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Saab e Damen apresentam proposta de submarino A26 para a Holanda

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Uma equipe da Saab-Damen revelou um projeto inicial de um submarino que planeja oferecer para substituir a frota da classe “Walrus” da Marinha Real Holandesa (Royal Netherlands Navy).

As duas empresas uniram-se inicialmente em 2015 para concorrerem conjuntamente por um trabalho em vários mercados, declarando na época que a concorrência holandesa era de particular interesse.

Parcialmente derivado do submarino A26 da Saab Kockums, as duas empresas projetaram o que descrevem como uma embarcação modular para os requisitos da Holanda.

Os representantes da Saab e da Damen dizem que uma abordagem modular permitirá que muitas empresas holandesas integrem seus sistemas ao submarino e, posteriormente, os apoiem durante toda a vida útil da frota.

A equipe está trabalhando ao lado de várias empresas e instituições holandesas para oferecer a substituição, que é enfatizada pelas duas empresas como sendo importante para o programa, porque manterá o investimento no país.

O projeto incorpora um lançador para o pessoal das forças especiais ao lado do lançador de torpedos na proa da embarcação, permitindo que eles saiam horizontalmente do submarino, em grupos de oito.

Este é um novo recurso para um submarino, alegam as empresas, já que antes forças especiais eram obrigadas a deixar o navio na vertical, um a um.

O tubo de 1,5 m de diâmetro também será largo o suficiente para lançar embarcações tripuladas ou não tripuladas em miniatura, e o submarino será compatível com o torpedo americano Mark 48.

Versões alongadas e com lançadores verticais de mísseis de cruzeiro

Durante seu Seminário de Submarinos 2017, a Saab Kockums anunciou que o submarino de próxima geração A26 é agora uma família com três modelos: Pelagic, Oceanic e Oceanic (Extended Range).

A26 Pelagic

A nova variante Pelagic é uma versão menor da A26 projetada para a Marinha da Suécia. Ela mede menos de 50 metros de comprimento com um deslocamento de cerca de 1.000 toneladas. Seu alcance é de 4.000 milhas náuticas a 10 nós e sua autonomia à velocidade de patrulha é superior a 20 dias graças ao módulo AIP. O tripulação padrão é de 17 a 25 militares.

A26 Oceanic

A variante oceânica é praticamente a linha de base “A26” projetada para a Marinha Sueca. Mede 65 metros de comprimento com um deslocamento de 2.000 toneladas. Seu alcance é superior a 6.500 milhas náuticas a 10 nós e sua autonomia à velocidade de patrulha é superior a um mês (30 dias) graças ao módulo AIP. A tripulação padrão da é de 17 a 35 militares.

A26 Oceanic (Extended Range)

A nova variante Oceanic (Extended Range) é uma versão maior/alongada da A26 projetada para a Marinha Sueca. Tem um comprimento superior a 80 metros e um deslocamento de mais de 3.000 toneladas. Seu alcance é superior a 10.000 milhas náuticas a 10 nós e sua sua autonomia à velocidade de patrulha é superior a 50 dias graças ao módulo AIP. A tripulação padrão é de 20 a 50 militares.

Todas as variantes são equipadas com um sistema Stirling AIP e sistema de propulsão diesel-elétrica. A Saab também diz que todas as três variantes podem ser equipadas com “sistemas de armas marítimas/aéreas/ terrestres”. A família A26 pode ser equipada com módulos VLS para mísseis de cruzeiro. Todas as três variantes foram projetadas para ambientes operacionais tropicais e árticos.

Submarino A26 VL, com módulos de lançadores de mísseis de cruzeiro
Submarino alongado A26 VL, com módulos de lançadores de mísseis de cruzeiro

Segundo a Saab, o A26 é um submarino único com design modular comprovado, silencioso e de longa duração. O A26 da Saab usa a mais recente tecnologia stealth e comunicação tática avançada para permitir que os submarinos integrem suas comunicações com as de outras forças de defesa e agências civis.

