpedos, ainda no final da década de 1940, sendo a pioneira em tecnologia e inovação.

    Parabéns a MB e aos seus gestores, mais uma vez.

  2. A guerra submarina é um mundo a parte.

    Tinha um joguinho de Submarino no Mega Drive que achava sensacional. Em sua simplicidade ensinava os rudimentos da guerra submarina de maneira bem interessante

    Podia pilotar um sub da Classe Los Angeles ou um Alfa soviético. Era bem legal, inclusive com sonares “towed array”, decoys, torpedos, misseis, navegação, estratégia e muita diversão, essa questão das camadas termais (o comandante sabia quando estava cruzando uma dessas camadas) também era válida no jogo.

    Para quem gostava de estratégia era bem legal, com uma série de missões contra navios e subs. Outros tempos, tempos mais simples mas muito divertidos.

  3. As linhas de discussão estão sendo preparadas no momento em que a Diretoria de Sistemas de Armas da Marinha avalia dar respaldo ao aproveitamento do Projeto Sonar Nacional Ativo (SONAT), do IPqM, na revitalização dos sonares das fragatas Classe Niterói.

    Não devem analizar se é viável ou não, devem revitalizar as fragatas com sonar nacional e pronto.
    Assim quando da fabricação das CCT,s e outros navios já teremos esse equipamento nacional.

    O avanço dessa investigação científica (no âmbito de um país que privilegia muito pouco o conhecimento científico) é lento, mas cada passo à frente é festejado como uma grande conquista.

    Pois é, é isso que me frusta.
    Um país que não aposta em educação, desenvolvimento etc será sempre massa de manobra de países mais desenvolvidos.
    Vide exemplo de nossa pauta de exportações, até hoje baseada comodities.
    Só sabemos importar ou replicar a duras taxas financeiras localmente.
    Acho que a MB deveria abrir participação nesse projeto para outras faculdades nacionais, assim ganharia muito em mão de obra e meios de P&D.
    Parabéns MB, que venha o Soap, SONAT etc.

    • Prezado,

      Você disse “Não devem analizar se é viável ou não, devem revitalizar as fragatas com sonar nacional e pronto.”

      Seria o ideal, mas infelizmente não é assim que a banda toca.

      No mais, abrir participação num projeto estratégico não é nem nunca foi saudável.

      Projetos estratégicos requerem sigilo pela natureza do que tratam.

      Vamos com calma , não é tão simples assim como você colocou.

    • Fox, a MB, por meio da DGDNTM, possui escritórios na UFRJ, PUC-Rio, UFF e FURGS… além do relacionamento com a USP, por meio do CCEMSP, que já vem de décadas… isso tudo para aproximarmo-nos da Academia e suas potencialidades no que tange à pesquisa e desenvolvimento… abraço…

  4. Senhores,

    Peço desde já desculpas por minha ignorância, mas a segunda imagem apresenta evidentemente a situação ótima de operação para um submarino. A pergunta é: há sensores no submarino que permitam a determinação desta “zona ótima”? Quais seriam?
    Obrigado desde já.

    • Complementando o Dalton… os submarinos podem acompanhar o chamado “nível de perigo”, o qual corresponde à probabilidade de detecção… nós da superfície, por outro lado, podemos calcular a MPPF (melhor profundidade de penetração e fuga), a partir das condições acústicas do local… abraço….

    • Caro Dalton, a partir das informações batimétricas, calculamos o alcance sonar previsto, a MPPF (citada acima) e vemos se existe ou não termóclina… no meu tempo de V33, usávamos o programa do CASOP para calcular isso aí… abraço…

  5. MK-48, em partes concordo com você, mas abrir participação nacional em um projeto estratégico nacional é sempre aconselhável.
    Basta a MB relegar funções a instituições de P&D nacionais, Faculdades etc.
    Sem que os participantes não tenham conhecimento do que estão desenvolvendo.
    Foi assim que o governo americano levou seu projeto Manhattan, programa espacial etc.
    Se eles conseguem, porquê nós não?
    Por exemplo, a MB relega a função de desenvolvimento do software a UFMG, cerâmicas piezo elétricas a UFRJ, hardware a UFRG e por ai vai.
    Cabendo a MB integrar tudo e junto a empresa escolhida fabricar os protótipos.
    Quanto aos soares das Niteróis, se temos o conhecimento, verbas e disponibilidade de fazer, devemos sim realizar o serviço.
    Assim as fragatas servirão de demonstrador de tecnologias e em futuro próximo teremos a evolução dos sonares nacional em plataformas novas e com grande tempo de vida útil pela frente.

    • Fox,

      Desculpe , mas as realidades e contextos dos projetos que você citou são diferentes do que ocorre hoje.

      No projeto Manhattan , por exemplo, todos os cientistas ficaram compulsoriamente internados numa “vila” construida no meio do deserto do Novo Mexico. Todos os cientístas eram monitorados e vigiados 24 horas. Até as correspondências eram analisadas por censores do Us Army.

      Portanto, defendo sim, sigilo absoluto nas questões de segurança nacional, bem como no desenvolvimento de tecnologias bélicas.

  6. A pergunta é, qual a indústria nacional será a responsável pela industrialização destes equipamentos?! Precisamos retomar o processo de consolidação da industria, eliminado o processo de pulverização de projetos. No fim acabamos, sempre, importando e não dando continuidade no que é desenvolvido aqui. Nossos institutos de pesquisa conseguem importantes resultados tecnológicos, mas que pouco se traduz em materialização de produção continuada.

    Já passou da hora de se transformar a SEPROD em Agência de Desenvolvimento e Aquisição de Produtos de Defesa (ADAPROD).

  7. Caro MK-48, respeito seu ponto de vista, mas sou contra.
    Pois a DARPA desenvolve projetos super estratégicos e futuristas com instituições de ensino como MIT e nem por isso perdem o sigilo.
    O mesmo acontece na Índia com seu DRDO e mundo afora.
    Se optarmos por esse viés (tríade empresa, faculdades, governo), teremos obrigatoriamente que melhor (ou mesmo criar, pois o atual é inexistente) e muito os meios de inteligência e contra inteligência nacionais, sejam eles civis (Abim) ou militares.
    Como disse o Wellington Góes (e como eu sempre disse), precisamos para ontem de uma autarquia nos moldes da Darpa, Drdo etc.
    Passar bem!

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