A flexibilidade operacional, juntamente com um abrangente conjunto de armas, permite que ele execute uma ampla variedade de missões. O submarino A26 foi projetado para as seguintes missões: operações de segurança marítima, operações de inteligência, operações secretas de contra medidas de minagem, operações especiais transportando, posicionando e recuperando forças especiais junto com equipamentos e veículos submarinos, trabalho subaquático, guerra antissubmarino e anti-superfície, e minagem de fundo no modo secreto.

A Saab Kockums tem contrato com a FMV (Administração Sueca de Materiais de Defesa) para entregar dois submarinos A26 à Marinha Sueca até 2022. A Saab também está comercializando o A26 para as Marinhas da Polônia, Holanda e Índia.

43 COMMENTS

  1. A Polônia recentemente desativou 2o de seus 4 subs e está procurando um projeto para reequipar sua ForSub, agora a Índia ? Esses indianos compram tudo de todos, vai imaginar a logística de suprimentos deles.

  2. E a consagração do sistema AIP. Os ganhos de furtividade se sobrepoem a qualquer outra consideração, eis que, esse recurso torna o ataque destes Subs. quase indefensãvel. Se conseguirem desenvolver satisfatóriaamente a bateria de longa duração e carga (Litio-ion) para uso naval será a futuro da guerra submarina defensiva. Restará aos barulhentos SubNucs. a função estratégica que requer grande tonelagem e espaço para armamentos.

    • Luiz Floriano, os submarinos nucleares modernos não são muito mais barulhentos, o nível de ruído está muito semelhante aos dos submarinos convencionais.

    • Luiz Floriano, submarinos nucleares “barulhentos” são cada vez mais coisa do passado. As tecnologias evoluiram muito nesse campo e muitos submarinos nucleares são tão silenciosos quanto os convencionais em imersão abaixo da cota periscópica.

    • Luiz,

      Um sistema ‘Stirling’ também não é algo necessariamente “super silencioso”… Tem partes móveis ali cujo ruído deve ser atenuado…

      O desempenho desses sistemas AIP ainda é muito limitado, prevendo velocidades constantes que não variam muito acima dos 5 nós no melhor regime de funcionamento. O maior impacto é aumentar o tempo de permanência em uma área que se deseja guardar, não produzindo influência muito maior para além disso.

      Já o submarino nuclear, este pode manter elevadas velocidades de cruzeiro por longos períodos ( não raro, acima de vinte nós ), o que os permite deslocar-se rápido a qualquer ponto do oceano e lhe proporciona chances reais de interceptar uma FT onde esta estiver.

  3. Poxa, que invejinha.

    Depois de ficar babando na matéria do Riachuelo descubro que tem como lançar forças especiais por uma escotilha horizontal. No SBR-1 obviamente não tem esse recurso, mas existe alguma maneira de fazer um ataque furtivo com forças especiais através dele sem a necessidade e emergir?

    Saudações

  4. Precisávamos revisar o projeto do SNB para adicionar ao menos 1 sistema desses de lançamento de mísseis de cruzeiro, mas isso a partir do 2 SNB para não atrasar mais 5 anos o primeiro SNB

    • Não condeno quem sonha com tubos de lançamento verticais nos nossos submarinos mas precisa-se compreender quantos milhões seriam gastos para efetuar tais mudanças no projeto. Do jeito que a nossa marinha está tirando leite de pedra para manter o cronograma do PROSUB seria suicídio propor tais mudanças. A marinha fez o que era certo: escolheu um projeto tradicional mas que também é capaz de lançar mísseis pelos tubos de torpedo.

  5. Amei essa versão alongada. Imagine o que se pode fazer com o espaço retirando os tubos de lançamentos verticais. Daria para aumentar a quantidade de suprimento e de combustível do submarino, prolongando assim o tempo da missão.

  6. Pergunta: qual a vantagem dessa vela de desenho diferente?
    No texto está “O A26 da Saab usa a mais recente tecnologia stealth” isso teria algo a ver ( apesar de que no meu modo leigo de ver serão poucas as oportunidade que a vela estará acima do mar e submerso não sei se adiantaria muita coisa p/ despistar um sonar inimigo )?

    • A formato facetado da vela dispersa ondas de radar, de modo análogo ao que ocorre com os aviões furtivos. Se isso é relevante? Que eu saiba, esse é o único submarino que usa esse recurso, o que dá uma pista da sua efetividade …

      • Caro JT8D, como vc sabe, desde o advento do snorkel os submarinos não precisam mais ficar navegando c/ a vela exposta, então como eu coloquei serão poucas as ocasiões que ela estaria sujeita a ser detectada por um radar, por isso também falei da situação dela submersa e da detecção do sonar.

        • Pois é, Luciano, você acha que se esse recurso fosse efetivo ele já não teria sido usado por americanos e russos, que investem fortunas no projeto de seus submarinos? Eu acho que isso é o tipo de coisa que não tem grande utilidade, mas também não atrapalha e ainda por cima faz bem para o marketing (tipo uma propaganda de água mineral sem colesterol)

      • Pessoal,

        Furtividade é um conceito com vários aspectos: acústico, térmico, visual, eletromagnético etc.

        Submarinos são meios furtivos por natureza. Muito antes de aeronaves ou navios de superfície.

        Formas do casco hidrodinâmico, além de ajudar no desempenho também visam minimizar a geração de ruído. Revestimentos no casco podem absorver ondas do sonar, formas da vela também podem variar nesse sentido.

        • Mestre, quem sou eu p/ rebater vossos argumentos, mas no caso específico dessa vela, minha opinião ( destaco, de leigo abusado, rs ) é mais na linha do JT8D, ou seja se os bichos papões da área nunca usaram, será que todos estavam comendo mosca?
          Aproveitando o que vc, falou os nossos terão algum revestimento ou pintura p/ diminuir sua detectabilidade ( não sei nem se existe essa palavra )?

    • Pois é Luciano, também fiquei me perguntando sobre isto, li em algumas matérias sobre o A26 e foi afirmado que seu revestimento externo, veio de frutos da Visby que utiliza materiais baseados em plástico e fibras de carbono (CFRP) em seu casco, (ainda não sei ao certo a veracidade desta fonte), mas ainda me pergunto a eficiência e resistência destes materiais submersos a altas pressões.
      Quanto ao formato da vela do A26, achei diferente e até dá um certo “charme” para o submarino. A Saab promove a furtividade do submarino usando uma versão optimizada do GHOST (Genuine HOlistic STealth), segundo a Saab: “o emprego do GHOST torna o submarino A26 efetivamente indetectável, pois todas as suas assinaturas são ainda mais baixas do que as do submarino Kockums Gotland Class.” Quanto a isso infelizmente não posso afirmar nada, entretanto é interessante ver os meios navais cada vez mais adeptos as propostas de modularidade e multipropósito.Abs

      • Matheus,

        Não há nada de muito especial em usar compósitos no casco externo, ou hidrodinâmico, de submarinos. Painéis desses materiais podem cobrir partes alagáveis, como é o caso da vela, e estando alagado a pressão é igual em ambas as faces do material.

        Já o casco de pressão não tem jeito, tem que ser metálico e resistente para aguentar a diferença entre a pressão externa, do mar, e a interna, atmosférica. Não pode ser feito de compósitos, pelo menos não na atualidade.

        O que a Saab promove é que utilizará revestimentos sobre as superfícies do submarino para diminuir sua assinatura.

  7. Qual será o preço do A26 de 1000 tons? Pelas caracteristicas parecem ser interessantes, penso que seria ótimo ter uma dúzia desse subs (menores e possívemente mais baratos) desse porte para ficar próximos da costa nos limites da ZEE (a DCNS tem um modelo um pouco menor, Andrasta) mas com caracteristicas um pouco inferiores.

    • Alex,
      Os scorpenes BR foram alongados em mais uma seção para ampliar espaço interno e combustível.
      O que você sugere está inteiramente na contra mão.

      • Olá Claudio, os SBR foram alongados para terem mais capacidade (usa mais baterias) sem uso de sistema AIP, pois o sistema francês (MESMA) demanda suporte complicado e caro, o que tornaria inviável para a MB, já esse sistema sueco (Stirling) me parece ser mais simples, porém tão eficiente quanto o sistema francês.

        No caso do SBR, como vão ser adquiridas apenas 4 unidades (ao menos é a atual previsão), quanto mais simples forem de manter e operar, melhor, visto que precisam ter uma boa média de prontidão.

        Se a MB tivesse condições, seria interessante ter subs com AIP, visto que mesmo sendo menores, possuem capacidades de operação de naves muito maiores.

        Por isso, em minha marinha imaginável e de baixo custo, ao menos 6 desses de 1000 tons teriam lugar garantido rsrsrs.

        *Eu particularmente gostei muito dos SBRs, e acho que a MB fez uma ótima escolha ao alongar-los e utilizar mais baterias, pois em tese, além de ser um sistema já conhecido, acredito que a manutenção e substituição das mesmas, não deve ser bicho de sete cabeças.

        Abraço!

        • “…os SBR foram alongados para terem mais capacidade (usa mais baterias)”

          Alex,
          A seção extra aumentou o espaço para armazenar combustível, víveres e melhorar as condições de alojamento. Os espaços para baterias não foram ampliados, pois não fazem parte da seção acrescentada.

          • Olá Nunão, muito obrigado pela correção, acabei me equivocando, faz muito tempo desde que vi as concepções artisticas do SBR e acabei deduzindo que tinha mais baterias, me desculpem pela desinformação.

            Aproveitando a deixa, você saberia me informar quantos dias nossos atuais submarinos e o futuro SBR pode ficar submerso? Acredito que a informação seja classificada, mas eu queria ter uma noção. Obrigado!

          • Alex,
            Esse assunto será abordado em futura matéria da série que estamos publicando desde a semana passada sobre o Prosub.
            Quanto a concepção artística, também temos publicado ilustrações com a parte interna dos SBR nas matérias recentes.

  8. Pode haver ocasiões em que um submarino precise operar na superfície por um tempo mais prolongado, quando operando em áreas rasas por exemplo, e isso é algo que submarinos de propulsão convencional que são menores que os “nucleares” podem ter que fazer, depende muito de possíveis missões e necessidades de usuários, então ter uma “vela” que ajude a reduzir o “RCS” pode ser uma coisa boa.

  9. “O projeto incorpora um lançador para o pessoal das forças especiais ao lado do lançador de torpedos na proa da embarcação, permitindo que eles saiam horizontalmente do submarino, em grupos de oito.”

    Achei curioso essa parte. Não conseguí acharesse lançador nas imagens e na maquete.
    Dá pra lançar forças especiais nos subs brasileiros, quando o sub está submerso?

    • Prezado ,

      A resposta encontra-se na série de matérias sobre o PROSUB, onde todas as características do submarino são mostradas e comentadas.

      Recomendo a leitura não só para você esclarecer a sua dúvida pontual, mas para se inteirar de uma série de informações muito interessantes sobre os novos subs.

  10. As baterias de Litio,tem problemas de estabilidade,mas a Classe Soryu,da marinha Japonesa,
    está usando baterias de Lithium-Sulfur,já testadas no sub Soryu de 3000ton,motor 6000Kw,
    a 10 nós de velocidade fica 12 dias submerso sem o uso do AIP.Eles não conseguiram vender
    nenhum sub ,poi não transferem tecnologia,quem sabe a MB não compra estas baterias de lítio
    deles para um sub Scorpene-Br,inclusive o snorkel deles é a prova de qualquer tipo de categoria do mar.No infográfico deles ,as baterias de Litio,são de três tipos,cada uma com mais capacidade

  11. Na liga do aço do casco o que manda são resistência e elasticidade. Eis o segredo, uma sem a outra não dá “liga”, rs.

  12. Esta vela chega a lembrar a do modelo SSGT da BMT.

    Era a proposta de um SSK de 4 mil ton submerso, mas idealizado para transito rapido de superficie.

    Podia chegar a 30 knots de superficie, sendo 6 mil milhas a 20 knots sustentado ou 12 mil milhas a 10 knots..

    Levava no topo da vela, turbinas a gás

    Obvio que em superfície sempre não contará com sua invisibilidade máxima porém, tem de se considerar que o perfil de um sub facetado ou não, mesmo em superfície é mais stealth que qualquer navio, fragata ou corveta.

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